Ultimamente não tenho visto muita televisão, talvez por isso me tenha andado a sentir mais inteligente. (o espalho do Abrunhosa não é televisão, é retribuição divina)
Talvez por isso tenha descortinado um certo zum-zum nas minhas costas. As pessoas olhavam para mim, falavam em surdina e não era sobre televisão. Era pior que isso. Nas últimas semanas desdenhavam de mim, não me convidavam para almoçar e, quando pensavam que eu não estava a ver, abanavam a cabeça em sinal misto de desdém e fiambre.
“Lá vai ele. Não sabe o que faz...” ouvia nos corredores. “É este que ainda não...”, as frases interrompem-se à minha passagem. Até que um responsável do meu estaminé me chamou à parte:
“ Já lá vão quase dois meses e tu nada. Pensa nisso no fim de semana, mas não nos podemos dar ao luxo, se isso se mantiver, de continuar a ter uma pessoa como tu aqui na empresa. Está muita coisa em jogo, não és só tu que ficas mal...”
A coisa ficou em aberto, mas eu sabia que a coisa ficou bem clara. Tinha de ser agora.
E pronto, lá fui ver o Avatar.
Hoje fui recebido em ombros, mal me viram elucidar a senhora da recepção sobre o termo Na’vi e as singularidades do povo Omaticaya.
Mal sabem eles que eu nunca vi ou li “O Código de Da Vinci”.
8.2.10
Ex-excluído social
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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5.2.10
A menina dança?

Música e dança, haverá melhor mistura? Não tendo resposta segura para tal questão, resolvi acrescentar álcool.
Epá, eu não enjoo em movimento, mesmo que tenha um problema nos braços. Espera lá, não é um problema, é uma donzela e sorri para alguém. Deve ser para mim, pelo menos sou eu que a estou a agarrar enquanto dançamos. Dançamos? Sim, deve ter sido essa a minha resposta, senão isto não faz sentido e eu estaria sentado.
Eu danço? Oh, se danço, enquanto passa por mim o Gabriel Alves, dançando um magnífico tango emparelhado com a Charlize.
Theron boas razões para isso digo eu, não resistindo a uma piada em movimento.
“Altossddseenr e párnejeej o bailenazzz!!” A expressão não sai tão bem quando gritamos com uma rosa na boca. O baile pára, Gabriel comenta a beleza da força do baile versus o baile da força. Já eu não comento nada, estou à rasca a tirar espinhos de rosa das beiças. A fazer beicinho está a Charlize, o Gabriel deixa-a fora de jogo com uma entrada mais dura, creio beringelas com vinagrete.
A bater o pé o meu par é ímpar. As socas ajudam, mas não lhe consigo ver a cara. Talvez por ter 35 cms a menos que eu e estar a limpar as lágrimas à minha camisa de folhos.
Desculpem, deve haver aqui alguma falha em relação aos folhos. Eu não uso disso.
Trazem-me outra camisa. É de forças.
Finalmente vejo a cara ao meu par, acho eu que é a cara. Ou tem dos bigodes mais deslumbrantes que conheci até hoje ou o cabelo escadeado não lhe fica bem.
É uma Madre Teresa por me aturar.
Suspeito que anda a ser Madre Teresa com outros nas minhas costas. Só lhe desculpo porque é efectivamente a Madre Teresa.
Começa a cantar-me uma música ao ouvido e diz que quer viver comigo em Ibiza. Suspeito que andou a ler o meu blog.
Tenho comichão na orelha, mas com a camisa de forças não me dá jeito coçar.
Resolvo acordar.
Abro os olhos, tudo parece anormal. Sinal de que já acordei.
Cuspo um espinho da boca que é para não me armar em esperto.
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Sérgio Mak
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13:21
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4.2.10
Sem medo de ser parvo

Há uma diferença entre ser parvo sem o saber e sê-lo de forma assumida e descontraída. Se não há, passa a haver, até porque sou parte interessada. Aliás, não sendo o despotismo modalidade olímpica, permitam-me que elabore sobre a questão.
As pessoas que são parvas sem o saber, como essa condição indica, julgam-se bem longe do Olimpo da parvoíce. Podem pensar-se portadoras de fino humor, requintada inteligência, oportuna sagacidade ou sublime genialidade, quando na realidade são essencialmente parvas. E se o sorriso amarelo não os ajuda a perceber isso, é melhor não tentar a pergunta “Tu és um bocado parvo, não?”.
Por outro lado, já eu responderia a essa pergunta com um sorriso aberto e confirmação rápida e concisa.
Sim, sou parvo.
E basta isso para parecer logo menos estúpido. Aos parvos assumidos desculpa-se muita coisa, porque...são parvos. Tendo cuidado em não pisar a fronteira poderás fazer carreira na parvoíce, isto sem descambares em parvalhão, patarmar a partir do qual se acabam as regalias.
A parvoíce é um filtro a partir do qual até a realidade mais dura tem um ângulo mais suave. O parvo, quando domina o seu mister, é uma valiosa companhia, com a vantagem de que não precisa de ser passeado à rua. Curiosamente, os parvos que o são sem saberem, tendem a não gostar dos parvos assumidos. É natural, são parvos, mas de outra espécie.
Não me preocupa ser parvo, enquanto tiver sempre a noção de quando o estou a ser. Como por exemplo hoje de manhã no elevador a caminho do trabalho, ao ser interpelado por uma jovem empresária de sucesso:
“Vai subir?”
retive a porta
“Só na sua consideração, espero”.
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Sérgio Mak
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12:07
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3.2.10
Viver contrariado
A vida é feita de contrariedades. Estamos no quentinho do ventre da nossa mãezinha, mandam-nos cá para fora. Somos crianças e não temos responsabilidades, estamos a gozar isso e vêm logo obrigar-nos a ir para a escola aprender. Depois de aprendermos tudo na escola ou fingirmos bem, dão-nos duas opções: ou vais trabalhar ou vais aprender mais para a universidade. Se fores um verdadeiro maluco, fazes as duas ao mesmo tempo.
Por esta altura, se não tiveste a contrariedade de ter o QI de um espargo, já passaste mais de um quarto da tua vida a lidar com isso. E ainda a procissão vai no adro.
É que, se não nasceste com o kit eremita plantado no cérebro, vais perceber a dada altura que há outro vazio na tua caderneta, que só é completa com um cromo difícil de encontrar. E começa aí outro processo de tentativa-erro, que muitas vezes te vai levar à contrariedade de te veres com o coração nas mãos, nos pés e noutras partes do corpo que manifestem interesse em adquiri-lo.
Independentemente do que já tenhas aprendido e trabalhado, poderás portanto sentir-te burro e inútil. Por outro lado, podes efectivamente ser burro e inútil, mas ter alguém com quem compartilhar isso todos os dias. A contrariedade, nesse caso, surge apenas se a outra pessoa te relembrar isso todos os dias.
Lembra-me alguém que há quem não veja muita contrariedade no facto de nascer com o rabo virado para a Lua. Contraponho, referindo que o facto de passar a vida a ser reconhecido por uma determinada posição do meu rabo não é o mais agradável. É, porventura, uma contrariedade.
Não vou sequer mencionar a contrariedade que é chegar o dia em que te dizem que não precisas de trabalhar mais, apenas para descobrires que a tua reforma já não existe, devido a algumas contrariedades do sistema de segurança social. Ops, já o fiz.
Mas, pelo meio disto tudo, podes não ter noção de grande parte das contrariedades que apontei. Em primeiro lugar, pela contrariedade que é passar a vida a vivê-la, o que te deixa pouco tempo para pensares em ti. Em segundo, porque nos foi instituído um certo gozo na superação, ainda que aparente, de todas as contrariedades que se nos vão aparecendo à frente durante a vida.
E isso, para quem gosta de dizer mal da vida, é uma contrariedade.
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Sérgio Mak
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11:51
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2.2.10
Intervalo para reclames
Por norma, publicidade é coisa que não se vê muito neste espaço. A não ser que seja má publicidade e, nesse caso, muito possivelmente foi causada por mim.
No entanto, desta vez não é esse o caso. É um bom exemplo aquilo que vos mostro.
Aproveitem, não vão encontrar muito disso por aqui.
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Sérgio Mak
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1.2.10
Alien da parte do pai

Enquanto estacionava o meu disco voador em plena Avenida de Roma, buzinando freneticamente ao idoso que insistiu em atravessar mesmo por trás do OVNI, ocorreu-me uma forte possibilidade – “E se eu for um extra-terrestre, não obviamente daqueles fofos com dedos iluminados, mas assim daqueles estranhos, sem roçar também a violência daqueles que saem de dentro de caixas toráxicas de humanos?”
Congelei o parquímetro com o poder da mente, enquanto me debruçava sobre essa possibilidade. “Ora eu nunca fumei um cigarrinho que fosse neste vida terráquea, não aprecio minimamente café e tenho pela cerveja a mesma estima que nutro pelas novelas venezuelanas, ou seja, só para me rir de vez em quando”
Dei por mim a falar comigo em voz alta e, depois deste discurso, já as pessoas fugiam a correr ou olhavam para mim como se ter um braço atrás das costas não fosse algo perfeitamente normal.
Matutei alguns segundos, usando a minha matuta comprada numa loja de penhores em Marte, e prossegui “Por outro lado, há todo um tipo de interacções humanas que aprecio, como as cócegas nos pés, as piadas secas e a utilização de léxico diversificado de modo pomposo e galante em situações que façam pouco sentido. Isto para não falar de regabofe à antiga.”. Portanto, talvez não seja totalmente de fora desta região.
Enquanto pensava mais um pouco, passei uma rasteira a um cego, sinal do máximo respeito pelos invisuais na minha terra, não percebendo a reacção de pânico e indignação de boa parte dos transeuntes. O cego, vá lá, limitou-se a cair e a chorar, certamente de emoção pelo meu tributo.
Não fiquei com certezas, mas já o implante neural sináptico-tamagochi tocava a pedirem-me para ir acabar com a peste do smiffer em Jupíter, que lá ao menos sempre pagam os serviços a horas.
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Sérgio Mak
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30.1.10
Tenho um Moto Moto na cabeça
Alguém que me tire a porra da música do hipopótamo da cabeça. Quem me manda a mim andar a ver desenhos animados...como se a minha cabeça não me bastasse...
Chunkyyy!
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29.1.10
Sherlock Holmes na fila do supermercado
Na fila para pagar no supermercado, como se pode tentar deduzir, com alguma segurança, que a jovem à nossa frente ou vive sozinha ou tem sérios distúrbios alimentares?
Olhando para o seu cesto e verificando que consta de 1 desodorizante, 1 embalagem de pensos higiénicos e cerca de 15 embalagens de comida para gato.
Como se deduz que atrás dela ia um gajo meio parvo?
Olhando para as trinta coisas que leva no seu cesto e no saco de plástico ridiculamente pequeno que leva na mão e espera que milagrosamente aguente sem romper até casa.
Ontem, os milagres não existiram.
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Sérgio Mak
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14:58
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28.1.10
Domingo Desportivo versão Striptease

