30.9.09

Olhar para o boneco


Toda a gente, especialmente se forem mulheres, já vestiu uma peça de roupa para agradar alguém (vou poupar aqui a piada do "também já despiu roupa para agradar a alguém"). Que se desenganem os machões, que até tiraram as mãos do rato para mostrar virilidade, coçando ostensivamente determinada zona corporal, pois em dada altura certamente a vossa mãezinha vos enfiou um pullover com um alce ou coisa parecida pelo pescoço abaixo.

Pois eu cheguei a uma fase da minha vida em que, ocasionalmente, visto uma peça de roupa para desagradar. Trata-se, mais precisamente, de uma T-shirt que tem estes simpáticos e desinibidos bonequinhos e o nome da marca “Pornstar”.
Sendo que eu, por mim só, já tenho a capacidade de desagradar a muita gente que me conhece, com esta T-shirt estendo essa franja populacional a quem não me conhece de lado nenhum.

Entre senhoras que olham para mim com ar desconfiado a tipos que confirmam na agenda se de facto já está na hora do Salão Erótico de Lisboa, esta simples T-shirt de cariz lúdico-grosseirão faz milagres de engagement social. Há quem sorria e pense “Deves, deves”, há quem faça um ar de asco contido, há quem pergunte se tenho vagas às 5as. Há quem espreite por cima dos óculos escuros, há quem tenha óculos escuros por ser cego e como tal não faz porra de ideia da T-shirt que estou a usar e há quem finja desprezo, que é algo bem mais trabalhoso do que simplesmente desprezar.

Seja como for, não temo que a minha T-shirt esteja sob escuta e tenciono continuar a usá-la. É um bocadinho parvinha? É, mas é também a prova viva 100% algodão que é possível fazer pendant com a personalidade. Basta tentar.

PS – Espero não ter ofendido nenhuma estrela porno no processo. Com o resto do corpo já ocupado, certamente não precisam de mais outro para lhes f***r o juízo.

Muse, Starlight

29.9.09

Amor em tons de cinzel

Virou-se para mim e disse-me que às vezes parecia ter sido esculpido à mão.
Sorri, fiquei meio envergonhado.

Arrisquei a pergunta.

- É do músculo? Sabes que tanto exercício compensa...

Foi a vez dela sorrir.

- Não. É mesmo por seres um bocado tosco.

28.9.09

Votar, esse belo filme


Dsescansem, não vou falar de resultados. Aliás, eu resultados vejo poucos, ao contrário de paleio, que disso neste país não servem meias doses. A verdade é que mais do que ganhar o Partido A ou B (não é preciso dizer C porque por cá só ganha mesmo o A ou o B) é ver que muita da malta que não se dá ao trabalho de ir votar, é hoje a primeira da fila para dizer que isto nunca muda, que isto quando muda é para pior e que são sempre os mesmos.

E é verdade, são sempre os mesmos.

Sempre os mesmos a não fazer nada e a depois querer dizer tudo.
Quem não gosta de circo, na verdade não tem de votar no número de palhaços que prefere, mas só se se conseguir abstrair que a sua vida é passada dentro da tenda. E, porque não há nada como começar uma semana a enfardar metáforas como se não houvesse amanhã, permitam-me que faça outra:

Votar, com as devidas distâncias, pode ser como ir ao cinema. E o filme em cartaz é mau, é até previsível, sabemos como vai acabar, os protagonistas são fraquitos e essa história toda. Mas, para podermos dizer mal dele com propriedade, temos que o ver. Ainda por cima o bilhete é de borla, mesmo não havendo pipocas.

É que um dia, se nos disserem que perdemos o direito de ir ao cinema, somos capazes de ficar chateados. Se fizerem o mesmo em relação ao direito de voto, na volta, nem por isso.

Mas, até lá, vou votando, nem que seja para poder ir dizendo mal.

22.9.09

A semana da imobilidade

Naquilo a que se convencionou chamar o mundo real, chega hoje ao fim a semana da mobilidade, com um evento denominado “Dia Europeu sem Carros”. Tempos houve, em que eu pensei que este dia era a sério, tempos esses em que fui atropelado por dois táxis, uma carrinha de distribuição e um tipo que ia a conduzir enquanto escrevia mensagens no Blackberry, lia um gratuito e fazia uma Raspadinha. Depois, os tempos de reflexão no hospital levaram-me a pensar que talvez não fosse boa ideia acreditar em tudo o que dizem as notícias. Afinal de contas, dois becos e uma travessa fechados ao trânsito e muito mediatismo não é propriamente uma efeméride a sério.

Mas, houve de facto toda uma semana de mobilidade. Eu celebrei imobilizando o blog, porque não gosto de carneiradas e é preciso equilibrar a balança, mas indo à janela, vejo pessoas a mobilizarem-se por tudo quanto é sítio. É o que dá haver tanto desemprego, estivessem sentadinhas a trabalhar, como deviam, e não andavam para aí a mobilizar-se, só para dizer que são muito activas e militantes.

