29.7.09

Rica vida tem a morte


É certo e sabido que, traço geral, a malta não é assim grande fã da morte. Fazem-se piadas sobre ela, trivializa-se o seu efeito, mas quando nos toca de perto, a vontade de rir desaparece num instante. O que é chato, porque a maior parte das pessoas que conheço ficam mais bonitas a rir do que a chorar. Tirando umas quantas, que não há boa disposição que as safe.

O nosso problema com a morte é que não somos racionais, o que até se pode justificar pelo facto de ela também não nos estender essa cortesia. Há mortes esperadas, há mortes inesperadas, há mortes trágicas, há mortes heróicas, mas não deixam de ser mortes. E isso signifca que alguém que nos é próximo passa a ser para sempre distante. A culpada do costume: a morte, claro está.
A realidade é que essa é uma culpa fácil, porque a morte em si não faz nada, é um bocado parada. São as doenças, os acidentes, a idade e tudo o resto que matam as pessoas. A morte é o ponto final num texto, não tendo qualquer responsabilidade sobre a forma como o fim da história se desenrolou. Mas nós transferimos para ela todo o nosso sofrimento.

A verdade é que não gostamos muito da dita Sra pelo facto de assinalar, de forma marcante, o momento em que o sofrimento passa definitivamente para as nossas mãos. E isso dói. Dói ainda mais porque nessas alturas vem ao de cima o nosso egoísmo, o egoísmo próprio de quem está vivo e sofre.

Mas e então, devemos gostar da morte? Se tivermos uma funerária, sim, porque é ela que nos garante a vidinha e é um sector em que nunca há falta de matéria prima. A verdade é que também eu não gosto da morte, mas também não sou grande fã do nosso culto à volta dela.
A versão religiosa serve para dar conforto face ao desconhecido, mas é tudo muito virado para nós, para amplificar o nosso sofrimento. O cerimonial foca-se na partida, num tom carregado e, adequadamente, fúnebre, mas nem tanto no que de melhor teve a vida de quem morreu.
Sim, porque se estamos ali, é porque algum impacto aquela pessoa teve na nossa vida e, por mais trágica que a forma como nos separamos dela possa ter sido, isso não devia apagar o que de melhor nos juntou, nem sequer secundarizá-lo. Mas, a saudade e o sofrimento tornam-nos egoístas. A reacção é natural, mas também é muito cultural.

A maior parte dos nossos cemitérios é apenas um espelho disto tudo. Pedra e mais pedra, placa e ostentação, sinais que falam para os vivos, mas homenageam pouco a vida. Nada substitui uma pessoa, mas uma lápide fria terá sempre menos vida que uma árvore, uma planta, algo verde e colorido. É certo que não temos espaço para exemplo estilo americano ou inglês, mas à escala poderíamos ter espaços bem mais naturais, verdes, tranquilizantes e, porque não, vivos para honrar os nossos mortos. Eles certamente ficariam satisfeitos, especialmente por nós.

21.7.09

Et tu Bruno


Toda a gente é livre de se rir, mesmo que não saiba porquê. É saudável, faz bem a uma data de coisas e não tem sabor esquisito, ao contrario de certos iogurtes. Mas, sendo eu um tipo com uma certa afinidade em relação ao humor e à escrita, ao ponto de aderir na hora caso surgisse um projecto aliciante nessa área, é natural que tenha um determinado grau de exigência na matéria.

Tudo isto para falar de “Bruno”. Assisti à antestreia mas, antes de debitar sobre o assunto, quis ler e ouvir um pouco de feedback sobre o filme, quer de “profissionais e entendidos do ramo”, quer de comuns mortais e também de dois ou três gnomos.

O resultado final é este – não há concordância, o que até favorece o filme, já que concordâncias e aclamações unânimes por norma não são bom sinal. Aliás, o único ponto mais concordante é que o filme é intencionalmente chocante, algo típico dos personagens de Baron Cohen, como já se vira em Borat. O problema, para mim, começa logo por ser um filme e não uma curta, um documentário ficcionado de forma mais assumida, whatever. Um filme exige enredo e uma maior duração, algo que não favorece, a meu ver, um tipo de humor que tira a sua força do choque e da surpresa. Até porque é difícil chocar e surpreender com qualidade ao longo de uma hora e meia, mas aí o critério financeiro de quem quer também fazer dinheiro fala mais alto.

A abordagem do tema gay é ousada e desafiante, mas só por si chega? Sei que com temas polémicos vem sempre a reacção / incompreensão de parte do público e muita critica, nem sempre criteriosa. Mas isso será sinónimo de qualidade?
O choque pelo choque desgasta-se na vulgaridade da repetição, apesar de ser suficiente para muitos. A mock-interview também tem pontos de bom nível no filme, mas também tem momentos estilo “Michael Moore vs Charlton Heston”, em que o efeito se vira contra o provocador.

E no fim, o que torna “Bruno” algo de memorável em termos de humor? Eu tentei descobrir, mas não cheguei lá, não estive perto e nem sequer pude pedir o dinheiro de volta, já que fui à borla. Talvez o mérito do tio Sasha seja criar personagens que se “canalizam” bem através do mediatismo e de conseguir aliar o humor à polémica, mesmo que o primeiro seja por vezes apenas um artifício para ir mais longe.

Mas, a beleza do humor é que o humor é como a beleza. Está sempre nos olhos de quem o vê.

