Dentro das muitas perguntas que rodeiam as capacidades humanas, algumas têm resposta fácil. Infelizmente são aquelas que têm que ver com o nosso virtuosismo de fazer perguntinhas idiotas.
Senão vejamos: no campo amoroso haverá alguém que pergunte “Amas-me?” esperando ouvir outra coisa que não seja um “Sim” (Exclui-se deste exemplo pessoas que fazem esta pergunta com uma peça de cutelaria escondida na mão). Já no campo do trato social, um bom exemplo é a pergunta “Então estás melhor?” feita a gente que encontramos depois de ausência por doença é tão óbvia que para além do “Sim / Um bocadinho” só se admite um “Não, estou a morrer, mas quis contagiar o maior número de pessoas possível antes”.
Encontrar perguntas idiotas ou pré-formatadas é fácil, pois as pessoas (à minha excepção) não são perfeitas e têm inseguranças, falhas comportamentais ou são, pura e simplesmente, assim para o parvo.
Eu perdoo isso às pessoas porque também erro (por exemplo devia ter posto algo mais forte que “parvo” no parágrafo acima). Mas, caso pior é o das as instituições, que deviam ter mais juizinho, mas em vez disso são aquelas que fazem as perguntas mais idiotas e não me estou a referir apenas às portuguesas. Prova disso mesmo é o questionário para autorização de vôo até aos EUA. Qualquer uma das perguntas feitas só tem uma resposta possível, a não ser que a pessoa goste mesmo de preencher questionários online por desporto ou queira acumular pontos para enviar um currículo para a Coreia do Norte.
Se tiverem paciência vão lá ver, mas fica ao meu exemplo favorito:
De facto, a semana passada, entre um jogo de basket e um jantar de amigos passei umas horas a fazer sabotagem e já se sabe que os fins de semana grandes são bons é para um genocídio à maneira. É melhor dizer que “Sim”.
Mas, outro pormenor tem a ver com as perseguições nazis entre 1933 e 1945. Se for a partir de 1946 estamos safos, porque na altura da 2a Guerra Mundial é que aquilo não era só um hobbie. Além disso se, na melhor das hipóteses, alguém tivesse 20 anos e andasse armado em nazi a perseguir malta em 1945, teria agora 84 anos. Dá-me ideia que se não foram apanhados até agora, não se devem descair no questionário. “Então Sr. Muller, 60 anos a fugir às autoridades por ter sido nazi e agora é que diz que sim no questionário? Ai, ai, ai, já não vai a Miami nem come puré de maçã ao jantar. Seu maroteco, vá lá brincar com Sr.Alzheimer”.
Depois sou eu que sou parvinho...
30.4.09
Perguntas, idiotas e perguntas idiotas
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:59
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28.4.09
A vida sexual dos pombos

É certo e sabido que os pombos cagam de alto para a vida das pessoas. Já o fazem há muito tempo e não é exagero dizer que isso faz parte da sua natureza. E não mudam por ninguém, nem sequer pelos idosos que fazem de milho e pão seco bonitos tapetes-refeição ou pelas estátuas que ajudaram a redecorar ao longo dos tempos.
No entanto, já eu não consigo fazer o mesmo em relação aos pombos. Não só porque as leis da física me impedem de tentar proeza semelhante sem a coisa correr mal, como pelo facto que me preocupam certos aspectos na vida deles. Por exemplo, se eu não recomendaria a amigos meus que comessem beatas, também me faz confusão que os pombos as comam à bruta. Ainda por cima estas nem sequer são religiosas.
Mas, acima de tudo, uma vez que há quase tantos pombos em Lisboa como há romenos a pedir nas ruas, há um factor que me intriga sobremaneira – onde raio andam os pombos bebés ou onde raio é que os pombos fazem os ninhos?
Não me lembro de ter visto um pombo júnior, mas eles multiplicam-se em grande. E não me dá ideia que sejam precisas clínicas de fertilidade. Aliás, deve bastar um resto de pastilha e uma poça de água suja para um jantar romântico entre pombos. Depois, bem depois é a história da pomba e da paz, paz, paz.
O certo é que podem ser sujos, estúpidos, odiáveis, transportar doenças, ter pouco critério a escolher locais de refeição e uma forma estranha de deixar a sua marca na vida das pessoas (e na roupa). No entanto, levam a história da vida privada muito a sério e, pelos vistos, protegem bem os filhos. Coisa que muita gente às vezes parece não saber fazer.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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17:16
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27.4.09
O tempo musical
Começo por desiludir-vos aos três se pensam que isto vai ser uma rica composição sobre música. Caso a imagem ainda não vos tenha elucidado, é sobre o binómio decadência-aparência e a sua aplicação ao mundo do rock que estas linhas vão incidir.
O mundo do rock tem uma mística que funciona da seguinte maneira – as músicas vivem para sempre, os músicos/bandas vivem a pensar que o mesmo é válido para eles. E, se é verdade que nalguns casos isso vem mesmo a acontecer, os ditos rockers já não estão cá para comprová-lo, já que é preciso que estejam mortos, para que se possa dizer que vivem para sempre. Parece estranho, mas com a dose certa de álcool e medicamentos tudo acaba por fazer sentido.