Da minha parte, confesso que a semana passada só aderi em pleno no dia em que os transportes públicos decidiram adoptar o conceito favorito dos portugueses e foram: "À borla". O que me fez sentir estúpido, porque tenho passe e, como tal, tive de pôr um sorriso falso, pois o que todos estavam ali a aproveitar à grande, já eu tinha pago. É uma vergonha esta Carris e o Metro, sempre a prejudicarem os seus clientes.
Estes dias de transportes à borla são, no entanto, chatos para os mitras, tanto do Metro, como da Carris. Isto é gente que se esforça, que dá o litro para sacar borlas e de repente é assim, ninguém paga? Onde é que está a moral? Um tipo quer roçar-se na pessoa da frente para passar nos torniquetes do Metro e está tudo aberto?? Quer mostrar um bocado de cartão como se fosse o passe e fazer “Piiii” ao mesmo tempo e não é preciso?? Assim, não pode ser, depois qualquer um quer ser um mitra.

Adiante minha gente, que hoje os transportes são outra vez à borla e eu tenho que ir ali mobilizar-me para a entrada do Metro dizer “Ah, hoje que é a borla queres andar nisto não é. No resto do mês, eu que pague...Bandalhos!”

11.9.09

Produtos Austríacos de referência


Depois das montanhas do "Música no Coração", de um rapazinho chamado Amadeu que progrediu no mundo da música e do strudel de maçã, eis que presto a devida homenagem a um produto austríaco, de nome Christoph Waltz.

Tio Tarantino, o filme é bom, o casting é muito bom (apesar de eu até dar o Brad Pitt de borla), mas este senhor é fora de série.

9.9.09

Passatempo Dr. Tédio - Apocalipse fiNow

Nota Prévia: Já era hora de esta história ter um fim. Bom, mau ou assim-assim, o importante era não continuar a gozar com pessoas com problemas e isso inclui-me a mim, a vocês e também ao Vicente.

Um digestivo para o caminho.

Com a refeição a caminhar para o fim, a ausência de notícias da sua noiva, fazia a crispação de Vicente aumentar. E, se alguns dos convidados pareciam querer ajudá-lo, conversando e rindo, outros pareciam ter uma mira apontada para si.
Levantou-se, ajeitou a camisa e preparou-se para ir buscar uma garrafa à cozinha. “Ouve lá” disse-lhe o avô, que até ali intervalara pratos com sonecas, “Estás todo janota, isso é de alfaiate?”.
“Não avô, é fatiado hermético...”, o absurdo das suas palavra era quase tão embaraçoso como a recusa do avô em usar aparelho auditivo. “Ado Ermetti? Muito bem, fatinho italiano, hein, pareces um jogador do Sporting. Qualquer dia és fino demais para pegar nuns euróis e pagar uma bejeca ao avô”.
“Não arrebente a fábula avô. Está aí albardado em beldroegas, quando é o avô que me deve umas a mim”. Correu para a cozinha para lavar a boca com Super Pop, a fazer se não dizia tanta merda.

Aqueles minutos na cozinha valeram olho, pensava ele. Pegou na garrafa, “onde é que está a merda do caga-trolhas?”. Encontrado o dito cujo, abriu-a e voltou para mais um round.
“Então Vicente, não encontraste nenhuma moçoila disposta a casar contigo aí escondida na cozinha?”. A voz da tia Isaltina, só por si, dava vontade de a enforcar nos laços de sangue que os uniam.
“Não tia, mas essa conversa de pachacha não a vai fazer soltar um brilharete”. O horror...

“Filho!!” A expressão da mãe dizia tudo...
“Francamente Amélia, o teu Vicente está um bocado rude hoje. Se calhar é melhor irmos andando já que, ao contrário da má educação, noiva nem vê-la.” Isaltina começou a levantar-se.

“Oiça lá, sua pinchona bufa...” Vicente ficou surpreendido, porque estas palavras não saíram da sua boca, mas sim do seu pai, que raramente dizia mais de três palavras por jantar.
“Então o rapaz arrefanhou talento por todos os poros, para fazer um jantar em grande para a família e os amigos e dar uma novidade que todos já sabemos qual é e agora não tem aqui a noiva e ainda tem que a gramar?”

Vicente estava preocupado, será que o pai também tinha batido com a cabeça?

“Pegue lá no balão insuflado do seu marido”, o pai estava embalado e não havia quem o segurasse “e aproveitem a recta à saída do prédio para irem dar uma curva. Só tenho pena da Clara, porque se calhar tem que ir convosco”. Ouviram-se palmas camufladas, por parte dos amigos de Vicente.

“Amélia!!! Não dizes nada?” Isaltina estava da cor do seu vestido “Deixas o teu marido tratar-nos assim?”
A mãe de Vicente não tinha palavras, talvez porque o marido e o filho as estivessem a usar todas. Ana, sempre oportuna, interveio.
“Vicente, o teu telemóvel está a tocar lá dentro, se calhar é melhor atenderes”.

Com gente aos gritos na sala e a IIIa Guerra Familiar a estalar, Vicente desatou a correr, ouvindo o seu apropriado toque kitsch “Words don’t come easy” ao fundo. À entrada do quarto, não calculou bem um salto e aterrou em cima do tapete, que deslizou e levou a cabeça de Vicente a conhecer de perto a mesa de madeira, antes de lhe apagar as luzes.
“Words don’t come easy
to me
How can i find a way, to make you see...”

