
Tenho ideia de que ela já suspeitava disto. As pistas foram-se acumulando e, chegada esta altura, já não era possível continuar a esconder. Este fim de semana ganhei coragem e admiti-lhe: "Olha, não sei como aconteceu, mas o facto é que aconteceu. Quero que saibas, aqui e agora, pela minha boca que há já dois meses que sou amante da perfeição".
Levei uma bofetadita tolerante, mas ainda assim vigorosa. Há piadas que não fazem sentido ao domingo de manhã...
Mr. Bungle, Pink Cigarette
17.11.08
Desavenças Conjuncionais
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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14.11.08
São duas carcaças, um pão de Mafra e terapia emocional por favor

Sou a favor do comércio de bairro, nomeadamente mercearias e padarias, e não é por causa do saudosismo e apego às tradições de antigamente, que fazem chorar qualquer calhau, tirando eu.
Tudo bem que os preços são elevados face às grande superfícies mas, pelo que observo regularmente, não se deve arranjar psicanalista mais barato. Bem vistas as coisas, onde é que se arranja uma boa consulta pelo preço de pão para almoço e jantar?
Entre os cumprimentos da praxe, o pedido e o acto de pagar, pode-se desabafar sobre problemas em casa, sobre a solidão, sobre a incerteza do futuro profissional e até sobre o facto da senhora do Corsa Azul andar mais arranjadinha. O merceeiro/padeiro não vai reclamar e vai fingir-se atento, pois a clientela tende a rarear nos dias que correm e boa parte dos outros fregueses vai sentir-se satisfeita por poder participar num painel clínico em que opiniões acutilantes como: “Deixe estar, vai ver que amanhã se Deus quiser já se sente melhor”, “Olhe, eu sei bem o que isso é, lá em casa é a mesma coisa” ou “Isto está cada vez pior, é viver cada dia o melhor que se pode, porque nunca se sabe o amanhã” são valorizadas ao nível dos melhores medicamentos.
Mas, apesar de apreciar sinceramente que aquela corja se despachasse e me deixasse comprar um simples croissant em menos de dois minutos, eu compreendo e encorajo esse comportamento. É que posso não ter pachorra para estes filmes, mas mais vale gastar o dinheiro em couves e vianinhas do que em psicanalistas duvidosos.
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Sérgio Mak
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18:27
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13.11.08
Ocultamente famoso
Não é raro termos prova que Lisboa é um centro atractivo para a elite místico-intelectual africana. Já falei disso e, quase todos os dias, chegam às nossas mãos panfletos falando sobre as capacidades destes Professores, Mestres e afins. Embora não sabendo em que tipo de Universidade se dão as cadeiras de Cura de Impotência via Telefone, Análise de Azares I, II e III ou Resolução Prática de Problemas Amorosos, gosto de utilizar o exemplo destes senhores para mostrar que a teoria de que só temos cá mão de obra africana não qualificada é claramente falsa.
No entanto, quis o destino e talvez algum azar amoroso do meu pára-brisas que um folheto do imponente Professor Karim ficasse preso no meu carro. Embora não vos mace com a secção do mesmo em que ele mencionava curar tudo, desde ressacas a problemas da vida, passando por nódoas espirituais na alcatifa, houve uma capacidade deste catedrático que me surpreendeu. Vejamos:
Portanto, apesar de fazer trabalhos ocultos, um termo que leva o comum mortal a crer que ninguém saberá que foram feitos ou quem os fez, o Prof. Karim alardeia fama junto de personalidades do mundo inteiro. Ou seja, o seu anonimato na área do oculto é mundialmente reconhecido.
Concluindo, em jeito de repetição, se alguém quiser um trabalhinho que ninguém saiba que foi feito ou por quem foi feito, toda a gente sabe que o o Professor Karim é o a pessoa certa para o fazer. Digo eu, que pouco sei.
Confuso? Nem tanto, se tivermos em conta que a lógica também é uma coisa muitas vezes oculta neste ramo.
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Sérgio Mak
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10:29
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12.11.08
Vais ou precisas de um empurrãozinho?
A simplicidade é uma coisa bonita. Eu, que tanto trabalho já tive a tentar dar nomes a coisas, devia aprender com este exemplo. Ora bem, se temos um encontro grande, mas assim mesmo para o grande, com muita gente, que nome é que lhe vamos dar - Humm, humm, deixa lá ver, hummm, humm... JÁ SEI!!!!
E eu a pensar que o Inatel tinha ficado radical e ia fazer uma espécie de festival de bandas da pesada ou, em alternativa, uma competição de carrinhos de choque e deparo-me com isto...
Imagino conversas pós evento: "Nem imaginas com quem dei de caras no Encontrão" ou "O Encontrão soube-me a pouco, esperava algo mais forte". Cambada de artistas, encontrão a sério é nos transportes todos os dias, agora vêm-me com histórias de teatrinho...
Salt n'Pepa - Push it
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Sérgio Mak
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11:41
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11.11.08
História da Desumanidade

Não é para me armar em José Hermano Saraiva, mas surge-me uma pertinente questão histórica - Em termos de armas de arremesso, serão mais antigas as catapultas ou as crianças filhas de pais desavindos?
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Sérgio Mak
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12:24
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10.11.08
Conduzindo ao fim de semana

Conduzir ao fim de semana devia ser uma experiência libertadora. Livres de pressas e da maralha que, de segunda a sexta, preenche as avenidas e ruas de Lisboa, seríamos nós, o carro e o prazer da condução descontraída. O problema é que todo o velhote desprovido de Alzheimer pensou exactamente o mesmo.
Eu sou um tipo paciente, não buzino freneticamente mal o semáforo abre, não gesticulo quando o carro da frente vai abaixo e solto apenas ligeiros impropérios perante a ausência de piscas em manobras que o requerem. Acima de tudo, não discrimino o condutor de fim de semana porque, traço geral, é exactamente ao fim de semana que eu conduzo. Mas, há algo no condutor idoso perigosamente à beira da senilidade que me tira do sério.
É certo e sabido que, com a idade, os reflexos diminuem, a memória de curto prazo idem, isto para não falar na visão periférica e na dentição natural. Tendo isto em conta, porque raio é que a maior parte dos velhos que conduz ao fim de semana tem carros cujo tamanho se inclui quase na categoria barco? E não me venham os defensores da terceira idade dizer “Ah coitadinhos, é o carro que têm há muitos e bons anos”. Não é, porque este fim de semana foram Mercedes recentes e Volvos brilhantes que à minha frente desafiaram a lógica das manobras de condução e a minha paciência. Foram BMW’s, Rover’s e outros que tais cuja juventude contrastava com as carcaças ao volante e cujo ar veloz e reluzente surpreendia pela imobilidade com que bloqueavam ruas, cruzamentos e a minha felicidade e descontracção.
Caro idoso, se me lês enquanto preparas a camurça para encerar o teu bólide de fim de semana, aponta isto antes que a falta de memória se imponha. Que tal comprares um carrito pequeno, que não perturbe a tua mobilidade (e também a tua barriguinha) mas também não lixe a vida a quem só quer ser feliz ao fim de semana? Melhor ainda, liga ao teu filho, que a tantos sacrifícios te obrigou, relembra-lhe isso mesmo e pede-lhe para te levar ao jardim ou a almoçar fora no domingo. Tudo bem que o facto de ele ter emigrado para Inglaterra pode ajudar a que não te dê boleia, mas esses 10 minutos ao telefone podem ser os suficientes para não nos cruzarmos na estrada, no caso de insistires em trazer o barco para a rua.
Como diz aquele grupo de pirosas vestidas estilo contentor da reciclagem “Fazes-me esse favorzinho, fazes?”
É que, ao contrário delas, eu tenho cabedal para te furar os pneus...
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Sérgio Mak
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10:51
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8.11.08
Erro de perspectiva