No entanto, eles tentam e os fãs agradecem, pois claro. As artroses aparecem, as vozes às vezes desaparecem e não há maneira de serem encontradas e o ar rebelde ou sexy dá lugar a um ar que prova que o mundo do rock é tipo máquina de lavar a roupa, mas sem usar amaciador.
Os concertos, consoante o sucesso da banda, não param 10, 20, 30, 40 anos depois da formação da banda e se alguém decide morrer um bocado mais cedo do que é previsto, ainda se tenta de novo trocando esse membro por outro, preferencialmente vivo.
A questão é sempre: será que vale a pena? Será que ver, usando o exemplo visual, um concerto dos AC/DC hoje é o mesmo que os ver há 25 anos? Acho que depende das pessoas, eu por exemplo gosto de manter uma imagem da memória de uma banda no seu auge e não a caminho da reforma activa. É certo que há bandas que envelhecem bem, mas são mais raras do que aquelas que congelam no seu auge e depois vão replicando sempre aquele período, mas cada vez mais em declínio.
É que, ao contrário da música clássica, em que as grandes obras podem ser sempre interpretadas pelos melhores executantes do seu tempo (um chamado cover em rock), a mística torna cada banda rock de sucesso em algo único. E isso, só o bom senso ou tempo podem decidir quando é altura de parar e, quem sabe, viver para sempre.
We have band, Oh!
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Sérgio Mak
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10:22
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24.4.09
E assim se vai uma semana
Como devem ter reparado, a vossa vida esta semana foi um pouco mais cinzenta e faltou algum daquele brilho que vos torna tão queridos entre as duas pessoas que vos suportam.
Garanto-vos que não fiz de propósito, já que se passou comigo o mesmo que com esta rapaziada, mas de forma metafórico-profissional.
Não envolveu bolas vermelhas na boca e animação condizente, mas o efeito foi semelhante. Com a agravante que para a semana podem fazer o mesmo se lhes apetecer. Quando me disseram que tinha um trabalho liberal, esqueceram-se de mencionar estas alíneas.
Sendo assim, saudínha e bom fim de semana da revolução. Prometo que para a semana não prometo nada.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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17:21
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17.4.09
Mak & Duca 3 - Vegetando
Há pessoas que não vacilam e mantêm um caminho definido e constante na sua vida, nunca cedendo a pressões ou a tangas. Depois existem outras que, embora boas pessoas, ainda vão em cantigas e deixam que pessoas como eu as convençam que afinal as coisas não são assim tão más.
Graças a isso, esta alminha voltou a colaborar em mais uma tira Mak & Duca. Só me falta então caminhar sobre a água.
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Sérgio Mak
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09:35
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16.4.09
Tecnologia até rima com velharia

Não se pense que vou dedicar estas linhas a fazer poemas. Já usei a quota de sensibilidade deste mês quando esperei que o sinal estivesse verde na passadeira para só então passar uma rasteira ao ceguinho.
O meu propósito tem a ver com o facto de muita gente associar os idosos a tecno-excluídos. Ora isso é uma bela mentira e conheços muitos velhotes que provam isso alto e bom som. Pena é que esse alto e bom som se refira essencialmente ao toque do seu telemóvel. Pode parecer estranho, mas quem anda de transportes sabe do que estou a falar, pois onde há um idoso com telemóvel há um toque capaz de fazer do Clube Jamba parecer um grupo de meninos de coro.
Começa logo pelo facto do idoso ter, por norma, um telemóvel “só para fazer chamadas” (que demodé). Esse é um tipo de telemóvel que não tem toques modernos, reais, polifónicos, metropolitanó-sinfónicos, etc. Tem apenas toques, que se dividem entre maus ou que não se ouvem, segundo os próprios.
Como um telemóvel serve para se ouvir alto (ou para gritar, quando faz a chamada), o idoso escolhe o pior toque possível, o mais alto possível, porque na mala ou no bolso “depois não se ouve com a confusão”. Mas, fartos de serem acusados de não acompanharem a tecnologia, os idosos não se contentam em atender o telemóvel à primeira.ou vá lá à segunda. Há que martirizar o resto da vizinhaça com com a versão ferrinhos de Beethoven, pôr os óculos, tirar o dito cujo da bolsinha feita pela neta e olhar para o visor e dizer “Oh, também desligam logo” (2 minutos depois).
Com sorte, o ritual repete-se e depois de finalmente se decidir a atender o telemóvel temos a sorte de saber que hoje o almoço é dobrada e o Dr.Francisco não atende às 5as.
Eu ia dizer que uso headphones para evitar danos mais graves nessas situações, mas já não preciso, desde que os fabricantes de telemóveis meteram nas mãos das crianças os telemóveis com colunas.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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14:42
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13.4.09
Filmes no Metro

Há quem defenda que o cinema é sobrevalorizado. Paga-se pelo bilhete, não se escolhe a companhia (para além de um possível par, é claro) e siga para bingo, esperando ter acertado no filme e no par. Daí eu ser forçado a compreender a venda de pipocas no Metro, por mais idiota que isto possa parecer.