O toque não o deixava desmaiar em paz.
Abriu os olhos.

“...I love you.
Words don’t come easy”

Tinha o telemóvel na mão, os dentes ainda na boca, mas não estava no quarto, mas sim no aeroporto, sentado na zona das chegadas.
Atendeu o telemóvel, que já não se podia com o sacana do FR David.

“Estou?”
“Pelos vistos agora estás” o sorriso da sua miúda via-se até pelo telemóvel “Já te tinha tentado ligar, já estou à espera das malas, afinal isto não atrasou tanto como se previa. Recebeste a minha mensagem?”

“Sim...” esfregou os olhos para ver se agora é que estava acordado ou se isto é que era um sonho. “É que fiquei com um tatu no tutu e....” ao ouvir as suas próprias palavras, sentiu um frio na espinha.
“Ficaste com o quê?”
Vicente respirou fundo “Desculpa, ainda estava a acordar”.

“Acorda lá”, ela tinha uma maneira carinhosa de o fazer sentir uma criança “e vai ter comigo que já estou a sair. E espero que não te tenhas esquecido que hoje é o jantar da tua prima Clara, para anunciar às tropas que se vai casar. Vá, até já, beijo.”

Ah, um jantar de família. Era mesmo disso que Vicente estava a precisar.

8.9.09

Passatempo Dr. Tédio Parte 3 - Afinal ainda não acabou

Nota Prévia: Esta é a terceira parte do passatempo Dr. Tédio. Por motivos de verborreia, terei afinal que o dividir em quatro, para não deixar aqui um lençol. Por tal facto, peço desculpa, mas não estou arrependido.
Se não fazes ideia do que estou a falar usa essa maravilha da ciência a que se convencionou chamar “scroll”. Ou, como diria Vicente, experimenta o vagão.

Sobre a mesa, alguém?

Fome era coisa que ele não tinha. A boca seca de tentar não falar contrastava com a algazarra que os seus doze convidados faziam. Lá estavam os seus pais, o avô Carlos, a tia Isaltina e o seu pedante marido, o “Dr. Hugo. Com eles tinha vindo a Clara, a sua prima, que há tanto tempo não via e que, pelo menos sempre parecia mais simpática. Ana andava de um lado para o outro, fazendo as falas de Vicente, conversando com Sandra e Bruno, seus amigos da faculdade, enquanto dava também as boas vindas ao André e à Renata, que tinham trazido aquele terrorista em forma de filho. Faltava era a futura noiva e também a sua capacidade de articular um discurso coerente, mas pronto agora já estava tudo em movimento.

A tia Isaltina aproximou-se, trazendo consigo Clara: “Bem Vicente, vê lá tu como o tempo passa. Já não vias a Clarinha para aí desde quando, do tempo em que jogavam à apanhada?”
Clara sorriu.
“Para aí, tia...” Vicente tinha medo de ouvir a sua voz “...lembro-me que a Clara estava sempre a fugir de mim para o coito interrompido”.
Clara não sorriu.
A tia não percebeu.
Vicente não ficou para explicar.

Suando em bica, estava encostado à bancada da cozinha, quando Ana entrou. “Tens de vir, está tudo à tua espera”.
“Epá, o cacete está eminente e isto vai correr tudo mal. Não há noiva, não consigo sequer afinfar um paralelepípedo e não vejo como me safar disto”.

“Calma” a voz de Ana era suave, mas ainda assim autoritária. “Vais falar pouco e devagar. Eles já sabem que ela está presa no aeroporto, vão perceber que estejas abatido e não digas coisa com coisa”. Piscou-lhe o olho “Anda.”

E juntos entraram na sala.

Durante cinco minutos, tudo correu bem. As conversas fluíam e Vicente, entre acenar de cabeça e concordâncias não verbalizadas, foi disfarçando. Mas, o sacana do “Dr.Hugo” tinha de estragar tudo.
“Então Vicente, dantes as noivas fugiam era no altar. Pelos vistos a tua fugiu antes do anúncio de casamento”. Aquele sorriso ia tão bem com um punho fechado.

“Olhe Hugo, eu não estou com muita concuspiscência para o patinhar, por isso vá com calma”. O controlo estava a apanhar um táxi para se ir embora.
“Desculpa, não te queria ofender, mas também não percebi muito bem o que queres dizer com isso. A rapaziada, hoje em dia, tem um palavreado que eu desconheço”. O ar condescendente ofendido não estava a ajudar à festa.

“Tudo bem, fale de asinhas de frango ou coma esse chaparro com courgette que está aí sentado no prato ao seu lado”. A tia Isaltina, de vestido verde, olhou escandalizada. “Mas, por favor não me massacre”.

Houve uns momentos de silêncio e então Ana interviu, lançando um qualquer tema e os seus amigos ajudaram a dinamizar de novo o jantar. A mãe, ao seu lado, disse baixinho a Vicente “Estás bem filho? Pareces-me nervoso e um bocadinho distante”
“São nervos mãe” Vicente tinha a noção de que não era muito convincente “E este tipo causa-me uma idiossincrasia no estomâgo que não imagina”.
“Bebeste filho?” a mão da sua mãe pegava na sua “Não mãe, é de bater com a cabeça na parede” disse Vicente, sorrindo.

