2.12.09

O ABC da Vida – Fazer a ponte


Quando o final do ano se aproxima, há uma coisa que os portugueses adoram fazer. Mais do que enfardar fritos de Natal, mais do que planear o festejo forçado da passagem de Ano, mais do que aliviar a sua consciência num banho de consumismo desenfreado e mais do que ver os vídeos com os melhores apanhados do ano.

O que os portugueses realmente adoram é o acto sublime de ir ao calendário ver os feriados e as pontes que vai haver no ano seguinte. Aquele gozo pequenino, que cresce no nosso interior, ao pensar que, fazer a ponte ali e acolá, mais uns diazitos por aqui e vamos estar a capitalizar as férias ao máximo.

Fosse a matemática dada nas escolas utilizando a lógica dos dias de férias e pontes e pode dizer-se que ficava um problema resolvido. Depois só faltava depois ensinar a miudagem a falar e escrever português.

Há sempre alguém, no local de trabalho, o guru das pontes, que sabe todas de cor até 2024 e explica o padrão cíclico das mesmas, com rigor científico. Algo que depois, quando estamos a beber uma garrafa de tinto, num qualquer dia entalado entre um feriado e um fim de semana, merece pelo menos um brinde.

Depois, há ainda o funcionário estatal, que é por norma empenhado no desfrute de tais dias e que lhes dá um nome mais técnico, a chamada “tolerância de ponto” que, a meu ver, é um espelho fiel daquilo que pior o Estado tem. Aquela capacidade inata de olhar para o lado e dizer, “Pronto, vai lá fazer a ponte, mas não digas que fui que deixei, até porque eu não deixei, fui foi tolerante, que não é o mesmo, mas também não vale a pena expicar, porque estou a falar sozinho, já que hoje é ponte”. O Estado é um nhonhinhas porque nunca tem tomates para assumir as coisas pelos nomes.

Curiosamente, a expressão “fazer a ponte” acaba por ser altamente irónica, já que se formos ver quem faz, literalmente, as pontes no nosso país, vamos ter dificuldade em encontrar por lá muitos portugueses. Ok, pronto, isso é trabalho duro, consultar um calendário, por outro lado, não faz tanto calo.


Mas isto sou eu que tive tempo para pensar nestas coisas, na ponte que fiz segunda-feira

29.11.09

Indiana Jones e o temp(l)o perdido

Por mais vezes que veja este filme na televisão, é impossível não ficar com o coração nas mãos.

27.11.09

Espécies com Via Verde para a extinção

Como já fiz questão de referir umas quantas vezes, sou defensor de grande parte dos animais que existem. Neste lote não se inclui a chusma de gente vestida de animais/bonecos gigantes em festas e eventos para gente adulta que vou vendo por aí. A esses dava-lhes sumiço mais rapidamente que um panda consegue dizer “bambu”.

Não me refiro obviamente à bicharada que anima a Disneyland e outros parques temáticos afins, porque no domínio das crianças acho importante que aprendam rapidamente que as grandes bestas também podem ser divertidas. Só assim encararão a vida adulta com mais tolerância.

Mas, eventos em que bonecos temáticos tentam interagir com convidados ou mostrarem-se divertidos e foliões em locais com bebidas alcóolicas ao alcance de qualquer um, não me parecem grande ideia. Por mim falo, porque há gente que delira com um abracinho ao boneco, uma pancadinha amistosa aqui ou ali e por aí em diante.

Ora eu, que não tenho nenhuma fobia de infância com semelhantes personagens, só sinto dentro de mim uma certa irritação maldosa. A vontade de dar uma carga de porrada num boneco, algo que não sei se é punível por lei, já que o meu alvo primário é o personagem e não o tipo que lá meteram dentro.

Vou-me contendo, é certo, ainda ontem passaram por mim vários sapos que ficaram a um passo de levarem não um beijo, mas sim umas simpáticas biqueiradas.

Acham que tenho problemas e preciso de ajuda?
Só se os bonecos forem muitos...

26.11.09

Posologia moderna



Existem mentes simplistas que defendem que a posologia é apenas uma indicação sobre a forma de administrar medicamentos. Se quiserem continuar a acreditar nisso e a ter medo de conduzir maquinaria pesada, por mim tudo bem, mas o meu caterpillar não guiam.
No meu entender, a posologia é das poucas coisas boas que as farmacêuticas nos dão sem efeitos secundários. Aliás, acredito que, a par da Filosofia, da Antropologia ou da Sociologia, a Posologia também devia ser uma ciência ligada ao ser humano. Ou então um folheto individual com imensa piada

Então meu, já a abusar dos charros de azevinho antes da época? Calma, jovens adeptos do paintball nudista, eu explico. A posologia devia ser utilizada não apenas de forma redutora com comprimidos e antibióticos, mas também com pessoas. Facilitava a vida a muita gente, evitava muitas confusões e provava que eu não sou tão parvo como parece.

Exemplo

Mak
Concentrado de raiz de idiotice e folha de graçola.

Indicações
Óptimo para nos sentirmos menos alucinados por comparação. Ideal para quem precisa de um tónico de piadas e dizeres de categoria duvidosa.

Dosagem
Aturar de longe em longe, para não enjoar.

Recomendações
Não entre em duelos de piadas, sob o efeito de Mak. Não diga que nunca perdeu ao Trivial Pursuit, não tente usar palavras caras e recorrer a humor boçal, pois isso faz mal à saúde de Mak

Contra Indicações
Pode dar vontade de passar por cima dele ao volante de maquinaria pesada e tentar gracejos com o tema grávidas em período de amamentação. Poderá causar riso forçado e uma sensação de alívio, produzida por saber que ainda há gente mais estranha do que nós.

Validade
Pouca, tal como a das suas teorias.


E pronto, agora só faltam vocês e estamos todos a ocntribuir para um mundo melhor.

24.11.09

O ABC da Vida – Saber cair


Sempre que alguém cai num lugar público, quer seja de um escadote, de bêbedo ou do nada, há sempre alguém que se ri. Isto é uma daquelas leis inexoráveis (bónus por palavra cara) da vida, tão certa como este ser um dos cinco melhores blogues do mundo, na categoria imbecilidades a la carte.

Como a queda nessas circunstâncias não depende da vontade de quem cai (não desanimem público suicida, a vossa vez há-de chegar), interesssa abordar então o que fazer depois de cair.

Uma das tendências sempre na moda é o “Não foi nada”. Crianças, graúdos, mulheres voluptuosas, todos eles tendem a levantar-se num ápice, mesmo com fracturas expostas, dizendo “Não foi nada” e afastando-se a coxear ou a limpar o sangue da cabeça. Não incluí os idosos porque estes não se levantam, ficam apenas sentados a dizer....”Não foi nada”.

Este é o padrão comum. Há também o “Ronhas”, que fica deitado à espera que alguém chame uma ambulância para não ir trabalhar, chegando até a simular traumatismos vários para levar isso a cabo. Temos ainda o “Risadas”, que pensa que se se rir mais alto que toda a gente isso apaga o facto de estar com as trombas numa poça de lama ou que cueca verde-choque faz sucesso em qualquer avenida movimentada. Há ainda o mais recente “Spielbeg”, que espera sempre para ver se estão a filmar para poder dizer que foi de propósito e que é para os vídeos da semana.

“Mas, farol que ilumina os nossos nebulosos dias cibernéticos, há uma fórmula certa para saber cair?” perguntam vocês, enquanto atam uma almofadinha ao rabo, não vá poderem cair enquanto estão sentados.

Não.

A gravidade é uma lei, das poucas que somos mesmo obrigados a cumprir. Fora isso, posso apenas sugerir-vos terem mau aspecto, cerca de 1,85m e um ar de quem tem dificuldades em discernir o bem do mal. Em geral, resulta comigo.

23.11.09

O Dia da Benificência

Pode ser um choque para vocês, mas até pessoas como eu têm três ou quatro (vá lá, dois) dias por ano em que se dedicam a causas nobres. Como me disseram que este ano pontapear escuteiros não era válido, tive que variar e ir a um almoço de beneficência.

Não se tratava de uma causa qualquer, já que protege e cuida de animais, pelo que havia um certo interesseirismo da minha parte, pois nunca se sabe o que o futuro me reserva. O sítio era chique, o valor não era um choque e o repasto prometia pratos de nomes complicados e outros mais básicos, para quem tem vergonha de pedir comida em língua estrangeira.

Sentia-me à vontade, depois de ter treinado três ou quatro vezes comer com talheres. No entanto, há algo que me mexe com os nervos – eventos em que a média etária é o dobro da minha idade. Para já, os mais jovens acantonaram-se todos numa mesa, não tanto no espírito “mesa das crianças”, mas mais no género quem não usa fralda, tem a maioria de dentes próprios e não conviveu com o Rei D.Carlos que se junte aqui por favor.

Depois, almoço que meta buffet e idosos é como assistir a um arco-íris ou uma aurora boreal. Há sempre algo místico que nos fascina, quer seja o número de problemas de articulações e mobilidade que se curam dizendo apenas “Podem dirigir-se ao buffet” ou a forma como o Alzheimer e o apetite convivem salutarmente, já que se consegue ouvir gente dizer “Ah, eu como muito pouquinho”, enquanto se abastece de sobremesas pela 5ª vez.
A doença de Parkinson regride em quem tem de segurar pratos com empenho e os problemas de gota só se aplicam se se referirem ao abastecimento sôfrego de um simpático vinho tinto.

Aliás, a única parte de dor e sofrimento vem de quem, jovem e saudável, tem que levar com bengalas, andarilhos e cotovelinhos ossudos para chegar à comida. Mas pronto, lidei com tudo usando um bonito sorriso (emprestado), já que captei o espírito da coisa e, sem qualquer cariz vingativo, conto chegar a velho e aí vão ver quem é que rula na beneficência, no buffet e na arte dirigir cotovelos a diafragmas alheios.

20.11.09

Homónimofóbico

Não sendo das mais invulgares, a minha conjunção primeiro-último nome também não será a mais vulgar. Sendo assim, poder-se-ia dizer que primo pela mediania em termos de nome. Poder-se-ia, mas não se pode, já que o meu misto criatividade-imbecilidade pura, a par de uma modéstia de gabarito, dão um cunho muito pessoal ao meu nome. Tanto que tenho a mania que devia ser só meu.

Mas, a verdade é que não é. Aqui e ali vão aparecendo alguns indivíduos que teimam em usar o meu primeiro e último nome. Um claro abuso que só do alto da minha magnanimidade vai sendo tolerado, com um claro risco para eles. É que, cada vez que alguém fala no meu nome, eles têm a vã esperança que se fale deles. E depois ficam tristes, chamam-me nomes, quando deviam estar mais preocupados era em trocar o deles.

E depois, nascem episódios assim;

Certo dia, estava eu no recato do meu espaço laboral, quando me ligam da recepção. Não era do Fisco, nem sequer do Pirilampo Mágico, mas sim uma senhora que estava lá à minha espera. Ora eu não estou habituado a ter senhoras à minha espera na recepção, já que prefiro dar os autógrafos no exterior do edifício.

No entanto, lá fui eu, com uma barba digna de qualquer pirata dos piores bairros das Caraíbas, t-shirt de dizeres pseudo-engraçados e atitude a condizer. A jovem de tailleur conservador e ar assustado só não caiu redonda logo ali porque tinha uma entrevista. Comigo, pelos vistos.
Foi exactamente isso que me disse, depois das duas beijocas da praxe. O meu ar estupefacto era visível por debaixo do ar de parvo, o que ainda a assustou mais. “Mas, senhor X falámos por email a acertar pormenores da entrevista. Hoje é dia Y não é?”

