16.2.09

Save the pêlo



Depois de um fim de semana certamente cheio de coisas melosas, é chegada a altura de vos despertar a atenção para um problema realmente grave – a caça ao pêlo.
É certo que quando são os pandas, as focas bebé, os tigres, os papagaios loiros de bico doirado, toda gente fica muito comovida e promove lutas, estratégias de preservação, etc e tal para salvar os coitadinhos. Quando é o pêlo, já vale tudo para acabar com eles.

Depois de milénios ao nosso lado, a proteger-nos do frio, a fazer-nos passar por tigres dentes-de-sabre ao longe e a reduzir diferenças entre homens e mulheres, nós mostramos a nossa gratidão pretendendo erradicá-los a todo o custo. É verdade, não estão na moda, mas será isso motivo para legalizar tudo quanto é arma de caça de grande porte? É que dantes ainda íamos fazendo pequenos controlos de população pilosa, mas agora ele é laser, é foto-depilação, é bombardeamento dermonuclear, ou seja, tudo quanto é exterminação definitiva. Ainda por cima em qualquer esquina se encontra um traficante de armas anti-pêlo e cada vez mais homens e mulheres dispostos a aderir à causa.

Meus amigos, obviamente ninguém aprecia um bom bigode feminino ou umas costas alcatifadas, mas é preciso estudar soluções, porque o que muita gente está a fazer não tem volta atrás. E o Toni Ramos não fica cá para sempre. Depois queixem-se que já não há como passar a mão pelo pêlo ou que, de futuro, só se pode chegar a roupa à pele.
Ao menos que se estude a hipótese de se criarem reservas naturais para malta peluda, senão daqui a três gerações os miúdos não acreditam. Obviamente podem andar vestidos, apesar de ninguém dar pela diferença...

13.2.09

Um Bazar nunca vem só

Ah pois é, sexta feira 13 e véspera do Dia dos Namorados. Aposto que estavam à espera de um post sumarento, especialmente com matéria prima desta à solta.
Mas, azarito, tenho que estar a empregar os meus dotes de entertainer noutras frentes, mas prometo voltar com um report especial na próxima semana.

Antes que as vossas lágrimas ensopem o teclado e tenham problemas com a garantia, deixo-vos um pequeno mimo. Uma pérola do mundo musical que, acreditem ou não, chegou ao top20 no Reino Unido. No entanto, não pensem que esta prenda minha é só um aviso e que amanhã levam um ramo de flores e chocolates. Não se orientem por vocês que ainda acabam o dia a ouvir o "All by myself" da Celine Dion.
E isso, meus caros, é pior que qualquer sexta-feira 13.

11.2.09

Mak & Duca 2 - Tira Indiana

Depois de ter visto o resultado final da primeira tira, esta artista do boneco só precisou de duas semanas de medicação e álcool para voltar a aceder a fazer nova parceria. Os resultados, assim como a desgraça, estão à vista, pelo que só espero publicar nova tira lá para Agosto.

E agora, tandoori que se faz tarde.

9.2.09

Roupa de estimação, essa fiel amiga



Tirando os maluquinhos que renovam guarda roupas inteiros como quem come um pires de tremoços ou os extremistas do nudismo, raras serão as pessoas que não têm uma ou mais peças de roupa de estimação.
Não é preciso pensar muito, no meu caso, para me lembrar de duas ou três tshirts que já deviam ter metido os papeis para a reforma ou terem começado a aproveitar a velhice para experimentarem actividades radicais, como por exemplo o trapismo.

Mas, lá vão sobrevivendo mais coçaditas, longe da glória da estreia, mas sempre muito práticas para uma qualquer ocasião que não ofenda a moral pública. Se formos a pensar bem, devem haver pessoas que têm mais peças de roupa com 10, 15 anos ou mais, só porque gostam mesmo delas, do que amigos de tão longa data.

Eu até percebo a coisa. A roupa não nos desaponta, não falta ao prometido e, se não lhe ligarmos nada durante muito tempo, ainda assim está sempre disponível mal lhe demos um toque. Quer a malta engorde ou emagreça, ela é paciente e não se ri, mesmo que esteja a rebentar pelas costuras. Enxuga as nossas lágrimas se formos ter com ela quando estamos tristes, mas também aceita a nossa baba, quando somos porcalhões.
Ok, não nos empresta dinheiro, nem vai ter connosco se estivermos enrascados ou em baixo, é verdade. Mas, coitadinha, sem nós também não vai a lado nenhum e a etiqueta, ao fim de tantos anos, já deixa alguma coisa a desejar.

Até face aos animais domésticos a roupa de estimação revela algumas vantagens ao longo dos anos. Sobrevive à máquina de lavar e ao ferro de engomar com mais facilidade e, quando a levamos à rua, não arranja confusão com a roupa das outras pessoas. Além disso, a conta da 5aSec é, por norma, mais baixa do que a do veterinário.

Visto tudo isto, com o Dia dos Namorados aí à porta, quer tenham cara metade ou não, o mínimo que lhe podiam fazer é irem com ela jantar fora ou oferecerem-lhe umas bolas de naftalina.
É que ela pode até nem ter sentimentos mas, por baixo desse pijama do Mickey, dessa camisola onde reina o borboto ou dessa tshirt das Bananarama devia bater um coração, seus desnaturados.

6.2.09

Trava línguas do Séc.XXI

Para grande parte das pessoas, raras são as deficiências ou falhas próprias que gostem de referir em tom divertido ou sequer mencionar em voz alta. Isto se não contarmos com os trava línguas.
Esse tipo de expressões continua a fazer o encanto de miúdos e graúdos, que repetem até à exaustão frases que dão origem a muito cuspo e gafanhotos, engasganços, competições de erros e à glória eterna daqueles que superam tal desafio fonético.

Sendo uma actividade histórica e pouco renovada, o trava línguas peca no capítulo da inovação, ficando muito preso ao passado e dando às crianças poucas referências que as levem não só a cuspir-se todas, mas também a aprender um pouco sober o contexto histórico da actualidade. Senão vejamos dois exemplos antigos:

O rato roeu a rolha da garrafa do Rei da Rússia.
Um tigre, dois tigres, três tigres.


No primeiro, para além de estarmos a falar de um qualquer lugar muito longe das regras sanitárias exigidas pela ASAE, utiliza-se um título monárquico que não existe na actualidade e omite por inteiro os efeitos da Revolução Russa que caminha a largos passos para se tornar centenária.
No segundo, a este ritmo, será muito difícil para algumas crianças daqui a uns anos poderem ver um tigre ao vivo, quanto mais dois ou três. A perspectiva de estarmos a divulgar um cântico de traficantes de peles de animais também não melhora a coisa.

Estando atento às necessidades do povo, mesmo que não admitidas por este, apliquei algum do meu tempo para criar um novo trava línguas, mais actualizado e passível de ser ensinado por pais mais modernos aos seus filhos, mantendo intacta a festa de cuspo e javardice inerente ao tema em si. Assim sendo, olhai, memorizai e ensinai as gerações futuras com esta pérola:

O Mullah Omar vai mandar o molar ao mar.


Contexto histórico actual, preocupações de saúde e um certo misticismo na atitude de Omar que, apesar de ter um dente a menos, entrega-o nas mãos do destino, em vez de se lamentar do facto.
Não precisam de agradecer, a estupidez é gratuita.

5.2.09

Onde é que já vai o Millenium



Numa altura em que as séries televisivas em DVD, recentes ou recuperadas, assumem o papel das novelas dos tempos modernos chegou-me às mãos um clássico, via Amazon, que tenho na mais alta consideração.
Trata-se de Millenium, da autoria do Chris Carter, aquele senhor que se lembrou de em tempos criar uns tais de Ficheiros Secretos. Apesar de ser esta última a série que lhe deu fama e prestígio, vejo no Millenium (que decorre paralelamente aos X-Files, em termos espaço-temporais) uma série mais madura e mais intensa, ainda hoje actual e onde quase tudo o que se pede numa série bate certo.

Começando pelo genérico da 1a série, onde o grafismo e a banda sonora do parceiro habitual do Carter, o Mark Snow convivem com muita qualidade, pelo cast na mouche do Lance Henriksen como Frank Black o ex-profiler do FBI, pela cor e contrastes proporcionado pela escolha de Seattle para local da série (apesar de ser filmado maioritariamente no Canadá) e acabando no mais importante, no argumento/enredo.

A série já tem mais de 10 anos e obviamente tem falhas (o meu ódio de estimação é a mulher de Frank Black, retratada de forma compreensiva e "carneirinha" demais para um mundo real), mas para quem gosta da temática policial/fenómenos psíquicos, ou só anormais, aqui se vê um retrato cru que mostra muito mais as ilusões/profundezas da mente humana, inclusive no que tem de mais perverso, do que se ficar por explorar o filão do fantasma ou do ET. O mundo não é cor-de-rosa, as pessoas não são todas boas e convivemos com a angústia e o desconforto mais do que queremos.
A evolução da série também está pensada para nos envolver, partindo da base dos casos, até à compreensão gradual e mais detalhada dos personagens principais e ao desenvolvimento de factores que os rodeiam. O fim, apesar de aberto e até um bocado abrupto, mistura a insatisfação natural de quem acompanha uma série e querer ficar com tudo arrumado, com a vantagem de não haver aquele fim empacotado em que se pretende dar uma conclusão/resolução de toda a gente, tipo novel.

Sim amiguinhos, sou faccioso, gosto mesmo desta série mas, caso não conheçam, fica a minha recomendação para intervalarem com a série do Babar, os Sexo e a Cidade de Grey, os Dr. Houses que estão Lost, os Duarte&Companhia, etc.

Se não gostarem, pelo menos aprenderam alguma coisa sobre vocês – têm mau gosto.

4.2.09

Na TV, os espíritos levam a coisa a peito

Não sendo um entendido em espiritismo, não posso precisar com algum rigor científico o que vou afirmar em seguida. Depois de observar com atenção algumas séries televisivas que abordam a temática, sou levado a concluir que, quer falemos de espíritos ou demónios, há um factor que os atrai bastante, nos tempos modernos.