Senão vejamos: o Metro é frequentado por milhares de utentes ao fim da tarde e também por algumas pessoas. Boa parte vem da sua rotina do trabalho a caminho da sua rotina familiar/pessoal e procura algum tipo de animação no intervalo. Podem até ponderar ver um DVD/TV em casa ou até ir ao cinema, mas a viagem que vão fazer pode conter ingredientes suficientes para superar pelo menos boa parte da programação nacional.
A fome também costuma vir com eles e o cheiro de pipocas funciona logo como um despertador/iman (existissem roulottes no Metro e a conversa era outra). Os olhos arregalam-se e a expectativa do cinema está lá toda, com o acréscimo do factor surpresa, já que pelo preço do passe mensal ou de uma viagem a 80 cêntimos+ pipocas nunca sabemos bem no que nos estamos a meter.
Será o drama do idoso que queria sair em Picoas e, ao ver-se no Sr. Roubado, diz que no tempo de Salazar não era assim? Será o musical com dois romenos e um ceguinho talentoso que conhecem um jovem que não ouve a surdez a aproximar-se por ter o leitor de MP3 com o som no máximo? Ou então uma comédia romântica em que um casal apaixonado tenta beijar-se mas não consegue por causa do emaranhado de piercings e é ajudado por uma testemunha de Jeová farta de conversar com o frango assado que leva para o jantar.
Como vêem, não faltam boas opções de curtas no metro, pelo menos foi isso que me tentou vender a senhora ucraniana da barraquinha das pipocas. Isso e a filha.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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10:48
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7.4.09
Tens um Fernando Pereira dentro de ti?
Pode parecer idiota....não não parece, é mesmo idiota, mas já repararam que grande parte das pessoas, quando imita a voz de alguém num diálogo ou a recriar uma situação, faz uma imitação de voz tipo desenho animado ou personagem de filme de comédia.
Talvez seja pelo facto de gostarmos de distinguir a nossa voz da imitação que fazemos, mas rapidamente o senhor da portaria se transforma num misto de Mickey Mouse e Maximiana ou a namorada do primo Carlos que ligou ontem a pedir desculpa mais parece um cruzamento entre o Bob Marley e o Darth Vader.
A coisa complica ou galopa para a demência, quando se imitam duas vozes diferentes na mesma conversação. Aí a coisa tende a transformar-se numa mistura explosiva entre um disco lido em rotações diferentes e alguém que andou a mamar balões de hélio ou, pura e simplesmente, não se nota a diferença.
Seja como for, não conheço estudos que comprovem esta minha teoria, nem mesmo da minha alma mater, a Universidade de Badmington. Resta-me continuar a contar esta cena da vida real, tal como ela me foi contada por um amigo, numa voz que parecia a Montserrat Caballet misturada com o Bonga.
Green Jelly, Three Little Pigs
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Sérgio Mak
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17:09
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5.4.09
O brinquedo da Playboy

Antes de mais, não a comprei pelos artigos. A mais velha desculpa do mundo para se comprar revistas com miúdas descascadas não foi precisa e, se a tivesse utilizado, iria sentir-me mal por tamanha falta de originalidade. Mas, explicando adiante o porquê, o facto é que sou dono do exemplar nº1 da Playboy.
A compra teve razões simples – que um dia, quando tiver um filho, ele tenha um item de colecção pronto a desbaratar mal possa e, acima de tudo, saber como uma revista icónica a nível mundial seria adaptada ao mercado português, numa época em que a Internet arrasou com tudo o que vendia conteúdos eróticos/pornográficos noutros formatos. Então e pelas gajas não? Pelas gajas sim, mas essencialmente numa perspectiva de curiosidade pseudo científica. Porque se, chegado a esta idade, o meu ponto alto no relacionamento com o sexo oposto viesse em formato revista nós não estávamos a “ter esta conversa”, porque muito possivelmente eu estaria a visitar o marotas.pt
Mas, voltemos à Playboy PT, número uno. Na capa, a foto desilude, não pela interveniente, mas pela escolha. Aquela, em preto e branco e dourados, ali resultou num pastelão e existiam melhores. Em termos editoriais, apostou-se nalguns cronistas actuais e aí não há grande truque. Por exemplo, pega-se num bom humorista, numa girl power atrevida e num autor de nova vaga e a receita resulta para o fim previsto. Quanto aos fait divers, um ou outro apontamento interessante, mas nada que não se encontre em publicações semelhantes já no mercado. Entrevista a um gajo da bola (6 páginas!!), piadas, correio, rúbricas e cartoons com cheirinho a picante e já lá vão mais uma catrafada de páginas. Nota extra, a paginação foi grosseira nalguns pontos, com má distribuição, páginas de texto sem imagem seguidas, etc. Não fui eu que disse, foi uma mulher com experiência no ramo (de páginação, gente lasciva).