“É, mas se falámos por email alguma vez na vida, deve ter sido noutra encarnação, porque nesta eu não me lembro”.

O vermelho no rosto da jovem não condizia com a camisa “Mas, é o senhor X não é?”, “Sou”, “Eu sou a Z, da parte do QB. Liguei-lhe primeiro e depois enviei-lhe o CV por mail. Combinamos hoje e lá em baixo na portaria disseram-me que era aqui”.

A loucura já deitava por fora “Mas mandou o CV para a XPTO. É que nós ainda somos uma empresa ainda bastante grande”.

“Ah.....não” O tom roxo também não condizia “Mas não é o senhor X da Bling-Bling Joalheiros?”.
“Não, sou o senhor X, mas da XPTO. A Bling Bling também deve ter um senhor X, neste edifício e neste andar”.

“Não acredito” a moça encostou-se como se precisasse de água. Como o garrafão ainda era longe, dei-lhe antes uma palmadinha nas costas.
“Eu também não, esse senhor não se devia chamar assim, mas acontece. Ande comigo que eu digo-lhe onde é”.

E lá fomos os dois, corredor fora, até à porta correcta onde trabalha o senhor com o nome errado. Ela ainda estava atabalhoada “Desculpe lá...E agora, estou tão enervada com isto tudo...”.
“Não esteja. O nome do senhor indica que é boa pessoa e, além disso, se a entrevista correr mal, sempre tem uma história engraçada para contar ao chegar a casa”. O garrafão de água ainda estava mais longe agora, dei-lhe outra palmadinha no ombro.

A porta abriu. A jovem entrou. Fui-me embora sem ver o senhor X, que até lhe poderia dar um emprego, mas nunca lhe proporcionaria uma história assim.

É o que dá não trocarem de nome. Depois, arriscam-se.

19.11.09

A noite de todos os bolos

A noite serve para muitas coisas e não é difícil imaginar que há até quem possa dizer que serve para dormir. Numa política bastante compreensiva, defendo que cada um deve fazer da noite o que quiser, desde que não more no apartamento acima ou abaixo do meu ou aprecie tocar pandeireta noite fora pelas ruas de determinada zona lisboeta. Mas, tirando isso, acredito que quem gosta de dar os seus giros nocturnos já deve ter feito o que vou mencionar a seguir:

Ir aos bolos.

Depois de já ter perdido grande parte da audiência bulímica deste blog, à qual se juntaram aqueles que só comem sobremesas de garfo e faca e nomenclatura blasé, resta-me divagar sobre a matéria junto dos esfaimados do costume.
Tal como se diz que na praia a bola de berlim sabe melhor, os bolos à noite são como certas mulheres maquilhadas - ganham outro encanto. Um croissant com chocolate engata-nos com mais facilidade, um pão com chouriço seduz-nos com o seu calor e um pastel de nata...bem um pastel de nata é sempre uma boa desculpa para quem não quer ir para casa sozinho.

Quem tempera a noite com uma boa ida aos bolos nunca pode dizer que tudo correu mal. E, se tudo correu bem, então só pode dizer que correu mal se for bipolar e, nesse caso, tanto come um bolo como uma pedra da calçada.

E, porque não quero que saiam sempre daqui com uma sensação de vazio, deixo-vos uma dica. Nesta imagem, atrás da carrinha branca, está um sítio recheado de bolinhos simpáticos, que conheço desde os meus tempos de petiz (bónus) nativo da região. Abre relativamente cedo (tipo 22h) e os únicos bichos que lá tenho visto estão do lado de fora do estabelecimento, com o atractivo adicional de ter regularmente fornadas quentinhas a sair. Além do mais, fica perto do Pestana Palace e se forem apanhados por alguns amigos chiques com um embrulho na mão, sempre podem dizer que levam petit gateaux oferecidos pelo vosso chef favorito.

Para além disto tudo, se gostam de uma boa corrida nocturna, façam como eu e vão acompanhados por gente que não se contenta com menos de 8 croissants e 12 merendas para levar para casa (sim, eu sei que vocês lêem isto). Aí, a rapidez de pernas pode ser a diferença entre o bolo dos vossos sonhos ir convosco ou de mão dada com um amigo vosso.

E, só de pensar nisto, já sinto arrepios no estômago.

17.11.09

O amor e uma bacana

Ou “A Novela Trágico-Cómica do quotidiano”

Estava nervoso. Afinal de contas não tinha tido tempo para nada do que queria, o trabalho apertava e almoço, pizza encomendada e comida à pressa ao computador, também não tinha ajudado.

Mas, existiam coisas que tinham que ser ditas e não podiam ficar para mais tarde, para mais logo ou para sabe-se lá quando. Inspirou fundo, quando precisava era de profunda inspiração, percorreu rapidamente a lista do telemóvel, fechou os olhos e ligou.

Ela atendeu. Ele falou.

- Não digas nada, deixa-me falar. Sei que sou cauteloso, que tenho sempre tudo planeado, mas desta vez falo com o coração e não com a cabeça. Quero deixar tudo para trás, quero estar contigo, não me interessa onde, desde que seja para sempre.
- M...

- Por favor, não digas nada, deixa-me acabar. Sei que nem sempre tenho sido para ti o que és para mim, mas esse tempo acabou. Percebi finalmente que para fazer as coisas certas, mais importante do que pensá-las, é fazê-las. Que me dizes, eu e tu, tu e eu, sem histórias, nem tretas, tipo só nós, o amor e uma cabana?

- Olhe, eu ia perguntar-lhe se queria a promoção dos pães de alho e a Coca Cola de litro e meio, mas posso despedir-me já hoje e sair às seis para ir ter consigo. O meu nome é Claudia e...

Desligou, em choque.

Olhou para o telemóvel. Quis o destino que Telma e Telepizza estivessem lado a lado no ecrã. Sentiu o coração cortado às fatias.

16.11.09

Desculpe, é engano?

Há coisas que eu tolero bem. Chuva, mariscos diversos e malta que gosta de usar provérbios para justificar argumentos são exemplos disso. Mas, porque quem não se sente não é filho de boa gente, há também toda uma panóplia de coisas que eu não tolero, nem sequer com o recurso a pastilhas Rennie.

Não vou evoluir muito neste assunto, primeiro porque se começo a pôr coisas que evoluem neste blog estou a descaracterizá-lo e em segundo porque não quero descobrir se há limite de caracteres para um post no Blogger.

Mas, se há coisas que me irrita sobremaneira é o chamado “engano idiota” ou a meia verdade do quotidiano. Só um instante que vou ver se a semana começa efectivamente com azia à porta.









Parece que não, era um stripper vestido de escuteiro para a senhora do lado.


Foi engano.



Calha bem, porque este tipo de enganos eu tolero. São coisas que acontecem. Também tolero enganos daqueles a sério, tipo o contabilista que desvia 2 milhões da empresa ou aquela malta que se engana, se enfrasca e acaba toda nua na festa de Natal da empresa. Isso são enganos comuns e decorrentes da necessidade humana de nos enganarmos de vez em quando.

Agora, irrita-me aquele engano idiota que não engana ninguém, aquele pormenor chico esperto para encher o olho, mas só se for de socos, no meu modesto entender. Não faltam exemplos, mas deixo-vos apenas dois:

Vôos TAP para X ou Y a partir de 59€ - A TAP gosta muito de fazer isto, na sua luta para tentar ombrear com as low costs. Mas este preço, ainda que atractivo refere-se normalmente apenas ao vôo de ida e não me parece que haja assim muita gente a adoptar a política “Vá e não volte”. Muitas vezes o preço total até pode ser atractivo, muito mais do que o trabalho de ir marcar vôos em companhias diferentes (que muitas vezes é também mais caro), mas alguém achou que o preço baixo só por isso ia toldar os olhos às pessoas. Até porque eu, quando compro viagens olho apenas para uma parcela do valor a pagar e já nem ligo ao resto. “Porreiro, o vôo de ida custou-me 30€. Tudo bem que o regresso me custou 300€, mas o de ida foi imbatível”. Yeah right....

Outro exemplo de “engano” dá-se no ramo imobiliário. Quem vende casas, pensa provavelmente que a malta compra uma habitação como quem compra um Cornetto. “Ah, não tem de morango? Pode ser de chocolate. Ou Nata. Ou então um Epá, que é quase o mesmo, mas sem bolacha”. Em resmas de anúncios imobiliários não faltam meias-verdades, um quarto de verdades e até oitavos de verdades. E depois? Vai-se ver a casa e alguém se esqueceu de dizer que o 6º andar era sem elevador? Que aquele T5 a bom preço era na cave de uma estação ferroviária? Que aquele preço incluía uma famiíia de romenos que subaluga a banheira? Não vai funcionar meus caros e não me vai fazer apaixonar pelo outro T3 na Brandoa que também têm para me mostrar na ImoTangas.

Se é para enganar, enganem onde vale a pena e onde não há forma de serem descobertos. Se é para brincar aos enganos, então usem as listas telefónicas. Para mim resultou e se não fez de mim uma pessoa melhor, pelo menos estimulou o meu interesse em imitar vozes.

14.11.09

Charme nas bancadas



A maquilhagem está pronta, a carga de água espera-se que não. Desejando eu que não esteja preparada nenhuma festa do cabeçudo para o Estádio da Luz, cá vou eu fazer bonitas figuras e com alguns adjectivos no bolso, não vá o Queiroz tecê-las.

Por isso, seja nas bancadas ou na televisão, podem procurar por mim através deste retrato robot. Ok, exagero, esqueçam o bigode.

13.11.09

São Silvestre abençoou a minha Sexta Feira 13


Então, já partiram alguma perninha? Já se engasgaram com uma asa de frango ou a ver a vizinha da frente nua a tomar banho (espécime de 70 anos que faz da Popota esbelta). Andam aí todos malucos a dizer é “Sexta-feira 13 uhhhhh” ou já vos passou a maluqueira?

Da minha parte, gosto do número 13, especialmente quando pronunciado “treze” e não “treuze”. Neste último caso, só dá azar a quem o pronuncia assim à minha frente. A verdade é que, não sendo eu uma reencarnação de Jesus Cristo, não vejo no 13 nenhum prenúncio negativo, antes pelo contrário, já que tenho ceado muitas vezes nesta data e nenhuma delas se tem revelado a última ceia.

Sendo assim, aproveitei esta euforia de me sentir bem com o 13 e toca de me inscrever hoje na São Silvestre de Lisboa. Mais 10km a correr de um lado para o outro, debaixo das luzinhas de Natal na Baixa e com 2kgs de doces de Natal no bucho. Só espero que nos abastecimentos, em vez de água e bebidas isotónicas haja Vinho do Porto e fritos diversos para tornar a experiência realmente alucinante.

O melhor disto tudo? É que para além de pagar para correr, a dita prova tem lugar no dia 27 de Dezembro, que este ano felizmente não calha a dia 13. Por um lado é uma sorte, por outro lado é um azar que, como já disse, eu até gosto de dia 13.

Até lá, é ver-me treinar a correr por baixo de escadotes, enquanto parto espelhos e ato um gato preto à perna. Não vá dar-se o azar de me tornar supersticioso.