Basta olhar para a Medium, para a Ghost Whisperer ou até para boa parte do cast feminino do Supernatural para ver que essa história da bruxa velha com a verruga no nariz já não pega, tal como o vidente de ar tresloucado com poucos banhos tomados. As entidades do outro mundo agora querem é miúdas com atributos generosos, talvez tendo em conta pontos de contacto mais evidentes.

Assim, torna-se mais fácil perceber as razões que levaram a Maya a insuflar parte da sua anatomia. Possivelmente a recepção do sistema já não era tão boa.

3.2.09

Carla, Priscila, Barcarena

Vamos começar a sessão colocando os pontos nos i’s. Ponto 1 - Não sou crítico de cinema e acho que a profissão de crítico é estar a pagar, traço geral, por algo que a maioria das pessoas está disposta a fazer de borla. Ponto 2 – Gosto do Woody Allen e creio que terei visto 80 a 90% da obra do senhor, gostando mais de uns, menos de outros, mas sempre retirando alguma coisa de valor acrescentado. Até ontem.

O amantes do Javier Bardem (que é um excelente actor), da Scarlett Johansson (que é boa) e da Penélope Cruz (que é bastante overrated) que comecem já a tomar os anestésicos, porque isto vai doer. O mesmo se aplica à pandilha aspiracional do amor livre e do romance encantador e principesco e aos que sofrem de Woody Allenismo agudo.

A música de abertura é engraçada. Por cinco segundos. Depois, embora facilmente entranhável, torna-se altamente irritante. Confesso que o narrador externo, alheio à história, também não me agrada. Esse desagrado presta-se quer pela voz escolhida, quer pelo facto de eu achar que a história não tem trama suficiente para necessitar de um farol de orientação (nem sequer para fechar o filme que tem um fim aberto assim para o insípido.

O argumento parece aqueles jogadores da bola que prometem muito mas acabam por fazer uma carreira razoável a tender para o nula, sem nunca deslumbrarem. Sim, ideias de menages a trois, abordagens simples e directas sobre uma vida cheia de complexidades, paisagens quentes e convidativas e subtis chamamentos lésbicos com vedetas de Hollywood têm o seu encanto, mas... Aliás, nem me venham dizer que me escapou a fina ironia latente ou o gozo a alguns clichés. Não me escapou isso, assim como não me escapou o claro exagero que é a tia Penélope ser nomeada para o Óscar. Se gritaria, ar tresloucado, nuances artísticas e beijar a Scarlet Johansson dão direito a isso, então para o ano contem comigo na corrida.

Destilado boa parte do fel, a questão é que, segundo outros parâmetros, seria um filme aceitável, armado um pouco ao pós-modernito. Mas, sendo do Woody Allen, é um bocado como o Sergei Bubka fazer um salto à vara de 5,90m. Não está mal para os padrões actuais, mas está bastante longe do melhor que já fez. E não há Scarlet Johansson que resolva isso.

Posto isto, vou continuar a fazer o meu filme, cujo título podem já ver a dar honras de abertura ao post, sobre duas cabeleireiras da Linha de Sintra que conhecem um revisor da CP com uma visão diferente da vida.

2.2.09

Duelos no trabalho Round One

Estive a poucos centímetros de ser agredido no local de trabalho e vivo essa sensação com alegria. A emoção esteve ao rubro e só a sorte e dois colegas de peso considerável evitaram o pior. Tudo isto porque, ao ser confrontado com uma observação de “Então, essa barba não se faz? Estás a trabalhar para os sem abrigo?” resolvi ripostar à dita senhora a um nível condizente.

Esperei que ela pensasse que eu ia amochar e, ao virar da esquina, chutei “Estou a ver que também andas a trabalhar muito esse cliente de TV por Cabo. Até já aderiste à bunda larga e tudo”. Uns evidentes quilinhos a mais e falta de poder de encaixe fizeram o resto.

Quero por isso agradecer às corridas que tenho feito à hora de almoço pela velocidade e resistência conferida e aos dois artistas que ao sairem da zona do café funcionaram como barreira eficaz.

Posto isto, pode concluir-se que, disparadas as mesmas balas, mais valem uns pêlos a mais na cara do que uns gramas a mais na....


Kaiser Chiefs, Never miss a beat
(uma senhora no Disco Digital, falando dos concertos em Portugal, diz que eles cultivam a mediania e não arriscam e aquilo não passa dali, etc. Eu acho que os críticos musicais são como os restaurantes chineses - existem muitos, mas é difícil encontrar um que seja realmente de jeito)

30.1.09

Publicidade indianosa



Ao telefone:

Mak - Boa tarde. Olhe, queria fazer uma reserva.

Do outro lado - Sim, sim, diga.

Mak - Somos 83, gostávamos de ter a mesinha do canto e estamos aí por volta das 13.20.

Do outro lado - Eeehr (clic) tut...tut...tut...tut...tut

29.1.09

Roda e NRolla


Aproveitei o bom tempo da noite passada para fazer o que qualquer pessoa (a)normal faria – ir ao cinema. Para complementar essa decisão, nada melhor que ir estrear um cinema que abriu na zona há menos de duas semanas. Pena que haja gente a trabalhar nesse cinema que ainda não se apercebeu que aquilo já está mesmo a funcionar. Deve ser por isso que as sessões ainda têm um cariz algo experimental, com um ou dois cortes pelo meio do filme, uma senhora a abrir a porta da sala avisando que é para ir para intervalo de 10 minutos, enquanto pergunta no intercomunicador se deixa a porta aberta ou se tem que estar de plantão à espera que as pessoas voltem.

Mas pronto, deixemo-nos de fitas e passemos à fita em questão. RocknRolla do ex da Madonna, o tio Guy Ritchie (não, não é do tio do Sócrates). Confesso que não ia a pensar ver o filme da minha vida e, feitas as contas, trata-se de entretenimento e não filosofia em película. Tendo já visto os dois anteriores do senhor, que se inserem na mesma categoria “Lock, Stock and Two Smoking Barrels” e “Snatch” com o cigano do Brad Pitt, esperava algo mais.

É que, enre rotação de personagens e ajustes de guiões, parece-me que o filme é sempre o mesmo. É engraçado para quem não viu os outros, fica-se sempre à espera de algo que não surge caso já conheças o historial. Que o Guy goste de gangsters, de twists e de mafiosos russos, não há problema. Mas, num universo tão rico, continuar a fazer sempre o mesmo filme, com diferenças apenas superficiais e orçamentais?
Epá, sendo assim, que o Senhor nos proteja de que o artista chegue à idade do vetusto Manoel de Oliveira. 122 Filmes de gansters modernos que curtem gamar-se uns aos outros parece-me algo um niquinho exagerado.

Blackstrobes - I'm a man

28.1.09

Cristiano, desculpa lá o post anterior

Chegou ao meu conhecimento esta entrevista do Anderson, brasileiro que já passou pelo Porto. Tendo em conta a matéria, restam-me dizer três coisas:

1) Cristiano, desculpa lá, mas há no teu clube quem dê entrevistas muito mais divertidas do que tu.

2) É por estas razões que quem deve melhorar o seu inglês não deve desistir. Mesmo quando pensa que já percebe da coisa. E nunca, mas nunca dar entrevistas sem antes ensaiar com um amigo honesto que perceba de inglês e não tenha papas na língua.

3) Ole rite and gud nut.


27.1.09

Desconfiem de quem sofre de adultismo


Há pessoas que encaram “ser adulto” como se fosse um emprego. Coisa séria, bem regrada, com um manual de etiqueta que é suposto cumprir para não ficar de fora. Afinal de contas, somos todos adultos não é o que se costuma dizer entre adultos.
Ora a mim irritam-me as convenções. Talvez por isso faça o que faço, num ambiente não tão formatado como a maioria das coisas no mundo dos adultos (mas o vírus pega-se). Acho que só deixam de ter um lado mais infantil, pelo menos em parte, as pessoas que afogam a criança dentro delas (e isto não é um processo abortivo condenado por lei) com golfadas de comportamentos ditos adultos.

Ter maturidade e ser adulto não é a mesma coisa. A maturidade é um processo natural, o ser adulto é uma convenção social de coisas que “é suposto fazer”. Posso ser uma pessoa informada e ainda assim não ter que debater ao almoço pelo menos três tópicos nas notícias do dia. Posso gostar de fazer trocadilhos imbecis, sem isso significar que não sei fazer mais do que isso. Posso “ser crescido”, sem ter que ter uma postura grave e ponderada que, ainda assim, não é exclusiva de pessoas com carácter.

Que seja a personalidade de cada um a ditar comportamentos e não as convenções sociais. Só por si o termo convenção já denuncia um grupo de chatos unido para tomar decisões que não lhes competem.
Posto isto, vou ali praticar a eutanásia nuns quantos “adultos” que já morreram e ainda não deram por isso.

26.1.09

Alemães, Samba e o êxito do LSD nos anos 70

Há imagens que valem mais que mil palavras. Por essa ordem de ideias, há vídeos que valem milhões de palavras e este é um deles.

Não interessa que não percebas alemão. Interessa apenas que aguentes 30 segundos, para depois perceber que há ritmos latinos que nunca vão condizer com povos germânicos. Mesmo que eles se esforcem muito...

22.1.09

Mak & Duca

Naquilo a que se chama um alargamento de competências ou até mesmo diversificação de formas lúdicas de estupidez, este espaço chega à era da bonecada. Com a ajuda desta senhora, a ideia é que quinzenalmente ou semanalmente, consoante a vossa capacidade de sofrimento, seja publicada um tira educativa, onde eu próprio iluminarei o mundo das crianças com a bondade e profunda capacidade espiritual que me é inata.

Os argumentos serão miseráveis, a coerência e temáticas deploráveis. Só a desenhança terá um mínimo de qualidade. Pobre miúda, mal sabes no que te meteste.

Eis o primeiro momento cultural de BD (se não têm olhos de falcão, o mais fácil é clicar, porque ainda estou a testar formatos):

Nietzsche Liebe Dich

20.1.09

Ronaldolândia

Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo. A FIFA e France Football também acham isso. Ele também e aguarda que surja o prémio do melhor do Universo, porque chegados aí e comprado um planeta para a família, também ninguém o vai parar.
Tendo em conta estes factos, a RTP achou por bem falar com o rapaz de perto e mandar a sua Judite a casa dele, lixando desta forma os Contemporâneos, já que a Grande Entrevista é esta semana a referência de humor na RTP.

