
Já me despedi de praticamente toda a gente que conheço. Aproveito agora para fazer o mesmo em relação aos três leitores que também ainda não sucumbiram à pestilência.
A contagem não deixa enganar, todos os dias aumenta na televisão e raras são as vezes em que se ouve falar de gente curada.
Malvada gripe, que todos os dias levas mais gente com os porcos.
Eu não quero não ter gripe. Já me sinto um cidadão de segunda. “O quê, só tens gripe normal? Isso é tão retro-viral”.
No meu estaminé profissional houve uma moça que teve de ficar em casa, porque se suspeitava que tivesse gripe A. Falava-se dela com orgulho, “É a nossa primeira”, “Ah mulher de raça, ali sempre a dar-lhe na Gripe A” ou “Estive com ela na 2a feira, quem sabe serei eu a brilhar a seguir”.
Toca de rezar a São Tamiflu, mas parece que afinal a moça não teve Gripe A. Que era uma vergonha, que as mulheres nos enganam com facilidade, que tinham sido só desculpas e que agora não podíamos usado as 30 piadas que já tínhamos guardado para fazer quando encontrássemos no corredor. No tempo da Peste Negra é que era, agora andam a brincar com a malta.
A Gripe A está realmente a afectar os portugueses. Mas os efeitos mais graves têm sido na cabeça e não nas vias respiratórias.
Confesso que já tenho o ar condicionado aqui do burgo em 25 Graus negativos, estou a despejar água gelada nas costas há uma semana e abraço com sofreguidão todas as pessoas que vejo a espirrar. Não há forma da temida Gripe A me bater à porta, nem ao menos acenar da janela.
É triste admitir, mas sou saudável.
Thompson Twins, Doctor Doctor
31.8.09
Pregar surtos à malta
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
15:09
2
pensaram que isto era um espaço opinativo
28.8.09
O queijo da vergonha

Já admiti publicamente o facto de só ter ido pela primeira vez a um casamento muito recentemente. Muitas pessoas me escreveram, perguntando se tinha problemas de adaptação social, se não tinha amigos ou se, pura e simplesmente, era um bocado estranho. Senti-me um bocado ofendido com esta última pergunta, até porque pensei que isso já tinha ficado sobejamente comprovado neste blog.
Mas, voltando um pouco atrás, recordarei um pequeno episódio no dito casamento, cujo esquecimento pode ter a ver com a matéria prima do mesmo, mas que reforça o ficheiro secreto que habita em mim.
Toda a gente sabe que os noivos, a cerimónia e o resto é tudo acessório, porque o que interessa é mesmo encher o bandulho. Pelo menos foi o que me disseram, com ar condescendente, pessoas mais experientes na matéria. Assim sendo, foquei-me mais na alimentação e menos na celebração, mantendo no entanto um mínimo de dignidade e deixando passar à frente mulheres e crianças, desde que não excedessem o número de três.
Tudo correu bem, tirando um ligeiro incidente na mesa de queijos. Sendo eu apreciador dessa iguaria, apesar de alguns cheiros se assemelharem vagamente aos das minhas meias depois de actividades desportivas, investi na mesma duas ou três vezes. Na segunda rodada, achei que eles tinha reposto alguns queijos e ataquei um prato que não tinha visto antes e que tinha algumas variedades de eleição. Cortei a bom nível, escolhi como tinha de escolher, até me sentir incomodado com um olhar. “Francamente”, pensei eu “não pode estar um gajo a acumular queijo como se fosse um rato e o Inverno estivesse à porta e vêm logo os apressados”. O senhor aproximou-se e disse “Posso?” e eu, olhando para o meu prato bem composto, acedi.
Qual não foi o meu espanto/embaraço quando vi que o conviva era nada mais nada menos do que o dono do prato que eu tinha estado a fatiar como se não houvesse amanhã e que só se tinha afastado para ir buscar bolachas, aguardando calmamente depois que eu o desfalcasse de queijo, com calma, compostura e, certamente, com a benevolência de quem está perante um refugiado do Sudão.
Afastei-me rapidamente da mesa e comi todo o queijo que tinha a grande velocidade. Não porque tivesse fome, mas sim para esquecer semelhante figura de urso.
E assim consegui, até hoje.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
11:41
6
pensaram que isto era um espaço opinativo
26.8.09
As mulheres e os super poderes

Na sequência do chorrilho de alarvidades anterior, escapou-se-me um aspecto interessante. As mulheres, no seu quotidiano, parecem às vezes sacar do baú super-poderes capazes de fazer até o Hulk (o tipo verde musculado e não o avançado do Porto) corar de inveja.
Um deles, que tive a oportunidade de testemunhar algumas vezes de perto, tem a ver com a capacidade de duas ou mais mulheres juntas conseguirem tornar qualquer homem invisível. Não me refiro à invisibilidade tipo barreira de gelo, que pretende evitar a aproximação de qualquer pacóvio ou camafeu desconhecido.
Aqui trata-se daquela capacidade de, a meio de uma conversa num gurpo em que esteja um homem presente, torná-lo invisível. Normalmente, começa com um “Eles” e depois tem em anexo uma panóplia defeitos ou insuficiências masculinas que ilustram facilmente porque devem ser as baratas e não os homens a sobreviver a um desastre nuclear.