12.11.09

Glen Medeiros e a maldição do Luso Descendente

Hoje apetece-me dar-vos música. E quando falo em música, num post com Glen Medeiros à cabeça, já se sabe que o critério é bastante lato. A verdade é que não sei se o Glen foi o primeiro a abrir a caixa de Pandora do luso-descendente-com-queda-para-a-música. Mas é talvez o primeiro de que me lembro, ganhando no arranque ao Nuno Bettencourt (cujo registo se enquadra noutra história) e ainda à Nelly Furtado, que à altura era mais little que promiscuous girl.

O jovem Glen, passeava a sua descendência portuguesa pelas ruas do Hawai, quando decidiu “Epá, se o ukelele descende do cavaquinho, eu também posso ter uma carreira na música”. E assim, bastou um concurso de rádio e um cover de George Benson, para nascer uma pastilha que ainda hoje deixa algumas cicatrizes mentais, na forma do “Nothing is gonna change my love for you”.



O vídeo mostra os malefícios da música bacôca e de rapazes imberbes. Glen não estava claramente preparado para sair com a miúda. Senão não teria deixado ser a mãe a escolher-lhe a roupa.
Ponto dois – Cenas amorosas numa falésia. Conselho para imitadores – não façam declarações cujo entusiasmo ou má recepção vos possam fazer cair em mais do que uma depressão.

A música parece um sumo concentrado em que 90% é refrão e 10% é palha. O dinheiro também era pouco. Pelo amanhecer e pôr do sol na praia, o Glen nem a miúda levou a almoçar, já que passaram o dia a correr na praia (estás lixado que o apetite ao jantar que pagaste foi certamente a dobrar). Por falar em correr, gajos que corram menos que miúdas na praia e ainda tropecem atrás delas, não ficam muito cotados em termos do meu respeito.

Em suma, o Glen era jovem, o dinheiro soube bem e graças a Deus ainda não havia MTV Portugal. Mas, não é preciso muito para saber que este jovem luso descendente inspirou centenas de pequenos boys-banders portugueses, que viram na sua camisa aberta, na sua calça marota e na música feita a pensar na malta que ouve com os olhos e só retém um refrão.
Para ti não houve problema Glen, que continuas no Hawai a beber cocktails em abacaxis e a pintar a manta em shows locais. Agora nós é que tivemos que levar com eles depois de crescerem. E isso meu ex-rapazola bem te pode dizer onde é que podias pôr a luso descendência.

11.11.09

Compromissos, alergias e metáforas com piscinas


Compromisso é uma coisa da qual se ouve falar muito nestes tempos, mas se vê fazer muito pouco. Antes de mais, não se deve confundir com “Compramisso”, também muito ouvida nesta época, a cada vez que se passa ao pé de uma montra de brinquedos ou iPods com uma criança ao lado.

Um compromisso, como o nome indica, honra-se e, nos tempos que correm, honra é coisa de filmes de cavalaria, super-heróis e romances clássicos de domingo à tarde. Não vai haver dermatologista que vos comprove o que vou avançar, mas acho que vivemos uma pandemia de alergia ao compromisso.

Seja pessoal, profissional ou qualquer outra coisa importante acabada em “al”, encontrar alguém disposto a respeitar um compromisso começa a ser tão raro como encontrar um panda, e não me refiro a um Fiat. Diz-se habitualmente “isso é um compromisso sério”, como se adjectivar um compromisso com seriedade não fosse o mesmo que perguntar “Quer o seu gelado com gelo?”. Não existem compromissos a brincar, tirando aqueles feitos por pessoas que não sabem do que estou a falar.

Quanto maior for o prazo de um compromisso, mais assustador se torna para muita gente. O próprio termo “ficou comprometido” tem cada vez mais uma conotação negativa de quem foi apanhado com as calças na mão a meio de um baile de gala. Ninguém tem que ficar comprometido com algo em que não se revê, mas o problema começa logo quando já ninguém se revê a fazer um compromisso.

Querer algo ou estar disposto a assumir e cumprir algo, seja por dia ou por uma vida exige, primeiro que tudo, uma coisa simples, mas complicada – Saber o que se quer. O compromisso torce o nariz a quem diz de manhã que sim, à tarde que não e à noite que amanhã logo se vê. As pessoas cada vez menos sabem o que querem. Mas cada vez pensam mais o contrário e tomam decisões para a vida, desde que para a semana as possam anular, reverter ou, em boa parte, lixar.

A dúvida é boa. A dúvida é aquele momento, quando estamos a olhar para a piscina de uma prancha de dois andares, em que pensamos “E se isto corre mal?”. E depois saltamos.
O compromisso é um salto.

Quer se bata de chapa, quer se mergulhe a fundo, quer se repita logo a seguir, quer seja o último mergulho.

A piscina é a vida.

E, na vida, meter água é normal.
Usar a nova Box para interromper o mergulho a meio é que não.
E, hoje em dia, toda a gente quer uma Box que grave.

10.11.09

Passar à história



Não sei quando é que esta expressão passou a ter conotação negativa. Por outro lado, também não sei quando é que ela começou a ter um significado positivo. Por isso, só um dado é concreto, sei muito pouco sobre aquilo que falo. Mas, não se preocupem, isso nunca foi impeditivo para mim.

A verdade é que eu gosto do termo “passar à história”, não no sentido de “bateu as botas”, “está arrumado”, “já não vales nada” ou “faz-te à vida”. Não só esses são sentidos comuns e pejorativos (bónus por utilização desta palavra em blog), como são fáceis e de uso corriqueiro por qualquer pessoa. Nem sequer me refiro à vertente de feitos históricos, que esse sentido então é redundante e eu chumbei no concurso de imitadores do José Hermano Saraiva.

O que a mim me agrada no “passar à história” é toda aquela magia própria de quem, por dom natural, sabe contar histórias. De quem transforma uma simples viagem de autocarro, num mini-conto que encanta pequenos e graúdos junto a uma máquina de café. É o toque próprio daquelas pessoas que gostamos ouvir, não porque nos transmitam saber ou pela sua visão única do mundo, mas sim pela sua capacidade de transformar o mais comum e o mais trivial em algo que nos capta a atenção, nos prende e nos faz esquecer que há cafés que são mesmo uma porcaria.

Esqueçam os mexericos, os boatos e as declarações inflamadas pelo amor ou pelo ódio. Isso são coisas que despertam a curiosidade de qualquer um que não tenha enveredado pelo caminho da santidade social. Eu gosto mesmo é de quem me consegue despertar a curiosidade, falando das suas peripécias numa tarde nas Finanças.

Isso é o verdadeiro dom de fazer passar à história. Devíamos todos agradecer a essas pessoas, que não são tantas como podem parecem (sim, porque também existem os verdadeiros e as imitações baratas), por tornarem a realidade um lugar menos real e mundanamente fantástico.

Como é óbvio, se conhecerem alguém que vê unicórnios no Metro e fala com fadas nos elevadores, afastem-se e não fiquem sozinhos. Essas pessoas não são contadores de histórias, são malucos.

A título de conclusão posso dizer que gosto de acreditar, entre os meus muitos defeitos de alto gabarito, que chamarem-me contador de histórias (tangas para os amigos) é um bom elogio que me podem fazer.
Desde que não seja antecedido de fdp.

9.11.09

A prática da relatividade




A relatividade é uma das grandes invenções da humanidade. A começar pela sua teoria, que permitiu a um dos gajos com pior penteado da história das ciências, granjear fama e prestígio eterno, já que ainda hoje o merchandise do Einstein continuar a dar lucro como se não houvesse amanhã.

Mas, afinal, a relatividade é assim tão boa? Isso, jovens que ainda estão a limpar as ramelitas dos olhinhos papudos, é como a palavra indica, relativo. O brilhantismo da relatividade, tanto em teoria como em prática é que quase tudo o que vivemos ou experienciamos pode ser relativizado. Mesmo aquilo que dizemos que não pode.

Ninguém acorda e diz “Epá, sim senhor, hoje sinto-me relativo”, porque a relatividade em si não é um fim, é um meio. Veja-se o exemplo:

Eu posso ter a sensação que até sou um gajo culto. Relativamente a um burgesso que passa o dia na taberna serei até um génio.. Mas, em relação a um génio, daqueles fraquinhos vá lá, eu sou o gajo da taberna.

Isto aplica-se a mim, aplica-se à mulher que pergunta se está bonita, a uma catástrofe em que morrem 5 mil pessoas ou, pior ainda, a este blog. A não ser que vivamos num casulo ou tenhamos uma visão da vida em que só nós é que contamos, tudo pode ser relativo.

Mas, atenção, tal como o tio do Homem-Aranha lhe disse quando o gajo começou, literalmente, a trepar às paredes “Atrás de um grande poder, vem uma grande responsabilidade”. Por isso, há que relativizar o uso da relatividade. Se relativizam tudo sem ponderação, vão ser uns bananas que não apreciam nada, nem têm personalidade. Se não relativizam nada, vão ser uns mártires, pois sofrem e vêem tudo numa perspectiva extremista máxima.

Por isso, não têm de ir ao Pingo Doce de Janeiro a Janeiro, para esta dica de preço baixo – Relativizar é bom, dependendo da sabedoria de quem relativiza.

Se não acreditam, olhem para o Einstein. O sucesso da sua teoria está à vista. O do seu penteado, é relativo.

6.11.09

Este blog não existe, nem desiste

Neste blog as coisas não se medem aos palmos. Até porque dada a parca inteligência do seu autor, o palmo é capaz de ser uma medida demasiado complexa.

Cumprem-se aqui muito poucas das regras do “bem-escrever” para blogs e internet. Aliás, cumprem-se aqui muito poucas regras ponto, começando pelas de etiqueta, passando pelas do bom senso e acabando, porventura nas de higiene mental.

Os títulos não são claros, nem straight to the point. São trocadilhos, piadas de circunstância, são esforços para que ninguém perceba logo à primeira que não há muito que interesse à segunda.
O primeiro parágrafo não foi feito para agarrar o leitor. Primeiro porque eu não sei se quero agarrar toda a gente que por aqui passa. Segundo, porque para agarrados já me basta o que estaciona carros na minha praceta. E depois porque os outros parágrafos ficariam com ciúmes de ver leitores agarradinhos ao primeiro.

Dizem-me amigos meus (e também o vendedor de castanhas em frente ao meu local de trabalho) que os textos são demasiado longos para um blog. Que lhes faz doer a vista estar tanto tempo ao computador, ainda por cima a ler coisas tão más.
Apenas por respeito ao vendedor de castanhas aqui me explico: quem quer coisas pequenas que vá ao Twitter, ao Facebook ou ao Portugal dos Pequenitos. Palavras como sucinto ou reduzido aqui só entram acompanhadas de 10 mil amigos. Porque sim e porque se me apetecer fazer um post anão isso vai surpreender agradavelmente as pessoas: “Olha, o cromo hoje não lhe deu uma verborreia”.

Este blog não tem agenda. Nisso é parecido com o seu dono, que nem a do telemóvel usa, embora seja mais abusador ao falar de si mesmo na terceira pessoa. Este blog não tem género, nem sequer espécie. Quer dizer, é uma espécie de alucinação, mas degenerada.