Cristiano preparou a entrevista, com muito treino específico, especialmente em termos de insistência no verbo “frisar”, que ele aplicou para cima de 20 vezes. Os grandes jogadores são assim, escolhem um verbo/palavra e tornam única a sua utilização. Veja-se o Figo e aquilo que tem feito por palavras como seguramente e naturalmente. Judite também treinou para a entrevista – entrevistando crianças durante duas semanas. Só isso explica o tom maternalista e a entoação infanto juvenil que deu às perguntas. Levou muito à letra o facto do forte do Ronaldo ser a velocidade e o drible e não tanto o jogo de cabeça.

Falemos do terreno de jogo – Numa das bancadas, os prémios, na outra, as fotos de família, criando a envolvência perfeita. Só faltou a lareirinha e umas espetadas de atum. Ângulos apertados para não nos dispersarmos dos protagonistas em campo. Ronaldo traja elegantemente, mas esquece-se dos ensinamentos da Nike. Se não queres que te vejam marcas de suor na camisa, o melhor é usares equipamentos Dry-Fit.

Momentos Chave da partida

“esgar” e “esgador” – Ronaldo refere constantemente estas actividades. Consta que têm a ver com futebol, mas também podem a ver com aulas de expressão facial em campo.

“A minha família é o meu suporte” – Quando o curso do Wall Street Institute interfere na vida de um jogador, a tua mãe rapidamente se pode tornar um centro de mesa.

“É verdade que quando chegou a Manchester, os seus colegas lhe ofereceram um carrinho-miniatura da Ferrari?” – (Ronaldo vê aí uma possível entrada dura sobre o seu acidente de carro) “Muita coisa que se publica sobre mim não é verdade” – Judite mostra qualidades técnicas, mas atrasa para o guarda redes, para o miúdo não ficar à rasca.

“Quando olho para o espelho, gosto daquilo que vejo” – Ronaldo não especifica se se trata do espelho no tecto do quarto.

“Tem que ser uma entreajuda entre todos” – Há muito que sabemos que a entreajuda individual tende a não resultar e o CR não é diferente.

“Sei quanto dinheiro tenho e sei que a carreira de futebolista não dura para sempre. Por isso tenho de fazer o melhor para depois conseguir levar uma vida razoável” – O banco mostra sinais de preocupação. Ou Ronaldo mostra sinais preocupantes de humildade ou há perturbações ao nível do uso da palavra razoável.

Sobre assobios nos jogos em casa e apoio à equipa – “Nós excitamos os adeptos, os adeptos também têm de excitar os jogadores". Em Inglaterra e arredores, mais de 500 adeptas sentem-se ofendidas e mandam SMS a Ronaldo relembrando algumas jogadas.

No final do encontro, a multidão sai satisfeita. O artista deu espectáculo e em casa sempre faz menos frio do que nas bancadas.

16.1.09

Realidade Humorística

Quando notícias como esta, nos indicam que Amy Winehouse está nas Caraíbas a ter aulas de malabarismo e acrobacia, começo a duvidar que seja preciso investir muito em ficção humorística. Não tarda nada, os blogs de humor serão substituídos por portais de notícias e, em resultado de um trabalho de sapa árduo ao longo de anos, um Telejornal como o da TVI será cada vez mais um concorrente de programas estilo Contemporâneos ou Gato Fedorento.

Depois cria-se um pequeno magazine de desgraçadinhos só para contentar aquele pessoal que não dispensa uma boa meia hora de misérias e catástrofes à hora do jantar.

15.1.09

Putos que andam à chuva, molham-se



Ao longo da minha experiência de vida, decidi durante uns tempos que seria puto. Ser puto é uma ocupação que demora o seu tempo e exige o seu método, uma fórmula que depois de deixarmos de o ser já não nos lembramos muito bem como é, mas que tem a ver com uma conjunção de estupidez, arrojo, despreocupação e pseudo-rebeldia, nem sempre combinadas de forma proporcional.

Ora dentro dessa minha fase de puto havia uma regra, que creio que ainda se mantém nos dias de hoje – Mesmo que chovam aos baldes de água usar um chapéu de chuva é careta e totalmente não-cool.
A base desse pensamento tem porventura que ver com o facto de que o chapéu de chuva não casa com um look jovem, nem com uma atitude radical ou simplesmente não dá para andar com as mãos nos bolsos. Serve unicamente para nos proteger da chuva e os putos se há coisa que não precisam é de ser protegidos, pelo menos assim se pensa na altura.

Uma vantagem de já me ter passado a vontade de ser puto a tempo inteiro é que percebes que, traço geral, o que podes retirar do facto de andar sem chapéu de chuva é, simplesmente, ficar encharcado. E quem anda encharcado, mesmo que o negue a pés juntos, tem muito menos vontade de ser cool, se calhar por já estar refrescado o suficiente.

Assim, posso dizer que hoje em dia, debaixo do conforto do meu chapéu de chuva do Noddy, quando me cruzo com um puto encharcado, mistura de rebelde e esponja para banho, sorrio (em pensamento, porque há aí putos ensopados que têm pouco sentido de humor) e penso: “Ai puto, com sorte um dia vais perceber que um chapéu de chuva não te tira o estilo, mas até lá aproveita as molhas o melhor que podes”.

Como é óbvio, ainda há adultos com alergia grave ao chapéu de chuva. Para esses, ser puto não é a desculpa, chama-se mesmo ser urso...

14.1.09

Para a Lisia Facial



Apesar de eu ser daquelas pessoas que quando vai ao dentista só sente realmente dor e medo na altura em que a broca entra na carteira, não é rara a vez em que saio de lá com um respeito maior pelo Sylvester Stallone.

Se já custa dizer "Adeus, bom dia e obrigado" com parte da boca paralisada da anestesia, imagine-se o que é interpretar guiões inteiros... Talvez por isso o jovem tenha feito maioritariamente carreira em filmes em que uma boa centena de murros vale mais que uma boa deixa.

12.1.09

Desmiolados

Naquilo a que alguns chamam de “safari”, resolvi este fim de semana ir às compras ao supermercado. Como é lógico, de entre os inúmeros divertimentos e atracções locais que este tipo de superfície nos oferece, há sempre alguns que se destacam.
Para uns são as discussões familiares, para outros são os tipos que ligam para casa a perguntar se o “pato” na lista é para comer ou se é WC Pato e há quem ainda goste mesmo é de um bom regabofe na caixa, com gritaria, talões, vouchers e muita confusão.

No meu caso, são as particularidades que me atraem. Ver que tipo de pessoas compram este ou aquele produto, por exemplo. Desta vez centrei as minhas atenções num dos meus ódios de estimação – pão embalado sem côdea. Apesar de ser um claro apreciador de pão na sua totalidade, não sou intransigente ao ponto de não perceber que há gente que não gosta dessa parte. Mas, meus amigos, a estupidez (que não é gratuita) de querer comprar o pãozinho já sem côdea... afecta-me o sistema.

Quero lá saber se as criancinhas rabujam, se ao velhinho lhe custa na placa, etc. Comprar pão sem côdea é assumir um capricho que só toleraria com um sorriso em doentes em fase terminal, infortunados sem bracinhos ou em últimos desejos de condenados à morte.
Não gostas de côdea?
Então e que tal separá-la em casa, partindo do princípio que não estou a falar com gente sem abrigo. Custa muito? Faz dói-dói? Eu duvido que numa dada estrutura familiar toda a gente odeie essa parte do pão e sofra de artrite reumatóide ao mais alto grau. Mesmo quem viva sozinho tem que se esforçar muito para justificar tamanha inutilidade.

Sei bem que quem inventa estas coisas faz muitos estudos antes para verificar se há ursos suficientes para dar viabilidade comercial ao produto. O meu desânimo é que uma vez por outra a malta podia dizer que sim em estudos e depois lixá-los e dizer “Ponham lá as fatias de miolinho num sítio que eu cá sei”.
Assim, prevejo que já tenha faltado mais para se venderem produtos pré-mastigados ou fruta descascada ao quilo.

E sim, depois de comerem essa sandes de pão sem côdea à pressa, podem responder.

9.1.09

Vacina de raiva

Tive a oportunidade de esta semana, pela primeira vez na vida, passar parte do meu tempo num canil. Sim, tenho as vacinas em dia e não, não fui apanhado desprevenido pela carrinha.
Sendo eu apreciador dos chamados animais de companhia, grupo genérico onde por vezes incluo as pessoas, posso dizer que é um sítio onde o ambiente é, no mínimo, opressivo.

Mas, acima de tudo, mesmo de cheiros, de sons e do esforço de pessoas que tentam fazer algo positivo desta situação, houve um raciocínio que me ficou na cabeça, por mais idiota que possa parecer:

As pessoas estão na prisão para pagar pelos erros que cometeram. Os cães (e também os gatos) estão na prisão (sentimento que o melhor canil não faz esquecer) maioritariamente a pagar pelos erros que as pessoas cometem.

Tendo em conta que no caso dos canis municipais a pena de morte/abatimento é uma solução comum, a expressão mundo cão ganha uma nova perspectiva desagradável, inevitavelmente para os cães, mas muito mais para as pessoas.

6.1.09

Oh My Zon!



Ao melhor estilo de Kusturica em "Paulo Branco, Paulo Negro", o responsável da Medeia produziu a melhor novela que vi nos últimos tempos e olhem que eu vejo cerca de zero.

A malta da Zon Lusomundo achou que o "Monopólio" pode ser algo bem mais divertido do que um jogo de tabuleiro e vai daí lançou o MyZonCard, que promete dar até 52 bilhetes à borla por ano a todo o sofredor que tenha penado com a ex-TvCabo em casa há mais de um ano. A campanha andou no ar e, desde ontem, que já se podia beneficiar dessa benesse, obviamente em cinemas Lusomundo.

O tio Paulo há muito que decidiu interromper o seu InterRail gitano para protestar com esta situação, gritando "Bandidos, gatunos, imperialistas e até monopolistas", pois que quem não tem cinemas Zon, já se estava a ver muito em off. Com o assunto na mesa desde Dezembro, altura incómoda para ter coisas na mesa para além do Bolo Rei e do bacalhau, a Alta Autoridade para a Concorrência foi-se empanturrando e empurrando a decisão para a frente com a barriga.

