
É certo e sabido que, traço geral, a malta não é assim grande fã da morte. Fazem-se piadas sobre ela, trivializa-se o seu efeito, mas quando nos toca de perto, a vontade de rir desaparece num instante. O que é chato, porque a maior parte das pessoas que conheço ficam mais bonitas a rir do que a chorar. Tirando umas quantas, que não há boa disposição que as safe.
O nosso problema com a morte é que não somos racionais, o que até se pode justificar pelo facto de ela também não nos estender essa cortesia. Há mortes esperadas, há mortes inesperadas, há mortes trágicas, há mortes heróicas, mas não deixam de ser mortes. E isso signifca que alguém que nos é próximo passa a ser para sempre distante. A culpada do costume: a morte, claro está.
A realidade é que essa é uma culpa fácil, porque a morte em si não faz nada, é um bocado parada. São as doenças, os acidentes, a idade e tudo o resto que matam as pessoas. A morte é o ponto final num texto, não tendo qualquer responsabilidade sobre a forma como o fim da história se desenrolou. Mas nós transferimos para ela todo o nosso sofrimento.
A verdade é que não gostamos muito da dita Sra pelo facto de assinalar, de forma marcante, o momento em que o sofrimento passa definitivamente para as nossas mãos. E isso dói. Dói ainda mais porque nessas alturas vem ao de cima o nosso egoísmo, o egoísmo próprio de quem está vivo e sofre.
Mas e então, devemos gostar da morte? Se tivermos uma funerária, sim, porque é ela que nos garante a vidinha e é um sector em que nunca há falta de matéria prima. A verdade é que também eu não gosto da morte, mas também não sou grande fã do nosso culto à volta dela.
A versão religiosa serve para dar conforto face ao desconhecido, mas é tudo muito virado para nós, para amplificar o nosso sofrimento. O cerimonial foca-se na partida, num tom carregado e, adequadamente, fúnebre, mas nem tanto no que de melhor teve a vida de quem morreu.
Sim, porque se estamos ali, é porque algum impacto aquela pessoa teve na nossa vida e, por mais trágica que a forma como nos separamos dela possa ter sido, isso não devia apagar o que de melhor nos juntou, nem sequer secundarizá-lo. Mas, a saudade e o sofrimento tornam-nos egoístas. A reacção é natural, mas também é muito cultural.
A maior parte dos nossos cemitérios é apenas um espelho disto tudo. Pedra e mais pedra, placa e ostentação, sinais que falam para os vivos, mas homenageam pouco a vida. Nada substitui uma pessoa, mas uma lápide fria terá sempre menos vida que uma árvore, uma planta, algo verde e colorido. É certo que não temos espaço para exemplo estilo americano ou inglês, mas à escala poderíamos ter espaços bem mais naturais, verdes, tranquilizantes e, porque não, vivos para honrar os nossos mortos. Eles certamente ficariam satisfeitos, especialmente por nós.
29.7.09
Rica vida tem a morte
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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10:53
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21.7.09
Et tu Bruno

Toda a gente é livre de se rir, mesmo que não saiba porquê. É saudável, faz bem a uma data de coisas e não tem sabor esquisito, ao contrario de certos iogurtes. Mas, sendo eu um tipo com uma certa afinidade em relação ao humor e à escrita, ao ponto de aderir na hora caso surgisse um projecto aliciante nessa área, é natural que tenha um determinado grau de exigência na matéria.
Tudo isto para falar de “Bruno”. Assisti à antestreia mas, antes de debitar sobre o assunto, quis ler e ouvir um pouco de feedback sobre o filme, quer de “profissionais e entendidos do ramo”, quer de comuns mortais e também de dois ou três gnomos.
O resultado final é este – não há concordância, o que até favorece o filme, já que concordâncias e aclamações unânimes por norma não são bom sinal. Aliás, o único ponto mais concordante é que o filme é intencionalmente chocante, algo típico dos personagens de Baron Cohen, como já se vira em Borat. O problema, para mim, começa logo por ser um filme e não uma curta, um documentário ficcionado de forma mais assumida, whatever. Um filme exige enredo e uma maior duração, algo que não favorece, a meu ver, um tipo de humor que tira a sua força do choque e da surpresa. Até porque é difícil chocar e surpreender com qualidade ao longo de uma hora e meia, mas aí o critério financeiro de quem quer também fazer dinheiro fala mais alto.
A abordagem do tema gay é ousada e desafiante, mas só por si chega? Sei que com temas polémicos vem sempre a reacção / incompreensão de parte do público e muita critica, nem sempre criteriosa. Mas isso será sinónimo de qualidade?
O choque pelo choque desgasta-se na vulgaridade da repetição, apesar de ser suficiente para muitos. A mock-interview também tem pontos de bom nível no filme, mas também tem momentos estilo “Michael Moore vs Charlton Heston”, em que o efeito se vira contra o provocador.
E no fim, o que torna “Bruno” algo de memorável em termos de humor? Eu tentei descobrir, mas não cheguei lá, não estive perto e nem sequer pude pedir o dinheiro de volta, já que fui à borla. Talvez o mérito do tio Sasha seja criar personagens que se “canalizam” bem através do mediatismo e de conseguir aliar o humor à polémica, mesmo que o primeiro seja por vezes apenas um artifício para ir mais longe.
Mas, a beleza do humor é que o humor é como a beleza. Está sempre nos olhos de quem o vê.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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18:05
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20.7.09
Sim, já fui a um casamento
Suponho que, para muita gente, esta seja uma afirmação trivial semelhante a “Sim, já pontapeei um idoso na rua”. Mas, para o ilustre que vos escreve, até este fim de semana, só a segunda premissa era realidade.
De facto, fiz parte de uma elite restrita, para aí de cinco gajos que, em Portugal, tinham já uns anos valentes de idade adulta sem nunca terem posto os pés num casamento. Se a isso juntar o pormenor de sobreviver sem carro próprio (sim, conduzo e não tenho atropelamentos e fuga no cadastro), éramos só dois sendo eu o único que não estava ligado a uma máquina de respiração artificial desde os 18.
“Será este tipo tão anormal como parece?”, aventarão alguns dos leitores. Não sejam prepotentes, que eu ainda não confio que saibam pensar. Neste caso, a questão nem vai por aí, já que não sou aquilo que se pode chamar um devoto dos deveres familiares e os meus amigos, pelo menos os que não estão internados, ainda não casaram na sua maioria ou, pelo menos, tiveram a inteligência de não me convidar.
Mas, passando ao casamento em si, o que pude eu constatar:
- Há um certo egocentrismo da parte dos noivos. Tudo bem, são eles que se casam, mas não havia necessidade de estarem sempre a querer ser o centro das atenções. Ai, agora vamos assinar e dar um beijinho, ai agora são as fotografias, ai agora temos uma mesa de honra, uma dança só para nós, um bolo para estrearmos, etc.
- Há gente que capricha na fatiota. Mas certamente que, para alguns, um casamento, um cortejo de Carnaval em Torres Vedras ou uma festa da espuma são eventos de cariz semelhante, no que ao vestuário diz respeito.
- Atirar arroz e pétalas pode ser divertido. Também pode ser violento, se tiver em conta o vigor com que alguns cestos foram arremessados.
- Empregado de mesa/bar pode exigir seguro de vida, especialmente se estiver de serviço nas horas de abertura / início de distribuição de comida. Se ha um grupo perigoso de enfrentar é uma “posse” de convivas esfomeados e sebentos.
- A senhora do registo não ficou para almoçar. Primeiro não percebi a recusa de uma borla, mas depois vi que mexia com o horário de serviço de um funcionário público e fez-se luz.
- Mais irritante que o fotógrafo só mesmo o cliché das suas fotografias. Única nota criativa, os tranquilizantes que usou para conseguir fotografar as crianças. (era bom não era)
- A ementa desiludiu-me. Pensava que a magia do casamento também se estendia aos nomes dos pratos. Mas não, o que era bacalhau vinha mesmo como bacalhau e nem sequer como “Lascas de codfish em cama de espinhas com toque de pele e sensações gratinée”.
- A banda não era má ou então era a bebida que era boa. Mas também não era assim tão boa, senão eu não me lembraria da banda.
- A par do K1, o apanhar do bouquet deve ser um dos desportos mais agressivos que já vi. Curiosamente ou não, as mulheres que mais se empenham por norma são aquelas que não vão acompanhadas.
- Com a alarvidade de comida que sobra, lembrei-me de um bom nicho de mercado. A malta que organiza casamentos devia contactar organizações de cariz cívico e guardar as madrugadas para casamento de mendigos, sem-abrigos e/ou toxicodependentes. Eles não iam ligar à apresentação das coisas, as facturas de mecenatos são dedutíveis nos impostos e o amor acontece a todos, até aos mais desfavorecidos.
- Há um tipo de pessoas que se deve ter muito cuidado, nas mesas de casamento. E não me refiro ao etilizado do costume, porque nódoas da roupa são o menos. Mas, sobre isso debruçar-me-ei noutras núpcias.
- Não vi, perto do final da festa, ninguém com um leitão ao colo, disfarçado de criança. Desde que vi um sketch assim (quando o Herman ainda era vivo), tinha essa ilusão.
E pronto, temos estes apontamentos, no meio de tantos outros. E eu já fui a um casamento. Mas a comprar um carro não me apanham tão facilmente.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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16:30
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17.7.09
Sempre a fracturar
A única questão em q o actual Papa assumiu uma posição fracturante parece ter sido em relação ao seu pulso...
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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13:26
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14.7.09
Silly season à séria, precisa-se.
Podem não acreditar, mas o Verão já ai anda há quase um mês. Se isso é tudo muito bonito, as férias, o CampingGaz, o choro de alegria e tristeza com os figurinos que surgem com o Verão e até a malta que se recusa a parar de bronzear, mesmo depois de fazer parecer pálidos alguns cadáveres carbonizados, mas ainda assim falta-me algo.
O Ronaldo bem tenta, a Manuela Moura Guedes bem assusta, mas entre Gripes A, Tamiflus (com este nome, só devia haver em supositório), bancos e mais mancos, bi-eleições (eleições que dão para os dois lados, mas em que quem se fornica é sempre o mesmo) e outras preocupações, sinto falta das reportagens sobre a porca que amamenta um contabilista anão ou do pai de família que construiu uma réplica do Titanic com dentes que caíram dos seus 8 filhos.
É que nem os incêndios têm estado a ter o destaque de Verão de outros anos e a chamada reportagem-chouriço, mesmo junto à brasa, tem tido muito menos saída. Muitos de vocês podem até estar aliviados com isso, mas para mim estes são os meses em que as notícias mais valem a pena.
É que, no final de contas, para palhaçada já me basta a realidade do resto do ano.
Jigsaw falling into place, Radiohead
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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16:12
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10.7.09
O metal reinou por um dia