Meu conhecido há algum tempo e embora extremamente interessante e merecedor de leitura atenta, este livro de 2003 do Paul Arden continua a ter, a meu ver, uma clara lacuna do ponto de vista da abordagem. É que, para fazer sentido a 100%, o título deveria acabar em "it´s how to make people think you're good".
Hoje em dia, mais fácil do que ler diversos livros de interesse, é comprar esses mesmos livros e dizer que os temos. Poupamos tempo, enchemos estantes e basta ler a contracapa para poder usar isso e passar por culto. De fachada, mas culto.
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Sérgio Mak
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23:20
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7.11.08
Aldeia dos Artesãos - Reserva Natural para Profissões em vias de extinção

Olho à minha volta e denoto uma certa preocupação com o futuro de certas espécies animais, cada vez mais ameaçadas de extinção. Tendo em conta que nos planos do catolicismo não há ressurreição para a bicharada, tal atitude vê ainda mais reforçada tanto a sua necessidade como a sua nobreza.
No entanto, não vejo preocupação semelhante em Portugal quando penso no maior animal de todos, vulgo nós, e em algumas das suas espécies mais exóticas. E, antes que algumas mentes divaguem, não me refiro a strippers e a maus actores, espécies essas que me parecem em claro crescimento.
Falo dos sapateiros e dos amoladores, de marceneiros e outros que tais, cujos últimos exemplares já se contam quase pelos dedos das mãos e, nalguns casos, só já os avistamos a serem torturados em reportagens de noticiário com música de fundo melodramática. Diria mesmo que as hipóteses da maior parte desses artesãos encontrar um discípulo que seja e assegurar “descendência” são quase proporcionais às chances de eu me tornar campeão nacional de breakdance .
Por isso, não percebo porque não se criou ainda um parque semelhante, por exemplo, ao Badoka Park onde estivessem reunidos alguns dos artistas que restam nos mais diversos mesteres, homens e mulheres, num cenário tipo Aldeia dos Artesãos onde pudessem conviver com jovens rústicos e rústicas, sem aspirações pós-modernas, tendo em vista a sua reprodução controlada em ambiente vigiado.
As cri(anç)as sorveriam todo um ambiente de artes tradicionais, a par de umas boas chapadas para uma educação à antiga, aumentando assim exponencialmente as hipóteses de sobrevivência da raça. O parque seria aberto às visitas de crianças e adultos, mas apenas os primeiros teriam contacto directo com os artesãos. Primeiro, porque é muito mais divertido descobrir por si só, espécies estranhas sobre as quais só ouvimos os nossos avós falar. Segundo, para evitar que empresários do Norte e jovens freaks com a mania que são muito retro perturbassem os rituais dos espécimes protegidos.
A Aldeia dos Artesãos daria ainda a hipótese aos pais de, no final da visita, doarem os seus filhos para património da aldeia, caso tivessem comprovativos financeiros que atestassem a sua falência técnica, o sobreendividamento ou a hipótese clínica de que o miúdo nunca viesse a ser jogador da bola. Deste modo, não só se aumentava o número de potenciais artesãos adoptivos, como se reduziria o número de crianças a caminho de uma adolescência que não augura nada de bom.
É certo que ainda faltam alguns pormenores a este projecto, mas se algum governante deste país faz deste blog a parte mais útil do seu dia, é bom que esteja a tirar notas. É que, com uma ideia deste gabarito a germinar, depois ainda se admiram quando eu me rio quando oiço dizer que faltam ideias para o país...
The Tokens, The lion sleeps tonight
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14:07
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6.11.08
Queres ser rico? Vai morar para Batman

Numa iniciativa que tem tanto de absurda como de genial (um pouco à imagem deste blog), a o presidente da câmara da cidade turca de Batman está a pensar processar Christopher Nolan, realizador de "Batman Begins" e "Dark Knight", assim como o resto da turminha de Hollywood e empresas afins, por apropriação e uso indevido do nome Batman.
Embora eu considere que isto faz do senhor um verdadeiro Joker, não deixa de ser uma manobra de marketing muito apropriada do ponto de vista turístico para a bela localidade de Batman. Não faltarão com certeza maluquinhos vestidos de lycra e couro a fazer já grandes planos para as próximas férias em solo turco.
Sabendo eu da tendência para o chico espertismo dos autarcas nacionais, creio que depois desta notícia pouco faltará para assistirmos a um processo da freguesia algarvia de Sagres à Central de Cervejas ou da freguesia de Casa Branca aqueles bandalhos dos americanos, por uso abusivo do seu nome para alojamento de indivíduos que clamam ser presidentes.
Não digam que eu não avisei...
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Sérgio Mak
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16:05
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5.11.08
Preto no branco
Para que depois não digam que eu não sou um gajo atento ao que se passa no planeta, eis o paradoxo:
Nunca um dia negro trouxe tanta expectativa positiva ao mundo*. 
*Incluindo à Dona Alzira, que tomou o pequeno almoço no café a meu lado e disse estar muito contente pelo Sr.Alfama que lhe fazia lembrar um moço dos Correios que tinha sempre um sorriso para ela.
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Sérgio Mak
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4.11.08
Os unidos da América