A única coisa que este blog efectivamente parece ter é leitores. Não sei bem porque não o acompanho muito, mas parece que suplantou claramente as expectativas, que apontavam apenas para impressionar o vácuo cibernético. Nos seus sonhos mais ousados, o autor esperaria quanto muito que os seus leitores se contassem pelos dedos das mãos, de alguém a quem rebentou uma granada nas ditas cujas.

Não pensem que isto é um obrigado. Isso seria legitimar a vossa doença. Porque vocês têm problemas e o primeiro passo é eu admitir isso. De outra forma, não estariam aqui.

5.11.09

Os segredos são de Vénus, os parvos são de Marte



Em tempos, numa dada festa, uma dada pessoa abordou-me sobre um dado assunto. E, porque há um limite para as vezes que se pode usar dada palavra numa frase, mais vale dizer do que se tratava.
“Disseram-me que sabes o segredo para entender as mulheres...”

Sorri. Fiz sinal de quem vai contar um segredo e tentei não me cuspir todo a falar tão perto dos ouvidos.
“Acho que estás a confundir-me. O gajo que dizem que sabe esse o segredo é aquele ali, o segundo gajo à direita e não à esquerda, esse sou eu.”
Olhou para mim como se eu tivesse dito uma coisa parva, o que até era verdade.

“Ah, o segredo é fazer-se difícil, é isso?” havia ali uma desconfiança no olhar.
“Não, o segredo é, primeiro que tudo, fazer a pergunta à pessoa certa” no meu olhar, a haver alguma coisa, só ramelas.

“Ah, são os jogos de palavras” meio riso, meio falta de paciência.
“Não, isso é o Scrabble” meio parvo, meio falta de paciência.

“Já vi que afinal não és a pessoa que procurava” alguma altivez, bastante álcool.
“Ah, se não me dissesses eu não acreditava” basta de álcool, mas há que treinar a altivez.

E lá foi ela, em busca de um segredo que eu lhe podia ter dito que não existia.
E lá fiquei eu, de sorriso nos lábios, porque para ter diálogos nonsense não preciso de ir a lado nenhum. Basta-me falar sozinho.

4.11.09

Face Inculta

Parece que o tema do dia para fazer face à Gripe A, tem também título sonante com pinta de nome de bar de alterne - o processo "Face Oculta". No entanto, este tipo de nomes já não me faz confusão, insensibilizado que estou depois de anos de operações Natal, Páscoa ou Ano Novo com nomes oriundos das mentes mais criativas dentro da Brigada de Trânsito.

Faz-me mais confusão o porquê do nome. Sim, porque a corrupção afecta muitos mais milhões (de Euros, principalmente) do que a pobre da Gripe A. Há toda uma camada de gestores/malta gordurosa de topo que, de empresa em empresa, algumas delas no âmbito do Estado, tem enchido a mula que de tão carregada já deve ter graves problemas cervicais.

E isto da Face Oculta faz-me pensar, algo que só a fome, a falta de dinheiro e outras necessidades básicas costumam provocar em mim. Será que isto da Face Oculta quer dizer que nunca vamos conhecer a cara destas sanguessugas todas? Será que isto tem a ver com o facto de isto ser só um bocadinho do podre total e que são só migalhas para contentar o povo? Será que Octávio Machado sabe do que eu estou a falar?

O problema destas Faces Ocultas é que cheiram sempre a esturro e ou nunca se chega a lado nenhum ou há dois ou três testas de ferro que levam com as culpas e depois começa novo banquete.
Preferia que em vez de mega processos mediáticos, houvessem processos eficazes, que se soubessem onde começam e onde acabam. Mas pronto, sempre me posso ir entretendo com a Gripe A, que pelo menos é mais higiénica e já deu origem a grandes mudanças em Portugal. Nunca se viu tanta gente a lavar as mãos como agora, digam lá que não é progresso.

3.11.09

Ricos Ciber Amigos

Pode não parecer, mas eu até sou um gajo compadecido. Já chorei a ver filmes (nem que fosse por serem tão maus que só se pára o choro saindo a meio), ajudei idosos e até já dei o meu email a pessoas que não aprecio por aí além.

Ora nesta última parte é que a coisa me faz espécie. Powerpoints de gatinhos e bebés fofos? Ok, é o preço a pagar por ter net e haver gente com sentimentos mal direccionados.
As 38 maneiras de uma contorcionista russa te surpreender e outros emails de chavascal? Tudo bem, nunca se sabe quando é que eu posso ter partido as mãos e e ter mais dificuldade a procurar pornografia sozinho.
Anúncios giros e vídeos malucos? Certo, o Youtube é meu amigo, fico feliz por saber (poupem nos anúncios, desses eu já tenho a minha dose).

O certo é que, ao fim do dia, espremido o sumo de uma caixa de email (e nem referi os 43 convites diários para aplicações, causas e etc), muitas não há muito mais que dois ou três emails pessoais mesmo. De gente que nos conhece e investe tempo a escrever-nos umas linhas, seja porque motivo for. Esses merecem o meu respeito, mesmo que seja a pedir-me dinheiro e tenham, por isso mesmo, investido tempo em vão.

E a esses eu respondo, sempre, às vezes com um bocadinho de delay ou não, mediante as vicissitudes (como eu gosto desta palavra) do dia à dia.

AGORA E ESTE “GRITAR” É PROPOSITADO, MAILS VINDOS DE AMIGOS MEUS A DIZER QUE A MICROSOFT/ A AOL / A TMN / O BES / A CHARCUTARIA FRANCESA OU O FRANGO SINATRA DÁ X CÊNTIMOS POR CADA MAIL REENVIADO, NÃO.

Não viram bem, ok, eu repito – NÃO. Mas o que se passa na cabeça das pessoas a pensar que é dinheiro fácil. Se fosse, eles não tinham recebido o mail. Se fosse, eles não andavam a mandar mails destes porque já estavam ricos. E sim, há sempre alguém conhecido nesse mail, que trabalha algures e já ganhou uma pipa de massa, muito provavelmente a ceder o corpo para carícias alheias, porque a mandar mails não foi de certeza.
A desculpa “Epá, não se perde nada a enviar” revela, por detrás da porta nº2, um soco nos dentes, porque se perde sim senhor. Perde-se a paciência por ver vezes sem conta, ano após ano, o mesmo mail saloio a bater-nos à porta do email e por verificarmos que amigos que até tínhamos na conta de inteligentes devem ter queimado um fusível muito recentemente.

Por isso, mandem-me tudo, até o Viagra da vida em doses de embarda, mas por favor metam esses mails milionários no....


Spam.
Obrigado.

2.11.09

Chegou a hora do lobo

Hoje em dia oiço muito menos rádio do que antigamente. A culpa é do computador, do MP3 ou até mesmo do silêncio ao fim do dia, que é cada vez mais uma boa companhia para fazer uma pausa do ruído do quotidiano. Mas, enquanto adepto incondicional de música dos mais diversos tipos tenho com a rádio uma afinidade incontornável. É como aqueles velhos amigos que podemos estar muito tempo sem ver mas, assim que nos encontramos, a separação desaparece com um abraço.

É por isso que hoje, ao saber da morte do António Sérgio, pensei o mesmo que qualquer pessoa pensa quando lhe relatam uma morte inesperada – não é possível. Sou talvez demasiado novo para poder dizer com propriedade que acompanhei toda a longa carreira deste ícone da rádio que não só nos trouxe o “Som da Frente”, mas que ao longo do seu percurso esteve sempre um passo à frente no que ao som diz respeito.

Talvez porque isto de ter uma irmã mais velha não é só desculpa para reclamações de benjamim da família, devo-lhe muita influência de conhecimento musical dos 80’s e não só. Talvez por isso, lembranças da voz profunda do António Sérgio se misturem com a minha infância, tal como a música inovadora ou, utilizando termos da época “prá frentex”, que a acompanhava em serões na companhia da rádio.

Conforme fui crescendo, a voz de António Sérgio respondia sempre presente, aqui e ali, quando ia ter com a rádio para matar saudades. E hoje, adulto de barba rija, mau feitio, mas ainda assim coração mole no que a música diz respeito, não posso deixar de sentir um certo desconsolo por saber que, da próxima vez que lá for, não vou poder voltar ouvir o vozeirão do António Sérgio.

Pura ilusão e egoísmo pessoal, porque há vozes que vivem para sempre, mesmo para além das ondas da rádio.

30.10.09

Porreiro Spa


Dizem que os Spas são coisas de gajas. Também diziam o mesmo dos cremes para a cara. Se esta última fosse verdade, então eu era uma gaja, por sinal aquela com mais mau aspecto à face da terra. Por isso, tento não arriscar muito nesses juízos de valor e investir em coisas mais seguras, como por exemplo raspadinhas.

Agora, o que eu sei é que há muita coisa gordurosa e pseudo-proto-pasto gordurosa por detrás do pensamento de quem dá nome a Spas. E olhem que eu já dei nome a muitas coisas, incluindo à velhota que me deu com a bengala nas costas o caminho todo no autocarro.

Esqueçam nomes simples e directos, até porque só o conceito Spa não chega. Há que mostrar requinte, classe, charme, glamour, natureza, tranquilidade, paz, bem-estar e um coche de cachet. Se for possível numa só palavra e, de preferência que não seja portuguesa. Assim um latinzinho ou um inglês, se faz favor, que a malta investiu nos azulejos e um nome em português não é assim grande espiga.

Ao pensar em Spa, o conceito da coisa atinge-me. Não preciso de banha tipo Relaxus ou Pieces of Zen Mother Nature This is not Cheap Spa para perceber que é bom. O preço, por norma, também ajuda a perceber.

“Ah, meu mafarreco que também deves cortar o cabelo em cabeleireiros pós-modernos, então tu gostas é disso”, dizem os acérrimos defensores do corte de cabelo com faca de mato e esfoliação natural em pedras da calçada que, por mero acaso vieram cá parar ao teclar “Teletubbies” no Google.

Meus caros, vamos com calma que eu sou gajo para cuspir tanto na sopa como na avó que a preparou com tanto carinho. Agora não sou é urso ao ponto de pensar que é um Spa que me vai arruinar a fama de biltre de barba rija.

Especialmente quando de ver tantos nomes possidónios e pseudo-concepts-armados ao pingarelhos fiquei tenso até à ponta dos cabelos. Já me enchiam a tromba de chocolate ou seixos da Islândia do Norte a ver se eu relaxava. Ai já, já.

28.10.09

Como identificar um palhaço


Ser palhaço e ser divertido não é exactamente a mesma coisa. Para já, o tamanho dos sapatos é diferente e depois, num sentido mais literal, ser divertido não obriga a tantos cuidados de maquilhagem.

Fazer rir, até certo ponto, não é algo que se possa aprender na plenitude. Nasce com certas pessoas e o máximo que muitas outras podem fazer é tentar, com muito trabalho, conseguir alcançar um pouco do que os “predestinados” do riso conseguem sem qualquer esforço.
Desconfio quer das pessoas que riem de tudo, sem qualquer critério, quer das que tentam ser engraçadas à força, vulgo palhaços. Quando é natural, o riso/humor é uma ferramenta social do melhor que há, vão por mim que há muito que teria sido retirado do mercado se não conseguisse, aqui e ali, fazer despontar uns sorrisos.

Mas, quando é mal utilizado ou é abusivo, como é natural que ocorra na mão de palhaços, torna-se incomodativo, vive do desconforto alheio, torna os lugares e as pessoas mais pequenas. O riso é contagiante, mas a vergonha alheia também o é.