O rádio-despertador soou diferente ontem. De repente, a Romântica FM foi esmigalhada por uma força poderosa, uma bateria que anunciava o fim do mundo ou então saldos no Media Markt. Não, era mesmo mais tipo fim do mundo.
Esfregaste a careca para despertar, só para encontrares um viçoso cabelo comprido no seu lugar. Já não tinhas o cabelo assim desde o tempo em que os vikings chegaram à Trafaria.
No lugar da barriga que compraste em suaves prestações de cerveja, casamento e sedentarismo estava aquela tshirt preta com um grafismo literalmente dos diabos, que sacaste do chão depois de um mosh em 87. Seria possível? Deste uma chapada na tua mulher, só para ver se não estavas a sonhar e o soco que tiveste como resposta provou-te que não era sonho. A subsequente dor nos tomates também.
Foi então que olhaste para o bilhete em cima da mesa. Brilhava quase tanto como os teus olhos, mas com menos ramelas. O concerto era hoje e a tua alma metaleira vestira-se a rigor. Mas, esquecera-se das calças pretas e no armário só haviam as da tua mulher. Azar, o mundo é injusto, mas as calças serviram à justa, como era suposto. Os teus putos vieram dizer-te bom dia e tu fizeste-lhes uma mosh só para eles verem como era dantes. Eles adoraram e nem o braço partido do mais novo atrapalhou.
Hoje era o dia em que o metal voltava a reinar e o seu principe estava de volta. E iria mostrar o seu valor, enterrado em imperiais até ao pescoço.
A noite chegou depressa, os portões não resistiram à sua força e do concerto só se lembra que ficou tudo negro. Como era suposto.
O dia seguinte trazia de novo a Romântica e o poderoso príncipe do metal voltaria a esconder-se por entre o manto da vida comum.
Eu vi-o ontem à noite ao meu lado – Metallica, Master of Puppets
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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16:15
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8.7.09
Futuro, triagem de informação e newsjacking

Chegámos a um futuro não muito distante, onde para aparecer nos noticiários não bastará ser notícia. O sistema de triagem de Manchester, aplicado aos hospitais portugueses, é agora também utilizado em todos os cidadãos que se candidatem a ser notícia.
A massificação da informação está no seu auge. A seguir a um período de descontrolo editorial veio uma política de zelo e estratificação noticiosa para tentar separar o trigo do joio, ambos transgénicos. Os canais de informação são agora verdadeiras fortalezas. Por outro lado, a TVI tem um noticiário em formato Big Brother, o único lugar onde podemos ver uma vetusta Manuela Moura Guedes em versão infravermelhos.
Eis uma entrevista a um candidato a ser notícia.
Info-funcionário: Portanto, o senhor acha que é notícia e quer ter acesso ao estatuto de celebridade, nível 3?
Cidadão: Oiça, eu tenho a certeza, não acho.
IF: Amigo, você não sabe quantos chegam aqui com essa conversa e depois nem de rodapé de teletexto passam. Celebridade de nível 3? Isso tem que ser matéria para abrir noticiário.
Cidadão: Meu caro, mas eu acabo de descobrir a cura para o vírus da SIDA.
IF: Ui, mais vírus? Já não nos bastavam a gripe A, B, C, D e as outras todas que já parecem matrículas de carros, mais a febre do peixe galo, a perturbação da pata de coelho e o síndrome do entrecosto e você vem-me com mais doenças?
Cidadão: Não está a compreender, estamos a falar de um vírus que dizima milhões de vidas há décadas.
IF: Isso é tudo muito bonito, mas ainda nos vai é dizimar milhões em audiências. Deixe lá ver, como é que o posso ajudar. Está a planear suicidar-se ou morrer de forma espectacular nos próximos dias?
Cidadão: Não...
IF: Tudo bem, talvez não seja preciso ir por aí. Familiares ou criancinhas fechadas por si em caves ou buracos, arranjam-se?
Cidadão: Está a brincar??!!
IF: Ok, ok, já vi que com essa disposição nem vale a pena perguntar se por acaso não é casado com a Maddie ou a tem embalsada junto à lareira...
E laboratórios interessados em contratá-lo hein? Tipo assim uma cena inovadora, cientista e o seu vírus recebidos em delírio no novo laboratório. A loja anuncia que a bata com o seu nome já está esgotada. Isso era bom!
Cidadão: Oiça, as coisas não funcionam assim. Eu sou respeitado, mas...
IF: Não funcionam, diz ele. Epá, se o respeito lhe chegasse não estava aqui. Conhece ao menos o Ronaldo?
Cidadão: Quem?
IF: O futebolista pá, o gajo que bateu o seu próprio recorde de transferências, quando o Inter Alberto João Jardim ofereceu Portugal ao Real Madrid para o contratar.
Cidadão: Não.
IF: E alguma das mulheres dele? A Paris Hilton, a Shakira, a Susan Boyle ou uma das outras?
Cidadão: Também não.
IF: Estou a ver que não vamos lá. E o gato dele, o Ronronaldo?
Cidadão: Ainda menos.
IF: Amigo, assim não vai dar. Chega-me aqui sem referências, só me pode avançar com a cura do vírus da SIDA e eu não estou a ver como o posso encaixar no nível que pretende. Não chega uma entrevista no “Memórias do Baião”, tem que ser mesmo noticiário? É que o João tem Alzheimer e você vai poder falar do que quiser.
Cidadão: Eu sou uma pessoa séria, só quero falar sobre esta descoberta maravilhosa, mas com dignidade. Você está a irritar-me, seu biltre.
IF: Está disposto a bater-me?
Cidadão: Muito facilmente.
IF: Então fazemos assim. Eu tenho aqui um abre-latas, você dá-me dois socos, e ameaça infectar-me com a cura da SIDA. Eu ligo para a regie, temos aqui um directo. Você diz que só fala com a minha avó, a Judite de Sousa e quer que o Marcelo, mesmo já cego de um olho leia a sua dissertação na diagonal. Que lhe parece, chega-lhe?
Amigo, onde é que vai, oiça lá... Volte, olhe que é boa ideia. Se for à TVI olhe que o fecham no escuro com a Moura Guedes.
Vá lá, volte lá.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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12:58
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2.7.09
Nollywood here I come
Meus caros, está resolvido. Quem me conhece sabe que, para além de deslumbrar diariamente na minha actividade profissional principal (Cobrador do Fraque), tenho um vasto interesse pela escrita de humor (e não só), assim como pelo guionismo.
Apesar de não pertencer a nenhuma pandilha organizada do ramo (mantenho-me fiel ao Clube do Macramé), interessam-me sempre novos projectos e desafios e, como tal, assim cheguei a Nollywood.
Para quem já pensou “Ó urso, é Hollywood ou Bollywood que queres dizer?”, deixem que aqui o Puff vos elucide – é mesmo Nollywood e refere-se à indústria cinematográfica da Nigéria que, em termos de volume de produção já ultrapassou os americanos e já só tem os indianos pela frente.
Vendo este mercado em clara expansão, não hesitei, sorvi a cultura nigeriana e aquilo que faz mexer o cinema local, bebi um copo de água para desembuchar e deitei mãos à obra. Eis seis pequenas sinopses de múltiplos temas que, pelo que sei, foram muito bem recebidas pelos executivos locais.
Título: O Tubo / The Pipe
Género: Policial
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, lança-se numa investigação para saber quem acendeu o cigarro segundos antes da explosão.
Título: Pelo Tubo / Down the Pipe
Género: Drama
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, mergulha no mundo do gamanço em oleodutos, para tentar saber o que levou o seu irmão a acender um cigarro, segundos antes da explosão.
Título: Rico Tubo / She’s not my Pipe
Género: Comédia
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, lança-se numa série de peripécias para não explicar à família porque acendeu um cigarro segundos antes da explosão.
Título: O Tubo Sentido / The Pipe Sense
Género: Terror / Sobrenatural
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, mergulha no mundo da feitiçaria africana e, com a ajuda do Prof. Bambo, convocam o espírito do irmão para acabarem de fumar o cigarro que tinham começado segundos antes da explosão.
Título: Ao longo do Tubo / Through the Pipe
Género: Romance
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, afoga as mágoas lançando-se num tórrido romance com uma meretriz local que viu, pela primeira vez, a fumar um cigarro segundos antes da explosão.
Título: Tubo / In Tubis
Género: Manoel de Oliveira
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, não faz nada. Catherine Deneuve passa ao longe, em Sintra.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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18:55
11
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1.7.09
Febre de museu à noite

Hoje já não é segredo que gosto de visitar museus. Em miúdo tive de o fazer às escondidas, pois no meu bairro puto que ia a museus estava a um passo de se tornar escuteiro e isso não era abonatório para a nossa integridade física.
Sempre achei isso positivo, porque te obrigava a estar sempre alerta: do ponto de vista cultural aprendias muito nos museus, do ponto de vista do cabedal porque não era raro intervalares festivais de impressionismo com festivais de pancadaria.
O problema foi sempre: os museus nunca foram promovidos como sítio cool, pelo menos na idade certa para isso. Não o foram quando eu era miúdo, não o são agora certamente, mesmo que me venham dizer que às 5as agora a malta tem os museus abertos até à meia noite.
É uma questão cultural, famílias inteiras vieram de todo o país para um piquenique com intoxicação musical incluída (Toni, tu és o Ronaldo da música), mas nem duas trotinetas se encheriam se o piquenique fosse na Gulbenkian com visita ao museu incluída.
Mas, como se muda isso? Lavagens ao cérebro e começar tudo de novo? Pode ser que isso seja um plano secreto das novelas da TVI, mas não me parece. A questão é que a dinamização dos museus, por exemplo em Lisboa, está a anos luz de outras metrópoles, onde aproveitar a oferta cultural é tão natural como ir passar uma tarde ao centro comercial. Cá, a noção geral de oferta cultural deve ser para aí o cheque-brinde da FNAC.
Alargar horários serve apenas para alguns baterem palmas e aumentar a circulação do ar durante algum tempo. Alarguem antes mentalidades – é mais difícil, demora mais tempo e na volta... não serve de nada (pensavam que isto ia ser profundo não era?).
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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19:07
4
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29.6.09
Nomenclatura para organizações de gente alienada
A par de um duche gelado tomado a rigor, de fato e gravata, antes de sair de casa gosto de me refrescar pela manhã com notícias que me provam que há gente em pior estado mental do que eu.
Sendo assim, foi com alegria que descobri , através deste espantoso relato, que existem organizações com nomes desta craveira - Rede Internacional de Pessoas que Consomem Drogas (INPUD) e o movimento português CASO (Consumidores Associados Sobrevivem Organizados).
Primeiro que tudo, maravilha-me o facto desta malta ter efectivamente a capacidade de se organizar. Já não me parece tão extraordinário a forte possibilidade destes nomes terem sido obtidos sob o efeito das suas matérias primas favoritas.
Rede Internacional das Pessoas que Consomem Drogas parece-me uma organização que se manifesta quando a polícia apreende contentores de drogas, apelando à liberdade dos narcóticos e que organiza exposições das melhoress fotos de apreensões policiais, daquelas todas direitinhas, com pacotes ordenados por volume e tudo. Parece-me ainda que é gente para lançar o cartão DrugPlus, com descontos nos principais postos de abastecimento e a oportunidade de trocar pontos por seringas, cartões de plástico, garrafas de água e, expcionalmente, comida.
Já o movimento português, parece-me um CASO sério. Não sei se é a rima Consumidores Associados / Sobrevivem Organizados, se é o facto de ver que nem os arrumadores se conseguirem organizar, mas parece-me pouco credível. Depois houve a necessidade de transformar a sigla numa palavra, levando-me a pensar que os consumidores de ecstasy e LSD têm preponderância no grupo, o que leva à conclusão que num dia podem estar a lutar contra a discriminação do toxicodependente e no dia seguinte pela defesa dos ninhos de elefantes verdes na Assembleia.
E, sendo este um texto escrito no âmbito da EDIOTA (Escritores Desorganizados mas Interventivos, Opinativos e Totalmente Amorosos), sei bem o que se passa nos movimentos associativos menos considerados. Simplesmente, eu não consumo drogas.
As drogas é que me consomem a mim.
The drugs don’t work, Ben Harper cover
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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10:58
5
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26.6.09
Consternação, horror e outras palavras de bom porte
Vou começar por despachar já o assunto – Michael Jackson morreu. Fui dos primeiros a saber, não através do Twitter, mas porque a Alexandra Solnado me ligou a dizer que Jesus se tinha desbocado.
Nos próximos dias isso significa que o Cristiano Ronaldo só vai poder continuar a galar a sua própria cara ao espelho, que o Jacko vai fazer tanto dinheiro como nos útlimos dez anos e que finalmente vai acabar a novela mórbida e restará aquilo que realmente vale a pena – a sua música.
Mas, o meu verdadeiro horror do dia não teve a ver com a notícia que faz com que Portugal pudesse levar com uma bomba atómica em cima e ainda assim não ser tema de abertura em noticiário que se preze.
Não é que ontem se cruza comigo um indivíduo, para aí com 50 anos, sem ar de andarilho (e acreditem, eu sei o que é ter ar de andarilho) e quando vai a passar por mim diz alto e bom som “BOI”.
Estando eu na proximidade do Campo Pequeno, primeiro pensei que era um alerta para algum bovino desgarrado à solta. Mas, ao virar-me constatei que o único animal à vista era aquele com quem me tinha cruzado.
Pensei então que o Sr se estava a apresentar, mas como não ficou para conversar e isto não era um encontro de “Speed Greeting”, descartei a hipótese.
Restavam duas opções: doido varrido ou estava efectivamente a insultar-me. Não consegui decidir-me, pelo que não fui a correr atrás dele para um ajuste de contas.
No entanto, à cautela, tirei o piercing-argola do nariz, só para tirar isso a limpo numa próxima ocasião.
Jackson 5 – Blame it on the boogie
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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17:32
3
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19.6.09
Parábola do coelho, da hiena e da piada