O homem presente, quando não surdo, tenderá a sentir-se incrédulo e a tentar mostrar que está presente. Nunca, em situação alguma, deve pedir uma bofetada para comprovar que existe sob o risco de perder a invisibilidade e ganhar alguns traumatismos. Tentar participar na conversa pode ser um caminho, mas só se as senhoras se sentirem na disposição de uma sessão espírita, já que não reconhecem presenças adicionais.
Nesse caso, o homem não deve tentar superar a sua invisibilidade temporária com frases tipo “Eu não concordo nada com isso” ou “Mas eu não sou assim”. A conversa feminina iniciada com o termo “Eles” e não “Vocês” indica aos homens presentes que acabam de ser invisibilizados e, como tal, a tentativa de chamar a si o protagonismo, é ridícula e acarreta o risco de o transformar de homem invisível em criança invisível com um falsamente acalmante “Oh tonto, não era de ti que falávamos”.
No entanto, o homem não deve sentir que o facto de estar invisível é um poder seu, quando na realidade é das mulheres. Daí ser desnecessário avisar para o risco de, caso esteja emocionalmente ligado a uma das mulheres, controlar outras ou ter alguma atitude mais indecorosa, como pôr o relato da bola mais alto. A invisibilidade, por si, não acarreta dor, mas pode ter essa consequência nesses casos.
A solução: Esperar que a invisbilidade passe. Com sorte, não há-de durar muito tempo. O suficiente para aprender a dar valor à expressão “O silêncio é de ouro”.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
18:56
9
pensaram que isto era um espaço opinativo
25.8.09
Super poderes a la carte
Influenciado pela Marvel e também pela lycra dos maillots de ginástica, o meu encanto por super heróis tem-me acompanhado desde pequeno. Gostava daquele mundo em que pessoas picadas por aranhas radioactivas, gente verde ou, por exemplo, extra-terrestres adoptados andavam normalmente por aí sem ser em reality shows ou no noticiário da TVI.
Acima de tudo, gostava da ideia de ter super poderes e, no meio das histórias que lia, pensava frequentemente como seria bom poder ter um só para mim. Inicialmente, os super poderes com que sonhava tinham muito a ver com a capacidade de mudar o mundo, o meu mundo claro está. Poderes como comer mais de cem chocolates sem enjoar ou entrar no balneário das miúdas em modo invisível, em ambos os casos com inegáveis mais valias para a humanidade.
Conforme fui crescendo, as prioridades foram mudando e, entre várias hipóteses, havia uma que me seduzia mais – a capacidade de ler pensamentos. Esqueçam os enredos de filmes babacas com o Mel Gibson ou, mais recentemente em séries tipo Heroes. Falo simplesmente no poder de olhar para alguém e saber o que ela pensa. À primeira vista, parecem ser só vantagens, com um super poder que não nos obriga ao contacto com animais estranhos ou nos envolve em cenários de pancadaria de três em pipa, possibilitando ainda uma simpática progressão de carreira pessoal e profissional e, ocasionalmente para desenjoar, ajudar os outros.
Só que, um episódio da 5a Dimensão ensinou-me que ler os pensamentos é coisa que não foi feita para nós, nem mesmo para super-heróis, no mundo em que vivemos. As pessoas dizem muitas coisas que não pensam e pensam muitas coisas que não fazem. Por isso, ler pensamentos seria como um programa da Tertúlia Cor-de-Rosa em que, por cada segundo que passasse a agonia da realidade seria torturante.
Será que queremos mesmo saber o que as pessoas pensam sobre nós? Será que descobriríamos que há malta que pura e simplesmente não pensa? Confesso que desisti na hora, vendi as minhas revistas de super heróis para arranjar uns bons cobres e investi no super poder de escrever baboseiras sem parar.
O mundo pode não ter ficado melhor por causa disso, mas há para aí 10 pessoas que não andam a fazer asneiras só por estarem a perder tempo a ler isto.
Another job well done, Super-Mak (não confundir com o cão gelado, o Super Maxi).
Ps - Não resisti a pôr o Rod Serling da Twilight Zone.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
17:41
6
pensaram que isto era um espaço opinativo
19.8.09
Ai se Portugal dependesse de nós

Para quem não tenha visto bem a sinopse do filme, vivemos num país onde a sacanice e a chico-espertice são, a par do bitoque, o prato do dia. Misto de optimista e cínico, acredito que um dia vamos lá, mas só se isso não depender só de nós.
Se depender só de nós, vamos continuar a fazer o que sempre fizemos. A deitar as culpas no Estado, esse monstro que, faça o que fizer, não faz nada do que diz. A deixar para amanhã. A amaldiçoar a Segurança Social, mas a continuar a receber subsídio de desemprego, apesar de trabalharmos e passar recibos verdes em nome do avô que já morreu há dois anos. A pedir crédito atrás de crédito, porque temos tanto direito a férias como os outros e carro com mais de 3 anos não é coisa que se apresente.
Além disso, se depender de nós a cultura vai continuar a ser uma coisa muito bonita em teoria, mas na prática preferimos gastar 250€ num telemóvel XPTO e no saldo do dito cujo, só porque até temos pontos e senão nunca mais se aproveita aquilo.
Dependendo de nós, os transportes deviam ser muito melhores, mas mesmo que fossem continuávamos a andar quase todos os dias de carro, nem que fosse para ter mais direito a dizer mal das gasolineiras e dos polícias que só querem fazer dinheiro à conta da nossa inocente vontade de ver os limites do carro ou beber uns copos com os amigos.