Existe por aí uma gentinha que afirma em surdina que neste blog não se abordam temas de jeito. Gostaria de negar peremptoriamente, e uma vez mais, o facto de isto ser um blog. Mas, porque até tenho umas noções de entretenimento de massas, permitam-me misturar o universo do comentarismo desportivo e do striptease.
Nos habituais programas de comentário desportivo, temos resumos de dois minutos e secas de meia hora. Análise ao pormenor, discussões acaloradas sobre capacidades técnicas e capacidades de técnicos, etc. Como isso me farta um bocado, acabei por ir ontem ao cabaret Maxime, onde a noite prometia Manuel João Vieira e dançarinas exóticas.
O programa revelou-se interessante, se bem que não exactamente o previsto, pois Manuel João deu uma de Dom Sebastião e foi o guitarrista dos Ena Pá + pianista a fazer o support act das três miúdas desinibidas que entraram em palco mais tarde. O facto de ter ido acompanhado de senhoras (e uso este termo como contraste óbvio para o bandalho que sou) revelou-se um claro valor acrescentado.
Ver um show de strip acompanhado de mulheres foi como ir ver o jogo da bola com o Gabriel Alves e o Rui Santos ao lado. Não se deixa de apreciar o espectáculo, mas tem-se toda uma outra dinâmica técnico táctica. Vejamos apontamentos.
“Ah, tem muito pouca sensualidade a dançar. Parece um cepo.”
“Epá, celulite é que não, estraga um pouco o número para uma profissional do género”
“Repara na musculação das pernas. Horas de ginásio, tornear assim sem exagero não é fácil”
“A morena é sem dúvida alguma mais evoluída tecnicamente que as outras. A cabra tem cá uma flexibilidade. Pena a cara de cavalo.”
“Há muita silicone a actuar no campeonato do strip. Pena que nem toda seja realmente um valor acrescentado”.
“A combinação roupa-música não está a funcionar muito bem. Não estudou bem o número”.
“Esta gaja é muito dinâmica, ocupa bem os espaços no palco, parece que tudo está focado nela”.
“Os implantes daquela tipa são claramente uma aberração”.
“Muito boa música. Assim até eu me despia”.
“Estás a gozar com o tipo que ela sentou na cadeira? Não é fácil, vais lá tu?”
Não fui. Não podia. Estava completamente embevecido a ouvir pérolas da análise stripteaser. As gajas, de facto, não eram nada do outro mundo, mas tinham o seu talento. E não fui eu que disse isto.
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12:33
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27.1.10
Uma vida em 15 linhas
Alberto, o Arte e Tecto
Alberto nasceu para ser arte e tecto e, mal nasceu, disse isso a quem o queria ouvir. “Arquitecto”, corrigiam-no com um sorriso, quando ele ainda era pequeno demais para os desmentir com algo mais do que “Na, na, na, arte e tecto”. Quando começou a crescer, manteve “Arte e tecto, é o que quero ser”. Sorrindo menos, não o corrigiam tantas vezes, pensavam que era fase “Ora, o primo Carlos também queria ser burro crata e agora tem uma boa carreira, o 28 da Carris”.
Em Portugal não havia cursos de Arte e tectura, por isso foi para o Tibete, aprender tudo o que sempre quis saber, na Faculdade do Tecto do Mundo. Alberto voltou diferente, voltou contente e arte e tecto formado. É bem sucedido e passa a vida a ser convidado para ficar pendurado no tecto, a decorar casas de pessoas importantes. A arte e tectura está na moda. Há quem já não sorria e goze quando falam de Alberto, o arte e tecto. Ninguém gosta de tipos que ganham a vida a olhar as pessoas de cima para baixo.
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Sérgio Mak
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12:01
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26.1.10
Cromos auto-pedantes
Gosto de interagir com gente pedante. Especialmente de lhes dar com um malho nas rótulas só para os ver a rastejar, isto falando obviamente em sentido figurado, que eu sou pela paz (ou pelas pás, se for para lhes dar com elas nas trombas).
O que é realmente triste, em boa parte das pessoas pedantes, é que não se vislumbra o porquê dessa atitude. Se fossem génios, aristocratas de oito gerações ou, vá lá, eu, até se percebia. Mas, na sua generalidade, são pessoas mesquinhas que usam o pedantismo como uma capa de superioridade para ocultar as suas próprias falhas.
Depois, caem no ridículo perante pessoas que ligam zero a esse tipo de atitude ou que as desarmam e expõem o que realmente são. De que serve a um casal de cromos massacrar a cabeça a um empregado de mesa, porque têm de esperar por uma entrada, quando só estão à espera porque foram pela opção buffet livre (mais barata), em vez da opção carta. Quanto mais alto falam, mais ridículos se tornam, porque quem ouve pensa: “Se tens um padrão de exigência assim tão elevado, porque raio não optaste pela carta ou não te calas e esperas só uns segundos até reporem”.
Isto é só um exemplo, outro seria o de, no espaço profissional que frequento, a minha empresa (onde impera uma certa informalidade) coabitar com a de uma consultora (formalidade rules). Formalidade, gravata, tailleur, sapatinho pipi-fashion, pasta com portátil, i-Phone, ar de nhonhó e falar das férias na neve não são sinais de superioridade, mas sim de ostentação. Não me impressionam em viagens de elevador, não me fazem sentir pequeno no mesmo café e não me causam suores frios (para isso basta-me o ar condicionado).
Por isso, vão lá ser auto-pedantes para a vossa caderneta, que eu para esse pedantório não contribuo.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:17
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25.1.10
Faisal guma coisa por ti pá!

Já muito se falou sobre Abel Xavier, portanto falemos então de Faisal... Xavier. Antes de se converter ao islamismo o Faisal foi um futebolista conhecido em todos os cantos do mundo, particularmente por ter jogado praticamente em todos os cantos do mundo. Num total de oito países e mais de dez clubes, antes de ser Faisal este rapaz correu todos os campeonatos e em todos os campeonatos houve quem corresse dele.
Porquê? Porque mais do que clubes, futebol e capacidades futebolísticas, a páginas tantas o Faisal antes de o ser, acumulou mais penteados exóticos do que clubes e países somados, isto para ser simpático.
Desde Yeti, a Cotonete Dourado, passando pelo Abelminável Homem das Neves, muita coisa chamaram ao Faisal quando ele ainda não o era. A dada altura pareceu até que os seus olhos mudaram de cor, mas já ninguém ligou muito, pois tinha-se tornado rotina. Além disso, no futebol o seu destino já tinha ficado marcado pelo lance da mão-que-não-foi-mas-na-volta-até-foi nas meias finais do Euro2000.
Longe do rapazinho que tinha aparecido num clube de Amadora, o pré-Faisal era agora um boneco simpático para tirar fotos e decorar o relvado tipo árvore de Natal. Foi até aos EUA, para aparecer em postais ao lado do David Beckham. Mais socialite do que futebolite, o já quase Faisal que, diga-se de passagem, sempre foi minimamente articulado no discurso colocou um ponto final na carreira dos relvados, embora também se possa dizer que a carreira há muito que já estava em reticências.
Pensámos nós, “Ah, Faisal-no-prelo, é agora que vais deixar de ser motivo de atracção e acalmar”. Mas não, não havendo futebol, logo houve Islamismo para voltar à ribalta. Totalmente lícita a opção (como todas as de cabeleireiro o tinham sido), mas Faisal, e agora sinto que te posso tratar assim, não achas que depois de tanta tropelia já poucos te levam a sério?
Logo à noite, quando pisares o relvado da Luz para ajudar o Haiti, pensa nisso. Porque o Faisal podia ser o começo de algo novo e não uma sequela de um Abel Xavier de quem já todos já só estão pelos cabelos.
Uma pessoa reinventar-se é algo positivo, mas de que serve isso se ficar tudo na mesma?
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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09:47
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23.1.10
Mordam lá esta
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Ainda outro dia aqui falava da epidemia de vampiragem que para aí anda, desde que a coisa passou da categoria horror para a prateleira pop/sexy. Como é óbvio, a programação nacional não podia deixar de aproveitar a ocasião para nos sugar a paciência.
Assim sendo, já este fim de semana, estreiam Lua Vermelha (SIC) e Destino Imortal (TVI). Se a sinopse da primeira tresanda a cópia da saga do Crepúsculo, o segundo também tem essas referências mas dá-lhe um toque familiar, coisa que já se tinha para aí há 20 anos, com a Vamp que nos chegou direitinha do Brasil.
Vou já colocar uma coleirinha de alho no meu comando de televisão, que eu estou bem a par das tradições e sei que os vampiros e a programação da tanga só me entram pela casa adentro se eu deixar.
PS - Aguardo nervosamente ser "surpreendido" por séries nacionais sobre tremores de terra, poker, médicos loucos, médicos pseudo-sexy e super heróis, coisas que também parecem estar a interessar audiências.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:00
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22.1.10
Quando o telefone me toca

Todo o Super Homem tem a sua kryptonite, dai que seja natural que até eu tenha as minhas fraquezas. Sendo eu matreiro como uma qualquer raposa que se preze, não me vou pôr para aqui a enunciar as que realmente interessam, até porque em termos de folhetins sentimentais já está a blogosfera bem servida.
No entanto, e visto que não estou à espera de uma chamada vossa, posso dizer-vos que tenho muito pouco prazer em falar ao telefone e que o uso frenético do telemóvel veio apenas acentuar isso mesmo. Do alto dos meus skills comunicacionais, quer por via da escrita, quer em pessoa, hábil artista do léxico diversificado e parlapié para entreter donas de casa e surpreender eruditos, vejo-me feito mono em conversações telefónicas, especialmente quando não se trata de gente que me é próxima (e ainda assim...).
Há algo no telemóvel (para além de que este aparelho veio estimular o inseguro e o pequeno controlador que há em muita gente) que me soa sempre a traiçoeiro. Enquanto observador da fauna social, na conversação telefónica falta-me a proximidade que, para muitos, o facto de ser mano-a-mano parece contentar.
Depois, a riqueza da escrita quando existe, para mim é bastante mais sedutora do que falar para o tamagochi. É essa a minha natureza, quanto ao resto, muita saudínha para quem aprecia uma boa hora de converseta com a torradeira no ouvido.
Quem me ouvir ao telemóvel, terá dificuldade em perceber que por detrás daquela voz cortante, que quer despachar o que quer que esteja na origem daquela chamada o mais depressa possível, está um tipo eloquente, sagaz, irónico e, acima de tudo, modesto. Mas, por outro lado, quem vem aqui ao blog também nunca viu nada disso e ainda volta.
Por isso, vou desligar a chamada, mas fiquem aí que eu já volto.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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09:31
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21.1.10
Mestre-sala de pânico