Como devem ter reparado, estive em recolha nos últimos dias. Afinal de contas, hoje era um dia importante para mim, já que ia ajudar a decidir o futuro de uma das nações mais poderosas do mundo. Levantei-me logo pela fresquinha e dirigi-me à embaixada americana, para exercer o meu direito de voto.
“Sorry, no can do” disse-me um simpático cônsul, acompanhado de dois amigos armados até aos dentes, que arrisquei serem militares. “Então, mas as eleições não são hoje amigo?” perguntei com ar estupefacto “Não é hoje que decidimos se pomos o Barraco Alfama ou o fóssil na Casa Branca?”. “Yes, but isso é só back in the States. Here a votação já foi, last week...”.
Nessa altura comecei a enfurecer-me “Mas, e ninguém avisa??” disse, elevando a voz. No entanto, acalmei-me logo quando os amigos de metralhadora deram um passo na minha direcção. “Well, nós avisámos, mas tu não seres american. Por isso, like we say in our country, fuck off, que eu já estar farto de portugas que think que têm the right to vote for the President of the Universe”.
Acompanhado por dois matarruanos e várias peças de artilharia, vi-me frustrado de novo no meio da rua. Então, tantas notícias, tantos enviados especiais, tanta reportagem detalhada on the spot sobre onde o Obama corta o cabelo, sobre o tipo de parafusos que o McCain tem no corpo ou a distância em metros entre cada divisão na Casa Branca, isto para não falar no que come o periquito do sobrinho do vizinho do tio avô da cunhada do McCain e, no final de contas, isto não tem directamente nada a ver connosco.
E pronto, decidi, já não tenho pachorra para quem vive as eleições dos camones como se fossem as nossas. Ou melhor, vejo muito mais conversa, estudo e reportagem e análise detalhada feita por portugueses do que quando as eleições são em Portugal. Amigos, os senhores são importantes sim senhor, mas não vem de lá o Messias que vai transformar pedras em McDonalds e dívidas em rolos de notas. NÓS NÃO VOTAMOS E NÃO DÁ PARA TROCAR O CAVACO E O SÓCRATES PELO MCCAIN E O OBAMA.
Por isso, acordem para a vida.
Já agora, vão mas é ver se têm dinheiro no BPN e deixem-se de tangas.
Presidents of USA, Lump
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Sérgio Mak
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30.10.08
Argentina nas mãos de Deus (e do Diabo)
É curioso ver como, por vezes, as coisas se encadeiam e refiro isto apenas como a justificação de que preciso para falar de futebol. Vem isto na sequência de, na semana passada, ter tido a oportunidade de ver o documentário “Maradona by Kusturica” onde confirmei apenas algo que já previa - quando se juntam dois tipos que têm algo de génio/louco (e amizade por substâncias ilícitas) o resultado, quando não há instrumentos afiados pelo meio, pode ser engraçado.
Nesse documentário, confirmei também que há dois sítios na Terra onde Deus não é um individuos de longas barbas brancas, túnica a condizer e voz ribombante, mas sim um gordito atarracado com cabelo para dar e vender, problemas de atitude e uma relação mágica com uma bola de futebol – Argentina e Nápoles. Da criação de fenómenos como a Igreja Maradoniana ao estatuto imortal alcançado numa cidade pobre do sul de Itália, é fácil observar que a adoração pelo pequeno marciano (assim definido pelo irmão para aí aos 10 anos) vai muito para além da lógica.
Já esta semana, observei essa mesma ausência de lógica ao ler que Maradona foi designado seleccionador argentino. Quem assumiu essa decisão não assumiu um risco, assumiu vários e snifados em sequência. Este Deus nos campos, fora deles é um homem com falhas, muitas e variadas, muitas delas assumidas pelo próprio, mas que nunca se negará aquilo que ama - o futebol argentino.
Maradona já ganhou o estatuto de imortal, apesar de episódios como este. Não precisa de tentar mais milagres ou converter mais fieis. Posso estar muito enganado, mas, para além de um efeito moralizador, vejo muito pouco de bom em ter o Diego à frente do comando técnico de uma selecção como a Argentina. Imaginem, o Eusébio à frente da selecção, seria bonito mas muito pouco rentável parece-me, embora por esta altura tudo pareça melhor que o Queiroz.
É lógico que a mim me dá jeito, pois piadas fáceis são o prato do dia, tal como “Vamos ver a Argentina a jogar colada à linha”, “Maradona procura fonte de inspiração no banco” ou ainda “O resultado ficou em branco, o nariz de Maradona também”, mas o facto é que não me dá gozo bater num ceguinho que me dá tanto gosto rever em cada momento que passou no relvado.
A não ser que Maradona queira ser seleccionador português. Nesse caso, esqueçam tudo o que eu escrevi...
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10:40
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29.10.08
Posts com pinta
Eu ia falar sobre o Maradona (e ainda vou), mas valores mais altos se levantam. Até hoje, eu pensava que era criativo. Depois de ter visto o site da empresa Tintas com Pinta, percebi que não passo de um traste... O senhor desta empresa, depois de promoções com presuntos e cordeiros, continua a inovar e até já tem honras de destaque na TSF.
Vejam o site com som e maravilhem-se com a mente humana...
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Sérgio Mak
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10:35
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27.10.08
As balelas públicas dos condomínios privados

Como o mercado imobiliário já era pouco especulativo (e que se lixe a facada da Subprime party), de alguns anos para cá foi-se implementando a bela estratégia do condomínio privado a granel.
Se, em teoria a ideia de um condomínio privado tem algum cabimento, embora importada certamente de cenários além fronteiras onde a grandeza (falo também de espaço físico) é mais comum, na prática já chegámos ao ridículo.
Condomínio privado, para mim, é sinónimo de habitação de luxo em espaço reservado, que pelas suas características tem algo que a valoriza e distingue das demais. Seja pela localização de eleição, seja pelos pormenores de construção, seja pelo facto de 80% das habitações estarem reservadas a supermodelos nórdicas. E, por isso tudo e mais um par de botas, os condomínios privados eram caros, muito caros, fora da dimensão comportável aos mortais mais comuns,
Mas, a lógica empresarial inverteu o cenário. Alguém se lembrou que se podia continuar a utilizar a nomenclatura “condomínio privado”, enquanto espelho de habitação distinta e admitamos – elitista, mas agora apenas como chamariz. Ao início, reduziu-se apenas um pouco no luxo, na localização, que agora já não tinha de ser bem perfeita, na % de modelos finlandesas, que também já só era preciso ser para aí de 40%. Tudo isto discretamente, continuando a gritar “condomínio privado”, já que a coisa se vendia e a bom preço.
O consumismo desenfreado, a mania das grandezas e a estupidez em doses generosas fizeram o resto. Hoje em dia temos condomínios privados a 10 minutos do centro de Lisboa (percursos feitos em F-16 é certo) e a 2 minutos de bairros sociais (e gente perigosa, daquela que convém ter muros para evitar). Temos condomínios literalmente debaixo da ponte, temos “Quintas”, “Jardins”, “Terraces” e outros nomes pomposos que escondem projectos feitos às três pancadas e antigas Charnecas e outros lugares de nome bem menos atractivo. Temos construção de segunda a preço de primeira e têmo-la em catadupa, até que a malta perceba que por vinte condomínios que nascem, só um ou dois têm mesmo potencial para o ser e olhem que estou a ser generoso.
Mas, tal como os carros de luxo, os condomínios privados continuam a ser vendidos muito mais facilmente, do que muita habitação mais fiável, mas certamente muito menos chique. É o que dar viver numa era onde mais importante do que pensar se a corda aperta no pescoço, é saber se se vai ficar bem na fotografia quando se for enforcado.
Madness, Our house
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Sérgio Mak
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14:57
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24.10.08
Pronúncia do Norte
Queijo Brie e Croissants são por norma as únicas coisas provenientes de França que me fazem sorrir, tirando a Laetitia Casta é bom que se acrescente.
No entanto, sou um tipo que, quando questionado, gosta de dizer que não tem preconceitos, pelo que ontem me dirigi ao cinema para ver o "Bem-vindo ao Norte". Aproveito também para uma especial saudação à gestão do Alvaláxia, por ter cedido uma sala a duas pessoas só para visionar este filme. Não é todos os dias que se encontra gente tão simpática, mas há que referir que, sendo eu a pedir, tudo se facilita.
Não é o primeiro filme francês que gosto, e sei que é danoso para a minha imagem pouco intelectual admiti-lo, mas neste caso o interessante é ver que esta é uma comédia simples, sem pretensões elitistas, mas também sem cair de chapa no território da alarvidade. Para quem domine o francês ao meu nível (baguette, raquette, manette) é certo que alguns trocadilhos de linguagem se vão escapar, mas também é verdade que, neste caso, a tradução não assassina o filme.
É daqueles filmes em que um bom argumento (também não é caso para dizer que é um argumento épico) e actores competentes fazem de um filme cómico aquilo que é suposto - uma hora e picos de boa disposição, sem muito que pensar.
O trailer, que aqui vos deixo, não faz a honra devida ao filme, mas é como este blog, eu também sou muito melhor do que aquilo que escrevo.
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Sérgio Mak
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10:42
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23.10.08
É-Vidente que não