E, quando falarmos com a geração futura, se depender de nós vamos dizer-lhe que já não dão valor a nada, mas não vamos poder ensinar-lhes o valor das coisas porque nós próprios já não o sabemos. E, quando perguntarem porquê, vamos dar-lhes um telemóvel novo porque agora não temos tempo para explicações e vai dar a bola.
Mas vamos querer que sejam do nosso clube, que vibrem com o futebol, mas não com os futebolistas que, se dependesse de nós, não ganhariam um décimo daquilo que ganham. Tirando se o nosso filho der um dia um pontapé na bola. Aí, tudo o que ele tiver é merecido e, se depender de nós, faremos tudo para garantir isso.
No fim de tudo, se depender de nós, vamos estar fartos de políticos, mas não de politiquices. Vamos dizer a quem quiser ouvir como deviam ser as coisas, mas que não esperem pelo nosso voto, que ele é como nós e tem mais que fazer. Se depender de nós, Portugal deve mudar, desde que a mudança não comece por nós.
E assim em Portugal, se depender de nós, tudo depende dos outros.
Milli Vanilli, Blame it on the rain
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
17:06
13
pensaram que isto era um espaço opinativo
17.8.09
Curta sobre certas cartas

Este fim de semana fiz-me à estrada. Apanhei-a desprevenida e antes que desse por isso, já eu andava de volta de dela. Depois de quase três horas naquilo, pensei que não íamos a lado nenhum, mas pelos vistos fomos, já que quando parei não estava muito longe de Oliveira do Hospital.
Deixei a estrada para trás, depois telefono-te. Abracei nova paixão, de olho azul, fresca e sedutora, apesar da caruma que lhe caía em cima. E, mesmo sabendo que muitas vezes me levaria ao fundo, mergulhei nessa tentação de fim de semana. Sem amarguras nem lágrimas, o pouco cloro também ajudou.
Nos intervalos pensei em escrever cartas aos meus amigos, mas surgiram outros que me deram um baralho já com elas escritas. Poupei trabalho, resolvi abrir o jogo. Disseram-me que não jogava com o baralho o todo, mas pus as cartas na mesa: posso não ser um ás das relações, mas não sou uma carta fora do baralho.
“Só nos saem é duques” gozaram eles. Não respondi e resolvi guardar alguns trunfos na manga. Se não saísse dali a dar cartas, pelo menos tentaria baralhar e voltar a dar.
Muito mais tinta correu, mas por fim joguei a cartada final. Voltei a fazer-me à estrada. Aceitou-me de volta, apesar de estar só de passagem. É uma querida, apesar de eu lhe estar sempre a passar por cima. Cheguei a casa, não abri o correio. Não me apetecia jogar às cartas.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
18:48
2
pensaram que isto era um espaço opinativo
13.8.09
Sobre a acção de despejo de Adão e Eva

Toda a gente conhece a vida do Adão e da Eva tão bem, que até parece que somos porteiras de um qualquer prédio celestial. E, embora nem entre na discussão no plano teológico, há ali muita coisa mal explicadinha.
Primeiro que tudo, Eva era aquilo a que se chama na restauração “um piano” do Adão, isto é, antes de Deus se armar em Dexter. Mas adiante, se o biótipo pele e osso era o que estava a dar na altura, siga.
Agora, um casal nu, ambiente paradisíaco, nada para fazer, nunca lhes passar pela cabeça toda uma panóplia de regabofe? Dá-me ideia que, parra à parte, se tratava de um casal de atadinhos. Para além do mais, se esse tipo de entretenimento não estivesse já nos desígnios do Senhor, para quê dotar a malta de certas e determinadas ferramentas. Só se fizer parte de um sentido de humor muito mórbido.
Tendo todo este cenário em conta, a conclusão é óbvia: só com uma maçãzinha aquele parzinho não dava conta do recado. Para já, Eva teria um claro problema com a bebida ou era esquizofrénica, pois embora se conheçam muitas víboras com duas pernas, as tradicionais não são conhecidas por entabular conversações com a malta. Depois, conheço muitas linhas de engate duvidosas mas coisas do estilo “Bem, já que comeste a maçã, bem me podias comer a mim” criam toda uma nova categoria de actos falhados. (tirando se houvesse já uma predisposição para gostar dos Malucos do Riso)
Daí que a razão mais provável para o pecado original tenha possivelmente que ver com uma de duas coisas que não devem faltar em Jardins de categoria divina – erva ou cogumelos. Sim, porque nada me diz que aquele casal não tinha ali uma pitada de hippie.
E, como é óbvio, por muito complacente que um Senhorio seja, sacar drogas do jardim e manchar a esteira que lá havia para os piqueniques, mostrou logo que há malta em que não se pode confiar. Especialmente se forem pessoas.
Afroman, Because i got high
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
10:06
2
pensaram que isto era um espaço opinativo
9.8.09
Da galera para a galera.

Ao contrário dos rumores que têm havido por aí, não é verdade que tenha sido trocado por dois prisioneiros de Guantanamo e uma sandocha de torresmos ou que tenha sido condenado a fazer parte da lista do Santana Lopes, enquanto trabalho comunitário junto dos mais desfavorecidos.