20.7.09

Sim, já fui a um casamento

Suponho que, para muita gente, esta seja uma afirmação trivial semelhante a “Sim, já pontapeei um idoso na rua”. Mas, para o ilustre que vos escreve, até este fim de semana, só a segunda premissa era realidade.
De facto, fiz parte de uma elite restrita, para aí de cinco gajos que, em Portugal, tinham já uns anos valentes de idade adulta sem nunca terem posto os pés num casamento. Se a isso juntar o pormenor de sobreviver sem carro próprio (sim, conduzo e não tenho atropelamentos e fuga no cadastro), éramos só dois sendo eu o único que não estava ligado a uma máquina de respiração artificial desde os 18.

“Será este tipo tão anormal como parece?”, aventarão alguns dos leitores. Não sejam prepotentes, que eu ainda não confio que saibam pensar. Neste caso, a questão nem vai por aí, já que não sou aquilo que se pode chamar um devoto dos deveres familiares e os meus amigos, pelo menos os que não estão internados, ainda não casaram na sua maioria ou, pelo menos, tiveram a inteligência de não me convidar.

Mas, passando ao casamento em si, o que pude eu constatar:

- Há um certo egocentrismo da parte dos noivos. Tudo bem, são eles que se casam, mas não havia necessidade de estarem sempre a querer ser o centro das atenções. Ai, agora vamos assinar e dar um beijinho, ai agora são as fotografias, ai agora temos uma mesa de honra, uma dança só para nós, um bolo para estrearmos, etc.

- Há gente que capricha na fatiota. Mas certamente que, para alguns, um casamento, um cortejo de Carnaval em Torres Vedras ou uma festa da espuma são eventos de cariz semelhante, no que ao vestuário diz respeito.

- Atirar arroz e pétalas pode ser divertido. Também pode ser violento, se tiver em conta o vigor com que alguns cestos foram arremessados.

- Empregado de mesa/bar pode exigir seguro de vida, especialmente se estiver de serviço nas horas de abertura / início de distribuição de comida. Se ha um grupo perigoso de enfrentar é uma “posse” de convivas esfomeados e sebentos.

- A senhora do registo não ficou para almoçar. Primeiro não percebi a recusa de uma borla, mas depois vi que mexia com o horário de serviço de um funcionário público e fez-se luz.

- Mais irritante que o fotógrafo só mesmo o cliché das suas fotografias. Única nota criativa, os tranquilizantes que usou para conseguir fotografar as crianças. (era bom não era)

- A ementa desiludiu-me. Pensava que a magia do casamento também se estendia aos nomes dos pratos. Mas não, o que era bacalhau vinha mesmo como bacalhau e nem sequer como “Lascas de codfish em cama de espinhas com toque de pele e sensações gratinée”.

- A banda não era má ou então era a bebida que era boa. Mas também não era assim tão boa, senão eu não me lembraria da banda.

- A par do K1, o apanhar do bouquet deve ser um dos desportos mais agressivos que já vi. Curiosamente ou não, as mulheres que mais se empenham por norma são aquelas que não vão acompanhadas.

- Com a alarvidade de comida que sobra, lembrei-me de um bom nicho de mercado. A malta que organiza casamentos devia contactar organizações de cariz cívico e guardar as madrugadas para casamento de mendigos, sem-abrigos e/ou toxicodependentes. Eles não iam ligar à apresentação das coisas, as facturas de mecenatos são dedutíveis nos impostos e o amor acontece a todos, até aos mais desfavorecidos.

- Há um tipo de pessoas que se deve ter muito cuidado, nas mesas de casamento. E não me refiro ao etilizado do costume, porque nódoas da roupa são o menos. Mas, sobre isso debruçar-me-ei noutras núpcias.

- Não vi, perto do final da festa, ninguém com um leitão ao colo, disfarçado de criança. Desde que vi um sketch assim (quando o Herman ainda era vivo), tinha essa ilusão.

E pronto, temos estes apontamentos, no meio de tantos outros. E eu já fui a um casamento. Mas a comprar um carro não me apanham tão facilmente.

17.7.09

Sempre a fracturar

A única questão em q o actual Papa assumiu uma posição fracturante parece ter sido em relação ao seu pulso...

14.7.09

Silly season à séria, precisa-se.

Podem não acreditar, mas o Verão já ai anda há quase um mês. Se isso é tudo muito bonito, as férias, o CampingGaz, o choro de alegria e tristeza com os figurinos que surgem com o Verão e até a malta que se recusa a parar de bronzear, mesmo depois de fazer parecer pálidos alguns cadáveres carbonizados, mas ainda assim falta-me algo.

O Ronaldo bem tenta, a Manuela Moura Guedes bem assusta, mas entre Gripes A, Tamiflus (com este nome, só devia haver em supositório), bancos e mais mancos, bi-eleições (eleições que dão para os dois lados, mas em que quem se fornica é sempre o mesmo) e outras preocupações, sinto falta das reportagens sobre a porca que amamenta um contabilista anão ou do pai de família que construiu uma réplica do Titanic com dentes que caíram dos seus 8 filhos.

É que nem os incêndios têm estado a ter o destaque de Verão de outros anos e a chamada reportagem-chouriço, mesmo junto à brasa, tem tido muito menos saída. Muitos de vocês podem até estar aliviados com isso, mas para mim estes são os meses em que as notícias mais valem a pena.

É que, no final de contas, para palhaçada já me basta a realidade do resto do ano.

Jigsaw falling into place, Radiohead

10.7.09

O metal reinou por um dia


O rádio-despertador soou diferente ontem. De repente, a Romântica FM foi esmigalhada por uma força poderosa, uma bateria que anunciava o fim do mundo ou então saldos no Media Markt. Não, era mesmo mais tipo fim do mundo.
Esfregaste a careca para despertar, só para encontrares um viçoso cabelo comprido no seu lugar. Já não tinhas o cabelo assim desde o tempo em que os vikings chegaram à Trafaria.