Então e as gajas? Calma, já lá vamos. Entre destinos de férias, uma reportagem mais séria sobre África, mais especificamente Guiné Bissau. Destoa do resto, mas faz sentido, para que não seja mais do mesmo. Ah, então e nos conteúdos Playboy capricharam? Aquilo que pensei, para além das gajas, que ia ser um ponto forte, a ligação ao tio Hugo das coelhinhas, ficou aquém das minhas expectativas. Uma retrospectiva ao longo dos anos que mais reduzida teria possivelmente ganho em qualidade, uma foto Carmen Electra que se orientaria melhor na net à vontade e uma chamada de atenção a Marilyn Monroe que não passa disso mesmo. Honra seja feita às citações de figuras entrevistadas ao longo do ano pela Playboy.
Tanta conversa e, finalmente, AS GAJAS SÃO AGORA? Sim, são. A escolha não foi desonrosa, apesar de haver silicone party em destaque. Gostos não se discutem, a cotação da borracha parece que está em alta. Tanto figura central como playmate são moças com os seus atributos e achei muito engraçado o grupo das amigas do horseball. Cavalos e gajas são daquelas coisas que servem para excitar tanto um público urbano como outro mais rural.
Seja na Sra. Penedo ou na Dona Mónica, o problema é mais a fotografia. Há uma ou outra interessantes, mas dá-me ideia que bons fotográfos de nus, numa perspectiva que interesse a uma revista do género não são fáceis de encontrar. Falta glamour nalguns casos, faltam sítios requintados ou talvez tenha faltado imaginação. O fácil está lá todo e é claro que, para uma boa parte da audiência ver tranca, pandeireta e prateleira (como dizia o outro) já é requinte. Mas, parece-me a mim que não é bem nesse campo que a fotografia da Playboy se destacou.
(Olha o parvalhão, GAJAS DAQUELAS e ele a desdenhar)
A questão é, como será evolução? Acredito que ela possa existir, caso contrário a emoção do lançamento desaparecerá e começará a vir a questão – Playboy ou Playboring? Os senhores nos dirão.
Sex Type Thing, Stone Temple Pilots
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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23:01
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3.4.09
Aula e pára o baile

Há pessoas que nascem com o dom da pedagogia, outras apenas com pés chatos. A verdade é que nunca vi para o meu futuro uma carreira num corpo docente e tomara eu que o meu futuro inclua um corpo decente. Por isso, segui o meu caminho e deixei essa história de dar aulas para quem tem vocação ou, como muitas vezes acontece, para quem não tinha outra saída possivel.
Mas, recentemente, fui convidado a dar uma aula. Eu, que normalmente só sou convidado a baixar o tom de voz e a sair ordeiramente. Era uma coisa extra-curricular, ir a uma universidade e falar à malta sobre aquilo que faço. Perguntei se a turma estava de castigo. Não perceberam a piada.
A questão é que, de repente pensei, “Poderá haver gente interessada no que eu tenho a dizer?”. O blog não é um bom indicador, porque não sou parvo em fulltime (ou quase). Para descobrir, só tive um remédio, ir dar a referida aula.
Surpreendi-me, correu bem e ao que parece-me sou uma pessoa extremamente interessante ou muito habilidosa a projectar isso mesmo. E os alunos foram cinco estrelas, quase nem se notou que estavam algemados.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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13:16
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1.4.09
Umas verdades sobre o dia das mentiras
Aproveitando que já está no fim um dia de regabofe e patranhas, queria aproveitar aquilo que aprendi nas aulas de Arraiolos e tecer algumas considerações sobre o sempre tão querido Dia 1 de Abril - Dia das Mentiras.
Eu sou daqueles que acha que nunca é demais que se publicite o Dia das Mentiras. É que me parece que nunca ninguém tem bem a certeza de quando é e, à cautela, vão mentindo o ano inteiro com medo de falhar a verdadeira data. Até porque a história do Natal ser quando o Homem quiser é que é uma bela tanga, pois para esse efeito já existe o Dia das Mentiras. E olhem que o Homem (e a Mulher) querem muitas vezes.
A questão é muito simples, a ciência evoluiu para o conhecimento do ADN de fio a pavio, a clonagem faz com que um tipo já nem possa ter segurança sobre a origem dos carneiros que conta para adormecer, mas a razão pela qual as pessoas mentem (razão científica, não de vantagem do momento) permanece desconhecida. Pelo que sei, a nossa espécie é única na matéria, pois existem animais que fingem, mas em reacções primárias e não em comportamento elaborado como o nosso. Do género, uma leoa a perseguir presas não pergunta a um elefante para que lado é que foram as gazelas. Até porque bastava ele responder "Epá, não tenho bem a certeza" para a leoa o apanhar a mentir, pois toda a gente sabe que os elefantes têm boa memória.
Mas pronto, em média todos nós mentimos e, até ver, nisso não há volta a dar. Aliás, mostrem-me uma pessoa que diz que não mente e eu vejo logo probabilidades de ela mentir, nem que seja a si própria. Uma vez que a relação entre mentiras e pessoas é um facto assente, ao menos que sejamos bons nisso. É que há aí gente que mente mal e em grandes doses e isso não é honra para a classe dos bons mentirosos.