As pessoas tendem a não gostar do pânico, muito possivelmente porque não conseguem controlá-lo. O que até é natural, dado que o pânico viaja normalmente acompanhado do horror e da desgraça.
Mas, em ambientes específicos, não me referindo eu a experiências com ratos de laboratório e queijos suíços, o pânico é um bom amigo. Por exemplo, nos meus tempos de marujo, dei por mim num destino tropical rodeado de beldades, estando elas rodeadas maioritariamente pelos seus respectivos Sandokans.
Um deles distinguia-se pelo seu físico hercúleo e atitude de matador. Por todo o sítio onde o vi por essas bandas, tinha sempre um ar calmo, cool e de quem salva o mundo enquanto prepara um batido de proteínas.
Quis o destino que estivéssemos os dois no mesmo barco (literalmente) num cruzeiro pela região. A meio do mesmo, os animadores celestiais acharam que seria porreiro abrilhantar a coisa com uma tempestade tropical e cocktails de pânico para toda a gente. Chuva a rodos, muita agitação e eu, sempre que pude, no convés a espreitar a tormenta, enquanto que o matulão se encolhia lá em baixo, sentadinho ao pé da Dona Alzira de 70 anos.
Se eu tive medo? Tive sim senhor, mas nunca pensei que estava ali a queimar os últimos segundos da minha existência. Mas, quando aquilo terminou (e foi relativamente breve) dei por mim a rir e a pensar “Epá que experiência”. Foi quando o Hércules de trazer por casa assomou ao convés e, vendo-me a rir, disse meio a chorar entre dentes indignado “Epá...epá” (fazer uma voz fininha para ainda tirar mais seriedade ao indivíduo) “Epá, mas tu estás-te a rir?? És parvo, nós íamos morrendo, morrendo ouviste e a rir. Eu não percebo...”
Mas eu percebi. As pessoas em pânico são como fotografias sem moldura decorativa. Por mais enfeitadas que estejam, na altura da verdade, despidas dessa capa, é aí que as conhecemos verdadeiramente. E isso, rapaziada, é coisa que tem um valor para lá de Bagdad.
PS - Isto é válido para climas tropicais, para a pessoa ao vosso lado no emprego ou para o colega de carteira. Vejam como em reagem em pânico/sob pressão e terão uma boa noção daquilo com que podem contar.
Rasgo alucinado de
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15:09
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20.1.10
Batam palmas, é o bate-pé

Se o nome desta actividade lúdico-libidinosa não vos diz nada, então é porque são jovens demais para estar a consultar este blog e, nesse caso, fechem lá a janelinha e voltem para o site dos Morangos com Açúcar.
Caso o nome vos desperte algumas memórias e todo um sistema de código numérico-beijoqueiro, então estão no sítio certo. A verdade é que recentemente, pelo meio de uma garrafa de vinho (não, não foi sozinho à porta do Lidl), veio à baila o tema do bate-pé, esse jogo que batia nas horas o Traga-Bolas ou o Pulgas na Cama.
Haveria coisa mais interessante para criancinhas desinibidas do que juntar raparigas de um lado e rapazes do outro (na altura o governo ainda não tinha aprovado o bate-pé entre pessoas do mesmo sexo) e pô-los a pedir números uns aos outros, que correspondiam a coisas que iam do aperto de mão, ao beijo na boca, ao diabo a quatro e até ao casamento.
Era a adrenalina de arriscar e ver-se correspondido ou jogar pelo seguro e ser um pacholas. A rejeição teria que ser superada convidando um amigo para irem beber um pacote de leite com chocolate e desabafar sobre o assunto. Com o tempo, gente inventiva começou a inventar números que já queriam dizer tudo e mais alguma coisa, lembrando-me eu de um que já trazia laivos de um certo materialismo feminino, pois exigia “um anel” antes qualquer outro tipo de brincadeira a dois.
Longe de mim ficar-me para aqui a chorar pelas memórias. O bate-pé tem o seu lugar na minha prateleira de recordações, mesmo ao lado do episódio em que parti a cabeça à pedrada ao meu melhor amigo, depois deste me roubar uns berlindes e da vez em que a coisa correu mal quando resolvi saltar de um eléctrico em andamento ao pé do Aquário Vasco da Gama. E está lá muito bem.
Contudo, não deixa de me assomar um sorriso maléfico quando penso no que aconteceria se, no mundo dos adultos, as coisas também funcionassem com a lógica do bate pé- “Então, vamos jantar fora?”, “Tudo bem, mas aviso já que contigo não passo do 4”, “4?? O que é isso?”, “No máximo dou-te um beijo na boca”, “Ah, então esquece o jantar, vamos só ao cinema”. E logo se ouviria um pé a bater no chão, pondo fim à história o que, vendo as coisas, seria bem melhor que uma chapada.
Phoenix, 1901
Rasgo alucinado de
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10:43
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19.1.10
Eu em 3 verbos
Querem gramática pessoal, querem? Então tomem lá.
Criar
v. tr.
1. Dar existência a.
2. Dar o ser a.
3. Gerar; produzir.
4. Originar.
5. Educar.
6. Inventar.
7. Fomentar; estabelecer; interpretar.
v. pron.
8. Nascer; produzir-se.
9. Crescer; passar à juventude.
Ironizar
v. tr.
1. Tornar irónico.
2. Exprimir com ironia.
Racionalizar
v. tr.
Tornar racional ou reflexivo.
Como é óbvio, o léxico da minha existência é mais extenso e tem erros. Mas não estou cá para vos facilitar a vida e prontuários ortográficos é coisa que não falta à venda por aí.
Rasgo alucinado de
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11:44
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18.1.10
A minha ida ao veterinário

Haverá melhor programa para domingo de manhã do que ir ao veterinário (a pergunta é retórica, não precisam de responder). Pois foi isso que fiz.
_________________________________________
O espaço anterior está reservado a todas as piadas do género: “Então, doeu muito?”, “O que é que tinhas?”, “De um animal como tu espera-se tudo”, etc. Posto isto, posso dizer que é uma experiência curiosa.
Primeiro que tudo, o nosso sofrimento é indirecto. Ou seja, podemos estar preocupados, mas sobra-nos a lucidez mental (quando esta existe) para observar o que nos rodeia. Em segundo lugar, porque o binómio pessoas-animais (quando é possível a distinção) gera situações caricatas, apesar do local em causa.
Assim, num parágrafo, encontramos: a família desavinda que acerta as contas na sala de espera, utilizando o animal como arma de arremesso. A velha fatalista que sofre sempre muito com os animais e jura que o Jeremias, o 38º gato que tem vai ser mesmo o último (ou talvez não, tal é a falta de memória que a leva a confirmar 38 vezes como é a história da medicação). A senhora dondoca que tem um cão de ouro, pelo receio que tem em mostrá-lo ou deixar que ele interaja com pessoas e bichos. O pai com o filho que tem comportamentos mais animalescos do que o paciente. A mulher que tem no animal de estimação o filho que ainda não tem. O tipo que está preocupado porque usa o cão para engatar e com ele avariado a coisa não corre bem. A velha beata de consultório, que sabe tudo sobre animais e consegue descrever mais de 20mil mortes trágicas e doenças horripilantes de animais antes que consigas dizer “Cale-se, por favor”. Pelo meio ainda vão lá algumas pessoas normais, que gostam de animais e de pessoas como eu.
No final de contas, é difícil não sorrir quando finalmente o veterinário nos atende e, meio em desabafo nos diz “Às vezes chegam cá em muito pior estado do que os animais”.
Calculei que fosse uma dica para não continuar a fazer-lhe xixi na perna.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:27
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15.1.10
Mas tu lês o que escreves ou escreves o que lês?
Houve alguém que se lembrou de estabelecer que quem gosta de escrever, por norma gosta de ler. Big deal, isso apenas vem confirmar que boa parte dos escritores são uns narcisistas de primeira que gostam é de ler aquilo que debitam enquanto dão palmadinhas nas próprias costas.
Desde já quebro esse mito, se há pessoa que não gosta de ler aquilo que escreve sou eu, essencialmente porque quando o faço chego a ficar com inveja de mim próprio e do misto de parvoíce, genialidade e modéstia que emana da minha mente. Além disso, não me quero sujeitar a encontrar comentários meus a gozar com os meus próprios textos, que eu sei bem como são os tipos que têm a mania que são engraçadinhos. Nem que seja por ser um deles.
Assim sendo, entretenho-me a ler livros de outras pessos, primeiro porque gosto de conhecer pessoalmente os artigos que decoram as minhas estantes e, em segundo lugar, porque tenho uns quantos volumes daquelas edições tipo 1001 coisas (Livros, Filmes, Discos, Receitas do Chefe Silva) para ver antes de Morrer e agora, apesar de ainda estar na flor da idade, sinto muita pressão nos ombros, especialmente no que ao Chefe Silva diz respeito.
Neste momento, dois volumes em análise. Um deles sobre algo que muito possivelmente não sei se tenho, outro sobre algo de grande valor para quem o sabe utilizar. Para não me envergonhar, obviamente não vou dizer mais que isto.