No lugar da barriga que compraste em suaves prestações de cerveja, casamento e sedentarismo estava aquela tshirt preta com um grafismo literalmente dos diabos, que sacaste do chão depois de um mosh em 87. Seria possível? Deste uma chapada na tua mulher, só para ver se não estavas a sonhar e o soco que tiveste como resposta provou-te que não era sonho. A subsequente dor nos tomates também.

Foi então que olhaste para o bilhete em cima da mesa. Brilhava quase tanto como os teus olhos, mas com menos ramelas. O concerto era hoje e a tua alma metaleira vestira-se a rigor. Mas, esquecera-se das calças pretas e no armário só haviam as da tua mulher. Azar, o mundo é injusto, mas as calças serviram à justa, como era suposto. Os teus putos vieram dizer-te bom dia e tu fizeste-lhes uma mosh só para eles verem como era dantes. Eles adoraram e nem o braço partido do mais novo atrapalhou.

Hoje era o dia em que o metal voltava a reinar e o seu principe estava de volta. E iria mostrar o seu valor, enterrado em imperiais até ao pescoço.
A noite chegou depressa, os portões não resistiram à sua força e do concerto só se lembra que ficou tudo negro. Como era suposto.

O dia seguinte trazia de novo a Romântica e o poderoso príncipe do metal voltaria a esconder-se por entre o manto da vida comum.


Eu vi-o ontem à noite ao meu lado – Metallica, Master of Puppets

8.7.09

Futuro, triagem de informação e newsjacking


Chegámos a um futuro não muito distante, onde para aparecer nos noticiários não bastará ser notícia. O sistema de triagem de Manchester, aplicado aos hospitais portugueses, é agora também utilizado em todos os cidadãos que se candidatem a ser notícia.

A massificação da informação está no seu auge. A seguir a um período de descontrolo editorial veio uma política de zelo e estratificação noticiosa para tentar separar o trigo do joio, ambos transgénicos. Os canais de informação são agora verdadeiras fortalezas. Por outro lado, a TVI tem um noticiário em formato Big Brother, o único lugar onde podemos ver uma vetusta Manuela Moura Guedes em versão infravermelhos.

Eis uma entrevista a um candidato a ser notícia.

Info-funcionário: Portanto, o senhor acha que é notícia e quer ter acesso ao estatuto de celebridade, nível 3?

Cidadão: Oiça, eu tenho a certeza, não acho.

IF: Amigo, você não sabe quantos chegam aqui com essa conversa e depois nem de rodapé de teletexto passam. Celebridade de nível 3? Isso tem que ser matéria para abrir noticiário.

Cidadão: Meu caro, mas eu acabo de descobrir a cura para o vírus da SIDA.

IF: Ui, mais vírus? Já não nos bastavam a gripe A, B, C, D e as outras todas que já parecem matrículas de carros, mais a febre do peixe galo, a perturbação da pata de coelho e o síndrome do entrecosto e você vem-me com mais doenças?

Cidadão: Não está a compreender, estamos a falar de um vírus que dizima milhões de vidas há décadas.

IF: Isso é tudo muito bonito, mas ainda nos vai é dizimar milhões em audiências. Deixe lá ver, como é que o posso ajudar. Está a planear suicidar-se ou morrer de forma espectacular nos próximos dias?

Cidadão: Não...

IF: Tudo bem, talvez não seja preciso ir por aí. Familiares ou criancinhas fechadas por si em caves ou buracos, arranjam-se?

Cidadão: Está a brincar??!!

IF: Ok, ok, já vi que com essa disposição nem vale a pena perguntar se por acaso não é casado com a Maddie ou a tem embalsada junto à lareira...
E laboratórios interessados em contratá-lo hein? Tipo assim uma cena inovadora, cientista e o seu vírus recebidos em delírio no novo laboratório. A loja anuncia que a bata com o seu nome já está esgotada. Isso era bom!

Cidadão: Oiça, as coisas não funcionam assim. Eu sou respeitado, mas...

IF: Não funcionam, diz ele. Epá, se o respeito lhe chegasse não estava aqui. Conhece ao menos o Ronaldo?

Cidadão: Quem?

IF: O futebolista pá, o gajo que bateu o seu próprio recorde de transferências, quando o Inter Alberto João Jardim ofereceu Portugal ao Real Madrid para o contratar.

Cidadão: Não.

IF: E alguma das mulheres dele? A Paris Hilton, a Shakira, a Susan Boyle ou uma das outras?

Cidadão: Também não.

IF: Estou a ver que não vamos lá. E o gato dele, o Ronronaldo?

Cidadão: Ainda menos.

IF: Amigo, assim não vai dar. Chega-me aqui sem referências, só me pode avançar com a cura do vírus da SIDA e eu não estou a ver como o posso encaixar no nível que pretende. Não chega uma entrevista no “Memórias do Baião”, tem que ser mesmo noticiário? É que o João tem Alzheimer e você vai poder falar do que quiser.

Cidadão: Eu sou uma pessoa séria, só quero falar sobre esta descoberta maravilhosa, mas com dignidade. Você está a irritar-me, seu biltre.

IF: Está disposto a bater-me?

Cidadão: Muito facilmente.