Entre aqueles que efectivamente têm capacidade para prever o futuro, haverá certamente uma expressão que lhe surgirá na mente ao lerem estas linhas – “Eu já sabia”. A verdade é que depois de este mês ter sido apresentado à Maya, senti que a minha espiritualidade está atingir novos patamares, quase ao nível do meu bom senso.
O meu problema é com a escola de videntes portuguesa, e deixo assim já de fora a classe colegial africana de Metres, Professores, Doutores e outros grandes académicos publicados nos mais reputados suplementos de classificados e em cartões distribuídos à saída do Metro.
Entre grande parte dos videntes portugueses há toda uma espécie de estratégia que me leva a pensar que, ou esta gente vê mesmo o futuro ou então não vê um palmo à frente do nariz. Vejamos este exemplo que se passou perto de mim:
José M. é vidente ou pelos menos pensa que é. Usando o seu talento visionário, vislumbra um espaço numa pequena superfície comercial no centro de Lisboa. Deve também ter visto que nesse espaço já tinha funcionado recentemente um quiosque Vodafone e uma sucursal de unhas para madames, ambas com fracos resultados ou melhor, nenhuns resultados.
José M. terá então amaldiçoado o facto de não ter trocado o seu baralho de Tarot enquanto estava na garantia, já que a visão que este lhe proporcionou estava bastante turva. Decide então arriscar e tornar-se ele próprio o “dono” desse espaço, para exercer o seu mester.
È nessa altura que José M. amaldiçoa também o facto de ter usado um abrasivo na limpeza da sua bola de cristal, que não lhe permitiu ver que o espaço não reunia a privacidade necessária para dizer à Dona Laurinda que o filho não é sensivel, mas sim homossexual. Vai daí, José M. monta uma tenda de campanha dentro do centro, com a discrição que só as cornucópias de diversas cores e feitios conferem. Não contente, resolve queimar incenso na sua tenda/gabinete de atendimento, o que faz com que cada vez que a abre saia de lá uma bruma deveras mística.
Nas primeiras semanas, o entusiasmo de José M. era bem visível, através dos inúmeros cartazes que afixou em todo o centro. Apesar de amaldiçoar os búzios retidos na alfândega tal não lhe retirou vivacidade, já que insistia em falar sozinho como se estivesse a dar uma consulta dentro da sua tenda, uma estratégica comercial inovadora que merece louvor mas que, quando analisada num ponto de contra-luz, se pode revelar pouco produtiva.
E assim, ao fim de um mês, o vidente José M., ter-se-à porventura dedicado a outra actividade quase tão nobre como essa – dar milho aos pombos, uma vez que desmontou a tenda e se fez à estrada, na primeira atitude clarividente que o vi ter. Certamente que, se lhe tivessem perguntado, a previsão da crise do Sub-prime teria sido fácil. Tentar fazer a vida com o futuro das pessoas sem ter condições para isso, isso sim é difícil, especialmente dentro de uma tenda e enebriado pelo fumo do incenso.
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16:53
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22.10.08
Mete Gelo, Lisboa

Já plenamente recuperado dos km’s à beira praia tenho, no entanto, algo que me arrasta o palavreado ainda para o fim de semaninha - A forte chuvada instantânea de sábado à tarde em Lisboa, isto se a descrevermos como as pessoas normais a viram, ou a “devastadora tromba de água”, o “apocalipse revisitado”, o “sinal dos tempos” ou “o horror, o horror”, se forem pela conversa de certos meios de comunicação e de gente que toma comprimidos para o pânico quando se corta numa folha de papel.
Meus amigos, gandulos de tshirt e calções e meninas descascadas na rua já no fim de Outubro, isso é que não é normal (sem querer com isto repreender as meninas). Tudo bem, caiu pedra e gelo durante 15 minutos, mas as consequêcias só provam que nós até a meter água metemos água, passe a redundância.
Depois de muito tempo sem chuva de jeito, é natural que qualquer pluviosidade digna do seu nome ia causar dano, até porque as sarjetas são como as casas de certas pessoas, só levam uma limpeza decente quando recebem visitas importantes. Se a isso juntarmos a intensidade da coisa (sim, por momentos pensei que o vizinho de cima tinha despejado um barril de missangas na minha janela) o caldinho estava feito.
Ai, os túneis ficaram intransitáveis. Ai, ai, as vias coitadinhas ali todas alagadinhas. Ui, ui que o pobre comerciante arrependeu-se de ter aberto um cabeleireiro em vez de um aquário para vender peixinhos. Confesso que, embora não me dê gozo a desgraça alheia (tirando em casos pontuais), esta chuva não me causou pena nenhuma, primeiro porque pecou apenas por tardia, segundo porque é sempre a mesma história e já não consigo ter pena de algo que, embora previsível, toda a gente fica simplesmente à espera que aconteça, para depois se queixar.
A seguir a qualquer Verão, especialmente os Verões de 5 meses que começam a ser hábito, as primeiras chuvas são sempre a mesma coisa. Ninguém faz notícias dizendo “Choveu intensamente e tudo correu bem”, “Os comerciantes revelam o seu agrado pela óptima isolação que o seu estabelecimento possui” ou “Automobilistas festejam com buzinadelas túneis sequinhos e vias com alto poder de absorção após a chuvada de hoje”. Isso é fantasia, o resto é o país real e acreditem que não se prevê que as coisas mudem nos próximos 500 anos.
Se não gostam, mudem-se para África ou, melhor ainda, metam gelo, mas daquele que cai em catadupa do céu, para ver se vos passam as manias da desgraça.
Travis, Why does it always rains on me? (sim, é uma música "sensível")
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Sérgio Mak
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20.10.08
10 km de Parvoíce