Mas, o prato ainda estava cheio e a vontade de sorrir não era muita.

7.9.09

A última ceia de Vicente - Parte 2

Nota Prévia: Esta é a segunda parte do desenlace do Passatempo Dr. Tédio. Para saberem se estou sobre o efeito de substâncias tóxicas e tudo o mais, consultem os posts anteriores.

O prato principal

Desorientado, o futuro noivo tentou acalmar metendo água, ou melhor, tomando um banho. Olhou para o relógio, o catering só chegava daqui a meia hora, correu para o quarto, tinha a farpela pronta e seguiu para banheira.

Enquanto a água jorrava com força e Vicente ensaboava intimamente, mas com firmeza, as suas profundezas, não podia deixar de pensar no que iria dizer aos seus implacáveis convivas. “Depois do jantar, fiquem para o pequeno almoço, vão ver que até lá ela chega”. E foi assim que, distraído a enxugar os pensamentos, o nosso anfitrião não deu pelo sabão que escorregou e se anichou estrategicamente, qual Cinderela, no local onde segundos depois colocou o pé e imitou Rudolf Nureyev na perfeição. Tirando a parte em que bateu com a cabeça no lavatório.

Nem cinco minutos demorou a recobrar a consciência. Surpreendeu-se por ver que não tinha redecorado a casa de banho em tons de vermelho e por não ter um lote de dentes para oferecer à fada madrinha. Mas, acima de tudo, surpreendeu-se pelas palavras que proferiu, mal se levantou.

“Fónix, vou ter de lucubrar a alcachofra”.

Mas, que era aquilo? Ele não queria dizer isso, estaria trifásico? Trifásico? A palavra não era essa, era….. magnésio?? Fosse o que fosse, ele não tinha tempo para isso, com o catering a chegar, os convidados logo a seguir e a noiva nem por isso. Ia falar pouco, enquanto via se recuperava a erecção involuntária. O quê????? “Concentra-te Vicente”, pensou, vais ver que amanhã ainda te ris disto.

Falando só por monossílabos e alguns grunhidos, despachou o catering o mais rápido que pode, já que só tinham que entregar os acepipes, que do resto tratava ele e a sua irmã, que vinha para o ajudar.



Assim que a sua irmã chegou, notou logo que algo não estava bem “Que se passa Vicente?” e, ele como irmão mais novo que sempre fora, logo desabafou “A minhoca está azeda e não deve chegar a tempo do jantar. Para ajudar, lambi o corrimão quando estava a tomar banho e fiquei assim”.
A cara de Ana foi um misto de espanto, incredulidade e vontade de rir. Vendo os nervos do irmão, disse-lhe “Acalma-te lá, que vamos resolver isto” e deu-lhe um papel, para que ele lhe explicasse por escrito. E assim, Vicente descreveu o seu infortúnio. “É melhor cancelares o jantar” sugeriu Ana. “Estás com bananas na garagem???” gritou Vicente, enquanto lhe descrevia, novamente por escrito, o que lhe aconteceria se voltasse a fazer uma desfeita à família e aos amigos, que já vinham todos a caminho.

“Pronto” disse-lhe ela em voz calma “Então vamos a isso, mas tu fala o menos que possível, eu digo que estás rouco e explico-lhes da tua noiva. “Pode ser?”
“Vai ter que ser minha barata de caramelo” suspirou Vicente.

A campaínha tocou, a última ceia de Vicente ia começar.

A última ceia de Vicente - Parte 1

Nota prévia: No âmbito do passatempo Dr. Tédio (ver posts anteriores), esta alucinação tem uma base colectiva (as vossas palavras), mas também uma personalidade muito própria, já que quem atestou a viatura fui eu. Daí que este texto se divida em trilogia, pois com tanta verborreia junta, alguém vai ter que comer pela medida grande. Não eu, nem sequer vocês, mas sim o Vicente.
Concluo dizendo que as palavrinhas estão lá todas e, sempre que possível o mais juntas que possível segundo as vossas parelhas. O resto, bem o resto é o resto...

Parte 1 - As entradas


Vicente era um rapaz inocente até o dia em que se deu o acidente. Bateu com a cabeça, ficou diferente, ainda era o Vicente, mas não falava como toda a gente. A partir daí, chamaram-lhe escanifobético e até estrambótico e, educamente, ele até agradeceu, mas ainda assim continuou a preferir que lhe chamassem só



Vicente.

Mas afinal, que maldição se abateu sobre este filho de boa gente?
Era uma noite importante para Vicente. Convidou para jantar a sua família, amigos próximos e até Fulano e Beltrano (não os conhecia bem, mas disseram-lhe que era gente que ia a tudo quanto era evento), fazendo tenção de a todos anunciar que iria fazer aquilo a que se chama casar.

Com a hora do jantar a aproximar-se, os primeiros a chegar foram os nervos. “Nervos temos todos”, costumava ele dizer, mas naquele dia pareciam estar todos por sua conta. Pegou no telemóvel, para procurar ânimo e conforto junto da sua futura esposa, que devia estar a chegar ao aeroporto nesse momento, vinda de uma conferência.