IF: Então fazemos assim. Eu tenho aqui um abre-latas, você dá-me dois socos, e ameaça infectar-me com a cura da SIDA. Eu ligo para a regie, temos aqui um directo. Você diz que só fala com a minha avó, a Judite de Sousa e quer que o Marcelo, mesmo já cego de um olho leia a sua dissertação na diagonal. Que lhe parece, chega-lhe?
Amigo, onde é que vai, oiça lá... Volte, olhe que é boa ideia. Se for à TVI olhe que o fecham no escuro com a Moura Guedes.
Vá lá, volte lá.

2.7.09

Nollywood here I come

Meus caros, está resolvido. Quem me conhece sabe que, para além de deslumbrar diariamente na minha actividade profissional principal (Cobrador do Fraque), tenho um vasto interesse pela escrita de humor (e não só), assim como pelo guionismo.

Apesar de não pertencer a nenhuma pandilha organizada do ramo (mantenho-me fiel ao Clube do Macramé), interessam-me sempre novos projectos e desafios e, como tal, assim cheguei a Nollywood.
Para quem já pensou “Ó urso, é Hollywood ou Bollywood que queres dizer?”, deixem que aqui o Puff vos elucide – é mesmo Nollywood e refere-se à indústria cinematográfica da Nigéria que, em termos de volume de produção já ultrapassou os americanos e já só tem os indianos pela frente.

Vendo este mercado em clara expansão, não hesitei, sorvi a cultura nigeriana e aquilo que faz mexer o cinema local, bebi um copo de água para desembuchar e deitei mãos à obra. Eis seis pequenas sinopses de múltiplos temas que, pelo que sei, foram muito bem recebidas pelos executivos locais.

Título: O Tubo / The Pipe
Género: Policial
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, lança-se numa investigação para saber quem acendeu o cigarro segundos antes da explosão.

Título: Pelo Tubo / Down the Pipe
Género: Drama
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, mergulha no mundo do gamanço em oleodutos, para tentar saber o que levou o seu irmão a acender um cigarro, segundos antes da explosão.

Título: Rico Tubo / She’s not my Pipe
Género: Comédia
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, lança-se numa série de peripécias para não explicar à família porque acendeu um cigarro segundos antes da explosão.

Título: O Tubo Sentido / The Pipe Sense
Género: Terror / Sobrenatural
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, mergulha no mundo da feitiçaria africana e, com a ajuda do Prof. Bambo, convocam o espírito do irmão para acabarem de fumar o cigarro que tinham começado segundos antes da explosão.

Título: Ao longo do Tubo / Through the Pipe
Género: Romance
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, afoga as mágoas lançando-se num tórrido romance com uma meretriz local que viu, pela primeira vez, a fumar um cigarro segundos antes da explosão.

Título: Tubo / In Tubis
Género: Manoel de Oliveira
Sinopse: Samson, jovem nigeriano, morre numa explosão ao tentar gamar petróleo de um oleoduto local. Seu irmão, Abiodun, não faz nada. Catherine Deneuve passa ao longe, em Sintra.

1.7.09

Febre de museu à noite


Hoje já não é segredo que gosto de visitar museus. Em miúdo tive de o fazer às escondidas, pois no meu bairro puto que ia a museus estava a um passo de se tornar escuteiro e isso não era abonatório para a nossa integridade física.
Sempre achei isso positivo, porque te obrigava a estar sempre alerta: do ponto de vista cultural aprendias muito nos museus, do ponto de vista do cabedal porque não era raro intervalares festivais de impressionismo com festivais de pancadaria.

O problema foi sempre: os museus nunca foram promovidos como sítio cool, pelo menos na idade certa para isso. Não o foram quando eu era miúdo, não o são agora certamente, mesmo que me venham dizer que às 5as agora a malta tem os museus abertos até à meia noite.
É uma questão cultural, famílias inteiras vieram de todo o país para um piquenique com intoxicação musical incluída (Toni, tu és o Ronaldo da música), mas nem duas trotinetas se encheriam se o piquenique fosse na Gulbenkian com visita ao museu incluída.

Mas, como se muda isso? Lavagens ao cérebro e começar tudo de novo? Pode ser que isso seja um plano secreto das novelas da TVI, mas não me parece. A questão é que a dinamização dos museus, por exemplo em Lisboa, está a anos luz de outras metrópoles, onde aproveitar a oferta cultural é tão natural como ir passar uma tarde ao centro comercial. Cá, a noção geral de oferta cultural deve ser para aí o cheque-brinde da FNAC.

Alargar horários serve apenas para alguns baterem palmas e aumentar a circulação do ar durante algum tempo. Alarguem antes mentalidades – é mais difícil, demora mais tempo e na volta... não serve de nada (pensavam que isto ia ser profundo não era?).

29.6.09

Nomenclatura para organizações de gente alienada

A par de um duche gelado tomado a rigor, de fato e gravata, antes de sair de casa gosto de me refrescar pela manhã com notícias que me provam que há gente em pior estado mental do que eu.

Sendo assim, foi com alegria que descobri , através deste espantoso relato, que existem organizações com nomes desta craveira - Rede Internacional de Pessoas que Consomem Drogas (INPUD) e o movimento português CASO (Consumidores Associados Sobrevivem Organizados).
Primeiro que tudo, maravilha-me o facto desta malta ter efectivamente a capacidade de se organizar. Já não me parece tão extraordinário a forte possibilidade destes nomes terem sido obtidos sob o efeito das suas matérias primas favoritas.