Até que hoje, a imprensa falou nisso de novo. À tarde, a Sra. Autoridade suspendeu o pobre cartão depois de um dia de trabalho. Quem hoje vá ao cinema para o usar novinho e fresquinho vai ter uma bela surpresa.

Eu tenho o cartão, mas de bom grado troco umas sessões à borla, pela "Balbúrdia no Oeste" que se avizinha.
É que sempre fui muito mais um gajo do Trivial Pursuit do que do Monopólio.

Os perigos da língua


Pois que diz a tradição que em Espanha seja hoje que muita gente troca as suas prendas. Alerto. no entanto, para um tipo de prenda que pode ser comum (e não tem de ser só aqui ao lado) dado o ritmo das festividades, mas que pode escandalizar as almas mais simples e cândidas.

Se o teu curso de castelhano não foi tirado no mítico Canal 18 e achas que já sabes tudo sobre esta matéria, certamente não vais precisar de clicar aqui para saber do que efectivamente se trata.

5.1.09

Para quem se passa pelas passas

Num breve sobrevoar do espaço cibernético, vejo que há muita gente que andou a caprichar nos doze desejos com as passas. No entanto, vejo que nunca ninguém se lembra do seguinte:

A) Se gostas de passas - Na última passa devias desejar que todos os meses possas comer 1 passa por semana com um desejo. É mais fácil planear desejos semana a semana do que para o vazio que representa um ano inteiro.

B) Se não gostas de passas - Faz um esforço, come a primeira e pede para que os próximos desejos sejam feitos a trincar camarões ou outra iguaria que te agrade. Guarda o último e faz o mesmo truque das passas.



Caso não acredites em nada disto, não sabes o que andas a perder. Quantas vezes já pudeste sentir-te como uma Miss Universo e desejar a paz mundial ou acabar com a fome no mundo?

Só para começar

Tendo a passagem de ano sido a simpática calmaria prevista, resolvi usar o resto do fim de semana prolongado para ir espalhar alegria por zonas mais recônditas de Portugal. Assim, localidades como Alter do Chão, Avis, Arraiolos, Crato, Pavia, Portalegre, Montemor ou locais mais recônditos como Lugar da Porca ou coisa que o valha beneficiaram da minha passagem e/ou presença neste início de ano.

Não posso dizer que tenha deixado obra feita ou sequer muita saudade, mas pude pelo menos retirar alguns ensinamentos que só o turismo estilo “vá para fora cá dentro” permite alcançar:

- O Posto de Turismo é teu amigo, mas não quer dizer que seja um amigo informado. Sim, a simpatia abundava e a informação chegou às minhas mãos facilmente. Pena é que, em dada localidade, dos dois restaurantes típicos referenciados, um substituía a ementa por uma placa “Vende-se” o outro tinha apenas um idoso sozinho à luz do “queima-moscas” ao melhor estilo do filme de terror. Tendo em conta que a terra era pequena, pouco sobrava onde comer, pelo que um simpático espaço onde a palavra “Migas” fazia parte do letreiro se mostrou uma escolha óbvia para quem procurava algo típico. Pormenor, o “Migas” referia-se possivelmente à alcunha da dona ou coisa parecida, pois não havia um único prato típico com as mesmas, apesar de se ter comido bem.

- Os sítios/monumentos de interesse vivem e morrem quase por si. A notícia de que a malta da UNESCO já avisou que há cá muito património a cair de podre não me surpreende, tarda só pela demora. Se é certo que vi muito castelo e edifício bem tratadinho, vi muitos outros ao abandono ou pelo menos com a clara indicação de que precisam de “carinho” e cuidados médicos arquitectónicos. Esperar que seja a malta da hotelaria a recuperar património é porreiro, dá gosto, mas não acontece sempre, até porque essa malta gere aquilo a que se chama – um negócio.

Isto são pormenores, não se pense que o Alto Alentejo é um deserto. E, se o fosse, seria um sítio muito interessante para tipos como eu irem pregar. Portanto, podia continuar, mas o ano só começou agora e para quem goste de sair da pasmaceira habitual, possivelmente até por menos dinheiro do que se gasta numa passagem de ano, há muitas outras pasmaceiras mais interessantes ou, pelo menos, diferentes.

E, nos dias que correm, diferente é bom, diria até muito bom para quem quer começar o ano um bocadinho menos cinzento do que o tempo.

31.12.08

Reveillon à pression


Por esta altura, algumas pessoas vasculham avidamente os seus contactos de telefone, msn ou até, nos casos mais desesperados, a lista telefónica. Razão para tal – a obrigatoriedade de ter que festejar à bruta a passagem de ano.

Antes de mais, que não se pense que eu não sou adepto de uma boa festança. Aliás, escrevo estas linhas já com um chapelinho “tipo cone” posto e uma garrafa de vodka na mão, só para alegrar a manhã. No entanto, acho que tudo o que é obrigatório tem muitas vezes pouco de festivo.

Já passei o ano a festejar, em retiro espiritual, na rua, em casa, com amigos chegados, com perfeitos desconhecidos, etc. Mas, em todos os casos, foi sempre porque a coisa se proporcionou e eu estava com esse feeling. Se não tiver, não há problema, a escolha é minha. Por isso, olho com alguma desconfiança, não as pessoas que naturalmente festejam esta data, mas sim aqueles que vejo desesperados por arranjar programa.

A sensação de “Epá, o ano vai acabar e se eu não o festejar assim mesmo que nem um leão, o que é as pessoas vão dizer de mim?” é quase tão ridícula como a expressão na cara de algumas pessoas quando te perguntam “Então, já tens planos para o Reveillon?” e tu respondes “Não, nem me estou a preocupar com isso”. O gozo primordial é celebrar as datas que pessoalmente são relevantes. O resto, é programa de ocasião.

Mas, porque também não quero que aqueles que por aqui passam digam que sou um tipo de má índole e não usem uma das doze passas para desejar que este blog continue a ser fonte de luz (negra) para a sua vida, deixo aqui uma simpática sugestão, para quem gosta de fazer balanços de fim de ano, não me referindo obviamente aos derivados do consumo de bebidas alcoólicas.

Não é novidade, mas passem por aqui e mandem a vocês próprios um email no futuro. Pode ser que nessa altura, algumas das baboseiras que andam a prometer a vocês próprios façam sentido. Caso contrário, terão um motivo para ir festejar para esquecer.

Posto isto, vão lá festejar seus malucos. Da minha parte, obrigadinho e até para o ano.

29.12.08

Follow me



stam·pede (stm-pd)
n.
1. A sudden frenzied rush of panic-stricken animals.
2. A sudden headlong rush or flight of a crowd of people.

v.tr.
1. To cause (a herd of animals) to flee in panic.
2. To cause (a crowd of people) to act on mass impulse.

v.intr.
1. To flee in a headlong rush.
2. To act on mass impulse.


Em português - Saldos.

E assim concluímos mais uma lição de aprendizagem. Na próxima aula, Constipated - Gripe, prisão de ventre ou mito urbano?

Natalidade em queda

Se querem saber porque é que cada vez nascem menos crianças em Portugal, podemos já ficar por aqui – tal deve-se porventura ao facto de cada vez mais gente passar mais tempo a ler blogs inúteis em vez de andar a assegurar a sobrevivência da raça lusitana.

Se querem saber coisas que estiveram em baixa neste Natal, então sim, devem aliviar-se um pouco do enfardamento de fritos a que se submeteram e seguir com alguma atenção as próximas linhas

- SMS’s natalícios – Abençoada preguiça/crise dos artistas do costume. Em vez de receber 50 mensagens plenas de falta de criatividade ou então 2 sms criativas, repetidas 50 vezes por arrastão ou até mesmo votos cravados a martelo de um qualquer site inspiracional de 5a categoria, a colheita deste ano foi fraca. E fraco, nesse capítulo é sinónimo de paz e alegria para os meus lados.
- Crises estomacais – O meu estômago que, ao exemplo de um qualquer casapiano, tem sofrido alguns abusos, portou-se este ano como um campeão. Nem mesmo o cheiro ao bálsamo de urina, certamente prenda de Natal, que um idoso ostentava hoje pela manhã no bus o fez vacilar.
- Música no Coração – Posso ter estado desatento, mas entre filmes bíblicos de bradar aos céus e programação tipo farinheira, não vi passar por aí este clássico intemporal que manieta o imaginário de crianças dos 4 aos 400.
- Postais e calendários pintados com o pé, com a orelha, com o lábio superior, a axila ou até com a covinha no queixo. Dá-me ideia de que esses pobres artistas perceberam finalmente que mandar calendários de borla e esperar receber um donativo de volta, em Portugal é estar a pedi-las.

Dado estar a ponderar um jejum de fim de ano para contra-balançar, é possível que na minha meditação me ocorra mais qualquer coisa. Entretanto vou ali continuar a inventar desculpas para evitar passagens de ano foleiras e já volto.

Blink 182, Miss You

23.12.08

Bolas de Natal



Por estes dias, entre declarações anti-consumismo de Natal, intervaladas com corridas às escondidas para comprar prendas para mim, disfarçadas de prendas para os outros, ainda tiveram a lata de me obrigar a trabalhar.
Se é verdade que isso me retira algum tempo para iluminar o vosso mundo sombrio, tal não quer dizer que não esteja atento ao que se passa. Vai daí, aproveito a altura para deixar aqui os meus “Bolas de Natal”

- Bolas que já não posso ouvir a palavra “crise”. No noticiário de ontem na RTP, a palavra crise foi proferida cerca de 259 vezes. Da crise de fígado, ao Pai Natal em crise, passando pela crise de imaginação, parece que tudo o que acontece no mundo deriva de uma crise. Incluindo este post.
- Bolas que o “Australia” do Baz Luhrmann é uma bela de uma banhada. Já o vi em ecrã cinematográfico e entre a intragável Nicole Kidman (sim, é azedume pessoal) e um argumento nos antípodas da coerência e da qualidade, salva-se muito pouco. Talvez só um momento Fá para as senhoras com o Hugh Jackman e um ou outro apontamento de fotografia e humor ocasional. De resto, podem voltar todos para o Moulin Rouge que não se perde muito.
- Bolas para as lembrancinhas. Se não vão comprar uma coisa original (não confundir com cara) ou, no mínimo, interessante, não comprem nada. Já vi tanta gente a comprar livros do cócó que pensei que o papel higiénico nos hipermercados estava esgotado.
- Bolas, para as refeições intermináveis, por isso fujam da mesa, se não têm fome. Nunca se viu gente gorda em campos de concentração, por isso os almoços/jantares de Natal não são prisões e essa desculpa é batida.
- Bolas para as prendas para a última hora. Em vez de gastarem tempo e dinheiro nas mesmas, invistam antes nas desculpas de última hora. Alguns dos meus melhores momentos natalícios surgiram com belas desculpas inventadas à última hora.
- Bolas, que a rede de mupis da Intimissimi goleava a da Triumph e aqui não pesa só o facto de eu achar que a Claudia Vieira é um saleiro com bom aspecto, mas com muito pouco sal lá dentro.