Sim, porque concluindo, é tudo muito bonito e temos um dia e tudo. em que do cidadão aos meios de comunicação, todos fazem gáudio em dizer uma mentirinha, mas se houvesse um dia em que só fosse possível dizer a verdade tenho a impressão que ia ser mais complicado.
E olhem que me custa viver num mundo assim.
Mentira, não custa nada, mas também tenho direito a dar-vos umas tangas (que não de couro) não é verdade?
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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23:09
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31.3.09
Chegado a bom Porto
Aproveitei o fim de semana do apagão para apagar do mapa um ponto de ignorância da minha parte. Vai daí, fui ao Porto, cidade aonde só tinha passado a caminho de outro sítio qualquer, o que não abona muito a meu favor, mas o facto é que o Porto também podia ter insistido para eu ficar mais um bocadinho.
Para começar, decidi que ia ficar bem impressionado com a cidade. Por isso, à cautela, orientei bilhetes para ir ver a selecção, pois ver um jogo da turma do Queiroz faz tudo o resto parecer melhor. Um nativo avisou-me também, com a devida antecedência, para ter cuidado com um tal de Andante, tipo esquisito que opera no Metro e que às vezes troca as voltas a quem só queria dar um giro. Falando em Metro, posso dizer que não se nota nada que está em falência técnica. Tem bom aspecto, tem estações com nomes engraçados para a malta se ir entretendo a ler na viagem e a senhora que diz o nome das estações, para variar, até sabe falar bem inglês.
Saído na Trindade, não evitei a emoção de ter uma banda à espera em frente à câmara municipal. Depois, ao percorrer a Avenida dos Aliados foi fácil reparar que a decoração ocasional de adeptos do FC Porto retira algum do esplendor à dita cuja. Um pormenor interessante, se não vão com alguém da zona, não perguntem na rua qual o melhor sítio para comer uma francesinha. 30 pessoas diferentes, indicam 30 lugares diferentes, com uma coisa em comum – todos são o berço da verdadeira francesinha. Por isso ou levam já uma indicação específica ou arrisquem. Foi o que eu fiz e tive sorte – Buffet Fase ao cimo da Rua de St. Catarina, um espaço com 2 m2, mas com umas francesinhas de categoria, com prémios ganhos e tudo.
Uma nota em relação à rua de St. Catarina, a concentração de dreads por metro quadrado era potente, numa espécie de Bairro Alto concentrado, mas com sotaque nortenho.
Mais umas voltinhas, com aquilo cheio de suecos (poucas suecas convenha-se), ninguém deu por isso que eu era um mouro infiltrado. O facto de eu insistir que era filho do Pinto da Costa também deve ter ajudado. Romaria então para o Dragão, com inspectores do Metro a mostrarem que aquilo do Andante não é mesmo apenas o pior nome para um título de transporte público.
Depois, o que se passou no estádio já é de domínio público e nem vale a pena bater no ceguinho. Foi merecidamente a parte mais fraca da visita. E ainda bem, porque assim fiquei com vontade de voltar a agraciar essa cidade com a minha presença. Não precisam de agradecer, eu sou mesmo assim.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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10:35
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27.3.09
Boleiofóbicos
Caso não tenham reparado, seja qual for o meio que utilizam para se deslocarem para o trabalho, escola, casa de strip ou acampamento de escuteiros, há um fenómeno muito comum à vossa volta – Na maior parte dos carros que circulam, lá dentro vai apenas o condutor.
Este facto leva-me a falar da ideia do car-pooling, que já não é nova. É praticada noutros países há muito tempo e por diversas razões, tendo-a até já referido aqui. Sinto-me à vontade para falar sobre o assunto porque sou daquelas pessoas estranhas que utiliza regularmente os transportes públicos e costuma andar a pé, apesar de ter carta de condução e carro estacionado à porta de casa.
O tema volta agora à baila, porque uma empresa de combustível veio lançar uma campanha sobre isso (gosto do anúncio, conheço quem o criou, mas não vou comentar as intenções da malta do pitroile) e descobri até que há um outro site tuga onde se organiza o carpool. Mas, com muita pena minha, vejo pouca esperança que a coisa pegue/resulte.
Como é dito no terminar de muitas relações, “o problema não és tu, sou eu” ou, neste caso, “o problema não são os carros, são as pessoas”. A ideia de levar duas ou três pessoas (desconhecidas ou não) no carro, ainda que em rotatividade, com claras vantagens económicas e ambientais causa ainda horror a muita gente.
Porquê? Na verdade não sei, porque não conheço a sensação de ir todos os dias de manhã sozinho no carro. Se der a mesma sensação que dava ao Fernando Gomes do FC Porto ao marcar um golo, então percebo perfeitamente e até a familiares e amigos trancava a porta do carro.
No entanto, acho que é um misto de egoísmo/medo/deixa andar. Porque não temos de aturar ninguém, porque assim não me entram tarados no carro, porque assim é mais fácil continuar a queixar-me do trânsito e do preço da gasolina. Toda a mudança de hábito exige um esforço e quando o benefício não é imediato (mesmo que se avancem 30 boas razões para o fazer) é difícil convencer o bom português.