Depois de ontem ter corrido os 10km na Marginal num inovador esquema de preparação que incluiu não treinar, posso dizer que, apesar de não ter dormido mal, hoje estou cheio de Oeiras.
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17.10.08
O galheteiro sai do armário

Depois de algum tempo em reclusão, milhares de restaurantes celebraram hoje, com pequenos almoços de carapaus assados com batatas cozidas, o regresso às lides por parte dos galheteiros após anúncio nesse sentido por parte do Ministério da Agricultura.
Tolerante que sempre fui em relação à promiscuidade do galheteiro, tive oportunidade de entrevistar um deles que se dirigia com ar pouco avinagrado para o seu novo local de trabalho, numa série de entrevistas que estou a fazer com objectos inanimados mas, ainda assim, faladores:
Mak - Então meu granda galheteiro, que tal é sair do armário?
Galheteiro - É bom saber que, ao contrário de nós, este assunto nunca saiu de cima da mesa. É uma vitória clara dos direitos dos galheteiros por esse país fora.
Mak - Pois é. Mas e a pouca higiene faz parte do passado ou a badalhoquice dessa relação entre azeite, vinagre e recargas a martelo continua?
Galheteiro (já um pouco com os azeites) - Ouve lá, mas isso é um mito, construído por essas garrafinhas metrossexuais que tudo fizeram para nos tirar o lugar. É certo que temos vários parceiros e marcas de recarga, mas temos também a nossa tradição e agora a ASAE para garantir que tudo o que se passa é legal. E mais, podia contar-te aqui muita história porca que sei entre essas garrafinhas, ditas "invioláveis", e os donos dos restaurantes, passadas nas traseiras dos mesmos.
Mak - Jovem galheteiro, se eu quisesse novelas oleosas via mais a TVI ou a SIC. E diz-me lá, apesar das dificuldades que passaste, só a servir em casas, surges agora mais moderno e rejuvenescido?
Galheteiro - Sem dúvida, enquanto estivemos a trabalhar em casa e a receber o subsídio de desemprego, coisa que muitos dos nossos empregadores nos disseram ser prática comum, acompanhámos a moda. Lá vamos ao Ikea comprar uns trapinhos a preço acessível ou até, de quando em vez, fazer uma loucura e ir a uma dessas lojas de Design com nome de um gajo italiano de quem nunca ninguém ouviu falar. Estamos modernos sim senhor e vamos dar um novo look a qualquer tasco em Portugal.
Mak – Isso parece-me uma galheteirice das grandes…
Galheteiro – Com essa conversa, vê-se mesmo que deves daquelas garrafinhas modernas de azeite e outra tipo vinagre balsâmico lá em casa. E o galheteiro sou eu…
Mak – Ok, acabou-se o teu tempo de antena, volta lá a servir de encosto para ementa, que é para isso que tu serves.
Galheteiro – Sim, sim, quando quiseres molhar o pãozinho depois vens falar comigo…
Kool&The Gang - Fresh
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Sérgio Mak
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15.10.08
Ó Brad, andas muito Jolie andas...

Há coisas que me parecem retiradas de um sketch dos Python apesar de me jurarem que fazem parte da vida real. Ao que parece, o casal perfeito Angelina Jolie-Brad Pitt anda a ter aconselhamento conjugal com um especialista na matéria, que deve cobrar mais do que o orçamento de Estado para 2009. Até aí, tudo bem, é natural que lá em casa haja discussões sobre temas tão importantes como quem dá origem a mais fantasias sexuais pelo mundo inteiro ou sobre se a próxima criança adoptada vira do Nepal ou da Suazilândia.
Mas, segundo o que li, a senhora Jolie ironicamente acusa o marido de ser excessivamente feliz e ter, por vezes, uma alegria enervante. Numa época em que o casamento é cada vez mais um hobbie isto parece-me, de facto, um motivo preocupante. Deus livre qualquer casal da felicidade excessiva, que isso é coisa que só fica bem em histórias da Disney. Marido que não anda macambúzio ou anda a esconder alguma coisa à mulher ou descobriu que é gay, já dizia um famoso filósofo que morreu no anonimato.
Afinal de contas, ele já tem 45 anos (sim, é verdade), possivelmente já era hora de começar a ficar amargurado. Além disso, a quem é embaixadora da ONU, da UNICEF, da Cruz Vermelha, do Cangurik e do Clube do meu Pequeno Pónei não convém ter um marido excessivamente feliz, dá ideia de que não se preocupa com a desgraça do mundo e isso não ajuda nada à tarefa.
Por isso tio Brad continue a divertir-se a fazer filmes e na galhofa com o Clooney, mas vamos lá a acalmar ao chegar a casa. É que, embora possivelmente partilhemos a opinião de que a Angelina como actriz não é grande coisa, já percebeu que a gaja dá-lhe bem a fazer filmes lá em casa...
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Sérgio Mak
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15:04
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14.10.08
O Síndrome do prisioneiro

Antes de mais, gostaria de dizer que não tenho qualquer formação em psicologia, tirando algumas interessantes cadeiras que tive a oportunidade de visitar durante a faculdade. Aliás, posso até acrescentar que tenho a impressão de que uma boa percentagem das pessoas que tiram cursos de psicologia fazem-no um pouco no âmbito do espírito “Arranje você mesmo”, próprio de quem tem alguns problemas por resolver.
Posta esta introdução, vamos ao que interessa – Há em mim um talento capaz que me equipara ao melhores psicólogos. A um interesse pela natureza humana nas suas facetas mais absurdas, junto uma imaginação mais fértil do que os terrenos da Mesopotâmia dos tempos antigos o que, em conjunto, me permite conjecturar teorias sobre quase tudo.
Daí, foi fácil chegar ao Síndrome do Prisioneiro que, mais do que uma teoria, é um aviso. Ora vejamos, um preso que esteja muito tempo numa cela com um companheiro sujeita-se a isto – Ao início, o companheiro pode parecer-lhe um perfeito anormal que lhe causa repulsa. Ao fim de uns tempos, o prisioneiro começa a dar um desconto ao companheiro “Ele afinal não é tão mau, teve foi uma infância difícil. E aquela tatuagem com um esquelto a violar a Madre Teresa tem a sua piada”.
Conforme o tempo vai passando, o antagonismo vai-se esbatendo, já que a falta de escolha e de tempocondiciona a vida social. Não será difícil que, salvo danos maiores, os defeitos do companheiro, inicialmente um facínora, sejam agora perfeitamente justificáveis e ele tenha agora outro “papel” no nosso coração. Qual? Depende da pena e do desespero...
Transporte-se este cenário para a vida de muita gente à nossa volta. Salvo aqueles que conseguem manter a sua vida social em patamares de alta competição, estamos a maior parte do dia confinados aos mesmo espaços. Com base nisso, temos já terreno para chegar ao Síndrome do prisioneiro. Em escritórios, adegas cooperativas, instituições estatais e não só surgem todos os dias exemplos de uma epidemia deste Síndrome. Nos casos mais graves, gente que se odiava vive agora relações tórridas, nas maleitas mais suaves, é só fruto da falta de tempo.
O que é que eu tenho a ver com isso? Em teoria, enquanto parvo opinativo, tudo. Na prática, mal me comece a sentir afectado e comece a ver qualidades onde antes só via defeitos, a solução é simples – emigro.
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Sérgio Mak
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13.10.08
A tontura do sono