E, finalmente, bolas para quem anda obcecado com os planos da passagem de ano e sente a obrigatoriedade de festejar algo à pressão. Obrigação e diversão juntas são actividades que não combinam lá muito bem, parece-me a mim.

Bem, vou ali enfardar umas rabanadas de vento, enquanto penso como vou convencer algumas pessoas de que eu é que sou uma rica prenda para este Natal.

George Benson – Breezin (para aquele lounge old school de Natal)

17.12.08

Adeus ó vai-te embora


Não tenho jeito para lidar com despedidas emotivas. Nem com despedidos emotivos. Em ambos os casos trata-se de lidar com gente que obviamente não está a funcionar com os cilindros racionais todos e vai exigir de mim coisas que eu não estou disposto a dar. E isto inclui lenços de assoar.

Não pensem com isto que eu sou um traste. Aliás, para quê pensar algo que podem assumir como certo. No entanto, sou um rapaz cortês e sei que é suposto, pelo menos em relação às despedidas, algumas palavras de cortesia visando um entendimento social minimamente aprazível.
É por isso que, em situações triviais, digo “Adeuzinho”, “Tchau” e/ou “Até amanhã” às pessoas com quem me cruzo quando saio por exemplo do trabalho, incluindo aquelas de quem cortava na casaca 10 segundos antes. Não discrimino entre a senhora da portaria e o CEO, leva tudo pela mesma tabela em termos de saudações.

Isto leva-me ao pedido que pretendo fazer. Para mim, as expressões básicas são suficientes para manter a calma e a ordem entre as hostes. Não é preciso grande criatividade ou uma pauta com acordes para que eu tenha alguma consideração por alguém que se despeça de mim. Cenas tipo “Olarilolé, já vais assim é que é” ou “Vai p’ra casinha vai? Então beijinho e cuidadinho” não são aconselháveis, nem valem pontos na caderneta da próxima vez que nos encontrarmos. Aliás, contribuem até para um aumento dos níveis da substância “blaaaaargh” no meu sistema e isso não é bonito de se ver.

Mas, acima de tudo, se porventura nos cruzamos fora deste espaço virtual ou em missivas de paz e amizad, NÃO, mas é mesmo NÃO me usem a expressão “ABREIJOS” em comunicação verbal ou escrita.
É foleira, tem pinta de arranjo de rancho folclórico e é daquelas expressões merdosas que vai pegando tipo moda, primeiro num email, depois noutro, alguém arrisca despedir-se de um grupo assim, a moda pega e o caldo entorna.

Não sei se esta expressão é recente ou não, sei que só de há uns tempos para cá a comecei a ouvir/ler e cheguei a ponderar cegar-me com um garfo ou ouvir folclore afegão até à surdez para não me sujeitar mais a isso.

Querem despedir-se das pessoas? Então façam-no ordeiramente e sem grandes invenções.
Querem armar-se em pequenos saltimbancos criativos e virem-me com expressões dessa cepa? Então preparem-se para correr...

Sound of Music OST – So long, Farewell

15.12.08

Aproveitando a boa vontade da época, para fazer trocadilhos miseráveis

Aquele falecido cantor tinha umas unhas horríveis porque nunca ligou quando lhe diziam “Não Roy Orbison”.

Aprecio aquele futebolista holandês que seguiu os conselhos da mãe quando esta lhe disse “Não sejas Ruud Van Nisteljroy”.

Há gente que acredita no seu potencial, apesar das dificuldades. Imagino a cara daquele miúdo cego quando lhe disseram “Um dia vais ser Ray Charles”.

Isto é apenas um excerto, mas como não quero levar um enxerto é melhor ficarmos por aqui.

13.12.08

Fecha os olhos, vem aí a prenda do amigo secreto

Conhecido pelo seu humor ácido e omnisciência ocasional, eis Mak a ser recebido alegremente por diversos convivas à chegada de mais um jantar de Natal.

12.12.08

Cuisine Flambée



Antes de relatar o próximo episódio, quero salientar que não sou nenhum idiota na cozinha. Reservo essa faceta para a escrita e embora não seja um Vítor Sobral de trazer por casa, tenho os meus predicados nas artes culinárias. Assim é que ontem, decidido e preparado o acepipe, comecei por ligar o forno para o pré-aquecer uns minutos. Sendo a gás, achei que não era preciso deitar lenha lá para dentro. Feito isto, fui ver a trilogia do Senhor dos Anéis.

Mentira, saí da cozinha apenas quatro ou cinco minutos e, quando me aprestava a regressar, notei um certo cheiro estranho no ar. Não sabendo se era a laca da minha vizinha idosa apressei o passo, ponderando também a hipótese de haver alguém a fazer uma fogueira na escada.

Ao entrar na cozinha vi que o meu fogão/forno se tinha transformado numa televisão e estava a dar o épico “Mar de Chamas” dentro do forno. Não tendo o Kurt Russel por perto, resolvi usar os ensinamentos que tanto filme do género me deu. Toca de fazer o papel de herói, pôr um pano húmido á volta do nariz/boca (que importa se era o de limpar o chão) e desligar o gás em tudo o que era possível. Concretizada a tarefa, nada melhor que aproveitar o frio do Inverno para abrir todas as janelas de casa. Felizmente ninguém ligou à polícia dizendo estar um jovem encapuçado de ar suspeito de um lado para o outro numa casa às escuras.

Em seguida, vendo as chamas ainda em plena animação no forno, lembrei-me de mais um grande ensinamento dos filmes de bombeiros. Se o incêndio é de gás, não lhe dês mais oxigénio. Vai daí, optei por não abrir a porta do forno e alterar a ementa para “Tranches de matarruano ligeiramente tostadas” e esperar que aquilo fosse perdendo força.
Vinte minutos depois desta versão de serão à lareira para gente pobre, achei que era altura de pôr água na fervura, de modo literal. Assim fiz e acabei com o incêndio no forno (isto não é um prato típico), mas não com as consequências. À meia noite ainda estava de casaco e gorro, sentado na sala a ver televisão com as janelas todas abertas, a comer porcarias aquecidas no microondas e a pensar que aquele pivete não ia passar tão cedo.

Feito o rescaldo, fiquei no entanto contente por tanto filme me ter garantido sangue frio e conhecimentos. Fico então a aguardar com antecipada expectativa o dia em que um grupo de ninjas me invada a casa. Sei que também nessa situação vou estar à altura...

10.12.08

Um tiro no Pai Natal - Drama em dois actos


Cenário - Numa sala, o convívio entre adultos aborrece Mak e uma criança. A criança por não perceber do que falam os adultos. Mak, por efectivamente perceber do que falam os adultos e ver que é gente que fala do que não sabe.
Depois de tentar convencer infrutiferamente a criança de que os adultos vão apreciar serem pontapeados nas canelas, surge uma conversa alusiva a um tema da época.

Criancinha incauta, crédula e, ainda assim, corajosa - Mak, o Pai Natal vive na Lapónia?

Mak - Não, que disparate. Há já uns tempos que vive na Bélgica.

Criancinha (armada em sabichona) - Na Bélgica? Então é belga?

Mak (armado em parvo) - Não, é pedófilo.

Criancinha - O que é um pedófilo?

Mak - Sabes quando os gajos do wrestling se agarram com força, todos suados?

Criancinha - Sim...

Mak - Um pedófilo faz isso, só que se agarra a putos como tu.

Criancinha -Oh, tu és um estúpido!

Mak (infantil, mas ainda assim maquiavélico) - Tu és mais, porque vais ficar com as culpas.

Criancinha - Que culpas???

Mak interrompe a conversa, faz um gesto brusco e derrama, como que inadvertidamente, o conteúdo do seu copo na parte de trás das calças de um adulto, que conversa despreocupadamente por perto. Diz "Então...", olha para a criancinha, mas não a acusa. Os pais, bastante menos perspicazes que o filho, percebem logo tudo, culpam o miúdo e mandam-no para o quarto.

Pedem desculpa a Mak, que diz que não faz mal até porque estava na hora de ir andando, porque tem de ir entregar um filme.
Tudo acaba bem, a criancinha aprende uma lição de vida sobre a injustiça e o tipo de gente com que vai ter de lidar daqui a uns anos. Mak aprende a nunca dar um serão por perdido antes do tempo.

Band Aid, Do they know it's Christmas

9.12.08

Granda Paio Natal


Muitas vezes as pessoas perguntam-me - "Com tanto tempo para escrever parvoíce, tu vives de quê?". Obviamente, é um tipo de pergunta a que me dá um especial gozo responder mentindo das mais diversas formas, mas nesta época tão especial, onde toda a gente anda ávida por gastar dinheiro, há que ser moderadamente honesto.

Eu vivo de esquemas, mais precisamente daqueles que os meus talentos escondidos me possibilitam. Um deles é a capacidade de convencer pessoas de que são parvas, não parvas por si (embora isso também seja viável), mas parvas quando se lhes apresentam oportunidades em que podem sair a ganhar (e eu também) e não o fazem.

Por isso, jovens damas que visitam este poiso e cavalheiros cujo gosto para oferecer prendas a senhoras é, no mínimo, duvidoso, ponham os olhos no passatempo que podem consultar na PeanutOak e vejam como com um mínimo de criatividade podem brilhar no Natal, fora do registo habitual do abuso de Vinho do Porto.

Os prémios são estes aqui ao lado e não tenham ideias de que as peças são feitas por mim. Para o meu gabarito, só produzo objectos para a Colecção Berardo. Mas podem crer, tenho sempre alguma coisa a ganhar.