Tempos houve em que os animais (para além dos políticos) falavam. Possivelmente porque não havia tantas restrições sobre hormonas e medicamentos administradas em animais, mas adiante. O que interessa é que falavam e tinham sempre coisas interessantes para dizer, como era o caso do coelho.
O jovem coelho era uma espécie de ídolo do stand up da altura. Sempre de piada em riste, percorria os palcos, da savana ao círculo polar, divertindo a bicharada como se não houvesse amanhã. Sendo um animal, o seu humor era bestial, mas tinha um toque de requinte que nenhum dos outros animais conseguia acompanhar.
O seu fã número era a hiena. Fã de uma boa gargalhada, seguia o coelho para todo o lado, e não havia devoção maior. Ao fim de vários anos, encontrou o coelho à entrada de uma reserva natural, onde este ia dar uns espectáculos. Aproveitou a ocasião e resolveu meter conversa:
Hiena – Grande coelho pá, tu é que a sabes toda. Admiro imenso o teu trabalho. Epá, só de pensar naquela do urso polar que era bi. Ah, ah, ah!
Coelho – Obrigado, mas olha que isto dá trabalho. Sempre a saltar aí de um lado para o outro.
Hiena – Epá, ah ah ah, sempre a saltar, muito bom, tu estás lá. Diz-me lá, qual é o segredo para ser tão engraçado, curtia saber ah ah ah!
Coelho – Bem, suponho que...
Hiena – Ah ah ah! Epá, sempre a dar-lhe. Tu não perdoas coelho, ah ah ah!
Coelho – Sim, mas...
Hiena – Ah, ah, ah. Pára, pára, que eu não aguento. Ah ah ah!
Já meio irritado, o coelho salta para o trilho, pronto para se fazer à estrada. Virou-se para a hiena e diss:
- Olha, v....
Distraído, não reparou no jipe da reserva e ficou, como se dizia na época, esmigalhado.
A hiena ficou estática por uns segundos. Abriu a boca, fechou, olhou para o que restava do coelho e finalmente conseguiu articular alguma coisa:
- AH AH AH AH AH AH AH – as lágrimas brotavam-lhe dos olhos – LINDAAAAA. GRANDE COELHO, sempre a bombar. SEU GRANDE MALUCO. AH AH AH AH AH!
E depois, foi andando.
Moral da história – As melhores piadas surgem muitas vezes por acidente, mas desprezar até o fã mais idiota pode ser a morte do artista.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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17:18
5
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18.6.09
Saída do armário a 300 metros
Convenhamos, ser gay e sair do armário já não é o que era. Sim senhor, ainda há casos em que isso causa grande emoção, etc e tal, mas a verdade é que os tempos mudaram e quando se vê “Música no Coração pela 43a vez” aquilo já não é propriamente novidade...
Vislumbre-se um episódio jovem a sair do armário com os pais:
Jovem – Mãe, pai, vim cá jantar hoje para vos dizer algo importante.
Mãe – Ó filho, pensei que viesses por causa do cabrito.
Jovem – Sim, o cabrito é sempre bom, mas eu...
Mãe – É por causa de seres gay?
Jovem – Mas...já sabiam?
Pai – Então, mas tu achas que somos parvos? Olha, passa aí as batatinhas.
Jovem – Eu sei que não é fácil, mas acreditem....
Pai – Não é fácil? Difícil foi a tua mãe preparar o cabrito. Mas olha, se já te decidiste, aproveita e vê lá se convidas o teu primo Hugo para sairem mais à noite.
Jovem – O Hugo é gay????
Mãe – O Hugo e a filha da Arlete, a Carminho. Esteve cá a lanchar com a namorada a semana passada.
Pai – Era simpática a rapariga, despachou-me foi meia garrafa de aguardente.
Jovem – Eu não sabia...
Pai – Pronto, não fiques assim, agora já sabes. E, quando puderes, traz-me daquele creme que tinhas para a cara aqui na casa de banho. É que me faz um jeitaço para depois da barba.
Jovem – É que, nem no emprego sabem...
Mãe – Falando em trabalho, o teu pai diz que abriu um escritório de consultores lá no edifício dele Acho que têm assim um ar bem cuidado e essas coisas. Tu no teu CV dizes que és gay? Olha que podia dar jeito...
Jovem – O que é que isso tem a ver? As pessoas não têm nada a ver com isso. Cada um...
Pai – Mas filho, tu é que vieste falar connosco....
Jovem – Epá, vocês são impossíveis. Eu vou andando...
Mãe – Olha, leva cabrito!
Como se vê, necessitamos de novas saídas do armário para dinamizar a expressão. Talvez pessoas que gostassem de dançar em ranchos ou contabilistas que gostem de declamar poesia lírica. Não se acanhem, eu já assumi o meu amor pelas rendas de bilros.
Little Boots, New in town
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:42
6
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16.6.09
Se vai de férias, visite pessoas