É preciso ter confiança para, logo a abrir, afirmar que este é um dos posts mais originais de sempre. Aliás, nem precisaria de escrever mais do que isto, para que tal fosse verdade. Especialmente se tivermos em conta que não abundam posts meus publicados às 4 da manhã da madrugada de Domingo para segunda, horário de Portugal Continental e arredores.
Mas ouve lá, clamam vocês que vêem em loop a gravação do Programa da Lucy, tu és anormal ou fazes-te? Um pouco de ambos, posso tranquilizar-vos. Na verdade, de bom grado teria o meu pijama do Noddy vestido e cavalgaria no Vale dos Sonhos num pónei branco, acompanhado por encaloradas miúdas de Leste e pelo Jaime Gama. No entanto, o meu trabalho de ter ideias para salvar o mundo não tem horas, mesmo que a salvação tenha neste caso a forma de um aumento de vendas num determinado produto.
Bela trampa ó choninhas, interrompem de novo vocês, ignorando o facto de que eu só posso considerar as vossas observações depois de publicar o post, tornando infrutífero o vosso esforço. Mas sim, é de facto uma trampa, embora experiências como estas sirvam para provar o quão sobrevalorizado é o sono. Pois se eu consigo estar aqui, já muito perto das cinco da manhã, sem recurso a substâncias ilícitas a debitar palavras com mais de 4 sílabas e graçolas de palmo e meio, então é fácil perceber como é que houve malta a resistir durante muito tempo à tortura do sono.
É certo que no tempo da Inquisição e afins ainda não havia a programação televisiva da madrugada, mas há que não fazer desmerecer o valor.
E agora, vou ali acordar um colega, que adormeceu com a cara no teclado e aquele bip irritante incomoda-me.
Depeche Mode, Waiting for the night
(Atente-se ao luxo que é o novo interface musical)
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Sérgio Mak
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10.10.08
Atentados logo pela fresquinha
Para além do meu penteado quando acordo, duas coisas me têm intrigado logo pela manhã. Como sei que por aqui não faltam pessoas com pouco que fazer, talvez surja uma explicação minimamente interessante:
Porque raio se acumulam pessoas à porta de estabelecimentos tipo Pingo Doce a mais de vinte minutos do horário de abertura? Será a ânsia de alcançar o primeiro papo-seco? O deslumbramento de sacar a primeira meia dúzia de nectarinas da manhã? Ou há uma máquina de roupa a ressacar por uma dose de amaciador?
Jovens peregrinos madrugadores, aquilo não abre antes das nove, nem que vocês peçam mesmo muito. Por isso, que tal ficar em casa e ver o ritual de acasalamento dos camarões na TV Cabo, só para fazer tempo.
Como é que há malta que ainda consegue combinar as palavras rissol, café e Sumol com pequeno almoço saudável e ainda olhar com desdém para quem olha para elas com ar estupefacto?
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9.10.08
Diz-me o que diz aquilo que comes
Nos dias que correm, toda a gente está cada vez mais atenta ao que come. São as preocupações com a saúde, com as condições dos alimentos, os ingredientes utilizados e até com o passado amoroso do que se tem à frente.
Como tal, há uma crescente preocupação em esclarecer o consumidor em relação a essas matérias, para que não haja qualquer razão de suspeita. Isto em teoria, já que na prática algumas empresas preferem aludir ao receituário lírico. Senão vejamos esta imagem:
Comecemos pelo nome do distribuidor – Real Snack. Estamos sem dúvida na presença de algo que só podia vir das mãos dos melhores Chefs. O facto de ser comercializado em reles embalagens de plástico e vendida em máquinas de ocasião mostra apenas o esforço de levar a realeza às bocas dos menos afortunados. O facto da empresa ser sediada na Amadora apenas reforça a sua distinção e cariz premium.
Segue-se uma assinatura a roçar o estrondoso – Produto da imaginação. Esquecendo os 75 cêntimos bem reais que tens que desembolsar para que esta iguaria chegue às tuas mãos, o resto é mesmo imaginação. Fechas os olhos e podes imaginar o sabor delicioso que te inunda as papilas gustativas. Com apenas mais um esforço podes até pensar no bem que te faz este pitéu. Talvez assim te abstraias da bosta que acabaste de engolir.
O nome – “Merendinha” acaba por ser um piscar de olhos ao espírito infantil que uma guloseima destas representa. Isso ou o facto de qualquer coisa acabada em “inha” parecer sempre menos má. Do género "A Peste Negrinha" parece bem menos ameaçadora...
A finalizar, o toque de mestre. Ora então, este manjar leva farinha, água, sal, margarina e.... MELHORANTE DE BRIOCHE. Não é um corante, um conservante, um emulsionante ou até volfrâmio em conserva – é Melhorante e, ainda por cima, de brioche. Difícil seria não acertar neste conhecido ingrediente que tem vindo a melhorar a qualidade dos brioches desde o tempo de Maria Antonieta.
Caros senhores da Real Snack, se querem gozar com a malta não é preciso tanto esforço. Os vossos produtos da trampa chegam perfeitamente.
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11:06
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8.10.08
Justifica-te bem essa atitude