Longe de mim passar por sumidade na matéria. Sou como sou e se tentasse não ser assim, não era eu (profundo como a Fossa das Marianas). Não acho que toda a gente tem que ser engraçadinha, rezo para que toda a gente não tente ser engraçadinha. Às vezes, os melhores momentos de humor vêm de pessoas que 92% do seu tempo são pouco dadas a esse tipo de atitude.
Vai daí, tenho pouca pachorra para palhaços. Maquilhados ou não. E isso não tem nada a ver com o facto de qualquer pessoa ter direito a fazer humor, seja ele bom, mau ou humorfrodita. É fácil distinguir um palhaço. E não é preciso procurar um nariz vermelho.

Basta ter sentido de humor.

27.10.09

Manipulação, para quando Desporto Olímpico?

Eu gosto, tu gostas, eles gostam...

Não ocupa espaço, as crianças gostam, os velhinhos sem Alzheimer ainda o fazem, faz-se em casa, no trabalho, de manhã, à noite, pelas melhores razões, pelos piores motivos, à grande e à francesa, pela calada, à boca cheia.

Quem não gosta é porque não sabe fazer.

Dêem-me música. Eu gosto.

26.10.09

10 Km em 10 linhas



1º Km - Epá, isto de Algés a Oeiras é um tirinho. Ninguém me pára.
2º Km – Saiam da frente, olha o Expresso. Não pára no Dafundo.
3º Km – Não se arranjam águas? Olha um velhote a ver se me passa.
4º Km – Água! A salvação! Epá o velho abasteceu-se antes de mim.
5º Km – Já vamos a meio, quer do percurso, quer do ataque cardíaco.
6º Km – Ali à frente, é o velho?? Ou é um destes que vai a passar.
7º Km – Água! Água! Se ao menos tivesse força para abrir a boca.
8º Km – Olha, uma senhora com carrinho de bebè. Vai tão rápido!
9º Km – Aquele não é o velho a acenar-me, já a caminho de casa?
10º Km – É a meta? É miragem? Ambulância? Seja qual for, serve.



E assim se passa uma divertida manhã de Domingo junto à Marginal.

23.10.09

Ar condicionado de Babel




Diz a lenda que Deus, chateado com uma cambada de empreiteiros que se decidiram a fazer um condomínio estilo “Paraíso Gardens” numa versão Torre que nunca mais acaba, os lixou à moda antiga. Como? Pondo-os todos a falar línguas diferentes, criando desentendimentos, o que como era de prever fez com que a Torre de Babel ficasse embargada. Para além disso, nasceu também assim o idioma taxista, coisa que muito tem prejudicado a humanidade até ao momento.

Com os ares condicionados no local de trabalho, a história é deveras semelhante. Uma coisa que, teoricamente, poderia ser benéfica acaba por transformar-se num cataclismo de proporções épicas. A miúda descascada nunca se poderá entender com a senhora das doenças. O tipo que cultiva suor em lotes de referência nunca poderá chegar a uma temperatura de consenso com o eterno constipado. A menopausa entra em conflito com o desejo de mostrar o top novo, o gajo que chega sempre atrasado terá sempre mais calor do que o tipo que insiste nas camisolas de gola alta em Agosto.

Traço geral, no mais correcto francês, o ar condicionado é uma merda. E Deus sabe disso, mas como gosta de se rir às nossas custas, nunca há de faltar numa empresa todo um sistema de ar condicionado cuja utilização é tão consensual como a decisão de quem é o gajo mais mal pago.

Com uma agravante, constipa. Lixa-te o sistema. Perturba-te o fluxo de guarda-roupa. E, no meu caso, em que as inteligências supremas que o instalaram meteram a ventilação a sair do chão, gela-me os calcanhares. E isso, meus amigos, não há quem o admita.

22.10.09

Riscos Pedidos

Sinto que às vezes me escapam as coisas de que é verdadeiramente importante falar.


As flores, os pássaros, as crianças que maltratam flores e pássaros.

A paz, as pás e o tudo o que está por detrás.

Os sentimentos, os impedimentos e todos esses argumentos peganhentos.

E escrever poesia, assim com muita alegria, mas com uma fixação doentia, por coisas que rimam com poesia e cheirem a maresia.

Peço portanto a vossa ajuda, e também da minha prima surda-muda.

Que temas andam a faltar no blog? Que linhas fazem mais sentido do que as do comboio?

O que é preciso para não terem de levar com devaneios bucólico-pastoris, dignos de um lirismo pós moderno e de um gajo que certamente vai para o Inferno?



PS - Dica não tomar medicação sem antes verificar o prazo de validade.

20.10.09

Portugal vs Bósnia e o flagelo de Sarajevo

O ano era 1992. Na Bósnia viviam-se tempos difíceis, com os conflitos étnicos entre repúblicas da ex-Jugoslávia. A coisa não melhorou, quando António Manuel Ribeiro dos UHF começou a cantar o seu tema “Sarajevo”. Felizmente, a RTP Internacional ainda não chegava a terras bósnias.
Em Portugal, também se viviam tempos difíceis, especialmente na televisão, onde a Luís Represas lhe era permitido andar à solta com um programa televisivo.

O pior de três mundos junta-se, quando no programa de Luís Represas aparece António Manuel Ribeiro e insiste em cantar Sarajevo. Toda a Bósnia chora, sem saber porquê. Já a audiência do programa também chora, mas aí percebe bem porquê.

António Manuel Ribeiro é um misto de rocker e tipo que vai à missa ao domingo. Às calças de cabedal de rocker estilo Bono colecção de 92, junta uma camisa clássica, porque se é para ir à televisão também não se pode ir numa bandalheira.

Há uma clara falta de ritmo na sua expressão corporal. Não é grave, quase ninguém nota. O seu cabelo, depois de anos sem rumo, concentra todas as atenções.

Os três minutos arrastam-se, “Jugoslávia bonita” canta ele. “Bela trampa” pensarão outros.

Dezassete anos depois, a Bósnia tem oportunidade de se vingar. Num campo de futebol. Sem António Manuel Ribeiro ao intervalo, espera-se.

Se eles vêm com ganas tipo vingança tuga contra Maitê, vai haver molho. E ao contrário da Jugoslávia cantada pelo leather pants dos UHF, não vai ser bonito.

19.10.09

Entrevista a dor

É um facto que gosto de dizer mal gratuitamente. Como é óbvio, preferia que me pagassem para isso, mas visto que até agora ninguém se chegou à frente, vejo-me obrigado a esta espécie de mecenato maldizente.

Mas, dentro dos limites, diria mesmo das alarvidades gratuitas que por aqui vão passando, tento que tenham uma coisa – critério. E a palavra critério, por si, já é um bocado ofensiva, especialmente quando se trata do meu.

Serve este breve interlúdio para ver se consigo encher umas quantas linhas de dissertação psico-técnica antes de começar a dizer mal de entrevistadores. Oh, já comecei, pois então que se lixe.

Não acho que tenhamos os piores entrevistadores televisivos do mundo, mas temos os clichés todos do mundo jornalístico-entertaineador. Tinha para aqui um relambório a analisar alguns dos principais entrevistadores/ tipo de programas, mas não é preciso. Basta que fechem os olhos e pensem num programa/entrevistador, para saberem sempre como são todas as suas entrevistas, salvo surpresas.

Inove-se minha gente, seja-se mais fresco, arrisque-se um milésimo. Não vou dar os americanos como referência, porque em programas do Conan O’Brien ou Jay Leno, aquilo também é muito ensaiado, mas há ali um espacinho para o imprevisto, para a naturalidade. E se querem exemplos mais “sérios”, já vi um “60 Minutos” que acabou com o entrevistador a desafiar o Michael Phelps para uma corrida na piscina de fatinho de banho, mas sem palhaçada. Perdeu, mas ganhou no inusitado, sem deixar de ser interessante e válido.

Vi a semana passada a Grande Entrevista da Judite de Sousa ao António Feio. O momento é delicado, mas a atitude do António é positiva, mesmo num cenário complicado. Em vez de demonstrar, subjectivamente (até porque o entrevistado ajudava) que as doenças mais graves podem ser enfrentadas com positivismo, teve que ser aquele esquema óbvio de 10 perguntas sérias sobre um problema sério, porque o programa é sério.
Nem sequer as dicas de bom humor, como a da Amélia Rey Colaço, foram aproveitadas para aliviar um pouco o peso de estarmos perante um homem que luta pela vida, sem perder dignidade nem interesse para o espectador. Já cada pormenor mais trágico ou mais em cima da mesma tecla do cancro, foi sempre bem explorado. Não digo que seja desrespeitoso ou que as pessoas não queiram saber. Mas...

Fujamos do óbvio, sem por isso fugir da realidade.
Por favor.

Tirando neste blog.

Aqui é óbvio que a realidade é má.
Condiz com o autor.


Desculpem, mas tem que ser assim.

15.10.09

As saladas entre homens e mulheres


Houve tempos em que a salada não tinha muita reputação. Era uma acompanhante, fazia sucesso uma vez por outra, mas não raras ocasiões era posta de lado. Mas, alguém relembrou: quando teoricamente Deus criou a mulher, criou também a salada. E os espelhos.

E as revistas da moda. E umas roupinhas tão giras que é uma pena ficarem na loja.

A verdade é que a salada estava destinada a conhecer a mulher. O Adão foi apenas um pormenor no meio. Até porque o Adão não curtia muito salada e só comeu uma maçã que a Eva lhe impingiu, porque nessa altura fazia de tudo para a levar para a cama.

Mas a mulher, tem com a salada uma relação parecida com aquela que tem com o Homem. Amor-ódio e por aí em diante. Às vezes é tudo o que precisa para ser feliz, outras vezes não a pode ver à frente. Não a preenche, amargura-a, amaldiçoa a sua companhia.
Depois, muitas vezes antes do Verão, fazem as pazes e vão almoçar juntas todos os dias.

Como em todas as relações, a salada também não é inocente. Usando o seu nome, carrega-se de ingredientes sedutores, mas pouco condizentes com a sua posição de salada. Pisca o olho às mulheres e diz-lhes: "Podes ter-me, sou uma salada e serei tudo o que quiseres". Mas de salada só têm mesmo o nome que usam e o número de mulheres traídas por elas não pára de crescer.

Os tempos estão a mudar e elas estão cada vez mais modernas. Hoje em dia também começam a não faltar homens que assumem relações com saladas. Sem pudores, sem medos, é vê-los por aí em público agarrados a saladas, às vezes em grupo.

Mas, ódios e enganos à parte, as mulheres continuam a confiar nas saladas, mais porventura do que nos homens. A razão parece-me óbvia, nas saladas as mulheres podem escolher cada um dos ingredientes, se assim o desejarem. Já com os homens, é uma sorte se ao menos se safarem no tempero.

Era um actor melhorzinho FlashFavor


É a nova série do momento, é a razão porque muitas famílias ainda se sentam juntas no sofá e as séries continuam a ser uma meca televisiva. Falo, claro está, do Flash Forward. Aliás, não me estou a excluir do bando e depois de ter visto parte dos dois primeiros episódios em Londres, resolvi continuar a ver o que sai dali, através do AXN.