É certo e sabido que este blog tem sido maltratado, nomeadamente por mim, mas a verdade é que, tematicamente, isto nunca foi bem tratado. No entanto, achei que era altura de ele crescer e, como tal deixei-o sozinho para ver como se safava. Tal como eu pensava, os blogs são um bocado lerdos, e este ficou assim para o parado.
Volto agora para lhe limpar a baba (não me refiro a si, prezado leitor) e volto com dicas de elevado gabarito. E, acabando por agora a temática de viagens, não o faço com mais fotos de New York City e relatos de fatias de cheesecake do tamanho do Bruno Nogueira.
Nos guias turísticos não vem isto, mas é bom visitar pessoas, quando se vai para fora. Para já, ao contrário dos monumentos, respondem-nos e dão-nos informações, ao passo que os monumentos e coisas parecidas ficam para ali paradinhos a fazer-se à fotografia.
As pessoas são ainda a base de boas histórias de férias. Desde o porteiro que apreciava brincar com a dentadura, ao oriental que tentava “sugar” energia das obras de arte no Metropolitan, passando pelo empregado de recepção que me pediu para lhe traduzir para inglês o que hóspede espanhola gritava ao telefone (e que era “Está um bêbado aos murros e a mijar-me na porta do quarto”) isto são só exemplos das últimas férias. As gajas e os gajos bonzões (ou as crianças, se costumam fazer férias pedófilas), as pessoas irritantes e os personagens, é essa tropa toda que vai diferenciar as vossas férias das dos demais. Porque as fotos e os sítios vão estar lá para todos, salvo catástrofes naturais (incluindo doenças venéreas e pandemias).
Finalmente, só as pessoas nos sítios a que vamos de férias têm curiosidade genuína em saber o que cada um de nós faz ou como é a vida em Portugal. Muitas vezes é só para ver se compensa matarem-nos e roubarem a nossa identidade, mas não deixam de ser uns minutos de conversa interessantes, que nunca temos hipótese de pôr em prática no quotidiano. Aliás, a última vez que tentei pôr isto em prática nos transportes públicos fui posto fora antes de chegarmos às Galinheiras.
Sendo assim, recomendo – lá fora, nem que seja para variar, aproveite as pessoas (não confundir com “aproveite-se das pessoas”).
Thievery Corporation, El Pueblo Unido
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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16:37
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1.6.09
Viagens a New York – o que não te dizem nos guias
Então, essas férias? Não é preciso responderem, isto é o que se chama um cumprimento retórico, apesar de ser uma pergunta que tenho ouvido com frequência nos últimos dias. Essa e “Quando é que pagas a guita que me deves?”.
Pormenores à parte, podia vir agora todo ufano falar-vos do requinte que é ir a NY, de tudo o que se pode por lá fazer e não é (muito) ofensivo relatar e ou de como dei uma cabeçada numa gaja do Sexo e a Cidade. Mas, sabendo eu que uma paragem no blog de 3 semanas deve ter deixado este espaço estilo escritório em que foi dada tolerância de ponto, não vou continuar a escrever para mim próprio. Para isso já me bastam os postais de Natal.
No entanto, irei deixando aqui um pequeno guia de curiosidades, caso algum incauto venha cá parar através da pesquisa do Google, por outras palavras que não “Miúdas desinibidas, canalizador, pickles ou moonwalking”.
1º - No avião – Nos vôos de longo curso, os monitores individuais permitem que cada um escolha o filme/série/etc que quer ver. O que é óptimo, mas aumenta o efeito típico dos transportes, em que o vizinho cobiça sempre mais o que estamos a ver do que ele próprio escolheu. Ah e no quadro de visualização do mapa de viagem na altura de partir, para além de Lisboa consta também a Amadora, destino muito popular para o viajante mais exótico.
2º - Comissários/Assistente de bordo – as companhias estrangeiras mimam os passageiros portugueses com humor de cabine, já que entre vôos Lisboa-NY têm sempre um luso-descendente açoreano ou um brasileiro radicado nos EUA ao serviço. Não imaginam a piada que isso confere ao ouvir traduzidas para português umas monótonas indicações de segurança, avisos de turbulência ou respostas pedidos feitos por passageiros armados em espertos, vulgo eu.
3º Entrar nos USA – Para além de parecer que se está na secção de maquilhagem do Corte Inglês, dê cá uma mãozinha, depois a outra, mostre esses olhinhos, sim senhor está aí um turista todo janota, os aeroportos americanos têm a vantagem que parece que estamos logo em Times Square, tal é a montanha de gente de todos os lados. Os japoneses eram os mais fáceis de distinguir, não pelos olhos em bico, mas sim pelas máscaras anti-gripe ex-suína, tipo A apanhe ali o acesso H1N1. O tipo que me admitiu, um tal de Watkin, fê-lo com uma afectuosidade que o meu ar moreno ligeiramente árabe nos dias de Verão deve ter despertado. Sorte que o carimbo foi no passaporte e não no peito, senão lá se iam umas costelas.
Vão-se entretendo a contar prédios, que eu já volto.
Fun Lovin' Criminals - King of New York
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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11:15
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10.5.09
Três pontos para o país de Mak
Ora pois, isto tem andado complicado mas dou cá um saltinho, tarde e a más horas, só para dizer de minha justiça.
Ponto 1 - Vasco Granja não morreu.
Para quem, como eu, pertence a uma faixa etária em que os desenhos animados da infância tiveram a presença deste senhor pelo meio, intervalando sempre desenhos que nos eram familiares e simpáticas plasticinas checas ou bonecos experimentalistas da Ossétia do Sudoeste. É certo que muitas vezes podíamos até não perceber a riqueza que nos era passada, mas o certo é que ainda hoje falamos nela com carinho e boa disposição. Era um bocado como se o nosso avô nos contasse umas histórias de adormecer e pelo meio metesse uma falada em russo. Não deixávamos de gostar quer da história, quer do avô.
O Vasco Granja terá lugar cativo na minha memória, como o tem na de muitos outros que pensam como eu. E, a confirmar-se que nos arquivos da RTP desapareceram grande parte ou todos os registos das suas intervenções em programas, isto só prova que há plasticinas checas que fazem mais sentido na cabeça de qualquer criança, do que certas decisões alguma vez farão na cabeça de adultos.
Ponto 2 - Caça ao Porco
Já decidi, com a febre com a gripe do porcos, vulgo A aí à solta, safo-me mais disfarçado de suíno do que com a roupinha do dia à dia. Pelo menos, o trabalho com disfarce não é muito e aposto que entre porcos não se fala tanto da javardice e da gripe dos humanos.
Ponto 3 - Start spreading the news
Lá está, se fosse só para dar notícias nem cá punha os caracteres. Como também é para meter nojo, cá estou eu prazenteiro. Então vou só ali dar umas braçadas até encontrar uma senhora com um facho na mão e já volto. Saudínha jovens e que a vossa labuta faça o país andar para a frente, que assim a minha viagem de regresso é mais curta.
Beastie Boys, No Sleep 'till Brooklyn
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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01:42
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30.4.09
Perguntas, idiotas e perguntas idiotas
Dentro das muitas perguntas que rodeiam as capacidades humanas, algumas têm resposta fácil. Infelizmente são aquelas que têm que ver com o nosso virtuosismo de fazer perguntinhas idiotas.
Senão vejamos: no campo amoroso haverá alguém que pergunte “Amas-me?” esperando ouvir outra coisa que não seja um “Sim” (Exclui-se deste exemplo pessoas que fazem esta pergunta com uma peça de cutelaria escondida na mão). Já no campo do trato social, um bom exemplo é a pergunta “Então estás melhor?” feita a gente que encontramos depois de ausência por doença é tão óbvia que para além do “Sim / Um bocadinho” só se admite um “Não, estou a morrer, mas quis contagiar o maior número de pessoas possível antes”.
Encontrar perguntas idiotas ou pré-formatadas é fácil, pois as pessoas (à minha excepção) não são perfeitas e têm inseguranças, falhas comportamentais ou são, pura e simplesmente, assim para o parvo.
Eu perdoo isso às pessoas porque também erro (por exemplo devia ter posto algo mais forte que “parvo” no parágrafo acima). Mas, caso pior é o das as instituições, que deviam ter mais juizinho, mas em vez disso são aquelas que fazem as perguntas mais idiotas e não me estou a referir apenas às portuguesas. Prova disso mesmo é o questionário para autorização de vôo até aos EUA. Qualquer uma das perguntas feitas só tem uma resposta possível, a não ser que a pessoa goste mesmo de preencher questionários online por desporto ou queira acumular pontos para enviar um currículo para a Coreia do Norte.
Se tiverem paciência vão lá ver, mas fica ao meu exemplo favorito:
De facto, a semana passada, entre um jogo de basket e um jantar de amigos passei umas horas a fazer sabotagem e já se sabe que os fins de semana grandes são bons é para um genocídio à maneira. É melhor dizer que “Sim”.
Mas, outro pormenor tem a ver com as perseguições nazis entre 1933 e 1945. Se for a partir de 1946 estamos safos, porque na altura da 2a Guerra Mundial é que aquilo não era só um hobbie. Além disso se, na melhor das hipóteses, alguém tivesse 20 anos e andasse armado em nazi a perseguir malta em 1945, teria agora 84 anos. Dá-me ideia que se não foram apanhados até agora, não se devem descair no questionário. “Então Sr. Muller, 60 anos a fugir às autoridades por ter sido nazi e agora é que diz que sim no questionário? Ai, ai, ai, já não vai a Miami nem come puré de maçã ao jantar. Seu maroteco, vá lá brincar com Sr.Alzheimer”.
Depois sou eu que sou parvinho...
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Sérgio Mak
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15:59
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28.4.09
A vida sexual dos pombos

É certo e sabido que os pombos cagam de alto para a vida das pessoas. Já o fazem há muito tempo e não é exagero dizer que isso faz parte da sua natureza. E não mudam por ninguém, nem sequer pelos idosos que fazem de milho e pão seco bonitos tapetes-refeição ou pelas estátuas que ajudaram a redecorar ao longo dos tempos.
No entanto, já eu não consigo fazer o mesmo em relação aos pombos. Não só porque as leis da física me impedem de tentar proeza semelhante sem a coisa correr mal, como pelo facto que me preocupam certos aspectos na vida deles. Por exemplo, se eu não recomendaria a amigos meus que comessem beatas, também me faz confusão que os pombos as comam à bruta. Ainda por cima estas nem sequer são religiosas.
Mas, acima de tudo, uma vez que há quase tantos pombos em Lisboa como há romenos a pedir nas ruas, há um factor que me intriga sobremaneira – onde raio andam os pombos bebés ou onde raio é que os pombos fazem os ninhos?
Não me lembro de ter visto um pombo júnior, mas eles multiplicam-se em grande. E não me dá ideia que sejam precisas clínicas de fertilidade. Aliás, deve bastar um resto de pastilha e uma poça de água suja para um jantar romântico entre pombos. Depois, bem depois é a história da pomba e da paz, paz, paz.
O certo é que podem ser sujos, estúpidos, odiáveis, transportar doenças, ter pouco critério a escolher locais de refeição e uma forma estranha de deixar a sua marca na vida das pessoas (e na roupa). No entanto, levam a história da vida privada muito a sério e, pelos vistos, protegem bem os filhos. Coisa que muita gente às vezes parece não saber fazer.
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Sérgio Mak
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27.4.09
O tempo musical
Começo por desiludir-vos aos três se pensam que isto vai ser uma rica composição sobre música. Caso a imagem ainda não vos tenha elucidado, é sobre o binómio decadência-aparência e a sua aplicação ao mundo do rock que estas linhas vão incidir.
O mundo do rock tem uma mística que funciona da seguinte maneira – as músicas vivem para sempre, os músicos/bandas vivem a pensar que o mesmo é válido para eles. E, se é verdade que nalguns casos isso vem mesmo a acontecer, os ditos rockers já não estão cá para comprová-lo, já que é preciso que estejam mortos, para que se possa dizer que vivem para sempre. Parece estranho, mas com a dose certa de álcool e medicamentos tudo acaba por fazer sentido.
No entanto, eles tentam e os fãs agradecem, pois claro. As artroses aparecem, as vozes às vezes desaparecem e não há maneira de serem encontradas e o ar rebelde ou sexy dá lugar a um ar que prova que o mundo do rock é tipo máquina de lavar a roupa, mas sem usar amaciador.
Os concertos, consoante o sucesso da banda, não param 10, 20, 30, 40 anos depois da formação da banda e se alguém decide morrer um bocado mais cedo do que é previsto, ainda se tenta de novo trocando esse membro por outro, preferencialmente vivo.
A questão é sempre: será que vale a pena? Será que ver, usando o exemplo visual, um concerto dos AC/DC hoje é o mesmo que os ver há 25 anos? Acho que depende das pessoas, eu por exemplo gosto de manter uma imagem da memória de uma banda no seu auge e não a caminho da reforma activa. É certo que há bandas que envelhecem bem, mas são mais raras do que aquelas que congelam no seu auge e depois vão replicando sempre aquele período, mas cada vez mais em declínio.
É que, ao contrário da música clássica, em que as grandes obras podem ser sempre interpretadas pelos melhores executantes do seu tempo (um chamado cover em rock), a mística torna cada banda rock de sucesso em algo único. E isso, só o bom senso ou tempo podem decidir quando é altura de parar e, quem sabe, viver para sempre.
We have band, Oh!
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Sérgio Mak
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10:22
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24.4.09
E assim se vai uma semana
Como devem ter reparado, a vossa vida esta semana foi um pouco mais cinzenta e faltou algum daquele brilho que vos torna tão queridos entre as duas pessoas que vos suportam.
Garanto-vos que não fiz de propósito, já que se passou comigo o mesmo que com esta rapaziada, mas de forma metafórico-profissional.
Não envolveu bolas vermelhas na boca e animação condizente, mas o efeito foi semelhante. Com a agravante que para a semana podem fazer o mesmo se lhes apetecer. Quando me disseram que tinha um trabalho liberal, esqueceram-se de mencionar estas alíneas.
Sendo assim, saudínha e bom fim de semana da revolução. Prometo que para a semana não prometo nada.
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Sérgio Mak
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17:21
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17.4.09
Mak & Duca 3 - Vegetando
Há pessoas que não vacilam e mantêm um caminho definido e constante na sua vida, nunca cedendo a pressões ou a tangas. Depois existem outras que, embora boas pessoas, ainda vão em cantigas e deixam que pessoas como eu as convençam que afinal as coisas não são assim tão más.
Graças a isso, esta alminha voltou a colaborar em mais uma tira Mak & Duca. Só me falta então caminhar sobre a água.
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Sérgio Mak
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09:35
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16.4.09
Tecnologia até rima com velharia