Rede Internacional das Pessoas que Consomem Drogas parece-me uma organização que se manifesta quando a polícia apreende contentores de drogas, apelando à liberdade dos narcóticos e que organiza exposições das melhoress fotos de apreensões policiais, daquelas todas direitinhas, com pacotes ordenados por volume e tudo. Parece-me ainda que é gente para lançar o cartão DrugPlus, com descontos nos principais postos de abastecimento e a oportunidade de trocar pontos por seringas, cartões de plástico, garrafas de água e, expcionalmente, comida.

Já o movimento português, parece-me um CASO sério. Não sei se é a rima Consumidores Associados / Sobrevivem Organizados, se é o facto de ver que nem os arrumadores se conseguirem organizar, mas parece-me pouco credível. Depois houve a necessidade de transformar a sigla numa palavra, levando-me a pensar que os consumidores de ecstasy e LSD têm preponderância no grupo, o que leva à conclusão que num dia podem estar a lutar contra a discriminação do toxicodependente e no dia seguinte pela defesa dos ninhos de elefantes verdes na Assembleia.

E, sendo este um texto escrito no âmbito da EDIOTA (Escritores Desorganizados mas Interventivos, Opinativos e Totalmente Amorosos), sei bem o que se passa nos movimentos associativos menos considerados. Simplesmente, eu não consumo drogas.

As drogas é que me consomem a mim.

The drugs don’t work, Ben Harper cover

26.6.09

Consternação, horror e outras palavras de bom porte

Vou começar por despachar já o assunto – Michael Jackson morreu. Fui dos primeiros a saber, não através do Twitter, mas porque a Alexandra Solnado me ligou a dizer que Jesus se tinha desbocado.
Nos próximos dias isso significa que o Cristiano Ronaldo só vai poder continuar a galar a sua própria cara ao espelho, que o Jacko vai fazer tanto dinheiro como nos útlimos dez anos e que finalmente vai acabar a novela mórbida e restará aquilo que realmente vale a pena – a sua música.

Mas, o meu verdadeiro horror do dia não teve a ver com a notícia que faz com que Portugal pudesse levar com uma bomba atómica em cima e ainda assim não ser tema de abertura em noticiário que se preze.

Não é que ontem se cruza comigo um indivíduo, para aí com 50 anos, sem ar de andarilho (e acreditem, eu sei o que é ter ar de andarilho) e quando vai a passar por mim diz alto e bom som “BOI”.
Estando eu na proximidade do Campo Pequeno, primeiro pensei que era um alerta para algum bovino desgarrado à solta. Mas, ao virar-me constatei que o único animal à vista era aquele com quem me tinha cruzado.

Pensei então que o Sr se estava a apresentar, mas como não ficou para conversar e isto não era um encontro de “Speed Greeting”, descartei a hipótese.
Restavam duas opções: doido varrido ou estava efectivamente a insultar-me. Não consegui decidir-me, pelo que não fui a correr atrás dele para um ajuste de contas.
No entanto, à cautela, tirei o piercing-argola do nariz, só para tirar isso a limpo numa próxima ocasião.

Jackson 5 – Blame it on the boogie

19.6.09

Parábola do coelho, da hiena e da piada


Tempos houve em que os animais (para além dos políticos) falavam. Possivelmente porque não havia tantas restrições sobre hormonas e medicamentos administradas em animais, mas adiante. O que interessa é que falavam e tinham sempre coisas interessantes para dizer, como era o caso do coelho.

O jovem coelho era uma espécie de ídolo do stand up da altura. Sempre de piada em riste, percorria os palcos, da savana ao círculo polar, divertindo a bicharada como se não houvesse amanhã. Sendo um animal, o seu humor era bestial, mas tinha um toque de requinte que nenhum dos outros animais conseguia acompanhar.

O seu fã número era a hiena. Fã de uma boa gargalhada, seguia o coelho para todo o lado, e não havia devoção maior. Ao fim de vários anos, encontrou o coelho à entrada de uma reserva natural, onde este ia dar uns espectáculos. Aproveitou a ocasião e resolveu meter conversa:

Hiena – Grande coelho pá, tu é que a sabes toda. Admiro imenso o teu trabalho. Epá, só de pensar naquela do urso polar que era bi. Ah, ah, ah!

Coelho – Obrigado, mas olha que isto dá trabalho. Sempre a saltar aí de um lado para o outro.

Hiena – Epá, ah ah ah, sempre a saltar, muito bom, tu estás lá. Diz-me lá, qual é o segredo para ser tão engraçado, curtia saber ah ah ah!

Coelho – Bem, suponho que...

Hiena – Ah ah ah! Epá, sempre a dar-lhe. Tu não perdoas coelho, ah ah ah!

Coelho – Sim, mas...

Hiena – Ah, ah, ah. Pára, pára, que eu não aguento. Ah ah ah!

Já meio irritado, o coelho salta para o trilho, pronto para se fazer à estrada. Virou-se para a hiena e diss:

- Olha, v....

Distraído, não reparou no jipe da reserva e ficou, como se dizia na época, esmigalhado.
A hiena ficou estática por uns segundos. Abriu a boca, fechou, olhou para o que restava do coelho e finalmente conseguiu articular alguma coisa:

- AH AH AH AH AH AH AH – as lágrimas brotavam-lhe dos olhos – LINDAAAAA. GRANDE COELHO, sempre a bombar. SEU GRANDE MALUCO. AH AH AH AH AH!

E depois, foi andando.


Moral da história – As melhores piadas surgem muitas vezes por acidente, mas desprezar até o fã mais idiota pode ser a morte do artista.