Nota mais ou menos séria: Para quem aprecia humor (e para cá vir tenho a ligeira impressão que ainda são uns quantos), a Antologia é uma bela porta de entrada para a obra de alguns autores portugueses que, na melhor das hipóteses, muita gente conhece apenas superficialmente.
Nota menos séria: O do cérebro também é muito interessante, especialmente para quem só o conhece/utiliza muito superficialmente.
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Sérgio Mak
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10:28
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14.1.10
Falar do tempo, essa cena fashion

Começo por agradecer ao tipo que vendeu a alma ao Diabo para termos quinze minutos de Sol em Lisboa hoje. Apesar de efémero, é um esforço bonito que tive a oportunidade de observar. Obrigado e que a danação eterna não faça esmorecer esse espírito grandioso.
Mas, adiante, que é do tempo que se fala aqui hoje. E, para quem não é de modas, haverá melhor tema? Actualidades, como o seu nome indica, são temas de conversa que facilmente deixam de condizer com a roupa e, porque não, com a capa de pessoa interessante que gostamos de usar.
Temas mais pesados, como Filosofia, Arte ou “Bola” não ficam bem a toda a gente, uns porque se arrastam demasiado, outros porque são muito formais e alguns temas nem sequer assentam bem a toda gente. Haverá coisa pior do que alguém a usar um tema na rua ou num jantar de amigos que não só não tem nada a ver com ele, como ainda se percebe que não está nada confortável?
Portanto, se querem o meu coneelho, falar do tempo é o eterno “novo preto” em termos de tema de conversação. Pode parecer de propósito, mas fenómenos como o aquecimento global só vêm confirmar isto. Tempo incerto, degelo, chuvas e secas, tornados, ciclones, anti-ciclones ou, para os mais simplistas, “um caloréu dos diabos” ou “uma humidade que não se pode” são frases que se pode usar sempre em qualquer altura.
Seja para quebrar o gelo em reuniões, elevadores ou a preparar bebidas, em situações românticas (Vide Guia Nacional do Piropo “Estás a causar-me cá um aquecimento global”) ou mais funestas (Vide Guia Nacional Funesto “Olhe, foi-se por aí abaixo como a temperatura e agora está ali frio e rígido que nem uma solha congelada”), o tempo há-de ser sempre útil para quem quer ficar bem na fotografia.
Como é óbvio, esta norma não se aplica a mim. Eu sou daqueles privilegiados que faz conversa de qualquer coisa, até do tempo....
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Sérgio Mak
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12:58
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13.1.10
I don’t want to live in Ibiza
Racionalizar uma música de dança, ora aí está uma coisa que não se deve fazer. Como tal, obviamente que me decidi a fazê-lo, mais por preocupação depois de me ter apanhado a cantar “I want to live in Ibiza”, do que por outra coisa.
Primeiro que tudo, eu NÃO quero viver em Ibiza. Depois, visto que não sou grande fã de música do género (o que não quer dizer que não seja um dançarino de primeira), quero aqui culpar rádios e auto-rádios alheios pelo facto de injectarem tal pastilha nos ouvidos de inocentes (vou poupar a mentira de dizer “como eu”).
Finalmente, eis as conclusões da minha investigação
- O artista é o DJ Diego Miranda e sua partenaire Liliana. Diego, sendo português, meteu o Diogo no bolso, pois o apelo do mercado hispânico tende a causar este efeito. Por esse motivo, tratem-me por El Malo a partir de hoje.
- Sim, eu sei, a letra de uma “música de dança” baseia-se num refrão simples e muita repetição. Tal não deveria dispensar que o resto da letra fosse mais do que palha para enfeitar, já que insistem em ter uma.
- O vídeo é o espelho do aspiracional de quem quer efectivamente viver em Ibiza. Mais uma boa razão, para eu não querer fazê-lo.
- Começar com um plano de Lisboa é bonito. Mas, no mercado internacional é mato e engana, pode pensar-se que Ibiza é já aqui.
- Liliana, moça culta, lê um livro. Toma lá que já captei todos os intelectuais para o meu som. Nesse livro está um postal/marcador de Ibiza. O sonho e as memórias começam...
- Parece que Liliana e su muchacho gostam de passear de barco ao pôr do sol. Calha bem quando se canta “The sun is rising”. Em Ibiza, o andamento é tal que é fácil não sabermos a quantas andamos.
- Ibiza é uma ilha bonita, tanto que esta música podia ser o hino da Remax da zona (ou seria um remix?). A porrada de planos idênticos da baía comprovam isso.
- Há uma certa selectividade em Ibiza. Daí as festas abrilhantadas por Diego parecerem ter sempre as mesmas cinco gajas focadas e o resto ser sempre desfocado en passant. Ou isso ou a guitola não dá para tudo.
- Ibiza é também sensual. Se o ritmo não demonstrar isso, Liliana terá que o fazer, tocando-se aqui e acolá ao som do reminder “Feel your body and everybody, thats the game we will play”. Espera lá “my body” e depois “everybody” e “games and soi on”? Não sei bem se esse é o tipo de comboio maroto que eu quero apanhar...
- O artista principal também quer mostrar aos amigos e família que tem a sua tatuagem finalizada. Sôr realizador, ponha lá dois planos focados na mesma. E, já que investi dinheiro no vídeo, ponha lá também uns planos saloios de mim e da Liliana na piscina em relax activo, que a vida em Ibiza não pode ser só trabalho.
- Como se isso não bastasse, há uma estrofe final, semi-declamada, para nos fazer pensar “The sexy island / The Powerful One / If you don’t have the spirit / Than you can’t return”. Que tipo de controlo fronteiriço é este? E porque raio a dicção da moça não me deixa perceber se é can ou can’t que ela diz. Não me convinha nada fazer as malas e depois chegar lá e voltar para trás por causa do spirit em falta ou em excesso.
- Bónus track: os comentários no Youtube. Valem mais que o vídeo, especialmente no âmbito da Psicologia e da Sociologia.
É fácil dizer mal? É
Será fácil fazer melhor, sendo menos wannabe e vendo mais as coisas como elas são? Também.
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Sérgio Mak
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14:10
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12.1.10
O Tempero médico

Nunca fui rapaz muito dado a doenças, pelo menos daquelas comuns. A título de exemplo, não tive sarampo, nem papeira, nem varicela, nem outros bónus infantis que nos dão histórias para a posteridade, depois de adultos. As minhas maleitas foram sempre coisas mais condizentes com a maldade que me é inerente. Ou seja, estranhamente interessantes.
“Ah, o menino vomita e tem febre alta 1 ou 2 vezes por semana e depois passa-lhe? É da alimentação, vá fazendo listas do que ele come”. Só depois de várias listas, vários vómitos e várias febres depois se chegou à conclusão de que eram os malandros do feijão e do grão. Solução: não os coma (alimentos só retomados depois de adulto).
“Ah, o menino foi levar uma vacina e ficou com um bracinho que faria o Hércules corar de inveja? Deve ser reacção alérgica, vamos fazer testes”. Testes esses que levaram ao conselho de “Se não quer ser culturista, tome só as vacininhas mesmo em casos essenciais”. Lá se foi a colecção de carimbos no boletim de vacinas...
Fora isso e uma pele sensível para contrastar com um interior endurecido, aqui o artista cresceu saudável e com uma destacável resistência à dor. “Ai que bom!!” dirão os mais fracotes, ainda a chorar agarrados aos dedinhos depois de terem magoado uma unha na tecla Enter. Atentem ao que vos digo, tolerância à dor é como um tempero, só é boa até certo ponto. E quem vos diz isso é um tipo que pratica desporto desde tenra idade com todas as amolgadelas que me fazem rir quando me dizem “Desporto é saúde”. Pronto, por acaso é, mas também é muita porradinha no lombo.
A dor é um alarme do corpo. Tal como os alarmes dos carros, às vezes foi só um anormal que se encostou, mas convem pelo menos ir espreitar. O que também não é o mesmo de correr aos gritos escada abaixo, cada vez que se tem dor/o alarme do carro toca.
Serve isto para dizer que, por um lado não tenho grande estima pelos campeões da hipocondria, medalhados inúmeras vezes nos Jogos Olímpicos do Alarmismo e nos Mundiais do Choraminguismo Absoluto. No entanto, por outro lado, também não me deslumbro com campeões da saúde de aço, os Homens e Mulheres de Ferro que se orgulham de ter feito o último check up médico na maternidade e que só sentem dores em caso de explosões nucleares à queima roupa. É gente que ainda não aprendeu que quando o corpo nunca se queixa de nada....
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Sérgio Mak
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13:47
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11.1.10
Pedido Encarecido ao Sr. Vendedor de casas
Faça-me um favor, ou melhor, faça um favor a si mesmo. Se eu estou interessado em comprar uma casa, trate-me como uma pessoa que está interessada em comprar uma casa e não como um alguém que vai comprar um pacote de leite. Até porque, vistas as coisas, a comissão de uma casa é substancialmente maior do que a de um pacote de leite, indepentemente do tamanho da vaca.
Primeiro que tudo, se está apostado nas novas tecnologias e não entende por novas tecnologias a utilização de vocábulos de venda tipo, “muito cachet”, “joy of living” e toda uma gama de adjectivos para lá do indispensável, então ponha o imóvel na Internet. Garanto que, como eu, existe muita gente que agradece a disponibilidade. Mas, se o fizer, agradeço também que ponha fotos, porque um quadrado cinzento a dizer “Ñão disponível”, não é um grande cartão de visita. No entanto, não deixe que a sua veia de Doisneau se apodere de si. O jardim a 200 metros da casa pode ser agradável, a rua pode ser pitoresca e duas crianças que brincam num largo podem ser inspiradoras, mas o montante pedido não inclui nenhum destes itens, pelo que o melhor é concentrar-se na casa. Pronto, não sejamos extremistas, deixe lá uma da rua ou da vista, mas só para complementar.
Por outro lado, a Internet também é conhecida por ter posto o mundo inteiro em contacto em segundos. Pode parecer estranho, mas se demorar mais tempo a responder a um email do uma carta a seguir no correio, então talvez ande a apostar no cavalo errado.
Outra coisa, sei que está muito ocupado e cinco minutos antes de eu ir ter visto aquela casa esteve lá com um casal simpático que também quer mesmo, mesmo, mesmo este apartamento e que, sem me querer pressionar, se eu gostar dele é melhor decidir rápido. Por isso, para pouparmos a todos tempo, incluindo ao tal casal, quando colocar o anúncio da casa na Internet, seja descritivo, mas acima de tudo seja honesto.
Não quero que fira os seus princípios, mas partilhar informações como se o prédio tem elevador ou não (especialmente quando aquele 3º andar tem uma vista magnífica), se é uma cave ou não (que eu deduzo apenas pelo facto de indicar que tem muita luz mas eu nas fotos não ver janela nenhuma) ou se o "precisa de uma pintura" não se refere apenas ao cenário idílico que esteve a desenhar, já que a casa precisa mesmo é apenas de uma extrema unção.
Longe de mim criticar o seu talento em eufemismos, mas uma casa para redecorar a gosto não é o mesmo que uma para reconstruir a custo e um imóvel para investimento, não é o mesmo do que um imóvel vendido com um idoso como revestimento. Também não vou apontar o dedo à precisão da sua localização geográfica, mas se me vai dizer que o metro é a cinco minutos, não parta do princípio que eu sou um queniano corredor de fundo e não use a Alameda como referência, quando ela já só é uma doce memória quando chego finalmente à casa onde me aguarda com um sorriso e outras histórias para contar.
A verdade é que, meu caro (e não leve esta apreciação para o campo do excessivamente valorizado), eu não vou comprar uma casa sem a ver, não vou comprá-la a pensar que, se for má, depois troco para a semana e, acima de tudo, não vou comprar se não gostar dela. Portanto, toda a areia que me atirar previamente para os olhos, todo o cenário irreal que me pintar e todos os eufemismos com que me bafejar dissipam-se no momento em que eu conhecer o imóvel, como tanto gosta de lhe chamar.
Se falarmos por telefone, vai obrigar-me a parecer um tipo da Saúde24 a perguntar todos os sintomas que a casa tem e não foi capaz de me descrever antes. E eu não gosto de tratar da saúde a ninguém por telefone. Se chegar ao ponto de ver a casa e me sentir enganado, pior ainda. É que, tal como certos argumentos, não se ganha muito em construir casas a partir do telhado. E a queda é sempre maior.
Por isso, Sr.vendedor, não pense em mim como um potencial comprador de argumentos, mas sim de casas. É que se depois de vender uma casa lhe pagassem a comissão em eufemismos, certamente não estávamos a ter esta conversa.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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11:15
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8.1.10
O ponto G das discussões na rua