Não se pense que vou dedicar estas linhas a fazer poemas. Já usei a quota de sensibilidade deste mês quando esperei que o sinal estivesse verde na passadeira para só então passar uma rasteira ao ceguinho.
O meu propósito tem a ver com o facto de muita gente associar os idosos a tecno-excluídos. Ora isso é uma bela mentira e conheços muitos velhotes que provam isso alto e bom som. Pena é que esse alto e bom som se refira essencialmente ao toque do seu telemóvel. Pode parecer estranho, mas quem anda de transportes sabe do que estou a falar, pois onde há um idoso com telemóvel há um toque capaz de fazer do Clube Jamba parecer um grupo de meninos de coro.
Começa logo pelo facto do idoso ter, por norma, um telemóvel “só para fazer chamadas” (que demodé). Esse é um tipo de telemóvel que não tem toques modernos, reais, polifónicos, metropolitanó-sinfónicos, etc. Tem apenas toques, que se dividem entre maus ou que não se ouvem, segundo os próprios.
Como um telemóvel serve para se ouvir alto (ou para gritar, quando faz a chamada), o idoso escolhe o pior toque possível, o mais alto possível, porque na mala ou no bolso “depois não se ouve com a confusão”. Mas, fartos de serem acusados de não acompanharem a tecnologia, os idosos não se contentam em atender o telemóvel à primeira.ou vá lá à segunda. Há que martirizar o resto da vizinhaça com com a versão ferrinhos de Beethoven, pôr os óculos, tirar o dito cujo da bolsinha feita pela neta e olhar para o visor e dizer “Oh, também desligam logo” (2 minutos depois).
Com sorte, o ritual repete-se e depois de finalmente se decidir a atender o telemóvel temos a sorte de saber que hoje o almoço é dobrada e o Dr.Francisco não atende às 5as.
Eu ia dizer que uso headphones para evitar danos mais graves nessas situações, mas já não preciso, desde que os fabricantes de telemóveis meteram nas mãos das crianças os telemóveis com colunas.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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14:42
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13.4.09
Filmes no Metro

Há quem defenda que o cinema é sobrevalorizado. Paga-se pelo bilhete, não se escolhe a companhia (para além de um possível par, é claro) e siga para bingo, esperando ter acertado no filme e no par. Daí eu ser forçado a compreender a venda de pipocas no Metro, por mais idiota que isto possa parecer.
Senão vejamos: o Metro é frequentado por milhares de utentes ao fim da tarde e também por algumas pessoas. Boa parte vem da sua rotina do trabalho a caminho da sua rotina familiar/pessoal e procura algum tipo de animação no intervalo. Podem até ponderar ver um DVD/TV em casa ou até ir ao cinema, mas a viagem que vão fazer pode conter ingredientes suficientes para superar pelo menos boa parte da programação nacional.
A fome também costuma vir com eles e o cheiro de pipocas funciona logo como um despertador/iman (existissem roulottes no Metro e a conversa era outra). Os olhos arregalam-se e a expectativa do cinema está lá toda, com o acréscimo do factor surpresa, já que pelo preço do passe mensal ou de uma viagem a 80 cêntimos+ pipocas nunca sabemos bem no que nos estamos a meter.
Será o drama do idoso que queria sair em Picoas e, ao ver-se no Sr. Roubado, diz que no tempo de Salazar não era assim? Será o musical com dois romenos e um ceguinho talentoso que conhecem um jovem que não ouve a surdez a aproximar-se por ter o leitor de MP3 com o som no máximo? Ou então uma comédia romântica em que um casal apaixonado tenta beijar-se mas não consegue por causa do emaranhado de piercings e é ajudado por uma testemunha de Jeová farta de conversar com o frango assado que leva para o jantar.
Como vêem, não faltam boas opções de curtas no metro, pelo menos foi isso que me tentou vender a senhora ucraniana da barraquinha das pipocas. Isso e a filha.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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10:48
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7.4.09
Tens um Fernando Pereira dentro de ti?
Pode parecer idiota....não não parece, é mesmo idiota, mas já repararam que grande parte das pessoas, quando imita a voz de alguém num diálogo ou a recriar uma situação, faz uma imitação de voz tipo desenho animado ou personagem de filme de comédia.
Talvez seja pelo facto de gostarmos de distinguir a nossa voz da imitação que fazemos, mas rapidamente o senhor da portaria se transforma num misto de Mickey Mouse e Maximiana ou a namorada do primo Carlos que ligou ontem a pedir desculpa mais parece um cruzamento entre o Bob Marley e o Darth Vader.
A coisa complica ou galopa para a demência, quando se imitam duas vozes diferentes na mesma conversação. Aí a coisa tende a transformar-se numa mistura explosiva entre um disco lido em rotações diferentes e alguém que andou a mamar balões de hélio ou, pura e simplesmente, não se nota a diferença.
Seja como for, não conheço estudos que comprovem esta minha teoria, nem mesmo da minha alma mater, a Universidade de Badmington. Resta-me continuar a contar esta cena da vida real, tal como ela me foi contada por um amigo, numa voz que parecia a Montserrat Caballet misturada com o Bonga.
Green Jelly, Three Little Pigs
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Sérgio Mak
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17:09
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5.4.09
O brinquedo da Playboy

Antes de mais, não a comprei pelos artigos. A mais velha desculpa do mundo para se comprar revistas com miúdas descascadas não foi precisa e, se a tivesse utilizado, iria sentir-me mal por tamanha falta de originalidade. Mas, explicando adiante o porquê, o facto é que sou dono do exemplar nº1 da Playboy.
A compra teve razões simples – que um dia, quando tiver um filho, ele tenha um item de colecção pronto a desbaratar mal possa e, acima de tudo, saber como uma revista icónica a nível mundial seria adaptada ao mercado português, numa época em que a Internet arrasou com tudo o que vendia conteúdos eróticos/pornográficos noutros formatos. Então e pelas gajas não? Pelas gajas sim, mas essencialmente numa perspectiva de curiosidade pseudo científica. Porque se, chegado a esta idade, o meu ponto alto no relacionamento com o sexo oposto viesse em formato revista nós não estávamos a “ter esta conversa”, porque muito possivelmente eu estaria a visitar o marotas.pt
Mas, voltemos à Playboy PT, número uno. Na capa, a foto desilude, não pela interveniente, mas pela escolha. Aquela, em preto e branco e dourados, ali resultou num pastelão e existiam melhores. Em termos editoriais, apostou-se nalguns cronistas actuais e aí não há grande truque. Por exemplo, pega-se num bom humorista, numa girl power atrevida e num autor de nova vaga e a receita resulta para o fim previsto. Quanto aos fait divers, um ou outro apontamento interessante, mas nada que não se encontre em publicações semelhantes já no mercado. Entrevista a um gajo da bola (6 páginas!!), piadas, correio, rúbricas e cartoons com cheirinho a picante e já lá vão mais uma catrafada de páginas. Nota extra, a paginação foi grosseira nalguns pontos, com má distribuição, páginas de texto sem imagem seguidas, etc. Não fui eu que disse, foi uma mulher com experiência no ramo (de páginação, gente lasciva).
Então e as gajas? Calma, já lá vamos. Entre destinos de férias, uma reportagem mais séria sobre África, mais especificamente Guiné Bissau. Destoa do resto, mas faz sentido, para que não seja mais do mesmo. Ah, então e nos conteúdos Playboy capricharam? Aquilo que pensei, para além das gajas, que ia ser um ponto forte, a ligação ao tio Hugo das coelhinhas, ficou aquém das minhas expectativas. Uma retrospectiva ao longo dos anos que mais reduzida teria possivelmente ganho em qualidade, uma foto Carmen Electra que se orientaria melhor na net à vontade e uma chamada de atenção a Marilyn Monroe que não passa disso mesmo. Honra seja feita às citações de figuras entrevistadas ao longo do ano pela Playboy.
Tanta conversa e, finalmente, AS GAJAS SÃO AGORA? Sim, são. A escolha não foi desonrosa, apesar de haver silicone party em destaque. Gostos não se discutem, a cotação da borracha parece que está em alta. Tanto figura central como playmate são moças com os seus atributos e achei muito engraçado o grupo das amigas do horseball. Cavalos e gajas são daquelas coisas que servem para excitar tanto um público urbano como outro mais rural.
Seja na Sra. Penedo ou na Dona Mónica, o problema é mais a fotografia. Há uma ou outra interessantes, mas dá-me ideia que bons fotográfos de nus, numa perspectiva que interesse a uma revista do género não são fáceis de encontrar. Falta glamour nalguns casos, faltam sítios requintados ou talvez tenha faltado imaginação. O fácil está lá todo e é claro que, para uma boa parte da audiência ver tranca, pandeireta e prateleira (como dizia o outro) já é requinte. Mas, parece-me a mim que não é bem nesse campo que a fotografia da Playboy se destacou.
(Olha o parvalhão, GAJAS DAQUELAS e ele a desdenhar)
A questão é, como será evolução? Acredito que ela possa existir, caso contrário a emoção do lançamento desaparecerá e começará a vir a questão – Playboy ou Playboring? Os senhores nos dirão.
Sex Type Thing, Stone Temple Pilots
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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23:01
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3.4.09
Aula e pára o baile