18.6.09

Saída do armário a 300 metros


Convenhamos, ser gay e sair do armário já não é o que era. Sim senhor, ainda há casos em que isso causa grande emoção, etc e tal, mas a verdade é que os tempos mudaram e quando se vê “Música no Coração pela 43a vez” aquilo já não é propriamente novidade...

Vislumbre-se um episódio jovem a sair do armário com os pais:

Jovem – Mãe, pai, vim cá jantar hoje para vos dizer algo importante.

Mãe – Ó filho, pensei que viesses por causa do cabrito.

Jovem – Sim, o cabrito é sempre bom, mas eu...

Mãe – É por causa de seres gay?

Jovem – Mas...já sabiam?

Pai – Então, mas tu achas que somos parvos? Olha, passa aí as batatinhas.

Jovem – Eu sei que não é fácil, mas acreditem....

Pai – Não é fácil? Difícil foi a tua mãe preparar o cabrito. Mas olha, se já te decidiste, aproveita e vê lá se convidas o teu primo Hugo para sairem mais à noite.

Jovem – O Hugo é gay????

Mãe – O Hugo e a filha da Arlete, a Carminho. Esteve cá a lanchar com a namorada a semana passada.

Pai – Era simpática a rapariga, despachou-me foi meia garrafa de aguardente.

Jovem – Eu não sabia...

Pai – Pronto, não fiques assim, agora já sabes. E, quando puderes, traz-me daquele creme que tinhas para a cara aqui na casa de banho. É que me faz um jeitaço para depois da barba.

Jovem – É que, nem no emprego sabem...

Mãe – Falando em trabalho, o teu pai diz que abriu um escritório de consultores lá no edifício dele Acho que têm assim um ar bem cuidado e essas coisas. Tu no teu CV dizes que és gay? Olha que podia dar jeito...

Jovem – O que é que isso tem a ver? As pessoas não têm nada a ver com isso. Cada um...

Pai – Mas filho, tu é que vieste falar connosco....

Jovem – Epá, vocês são impossíveis. Eu vou andando...

Mãe – Olha, leva cabrito!


Como se vê, necessitamos de novas saídas do armário para dinamizar a expressão. Talvez pessoas que gostassem de dançar em ranchos ou contabilistas que gostem de declamar poesia lírica. Não se acanhem, eu já assumi o meu amor pelas rendas de bilros.

Little Boots, New in town

16.6.09

Se vai de férias, visite pessoas


É certo e sabido que este blog tem sido maltratado, nomeadamente por mim, mas a verdade é que, tematicamente, isto nunca foi bem tratado. No entanto, achei que era altura de ele crescer e, como tal deixei-o sozinho para ver como se safava. Tal como eu pensava, os blogs são um bocado lerdos, e este ficou assim para o parado.

Volto agora para lhe limpar a baba (não me refiro a si, prezado leitor) e volto com dicas de elevado gabarito. E, acabando por agora a temática de viagens, não o faço com mais fotos de New York City e relatos de fatias de cheesecake do tamanho do Bruno Nogueira.

Nos guias turísticos não vem isto, mas é bom visitar pessoas, quando se vai para fora. Para já, ao contrário dos monumentos, respondem-nos e dão-nos informações, ao passo que os monumentos e coisas parecidas ficam para ali paradinhos a fazer-se à fotografia.

As pessoas são ainda a base de boas histórias de férias. Desde o porteiro que apreciava brincar com a dentadura, ao oriental que tentava “sugar” energia das obras de arte no Metropolitan, passando pelo empregado de recepção que me pediu para lhe traduzir para inglês o que hóspede espanhola gritava ao telefone (e que era “Está um bêbado aos murros e a mijar-me na porta do quarto”) isto são só exemplos das últimas férias. As gajas e os gajos bonzões (ou as crianças, se costumam fazer férias pedófilas), as pessoas irritantes e os personagens, é essa tropa toda que vai diferenciar as vossas férias das dos demais. Porque as fotos e os sítios vão estar lá para todos, salvo catástrofes naturais (incluindo doenças venéreas e pandemias).

Finalmente, só as pessoas nos sítios a que vamos de férias têm curiosidade genuína em saber o que cada um de nós faz ou como é a vida em Portugal. Muitas vezes é só para ver se compensa matarem-nos e roubarem a nossa identidade, mas não deixam de ser uns minutos de conversa interessantes, que nunca temos hipótese de pôr em prática no quotidiano. Aliás, a última vez que tentei pôr isto em prática nos transportes públicos fui posto fora antes de chegarmos às Galinheiras.

Sendo assim, recomendo – lá fora, nem que seja para variar, aproveite as pessoas (não confundir com “aproveite-se das pessoas”).

Thievery Corporation, El Pueblo Unido

1.6.09

Viagens a New York – o que não te dizem nos guias

Então, essas férias? Não é preciso responderem, isto é o que se chama um cumprimento retórico, apesar de ser uma pergunta que tenho ouvido com frequência nos últimos dias. Essa e “Quando é que pagas a guita que me deves?”.

Pormenores à parte, podia vir agora todo ufano falar-vos do requinte que é ir a NY, de tudo o que se pode por lá fazer e não é (muito) ofensivo relatar e ou de como dei uma cabeçada numa gaja do Sexo e a Cidade. Mas, sabendo eu que uma paragem no blog de 3 semanas deve ter deixado este espaço estilo escritório em que foi dada tolerância de ponto, não vou continuar a escrever para mim próprio. Para isso já me bastam os postais de Natal.



No entanto, irei deixando aqui um pequeno guia de curiosidades, caso algum incauto venha cá parar através da pesquisa do Google, por outras palavras que não “Miúdas desinibidas, canalizador, pickles ou moonwalking”.