Ah, que querida, já lhe tinha deixado uma mensagem. Duas palavras apenas, ouviu ele, e logo o seu coração disparou: “Tou atrasada”. Do ânimo e do conforto ao horror, com o tarifário mais barato. O avião ficara retido, um qualquer circuito derretido e os planos de Vicente esturricados. É que apresentar uma noiva em pessoa pode ser difícil, mas anunciar noivado com uma cadeira vazia é mais complicado. Já ouvia a sua tia a dizer que, pelos vistos, ela devia ser uma zoina estouvada. E isso era coisa que ele não admitia que chamassem, quer à sua cadeira, quer à sua noiva.
E, para celebrar início tão auspicioso, resolveu Vicente abrir o serão de forma eloquente:

“Cum caralho”.
Não foi bonito, mas pelo menos não deixava hálito, como aquela garrafa de ginjinha que o convidava para desabafar.

3.9.09

Nas vossas palavras

E eis que o Passatempo Dr.Tédio chega agora à sua segunda fase. É uma parte importante, já que me obriga a reflectir e, a espaços, ir ao dicionário para perceber que tipo de demência vos levou a escolher determinadas palavras. Se há coisa que me assusta é ver gritos de ajuda mascarados de duas palavras soltas.

Para os atrasados (vou deixar esta categoria aberta), podem ainda ir preenchendo palavritas na caixa anterior. Só quando eu fizer um comentário a dizer “Fechou a loja” é que não se aceitam mais encomendas.

No entanto, posso dizer que não me surpreenderam. São o tipo de gente torcida que eu esperava encontrar por aqui, a dificultar a vida a quem trabalha, com léxico de três em pipa, o ocasional atentado gramatical e coisas que não lembram ao demo.

Amanhã, durante o dia, vão ver o que é bom para a tosse (Tamiflu não sei se arranjo). Os ingredientes são vossos, a sopa é minha.

1.9.09

Passatempo Dr.Tédio

Neste blog não se aprende nada. Neste blog não há diários íntimos e reflexões profundas, nem sequer diário íntimos sobre outro tipo de coisas profundas.

Neste blog não há parágrafos alinhados. Existem, no entanto, cabelos desalinhados, coisa que não podem ver pelo que vai dar

ao mesmo. Neste blog não há conselhos para a vida, nem sequer para o próximo....






....minuto.

Não há prémios neste blog, nem porventura à vossa paciência por cá virem. Não há muita coisa, nem sequer sobre mim. Mas também este blog não é sobre mim, é meu, o que são coisas diferentes. Ou seja, tem muito de mim, mas pouco sobre mim, se é que me entendem. Se não me entendem, então certamente não é a primeira vez que cá vêm.

E, sendo assim, uma coisa que sabem é que escrevo. Neste blog, por exemplo. Mas, apetece-me variar e por isso vou deixar que sejam vocês a escrever e eu a inventar. Pode ser? Se não puder, vai ser à mesma por isso vocês é que sabem.

Ora então, o passatempo Dr. Tédio funciona assim: Nesta caixa de comentários, para além de elogios gratuitos e insultos pagos (para variar), dou-vos a liberdade de deixarem duas palavras. À vossa escolha, sem restrições, desde que existam e sejam portuguesas.
Cada pessoa pode deixar unicamente D-U-A-S. Se deixar mais, contam apenas as últimas duas. Se deixar duas em vários comentários, conta o último comentário.

Para quê?

Vou pegar em todas, não necessariamente aos pares e vou usá-las num texto. Não sou eu que digo, são vocês, eu acrescento é ingredientes e temperos.
Isto vai dar cócó? Depende, basta que alguém escolha essa palavra. Também pode dar carambolas.

Aceito então duas palavras por pessoa até final do dia de amanhã. Depois o bolo vai ao forno e Sexta-feira o mais tardar está cá fora. Estou-vos a citar, atenção.

31.8.09

Pregar surtos à malta


Já me despedi de praticamente toda a gente que conheço. Aproveito agora para fazer o mesmo em relação aos três leitores que também ainda não sucumbiram à pestilência.
A contagem não deixa enganar, todos os dias aumenta na televisão e raras são as vezes em que se ouve falar de gente curada.

Malvada gripe, que todos os dias levas mais gente com os porcos.

Eu não quero não ter gripe. Já me sinto um cidadão de segunda. “O quê, só tens gripe normal? Isso é tão retro-viral”.

No meu estaminé profissional houve uma moça que teve de ficar em casa, porque se suspeitava que tivesse gripe A. Falava-se dela com orgulho, “É a nossa primeira”, “Ah mulher de raça, ali sempre a dar-lhe na Gripe A” ou “Estive com ela na 2a feira, quem sabe serei eu a brilhar a seguir”.
Toca de rezar a São Tamiflu, mas parece que afinal a moça não teve Gripe A. Que era uma vergonha, que as mulheres nos enganam com facilidade, que tinham sido só desculpas e que agora não podíamos usado as 30 piadas que já tínhamos guardado para fazer quando encontrássemos no corredor. No tempo da Peste Negra é que era, agora andam a brincar com a malta.
A Gripe A está realmente a afectar os portugueses. Mas os efeitos mais graves têm sido na cabeça e não nas vias respiratórias.