O argumento é interessante, pela sua abordagem, uma vez que o tom apocalíptico-ai ai ai que isto vai dar molho ou se calhar já deu e nós é que não sabemos, não é propriamente novidade. O interessante, para mim, é ver como se explora a vertente de toda a gente saber algo sobre o seu futuro e como isso se encaixa nas relações de uns com os outros, quer nesse mesmo futuro, quer no presente. É tipo já sabermos todos o que vamos ganhar de prenda no Natal e ver como vamos tratar quem nos deu um aftershave manhoso ou saber porque é que a Tia Clarinda nos vai cuspir no cálice de Vinho do Porto, se nós até gostamos tanto dela.

Essa parte é porreira e recomenda-se. E isto ainda vai no início, o que significa que há uma larga margem para dizer mal, caso seja necessário. Mas, porque não é preciso grande futurismo para constatar o que vou dizer a seguir, fica já aqui mais uma opinião:

O Joseph Fiennes é lastro. Embora o apelido seja um valor acrescentado em termos de mais valia cinematográfica, sem um Ralph antes a coisa fica mais fina. O Fiennes júnior nunca me convenceu, nem sequer nos tempos em que andava a fazer a festa com "A Paixão de Shakespeare"
Como o tempo passou e não tenho levado grandes banhos de Joseph, dei-lhe uma folga quando o vi a aparecer no ecrã a fazer de polícia durão mas sensível, ex-alcóolico e amante de sevilhanas (há aqui uma parte para despistar).

Mas não, ao fim de dois episódios já vi um bom futuro para o Joseph. E não passa pelo mundo do cinema. O tipo, atributos físicos à parte, é pouco profundo, muito pouco convincente e não me consegue envolver minimamente naquilo que o seu personagem deveria transparecer. Tal como o Ronaldo, não sei onde ele vai estar daqui a uns tempos, mas certamente não será a impressionar-me.

Sendo o personagem central do Flash Forward, temo que no futuro desta série haja uma altura em que o Joseph lhe vai fazer mal. Deixa lá ver se ela consegue superar isso.

14.10.09

O Portugal da Maitê do Pingo Doce

Caso ainda não saibam, as novelas hojem em dia passam-se na Internet. É aí que se descobrem as últimas escandaleiras, que se se revelam os novos heróis e vilões e é aí que toda a gente vai procurar informação, quando tal é preciso. Quando tal não é preciso, ainda vão mais depressa.

E, como tal, na ordem do dia andam o Pingo Doce e a Maitê Proença.

Sobre o Pingo Doce, nãp me vou alargar muito. Primeiro porque seria daquelas situações em que depois de um dia passado no talho, ainda teria que ir desmanchar um porco quando chegasse a casa. Já paravas com as metáforas não? Depois, não me apetece e é auto evidente o que há para apontar, mesmo para quem não percebe patavina de publicidade. Seja em Portugal ou no Brasil.

Quanto à Proença do Maitêgate, é apenas triste. Triste por se dar dimensão e protagonismo a quem não o merece, quando a reacção natural seria um sorriso desdenhoso, como quando se vê o filho dos outros a fazer asneiras e pensar “Pobre tontinha”.
Obviamente não conhece Portugal, não se preocupa em conhecer e tem pouco futuro como humorista. Ofendido fica-se quando alguém faz uma ofensa qualificada, a ignorância não ofende, só choca. Vende muitos livros em Portugal? A Margarida Rebelo Pinto também e isso não quer dizer que a malta não gostasse de também a impedir de entrar em Portugal.

Quanto à Maitê, essa pode vir. Quantas vezes quiser, não faltam cá fontes para cuspir e doces que não têm barrigas de freira, não têm papos de anjo, nem sequer mil folhas, apesar do seu nome. Isto para não falar em túmulos cheios de gente morta e rios que insistem em ir dar ao mar.

Vem lá Maitê, que apesar de gostares muito de nós, ainda tens muito que aprender sobre o nosso humor.

Nem que venhas só para conhecer o Pingo Doce. Afinal de contas, eles têm sempre preços que combinam com a qualidade do teu humor.

Acredita, que é verdade.

11.10.09

A dor do dador



É bom acordar cheio de vontade de ajudar os outros. Para além de ser uma coisa que os outros não podem fazer por si próprios ou estariam a ajudar-se a sim, em vez de ajudarem os outros, pelo menos sempre é melhor do que acordar cheio de vontade de ir a correr para o WC. Em princípio....

Alucinações galopantes à parte, a verdade é que ontem acordei decidido a seguir o conselho que muita gente me dá depois de ouvir os meus fogachos humorosos ou ler o chorrilho de alarvidades que para aqui despejo: “Vai mas é dar sangue!”.

E, assim fui.
Ou...
pelo menos tentei.

A verdade é que primeiro tive que debater-me com a dúvida se seria melhor ir dar sangue da forma tradicional ou da moderna, que é ir até à porta de uma discoteca e insultar o porteiro. Como não tenho consulta no dentista marcada para breve, optei pela tradicional.
Escolher o sítio foi fácil, já que o Júlio de Matos traz-me sempre uma sensação de saudade. Depois de cumprimentar alguns amigos, dirigi-me ao sítio onde haviam alguns baldes de sangue à porta e entrei.

Era agora. Ou então não...

É natural que tenham alguns cuidados, afinal no folheto até se avisa logo que não é permitido vender sangue, pelo que tirei logo as etiquetas de preço que tinha colado a algumas veias premium. Algums perguntinhas sobre hábitos e doenças, que tipos de regabofes de sexo e drogas costumo fazer e depois, uma pergunta que me deixou um bocado a pensar (coisa rara):

Já fez sexo a troco de dinheiro ou drogas?
(felizmente não tinha lá a opção bilhetes para o circo)

Estranhei, se já me perguntaram sobre o tipo de parceiros, a regularidade e o uso de drogas, qual a necessidade de cruzar as duas. Será que há uma sala especial para quem diz sim? Ou é para facilitar marcações? Adiante.

Espera lá que a doutora já fala contigo, vê aí uma revistinha, atenção ao sistema sonoro, lá vai ele para a salinha. “Olá como está?”, “Estou bem e a senhora?”, “Está com corrimento?”, “Desculpe Dra., como disse?”, “Ranho, tem?”, “Tenho aqui, num lencinho e tudo, quer ver?”, “Deixe estar, mas tem cor?”, “Aaaaaargh!”, “Isso não é uma cor jovem”, “Pois....é incolor, com uns toques de XXXXXX (ponham uma cor da vossa preferência)”, “Pois então, adeus e até à próxima”.

E foi assim, em 1m32s, descobri que sou ranhoso demais para dar sangue. Vá lá, é temporário.

Sendo assim, aproveitei que de momento não posso dar sangue e fui enfrascar-me em álcool, drogas e ligar às cinco modelos escandinavas que referi no post anterior. É preferível juntar tudo agora, do que depois não poder dar sangue outra vez.



PS – O dia depois até melhorou. Ganhei um passatempo destinado a mulheres, fui ver a selecção sem sair de lá deprimido e soube que hoje vou à moda Lisboa. Está bonito está...

8.10.09

O prazer do regresso



Voltar de um lugar, por norma, é bom. Numa primeira abordagem mais simplista, é sinal que não se morreu por lá. Numa segunda abordagem, mais lata ou simplesmente mais parva, pode ser um sinal de um novo começo. Veja-se por exemplo:

Gajo1: Epá há que tempos que não te via, por onde é que tens andado?

Gajo2: Olha, estive em coma uns mesinhos, mas agora regressei.

Gajo1: Em coma? Epá, sim senhor. Então e como é aquilo por lá?

Com um interesse para a humanidade de cerca de grau zero, este pequeno excerto prova-nos que existem vários tipos de regresso.
Mas, confesso que para já continuo a gostar apenas de regressar de férias. Para já, mesmo que tenhamos passado as férias a ser espancados por porteiros de discotecas ou idosos em fúria, somos sempre motivo de inveja para quem ficou a trabalhar. E ai daquele que diga mal das suas férias, que ouve logo um: “Na volta preferias ter ficado a trabalhar, não?”.

Depois, regressar de férias permite um exercício de criativdade. Do género, as 38 maneiras de dizer que as férias foram boas ou aqueles chavões icónicos como “Olha, já foram” ou “Foi bom, mas acabou-se”, entre outros. Para além disso, podemos sempre mentir e dizer que fomos atacados por tubarões, violentados por 5 modelos finlandesas altamente desinibidas ou que fizemos o milagre da multiplicação dos pães, tudo isto na mesma noite, dentro de uma discoteca. O melhor é se isto for efectivamente aquilo que acreditamos ter acontecido para termos acordado nus, com uma marca de uma dentada no rabo num beco à saída de Helsínquia.

Enfim, gosto de regressar. Dá-me sempre a ilusão que vou finalmente começar a fazer alguma coisa útil para a sociedade.

E que vou deixar de continuar a escrever textos que não têm ponta por onde se lhes pegue.

Especialmente daqueles com quebra de linha a cada frase.

Sim, tipo este.

2.10.09

Friends will be friends


Sou a favor da emigração dos melhores cérebros portugueses, embora ache que era mais proveitoso mandarmos antes os mais fraquitos. Talvez lhes fizesse bem uma mudança de ares. Se não servisse de nada, pelo menos sempre tínhamos tido uns tempos livre para nós (é boa esta forma subtil de me associar aos melhores cérebros portugueses, não é?).

Aliás, o facto de ter vários amigos emigrantes deixa-me orgulhoso porque gosto de pensar neles como inteligentes e não como gente da pior espécie que só deixou o país por estar farta de mim. Isso é como querer deixar de respirar, diria mesmo.

Assim, de quando em vez, gosto de ir visitá-los, tentar distinguir se o seu sorriso amarelo é do clima ou da minha presença e ajudar a acabar com qualquer tipo de saudades que ainda tenham de Portugal.

Como sempre, sou bem recebido, até com lágrimas, para depois ser muitas vezes levado com entusiasmo até ao aeroporto, nalguns casos três dias antes de ter vôo de regresso. Por isso malta, preparem-se, está na hora de baixar estores e andar silenciosamente pela casa.

Já vou a caminho.

30.9.09

Olhar para o boneco


Toda a gente, especialmente se forem mulheres, já vestiu uma peça de roupa para agradar alguém (vou poupar aqui a piada do "também já despiu roupa para agradar a alguém"). Que se desenganem os machões, que até tiraram as mãos do rato para mostrar virilidade, coçando ostensivamente determinada zona corporal, pois em dada altura certamente a vossa mãezinha vos enfiou um pullover com um alce ou coisa parecida pelo pescoço abaixo.

Pois eu cheguei a uma fase da minha vida em que, ocasionalmente, visto uma peça de roupa para desagradar. Trata-se, mais precisamente, de uma T-shirt que tem estes simpáticos e desinibidos bonequinhos e o nome da marca “Pornstar”.
Sendo que eu, por mim só, já tenho a capacidade de desagradar a muita gente que me conhece, com esta T-shirt estendo essa franja populacional a quem não me conhece de lado nenhum.

Entre senhoras que olham para mim com ar desconfiado a tipos que confirmam na agenda se de facto já está na hora do Salão Erótico de Lisboa, esta simples T-shirt de cariz lúdico-grosseirão faz milagres de engagement social. Há quem sorria e pense “Deves, deves”, há quem faça um ar de asco contido, há quem pergunte se tenho vagas às 5as. Há quem espreite por cima dos óculos escuros, há quem tenha óculos escuros por ser cego e como tal não faz porra de ideia da T-shirt que estou a usar e há quem finja desprezo, que é algo bem mais trabalhoso do que simplesmente desprezar.