5.12.08

Pensamentos à desgarrada

Deus queira que não seja meu fado ir ver o filme da Amália.

4.12.08

A tua língua sabe a peixe?


Além de me questionar sobre se o Cristiano Ronaldo, motivado pela conquista da Bola de Ouro, ponderar alargar os seus horizontes pessoais e aprender mais um idioma – o português ou se o Lobo Antunes, que ainda o mês passado dizia “Os prémios não são dados a quem os merece, nem pelas melhores razões”, vai usar parte dos 118 mil Euros do Prémio Juan Rulfo de Literatura e Línguas Latinas para emoldurar com estilo essa sua citação, outros assuntos mais importantes passam pela minha cabeça.

O termo “linguado”, usado para definir um beijo em que algumas doses de saliva trocam de lar à boleia de línguas marotas, é a modos que algo limitado e irrita-me que haja pouca alternativa no mercado em termos de nome. Ok, é engraçadito o paralelismo entre a língua e o simpático peixe que ocasionalmente faz parte da minha ementa mas, entre imagens mentais mais agradáveis, não consigo evitar que uma boca com cheiro a peixe ou a textura do mesmo assomem em estilo de pesadelo.
Vejam só a diversidade em inglês e afins, segundo a Wikipedia:

"French Kiss - It is also known as tongue kissing, tongue fighting, pash, hooking up, busting slob, mugging it up, making-out, macking on, meeting, shifting, necking, getting into, snog, slipping the tongue, popping tongue, sucking face, swapping spit, deep kissing, getting off with, pulling, tongue wrestling, slug wrestling, tonsil tennis, tonsil hockey, Frencher (Quebec) and frenching. An older name for 'French kissing' is cataglottis, from cata (down), glottis (throat). In French it is simply embrasser avec la langue (literally, to kiss with the tongue) or the slang version rouler une pelle (to roll a shovel), or "rouler un patin" (to roll a skate (as in ice-skate, or roller-skate))."

Entre nós, os cerca de cinco, creio que arranjávamos algumas sugestões para quebrar a tradição. Não vos parece?

2.12.08

O Cérnebro da questão


Não gosto de terroristas, em parte porque, ideologias à parte, me fazem lembrar um bocado o meu primo Cabé. Quando éramos miúdos, o Cabé tinha o irritante hábito de pensar que era o dono do mundo, sendo um pequeno terrorista que explodia por tudo e por nada, quando não lhe faziam as vontadinhas todas.
Contudo, se é verdade que dos terroristas não me posso queixar pessoalmente de muito, em relação ao Cabé não posso dizer o mesmo, já que para além de inúmeros cromos de eleição, me ficou também com umas quantas revistas pitorescas que fizeram as delícias da minha juventude.

Saudosismos ultrapassados, quero no entanto referir que há uma escumalha que me melindra em maior escala que os próprios terroristas - os comentadores de terrorismo. Chateia-me especialmente a cambada do contexto geo-político estratégico and soi on que ocupa minutos televisivos cheios de pompa e vazios em conteúdo compreensível para o cidadão comum. É um pouco como ir ao restaurante e perguntar como é um dado prato, apenas para ouvir em resposta uma elaborada retórica em francês sobre o papel da beringela ao longo dos tempos.

Nesse aspecto, o que eu acho deveras interessante é um tipo de jogo praticado pós qualquer acto de terrorismo que se chama – Onde está o cérebro?
Se um hotel explode, se são feito reféns algures, se há uma revolta num sítio com 8 sílabas e cerca de quinze consoantes ou se alguém não esvaziou os caixotes do lixo em determinado bairro, tem que haver um cérebro por detrás disso. Nunca há a possibilidade de ter sido uma decisão de grupo, algo saído de um brainstorm ou até de uma democrática votação. Não, é sempre fruto da ideia e firme liderança de um iluminado.

Isso é tudo muito bonito, mas só se não conhecermos a espécie humana. Se um tipo se destaca e começa a dar nas vistas, seja numa organização terrorista ou num centro para idosos, todos os outros ou vão querer fazer o mesmo ou lixar-lhe a vida, só para não lhe dar razão. “Ai achas que era boa ideia raptarmos gente num hotel? Que parvoíce, toda a gente sabe que o serviço lá é péssimo. Sempre com ideias descabidas. Acho é que devíamos decidir entre todos, não é sempre o mesmo, não é verdade? Seria do interesse de todos muito mais um piquenique no bosque, seguido de raptos no parque de campismo mais próximo.”

Cá para mim, continuo com a ideia que as torres de NY só foram a baixo porque os terroristas não chegaram a consenso se iam à Estátua da Liberdade, ao Empire State Building ou de férias para a Jamaica. E olhem que não há nenhum cérebro por detrás desta afirmação.

28.11.08

Foge, é fim de semana prolongado



Através de conversas com gente que insiste em responder às minhas evasivas com os seus planos detalhados para a vida e, ocasionalmente, para o fim de semana, percebi que tudo quanto é gato sapato vai para fora nestes três dias do feriado de São Ordenado ou São Subsídio de Natal, consoante os casos. Da pousada romântica, ao retiro espiritual ou até passando pelo destino internacional, há para todos os gostos. Até porque o Estado já deu providência aos bancos e a crise também pode esperar três dias.

Que não se pense que isto é inveja. Basta querer e, todos os dias, me basta um pulinho para estar nos EUA, no Brasil, em Luanda ou em Londres. Tenho é um conceito diferente de escapadinha, já que poucos dias nesses destinos às vezes sabe-me como se estivesse apenas a comer as entradas num restaurante de grande categoria. As pessoas normais, em vez destes paralelismos idiotas diriam apenas “sabe-me a pouco”.

Vai daí instituí um programa diferente este ano. Nestes três dias vou-me enfiar numas barracas algures. Aposto que se conseguir deixar a consciência em casa (que ela até é fraquinha e o frio faz-lhe mal) vou voltar de lá sentindo-me rico, privilegiado e com muito mais amor pelo próximo. Há quem consigo isso de forma mais fácil, mas eu sou bronco e preciso de um reforço extra.
Afinal de contas é Carnatal e ninguém leva a mal.

Talking Heads, Road to Nowhere

27.11.08

Ir de encontro à Gramática

Acreditem, não sou daquele tipo de merdas que corrige cada pormenorzinho que se diz ou escreve por não estar em conformidade com as normas gramaticais vigentes. Em vez disso, sou daquele tipo de merdas que corrige coisas que não estão em conformidade com os meus padrões de sanidade mental e/ou raiva mal contida.

Posto isto, segue-se uma pequena demonstração audiovisual daquilo que pretendo ilustrar enquanto erro comum que já vi acontecer tanto em noticiários, como com o gajo que toma uma bica ao meu lado e até com pessoas que tinha até em alguma (pouca) consideração.

Exemplo 1 – Neste caso, pode dizer-se que os Chefes de Estado FORAM AO ENCONTRO uns dos outros, tirando do Bush, possivelmente por terem visto que ele saiu do WC sem lavar as mãozinhas, na melhor das hipóteses.

>

Exemplo 2 – Nesta situação, o objecto da reportagem FOI DE ENCONTRO ao próprio do repórter. É caso para dizer que foi uma reportagem chocante.



Em função destes didácticos exemplos, não é difícil perceber qual a diferença. Não vamos de encontro a objectivos, a não ser que o objectivo seja exterminar alguém via atropelamento. Por isso, cuidadinho minha gente...

E o primeiro que se lembre de me chamar Edite Estrela que dê graças por poder fazê-lo sob (e não sobre) a capa do anonimato cibernético.

26.11.08

A propósito de filmes bestiais


É certo que jovens tipo o Bugs Bunny ou o Mickey são gandulos que já aí andam há muitos e bons anos e a sua existência faz sentido e tem alegrado a vida a muita criança e adulto. Mas o que me irrita, nos dias de hoje, é ver muito entusiasmo à volta de películas feitas com precisão cirúrgica tipo “A idade do gelo”, “Madagascar”, “Panda do Kung Fu” ou o “Nemo” e muito pouco pela preservação da vida da bicharada real, a não ser para os transformar em tapetes ou deliciosas peças gourmet.
Os estúdios gastam balúrdios para produzir isto ao pormenor, contratando actores de gabarito para dar vozes aos bichos. E royalties para a bicharada? E percentagem dos bilhetes a reverter para que não passemos a falar deles só no passado? É tudo muito divertido, mas não tarda nada são mais os animais na cadeira do cinema do que exemplares verdadeiros das vedetas do filme.

O problema é que as pessoas, para desanuviarem e rirem um bocado são capazes de dar 5 Euros para ver um animal que diz piadas no ecrã (e não me refiro ao Fernando Rocha) mas nem 1 Euro dariam para um fundo qualquer que andasse a ajudar os pandas a não se transformarem em chinelos. Nada contra a diversão, mas muito contra a descontextualização de “Ah, mas nós não temos pandas/pinguins/zebras whatever cá”. Lá dizia o mítico programa da televisão “Os animais são nossos amigos”, evitando sabiamente reproduzir a frase no sentido inverso.

Fábulas com animais já fazem parte da história, mas muito animais também já só fazem parte da história. Não devia ser preciso que um animal como eu (sem direito a filme) é que se tivesse de lembrar destas coisas.

Vão ao cinema, riam-se com os bichinhos, mas depois mandem-lhes ao menos um postal a dizer que gostaram muito. É que eles são bestiais, mas nós também podemos ser bestas.

25.11.08

Reminder - Nunca sorrir no elevador


Costumo acordar bem disposto. Não sei se é a pura consciência de que acordar é o contrário de estar morto ou apenas o desfrutar do facto de ter lençois e não jornais a cobrir-me, mas o facto é que até consigo ostentar um sorriso matinal na fronha.
Ora essa atitude, para boa parte das pessoas, constitui uma fonte de irritação pois “Com que direito este palhaço está para aqui a atazanar-me a manhã com este ar sorridente”. Não sendo eu nenhum santo, confesso que quanto mais macambúzia me parece a pessoa, mais airoso eu fico, especialmente se vir que a coisa a irrita.