Na sequência do post anterior, dediquei parte do dia de ontem a uma actividade vulgarmente definida como – dormir que nem um urso. Já a tarde ia avançada quando, para além de acordar para a vida, despertei para uma gritaria na rua.
Ora eu, para além de um extremo bom acordar, disponho também de uma consciência filosófica muito activa. E, testemunhando os berros entre (suponho eu) um peão indignado e um condutor, transpus o que ouvi para um reflexão profunda sobre discussões de rua, em geral.
A situação é, tirando nos casos em que a pancadaria é logo utilizada para abrir o certame, muito simples: há uma escalada de argumentos, que vai aumentando no volume utilizado pelos envolvidos e reduzindo na racionalidade dos argumentos.
Mas, e isto tem quase validade científica na Universidade de Badmington, há um momento em que a coisa passa da discussão à selvajaria, dez segundinhos em que um ou mais intervenientes rebentam com o fusível e passam para o lado negro da força. Interessantemente, ou não, são precedidos normalmente por uma repetição de argumentos e uma pequena pausa.
Vejamos o exemplo de ontem:
Biltre 1 – Então mas você ainda acha que tem razão!!!
Biltre 2 – Sfraggles zbournin outnaer BONDER! (imperceptível, mas intenso)
Biltre 1 – MAS, você ainda acha que tem razão??? (mais forte, mais raivoso)
Biltre 2 – Sfraggles, sfraggles!! (meio a terminar, meio a cagar para o que o outro disse)
(Ligeira pausa, possivelmente para revirar dos olhos do primeiro biltre)
Biltre 1 – Você é mas é um palhaço de primeira...., OTÁRIO do C”#&””#, não respeita ninguém, és UM MERDAS.
A partir daí, o resto é circo.
Pode parecer exagero, mas dependendo dos interlocutores, quem se presta a discutir na rua tem um fluxo de racionalidade muito reduzido. E raramente a conclusão chegada é de conciliação, mas mais de distribuição de insultos, infelizmente parcos em criatividade.
É pena, mas também é disto que o meu povo gosta. E quem sou eu para contrariar o povo.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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12:21
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7.1.10
Errado o c......
Estar a trabalhar às 5 da matina, sem ter passado pela casa Partida nem recebido horas de sono não está errado.
Errado ficou lá atrás, para aí depois de jantar.
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Sérgio Mak
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04:55
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6.1.10
Olha que te parto os rótulos
Há muito que a Humanidade tem uma carinhosa afinidade com o vinho. Tanto é assim, que já lá vão uns bons aninhos desde que decidiu começar a bebê-lo. Mas, que não se pense que é sobre a boa da pinga que me vou debruçar, pois para isso já me bastou o pequeno almoço.
Serve este pequeno raciocínio para mais uma analogia barata, prato favorito nesta modesta casa. “Um bom rótulo não faz bom um vinho e um mau rótulo não faz mau um bom vinho”.
Funciona para o vinho, funciona para as pessoas. Com a diferença que é mais fácil tirar um rótulo a uma garrafa do que a uma pessoa e que há mais rótulos certos no mundo vinícola do que no mundo das pessoas.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:59
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5.1.10
Monstruosamente Sexys

Comecemos por esclarecer algo. Sim, vivemos na era das aparências. Não, as crianças e os animais não fogem de mim quando me vêem (pronto, não correm pelo menos).
É que, desde que o tio Bram Stoker formalizou a vampirada clássica na forma Conde Drácula nasceu um mito, daqueles que chupa sangue. Aliás, o cinema e a literatura já nos trouxeram N tipos de vampiros, assim como as Finanças, a Assembleia e a Banca em geral. No entanto, a figura romanceada de um tipo sedutor, apesar de morto-vivo, com charme aguçado e dentes a condizer é compreensivelmente mais apelativa.
Até aí tudo bem. O problema tem sido que, numa era em que a imagem é cada vez mais preponderante (vá lá que a escrita ainda serve para ir enganando alguns), a ficção cinematográfica tem sido cada vez mais arrastada na corrente, ultrapassando o equilíbrio do lado aspiracional que é natural ao cinema.
Ao ver, por mero acaso, o primeiro filme da saga Twilight, deparei-me com uma tribo de vampiros que facilmente podia estar toda no Lux numa qualquer sexta-feira. Jovens, modernos, bonitos, mas mortos e sedentos de sangue, com uma palidez que nem 10kgs de picanha crua atenuariam.
Sim, é um filme assumidamente teen. E não é menos verdade que já fizeram trinta por uma linha à vampiragem desde que o Bela Lugosi começou a sugar pescocinhos nas salas de cinema. Mas, ao ver este protótipo sexy passado para a miudagem, não pude deixar de pensar (coisa que me desgasta o organismo): a importância dada à aparência está num ponto tal, em que até os monstros são obrigatoriamente bem parecidos e de alto potencial sexy, segundo os padrões vigentes.
Para além dos problemas de consciência que isso levanta aos vampiros, que ao saciar a sua sede voraz, têm agora de pensar duas vezes: “Epá, mas então vou morder este camafeu e depois tenho de levá-la lá a casa para apresentar ao paizinho, que há dois séculos que me anda a dizer para não andar a morder nos caixotes do lixo.... Mais vale passar ali nas traseiras do hospital, pedir duas doses e umas compressas ensanguentadas para comer em casa”.
O que virá a seguir, Frankensteins de corpo escultural, rosto profundo e apenas uma cicatriz minúscula na testa, devido aos progressos da cirurgia estética? Uma múmia sexy, com ligaduras DKNY e corpo de modelo Victoria’s Secret, que atormenta todos aqueles que visitam o túmulo de uma clínica assombrada?
Não sei, mas cheira-me que cá vou estar para ver.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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21:59
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4.1.10
A última tentação das passas

Depois de um dia inteiro a ouvir e a disparar automaticamente “Bom Ano” para todos os lados (proferindo, em certos casos, o sorridente apêndice em voz baixa “...e vai morrer longe”), finalmente tenho alguns minutos para debater matérias realmente importantes.
Nomeadamente, passas e desejos. Se é certo que o mundo está cheio de gente que diz não crer em nada que não seja palpável, por outro lado não faltam curandeiros e fontes dos desejos pejados de moeda corrente até ao tutano. Daí achar que, salvo aqueles que à meia noite já iam em 2050 em graduação alcoólica, mesmo quem não acredita lá mama 12 passitas e pede os seus desejos.
É fácil demais, nunca falta uma mão cheia delas por perto, nem gente disposta a eleger-nos nados-mortos para o ano que acaba de nascer, caso nos recusemos a semelhante ritual. Eu, que tenho a rectidão moral do circuito de Jacarepaguá, cedi num instante e lá me pus a desejar à laia da máxima “Não acredito em passas, mas já que elas existem e se comem.....”
Os primeiros desejos são fáceis, é aquilo que queremos e se tornaria mais fácil se bastasse uma uva seca para alcançar. Os segundos são aqueles que os mais altruístas dedicam aos seus entes queridos e os mais egoístas também, com a diferença em que o seu único ente querido são eles próprios.
A malha aperta quando olhamos para a mão e já só temos três passas e um mundo inteiro ainda por dominar. Sempre advoguei que a última passa deveria ser de “Desejo ter mais 12 desejos”, o que nos levaria à loucura ou, pelo menos à indigestão, por abuso de passas. Não sendo possível, é que aqui que entram os chamados desejos genéricos. São desejos iguaizinhos aos outros, mas com a diferença que abarcam uma catrafada de gente que não coube nas outras nove passas.
Do género “Quero que todos os meus amigos tenham dinheiro, para poderem pagar finalmente o que me devem” É bonito, é altruísta e resolve uma resma de problemas, a começar pelos nossos.
Outro “Quero que haja paz no mundo, começando pelo andar de cima, porque a velhinha anda muito agitada e arrasta os pés a noite inteira, enquanto ouve os programas televisivos que pões gente anormal a ligar para a televisão”. Mais uma vez uma solução geral para um problema específico, que traz a paz ao Sudão, mas também ao meu ambiente urbano.
Se querem saber mais, tivessem usado uma passa para serem mais criativos. Se estão a ler isto, escusado será também dizer que a passa que gastaram para passarem a ter bom gosto não resultou...
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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17:43
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31.12.09
O Fim do Ano é quando eu quiser
Infelizmente, se aqui vieram parar acreditando naquilo que leram no título, lamento informar-vos: Não é verdade.
Mas, se isso ajudar, devia ser.
Depois de tanto tempo a ouvir a chalaça "O Natal é quando o Homem quiser (bónus popularucho: e a mulher deixar)", cheguei à conclusão que, a fazer fé nisto, o mesmo se devia passar com a história do fim de ano.
Cada um de nós deveria poder decidir quando quer terminar o seu ano e mais nada. Se aqui há alguns séculos alguém decidiu que iríamos passar a seguir o calendário do Gregório e não o do Juliano, porque raio não posso ser eu a decidir quando me dá mais jeito orientar a coisa?
Há anos, por exemplo, que lá para Março já estão a correr tão mal que mais valia acabar logo ali. "Epá, sim senhor, tenho um azar levado da breca, mas vou aproveitar que se mete a Primavera e começo já um Ano Novo, que pode ser que com o calor isto mude".
Já outros, correm tão bem que é uma pena acabar só porque já estamos no fim de Dezembro. "Ó Manel, avisa lá os miúdos que este ano só acabamos o Ano no dia dos Namorados, que o salão de manicure tem estado a render e não vale a pena estar a fechar para balanço agora".
Para aquela malta que tem a tendência para andar sempre em festa ou tem um carinho especial pela passagem de ano, enquanto ponto alto do ano e momento ideal para prometer coisas que dois meses depois já não se lembra eis a solução: Muda de ano no fim de todos os meses. Assim, não só garante uma cowboyada das antigas mensalmente, como ainda fica mais fácil lembrar-se que é este ano que vai deixar de roer as unhas dos pés.
Para os mais conservadores e pouco amigos de festas - Mudar de ano só a cada 10 anos. Menos festa, menos confusão, menos trapalhada e a beleza de ver gente com 8 anos, já a gozar da reforma, ainda com o encanto nos olhos ao ouvir falar do Pai Natal.
Não me esqueci dos românticos, gente levada da breca e que tende a ficar deslumbrada com momentos únicos que podem surgir quando menos se espera, mas têm outro calor, por exemplo, no final do Ano - A possibilidade de haver um kit passagem de ano, que podem levar a qualquer altura, quando vão com a sua cara metade a qualquer. Imagine-se o doce que é, numa só semana com o seu amor, passar o ano no cinema, na praia, comendo um gelado no parque ou até numa colónia de nudista. "Ai querido, esta semana que passámos juntos, pareceu que foram anos em sintonia".
Mas, até isto ser verdade, parece que é este o dia convencionado para fazer balanços. Pelo menos para vocês, porque da minha parte só a 13 de Julho é que muda o ano.
Chamem-me pós moderno, mas para comemorar esta decisão hoje vou a um jantar de gala e já volto.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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18:25
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29.12.09
Estás à janeeeela... Menino Jesus