No entanto, certamente que o meu ar bronzeado e sorriso trocista devem ter irritado alguém, já que ando mais soterrado em trabalho que uns artistas que viviam em Pompeia.
Mas, tenho conseguido estar com os meus amigos quase todos, já que tenho impressão que até na praia anda aí malta ligada a certas e determinadas redes sociais. É que a gripe suína já afecta centenas em Portugal, mas a febre do Facebook já atinge milhares, com quizzes e aplicações pandémicas para me moerem o (pouco) juízo.
Back to life - Faith No More, Edge of the world
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
22:28
0
pensaram que isto era um espaço opinativo
3.8.09
Cigano virtuoso
Primeiro que tudo, esta conjunção no título desmente os boatos que tais palavras nunca poderiam ser proferidas juntas.
Depois, mostra que eu este fim de semana descobri um pouco mais sobre "Gipsy Jazz" e afins.
E não, não se trata do Bamboleo tocado em saxofone.
Mas tal descoberta não me impede de constatar algo que nos mercados inteiros de Portugal já se sabia: os ciganos são bons a dar-nos música.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
11:19
4
pensaram que isto era um espaço opinativo
29.7.09
Rica vida tem a morte

É certo e sabido que, traço geral, a malta não é assim grande fã da morte. Fazem-se piadas sobre ela, trivializa-se o seu efeito, mas quando nos toca de perto, a vontade de rir desaparece num instante. O que é chato, porque a maior parte das pessoas que conheço ficam mais bonitas a rir do que a chorar. Tirando umas quantas, que não há boa disposição que as safe.
O nosso problema com a morte é que não somos racionais, o que até se pode justificar pelo facto de ela também não nos estender essa cortesia. Há mortes esperadas, há mortes inesperadas, há mortes trágicas, há mortes heróicas, mas não deixam de ser mortes. E isso signifca que alguém que nos é próximo passa a ser para sempre distante. A culpada do costume: a morte, claro está.
A realidade é que essa é uma culpa fácil, porque a morte em si não faz nada, é um bocado parada. São as doenças, os acidentes, a idade e tudo o resto que matam as pessoas. A morte é o ponto final num texto, não tendo qualquer responsabilidade sobre a forma como o fim da história se desenrolou. Mas nós transferimos para ela todo o nosso sofrimento.
A verdade é que não gostamos muito da dita Sra pelo facto de assinalar, de forma marcante, o momento em que o sofrimento passa definitivamente para as nossas mãos. E isso dói. Dói ainda mais porque nessas alturas vem ao de cima o nosso egoísmo, o egoísmo próprio de quem está vivo e sofre.
Mas e então, devemos gostar da morte? Se tivermos uma funerária, sim, porque é ela que nos garante a vidinha e é um sector em que nunca há falta de matéria prima. A verdade é que também eu não gosto da morte, mas também não sou grande fã do nosso culto à volta dela.
A versão religiosa serve para dar conforto face ao desconhecido, mas é tudo muito virado para nós, para amplificar o nosso sofrimento. O cerimonial foca-se na partida, num tom carregado e, adequadamente, fúnebre, mas nem tanto no que de melhor teve a vida de quem morreu.
Sim, porque se estamos ali, é porque algum impacto aquela pessoa teve na nossa vida e, por mais trágica que a forma como nos separamos dela possa ter sido, isso não devia apagar o que de melhor nos juntou, nem sequer secundarizá-lo. Mas, a saudade e o sofrimento tornam-nos egoístas. A reacção é natural, mas também é muito cultural.
A maior parte dos nossos cemitérios é apenas um espelho disto tudo. Pedra e mais pedra, placa e ostentação, sinais que falam para os vivos, mas homenageam pouco a vida. Nada substitui uma pessoa, mas uma lápide fria terá sempre menos vida que uma árvore, uma planta, algo verde e colorido. É certo que não temos espaço para exemplo estilo americano ou inglês, mas à escala poderíamos ter espaços bem mais naturais, verdes, tranquilizantes e, porque não, vivos para honrar os nossos mortos. Eles certamente ficariam satisfeitos, especialmente por nós.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
10:53
2
pensaram que isto era um espaço opinativo
21.7.09
Et tu Bruno

Toda a gente é livre de se rir, mesmo que não saiba porquê. É saudável, faz bem a uma data de coisas e não tem sabor esquisito, ao contrario de certos iogurtes. Mas, sendo eu um tipo com uma certa afinidade em relação ao humor e à escrita, ao ponto de aderir na hora caso surgisse um projecto aliciante nessa área, é natural que tenha um determinado grau de exigência na matéria.
Tudo isto para falar de “Bruno”. Assisti à antestreia mas, antes de debitar sobre o assunto, quis ler e ouvir um pouco de feedback sobre o filme, quer de “profissionais e entendidos do ramo”, quer de comuns mortais e também de dois ou três gnomos.
O resultado final é este – não há concordância, o que até favorece o filme, já que concordâncias e aclamações unânimes por norma não são bom sinal. Aliás, o único ponto mais concordante é que o filme é intencionalmente chocante, algo típico dos personagens de Baron Cohen, como já se vira em Borat. O problema, para mim, começa logo por ser um filme e não uma curta, um documentário ficcionado de forma mais assumida, whatever. Um filme exige enredo e uma maior duração, algo que não favorece, a meu ver, um tipo de humor que tira a sua força do choque e da surpresa. Até porque é difícil chocar e surpreender com qualidade ao longo de uma hora e meia, mas aí o critério financeiro de quem quer também fazer dinheiro fala mais alto.