Há pessoas que nascem com o dom da pedagogia, outras apenas com pés chatos. A verdade é que nunca vi para o meu futuro uma carreira num corpo docente e tomara eu que o meu futuro inclua um corpo decente. Por isso, segui o meu caminho e deixei essa história de dar aulas para quem tem vocação ou, como muitas vezes acontece, para quem não tinha outra saída possivel.
Mas, recentemente, fui convidado a dar uma aula. Eu, que normalmente só sou convidado a baixar o tom de voz e a sair ordeiramente. Era uma coisa extra-curricular, ir a uma universidade e falar à malta sobre aquilo que faço. Perguntei se a turma estava de castigo. Não perceberam a piada.
A questão é que, de repente pensei, “Poderá haver gente interessada no que eu tenho a dizer?”. O blog não é um bom indicador, porque não sou parvo em fulltime (ou quase). Para descobrir, só tive um remédio, ir dar a referida aula.
Surpreendi-me, correu bem e ao que parece-me sou uma pessoa extremamente interessante ou muito habilidosa a projectar isso mesmo. E os alunos foram cinco estrelas, quase nem se notou que estavam algemados.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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13:16
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1.4.09
Umas verdades sobre o dia das mentiras
Aproveitando que já está no fim um dia de regabofe e patranhas, queria aproveitar aquilo que aprendi nas aulas de Arraiolos e tecer algumas considerações sobre o sempre tão querido Dia 1 de Abril - Dia das Mentiras.
Eu sou daqueles que acha que nunca é demais que se publicite o Dia das Mentiras. É que me parece que nunca ninguém tem bem a certeza de quando é e, à cautela, vão mentindo o ano inteiro com medo de falhar a verdadeira data. Até porque a história do Natal ser quando o Homem quiser é que é uma bela tanga, pois para esse efeito já existe o Dia das Mentiras. E olhem que o Homem (e a Mulher) querem muitas vezes.
A questão é muito simples, a ciência evoluiu para o conhecimento do ADN de fio a pavio, a clonagem faz com que um tipo já nem possa ter segurança sobre a origem dos carneiros que conta para adormecer, mas a razão pela qual as pessoas mentem (razão científica, não de vantagem do momento) permanece desconhecida. Pelo que sei, a nossa espécie é única na matéria, pois existem animais que fingem, mas em reacções primárias e não em comportamento elaborado como o nosso. Do género, uma leoa a perseguir presas não pergunta a um elefante para que lado é que foram as gazelas. Até porque bastava ele responder "Epá, não tenho bem a certeza" para a leoa o apanhar a mentir, pois toda a gente sabe que os elefantes têm boa memória.
Mas pronto, em média todos nós mentimos e, até ver, nisso não há volta a dar. Aliás, mostrem-me uma pessoa que diz que não mente e eu vejo logo probabilidades de ela mentir, nem que seja a si própria. Uma vez que a relação entre mentiras e pessoas é um facto assente, ao menos que sejamos bons nisso. É que há aí gente que mente mal e em grandes doses e isso não é honra para a classe dos bons mentirosos.
Sim, porque concluindo, é tudo muito bonito e temos um dia e tudo. em que do cidadão aos meios de comunicação, todos fazem gáudio em dizer uma mentirinha, mas se houvesse um dia em que só fosse possível dizer a verdade tenho a impressão que ia ser mais complicado.
E olhem que me custa viver num mundo assim.
Mentira, não custa nada, mas também tenho direito a dar-vos umas tangas (que não de couro) não é verdade?
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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23:09
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31.3.09
Chegado a bom Porto
Aproveitei o fim de semana do apagão para apagar do mapa um ponto de ignorância da minha parte. Vai daí, fui ao Porto, cidade aonde só tinha passado a caminho de outro sítio qualquer, o que não abona muito a meu favor, mas o facto é que o Porto também podia ter insistido para eu ficar mais um bocadinho.
Para começar, decidi que ia ficar bem impressionado com a cidade. Por isso, à cautela, orientei bilhetes para ir ver a selecção, pois ver um jogo da turma do Queiroz faz tudo o resto parecer melhor. Um nativo avisou-me também, com a devida antecedência, para ter cuidado com um tal de Andante, tipo esquisito que opera no Metro e que às vezes troca as voltas a quem só queria dar um giro. Falando em Metro, posso dizer que não se nota nada que está em falência técnica. Tem bom aspecto, tem estações com nomes engraçados para a malta se ir entretendo a ler na viagem e a senhora que diz o nome das estações, para variar, até sabe falar bem inglês.
Saído na Trindade, não evitei a emoção de ter uma banda à espera em frente à câmara municipal. Depois, ao percorrer a Avenida dos Aliados foi fácil reparar que a decoração ocasional de adeptos do FC Porto retira algum do esplendor à dita cuja. Um pormenor interessante, se não vão com alguém da zona, não perguntem na rua qual o melhor sítio para comer uma francesinha. 30 pessoas diferentes, indicam 30 lugares diferentes, com uma coisa em comum – todos são o berço da verdadeira francesinha. Por isso ou levam já uma indicação específica ou arrisquem. Foi o que eu fiz e tive sorte – Buffet Fase ao cimo da Rua de St. Catarina, um espaço com 2 m2, mas com umas francesinhas de categoria, com prémios ganhos e tudo.
Uma nota em relação à rua de St. Catarina, a concentração de dreads por metro quadrado era potente, numa espécie de Bairro Alto concentrado, mas com sotaque nortenho.
Mais umas voltinhas, com aquilo cheio de suecos (poucas suecas convenha-se), ninguém deu por isso que eu era um mouro infiltrado. O facto de eu insistir que era filho do Pinto da Costa também deve ter ajudado. Romaria então para o Dragão, com inspectores do Metro a mostrarem que aquilo do Andante não é mesmo apenas o pior nome para um título de transporte público.
Depois, o que se passou no estádio já é de domínio público e nem vale a pena bater no ceguinho. Foi merecidamente a parte mais fraca da visita. E ainda bem, porque assim fiquei com vontade de voltar a agraciar essa cidade com a minha presença. Não precisam de agradecer, eu sou mesmo assim.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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10:35
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27.3.09
Boleiofóbicos
Caso não tenham reparado, seja qual for o meio que utilizam para se deslocarem para o trabalho, escola, casa de strip ou acampamento de escuteiros, há um fenómeno muito comum à vossa volta – Na maior parte dos carros que circulam, lá dentro vai apenas o condutor.
Este facto leva-me a falar da ideia do car-pooling, que já não é nova. É praticada noutros países há muito tempo e por diversas razões, tendo-a até já referido aqui. Sinto-me à vontade para falar sobre o assunto porque sou daquelas pessoas estranhas que utiliza regularmente os transportes públicos e costuma andar a pé, apesar de ter carta de condução e carro estacionado à porta de casa.
O tema volta agora à baila, porque uma empresa de combustível veio lançar uma campanha sobre isso (gosto do anúncio, conheço quem o criou, mas não vou comentar as intenções da malta do pitroile) e descobri até que há um outro site tuga onde se organiza o carpool. Mas, com muita pena minha, vejo pouca esperança que a coisa pegue/resulte.
Como é dito no terminar de muitas relações, “o problema não és tu, sou eu” ou, neste caso, “o problema não são os carros, são as pessoas”. A ideia de levar duas ou três pessoas (desconhecidas ou não) no carro, ainda que em rotatividade, com claras vantagens económicas e ambientais causa ainda horror a muita gente.
Porquê? Na verdade não sei, porque não conheço a sensação de ir todos os dias de manhã sozinho no carro. Se der a mesma sensação que dava ao Fernando Gomes do FC Porto ao marcar um golo, então percebo perfeitamente e até a familiares e amigos trancava a porta do carro.
No entanto, acho que é um misto de egoísmo/medo/deixa andar. Porque não temos de aturar ninguém, porque assim não me entram tarados no carro, porque assim é mais fácil continuar a queixar-me do trânsito e do preço da gasolina. Toda a mudança de hábito exige um esforço e quando o benefício não é imediato (mesmo que se avancem 30 boas razões para o fazer) é difícil convencer o bom português.
Assim, quando depois surgem leis e imposições como taxas elevadas para entrar com um carro na cidade ou restrições semanais ao número de veículos que entram (por exemplo: num dia só entram matrículas com terminação ímpar, no outro par e assim sucessivamente), as pessoas insurgem-se. Porque é um abuso, porque os transportes públicos não funcionam, porque somos sempre nós a pagar. O que não é totalmente mentira, mas também acontece às vezes porque olhamos vezes demais só para nós e poucas à nossa volta, para perceber o que melhorar.
Um carro é ainda, por estas bandas, um objecto demasiado associado ao status, ao poder pessoal. Partilhar status neste capítulo é contraditório. Mas insistir em continuar a dar tiros no pé, também o é.
Resta saber se algum dia aprendemos a ver a diferença.
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Sérgio Mak
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25.3.09
Vácuo Vadis
Há algum tempo atrás apresentaram-me a técnica do vácuo aplicada à vida doméstica. Embalagens a vácuo, alimentos preservados a 100% (e por muito mais tempo) a vácuo e por aí em diante. Confesso que ao princípio me mostrei renitente, até porque tinha saído do Tupperwéricos Anónimos há muito pouco tempo e não estava ainda com força para outra.
Mas quando me mostraram o que um aspirador também podia fazer em termos de vácuo (e desenganem-se aqueles que já têm um sorriso maroto nas beiças, seus depravados), não consegui resistir. Basta um saco próprio e vemos tapetes e edredons a mirrar que nem passas, poupando espaço, truques de dobragem e ajudando a matar à fome populações inteiras de traças e afins.
Gosto tanto disto que já apliquei o mesmo até aos meus avós coitaditos, que nos Invernos penavam tanto com o frio e as doenças, isto para não falar que é nas estações mais frias que os velhotes se vão abaixo. Agora, chega a Setembro /Outubro, meto os avós no saco, toma lá aspirador e vácuo e é vê-los quietinhos, prontos a irem para arrecadação até voltarem os dias mais quentes.
Recomendo vivamente isto, quer seja para avós, animais de estimação e, porque não para crianças mais indisciplinadas. Em vez de um castigo ou uma palmada, que causam sempre alguns danos, é embalá-los a vácuo no fim de semana, que ficam preservados a 100%, sem perder qualidades com a vantagem de não irem a lado nenhum e terem tempo para pensar na merda que fizeram.
Sempre a inovar, não é verdade?
April Stevens, Teach me Tiger.
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Sérgio Mak
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23.3.09
Corridinho português