Caso tenham andado pelas ruas ultimamente e não se limitem a olhar para cima apenas para amaldiçoar o destino com gestos teatrais ou amaldiçoar um qualquer pombo com gestos obscenos, devem ter reparado numa novidade da época.
Infelizmente, não me refiro à utilização de portentosas modelos escandinavas para posar à janela em lingerie, coisa que deixaria o país para lá do alerta fuschia, mas sim aos paninhos com um menino, Jesus de seu nome, que agora ornamentam vastos lotes de caixilharia lisboeta e não só.
Reza a história, muito apropriadamente, que alguns dignitários católicos incentivaram esta nova tendência, de forma a reavivar a tradição católica do Natal. E porque viram que o negócio dos Pais Natal penduradinhos na janela, rende, acrescento eu.
É que, bem vistas as coisas, a Igreja é das organizações mais inteligentes que existe ao nível do marketing, mas neste caso parece-me um claro tiro no pé. Então o Menino, que sofreu horrores pela Humanidade vai agora parar às janelas, sem sequer ter agasalho, coisa que o Pai Natal, esse espertalhão, evitou com a sua fatiota munida de bom pelo de rena.
Se a questão do agasalho, só por si, devia ter feito até o católico mais devoto pensar duas vezes antes de expor o Menino às intempéries, não me obriguem a falar do Euro2004. Sim, porque o tio Scolari, artista prevenido, nunca pediu para porem Virgens do Caravaggio à janela. Foi lá parar a bandeira e as que, cinco anos e meio depois, ainda sobrevivem aos ventos, embora bastante descoloradas e com uma tonalidade de esperança muito mais presente.
Vendo tudo isto a acontecer nos peitoris de Lisboa, o cérebro católico por detrás desta operação deveria ter sugerido, em vez disso uma manta para o sofá com Jesus a aquecer os corações e não só da família ou até Jesus no topo da árvore de Natal, dando folga à estrela. Mas não, tinha de ser para a janela, para mostrar ao Pai Natal quem é que manda no Natal. Sem pensar no Menino, no mau tempo, nem sequer nos pombos, que para além de sacos de plástico e artimanhas semelhantes, têm agora uma figura divina a partilhar o seu espaço de lazer.
Eu percebo, certamente não se pretende que este Menino fique lá para sempre. Tal como se renovam votos, na Páscoa virá o paninho ou a cruzinha do Calvário. Depois, quando o Menino meter férias, chama-se um Santo António para lembrar a tradição católica dos Santos Populares. Findo o Verão, o Dia de Todos os Santos será certamente uma boa altura para lançar o Mega Poster, com mais de 100 santos oficiais e hipótese de compra pano adicional para juntar novos canonizados.
E, enquanto isso acontece, vamos todos estar à janela, a ver esta loucura passar.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:12
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28.12.09
ResCaldo verde do Natal

Bacalhau assado com batatas a murro e espinafres, arroz de pato, bacalhau à Zé do Pipo, arroz indiano com especiarias e frango, linguiça e morcela, mini-rissóis, mini-pataniscas, patas de caranguejo, camarão, frutos secos da mais diversa cepa, queijos e mais queijos (tantos que me fizeram esquecer todos os seus nomes), pão torrado, pão sem ser torrado, pão a precisar de ser torrado, tostas, bolo rei, bolo raínha, estilo bolo rei mas com gila, sonhos de abóbora, sonhos normais, sonhos de um dia deixar de comer sonhos, coscorões, filhós, bolo de banana (com um dedo do je, também utilizado para provar a massa), mousse de chocolate negro, farófias, bazófias, gelatina com frutos, salada com frutas, gelados, bolinhos de amêndoa, broas de mel e não só, bombons bons e bombons assim assim, arroz doce, isto só para citar alguns. Tudo isto enxaguado com – vinho, sumo, água, moscatel e uma mangueira de pressão.
Como devem ter reparado, tive as mãos e parte da minha anatomia ocupadas neste últimos dias. E se há coisa que me mete nojo é teclar com os dedos gordurosos, daí lambê-los antes de começar cada post.
Para além disso, desenvolvi a teoria de que se vai a casa de familiares enfardar no Natal para depois estarmos cheios demais para protestar com a prendas. No entanto, as minhas foram boas, provando também que cartas anónimas 15 dias antes da época ajuda a melhorar a qualidade das mesmas.
Em expiação dos meus pecados, ontem fui correr 10km com as luzes de Natal da Baixa por cima. Tudo bem que para baixo todos os santos ajudam, mas sabendo que estava a dar o litro por ele, o artista do São Silvestre bem podia ter ajudado a puxar a carroça na subida da Avenida da Liberdade. Obrigadinho ó campeão, nem uma velinha levas para o ano.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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12:55
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23.12.09
Natal no Circo Romano

A vantagem de só ter um amigo é que se despacha rapidamente o martírio das compras de Natal. Como esse amigo sou eu, melhor ainda, porque que sei que sou preguiçoso de mais para ir trocá-la no caso de ter escolhido mal para mim próprio.
Depois deste momento esquizofrénico, passemos ao espectáculo mais lastimável desta época.
Não vou aqui bater no Natal dos Hospitais, no das Prisões, no das Minas da Panasqueira, nem sequer no da Casa de Meninas “Triângulo das Mamudas”. Esqueçam o Cardinali e afins, as iniciativas das pessoas que só são boas dez dias por ano e isso tudo.
Querem emoções fortes? Querem cheiro a sangue e instintos primários? Querem sentir o fragor da luta mesmo ali ao lado?
Então façam como eu e vão ao Toys R Us sem intenções de comprar nada, só pela diversão.
Aí se revive, na época de Natal, a melhor tradição do circo romano. Pais degladiando-se por caixas de brinquedos, bonecos com pingos de sangue devido a refregas intensas, desconsolo e gritaria por causa de jogos de consolas, o choro de adultos, confortados por crianças que lhes relembram que vergonha é roubar, não é ter que recorrer ao plafond de crédito para chegarem aos 20kgs de prendas.
O melhor que podem fazer não é julgar, até porque não serve de nada e a maior parte das pessoas não fica bem de toga. Se querem ter mesmo um impacto na vida daqueles que procuram a felicidade no volume de embrulhos, saiam pela saída sem compras, enquanto pares de olhos esbugalhados, de braços carregados e paciência sobrecarregada, vos seguem com raiva, presos em filas para a caixa e para os embrulhos e para o espírito de Natal.
E, minha gente, se isto não vos divertir, então alguém anda a passar demasiado tempo a comprar prendas para saber apreciar as coisas boas da vida...
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Sérgio Mak
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22.12.09
Sobre Monstros da Lagoa Negra

Apesar de ser um tipo jovial e de espírito aberto, como fica bem dizer, já tenho aqui e ali uns cabelos brancos. O que, no meu caso, significa que tanto me consigo lembrar do que comi ao pequeno almoço, como me lembro da euforia em torno da transmissão televisiva do “Monstro da Lagoa Negra”.
“Monstro da Lagoa Negra?” perguntam os petizes que julgam que Mr.Myagi é um qualquer restaurante japonês, quando ouvem falar em tal mítico nome. Sim, tempos houve em que o 3D causava um fervor semelhante ao que existe nos túneis dos estádios dos principais clubes portugueses. As pessoas acotovelavam-se para comprar revistas que ofereciam óculos 3D, feitos de cartão com dois bocados de acetato como lente, um azul e o outro vermelho. Depois, o filme, em que uma espécie de dourada escalada com pernas tentava assustar pessoas, foi uma banhada total e os óculos tiveram como efeito de realce o facto de darem óptimas fotografias com os animais de estimação lá de casa e também com criancinhas.
A partir daí, jurei fazer perdurar o nome do dito monstrengo, associando-o a todo o tipo de evento que gera expectativas e depois falha em cumpri-las. Exemplos:
O casamento de X e Y foi de arromba e passados seis meses estão divorciados? Que granda Monstro da Lagoa Negra.
O jogador Z ia ser o salvador da pátria e revelou ser mais perna de pau do que o gelado da Olá? Saiu-lhes um belo de um Monstro da Lagoa Negra é o que é.
Gente que todos os anos diz que este ano é que é e depois acaba na passagem de ano a comer 1 passa e a beber 12 garrafas de champanhe para esquecer o Monstro da Lagoa Negra em que finda se tornou.
O Mak promete tanto, parece que este blog podia ser uma coisa tão engraçada e depois vai-se a ver e saem os dois uns belos duns Monstros da Lagoa Negra.
Monstros da Lagoa Negra não faltam. Basta escolher.
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Sérgio Mak
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21.12.09
Os mistérios dos WC’s Masculinos

Sobre mulheres e WC’s públicos, já muito se falou, não necessariamente por esta ordem. O mito dos pares, o mistério das bolsas e os segredos das grandes decisões femininas tomadas entre paredes de uma casa de banho, são alguns dos temas abordados, em histórias que passam de boca em boca, ao longo de gerações.
Já dos homens e das casas de banho, traço geral, só se descrevem cenários apocalípticos de miséria e desgraça. Bebedeiras e nojeiras, visões do Inferno que fariam corar Dante e levá-lo até a praticar outra actividade muito associada ao WC masculino – o vómito.
A verdade é que nos WC’s masculinos não existe o glamour do seu correspondente feminino. É como quando se traduzem letras de músicas fantásticas de inglês para português e se tem como resultado uma piroseira total. Ou seja, é a mesma trampa, mas o charme é totalmente diferente.
Não pretendo inverter esta evidência, que me permite continuar a olhar com curiosidade para as portas dos WC’s femininos e imaginar o que se passará lá dentro para além do curso natural do organismo humano. Mas, acredito que existem sinais de mudança para se esperar algo mais de um WC masculino, do que a desgraça habitual.
Obviamente refiro-me a WC’s públicos de antros não propícios a desgraças. Metam-me numa discoteca, num recinto de festival ou numa estação de serviço e não há glamour que valha a ninguém. E, infelizmente, muitas vezes é mesmo o melhor das pessoas aquilo que está a vir ao de cima.
Falo de sítios respeitáveis o suficiente para que o papel higiénico e um pedido de ajuda não se confundam no mesmo apelo. Sítios de onde não se sai a correr com um esgar de terror gravado na face, mas sim com uma sensação de alívio natural e uma história engraçada para contar.
Eles existem. E não são a merda do costume.
James Brown, It’s a man's world
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Sérgio Mak
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15:52
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18.12.09
Há um pouco de Tom Cruise em mim
Mas só neste clip específico. Não sei se é o requinte com que se trata os colegas de trabalho, o peculliar estilo corporal ou o facto de me representar com uma visão bastante distorcida.
Seja como for, ambos temos um pequeno dançarino dentro de nós. Só que por fora ele também é minorca e eu não.
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Sérgio Mak
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18:51
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17.12.09
Como eu gosto de afiambrar