Seja como for, não temo que a minha T-shirt esteja sob escuta e tenciono continuar a usá-la. É um bocadinho parvinha? É, mas é também a prova viva 100% algodão que é possível fazer pendant com a personalidade. Basta tentar.

PS – Espero não ter ofendido nenhuma estrela porno no processo. Com o resto do corpo já ocupado, certamente não precisam de mais outro para lhes f***r o juízo.

Muse, Starlight

29.9.09

Amor em tons de cinzel

Virou-se para mim e disse-me que às vezes parecia ter sido esculpido à mão.
Sorri, fiquei meio envergonhado.

Arrisquei a pergunta.

- É do músculo? Sabes que tanto exercício compensa...

Foi a vez dela sorrir.

- Não. É mesmo por seres um bocado tosco.

28.9.09

Votar, esse belo filme


Dsescansem, não vou falar de resultados. Aliás, eu resultados vejo poucos, ao contrário de paleio, que disso neste país não servem meias doses. A verdade é que mais do que ganhar o Partido A ou B (não é preciso dizer C porque por cá só ganha mesmo o A ou o B) é ver que muita da malta que não se dá ao trabalho de ir votar, é hoje a primeira da fila para dizer que isto nunca muda, que isto quando muda é para pior e que são sempre os mesmos.

E é verdade, são sempre os mesmos.

Sempre os mesmos a não fazer nada e a depois querer dizer tudo.
Quem não gosta de circo, na verdade não tem de votar no número de palhaços que prefere, mas só se se conseguir abstrair que a sua vida é passada dentro da tenda. E, porque não há nada como começar uma semana a enfardar metáforas como se não houvesse amanhã, permitam-me que faça outra:

Votar, com as devidas distâncias, pode ser como ir ao cinema. E o filme em cartaz é mau, é até previsível, sabemos como vai acabar, os protagonistas são fraquitos e essa história toda. Mas, para podermos dizer mal dele com propriedade, temos que o ver. Ainda por cima o bilhete é de borla, mesmo não havendo pipocas.

É que um dia, se nos disserem que perdemos o direito de ir ao cinema, somos capazes de ficar chateados. Se fizerem o mesmo em relação ao direito de voto, na volta, nem por isso.

Mas, até lá, vou votando, nem que seja para poder ir dizendo mal.

22.9.09

A semana da imobilidade

Naquilo a que se convencionou chamar o mundo real, chega hoje ao fim a semana da mobilidade, com um evento denominado “Dia Europeu sem Carros”. Tempos houve, em que eu pensei que este dia era a sério, tempos esses em que fui atropelado por dois táxis, uma carrinha de distribuição e um tipo que ia a conduzir enquanto escrevia mensagens no Blackberry, lia um gratuito e fazia uma Raspadinha. Depois, os tempos de reflexão no hospital levaram-me a pensar que talvez não fosse boa ideia acreditar em tudo o que dizem as notícias. Afinal de contas, dois becos e uma travessa fechados ao trânsito e muito mediatismo não é propriamente uma efeméride a sério.

Mas, houve de facto toda uma semana de mobilidade. Eu celebrei imobilizando o blog, porque não gosto de carneiradas e é preciso equilibrar a balança, mas indo à janela, vejo pessoas a mobilizarem-se por tudo quanto é sítio. É o que dá haver tanto desemprego, estivessem sentadinhas a trabalhar, como deviam, e não andavam para aí a mobilizar-se, só para dizer que são muito activas e militantes.

Da minha parte, confesso que a semana passada só aderi em pleno no dia em que os transportes públicos decidiram adoptar o conceito favorito dos portugueses e foram: "À borla". O que me fez sentir estúpido, porque tenho passe e, como tal, tive de pôr um sorriso falso, pois o que todos estavam ali a aproveitar à grande, já eu tinha pago. É uma vergonha esta Carris e o Metro, sempre a prejudicarem os seus clientes.
Estes dias de transportes à borla são, no entanto, chatos para os mitras, tanto do Metro, como da Carris. Isto é gente que se esforça, que dá o litro para sacar borlas e de repente é assim, ninguém paga? Onde é que está a moral? Um tipo quer roçar-se na pessoa da frente para passar nos torniquetes do Metro e está tudo aberto?? Quer mostrar um bocado de cartão como se fosse o passe e fazer “Piiii” ao mesmo tempo e não é preciso?? Assim, não pode ser, depois qualquer um quer ser um mitra.

Adiante minha gente, que hoje os transportes são outra vez à borla e eu tenho que ir ali mobilizar-me para a entrada do Metro dizer “Ah, hoje que é a borla queres andar nisto não é. No resto do mês, eu que pague...Bandalhos!”

11.9.09

Produtos Austríacos de referência


Depois das montanhas do "Música no Coração", de um rapazinho chamado Amadeu que progrediu no mundo da música e do strudel de maçã, eis que presto a devida homenagem a um produto austríaco, de nome Christoph Waltz.

Tio Tarantino, o filme é bom, o casting é muito bom (apesar de eu até dar o Brad Pitt de borla), mas este senhor é fora de série.

9.9.09

Passatempo Dr. Tédio - Apocalipse fiNow

Nota Prévia: Já era hora de esta história ter um fim. Bom, mau ou assim-assim, o importante era não continuar a gozar com pessoas com problemas e isso inclui-me a mim, a vocês e também ao Vicente.

Um digestivo para o caminho.

Com a refeição a caminhar para o fim, a ausência de notícias da sua noiva, fazia a crispação de Vicente aumentar. E, se alguns dos convidados pareciam querer ajudá-lo, conversando e rindo, outros pareciam ter uma mira apontada para si.
Levantou-se, ajeitou a camisa e preparou-se para ir buscar uma garrafa à cozinha. “Ouve lá” disse-lhe o avô, que até ali intervalara pratos com sonecas, “Estás todo janota, isso é de alfaiate?”.
“Não avô, é fatiado hermético...”, o absurdo das suas palavra era quase tão embaraçoso como a recusa do avô em usar aparelho auditivo. “Ado Ermetti? Muito bem, fatinho italiano, hein, pareces um jogador do Sporting. Qualquer dia és fino demais para pegar nuns euróis e pagar uma bejeca ao avô”.
“Não arrebente a fábula avô. Está aí albardado em beldroegas, quando é o avô que me deve umas a mim”. Correu para a cozinha para lavar a boca com Super Pop, a fazer se não dizia tanta merda.

Aqueles minutos na cozinha valeram olho, pensava ele. Pegou na garrafa, “onde é que está a merda do caga-trolhas?”. Encontrado o dito cujo, abriu-a e voltou para mais um round.
“Então Vicente, não encontraste nenhuma moçoila disposta a casar contigo aí escondida na cozinha?”. A voz da tia Isaltina, só por si, dava vontade de a enforcar nos laços de sangue que os uniam.
“Não tia, mas essa conversa de pachacha não a vai fazer soltar um brilharete”. O horror...

“Filho!!” A expressão da mãe dizia tudo...
“Francamente Amélia, o teu Vicente está um bocado rude hoje. Se calhar é melhor irmos andando já que, ao contrário da má educação, noiva nem vê-la.” Isaltina começou a levantar-se.

“Oiça lá, sua pinchona bufa...” Vicente ficou surpreendido, porque estas palavras não saíram da sua boca, mas sim do seu pai, que raramente dizia mais de três palavras por jantar.
“Então o rapaz arrefanhou talento por todos os poros, para fazer um jantar em grande para a família e os amigos e dar uma novidade que todos já sabemos qual é e agora não tem aqui a noiva e ainda tem que a gramar?”

Vicente estava preocupado, será que o pai também tinha batido com a cabeça?

“Pegue lá no balão insuflado do seu marido”, o pai estava embalado e não havia quem o segurasse “e aproveitem a recta à saída do prédio para irem dar uma curva. Só tenho pena da Clara, porque se calhar tem que ir convosco”. Ouviram-se palmas camufladas, por parte dos amigos de Vicente.

“Amélia!!! Não dizes nada?” Isaltina estava da cor do seu vestido “Deixas o teu marido tratar-nos assim?”
A mãe de Vicente não tinha palavras, talvez porque o marido e o filho as estivessem a usar todas. Ana, sempre oportuna, interveio.
“Vicente, o teu telemóvel está a tocar lá dentro, se calhar é melhor atenderes”.

Com gente aos gritos na sala e a IIIa Guerra Familiar a estalar, Vicente desatou a correr, ouvindo o seu apropriado toque kitsch “Words don’t come easy” ao fundo. À entrada do quarto, não calculou bem um salto e aterrou em cima do tapete, que deslizou e levou a cabeça de Vicente a conhecer de perto a mesa de madeira, antes de lhe apagar as luzes.
“Words don’t come easy
to me
How can i find a way, to make you see...”

O toque não o deixava desmaiar em paz.
Abriu os olhos.

“...I love you.
Words don’t come easy”

Tinha o telemóvel na mão, os dentes ainda na boca, mas não estava no quarto, mas sim no aeroporto, sentado na zona das chegadas.
Atendeu o telemóvel, que já não se podia com o sacana do FR David.

“Estou?”
“Pelos vistos agora estás” o sorriso da sua miúda via-se até pelo telemóvel “Já te tinha tentado ligar, já estou à espera das malas, afinal isto não atrasou tanto como se previa. Recebeste a minha mensagem?”

“Sim...” esfregou os olhos para ver se agora é que estava acordado ou se isto é que era um sonho. “É que fiquei com um tatu no tutu e....” ao ouvir as suas próprias palavras, sentiu um frio na espinha.
“Ficaste com o quê?”
Vicente respirou fundo “Desculpa, ainda estava a acordar”.

“Acorda lá”, ela tinha uma maneira carinhosa de o fazer sentir uma criança “e vai ter comigo que já estou a sair. E espero que não te tenhas esquecido que hoje é o jantar da tua prima Clara, para anunciar às tropas que se vai casar. Vá, até já, beijo.”

Ah, um jantar de família. Era mesmo disso que Vicente estava a precisar.

8.9.09

Passatempo Dr. Tédio Parte 3 - Afinal ainda não acabou

Nota Prévia: Esta é a terceira parte do passatempo Dr. Tédio. Por motivos de verborreia, terei afinal que o dividir em quatro, para não deixar aqui um lençol. Por tal facto, peço desculpa, mas não estou arrependido.
Se não fazes ideia do que estou a falar usa essa maravilha da ciência a que se convencionou chamar “scroll”. Ou, como diria Vicente, experimenta o vagão.

Sobre a mesa, alguém?

Fome era coisa que ele não tinha. A boca seca de tentar não falar contrastava com a algazarra que os seus doze convidados faziam. Lá estavam os seus pais, o avô Carlos, a tia Isaltina e o seu pedante marido, o “Dr. Hugo. Com eles tinha vindo a Clara, a sua prima, que há tanto tempo não via e que, pelo menos sempre parecia mais simpática. Ana andava de um lado para o outro, fazendo as falas de Vicente, conversando com Sandra e Bruno, seus amigos da faculdade, enquanto dava também as boas vindas ao André e à Renata, que tinham trazido aquele terrorista em forma de filho. Faltava era a futura noiva e também a sua capacidade de articular um discurso coerente, mas pronto agora já estava tudo em movimento.