No entanto, episódios como o que me sucedeu esta manhã levam-me a repensar a minha atitude. Talvez nem sempre seja boa ideia sorrir logo de manhã. Talvez esse sorriso leve certas pessoas a pensar que estão à vontade. Talvez isso depois dê num lindo serviço...

Ia eu a subir no elevador rumo ao meu estaminé profissional, quando vejo que corre alguém para ainda tentar apanhar o mesmo. Enganando-me no botão, em vez de fechar a porta mais depressa, voltei a abri-la. Pronto, passo ao menos por cortês. Entra em passo rápido uma jovem de tailleur, possivelmente funcionária de uma firma mais respeitável do que a minha. Traz a mala numa mão, o computador ao ombro, um casacão no braço e mastiga avidamente uma bolacha de água e sal.

Com ar cândido levanta os olhos em sinal de agradecimento. Eu sorrio (parvo). Dá mais uma trinca na bolacha e cai um bom bocado no chão. “Vais apanhar essa merda não vais?” penso eu. Não ia, especialmente porque confia no seu pé direito para chutá-la para o canto do elevador. Sente-se observada, levanta de novo a cabeça e depara como meu sorriso bem mais amarelado. Em vez de baixar os cornos, resolve retribuir, mostrando uma instação artística de dentes, ferro e muitos bocados de bolacha.
Reprimo o enjôo, corro para as portas que milagrosamente se abrem e juro para nunca mais.

24.11.08

Feeling of the day

Hoje estou um bocado assim. Não sei se é a gravidade do efeito ou se é o efeito da gravidade.

Ainda bem que trabalho com papel e caneta e não com matracas (a não ser que façamos uma metáfora que inclua gente à minha volta que fale desalmadamento)...


21.11.08

Já tens planos para o terramoto do fim de semana?


Sinceramente, agradeço a quem teve a iniciativa de marcar um simulacro de terramoto para este fim de semana. É uma resposta de mão cheia para quem se queixa de falta de oferta em termos de actividades originais em Lisboa. Isto para não falar que, para um povo que não é conhecido pela sua organização, ter um cronograma de um terramoto, permite presumir que, quando se trata de desgraça, estamos sempre prontos para a rambóia.

No entanto, tenho um reparo a fazer. Com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo, as sobreposições de eventos acabam sempre por suceder e é aborrecido para quem quer fazer parted a festa. Por exemplo, neste momento estou indeciso entre ser soterrado amanhã num aluimento de terras nos Prazeres ou ficar encarcerado no túnel do Campo Grande.
Domingo, a história repete-se… juntam-se uns amigos para constar numa lista de desaparecidos no rebentamento de uma conduta de água ou uma explosão numa superfície commercial é melhor para passar uma tarde em grande.

Embora aquela sensação de surpresa de terra a fugir debaixo dos pés esteja perdida no meio de uma agenda que tem tudo previsto ao milímetro, até apetece ser vítima de uma catástrofe natural em Lisboa. Espero que as equipas de reportagem da TVI também levem as coisa a sério e ponham em prática o dramatismo tradicional. Não é por ser a brincar que vão começar a desiludir as pessoas.

Por isso, meu amigos, escolham bem a vossa actividade para o fim de semana e, quem sabe, talvez nos encontremos num qualquer cenário de crise, maca de ambulância ou cama de campanha espalhados aí pela capital.

Com tanta emoção e planeamento desta vez, isto só prova que quando as coisas correm mal é porque as pessoas não planeiam as catástrofes como deve de ser. Depois queixam-se que não teve gracinha nenhuma…

20.11.08

Tragédia Queirosiana

Até agora, o conceito de tragédia queirosiana aplicava-se maioritariamente à obra referente à Rua das Flores. Hoje em dia, a expressão é extensível a cada jogo da selecção nacional, o que até seria positivo se a coisa incentivasse ao gosto pela literatura nacional.
Embora isso seja pouco previsível, da maneira que isto corre, para muita gente poderá causar menos sofrimento ler durante 90 minutos a ver um joguinho do grupo de jogadores que alinha num conjunto chamado Portugal.

É o que dá terem ido buscar um senhor que faz parte do bando dos ex-bigodes. Para mim, gajo que tenha usado bigode e por outros motivos que não legais o tenha deixado de usar, é sempre de suspeitar. Ou se é homem e se usa bigode contra tudo e todos ou se é um rato (como eu) e nunca se usa bigode. Ficar a meio caminho é coisa que não lembra ao demo. Vide exemplos: Artur Jorge, António Oliveira, Humberto Coelho e Carlos Queiroz.
Só o Scolari, com os defeitos todos que possa ter, se manteve fiel e inclusive reforçou o estatuto com adjunto de bigode.

Tenho amigos que ainda têm a crença que isto é apenas um mau começo e o futuro será risonho. Também tenho amigos que acreditam que o mundo vai acabar em 2012 e outros que acreditam que o Governo nos põe coisas na água. Por aí se vê o que eu confio nos meus amigos.

Em honra da banhada dos 6-2, fica este magnífico tema de Jorge Ben Jor, em que se pode adicionar a palavra Golos no fim da frase – Chove Chuva

18.11.08

Aspira dores de ouvidos


Estudos científicos desenvolvidos por uma entidade idónea e competente, vulgo eu, concluíram que o aspirador contribui de forma decisiva para a poluição sonora citadina. Através de uma observação experimental continuada, este painel singular concluiu que a exposição continuada a este utensílio pode causar surdez e irritação por transferência em cidadãos não munidos de leitor de MP3.

Só assim se explica que as pobres senhoras das limpezas que regressam a casa de manhã nos transportes públicos falem umas com as outras como se estivessem a 100 metros de distância, quando na realidade vão coladinhas.

E olhem que eu não quero saber que a Claudina não faz nada e reclama muito. Nem que o filho da Odete lhe tira o dinheiro todo para gastar em droga.

Não quero mesmo. Juro.

17.11.08

Desavenças Conjuncionais



Tenho ideia de que ela já suspeitava disto. As pistas foram-se acumulando e, chegada esta altura, já não era possível continuar a esconder. Este fim de semana ganhei coragem e admiti-lhe: "Olha, não sei como aconteceu, mas o facto é que aconteceu. Quero que saibas, aqui e agora, pela minha boca que há já dois meses que sou amante da perfeição".

Levei uma bofetadita tolerante, mas ainda assim vigorosa. Há piadas que não fazem sentido ao domingo de manhã...


Mr. Bungle, Pink Cigarette

14.11.08

São duas carcaças, um pão de Mafra e terapia emocional por favor



Sou a favor do comércio de bairro, nomeadamente mercearias e padarias, e não é por causa do saudosismo e apego às tradições de antigamente, que fazem chorar qualquer calhau, tirando eu.
Tudo bem que os preços são elevados face às grande superfícies mas, pelo que observo regularmente, não se deve arranjar psicanalista mais barato. Bem vistas as coisas, onde é que se arranja uma boa consulta pelo preço de pão para almoço e jantar?

Entre os cumprimentos da praxe, o pedido e o acto de pagar, pode-se desabafar sobre problemas em casa, sobre a solidão, sobre a incerteza do futuro profissional e até sobre o facto da senhora do Corsa Azul andar mais arranjadinha. O merceeiro/padeiro não vai reclamar e vai fingir-se atento, pois a clientela tende a rarear nos dias que correm e boa parte dos outros fregueses vai sentir-se satisfeita por poder participar num painel clínico em que opiniões acutilantes como: “Deixe estar, vai ver que amanhã se Deus quiser já se sente melhor”, “Olhe, eu sei bem o que isso é, lá em casa é a mesma coisa” ou “Isto está cada vez pior, é viver cada dia o melhor que se pode, porque nunca se sabe o amanhã” são valorizadas ao nível dos melhores medicamentos.
Mas, apesar de apreciar sinceramente que aquela corja se despachasse e me deixasse comprar um simples croissant em menos de dois minutos, eu compreendo e encorajo esse comportamento. É que posso não ter pachorra para estes filmes, mas mais vale gastar o dinheiro em couves e vianinhas do que em psicanalistas duvidosos.

13.11.08

Ocultamente famoso

Não é raro termos prova que Lisboa é um centro atractivo para a elite místico-intelectual africana. Já falei disso e, quase todos os dias, chegam às nossas mãos panfletos falando sobre as capacidades destes Professores, Mestres e afins. Embora não sabendo em que tipo de Universidade se dão as cadeiras de Cura de Impotência via Telefone, Análise de Azares I, II e III ou Resolução Prática de Problemas Amorosos, gosto de utilizar o exemplo destes senhores para mostrar que a teoria de que só temos cá mão de obra africana não qualificada é claramente falsa.

No entanto, quis o destino e talvez algum azar amoroso do meu pára-brisas que um folheto do imponente Professor Karim ficasse preso no meu carro. Embora não vos mace com a secção do mesmo em que ele mencionava curar tudo, desde ressacas a problemas da vida, passando por nódoas espirituais na alcatifa, houve uma capacidade deste catedrático que me surpreendeu. Vejamos:




Portanto, apesar de fazer trabalhos ocultos, um termo que leva o comum mortal a crer que ninguém saberá que foram feitos ou quem os fez, o Prof. Karim alardeia fama junto de personalidades do mundo inteiro. Ou seja, o seu anonimato na área do oculto é mundialmente reconhecido.

Concluindo, em jeito de repetição, se alguém quiser um trabalhinho que ninguém saiba que foi feito ou por quem foi feito, toda a gente sabe que o o Professor Karim é o a pessoa certa para o fazer. Digo eu, que pouco sei.

Confuso? Nem tanto, se tivermos em conta que a lógica também é uma coisa muitas vezes oculta neste ramo.

12.11.08

Vais ou precisas de um empurrãozinho?

A simplicidade é uma coisa bonita. Eu, que tanto trabalho já tive a tentar dar nomes a coisas, devia aprender com este exemplo. Ora bem, se temos um encontro grande, mas assim mesmo para o grande, com muita gente, que nome é que lhe vamos dar - Humm, humm, deixa lá ver, hummm, humm... JÁ SEI!!!!

E eu a pensar que o Inatel tinha ficado radical e ia fazer uma espécie de festival de bandas da pesada ou, em alternativa, uma competição de carrinhos de choque e deparo-me com isto...