Confesso que já tenho o ar condicionado aqui do burgo em 25 Graus negativos, estou a despejar água gelada nas costas há uma semana e abraço com sofreguidão todas as pessoas que vejo a espirrar. Não há forma da temida Gripe A me bater à porta, nem ao menos acenar da janela.

É triste admitir, mas sou saudável.

Thompson Twins, Doctor Doctor

28.8.09

O queijo da vergonha




admiti publicamente o facto de só ter ido pela primeira vez a um casamento muito recentemente. Muitas pessoas me escreveram, perguntando se tinha problemas de adaptação social, se não tinha amigos ou se, pura e simplesmente, era um bocado estranho. Senti-me um bocado ofendido com esta última pergunta, até porque pensei que isso já tinha ficado sobejamente comprovado neste blog.

Mas, voltando um pouco atrás, recordarei um pequeno episódio no dito casamento, cujo esquecimento pode ter a ver com a matéria prima do mesmo, mas que reforça o ficheiro secreto que habita em mim.

Toda a gente sabe que os noivos, a cerimónia e o resto é tudo acessório, porque o que interessa é mesmo encher o bandulho. Pelo menos foi o que me disseram, com ar condescendente, pessoas mais experientes na matéria. Assim sendo, foquei-me mais na alimentação e menos na celebração, mantendo no entanto um mínimo de dignidade e deixando passar à frente mulheres e crianças, desde que não excedessem o número de três.

Tudo correu bem, tirando um ligeiro incidente na mesa de queijos. Sendo eu apreciador dessa iguaria, apesar de alguns cheiros se assemelharem vagamente aos das minhas meias depois de actividades desportivas, investi na mesma duas ou três vezes. Na segunda rodada, achei que eles tinha reposto alguns queijos e ataquei um prato que não tinha visto antes e que tinha algumas variedades de eleição. Cortei a bom nível, escolhi como tinha de escolher, até me sentir incomodado com um olhar. “Francamente”, pensei eu “não pode estar um gajo a acumular queijo como se fosse um rato e o Inverno estivesse à porta e vêm logo os apressados”. O senhor aproximou-se e disse “Posso?” e eu, olhando para o meu prato bem composto, acedi.
Qual não foi o meu espanto/embaraço quando vi que o conviva era nada mais nada menos do que o dono do prato que eu tinha estado a fatiar como se não houvesse amanhã e que só se tinha afastado para ir buscar bolachas, aguardando calmamente depois que eu o desfalcasse de queijo, com calma, compostura e, certamente, com a benevolência de quem está perante um refugiado do Sudão.

Afastei-me rapidamente da mesa e comi todo o queijo que tinha a grande velocidade. Não porque tivesse fome, mas sim para esquecer semelhante figura de urso.

E assim consegui, até hoje.

26.8.09

As mulheres e os super poderes



Na sequência do chorrilho de alarvidades anterior, escapou-se-me um aspecto interessante. As mulheres, no seu quotidiano, parecem às vezes sacar do baú super-poderes capazes de fazer até o Hulk (o tipo verde musculado e não o avançado do Porto) corar de inveja.

Um deles, que tive a oportunidade de testemunhar algumas vezes de perto, tem a ver com a capacidade de duas ou mais mulheres juntas conseguirem tornar qualquer homem invisível. Não me refiro à invisibilidade tipo barreira de gelo, que pretende evitar a aproximação de qualquer pacóvio ou camafeu desconhecido.

Aqui trata-se daquela capacidade de, a meio de uma conversa num gurpo em que esteja um homem presente, torná-lo invisível. Normalmente, começa com um “Eles” e depois tem em anexo uma panóplia defeitos ou insuficiências masculinas que ilustram facilmente porque devem ser as baratas e não os homens a sobreviver a um desastre nuclear.

O homem presente, quando não surdo, tenderá a sentir-se incrédulo e a tentar mostrar que está presente. Nunca, em situação alguma, deve pedir uma bofetada para comprovar que existe sob o risco de perder a invisibilidade e ganhar alguns traumatismos. Tentar participar na conversa pode ser um caminho, mas só se as senhoras se sentirem na disposição de uma sessão espírita, já que não reconhecem presenças adicionais.

Nesse caso, o homem não deve tentar superar a sua invisibilidade temporária com frases tipo “Eu não concordo nada com isso” ou “Mas eu não sou assim”. A conversa feminina iniciada com o termo “Eles” e não “Vocês” indica aos homens presentes que acabam de ser invisibilizados e, como tal, a tentativa de chamar a si o protagonismo, é ridícula e acarreta o risco de o transformar de homem invisível em criança invisível com um falsamente acalmante “Oh tonto, não era de ti que falávamos”.

No entanto, o homem não deve sentir que o facto de estar invisível é um poder seu, quando na realidade é das mulheres. Daí ser desnecessário avisar para o risco de, caso esteja emocionalmente ligado a uma das mulheres, controlar outras ou ter alguma atitude mais indecorosa, como pôr o relato da bola mais alto. A invisibilidade, por si, não acarreta dor, mas pode ter essa consequência nesses casos.