Há palavras às quais o nosso dicionário não lhes faz jus. Seja pelo formalismo a que estão convencionadas as definições do dito cujo, seja pela riqueza que a sua utilização permite, muito para além do que diz um qualquer calhamaço ou site de definições.
Senão vejamos o que o flip.pt diz em relação ao meu muito prezado “afiambrar”:
afiambrar
v. pron.
1. Esmerar-se no trajar.
v. tr.
2. Preparar carne à maneira de fiambre.
Jovens amantes saudosos da Macarena, se me disserem que estas são as únicas utilizações que conhecem para a palavra, então estão sujeitos a que eu vos afiambre uns bons açoites, nem que sejam verbais.
Não sei se foi fruto de uma certa paixão nacional em relação às carnes frias, mas “afiambrar” ganhou asas e saiu das zonas de charcutaria em que nasceu para conquistar todo um mundo. Aliás, até mesmo em relação ao vestuário, o afiambrado há muito que cedeu posição ao aperaltado e expandiu o seu negócio vocabular para outras áreas.
Assim é que, nos dias que correm, podemos encontrar no trânsito gente disposta a afiambrar este mundo e o outro, porque lhe deu um toque no carro, porque não fez piscas, porque vai ao telemóvel ou porque simplesmente aquela é a pessoa certa para afiambrarmos com o stress que temos acumulado.
Enquanto esses afiambram à moda antiga, de punho erguido, noutro canto da cidade encontramos um indivíduos todos afiambrados em determinada mulher, provavelmente outra que não as sua, mostrando em jargão charcuteiro que, às vezes, por umas fatias de presunto há quem tenha que levar com o porco todo.
E, porque não quero que pensem que me estou a afiambrar a esta sabedoria toda, ora aí está esse belo significado. Afiambrar, enquanto arte de se apropriar de modo garganeiro ou até ilícito de algo.
Mas, não pensem que se ficam a rir com todo um conhecimento afiambrado. É certo e sabido que onde há expressões com comida, mais depressa esta acaba do que findam os significados. Por isso, afiambrem-se a mais uns sinónimos que eu até agradeço.
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Sérgio Mak
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16:30
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16.12.09
Linkações Perigosas
No tempo em que os computadores eram do tamanho de casas, quando se falava de ligações o cenário podia ser algo assim: o X dava-se com gente duvidosa e a Y estava ligada a uma escandaleira, desde que foi apanhada com o Z e o W ao mesmo tempo, vejam lá.
Apesar do tamanho dos computadores ter vindo a mirrar, dizem que no mundo real as coisas ainda funcionam de certa maneira assim: tu também és definido até certo ponto pelas pessoas com quem te dás. Mas, aqui que ninguém nos ouve, nos blogs as coisas às vezes também são um bocadinho assim.
Queres ser intelectual ou fazer parecer que até tens uma posição em relação a temas importantes. Então há dez blogs que não deves deixar de linkar. O qué, és uma pessoa sem tabus e para ti, como dizia a outra, “falar de sexo é como comer um iogurte”? Então há blogs que devem constar na tua lista free-spirit.
Talvez isto não seja a tua onda, já que és uma alma atormentada e nos teus links só há ligações profundas e reflexões poéticas sobre a vida e os seus desencantos. Tudo bem, para te contrabalançar haverá outros tantos que só serão divertidos se linkarem os blogs dos melhores comediantes ou só mostrarão o seu girl power se linkarem os blogs das gajas com mais atitude da blogosfera.
Por mim, tudo bem, cada um faz como entende, mas até agora mantenho para blogs a mesma lógica que tenho para livros – são mais importantes os que já leste do que aqueles que tens na prateleira. Até que descobri que há efectivamente gente a linkar para este antro. E isto não dá credibilidade a ninguém.
É lastimável que se divulgue este pasquim e se arraste ainda mais gente para a desgraça. Não posso fazer quase nada em relação a isso, tirando continuar a escrever imbecilidades e tentar que alguém veja a luz e decida pôr um paninho negro sobre este espaço. Mas, disfarçando-me de Padrasto Natal, posso urdir uma teia, fazer-vos o mesmo e ponderar linkar para o vosso blog, caso ainda não o faça. Só para ver se aprendem.
Por isso, se és jovem e gostas de arriscar, diz-me em 20 palavras ou menos, qualquer coisa como “Epá, meu estafermo, achas que para além de tudo o que de mau já me acontece seria possível linkares-me?”
Com sorte, eu respondo “Não”.
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Sérgio Mak
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12:25
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15.12.09
Pedido formal de desculpa aos congelados

Peço desculpa aos douradinhos e também aos medalhões de pescada e aos bifinhos de frango, isto para não falar das batatas noisettes, do esparregado em cubos, dos vegetais tradicionais, das sobras ocasionais e outros que tais.
A verdade é que eu não sabia. Pensei-vos preparados para o efeito, toda a gente me dizia que sim, que fazia sentido e que era assim que as coisas se passavam. Que vocês não sentiam nada e que tudo se passava tranquilamente até ao dia em que nos víamos outra vez.
“Mas, eles aguentam?”, lembro-me eu de perguntar, preocupado com as vossas qualidades e também com a qualidade do nosso convívio. “Então não” diziam-me “eles foram feitos para isso”. E eu acreditei, com uma ou outra dúvida ocasional, mas sempre descansado em relação ao vosso bem-estar.
Até que saí à rua hoje de manhã bem cedinho. E, de cachecol no trombil e palavras de ordem a ficarem geladas nos lábios, percebi tudo. Há frio pra além da morte pelo frio e a vida num congelador é, ironicamente, um Inferno.
Por tudo isso, que me desculpem os congelados. Da próxima vez que vos bater com a porta na cara, já posso dizer com propriedade – A vida num congelador não é fácil, mas calha a todos.
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13:25
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13.12.09
Aproveitem o frio e dispam-se de preconceitos

Quis o destino que eu resida actualmente a 10 passos de um clube de strip. Não foi uma decisão premeditada, quer da minha parte, quer da parte dos senhores do clube, embora estes tenham saído a ganhar pois tenho amigos que passaram a chegar com 4 horas de atraso quando combinamos alguma coisa à noite.
Nada tenho contra tão laboriosa actividade já que, graças a ela, já testemunhei cenas com tipos acalorados a discutirem na rua o facto de terem sido barrados à porta com frases épicas como “Atenção, não é por não ter 35€, é pela atitude”. Isto para não falar da minha piada recorrente de “O sonho de qualquer stripper é ter um filho varão”.
No entanto, pelo me é dado a saber, depois do boom inicial dos clubes de strip em Portugal (ex: Champanhe ou Passerelle, com vedetas do estrangeiro), multiplicaram-se os antros de qualidade duvidosa na matéria, com autênticos presuntos pendurados em varões por Lisboa e Portugal fora.
E se o strip, arte tão recriada em filmes de Hollywood com mulheres deslumbrantes e flexíveis a ponto de fazer corar de inveja a malta do Cirque du Soleil, estivesse a esse nível por cá, eu bateria as palmas e diria - sim senhor, quem vai a uma casa de strip tem uma desculpa tão legítima como aqueles tipos que dizem que compram a Playboy (estrangeira, que a nacional não existe) pelos artigos. Seria “artístico”. Aliás, deve ser com base nesse imaginário que as aulas de varão singraram aqui e acolá, com mulheres comuns a tentarem encontrar a Demi Moore que têm dentro de si e tipos a tentarem roubar varões nos transportes para levar para casa juntamente com o CD do Joe Cocker.
Mas, pelo que me é dado a conhecer e a minha (pouca) experiência transmite, em termos de sensualidade artística, o panorama actual tem muito pouco. Depois, o que sobra entretem apenas grupos festivos forrados a álcool e amantes da caça à febra encoberta.
E, para isso, já existiam as Festas de Natal das empresas.
PS - Nem vou falar de strip masculino, porque depois de bater no amblíope, tenho pouca disposição para aviar o ceguinho.
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Sérgio Mak
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11.12.09
Epá, juro que...

Qualquer pessoa que não tenha passado boa parte da sua vida a imitar um repolho ou outro tipo de vegetal inerte, já participou numa conversa em que este início de frase foi proferido. Sendo eu um tipo com um nível de educação que roça a perfeição (e o verbo roçar não tem aqui qualquer conotação marota), ocorrem-me dois ensinamentos da minha mãezinha a propósito da situação.
Um deles, “Quem mais jura mais mente”, faz todo o sentido recordar. O outro “Não batas em pessoas de óculos, porque te podes aleijar nos vidros partidos” é sempre válido, especialmente se quem jura for um belo de um caixa de óculos.
Pondo as coisas em pratos limpos, com bom cuspo e pano de boa cepa, o cenário é muito simples - não aprecio malta que jura isto e jura aquilo, primeiro porque juro me faz sempre lembrar prestações a bancos. O que por sua vez me leva ao conceito corja de ladrões e malfeitores. E isso não é bom. E juro que não inventei isto agora à pressão.
Jurar depende de simplemente de uma coisa – alguém nos quer convencer de algo, usando unicamente a fidedignidade da sua palavra para o efeito. Tendo eu alguma dificuldade em acreditar em pessoas, certamente compreendem a dificuldade que tenho em acreditar em palavras.
É porque tão depressa se jura um presidente, como a seguir se jura que não se tinha posto as meias sujas no lava loiça. Rapidamente se põe em jogo a saúde com o deveras tradicional “Juro pela minha saudinha”, como se disponibilizam bens e parentes estimados à laia de “Juro pela saúde dos meus ricos filhos”. Mesmo que não tenham a certeza que os filhos são deles.
Jovens amigos do palavreado com sabor a juro, comigo não vão lá. Até eu ver gente que jura pela sua saúde a adoecer com pestilências nauseabundas e criancinhas chacinadas pelos falsos juramentos dos pais, a coisa não vale. O mesmo se aplica a quem passa a vida a jurar isto e aquilo, só porque sim.
Aliás, só quando cotarem o valor da palavra de cada um em bolsa é que eu me fio nisso. Até lá, diversifiquem o léxico, invistam em palavreado de categoria e vão ver que mentem melhor.
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Sérgio Mak
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12:48
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9.12.09
Como correr com quem não gosta de correr