Assim, quando depois surgem leis e imposições como taxas elevadas para entrar com um carro na cidade ou restrições semanais ao número de veículos que entram (por exemplo: num dia só entram matrículas com terminação ímpar, no outro par e assim sucessivamente), as pessoas insurgem-se. Porque é um abuso, porque os transportes públicos não funcionam, porque somos sempre nós a pagar. O que não é totalmente mentira, mas também acontece às vezes porque olhamos vezes demais só para nós e poucas à nossa volta, para perceber o que melhorar.
Um carro é ainda, por estas bandas, um objecto demasiado associado ao status, ao poder pessoal. Partilhar status neste capítulo é contraditório. Mas insistir em continuar a dar tiros no pé, também o é.
Resta saber se algum dia aprendemos a ver a diferença.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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12:33
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25.3.09
Vácuo Vadis
Há algum tempo atrás apresentaram-me a técnica do vácuo aplicada à vida doméstica. Embalagens a vácuo, alimentos preservados a 100% (e por muito mais tempo) a vácuo e por aí em diante. Confesso que ao princípio me mostrei renitente, até porque tinha saído do Tupperwéricos Anónimos há muito pouco tempo e não estava ainda com força para outra.
Mas quando me mostraram o que um aspirador também podia fazer em termos de vácuo (e desenganem-se aqueles que já têm um sorriso maroto nas beiças, seus depravados), não consegui resistir. Basta um saco próprio e vemos tapetes e edredons a mirrar que nem passas, poupando espaço, truques de dobragem e ajudando a matar à fome populações inteiras de traças e afins.
Gosto tanto disto que já apliquei o mesmo até aos meus avós coitaditos, que nos Invernos penavam tanto com o frio e as doenças, isto para não falar que é nas estações mais frias que os velhotes se vão abaixo. Agora, chega a Setembro /Outubro, meto os avós no saco, toma lá aspirador e vácuo e é vê-los quietinhos, prontos a irem para arrecadação até voltarem os dias mais quentes.
Recomendo vivamente isto, quer seja para avós, animais de estimação e, porque não para crianças mais indisciplinadas. Em vez de um castigo ou uma palmada, que causam sempre alguns danos, é embalá-los a vácuo no fim de semana, que ficam preservados a 100%, sem perder qualidades com a vantagem de não irem a lado nenhum e terem tempo para pensar na merda que fizeram.
Sempre a inovar, não é verdade?
April Stevens, Teach me Tiger.
Rasgo alucinado de
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11:55
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23.3.09
Corridinho português

Já não é novidade que, todos os anos, milhares de pessoas se juntam para me homenagear, correrendo comigo na Ponte 25 de Abril. Na expectativa de me fotografarem a chegar, alguns fãs quenianos chegam a correr o triplo só para tentarem passar por mim isto para não falar no Sócrates, que este ano até foi de Magalhães às costas.
Modesto como sou, recuso medalhas, distribuo água pelos necessitados (à senhora de bengala, agraciada involutariamente com uma garrafa na testa, o meu pedido de desculpas) e, acima de tudo, evito entrevistas. Se toda a gente não soubesse que aquilo era por minha causa, ninguém ia dar por isso.
Mas, para além de provar que essa história de quem corre por gosto não cansa é uma bela tanga, todos os anos me delicio a descobrir e enunciar, por entre o cheiro a suor e a vista do Tejo, personagens que não faltam ao evento e só se descobrem nestas alturas. Assim, eis três destaques deste ano:
Homem-Saco – Misto de Ecoponto, MacGyver e encarnação de Baden Powell, este homem professa que para sobreviver ao frio matinal, a melhor solução é um saco de plástico gigante. Assim, basta um furo para a cabeça, dois para os bracinhos e já está, parece que moramos ao fim da rua em Chernobyl e o lixo radioactivo ganhou pernas e fugiu do contentor. És um benfeitor porque te aqueces a ti, mas através do riso também nos aqueces a nós.
Idosos Malucos do Riso – Toda a gente sabe que entre velhotes não faltam entusiastas da corrida. Talvez porque têm pouco que fazer, mas também porque assim têm mais tempo para ganhar fôlego para debitar piadas que seriam referência no seu programa de humor favorito. Depois, na única data do ano em que têm uma audiência digna desse nome é ver surgirem em catadupa dichotes tão requintados como: “Estes Filhos da Pista só empurram”, “Toca a gaita para ver se isto anda”, “Ó Chórice mete fogo nisse” ou “Ai mãezinha, hoje ainda tenho mais mulheres a correr atrás de mim”.