As pessoas, e neste grupo incluo até viram a Gala da Ficção Nacional da TVI, tendem a justificar-se. Isto é um facto da vida e, se eu o digo, ganha um estatuto de facto da vida inegável. Tal facto é até válido para aqueles que dizem “Eu não devo justificações a ninguém” argumento que, por si só é uma justificação.
Seja no corte de cabelo, no facto de não gostarmos de alguém ou em decisões importantes, como a razão de ser adepto do Belenenses há sempre um “porque” que nos leva a sustentar um dado argumento.
Até os que dizem sempre “Porque sim” ou “Porque não” se justificam, embora deixem por explicar porque são essenciallmente gente básica sem argumentos. Com que direito digo eu semelhante alarvidade, clamam alguns? Porque sim seus madraços.
Tudo isto nasce da necessidade de aprovação que os seres humanos, definição usada uma vez mais no sentido lato, gostam de ter da parte das pessoas que os rodeiam, mesmo que sejam apenas os que os rodeiam na paragem do autocarro. Mas, o engraçado deste assunto todo não é censurar quem se justifica, mas sim estimular a justificação idiota. Vocês não imaginam a diversão que é responder a um simples “Bom dia” com “Porque é dizes isso?” ou a um “Como é que foi o fim de semana?” com “Achas necessária essa pergunta de cortesia ou queres mesmo saber?”. Isto é apenas um pequeno exemplo e, como é óbvio, é necessário manter uma cara séria, sem ser desagradável, para que o interlocutor hesite e comece a fazer o chamado “Break dance justificativo”.
É divertido? É. Faz de ti um parvo sem igual? Também. No entanto, garante que as pessoas que depois disso continuem a falar contigo regularmente sejam mesmo teus amigos ou gostem muito de ti. O que às vezes se traduz em começares a falar mais tempo contigo mesmo.
George Harrison, My mind set on you
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10:24
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6.10.08
Mamma Mia, Zé Carlos!
Resolvi dedicar este fim de semana aos desportos radicais, como por exemplo ver a programação nacional de TV ou ir ao cinema. Como grande aventureiro que sou, fiz até uma aposta cuja contrapartida passava por cortar um testículo ou ir ver o “Mamma Mia”. Tendo perdido essa mesma aposta resolvi deixar de ser uma criancinha e sujeitar-me ao castigo mais doloroso – ir ver esse pastiche dos ABBA.
As conclusões são fáceis, é um nítido filme de gaja que todos os gajos que vão ver ou querem provar que são sensíveis à sua companhia feminina ou são efectivamente gays. Não sendo isso, então a única explicação é que são como eu, assim para o parvo.
Mais preocupante do que isso é vermos que, sem grande esforço, sabemos de cor 6 ou 7 músicas dos ABBA, o que não abona a favor de ninguém, especialmente se acompanham com palmas.
A história não vale nada, mas também ninguém vai ver aquilo pela história, mas sim pela hipótese de ridicularizar repetidas vezes o canastrão do Pierce Brosnan. Há no entanto que elogiar a produção, altamente inteligente, não faltando até um elemento gay no elenco para agradar a uma franja representativa da audiência e pedir-lhes desculpa, uma vez mais, por terem de ouvir o ex-007 a cantar e contemplar as nádegas do Stellan Skarsgard. Também apreciei o esforço de tentarem realçar ao máximo a voz da jovem apaixonada com traumas familiares, escondendo-lhe, sempre que possível, os atributos físicos, quando tem ali um corpinho a condizer com a voz. E, que não me venham com puritanismos, porque na mesma cena em que o seu jovem noivo está ali a mostrar que não tem faltado às aulas de abdominais, tem ela um fato de banho do tempo da D.Amélia...
Creio que o final com toda a gente em lantejoulas acaba por funcionar como anestesiante em relação a quem pudesse esboçar um certo protesto, mas não apaga da memória a tradução pertinente da questão que é feita a Meryl Streep por uma amiga "Are you getting any?" para "Tens visto o padeiro?". Ninguém mais do que eu adora uma boa metáfora, mas tenho sérias dúvidas que, em registo moderno alguém possa andar a sacar do padeiro algo mais do que papo-secos e o ocasional brioche.
Para concluir o fim de semana, optei por vergastar-me com um raminho de oliveira, já que na TV passava um concurso de dança (creio que o milésimo da RTP) com a Catarina Furtado 2, vulgo Sílvia Alberto e, na TVI, o Moniz arranjava uma gala para tentar convencer alguns espantalhos de que são efectivamente actores. O acepipe estava guardado para a noite, com o regresso do Gato mas, talvez devido às lesões causadas pela exposição em excesso à televisão não consegui perceber grande diferença do programa da RTP, tanto que até verifiquei no comando. Tinham mesmo mudado para a SIC, eu é que sou de compreensão lenta...
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Sérgio Mak
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22:16
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3.10.08
Entrada livre para senhoras, cavalheiros e indecisos