A solução: Esperar que a invisbilidade passe. Com sorte, não há-de durar muito tempo. O suficiente para aprender a dar valor à expressão “O silêncio é de ouro”.

25.8.09

Super poderes a la carte

Influenciado pela Marvel e também pela lycra dos maillots de ginástica, o meu encanto por super heróis tem-me acompanhado desde pequeno. Gostava daquele mundo em que pessoas picadas por aranhas radioactivas, gente verde ou, por exemplo, extra-terrestres adoptados andavam normalmente por aí sem ser em reality shows ou no noticiário da TVI.

Acima de tudo, gostava da ideia de ter super poderes e, no meio das histórias que lia, pensava frequentemente como seria bom poder ter um só para mim. Inicialmente, os super poderes com que sonhava tinham muito a ver com a capacidade de mudar o mundo, o meu mundo claro está. Poderes como comer mais de cem chocolates sem enjoar ou entrar no balneário das miúdas em modo invisível, em ambos os casos com inegáveis mais valias para a humanidade.

Conforme fui crescendo, as prioridades foram mudando e, entre várias hipóteses, havia uma que me seduzia mais – a capacidade de ler pensamentos. Esqueçam os enredos de filmes babacas com o Mel Gibson ou, mais recentemente em séries tipo Heroes. Falo simplesmente no poder de olhar para alguém e saber o que ela pensa. À primeira vista, parecem ser só vantagens, com um super poder que não nos obriga ao contacto com animais estranhos ou nos envolve em cenários de pancadaria de três em pipa, possibilitando ainda uma simpática progressão de carreira pessoal e profissional e, ocasionalmente para desenjoar, ajudar os outros.

Só que, um episódio da 5a Dimensão ensinou-me que ler os pensamentos é coisa que não foi feita para nós, nem mesmo para super-heróis, no mundo em que vivemos. As pessoas dizem muitas coisas que não pensam e pensam muitas coisas que não fazem. Por isso, ler pensamentos seria como um programa da Tertúlia Cor-de-Rosa em que, por cada segundo que passasse a agonia da realidade seria torturante.

Será que queremos mesmo saber o que as pessoas pensam sobre nós? Será que descobriríamos que há malta que pura e simplesmente não pensa? Confesso que desisti na hora, vendi as minhas revistas de super heróis para arranjar uns bons cobres e investi no super poder de escrever baboseiras sem parar.

O mundo pode não ter ficado melhor por causa disso, mas há para aí 10 pessoas que não andam a fazer asneiras só por estarem a perder tempo a ler isto.

Another job well done, Super-Mak (não confundir com o cão gelado, o Super Maxi).



Ps - Não resisti a pôr o Rod Serling da Twilight Zone.

19.8.09

Ai se Portugal dependesse de nós



Para quem não tenha visto bem a sinopse do filme, vivemos num país onde a sacanice e a chico-espertice são, a par do bitoque, o prato do dia. Misto de optimista e cínico, acredito que um dia vamos lá, mas só se isso não depender só de nós.

Se depender só de nós, vamos continuar a fazer o que sempre fizemos. A deitar as culpas no Estado, esse monstro que, faça o que fizer, não faz nada do que diz. A deixar para amanhã. A amaldiçoar a Segurança Social, mas a continuar a receber subsídio de desemprego, apesar de trabalharmos e passar recibos verdes em nome do avô que já morreu há dois anos. A pedir crédito atrás de crédito, porque temos tanto direito a férias como os outros e carro com mais de 3 anos não é coisa que se apresente.

Além disso, se depender de nós a cultura vai continuar a ser uma coisa muito bonita em teoria, mas na prática preferimos gastar 250€ num telemóvel XPTO e no saldo do dito cujo, só porque até temos pontos e senão nunca mais se aproveita aquilo.
Dependendo de nós, os transportes deviam ser muito melhores, mas mesmo que fossem continuávamos a andar quase todos os dias de carro, nem que fosse para ter mais direito a dizer mal das gasolineiras e dos polícias que só querem fazer dinheiro à conta da nossa inocente vontade de ver os limites do carro ou beber uns copos com os amigos.

E, quando falarmos com a geração futura, se depender de nós vamos dizer-lhe que já não dão valor a nada, mas não vamos poder ensinar-lhes o valor das coisas porque nós próprios já não o sabemos. E, quando perguntarem porquê, vamos dar-lhes um telemóvel novo porque agora não temos tempo para explicações e vai dar a bola.
Mas vamos querer que sejam do nosso clube, que vibrem com o futebol, mas não com os futebolistas que, se dependesse de nós, não ganhariam um décimo daquilo que ganham. Tirando se o nosso filho der um dia um pontapé na bola. Aí, tudo o que ele tiver é merecido e, se depender de nós, faremos tudo para garantir isso.

No fim de tudo, se depender de nós, vamos estar fartos de políticos, mas não de politiquices. Vamos dizer a quem quiser ouvir como deviam ser as coisas, mas que não esperem pelo nosso voto, que ele é como nós e tem mais que fazer. Se depender de nós, Portugal deve mudar, desde que a mudança não comece por nós.