Imagino conversas pós evento: "Nem imaginas com quem dei de caras no Encontrão" ou "O Encontrão soube-me a pouco, esperava algo mais forte". Cambada de artistas, encontrão a sério é nos transportes todos os dias, agora vêm-me com histórias de teatrinho...

Salt n'Pepa - Push it

11.11.08

História da Desumanidade



Não é para me armar em José Hermano Saraiva, mas surge-me uma pertinente questão histórica - Em termos de armas de arremesso, serão mais antigas as catapultas ou as crianças filhas de pais desavindos?

10.11.08

Conduzindo ao fim de semana


Conduzir ao fim de semana devia ser uma experiência libertadora. Livres de pressas e da maralha que, de segunda a sexta, preenche as avenidas e ruas de Lisboa, seríamos nós, o carro e o prazer da condução descontraída. O problema é que todo o velhote desprovido de Alzheimer pensou exactamente o mesmo.

Eu sou um tipo paciente, não buzino freneticamente mal o semáforo abre, não gesticulo quando o carro da frente vai abaixo e solto apenas ligeiros impropérios perante a ausência de piscas em manobras que o requerem. Acima de tudo, não discrimino o condutor de fim de semana porque, traço geral, é exactamente ao fim de semana que eu conduzo. Mas, há algo no condutor idoso perigosamente à beira da senilidade que me tira do sério.

É certo e sabido que, com a idade, os reflexos diminuem, a memória de curto prazo idem, isto para não falar na visão periférica e na dentição natural. Tendo isto em conta, porque raio é que a maior parte dos velhos que conduz ao fim de semana tem carros cujo tamanho se inclui quase na categoria barco? E não me venham os defensores da terceira idade dizer “Ah coitadinhos, é o carro que têm há muitos e bons anos”. Não é, porque este fim de semana foram Mercedes recentes e Volvos brilhantes que à minha frente desafiaram a lógica das manobras de condução e a minha paciência. Foram BMW’s, Rover’s e outros que tais cuja juventude contrastava com as carcaças ao volante e cujo ar veloz e reluzente surpreendia pela imobilidade com que bloqueavam ruas, cruzamentos e a minha felicidade e descontracção.

Caro idoso, se me lês enquanto preparas a camurça para encerar o teu bólide de fim de semana, aponta isto antes que a falta de memória se imponha. Que tal comprares um carrito pequeno, que não perturbe a tua mobilidade (e também a tua barriguinha) mas também não lixe a vida a quem só quer ser feliz ao fim de semana? Melhor ainda, liga ao teu filho, que a tantos sacrifícios te obrigou, relembra-lhe isso mesmo e pede-lhe para te levar ao jardim ou a almoçar fora no domingo. Tudo bem que o facto de ele ter emigrado para Inglaterra pode ajudar a que não te dê boleia, mas esses 10 minutos ao telefone podem ser os suficientes para não nos cruzarmos na estrada, no caso de insistires em trazer o barco para a rua.

Como diz aquele grupo de pirosas vestidas estilo contentor da reciclagem “Fazes-me esse favorzinho, fazes?”
É que, ao contrário delas, eu tenho cabedal para te furar os pneus...

8.11.08

Erro de perspectiva



Meu conhecido há algum tempo e embora extremamente interessante e merecedor de leitura atenta, este livro de 2003 do Paul Arden continua a ter, a meu ver, uma clara lacuna do ponto de vista da abordagem. É que, para fazer sentido a 100%, o título deveria acabar em "it´s how to make people think you're good".

Hoje em dia, mais fácil do que ler diversos livros de interesse, é comprar esses mesmos livros e dizer que os temos. Poupamos tempo, enchemos estantes e basta ler a contracapa para poder usar isso e passar por culto. De fachada, mas culto.

7.11.08

Aldeia dos Artesãos - Reserva Natural para Profissões em vias de extinção


Olho à minha volta e denoto uma certa preocupação com o futuro de certas espécies animais, cada vez mais ameaçadas de extinção. Tendo em conta que nos planos do catolicismo não há ressurreição para a bicharada, tal atitude vê ainda mais reforçada tanto a sua necessidade como a sua nobreza.
No entanto, não vejo preocupação semelhante em Portugal quando penso no maior animal de todos, vulgo nós, e em algumas das suas espécies mais exóticas. E, antes que algumas mentes divaguem, não me refiro a strippers e a maus actores, espécies essas que me parecem em claro crescimento.

Falo dos sapateiros e dos amoladores, de marceneiros e outros que tais, cujos últimos exemplares já se contam quase pelos dedos das mãos e, nalguns casos, só já os avistamos a serem torturados em reportagens de noticiário com música de fundo melodramática. Diria mesmo que as hipóteses da maior parte desses artesãos encontrar um discípulo que seja e assegurar “descendência” são quase proporcionais às chances de eu me tornar campeão nacional de breakdance .

Por isso, não percebo porque não se criou ainda um parque semelhante, por exemplo, ao Badoka Park onde estivessem reunidos alguns dos artistas que restam nos mais diversos mesteres, homens e mulheres, num cenário tipo Aldeia dos Artesãos onde pudessem conviver com jovens rústicos e rústicas, sem aspirações pós-modernas, tendo em vista a sua reprodução controlada em ambiente vigiado.

As cri(anç)as sorveriam todo um ambiente de artes tradicionais, a par de umas boas chapadas para uma educação à antiga, aumentando assim exponencialmente as hipóteses de sobrevivência da raça. O parque seria aberto às visitas de crianças e adultos, mas apenas os primeiros teriam contacto directo com os artesãos. Primeiro, porque é muito mais divertido descobrir por si só, espécies estranhas sobre as quais só ouvimos os nossos avós falar. Segundo, para evitar que empresários do Norte e jovens freaks com a mania que são muito retro perturbassem os rituais dos espécimes protegidos.

A Aldeia dos Artesãos daria ainda a hipótese aos pais de, no final da visita, doarem os seus filhos para património da aldeia, caso tivessem comprovativos financeiros que atestassem a sua falência técnica, o sobreendividamento ou a hipótese clínica de que o miúdo nunca viesse a ser jogador da bola. Deste modo, não só se aumentava o número de potenciais artesãos adoptivos, como se reduziria o número de crianças a caminho de uma adolescência que não augura nada de bom.

É certo que ainda faltam alguns pormenores a este projecto, mas se algum governante deste país faz deste blog a parte mais útil do seu dia, é bom que esteja a tirar notas. É que, com uma ideia deste gabarito a germinar, depois ainda se admiram quando eu me rio quando oiço dizer que faltam ideias para o país...

The Tokens, The lion sleeps tonight

6.11.08

Queres ser rico? Vai morar para Batman



Numa iniciativa que tem tanto de absurda como de genial (um pouco à imagem deste blog), a o presidente da câmara da cidade turca de Batman está a pensar processar Christopher Nolan, realizador de "Batman Begins" e "Dark Knight", assim como o resto da turminha de Hollywood e empresas afins, por apropriação e uso indevido do nome Batman.
Embora eu considere que isto faz do senhor um verdadeiro Joker, não deixa de ser uma manobra de marketing muito apropriada do ponto de vista turístico para a bela localidade de Batman. Não faltarão com certeza maluquinhos vestidos de lycra e couro a fazer já grandes planos para as próximas férias em solo turco.

Sabendo eu da tendência para o chico espertismo dos autarcas nacionais, creio que depois desta notícia pouco faltará para assistirmos a um processo da freguesia algarvia de Sagres à Central de Cervejas ou da freguesia de Casa Branca aqueles bandalhos dos americanos, por uso abusivo do seu nome para alojamento de indivíduos que clamam ser presidentes.

Não digam que eu não avisei...

5.11.08

Preto no branco

Para que depois não digam que eu não sou um gajo atento ao que se passa no planeta, eis o paradoxo:

Nunca um dia negro trouxe tanta expectativa positiva ao mundo*.






*Incluindo à Dona Alzira, que tomou o pequeno almoço no café a meu lado e disse estar muito contente pelo Sr.Alfama que lhe fazia lembrar um moço dos Correios que tinha sempre um sorriso para ela.

4.11.08

Os unidos da América


Como devem ter reparado, estive em recolha nos últimos dias. Afinal de contas, hoje era um dia importante para mim, já que ia ajudar a decidir o futuro de uma das nações mais poderosas do mundo. Levantei-me logo pela fresquinha e dirigi-me à embaixada americana, para exercer o meu direito de voto.
“Sorry, no can do” disse-me um simpático cônsul, acompanhado de dois amigos armados até aos dentes, que arrisquei serem militares. “Então, mas as eleições não são hoje amigo?” perguntei com ar estupefacto “Não é hoje que decidimos se pomos o Barraco Alfama ou o fóssil na Casa Branca?”. “Yes, but isso é só back in the States. Here a votação já foi, last week...”.

Nessa altura comecei a enfurecer-me “Mas, e ninguém avisa??” disse, elevando a voz. No entanto, acalmei-me logo quando os amigos de metralhadora deram um passo na minha direcção. “Well, nós avisámos, mas tu não seres american. Por isso, like we say in our country, fuck off, que eu já estar farto de portugas que think que têm the right to vote for the President of the Universe”.

Acompanhado por dois matarruanos e várias peças de artilharia, vi-me frustrado de novo no meio da rua. Então, tantas notícias, tantos enviados especiais, tanta reportagem detalhada on the spot sobre onde o Obama corta o cabelo, sobre o tipo de parafusos que o McCain tem no corpo ou a distância em metros entre cada divisão na Casa Branca, isto para não falar no que come o periquito do sobrinho do vizinho do tio avô da cunhada do McCain e, no final de contas, isto não tem directamente nada a ver connosco.

E pronto, decidi, já não tenho pachorra para quem vive as eleições dos camones como se fossem as nossas. Ou melhor, vejo muito mais conversa, estudo e reportagem e análise detalhada feita por portugueses do que quando as eleições são em Portugal. Amigos, os senhores são importantes sim senhor, mas não vem de lá o Messias que vai transformar pedras em McDonalds e dívidas em rolos de notas. NÓS NÃO VOTAMOS E NÃO DÁ PARA TROCAR O CAVACO E O SÓCRATES PELO MCCAIN E O OBAMA.
Por isso, acordem para a vida.

Já agora, vão mas é ver se têm dinheiro no BPN e deixem-se de tangas.

Presidents of USA, Lump