Atleta fluído – Este atleta tem muito para dar, desde que o possa fazer em fluídos. Acredito piamente que este atleta perca mais de 8kgs de líquidos por competição e isto só no primeiro minuto da prova. Entre um xixizinho enquanto espera pela partida, a cinco cuspidelas para uma boa arrancada, passando por 34 fungadelas para ir limpando o nariz e 172 limpezas de suor com as costas das mãos, este artista transforma qualquer corrida ao seu lado, numa luta contra marés vivas. Num dia mau, a sua fluidez pode até incluir vómitos e diarreias, mas isso é facilitismo, porque ele quer ir fluindo ao longo da corrida e não em 15 segundos de fama. No final da prova, mais importante que a medalha é retirar a tshirt e espremê-la junto de quem esteja mais distraído.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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11:44
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20.3.09
Dia do Pai do Blog
Pois é, este post já vem com um dia de atraso, mas se a porra do Natal também pode ser quando eu quiser, qual é o problema?
O facto é que passei o dia pensar no que diria ao meu filho se ele me ligasse a desejar um bom Dia do Pai. A verdade é que o sacana se esqueceu e o facto de eu não ter filho nenhum não devia servir como desculpa. Da minha parte, tenho a consciência tranquila pois liguei ao meu progenitor. No entanto, as caves quase não têm rede e ele sai pouco desde que tem uma nova família.
Dadas estas circunstâncias trágicas e o facto de eu ser pai de muito pouca coisa, lembrei-me do blog. Nasceu de mim, sou eu que o alimento, não se mexe se eu não fizer nada, é totalmente dependente e, convenhamos, é a minha cara chapada.
Celebro então o “Dia do Pai do Blog” dizendo-te já umas coisas, para que aprendas que a vida, mesmo que na Internet, não é só facilidades. Um dia, mais tarde, vais agradecer-me, nem que para isso tenha que ser eu a teclar a palavra “Obrigado”.
O teu pai sempre teve a mania que era engraçado, mesmo antes de haver Internet. Houve quem chamasse a essa mania ser parvo, mas engraçado é a palavra que deves reter. Cedo percebeu também que crianças com caracois têm sucesso, até porque nessa altura um tal de Marco Paulo (depois pesquisas no Google) fazia furor. Nunca teve problemas na escola, era um miúdo esperto, tirando o dia em que resolveu jogar futebol com uma pedra da calçada. Os anos ia passando e ele foi conhecendo muitas raparigas, mas nunca pensando em vir ter um blog com elas.
Não sabendo se beneficiou de um erro informático, o teu pai entrou para a faculdade que quis, no curso que lhe interessava. Mentira, o teu pai era tão metódico, que querendo entrar para aquela faculdade, meteu os cursos todos que lá havia por ordem alfabética, sabendo que depois de lá estar dentro, aquilo dava para trocar. Não julgues o teu pai por isso, até porque ninguém conseguiu fazê-lo, dado que havia um vazio legal.
Na altura, já perguntavam ao teu pai o que queria fazer, já que uma das grandes saídas do seu curso era o Desemprego (Comunicação Social, essa meca). Eu respondia que tinha pensado realmente em ser desempregado, porque é um trabalho com muito tempo livre e assim dá para fazer coisas que realmente interessam. Mas, depois explicaram-me que é para isso que também serve o período em que tiras um curso universitário. E, sendo assim, o teu pai fez o seu curso, com especialização em Borga, Matraquilhos e Escrita Criativa em Frequências.
Depois de andar na universidade, o teu pai achou que era tempo de fazer algo útil, por isso resolveu ir trabalhar, mas moderadamente para o choque não ser tão grande. E, foi por essa altura que tu nasceste. Não venhas com perguntas sobre quem é a tua mãe, porque a verdade é que és filho de três homens, pelo menos inicialmente. Não foste devidamente planeado e dois puseram-se ao fresco, ficando eu sozinho contigo nos braços. E olha que eras bem ranhoso. Fica no entanto a saber, deves o teu nome ao Sérgio Leone, ao Clint Eastwood, ao Eli Wallach e ao Lee Van Cleef. Mas nem penses em sacar-lhes dinheiro.
Ao longo do seu percurso profissional, o teu pai continua com a mania que é engraçado e tu vais-lhe apanhando os tiques todos. Vai-se safando, com categoria e falinhas mansas, mas com franqueza acho que não vais ter o mesmo futuro brilhante. É que parte do trabalho do pai é criar expectativas e necessidades falsas às pessoas e eu não vejo a necessidade de fazer o mesmo contigo.
Deves é saber que o teu pai gosta de ti, mesmo que não saiba porquê e, se tudo correr bem, e ele conseguir continuar a convencer pessoas que tem piada sem se esforçar, tu vais estar sempre no seu coração ou, em alternativa, no seu portátil.
Por isso, filho, continua assim, que és tal e qual o pai, e não ligues às pessoas que por esta altura já dizem que estás grande e chato comó caraças.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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18.3.09
Boca do Inverno

Então malta jovem essas tardes invernosas? Esses serões enrolados numa manta a ouvir chover lá fora? Esse bafo de frio mal põem um pézinho fora da porta? Tudo caladinho que nem um rato não é verdade. Pode ser que isto seja uma partida de Deus a S.Pedro, dando-lhe Alzheimer para o senhor não encontrar as chaves e depois deu nisto. Atenção, não fui eu que disse isto, foi a Alexandra Solnado que me ligou a dizer que o JC ontem estava imparável nas SMS’s.