1º - No avião – Nos vôos de longo curso, os monitores individuais permitem que cada um escolha o filme/série/etc que quer ver. O que é óptimo, mas aumenta o efeito típico dos transportes, em que o vizinho cobiça sempre mais o que estamos a ver do que ele próprio escolheu. Ah e no quadro de visualização do mapa de viagem na altura de partir, para além de Lisboa consta também a Amadora, destino muito popular para o viajante mais exótico.

2º - Comissários/Assistente de bordo – as companhias estrangeiras mimam os passageiros portugueses com humor de cabine, já que entre vôos Lisboa-NY têm sempre um luso-descendente açoreano ou um brasileiro radicado nos EUA ao serviço. Não imaginam a piada que isso confere ao ouvir traduzidas para português umas monótonas indicações de segurança, avisos de turbulência ou respostas pedidos feitos por passageiros armados em espertos, vulgo eu.

3º Entrar nos USA – Para além de parecer que se está na secção de maquilhagem do Corte Inglês, dê cá uma mãozinha, depois a outra, mostre esses olhinhos, sim senhor está aí um turista todo janota, os aeroportos americanos têm a vantagem que parece que estamos logo em Times Square, tal é a montanha de gente de todos os lados. Os japoneses eram os mais fáceis de distinguir, não pelos olhos em bico, mas sim pelas máscaras anti-gripe ex-suína, tipo A apanhe ali o acesso H1N1. O tipo que me admitiu, um tal de Watkin, fê-lo com uma afectuosidade que o meu ar moreno ligeiramente árabe nos dias de Verão deve ter despertado. Sorte que o carimbo foi no passaporte e não no peito, senão lá se iam umas costelas.

Vão-se entretendo a contar prédios, que eu já volto.



Fun Lovin' Criminals - King of New York

10.5.09

Três pontos para o país de Mak

Ora pois, isto tem andado complicado mas dou cá um saltinho, tarde e a más horas, só para dizer de minha justiça.

Ponto 1 - Vasco Granja não morreu.



Para quem, como eu, pertence a uma faixa etária em que os desenhos animados da infância tiveram a presença deste senhor pelo meio, intervalando sempre desenhos que nos eram familiares e simpáticas plasticinas checas ou bonecos experimentalistas da Ossétia do Sudoeste. É certo que muitas vezes podíamos até não perceber a riqueza que nos era passada, mas o certo é que ainda hoje falamos nela com carinho e boa disposição. Era um bocado como se o nosso avô nos contasse umas histórias de adormecer e pelo meio metesse uma falada em russo. Não deixávamos de gostar quer da história, quer do avô.
O Vasco Granja terá lugar cativo na minha memória, como o tem na de muitos outros que pensam como eu. E, a confirmar-se que nos arquivos da RTP desapareceram grande parte ou todos os registos das suas intervenções em programas, isto só prova que há plasticinas checas que fazem mais sentido na cabeça de qualquer criança, do que certas decisões alguma vez farão na cabeça de adultos.

Ponto 2 - Caça ao Porco



Já decidi, com a febre com a gripe do porcos, vulgo A aí à solta, safo-me mais disfarçado de suíno do que com a roupinha do dia à dia. Pelo menos, o trabalho com disfarce não é muito e aposto que entre porcos não se fala tanto da javardice e da gripe dos humanos.

Ponto 3 - Start spreading the news



Lá está, se fosse só para dar notícias nem cá punha os caracteres. Como também é para meter nojo, cá estou eu prazenteiro. Então vou só ali dar umas braçadas até encontrar uma senhora com um facho na mão e já volto. Saudínha jovens e que a vossa labuta faça o país andar para a frente, que assim a minha viagem de regresso é mais curta.

Beastie Boys, No Sleep 'till Brooklyn

30.4.09

Perguntas, idiotas e perguntas idiotas

Dentro das muitas perguntas que rodeiam as capacidades humanas, algumas têm resposta fácil. Infelizmente são aquelas que têm que ver com o nosso virtuosismo de fazer perguntinhas idiotas.

Senão vejamos: no campo amoroso haverá alguém que pergunte “Amas-me?” esperando ouvir outra coisa que não seja um “Sim” (Exclui-se deste exemplo pessoas que fazem esta pergunta com uma peça de cutelaria escondida na mão). Já no campo do trato social, um bom exemplo é a pergunta “Então estás melhor?” feita a gente que encontramos depois de ausência por doença é tão óbvia que para além do “Sim / Um bocadinho” só se admite um “Não, estou a morrer, mas quis contagiar o maior número de pessoas possível antes”.

Encontrar perguntas idiotas ou pré-formatadas é fácil, pois as pessoas (à minha excepção) não são perfeitas e têm inseguranças, falhas comportamentais ou são, pura e simplesmente, assim para o parvo.

Eu perdoo isso às pessoas porque também erro (por exemplo devia ter posto algo mais forte que “parvo” no parágrafo acima). Mas, caso pior é o das as instituições, que deviam ter mais juizinho, mas em vez disso são aquelas que fazem as perguntas mais idiotas e não me estou a referir apenas às portuguesas. Prova disso mesmo é o questionário para autorização de vôo até aos EUA. Qualquer uma das perguntas feitas só tem uma resposta possível, a não ser que a pessoa goste mesmo de preencher questionários online por desporto ou queira acumular pontos para enviar um currículo para a Coreia do Norte.