A abordagem do tema gay é ousada e desafiante, mas só por si chega? Sei que com temas polémicos vem sempre a reacção / incompreensão de parte do público e muita critica, nem sempre criteriosa. Mas isso será sinónimo de qualidade?
O choque pelo choque desgasta-se na vulgaridade da repetição, apesar de ser suficiente para muitos. A mock-interview também tem pontos de bom nível no filme, mas também tem momentos estilo “Michael Moore vs Charlton Heston”, em que o efeito se vira contra o provocador.
E no fim, o que torna “Bruno” algo de memorável em termos de humor? Eu tentei descobrir, mas não cheguei lá, não estive perto e nem sequer pude pedir o dinheiro de volta, já que fui à borla. Talvez o mérito do tio Sasha seja criar personagens que se “canalizam” bem através do mediatismo e de conseguir aliar o humor à polémica, mesmo que o primeiro seja por vezes apenas um artifício para ir mais longe.
Mas, a beleza do humor é que o humor é como a beleza. Está sempre nos olhos de quem o vê.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
18:05
5
pensaram que isto era um espaço opinativo
20.7.09
Sim, já fui a um casamento
Suponho que, para muita gente, esta seja uma afirmação trivial semelhante a “Sim, já pontapeei um idoso na rua”. Mas, para o ilustre que vos escreve, até este fim de semana, só a segunda premissa era realidade.
De facto, fiz parte de uma elite restrita, para aí de cinco gajos que, em Portugal, tinham já uns anos valentes de idade adulta sem nunca terem posto os pés num casamento. Se a isso juntar o pormenor de sobreviver sem carro próprio (sim, conduzo e não tenho atropelamentos e fuga no cadastro), éramos só dois sendo eu o único que não estava ligado a uma máquina de respiração artificial desde os 18.
“Será este tipo tão anormal como parece?”, aventarão alguns dos leitores. Não sejam prepotentes, que eu ainda não confio que saibam pensar. Neste caso, a questão nem vai por aí, já que não sou aquilo que se pode chamar um devoto dos deveres familiares e os meus amigos, pelo menos os que não estão internados, ainda não casaram na sua maioria ou, pelo menos, tiveram a inteligência de não me convidar.
Mas, passando ao casamento em si, o que pude eu constatar:
- Há um certo egocentrismo da parte dos noivos. Tudo bem, são eles que se casam, mas não havia necessidade de estarem sempre a querer ser o centro das atenções. Ai, agora vamos assinar e dar um beijinho, ai agora são as fotografias, ai agora temos uma mesa de honra, uma dança só para nós, um bolo para estrearmos, etc.
- Há gente que capricha na fatiota. Mas certamente que, para alguns, um casamento, um cortejo de Carnaval em Torres Vedras ou uma festa da espuma são eventos de cariz semelhante, no que ao vestuário diz respeito.
- Atirar arroz e pétalas pode ser divertido. Também pode ser violento, se tiver em conta o vigor com que alguns cestos foram arremessados.
- Empregado de mesa/bar pode exigir seguro de vida, especialmente se estiver de serviço nas horas de abertura / início de distribuição de comida. Se ha um grupo perigoso de enfrentar é uma “posse” de convivas esfomeados e sebentos.
- A senhora do registo não ficou para almoçar. Primeiro não percebi a recusa de uma borla, mas depois vi que mexia com o horário de serviço de um funcionário público e fez-se luz.
- Mais irritante que o fotógrafo só mesmo o cliché das suas fotografias. Única nota criativa, os tranquilizantes que usou para conseguir fotografar as crianças. (era bom não era)
- A ementa desiludiu-me. Pensava que a magia do casamento também se estendia aos nomes dos pratos. Mas não, o que era bacalhau vinha mesmo como bacalhau e nem sequer como “Lascas de codfish em cama de espinhas com toque de pele e sensações gratinée”.
- A banda não era má ou então era a bebida que era boa. Mas também não era assim tão boa, senão eu não me lembraria da banda.
- A par do K1, o apanhar do bouquet deve ser um dos desportos mais agressivos que já vi. Curiosamente ou não, as mulheres que mais se empenham por norma são aquelas que não vão acompanhadas.
- Com a alarvidade de comida que sobra, lembrei-me de um bom nicho de mercado. A malta que organiza casamentos devia contactar organizações de cariz cívico e guardar as madrugadas para casamento de mendigos, sem-abrigos e/ou toxicodependentes. Eles não iam ligar à apresentação das coisas, as facturas de mecenatos são dedutíveis nos impostos e o amor acontece a todos, até aos mais desfavorecidos.
- Há um tipo de pessoas que se deve ter muito cuidado, nas mesas de casamento. E não me refiro ao etilizado do costume, porque nódoas da roupa são o menos. Mas, sobre isso debruçar-me-ei noutras núpcias.
- Não vi, perto do final da festa, ninguém com um leitão ao colo, disfarçado de criança. Desde que vi um sketch assim (quando o Herman ainda era vivo), tinha essa ilusão.
E pronto, temos estes apontamentos, no meio de tantos outros. E eu já fui a um casamento. Mas a comprar um carro não me apanham tão facilmente.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
16:30
11
pensaram que isto era um espaço opinativo
17.7.09
Sempre a fracturar
A única questão em q o actual Papa assumiu uma posição fracturante parece ter sido em relação ao seu pulso...