Já não é novidade que, todos os anos, milhares de pessoas se juntam para me homenagear, correrendo comigo na Ponte 25 de Abril. Na expectativa de me fotografarem a chegar, alguns fãs quenianos chegam a correr o triplo só para tentarem passar por mim isto para não falar no Sócrates, que este ano até foi de Magalhães às costas.
Modesto como sou, recuso medalhas, distribuo água pelos necessitados (à senhora de bengala, agraciada involutariamente com uma garrafa na testa, o meu pedido de desculpas) e, acima de tudo, evito entrevistas. Se toda a gente não soubesse que aquilo era por minha causa, ninguém ia dar por isso.
Mas, para além de provar que essa história de quem corre por gosto não cansa é uma bela tanga, todos os anos me delicio a descobrir e enunciar, por entre o cheiro a suor e a vista do Tejo, personagens que não faltam ao evento e só se descobrem nestas alturas. Assim, eis três destaques deste ano:
Homem-Saco – Misto de Ecoponto, MacGyver e encarnação de Baden Powell, este homem professa que para sobreviver ao frio matinal, a melhor solução é um saco de plástico gigante. Assim, basta um furo para a cabeça, dois para os bracinhos e já está, parece que moramos ao fim da rua em Chernobyl e o lixo radioactivo ganhou pernas e fugiu do contentor. És um benfeitor porque te aqueces a ti, mas através do riso também nos aqueces a nós.
Idosos Malucos do Riso – Toda a gente sabe que entre velhotes não faltam entusiastas da corrida. Talvez porque têm pouco que fazer, mas também porque assim têm mais tempo para ganhar fôlego para debitar piadas que seriam referência no seu programa de humor favorito. Depois, na única data do ano em que têm uma audiência digna desse nome é ver surgirem em catadupa dichotes tão requintados como: “Estes Filhos da Pista só empurram”, “Toca a gaita para ver se isto anda”, “Ó Chórice mete fogo nisse” ou “Ai mãezinha, hoje ainda tenho mais mulheres a correr atrás de mim”.
Atleta fluído – Este atleta tem muito para dar, desde que o possa fazer em fluídos. Acredito piamente que este atleta perca mais de 8kgs de líquidos por competição e isto só no primeiro minuto da prova. Entre um xixizinho enquanto espera pela partida, a cinco cuspidelas para uma boa arrancada, passando por 34 fungadelas para ir limpando o nariz e 172 limpezas de suor com as costas das mãos, este artista transforma qualquer corrida ao seu lado, numa luta contra marés vivas. Num dia mau, a sua fluidez pode até incluir vómitos e diarreias, mas isso é facilitismo, porque ele quer ir fluindo ao longo da corrida e não em 15 segundos de fama. No final da prova, mais importante que a medalha é retirar a tshirt e espremê-la junto de quem esteja mais distraído.
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Sérgio Mak
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20.3.09
Dia do Pai do Blog
Pois é, este post já vem com um dia de atraso, mas se a porra do Natal também pode ser quando eu quiser, qual é o problema?
O facto é que passei o dia pensar no que diria ao meu filho se ele me ligasse a desejar um bom Dia do Pai. A verdade é que o sacana se esqueceu e o facto de eu não ter filho nenhum não devia servir como desculpa. Da minha parte, tenho a consciência tranquila pois liguei ao meu progenitor. No entanto, as caves quase não têm rede e ele sai pouco desde que tem uma nova família.
Dadas estas circunstâncias trágicas e o facto de eu ser pai de muito pouca coisa, lembrei-me do blog. Nasceu de mim, sou eu que o alimento, não se mexe se eu não fizer nada, é totalmente dependente e, convenhamos, é a minha cara chapada.
Celebro então o “Dia do Pai do Blog” dizendo-te já umas coisas, para que aprendas que a vida, mesmo que na Internet, não é só facilidades. Um dia, mais tarde, vais agradecer-me, nem que para isso tenha que ser eu a teclar a palavra “Obrigado”.
O teu pai sempre teve a mania que era engraçado, mesmo antes de haver Internet. Houve quem chamasse a essa mania ser parvo, mas engraçado é a palavra que deves reter. Cedo percebeu também que crianças com caracois têm sucesso, até porque nessa altura um tal de Marco Paulo (depois pesquisas no Google) fazia furor. Nunca teve problemas na escola, era um miúdo esperto, tirando o dia em que resolveu jogar futebol com uma pedra da calçada. Os anos ia passando e ele foi conhecendo muitas raparigas, mas nunca pensando em vir ter um blog com elas.
Não sabendo se beneficiou de um erro informático, o teu pai entrou para a faculdade que quis, no curso que lhe interessava. Mentira, o teu pai era tão metódico, que querendo entrar para aquela faculdade, meteu os cursos todos que lá havia por ordem alfabética, sabendo que depois de lá estar dentro, aquilo dava para trocar. Não julgues o teu pai por isso, até porque ninguém conseguiu fazê-lo, dado que havia um vazio legal.
Na altura, já perguntavam ao teu pai o que queria fazer, já que uma das grandes saídas do seu curso era o Desemprego (Comunicação Social, essa meca). Eu respondia que tinha pensado realmente em ser desempregado, porque é um trabalho com muito tempo livre e assim dá para fazer coisas que realmente interessam. Mas, depois explicaram-me que é para isso que também serve o período em que tiras um curso universitário. E, sendo assim, o teu pai fez o seu curso, com especialização em Borga, Matraquilhos e Escrita Criativa em Frequências.
Depois de andar na universidade, o teu pai achou que era tempo de fazer algo útil, por isso resolveu ir trabalhar, mas moderadamente para o choque não ser tão grande. E, foi por essa altura que tu nasceste. Não venhas com perguntas sobre quem é a tua mãe, porque a verdade é que és filho de três homens, pelo menos inicialmente. Não foste devidamente planeado e dois puseram-se ao fresco, ficando eu sozinho contigo nos braços. E olha que eras bem ranhoso. Fica no entanto a saber, deves o teu nome ao Sérgio Leone, ao Clint Eastwood, ao Eli Wallach e ao Lee Van Cleef. Mas nem penses em sacar-lhes dinheiro.
Ao longo do seu percurso profissional, o teu pai continua com a mania que é engraçado e tu vais-lhe apanhando os tiques todos. Vai-se safando, com categoria e falinhas mansas, mas com franqueza acho que não vais ter o mesmo futuro brilhante. É que parte do trabalho do pai é criar expectativas e necessidades falsas às pessoas e eu não vejo a necessidade de fazer o mesmo contigo.
Deves é saber que o teu pai gosta de ti, mesmo que não saiba porquê e, se tudo correr bem, e ele conseguir continuar a convencer pessoas que tem piada sem se esforçar, tu vais estar sempre no seu coração ou, em alternativa, no seu portátil.
Por isso, filho, continua assim, que és tal e qual o pai, e não ligues às pessoas que por esta altura já dizem que estás grande e chato comó caraças.
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Sérgio Mak
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18.3.09
Boca do Inverno

Então malta jovem essas tardes invernosas? Esses serões enrolados numa manta a ouvir chover lá fora? Esse bafo de frio mal põem um pézinho fora da porta? Tudo caladinho que nem um rato não é verdade. Pode ser que isto seja uma partida de Deus a S.Pedro, dando-lhe Alzheimer para o senhor não encontrar as chaves e depois deu nisto. Atenção, não fui eu que disse isto, foi a Alexandra Solnado que me ligou a dizer que o JC ontem estava imparável nas SMS’s.
A verdade é que, caso não tenham estado ultimamente em coma ou a tentar hibernar, já repararam que este Inverno, ou melhor, esta anedota de Inverno não tem muita piada. Para já, obrigou centenas de agricultores a reescrever argumentos e petições para subsídios. As palavras geada, chuvas fortes, enxurradas e precipitação e necessidade de subsídios vão ter de ser substituídas por expressões como calor, seca intensa, aridez e extrema necessidade de subsídios.
Depois, um tempo assim é um incentivo ao aumento do desemprego. Com mau tempo e frio a malta ainda pensa – coitadinhos dos desempregados lá fora ao frio, ainda bem que tenho um emprego quentinho. Com tempo de praia em Fevereiro/Março uma pessoa olha lá para fora e pensa – Sorte é quem recebe subsídio para ir para a praia e eu aqui encaixotado neste emprego que parece um Inferno.
Depois, não são só as andorinhas e restante bicharada a andar desnorteada. Já foram vistos jornalistas em vôo picado contra paredes, outros a tentarem atravessar avenidas com sinal vermelho, tudo fruto da desorientação. Pudera, nesta época do ano estão habituados a ir cobrir histórias da senhora que ficou com a casa inundada, da família que vive ao frio sem tecto ou moldavos que bebem e vão desafiar as vagas gigantes de Inverno. Com este tempo, levam com incêndios, malta a bronzear-se na praia e moldavos que bebem e aproveitam o bom tempo para desafiar as vagas gigantes do Inverno. Não há orientação de linha editorial que resista.
E, no meio disto tudo, o Al Gore, ninguém o vê a vir cá filmar isto pois não? Pudera, deve estar no Algarve a dizer umas verdades inconvenientes a umas suecas desinibidas.
Arcade Fire, Neighborhood #3 (Power Out)
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Sérgio Mak
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16.3.09
Yes you can-ivete

Antes de mais, o título deste post é apenas um trocadilho miserável e não uma linha de engate num qualquer bar de alterne citadino. A verdade é que nestes últimos dias me tem cheirado um bocado a requentado, mas não sabia se tinha a ver com o mix torreira de inverno-falta de desodorizante à minha volta ou se vinha aí alguma surpresa do fundo do baú.
Pois que parece que ambas as premissas eram verdade, já que não só tenho tido encontros imediatos com gente que sofre de sudações de terceiro grau, como tive oportunidade de verificar que vai efectivamente haver uma adaptação cinematográfica do saudoso/mofoso MacGyver.
A minha primeira reacção foi de susto. Depois, já mais calmo, foi de horror. Primeiro só conseguia pensar no penteado do Richard Dean Anderson, que era como que um misto de rato electrocutado e extremo direito do Sacavenense. Depois pensei quem de raio tirou o pobre Mac (não confundir com Mak) da tumba, 17 anos depois da série acabar. Tudo bem, foi engraçado, era um regabofe na sua época, mas fazer uma adaptação moderna da coisa, hummmm. Já me cheira outra vez a requentado.
Mas, vendo bem as coisas, ressuscitar um tipo que aproveita um pau, um cubo de gelo e duas pilhas de 1,5volts para criar, por exemplo, um Cavaco Silva, é uma boa ideia para moralizar o povo em tempos de crise. Especialmente se o filme for integralmente rodado com dois rolos de película aderente, uma câmara frigorífica e três cactos do México como elenco.
Pelo menos ficam a ganhar ao original em termos de profundidade de representação.
PS – Dão-se abracinhos (ou abraços viris) a quem identificar a perua que se destaca também na arte do penteado ao lado do MacGyver.
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13.3.09
Jesus foge da ira do Pai

Defendo que uma legenda vale mais que mil imagens. Senão, vejamos esta que acompanhava esta fotografia que recebi por email há dias:
Jesus Cristo foge do local do acidente, depois de espatifar o barco do pai
Não é minha a piada, mas que nunca se diga que eu não sou um democrata do humor.
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16:33
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12.3.09
Olé Torino