Se tiverem paciência vão lá ver, mas fica ao meu exemplo favorito:



De facto, a semana passada, entre um jogo de basket e um jantar de amigos passei umas horas a fazer sabotagem e já se sabe que os fins de semana grandes são bons é para um genocídio à maneira. É melhor dizer que “Sim”.
Mas, outro pormenor tem a ver com as perseguições nazis entre 1933 e 1945. Se for a partir de 1946 estamos safos, porque na altura da 2a Guerra Mundial é que aquilo não era só um hobbie. Além disso se, na melhor das hipóteses, alguém tivesse 20 anos e andasse armado em nazi a perseguir malta em 1945, teria agora 84 anos. Dá-me ideia que se não foram apanhados até agora, não se devem descair no questionário. “Então Sr. Muller, 60 anos a fugir às autoridades por ter sido nazi e agora é que diz que sim no questionário? Ai, ai, ai, já não vai a Miami nem come puré de maçã ao jantar. Seu maroteco, vá lá brincar com Sr.Alzheimer”.

Depois sou eu que sou parvinho...

28.4.09

A vida sexual dos pombos



É certo e sabido que os pombos cagam de alto para a vida das pessoas. Já o fazem há muito tempo e não é exagero dizer que isso faz parte da sua natureza. E não mudam por ninguém, nem sequer pelos idosos que fazem de milho e pão seco bonitos tapetes-refeição ou pelas estátuas que ajudaram a redecorar ao longo dos tempos.

No entanto, já eu não consigo fazer o mesmo em relação aos pombos. Não só porque as leis da física me impedem de tentar proeza semelhante sem a coisa correr mal, como pelo facto que me preocupam certos aspectos na vida deles. Por exemplo, se eu não recomendaria a amigos meus que comessem beatas, também me faz confusão que os pombos as comam à bruta. Ainda por cima estas nem sequer são religiosas.
Mas, acima de tudo, uma vez que há quase tantos pombos em Lisboa como há romenos a pedir nas ruas, há um factor que me intriga sobremaneira – onde raio andam os pombos bebés ou onde raio é que os pombos fazem os ninhos?

Não me lembro de ter visto um pombo júnior, mas eles multiplicam-se em grande. E não me dá ideia que sejam precisas clínicas de fertilidade. Aliás, deve bastar um resto de pastilha e uma poça de água suja para um jantar romântico entre pombos. Depois, bem depois é a história da pomba e da paz, paz, paz.

O certo é que podem ser sujos, estúpidos, odiáveis, transportar doenças, ter pouco critério a escolher locais de refeição e uma forma estranha de deixar a sua marca na vida das pessoas (e na roupa). No entanto, levam a história da vida privada muito a sério e, pelos vistos, protegem bem os filhos. Coisa que muita gente às vezes parece não saber fazer.

27.4.09

O tempo musical


Começo por desiludir-vos aos três se pensam que isto vai ser uma rica composição sobre música. Caso a imagem ainda não vos tenha elucidado, é sobre o binómio decadência-aparência e a sua aplicação ao mundo do rock que estas linhas vão incidir.

O mundo do rock tem uma mística que funciona da seguinte maneira – as músicas vivem para sempre, os músicos/bandas vivem a pensar que o mesmo é válido para eles. E, se é verdade que nalguns casos isso vem mesmo a acontecer, os ditos rockers já não estão cá para comprová-lo, já que é preciso que estejam mortos, para que se possa dizer que vivem para sempre. Parece estranho, mas com a dose certa de álcool e medicamentos tudo acaba por fazer sentido.

No entanto, eles tentam e os fãs agradecem, pois claro. As artroses aparecem, as vozes às vezes desaparecem e não há maneira de serem encontradas e o ar rebelde ou sexy dá lugar a um ar que prova que o mundo do rock é tipo máquina de lavar a roupa, mas sem usar amaciador.
Os concertos, consoante o sucesso da banda, não param 10, 20, 30, 40 anos depois da formação da banda e se alguém decide morrer um bocado mais cedo do que é previsto, ainda se tenta de novo trocando esse membro por outro, preferencialmente vivo.

A questão é sempre: será que vale a pena? Será que ver, usando o exemplo visual, um concerto dos AC/DC hoje é o mesmo que os ver há 25 anos? Acho que depende das pessoas, eu por exemplo gosto de manter uma imagem da memória de uma banda no seu auge e não a caminho da reforma activa. É certo que há bandas que envelhecem bem, mas são mais raras do que aquelas que congelam no seu auge e depois vão replicando sempre aquele período, mas cada vez mais em declínio.
É que, ao contrário da música clássica, em que as grandes obras podem ser sempre interpretadas pelos melhores executantes do seu tempo (um chamado cover em rock), a mística torna cada banda rock de sucesso em algo único. E isso, só o bom senso ou tempo podem decidir quando é altura de parar e, quem sabe, viver para sempre.

We have band, Oh!

24.4.09

E assim se vai uma semana

Como devem ter reparado, a vossa vida esta semana foi um pouco mais cinzenta e faltou algum daquele brilho que vos torna tão queridos entre as duas pessoas que vos suportam.
Garanto-vos que não fiz de propósito, já que se passou comigo o mesmo que com esta rapaziada, mas de forma metafórico-profissional.

Não envolveu bolas vermelhas na boca e animação condizente, mas o efeito foi semelhante. Com a agravante que para a semana podem fazer o mesmo se lhes apetecer. Quando me disseram que tinha um trabalho liberal, esqueceram-se de mencionar estas alíneas.

Sendo assim, saudínha e bom fim de semana da revolução. Prometo que para a semana não prometo nada.