A tia Isaltina aproximou-se, trazendo consigo Clara: “Bem Vicente, vê lá tu como o tempo passa. Já não vias a Clarinha para aí desde quando, do tempo em que jogavam à apanhada?”
Clara sorriu.
“Para aí, tia...” Vicente tinha medo de ouvir a sua voz “...lembro-me que a Clara estava sempre a fugir de mim para o coito interrompido”.
Clara não sorriu.
A tia não percebeu.
Vicente não ficou para explicar.

Suando em bica, estava encostado à bancada da cozinha, quando Ana entrou. “Tens de vir, está tudo à tua espera”.
“Epá, o cacete está eminente e isto vai correr tudo mal. Não há noiva, não consigo sequer afinfar um paralelepípedo e não vejo como me safar disto”.

“Calma” a voz de Ana era suave, mas ainda assim autoritária. “Vais falar pouco e devagar. Eles já sabem que ela está presa no aeroporto, vão perceber que estejas abatido e não digas coisa com coisa”. Piscou-lhe o olho “Anda.”

E juntos entraram na sala.

Durante cinco minutos, tudo correu bem. As conversas fluíam e Vicente, entre acenar de cabeça e concordâncias não verbalizadas, foi disfarçando. Mas, o sacana do “Dr.Hugo” tinha de estragar tudo.
“Então Vicente, dantes as noivas fugiam era no altar. Pelos vistos a tua fugiu antes do anúncio de casamento”. Aquele sorriso ia tão bem com um punho fechado.

“Olhe Hugo, eu não estou com muita concuspiscência para o patinhar, por isso vá com calma”. O controlo estava a apanhar um táxi para se ir embora.
“Desculpa, não te queria ofender, mas também não percebi muito bem o que queres dizer com isso. A rapaziada, hoje em dia, tem um palavreado que eu desconheço”. O ar condescendente ofendido não estava a ajudar à festa.

“Tudo bem, fale de asinhas de frango ou coma esse chaparro com courgette que está aí sentado no prato ao seu lado”. A tia Isaltina, de vestido verde, olhou escandalizada. “Mas, por favor não me massacre”.

Houve uns momentos de silêncio e então Ana interviu, lançando um qualquer tema e os seus amigos ajudaram a dinamizar de novo o jantar. A mãe, ao seu lado, disse baixinho a Vicente “Estás bem filho? Pareces-me nervoso e um bocadinho distante”
“São nervos mãe” Vicente tinha a noção de que não era muito convincente “E este tipo causa-me uma idiossincrasia no estomâgo que não imagina”.
“Bebeste filho?” a mão da sua mãe pegava na sua “Não mãe, é de bater com a cabeça na parede” disse Vicente, sorrindo.

Mas, o prato ainda estava cheio e a vontade de sorrir não era muita.

7.9.09

A última ceia de Vicente - Parte 2

Nota Prévia: Esta é a segunda parte do desenlace do Passatempo Dr. Tédio. Para saberem se estou sobre o efeito de substâncias tóxicas e tudo o mais, consultem os posts anteriores.

O prato principal

Desorientado, o futuro noivo tentou acalmar metendo água, ou melhor, tomando um banho. Olhou para o relógio, o catering só chegava daqui a meia hora, correu para o quarto, tinha a farpela pronta e seguiu para banheira.

Enquanto a água jorrava com força e Vicente ensaboava intimamente, mas com firmeza, as suas profundezas, não podia deixar de pensar no que iria dizer aos seus implacáveis convivas. “Depois do jantar, fiquem para o pequeno almoço, vão ver que até lá ela chega”. E foi assim que, distraído a enxugar os pensamentos, o nosso anfitrião não deu pelo sabão que escorregou e se anichou estrategicamente, qual Cinderela, no local onde segundos depois colocou o pé e imitou Rudolf Nureyev na perfeição. Tirando a parte em que bateu com a cabeça no lavatório.

Nem cinco minutos demorou a recobrar a consciência. Surpreendeu-se por ver que não tinha redecorado a casa de banho em tons de vermelho e por não ter um lote de dentes para oferecer à fada madrinha. Mas, acima de tudo, surpreendeu-se pelas palavras que proferiu, mal se levantou.

“Fónix, vou ter de lucubrar a alcachofra”.

Mas, que era aquilo? Ele não queria dizer isso, estaria trifásico? Trifásico? A palavra não era essa, era….. magnésio?? Fosse o que fosse, ele não tinha tempo para isso, com o catering a chegar, os convidados logo a seguir e a noiva nem por isso. Ia falar pouco, enquanto via se recuperava a erecção involuntária. O quê????? “Concentra-te Vicente”, pensou, vais ver que amanhã ainda te ris disto.

Falando só por monossílabos e alguns grunhidos, despachou o catering o mais rápido que pode, já que só tinham que entregar os acepipes, que do resto tratava ele e a sua irmã, que vinha para o ajudar.



Assim que a sua irmã chegou, notou logo que algo não estava bem “Que se passa Vicente?” e, ele como irmão mais novo que sempre fora, logo desabafou “A minhoca está azeda e não deve chegar a tempo do jantar. Para ajudar, lambi o corrimão quando estava a tomar banho e fiquei assim”.
A cara de Ana foi um misto de espanto, incredulidade e vontade de rir. Vendo os nervos do irmão, disse-lhe “Acalma-te lá, que vamos resolver isto” e deu-lhe um papel, para que ele lhe explicasse por escrito. E assim, Vicente descreveu o seu infortúnio. “É melhor cancelares o jantar” sugeriu Ana. “Estás com bananas na garagem???” gritou Vicente, enquanto lhe descrevia, novamente por escrito, o que lhe aconteceria se voltasse a fazer uma desfeita à família e aos amigos, que já vinham todos a caminho.

“Pronto” disse-lhe ela em voz calma “Então vamos a isso, mas tu fala o menos que possível, eu digo que estás rouco e explico-lhes da tua noiva. “Pode ser?”
“Vai ter que ser minha barata de caramelo” suspirou Vicente.

A campaínha tocou, a última ceia de Vicente ia começar.

A última ceia de Vicente - Parte 1

Nota prévia: No âmbito do passatempo Dr. Tédio (ver posts anteriores), esta alucinação tem uma base colectiva (as vossas palavras), mas também uma personalidade muito própria, já que quem atestou a viatura fui eu. Daí que este texto se divida em trilogia, pois com tanta verborreia junta, alguém vai ter que comer pela medida grande. Não eu, nem sequer vocês, mas sim o Vicente.
Concluo dizendo que as palavrinhas estão lá todas e, sempre que possível o mais juntas que possível segundo as vossas parelhas. O resto, bem o resto é o resto...

Parte 1 - As entradas


Vicente era um rapaz inocente até o dia em que se deu o acidente. Bateu com a cabeça, ficou diferente, ainda era o Vicente, mas não falava como toda a gente. A partir daí, chamaram-lhe escanifobético e até estrambótico e, educamente, ele até agradeceu, mas ainda assim continuou a preferir que lhe chamassem só



Vicente.

Mas afinal, que maldição se abateu sobre este filho de boa gente?
Era uma noite importante para Vicente. Convidou para jantar a sua família, amigos próximos e até Fulano e Beltrano (não os conhecia bem, mas disseram-lhe que era gente que ia a tudo quanto era evento), fazendo tenção de a todos anunciar que iria fazer aquilo a que se chama casar.

Com a hora do jantar a aproximar-se, os primeiros a chegar foram os nervos. “Nervos temos todos”, costumava ele dizer, mas naquele dia pareciam estar todos por sua conta. Pegou no telemóvel, para procurar ânimo e conforto junto da sua futura esposa, que devia estar a chegar ao aeroporto nesse momento, vinda de uma conferência.

Ah, que querida, já lhe tinha deixado uma mensagem. Duas palavras apenas, ouviu ele, e logo o seu coração disparou: “Tou atrasada”. Do ânimo e do conforto ao horror, com o tarifário mais barato. O avião ficara retido, um qualquer circuito derretido e os planos de Vicente esturricados. É que apresentar uma noiva em pessoa pode ser difícil, mas anunciar noivado com uma cadeira vazia é mais complicado. Já ouvia a sua tia a dizer que, pelos vistos, ela devia ser uma zoina estouvada. E isso era coisa que ele não admitia que chamassem, quer à sua cadeira, quer à sua noiva.
E, para celebrar início tão auspicioso, resolveu Vicente abrir o serão de forma eloquente:

“Cum caralho”.
Não foi bonito, mas pelo menos não deixava hálito, como aquela garrafa de ginjinha que o convidava para desabafar.

3.9.09

Nas vossas palavras

E eis que o Passatempo Dr.Tédio chega agora à sua segunda fase. É uma parte importante, já que me obriga a reflectir e, a espaços, ir ao dicionário para perceber que tipo de demência vos levou a escolher determinadas palavras. Se há coisa que me assusta é ver gritos de ajuda mascarados de duas palavras soltas.

Para os atrasados (vou deixar esta categoria aberta), podem ainda ir preenchendo palavritas na caixa anterior. Só quando eu fizer um comentário a dizer “Fechou a loja” é que não se aceitam mais encomendas.

No entanto, posso dizer que não me surpreenderam. São o tipo de gente torcida que eu esperava encontrar por aqui, a dificultar a vida a quem trabalha, com léxico de três em pipa, o ocasional atentado gramatical e coisas que não lembram ao demo.

Amanhã, durante o dia, vão ver o que é bom para a tosse (Tamiflu não sei se arranjo). Os ingredientes são vossos, a sopa é minha.

1.9.09

Passatempo Dr.Tédio

Neste blog não se aprende nada. Neste blog não há diários íntimos e reflexões profundas, nem sequer diário íntimos sobre outro tipo de coisas profundas.

Neste blog não há parágrafos alinhados. Existem, no entanto, cabelos desalinhados, coisa que não podem ver pelo que vai dar

ao mesmo. Neste blog não há conselhos para a vida, nem sequer para o próximo....






....minuto.

Não há prémios neste blog, nem porventura à vossa paciência por cá virem. Não há muita coisa, nem sequer sobre mim. Mas também este blog não é sobre mim, é meu, o que são coisas diferentes. Ou seja, tem muito de mim, mas pouco sobre mim, se é que me entendem. Se não me entendem, então certamente não é a primeira vez que cá vêm.

E, sendo assim, uma coisa que sabem é que escrevo. Neste blog, por exemplo. Mas, apetece-me variar e por isso vou deixar que sejam vocês a escrever e eu a inventar. Pode ser? Se não puder, vai ser à mesma por isso vocês é que sabem.

Ora então, o passatempo Dr. Tédio funciona assim: Nesta caixa de comentários, para além de elogios gratuitos e insultos pagos (para variar), dou-vos a liberdade de deixarem duas palavras. À vossa escolha, sem restrições, desde que existam e sejam portuguesas.
Cada pessoa pode deixar unicamente D-U-A-S. Se deixar mais, contam apenas as últimas duas. Se deixar duas em vários comentários, conta o último comentário.

Para quê?

Vou pegar em todas, não necessariamente aos pares e vou usá-las num texto. Não sou eu que digo, são vocês, eu acrescento é ingredientes e temperos.
Isto vai dar cócó? Depende, basta que alguém escolha essa palavra. Também pode dar carambolas.

Aceito então duas palavras por pessoa até final do dia de amanhã. Depois o bolo vai ao forno e Sexta-feira o mais tardar está cá fora. Estou-vos a citar, atenção.