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
13:26
2
pensaram que isto era um espaço opinativo
14.7.09
Silly season à séria, precisa-se.
Podem não acreditar, mas o Verão já ai anda há quase um mês. Se isso é tudo muito bonito, as férias, o CampingGaz, o choro de alegria e tristeza com os figurinos que surgem com o Verão e até a malta que se recusa a parar de bronzear, mesmo depois de fazer parecer pálidos alguns cadáveres carbonizados, mas ainda assim falta-me algo.
O Ronaldo bem tenta, a Manuela Moura Guedes bem assusta, mas entre Gripes A, Tamiflus (com este nome, só devia haver em supositório), bancos e mais mancos, bi-eleições (eleições que dão para os dois lados, mas em que quem se fornica é sempre o mesmo) e outras preocupações, sinto falta das reportagens sobre a porca que amamenta um contabilista anão ou do pai de família que construiu uma réplica do Titanic com dentes que caíram dos seus 8 filhos.
É que nem os incêndios têm estado a ter o destaque de Verão de outros anos e a chamada reportagem-chouriço, mesmo junto à brasa, tem tido muito menos saída. Muitos de vocês podem até estar aliviados com isso, mas para mim estes são os meses em que as notícias mais valem a pena.
É que, no final de contas, para palhaçada já me basta a realidade do resto do ano.
Jigsaw falling into place, Radiohead
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
16:12
2
pensaram que isto era um espaço opinativo
10.7.09
O metal reinou por um dia

O rádio-despertador soou diferente ontem. De repente, a Romântica FM foi esmigalhada por uma força poderosa, uma bateria que anunciava o fim do mundo ou então saldos no Media Markt. Não, era mesmo mais tipo fim do mundo.
Esfregaste a careca para despertar, só para encontrares um viçoso cabelo comprido no seu lugar. Já não tinhas o cabelo assim desde o tempo em que os vikings chegaram à Trafaria.
No lugar da barriga que compraste em suaves prestações de cerveja, casamento e sedentarismo estava aquela tshirt preta com um grafismo literalmente dos diabos, que sacaste do chão depois de um mosh em 87. Seria possível? Deste uma chapada na tua mulher, só para ver se não estavas a sonhar e o soco que tiveste como resposta provou-te que não era sonho. A subsequente dor nos tomates também.
Foi então que olhaste para o bilhete em cima da mesa. Brilhava quase tanto como os teus olhos, mas com menos ramelas. O concerto era hoje e a tua alma metaleira vestira-se a rigor. Mas, esquecera-se das calças pretas e no armário só haviam as da tua mulher. Azar, o mundo é injusto, mas as calças serviram à justa, como era suposto. Os teus putos vieram dizer-te bom dia e tu fizeste-lhes uma mosh só para eles verem como era dantes. Eles adoraram e nem o braço partido do mais novo atrapalhou.
Hoje era o dia em que o metal voltava a reinar e o seu principe estava de volta. E iria mostrar o seu valor, enterrado em imperiais até ao pescoço.
A noite chegou depressa, os portões não resistiram à sua força e do concerto só se lembra que ficou tudo negro. Como era suposto.
O dia seguinte trazia de novo a Romântica e o poderoso príncipe do metal voltaria a esconder-se por entre o manto da vida comum.
Eu vi-o ontem à noite ao meu lado – Metallica, Master of Puppets
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
16:15
2
pensaram que isto era um espaço opinativo
8.7.09
Futuro, triagem de informação e newsjacking

Chegámos a um futuro não muito distante, onde para aparecer nos noticiários não bastará ser notícia. O sistema de triagem de Manchester, aplicado aos hospitais portugueses, é agora também utilizado em todos os cidadãos que se candidatem a ser notícia.
A massificação da informação está no seu auge. A seguir a um período de descontrolo editorial veio uma política de zelo e estratificação noticiosa para tentar separar o trigo do joio, ambos transgénicos. Os canais de informação são agora verdadeiras fortalezas. Por outro lado, a TVI tem um noticiário em formato Big Brother, o único lugar onde podemos ver uma vetusta Manuela Moura Guedes em versão infravermelhos.
Eis uma entrevista a um candidato a ser notícia.
Info-funcionário: Portanto, o senhor acha que é notícia e quer ter acesso ao estatuto de celebridade, nível 3?
Cidadão: Oiça, eu tenho a certeza, não acho.
IF: Amigo, você não sabe quantos chegam aqui com essa conversa e depois nem de rodapé de teletexto passam. Celebridade de nível 3? Isso tem que ser matéria para abrir noticiário.
Cidadão: Meu caro, mas eu acabo de descobrir a cura para o vírus da SIDA.
IF: Ui, mais vírus? Já não nos bastavam a gripe A, B, C, D e as outras todas que já parecem matrículas de carros, mais a febre do peixe galo, a perturbação da pata de coelho e o síndrome do entrecosto e você vem-me com mais doenças?
Cidadão: Não está a compreender, estamos a falar de um vírus que dizima milhões de vidas há décadas.
IF: Isso é tudo muito bonito, mas ainda nos vai é dizimar milhões em audiências. Deixe lá ver, como é que o posso ajudar. Está a planear suicidar-se ou morrer de forma espectacular nos próximos dias?