Para ver que neste espaço o Clint Eastwood tem créditos, não é preciso ser vidente. Aliás, foi essa parcialidade que ajudou a que este blog tivesse o nome que tem, depois de uma apertada corrida com nomes como “Staff Ermo”.
Por isso, depois de visto o Gran Torino, nem me vou gabar do facto de ter tido a oportunidade de o ver antes da estreia (ops), ou vir para aqui estragar o cenário.
Tem exageros, uns ligeiros pormenores dispensáveis, mas o facto é que prefiro ver o Clint visto pelo Clint a qualquer Angelina Jolie de oferta, por isso não há Troca possível. Tomara eu chegar à idade do senhor e conseguir distinguir entre o tapete da sala e a sanita. Por isso, ide ver minha gente e mesmo que não saibam distinguir um Ford Gran Torino, de um Kangoo não há problema. Se tudo correr bem, vão sair à mesma com uma vontade de rosnar e a agradecer-me por não terem ficado em casa a ver o DVD dos Teletubbies.
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Sérgio Mak
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11.3.09
#Sit down for a minute
Ontem participei num dos eventos mais estranhos da minha vida, depois de um comício do PS em Algés que contou com as participações do Toy e os Ena Pá2000 e, um pouco mais tarde, da PSP.
Como já mencionei em posts anteriores, tratou-se do primeiro show de sit down comedy no Twitter e ainda bem que estava sentado, porque senão tinha ficado com cãimbras. Mais nas pernas do que na barriga. E, como coisas no universo a la David Lynch não se explicam, vivem-se e finge-se que se percebeu alguma coisa, digo apenas EU ESTIVE LÁ.
Assim, para vos mostrar que efectivamente tenho problemas que não vão lá com medicação, deixo-vos as minhas piadas oficiais do evento, já que as não oficiais são tantas que seriam para aí equivalentes ao resultado de quatro Bayern-Sporting.
- Quero começar por saudar o Bruno Nogueira porque nunca pensei que ele coubesse num formato tão pequeno como o Twitter
- Ocorreu-me que o Twitter está feito à imagem da economia portuguesa. Toda a gente só fala em apertar o sucinto.
- Tenho um primo agarrado que só pensa em entrar para a Força Aérea desde que soube que lá têm aviões com assentos injectáveis.
- Já tentei engatar uma miúda no Twitter, mas ela acusou-me de falta de caracteres
- Quem gosta de tecnologia tem um BlackBerry, eu que sempre gostei de Tecnotronic tenho um Neenah Cherry
-Última Hora - Um homem armado fechou-se na cantina de uma escol e, ao que parece, fez um refemtório
- Eu queria muito ser astronauta, mas sempre adorei danças de salão. Por isso é que me inscrevi nos Alunos da Apollo13
- Aliás, tenho uma veia tão artística que outro dia aleijei-me e fiz uma Ferida Kahlo
- Ontem acabei uma relação tão complicada que hoje tive de tomar um epílogo do dia seguinte
- Dada a situação bancária em Portugal, alguns dos visados em processos já se ofereceram para organizar o próximo Festival da Caução
- Há que elogiar o TVI24 por manter um dos principais atractivos da TVI. Afinal de contas, o botão de desligar é no mesmo sítio
E, tal como digo ao banco todos os meses, assim se foi a minha prestação.
É coisa de gente doente não é?
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Sérgio Mak
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15:29
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10.3.09
Escrever linhas direitas sobre mulheres tortas
Gostaria de começar este apontamento pelo início, por isso pode ser ali --→ Fui questionado por uma leitora sobre o facto de não ter mencionado o dia da Mulher e decidi responder, mostrando porque fui eleito Mr.Falinhas Mansas em 2003 e 2007.
Minha cara, se eu tivesse a necessidade de distinguir o Dia da Mulher dos outros dias, significaria que não andaria a tratá-las com o devido requinte diariamente e, como tal, estaria a compensar qualquer coisa em falta. Além disso, passei o Domingo a cozinhar, a lavar a roupa e a arrumar a casa, porque ela só pensa nela, em estar com as amigas e em ver decoração e moda na TV e... Perdão, isto de fazer de vítima é entusiasmante.
Como forma de realçar esta minha preocupação com o mulherio, gostaria de lançar o seguinte alerta – Trabalhando eu num edifício repleto de business women é vê-las caminhar curvas, mas decididas, face ao peso do portátil que levam aos ombros.
Percebo que uma mochila tire aquele glamour cinzentó executivo e que um portátil mais pequenito perca nas comparações de tamanho com o dos homens mas, minhas amigas, será que daqui a uns anos compensa ver os putos a dizer aos amigos que a mamã é aquela das costas em S ou ouvir um pretendente amoroso a dizer “Não me interessa que sejas marreca, o Quasimodo também foi feliz com a cigana”.
Por isso, estimadas senhoras, deixem lá o portátil no sítio certo e vão ver que, quando o lombo está aliviadinho. é mais fácil ver o cenário mais à frente.
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10:37
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9.3.09
Novelório
Depois do último episódio nas Olaias, quem é que vai voltar a ver a Vila Faia?
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Sérgio Mak
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16:46
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Sem rede
Foi lançado um modelo de telemóvel que promete resistir a tudo, inclusive deficiências de voz - o Nokia Balboa.
Ontem deixei o telemóvel no bolso do casaco e só dei por isso quando recebi uma chamada de atenção.
Quando o telemóvel vai abaixo descarrego sempre na bateria.
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10:16
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A caminho do Twitestágio

Para quem ainda não prestou muita atenção, naquela barrinha do lado direito em que vão chovendo alarvidades está uma cena pós-moderna a que se convencionou chamar Twitter. Uma vez que não tenho tempo, pachorra e, acima de tudo, conhecimento para vos explicar para o que aquilo serve, fiquem apenas a saber o seguinte:
Se gostas de alarvidades, bitaites no ponto e em directo e, ocasionalmente, humor que até parece inteligente, amanhã tem lugar no Twitter, pelas 22.30, um “Espectáculo de Sitdown comedy”. O que é essa trampa? Podem descobri-lo aqui, mas parece que há hipóteses de eu entrar nisso, nem que seja para baixar a média de qualidade do humor. Se não entrar, não só ficam melhor servidos e ficam a saber que fui eu que disse.
Tendo em conta este cenário, sinto-me na necessidade de entrar em estágio e dimensionar a minha mente (ou o espaço a ela destinado) para pensar em 140 caracteres. Disse “pensar”? Desculpem, não vos queria ofender.
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5.3.09
Para alguém muito espacial

Nesta simpática manhã, onde desfrutamos daquilo a que no Bangladesh chamam uma aragem, fui assaltado por estes pensamentos nos semáforos:
Será que estamos a desenvolver telescópios, sondas e robots cada vez mais potentes para descobrir sinais de vida inteligente noutros planetas, porque já desistimos de procurar no nosso?
Será que o facto de não a conseguirmos encontrar não é prova suficiente que ela existe?
Será que se um dia os descobrirmos lhes vamos dar direitos de antenas?
Será que se não agasalharmos bem os nossos astronautas, eles se arriscam a apanhar uma constelação?
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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10:13
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4.3.09
Gozar é Feo
Neste blog também se fala de futebol e, quando se fala, chamam-se as coisas pelos nomes, e o nome neste caso é Feo, mais precisamente De Feo. Segundo descobri, enquanto fazia uma sopa e tentava distinguir o que era alho francês e o que eram os meus dedos, existe uma equipa em Itália, criada por um antigo jogador da Serie A - Maurizio De Feo, cujo o nome é... Team DeFeo.
Ora podíamos pensar que estávamos na presença de um copycat que, sabendo que autarcas de nomeada estilo Avelino Ferreira Torres deram o seu nome a tudo (do banco de jardim ao ecoponto), resolveu fazer o mesmo. Mas não, o tipo leva a coisa mesmo a sério e da sede do clube ao corpo técnico, da direcção a todos os jogadores do plantel, todos têm um elo em comum – têm como apelido DeFeo.
Podia começar aqui a apontar o dedo, mas toda a gente sabe que isso é Feo. Por isso, vou limitar-me a imaginar uma picardia entre dois Feos num treino:
Feo nº1 – Epá, tu deves ser o gajo mais Feo da equipa.
Feo nº23 – Eu?? Nunca vi tipo tão Feo como tu.
Feo nº1 – Feo é o teu pai ouviste?
Feo nº23 – Mais Feo do que o teu não deve ser...
Feo nº1 – Olha lá que vem aí o mister.
Feo nº23 – É mesmo Feo o gajo não é?
Ugly Kid Joe, Everything about you
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Sérgio Mak
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2.3.09
O Surreal da canção
De certeza que o pessoal satírico com mais aspirações intelectuais (ou menos sono) está concentrado no congresso do PS. Até eu pensei usar 23 segundos do meu domingo para retirar o essencial do Socratródomo, mas desde sábado à noite que tenho os ouvidos a zumbir. Quem me manda a mim, ano após ano, continuar a pôr em risco a minha saúde para espreitar o Festival da Canção. Bem, vou fechar os olhos e repousar os pés no Murtosa que o Scolari me pediu para guardar até ao Verão, enquanto lhe dito as próximas linhas.
- Gostei muito do medley com que a RTP nos presenteou, com figuras actuais dos seus quadros ao lado dos vencedores passados do Festival. Não chegou à risota que foi quando desloquei o ombro mas andou lá perto, especialmente com um João Baião “mascarado” ou de José Cid ou de espanador.
- Acho que a clonagem da Sílvia Alberto em Catarina Furtado II está quase completa. Só falta mesmo exportá-la para o Darfour ou outra localidade que já não tenha nada a perder.
- Em termos de concorrentes, o Festival parecia um misto entre o Lost e o Sobrenatural. Não faltaram almas penadas e mortos vivos, gente que lá foi parar por acidente, vítimas de possessão (vide Obama a falar pela boca da Luciana Abreu) e todo o tipo de fenómenos paranormais.
- Particularizando um pouco os temas (chamar-lhes músicas parecer-me-ia abusivo). A Nucha voltou e atacou uma faixa tipo os Evanescence depois de irem ao microondas e sairem de lá todos encarquilhados. No entanto, pouco liguei à música em si, pois o careca anafado com gabardine de cabedal e guitarra teve em mim o efeito cobra capelo. A Romana deve ter ido viajar e no aeroporto obrigaram-na a tirar o metal todo que tinha na cara. Não percebi se o tema era clássico, fado ou apenas uma congestão. As Tahiti voltaram e só essa notícia foi penalizadora demais para falar do resto. Apareceu também uma senhora de nome Eva Danin – cara amiga, se esse é o seu nome verdadeiro, aceite um abracinho de consolação. Se é nome artístico, talvez queira repensar, já que o lote de artistas que progrediu na carreira com nome de planta mal afamada é escasso. Tente talvez Eva Lente ou Eva Rina. Do lote de pintas, ex alunos e concorrentes a aspirantes a artistas não vou falar, pelo que sobram só mais dois.
A Lucybella apostou na globalização e a mensagem de dedicatória do seu tema assim o indicava “Dedico ao mundo, aos pobos de todas as nações, porque raça há só uma, a humana” (esquecendo-se da Tertúlia Cor-de-Rosa). Alheando-se também do facto que o Carnaval já acabara, trajou de barrica de ovos moles, com alguns figurantes da Cité D’Or atrás de si. O tema era lamechas, o que já era esperado, mas aquele “Yes We Can” ali metido à pressão vai certamente custar-nos a demissão do cão de água português que ia a caminho da Casa Branca.
Restavam o Flor-de-Lis, menos ofensivos musicalmente falando, mais discretos, mais normais, mais desconhecidos. Ou seja, tinham tudo para sair dali sovados e a irem comer um prego ao Galetto antes de fechar. Mas não, ganharam para grande insatisfação da Lucy que foi vista a bater na mãe, que é como quem diz, a dar pontapés numa figueira.
- Algumas notas: 100€, 20€, o gajo que fazia reportagens nos bastidores era daqueles que merecia um prémio pelo seu empenho e piada. Tipo a caixa de uma carrinha frigorífica para ir viajar até ao fundo do Tejo. A eleição da “Senhora do Mar” como a melhor música de sempre do Festival prova que não se devem deixar telemóveis com muito saldo nas mãos das crianças e que o Alzheimer está prestes a pedir nacionalidade portuguesa. Havia mais lugares vagos na audiência do que no bingo de Alcântara. Ressuscitar os júris distritais trouxe a felicidade de volta a gente por Portugal inteiro. Mais precisamente aos perto de 18 que puderam ter os seus dois minutos de fama a debitar pontuações, tendo apenas para isso que sofrer com a Sílvia Alberto a debitar chavões sobre a sua terra.
A terminar, sofri a bom sofrer, mas foi sofrimento com gosto. Afinal de contas, custa muito menos acabar de joelhos depois de duas horas de festival, do que ir de joelhos a Fátima para ouvir lá sempre a mesma cantiga.
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