Se não gostas de desporto, este texto não é para ti. Mas espreita à mesma só para ficares raivoso.
Passei uma boa parte da minha ainda não totalmente lastimável vida a fazer desporto. Não por obrigação, mas sim por gosto. Da ginástica desportiva ao futebol, ao futsal, ao BASKET (a letra grande confere a importância que tem para mim), à natação, ao ténis de mesa, ao ténis sem ter mesa, até à corrida.
Desde o total amadorismo à prática competitiva, federada, séria e com mau-perder de nível olímpico, entre estas modalidades há uma característica comum – o escape. Para além da diversão e da competitividade que reside em mim, há também muita trampa que me arrasta muito mais para “O Mau” do que para o “O Tipo Afável, ainda que com a mania que é esperto”. E, essa trampa é muito fácil descarregar, quer em nós próprios, quer nas pessoas que nos são próximas, quer num ceguinho que calhe a ir passar, distraído.
Como me tenho em elevada estima, aprecio os ceguinhos e, pronto, até sou benevolente para quem me é próximo, o desporto sempre foi um escape natural.
E chegamos à corrida, caminhada para os menos apologistas do suor em bica. Haverá forma mais simples de descarregar energias? Creio que não. Nem que seja correr para fugir ao assunto.
Existem mil argumentos para me contrariar. “Que não gostam de desporto”, “Que não gostam de correr”, “Que não gostam de correr sem sentido”, “Que não gostam de levar com vento/calor/chuva/meteoritos em cima”, “Que têm outra actividade como escape”, “Que conhecem um mecânico que arranja escapes”, “Que a vossa religião não permite”, “Que a vossa religião é um escape” and soi on.
Aceito tudo. Na boa, sem problemas, com um sorriso simpático e com um abracinho de compreensão.
Mas depois, que não vos apanhe a dizerem “Que a vida passa a correr”, “Que passam a vida a correr”, “Que fazem tudo a correr”, “Que devia ser tudo corrido”, “Que não têm tempo e é tudo a correr”, “Que só viram não sei quê em corrida”, “Que andam numa correria louca”, “Que corre tudo bem”, “Que corre tudo mal”, “Que não corre nem sai de cima”.
É porque, para issso, mais vos valia correrem a sério, em vez de andarem a chorar sobre corridas derramadas.
A vida não passa a correr. Nós é que estamos demasiado ocupados a vivê-la para perceber isso.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:40
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7.12.09
Mulher por um dia
Fizeram um desafio aqui ao artista residente. “Então e se fosses mulher por um dia?”. Eu, que vi “A Mosca” e sou pouco dado a experiências arriscadas, não fiquei muito entusiasmado, mas depois disseram-me, não tens de te maquilhar, depilar, nem passar o fim de semana a ver os DVD’s do “Sexo e a Cidade”. É só a fingir.
Sendo assim, fiquei mais descansado e fui a correr com um amigo à casa de banho para lhe contar as novidades. Depois, comecei a pensar, tendo eu uma boa % de senhoras que me visita (no blog, gente perversa), que posso avançar sem ser extremamente rude da minha parte, nem realista o suficiente para haver malta a começar a pensar que sou mesmo uma jovem desinibida.
Foi aí que me ocorreu: “Espera lá, vais mas é falar de uma coisa chique, com muito nível, que ponha aí as garotas todas contentes e não iradas ao ponto de te lançarem uma fatwa”. E foi assim que chegámos este magnífico blog PeanutOak, onde não faltam acessórios de extrema originalidade e fino requinte. E, ainda por cima, com um passatempo de alto gabarito no Facebook, que a troco de uma simples frase vos pode pôr nas mãozinhas esta malinha original, exclusiva e ÚNICA. Sim, não correm o risco de ver uma cabra (é assim que se diz ou fui muito agressivo?) ao vosso lado com uma igual.
Espera lá, dirão alguns espíritos mais inquietos, mas esta história toda de ser mulher por um dia, não foi um engodo só para nos venderes esta ideia com uma desenvoltura que até apita?
Com um riso ligeiramente maquiavélico digo “Nunca saberão, muahahah”. Mas, AMIGAS (é assim?), se acharem que valeu a pena, não precisam de ir a correr contar-me à casa de banho. Um simples comentário chega.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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10:22
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4.12.09
Explicações de Português
Calma pequenitos, este não é um daqueles posts em que alguém, vulgo eu, chama ignorantes aos outros e se considera a maior autoridade em questões de tudo e mais alguma coisa, apontando defeitos vários, aqui e ali. Para posts do género, consultem o resto do blog.
Este é, pura e simplesmente, o título do livro que estou a ler. “E a gente, que samos pessoas simples, o que é que temos a ver com isso?”, indagam vocês, coçando a orelha. Nada, digo eu, tirando se forem a senhora que ia ao meu lado no autocarro e insistentemente tentava descobrir o livro que eu ia ler. Algo que, do alto da minha benevolência, dificultei o mais que pude.
Por isso, este post é para essa senhora e vocês são meros voyeurs. O que vos deve dar um gozo danado, já que toda a gente sabe que malta que visita blogs deste calibre gosta é de cenas esquisitas.
Quem aprecia Miguel Esteves Cardoso, gosta deste livro. Eu, que lhe apreciava a prosa, nunca me deixei cativar muito pelos seus livros, um pouco por preguiça, outro por teimosia. Mas este título, só por si cativou-me, uma vez que dar explicações e pedir explicações é coisa que fazemos frequentemente, mas raramente no melhor sentido e ainda menos sobre o português.
A nossa língua, minha e da senhora do autocarro, pela vossa não ponho as mãos no fogo, é rica o suficiente para este livro poder ser do tamanho do tijolo do Bolano. Mas não, tem a dimensão certa, apreciando eu sobremaneira os textos sobre o sentido de uma só palavra. Porque é possível escrever sobre tudo e sobretudo sobre nada, de forma interessante. É esse o dom de quem sabe cativar as pessoas pela escrita e o MEC nesses textos captados das suas crónicas, revela isso mesmo.
Quanto a mim, esse dom revela-se no facto de nem a si, senhora do autocarro, lhe conseguir chegar com esta palavras. Por isso, se ainda estão para aí a voyeurizar como se não houvesse amanhã, aceitem um conselho. Com o Natal aí à porta, se vos apetecer, peçam umas explicações de português. Se for o livro, melhor, se forem aulas, pronto já é um princípio.
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Sérgio Mak
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3.12.09
A terceira idade já não é o que era

Já toda a gente ouviu a frase “a educação, hoje em dia, já não é o que era”, proferida normalmente por um idoso, em relação a um jovem que teve a ousadia de, alegadamente, passar à sua frente ou no autocarro ou no supermercado ou no café ou no cinema ou na distribuição de amostras grátis ou seja lá no que for. É certo e sabido que, se mete “passar à frente”, há um idoso indignado algures.
Este pequeno episódio, fruto da manhã de hoje lida com isso mesmo, mas de uma perspectiva diferente. Às 9 da matina, aqui o vosso amigo está na paragem do autocarro, meio de locomoção que usa quando é calão de mais para ir a pé ou lhe apetece ler 10 minutos. Levava o meu ar de cromo, vestimenta descontraída, mas com toque de homem que sabe o que quer, apesar de ninguém perceber muito bem o quê.
Ao meu lado, um perfeito avôzinho, daqueles que apetece dar um abraço e contar como foi o dia na escola. Bem vestido, gabardine, gravatinha, chapéu, bengala, cachecol e ar afável. Enquanto o autocarro não chegava, eis que atravessa a rua uma bela figura feminina.
Mulher bem parecida e tal, bom porte atlético, que chamava a atenção sem cair na vulgaridade. Ao perceber que o meu olhar a seguiu cinco segundos a mais do que o bom senso recomenda, senti um bocado a voz da consciência “o avô não ia gostar que eu mirasse assim tal donzela”.
Foi nesse momento que me voltei para o velhote, para ver se ele me tinha apanhado em flagrante. Não tinha, nem podia, essencialmente porque ele ainda estava a controlá-la. E, quando eu esperava apenas um ar simpático de “Quando era mais jovem...” eis o que ouvi com tom de sofreguidão:
“Ah, mula do caralh....”
Encolhi os ombros e aproveitei que o gajo estava distraído para lhe passar à frente e entrar no autocarro, que entretanto chegara.
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2.12.09
O ABC da Vida – Fazer a ponte

Quando o final do ano se aproxima, há uma coisa que os portugueses adoram fazer. Mais do que enfardar fritos de Natal, mais do que planear o festejo forçado da passagem de Ano, mais do que aliviar a sua consciência num banho de consumismo desenfreado e mais do que ver os vídeos com os melhores apanhados do ano.
O que os portugueses realmente adoram é o acto sublime de ir ao calendário ver os feriados e as pontes que vai haver no ano seguinte. Aquele gozo pequenino, que cresce no nosso interior, ao pensar que, fazer a ponte ali e acolá, mais uns diazitos por aqui e vamos estar a capitalizar as férias ao máximo.
Fosse a matemática dada nas escolas utilizando a lógica dos dias de férias e pontes e pode dizer-se que ficava um problema resolvido. Depois só faltava depois ensinar a miudagem a falar e escrever português.
Há sempre alguém, no local de trabalho, o guru das pontes, que sabe todas de cor até 2024 e explica o padrão cíclico das mesmas, com rigor científico. Algo que depois, quando estamos a beber uma garrafa de tinto, num qualquer dia entalado entre um feriado e um fim de semana, merece pelo menos um brinde.
Depois, há ainda o funcionário estatal, que é por norma empenhado no desfrute de tais dias e que lhes dá um nome mais técnico, a chamada “tolerância de ponto” que, a meu ver, é um espelho fiel daquilo que pior o Estado tem. Aquela capacidade inata de olhar para o lado e dizer, “Pronto, vai lá fazer a ponte, mas não digas que fui que deixei, até porque eu não deixei, fui foi tolerante, que não é o mesmo, mas também não vale a pena expicar, porque estou a falar sozinho, já que hoje é ponte”. O Estado é um nhonhinhas porque nunca tem tomates para assumir as coisas pelos nomes.
Curiosamente, a expressão “fazer a ponte” acaba por ser altamente irónica, já que se formos ver quem faz, literalmente, as pontes no nosso país, vamos ter dificuldade em encontrar por lá muitos portugueses. Ok, pronto, isso é trabalho duro, consultar um calendário, por outro lado, não faz tanto calo.
Mas isto sou eu que tive tempo para pensar nestas coisas, na ponte que fiz segunda-feira
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12:09
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