Cidadão: Não...
IF: Tudo bem, talvez não seja preciso ir por aí. Familiares ou criancinhas fechadas por si em caves ou buracos, arranjam-se?
Cidadão: Está a brincar??!!
IF: Ok, ok, já vi que com essa disposição nem vale a pena perguntar se por acaso não é casado com a Maddie ou a tem embalsada junto à lareira...
E laboratórios interessados em contratá-lo hein? Tipo assim uma cena inovadora, cientista e o seu vírus recebidos em delírio no novo laboratório. A loja anuncia que a bata com o seu nome já está esgotada. Isso era bom!
Cidadão: Oiça, as coisas não funcionam assim. Eu sou respeitado, mas...
IF: Não funcionam, diz ele. Epá, se o respeito lhe chegasse não estava aqui. Conhece ao menos o Ronaldo?
Cidadão: Quem?
IF: O futebolista pá, o gajo que bateu o seu próprio recorde de transferências, quando o Inter Alberto João Jardim ofereceu Portugal ao Real Madrid para o contratar.
Cidadão: Não.
IF: E alguma das mulheres dele? A Paris Hilton, a Shakira, a Susan Boyle ou uma das outras?
Cidadão: Também não.
IF: Estou a ver que não vamos lá. E o gato dele, o Ronronaldo?
Cidadão: Ainda menos.
IF: Amigo, assim não vai dar. Chega-me aqui sem referências, só me pode avançar com a cura do vírus da SIDA e eu não estou a ver como o posso encaixar no nível que pretende. Não chega uma entrevista no “Memórias do Baião”, tem que ser mesmo noticiário? É que o João tem Alzheimer e você vai poder falar do que quiser.
Cidadão: Eu sou uma pessoa séria, só quero falar sobre esta descoberta maravilhosa, mas com dignidade. Você está a irritar-me, seu biltre.
IF: Está disposto a bater-me?
Cidadão: Muito facilmente.
IF: Então fazemos assim. Eu tenho aqui um abre-latas, você dá-me dois socos, e ameaça infectar-me com a cura da SIDA. Eu ligo para a regie, temos aqui um directo. Você diz que só fala com a minha avó, a Judite de Sousa e quer que o Marcelo, mesmo já cego de um olho leia a sua dissertação na diagonal. Que lhe parece, chega-lhe?
Amigo, onde é que vai, oiça lá... Volte, olhe que é boa ideia. Se for à TVI olhe que o fecham no escuro com a Moura Guedes.
Vá lá, volte lá.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
12:58
3
pensaram que isto era um espaço opinativo
2.7.09
Nollywood here I come
Meus caros, está resolvido. Quem me conhece sabe que, para além de deslumbrar diariamente na minha actividade profissional principal (Cobrador do Fraque), tenho um vasto interesse pela escrita de humor (e não só), assim como pelo guionismo.
Apesar de não pertencer a nenhuma pandilha organizada do ramo (mantenho-me fiel ao Clube do Macramé), interessam-me sempre novos projectos e desafios e, como tal, assim cheguei a Nollywood.
Para quem já pensou “Ó urso, é Hollywood ou Bollywood que queres dizer?”, deixem que aqui o Puff vos elucide – é mesmo Nollywood e refere-se à indústria cinematográfica da Nigéria que, em termos de volume de produção já ultrapassou os americanos e já só tem os indianos pela frente.
Vendo este mercado em clara expansão, não hesitei, sorvi a cultura nigeriana e aquilo que faz mexer o cinema local, bebi um copo de água para desembuchar e deitei mãos à obra. Eis seis pequenas sinopses de múltiplos temas que, pelo que sei, foram muito bem recebidas pelos executivos locais.
Título: O Tubo / The Pipe
Género: Policial
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, lança-se numa investigação para saber quem acendeu o cigarro segundos antes da explosão.
Título: Pelo Tubo / Down the Pipe
Género: Drama
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, mergulha no mundo do gamanço em oleodutos, para tentar saber o que levou o seu irmão a acender um cigarro, segundos antes da explosão.
Título: Rico Tubo / She’s not my Pipe
Género: Comédia
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, lança-se numa série de peripécias para não explicar à família porque acendeu um cigarro segundos antes da explosão.
Título: O Tubo Sentido / The Pipe Sense
Género: Terror / Sobrenatural
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, mergulha no mundo da feitiçaria africana e, com a ajuda do Prof. Bambo, convocam o espírito do irmão para acabarem de fumar o cigarro que tinham começado segundos antes da explosão.
Título: Ao longo do Tubo / Through the Pipe
Género: Romance
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, afoga as mágoas lançando-se num tórrido romance com uma meretriz local que viu, pela primeira vez, a fumar um cigarro segundos antes da explosão.
Título: Tubo / In Tubis
Género: Manoel de Oliveira
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, não faz nada. Catherine Deneuve passa ao longe, em Sintra.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
18:55
11
pensaram que isto era um espaço opinativo
1.7.09
Febre de museu à noite

Hoje já não é segredo que gosto de visitar museus. Em miúdo tive de o fazer às escondidas, pois no meu bairro puto que ia a museus estava a um passo de se tornar escuteiro e isso não era abonatório para a nossa integridade física.
Sempre achei isso positivo, porque te obrigava a estar sempre alerta: do ponto de vista cultural aprendias muito nos museus, do ponto de vista do cabedal porque não era raro intervalares festivais de impressionismo com festivais de pancadaria.