E assim em Portugal, se depender de nós, tudo depende dos outros.

Milli Vanilli, Blame it on the rain

17.8.09

Curta sobre certas cartas


Este fim de semana fiz-me à estrada. Apanhei-a desprevenida e antes que desse por isso, já eu andava de volta de dela. Depois de quase três horas naquilo, pensei que não íamos a lado nenhum, mas pelos vistos fomos, já que quando parei não estava muito longe de Oliveira do Hospital.

Deixei a estrada para trás, depois telefono-te. Abracei nova paixão, de olho azul, fresca e sedutora, apesar da caruma que lhe caía em cima. E, mesmo sabendo que muitas vezes me levaria ao fundo, mergulhei nessa tentação de fim de semana. Sem amarguras nem lágrimas, o pouco cloro também ajudou.

Nos intervalos pensei em escrever cartas aos meus amigos, mas surgiram outros que me deram um baralho já com elas escritas. Poupei trabalho, resolvi abrir o jogo. Disseram-me que não jogava com o baralho o todo, mas pus as cartas na mesa: posso não ser um ás das relações, mas não sou uma carta fora do baralho.
“Só nos saem é duques” gozaram eles. Não respondi e resolvi guardar alguns trunfos na manga. Se não saísse dali a dar cartas, pelo menos tentaria baralhar e voltar a dar.

Muito mais tinta correu, mas por fim joguei a cartada final. Voltei a fazer-me à estrada. Aceitou-me de volta, apesar de estar só de passagem. É uma querida, apesar de eu lhe estar sempre a passar por cima. Cheguei a casa, não abri o correio. Não me apetecia jogar às cartas.

13.8.09

Sobre a acção de despejo de Adão e Eva


Toda a gente conhece a vida do Adão e da Eva tão bem, que até parece que somos porteiras de um qualquer prédio celestial. E, embora nem entre na discussão no plano teológico, há ali muita coisa mal explicadinha.

Primeiro que tudo, Eva era aquilo a que se chama na restauração “um piano” do Adão, isto é, antes de Deus se armar em Dexter. Mas adiante, se o biótipo pele e osso era o que estava a dar na altura, siga.
Agora, um casal nu, ambiente paradisíaco, nada para fazer, nunca lhes passar pela cabeça toda uma panóplia de regabofe? Dá-me ideia que, parra à parte, se tratava de um casal de atadinhos. Para além do mais, se esse tipo de entretenimento não estivesse já nos desígnios do Senhor, para quê dotar a malta de certas e determinadas ferramentas. Só se fizer parte de um sentido de humor muito mórbido.

Tendo todo este cenário em conta, a conclusão é óbvia: só com uma maçãzinha aquele parzinho não dava conta do recado. Para já, Eva teria um claro problema com a bebida ou era esquizofrénica, pois embora se conheçam muitas víboras com duas pernas, as tradicionais não são conhecidas por entabular conversações com a malta. Depois, conheço muitas linhas de engate duvidosas mas coisas do estilo “Bem, já que comeste a maçã, bem me podias comer a mim” criam toda uma nova categoria de actos falhados. (tirando se houvesse já uma predisposição para gostar dos Malucos do Riso)

Daí que a razão mais provável para o pecado original tenha possivelmente que ver com uma de duas coisas que não devem faltar em Jardins de categoria divina – erva ou cogumelos. Sim, porque nada me diz que aquele casal não tinha ali uma pitada de hippie.
E, como é óbvio, por muito complacente que um Senhorio seja, sacar drogas do jardim e manchar a esteira que lá havia para os piqueniques, mostrou logo que há malta em que não se pode confiar. Especialmente se forem pessoas.


Afroman, Because i got high

9.8.09

Da galera para a galera.




Ao contrário dos rumores que têm havido por aí, não é verdade que tenha sido trocado por dois prisioneiros de Guantanamo e uma sandocha de torresmos ou que tenha sido condenado a fazer parte da lista do Santana Lopes, enquanto trabalho comunitário junto dos mais desfavorecidos.
No entanto, certamente que o meu ar bronzeado e sorriso trocista devem ter irritado alguém, já que ando mais soterrado em trabalho que uns artistas que viviam em Pompeia.

Mas, tenho conseguido estar com os meus amigos quase todos, já que tenho impressão que até na praia anda aí malta ligada a certas e determinadas redes sociais. É que a gripe suína já afecta centenas em Portugal, mas a febre do Facebook já atinge milhares, com quizzes e aplicações pandémicas para me moerem o (pouco) juízo.

Back to life - Faith No More, Edge of the world

3.8.09

Cigano virtuoso

Primeiro que tudo, esta conjunção no título desmente os boatos que tais palavras nunca poderiam ser proferidas juntas.
Depois, mostra que eu este fim de semana descobri um pouco mais sobre "Gipsy Jazz" e afins.

E não, não se trata do Bamboleo tocado em saxofone.



Mas tal descoberta não me impede de constatar algo que nos mercados inteiros de Portugal já se sabia: os ciganos são bons a dar-nos música.