A verdade é que, caso não tenham estado ultimamente em coma ou a tentar hibernar, já repararam que este Inverno, ou melhor, esta anedota de Inverno não tem muita piada. Para já, obrigou centenas de agricultores a reescrever argumentos e petições para subsídios. As palavras geada, chuvas fortes, enxurradas e precipitação e necessidade de subsídios vão ter de ser substituídas por expressões como calor, seca intensa, aridez e extrema necessidade de subsídios.
Depois, um tempo assim é um incentivo ao aumento do desemprego. Com mau tempo e frio a malta ainda pensa – coitadinhos dos desempregados lá fora ao frio, ainda bem que tenho um emprego quentinho. Com tempo de praia em Fevereiro/Março uma pessoa olha lá para fora e pensa – Sorte é quem recebe subsídio para ir para a praia e eu aqui encaixotado neste emprego que parece um Inferno.
Depois, não são só as andorinhas e restante bicharada a andar desnorteada. Já foram vistos jornalistas em vôo picado contra paredes, outros a tentarem atravessar avenidas com sinal vermelho, tudo fruto da desorientação. Pudera, nesta época do ano estão habituados a ir cobrir histórias da senhora que ficou com a casa inundada, da família que vive ao frio sem tecto ou moldavos que bebem e vão desafiar as vagas gigantes de Inverno. Com este tempo, levam com incêndios, malta a bronzear-se na praia e moldavos que bebem e aproveitam o bom tempo para desafiar as vagas gigantes do Inverno. Não há orientação de linha editorial que resista.
E, no meio disto tudo, o Al Gore, ninguém o vê a vir cá filmar isto pois não? Pudera, deve estar no Algarve a dizer umas verdades inconvenientes a umas suecas desinibidas.
Arcade Fire, Neighborhood #3 (Power Out)
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Sérgio Mak
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16.3.09
Yes you can-ivete

Antes de mais, o título deste post é apenas um trocadilho miserável e não uma linha de engate num qualquer bar de alterne citadino. A verdade é que nestes últimos dias me tem cheirado um bocado a requentado, mas não sabia se tinha a ver com o mix torreira de inverno-falta de desodorizante à minha volta ou se vinha aí alguma surpresa do fundo do baú.
Pois que parece que ambas as premissas eram verdade, já que não só tenho tido encontros imediatos com gente que sofre de sudações de terceiro grau, como tive oportunidade de verificar que vai efectivamente haver uma adaptação cinematográfica do saudoso/mofoso MacGyver.
A minha primeira reacção foi de susto. Depois, já mais calmo, foi de horror. Primeiro só conseguia pensar no penteado do Richard Dean Anderson, que era como que um misto de rato electrocutado e extremo direito do Sacavenense. Depois pensei quem de raio tirou o pobre Mac (não confundir com Mak) da tumba, 17 anos depois da série acabar. Tudo bem, foi engraçado, era um regabofe na sua época, mas fazer uma adaptação moderna da coisa, hummmm. Já me cheira outra vez a requentado.
Mas, vendo bem as coisas, ressuscitar um tipo que aproveita um pau, um cubo de gelo e duas pilhas de 1,5volts para criar, por exemplo, um Cavaco Silva, é uma boa ideia para moralizar o povo em tempos de crise. Especialmente se o filme for integralmente rodado com dois rolos de película aderente, uma câmara frigorífica e três cactos do México como elenco.
Pelo menos ficam a ganhar ao original em termos de profundidade de representação.
PS – Dão-se abracinhos (ou abraços viris) a quem identificar a perua que se destaca também na arte do penteado ao lado do MacGyver.
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13.3.09
Jesus foge da ira do Pai

Defendo que uma legenda vale mais que mil imagens. Senão, vejamos esta que acompanhava esta fotografia que recebi por email há dias:
Jesus Cristo foge do local do acidente, depois de espatifar o barco do pai
Não é minha a piada, mas que nunca se diga que eu não sou um democrata do humor.
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12.3.09
Olé Torino

Para ver que neste espaço o Clint Eastwood tem créditos, não é preciso ser vidente. Aliás, foi essa parcialidade que ajudou a que este blog tivesse o nome que tem, depois de uma apertada corrida com nomes como “Staff Ermo”.
Por isso, depois de visto o Gran Torino, nem me vou gabar do facto de ter tido a oportunidade de o ver antes da estreia (ops), ou vir para aqui estragar o cenário.
Tem exageros, uns ligeiros pormenores dispensáveis, mas o facto é que prefiro ver o Clint visto pelo Clint a qualquer Angelina Jolie de oferta, por isso não há Troca possível. Tomara eu chegar à idade do senhor e conseguir distinguir entre o tapete da sala e a sanita. Por isso, ide ver minha gente e mesmo que não saibam distinguir um Ford Gran Torino, de um Kangoo não há problema. Se tudo correr bem, vão sair à mesma com uma vontade de rosnar e a agradecer-me por não terem ficado em casa a ver o DVD dos Teletubbies.
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Sérgio Mak
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