O problema foi sempre: os museus nunca foram promovidos como sítio cool, pelo menos na idade certa para isso. Não o foram quando eu era miúdo, não o são agora certamente, mesmo que me venham dizer que às 5as agora a malta tem os museus abertos até à meia noite.
É uma questão cultural, famílias inteiras vieram de todo o país para um piquenique com intoxicação musical incluída (Toni, tu és o Ronaldo da música), mas nem duas trotinetas se encheriam se o piquenique fosse na Gulbenkian com visita ao museu incluída.
Mas, como se muda isso? Lavagens ao cérebro e começar tudo de novo? Pode ser que isso seja um plano secreto das novelas da TVI, mas não me parece. A questão é que a dinamização dos museus, por exemplo em Lisboa, está a anos luz de outras metrópoles, onde aproveitar a oferta cultural é tão natural como ir passar uma tarde ao centro comercial. Cá, a noção geral de oferta cultural deve ser para aí o cheque-brinde da FNAC.
Alargar horários serve apenas para alguns baterem palmas e aumentar a circulação do ar durante algum tempo. Alarguem antes mentalidades – é mais difícil, demora mais tempo e na volta... não serve de nada (pensavam que isto ia ser profundo não era?).
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
19:07
4
pensaram que isto era um espaço opinativo
29.6.09
Nomenclatura para organizações de gente alienada
A par de um duche gelado tomado a rigor, de fato e gravata, antes de sair de casa gosto de me refrescar pela manhã com notícias que me provam que há gente em pior estado mental do que eu.
Sendo assim, foi com alegria que descobri , através deste espantoso relato, que existem organizações com nomes desta craveira - Rede Internacional de Pessoas que Consomem Drogas (INPUD) e o movimento português CASO (Consumidores Associados Sobrevivem Organizados).
Primeiro que tudo, maravilha-me o facto desta malta ter efectivamente a capacidade de se organizar. Já não me parece tão extraordinário a forte possibilidade destes nomes terem sido obtidos sob o efeito das suas matérias primas favoritas.
Rede Internacional das Pessoas que Consomem Drogas parece-me uma organização que se manifesta quando a polícia apreende contentores de drogas, apelando à liberdade dos narcóticos e que organiza exposições das melhoress fotos de apreensões policiais, daquelas todas direitinhas, com pacotes ordenados por volume e tudo. Parece-me ainda que é gente para lançar o cartão DrugPlus, com descontos nos principais postos de abastecimento e a oportunidade de trocar pontos por seringas, cartões de plástico, garrafas de água e, expcionalmente, comida.
Já o movimento português, parece-me um CASO sério. Não sei se é a rima Consumidores Associados / Sobrevivem Organizados, se é o facto de ver que nem os arrumadores se conseguirem organizar, mas parece-me pouco credível. Depois houve a necessidade de transformar a sigla numa palavra, levando-me a pensar que os consumidores de ecstasy e LSD têm preponderância no grupo, o que leva à conclusão que num dia podem estar a lutar contra a discriminação do toxicodependente e no dia seguinte pela defesa dos ninhos de elefantes verdes na Assembleia.
E, sendo este um texto escrito no âmbito da EDIOTA (Escritores Desorganizados mas Interventivos, Opinativos e Totalmente Amorosos), sei bem o que se passa nos movimentos associativos menos considerados. Simplesmente, eu não consumo drogas.
As drogas é que me consomem a mim.
The drugs don’t work, Ben Harper cover
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
10:58
5
pensaram que isto era um espaço opinativo
26.6.09
Consternação, horror e outras palavras de bom porte
Vou começar por despachar já o assunto – Michael Jackson morreu. Fui dos primeiros a saber, não através do Twitter, mas porque a Alexandra Solnado me ligou a dizer que Jesus se tinha desbocado.
Nos próximos dias isso significa que o Cristiano Ronaldo só vai poder continuar a galar a sua própria cara ao espelho, que o Jacko vai fazer tanto dinheiro como nos útlimos dez anos e que finalmente vai acabar a novela mórbida e restará aquilo que realmente vale a pena – a sua música.
Mas, o meu verdadeiro horror do dia não teve a ver com a notícia que faz com que Portugal pudesse levar com uma bomba atómica em cima e ainda assim não ser tema de abertura em noticiário que se preze.
Não é que ontem se cruza comigo um indivíduo, para aí com 50 anos, sem ar de andarilho (e acreditem, eu sei o que é ter ar de andarilho) e quando vai a passar por mim diz alto e bom som “BOI”.
Estando eu na proximidade do Campo Pequeno, primeiro pensei que era um alerta para algum bovino desgarrado à solta. Mas, ao virar-me constatei que o único animal à vista era aquele com quem me tinha cruzado.
Pensei então que o Sr se estava a apresentar, mas como não ficou para conversar e isto não era um encontro de “Speed Greeting”, descartei a hipótese.
Restavam duas opções: doido varrido ou estava efectivamente a insultar-me. Não consegui decidir-me, pelo que não fui a correr atrás dele para um ajuste de contas.
No entanto, à cautela, tirei o piercing-argola do nariz, só para tirar isso a limpo numa próxima ocasião.
Jackson 5 – Blame it on the boogie
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
at
17:32
3
pensaram que isto era um espaço opinativo