Apesar de não vos cobrar nada à entrada, fiquem sabendo que a clientela deste blog é sujeita a um rigoroso exame. Ainda ontem, em conversa com um amigo imaginário, depois de debatermos se seria mais interessante correr todo nu pelo Jardim do Campo Grande ou electrificar os teclados da malta no trabalho, abordámos a seguinte questão:
Porque será que, tendencialmente, boa parte (para não dizer a maioria) dos visitantes deste blog é mulher ou é oriunda de blogs assim mais para o feminino?
O meu amigo imaginário, claramente machista e portador de um bigode, veio logo com teorias que punham em causa a minha masculinidade, aconselhando-me a aumentar o número de receitas de cozinha e a falar abertamente sobre os meus sentimentos, para gerar mais clientela entre a mulherada.
Enquanto fazia arranjos florais, neguei tudo isso e tentei explicar-lhe a minha teoria sobre o assunto. Felizmente, ele tinha uma festa de aniversário de outro amigo imaginário comum, e fiquei de explicar isso noutra altura, o que me dá mais tempo para lhe mentir com propriedade, já que não tenho teoria nenhuma.
Aí começa a vossa parte, já que da parvoíce em posts trato eu. Sejam anónimos (alcoólicos ou não), sejam o que quiserem. O que eu gostava de saber é – O que vos leva a perder 20 segundos do vosso tempo inútil para vir até cá? Especialmente vocês, caras senhoras, que segundo o meu amigo imaginário deveriam estar a remendar meias e a confeccionar refeições ou, se estão na net, a procurar sites com dicas para melhorar os vossos talentos nesta área.
PS – Garanto resposta personalizada, tanto em comments como em mails, mas não resolvo os vossos problemas em 48horas
War, Why cant we be friends
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12:43
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2.10.08
10 Minutos de 27
Depois de algum tempo em que o meu périplo pelo bus 27 se viu algo reduzido, eis que hoje regressei ao alegre convívio nos transportes públicos. E, como sempre, bastam 10 minutos para aprender coisas que duram uma eternidade.
- Apesar do advento dos gratuitos, a chamada leitura por detrás da orelha ou do ombro continua a ser um must. Sejam livros, jornais ou talões de compras, o voyeurismo tem sempre lugar (obrigadinho Teresa Guilherme).
- Se os telemóveis causam cancro/tumores ainda não está confirmado. Que causam irritação em quem tem que gramar toda uma panóplia de toques merdofonicamente reais e idosos que usam o telemóvel como megafone, disso já não há dúvida.
- O ipod/mp3 já faz parte do ritual matinal da maioria dos utentes de transportes públicos. Incluindo os que não usam, visto que entre gente que conseguia ficar surdo em menos de cinco anos e aqueles que fazem do karaoke e do lipsynching um hobbie é impossível não entrar no ritmo.
- Em tempo outonal mas de calor, o número de gajos que usa óculos de sol por causa do mesmo é inferior ao número de gajos que usa óculos de sol por causa de decotes.
- Os idosos vêem melhor dentro dos autocarros. Isso prova-se pelo facto de descobrir um lugar do outro lado do bus, mesmo que ele esteja cheio e também pelo facto de conseguirem descortinar um símbolo para a 3a idade nos lugares reservados, enquanto tipos como eu só conseguem descortinar grávidas, deficientes e acompanhantes de crianças de colo.
- É raro ver alguém sorrir de manhã. Dado a elevada percentagem de má higiene oral, é um favor que me fazem.
Haveria muito mais para dizer mas, infelizmente, só pus moeda para 10 minutos.
Steely Dan, Peg
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30.9.08
Música e actividades amorosas em viaturas
Em dados serões profissionais, não raras vezes me vejo a procurar música de cariz duvidoso para me ajudar na árdua labuta. Ontem, dei por mim viajando por entre os acordes românticos de Amadeu Mota, artista luso que já me tinha supreendido pelo seu hino quase pedófilo “Ela tem apenas 15 anos de idade”.
Desta feita, foi o seu “Amor no Carro” que me levou a reflectir um pouco sobre o sofrimento que ele nos transmite e que, sem dúvida alguma, nos deixa presos numa malha de agonia musical e sentimental.
Mas, oiça-se o tema e comente-se depois.
Então, vejamos o início: um órgão com um ligeiro mood litúrgico mostra-nos que estamos perante um tema respeitoso, mas a guitarrada seguinte diz-nos que lá por haver respeito não deixa de também constar rebeldia neste tema. O tom psicadélico do Casio de feirante que entra em cena serve apenas para provar que estamos perante alguém que toma medicação.
Amadeu começa por nos referir que passou a semana sozinho obcecado por alguém, que esta noite anseia por encontrar. Nota vinte pela motivação e pela garra que certamente terá no encontro, mas também a clara indicação que podemos estar a lidar com um stalker ou, pior ainda, um desempregado com muito pouco que fazer.
Movido pela saudade, Amadeu mostra alguma incongruência gramatical ao referir “Preciso te ver, não me digas que não”. Isto, para além de alguma falta de atenção na tradução do cancioneiro mostra que, quando contrariado, Amadeu pode tornar-se ameaçador, passando de algum distanciamento às exigências no tratamento por tu.
“Paro o meu carro em frente ao teu portão. Ajeito meu cabelo no retro-visor”. Amadeu não se sente à vontade para entrar na casa da sua amada. Pontos negativos para ele. Isto significa que ou tem panca com automóveis ou os pais dela não aprovam o seu penteado, coisa que tenta disfarçar com uma penteadela de última hora, enquanto que reflecte sobre a necessidade de quebrar a palavra retrovisor para não estragar a rima.
A rima seguinte é um claro indício de que Amadeu não tem telemóvel, já que ainda recorre à buzina para chamar a sua miúda. Pontos contra na modernidade, que podem ser rebatidos se tiver uma buzina com um toque rítmico peculiar. A insistência em ver a sua moçoila para lhe entregar o seu coração poderá indicar que estamos perante um dador de órgãos. O outro órgão, o psicadélico, continua a indicar que a medicação está em falta.
Começa o ritual amoroso. Vencendo o enjôo do perfume excessivo da sua amada, Amadeu tem tempo para fazer considerações sobre a Lua antes de mostrar mais uma faceta perturbante ao referir o efeito da Lua “iluminando nós TRÊS”. O nosso artista tem de facto um grande apreço pela sua viatura ou então, esqueceu-se de deixar um amigo em casa antes de ir ter com a miúda. A opção regabofe a três parece não encaixar com o carácter respeitoso da música.
Já não é segredo quando Amadeu nos revela o que se passa no seu veículo “Amor no carro” grita ele a plenos pulmões, acrescentando “Carinho que não é pecado”. Aí, a doutrina divide-se, já que o facto deste jovem estar envolvido em grande Tetris humano dentro do seu carro, mesmo em frente aos portões de casa da moça não parece ser daqueles actos com a chancela de aprovação do Vaticano.Isto para não mencionar que Amadeu nunca nos fala em casamento, nem há indícios que não tenha andado a dar duas buzinadelas pela rua inteira.
No entanto, o verso seguinte tira algum brilhantismo à fogosidade que acreditamos estar a testar as suspensões da viatura. No meio do pagode, Amadeu indica que alguém se diverte a escrever o nome da moça no vidro embaciado. Se for ela, é mau sinal para o jovem garboso, já que pode denotar alguma falta de engenho nas artes do amor da parte deste. Já se for Amadeu o escritor de janelas, isto pode aludir a um estratagema para se certificar que não se engana no nome da moça...
O solo de guitarra a seguir leva-nos para ambientes idílicos, talvez para nos distrair da javardice que se deve seguir ao referido “Amor no carro”. Mas, para quem tenha dúvidas sobre o que se tenha passado, Amadeu faz um reprise na segunda parte da música, começando logo na parte do portão, focando-se assim no essencial.
A verdade é que, depois de ouvir Amadeu Mota, invade-nos uma sensação de tranquilidade. É bom saber que há por aí gente com estofo para amar em qualquer lugar. Mesmo que seja estofo manchado por música duvidosa e não só...
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16:13
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29.9.08
Forever a Newman

Há gente que só é boa depois de morta, outros garantem esse estatuto ainda em vida, não por se esforçarem por isso, mas sim por efectivamente o serem. Paul Newman faleceu aos 83 anos, mas o seu lugar na história há muito que já tinha sido estabelecido. Combinando distinção no ecrã, com um pensamento próprio e uma actividade extensa como filantropo, Newman nunca se esforçou por ser um queridinho em Hollywood, preocupando-se muito mais com aquilo que realmente importa - a vida real.
Como é óbvio, houve altos e baixos no seu percurso, quer como actor quer como homem mas, olhando para trás, para além de performances notáveis desde os tempos de The Hustler / O jogador (1961) e outros, um casamento de 50 anos que termina apenas com a sua morte ou uma empresa na área alimentar que desde há anos distribui os seus lucros pelos mais necessitados, falamos de alguém que soube marcar uma posição na vida, incluindo na sua fase derradeira.
E, quando vejo a sua família optar por um funeral privado, longe do mediatismo e transmitir a mensagem de "Se querem demonstrar o vosso afecto por Paul Newman, façam hoje algo por alguém que realmente necessita", creio que ele deixou tudo realmente bem encaminhado.
É que, afinal de contas, nem tudo se guia apenas pela cor do dinheiro.
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11:21
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26.9.08
Cover, my ass
Assiste-se actualmente a uma febre no mundo da música, dita mais trendy. Primeiro surgiu um e foi engraçado. Mais dois ou três e olha, por acaso até tem piada. De repente, já eram 50 mil e não páram de crescer. Refiro-me, é claro, aos covers. O que antigamente era território de bandas jovens e, acrescente-se, claramente pouco confiantes no seu futuro no ramo musical ou, ocasionalmente, de tributo entre grandes artistas, tornou-se um regabofe pós-moderno.
Por norma apanágio de gente com bons dotes técnicos, mas com fraca criatividade de composição, o cover é neste momento o sushi da música ou seja, mesmo que não gostes, tens vergonha de o admitir em certos círculos, porque não é fashion. E isto chega-vos pelas mãos de alguém que até aprecia um bom cover.
Como é óbvio não se trata aqui de marionetes tipo Milli Vanilli ou paródias de Weird Al Yankovic. São moças modernas que tentam reinventar 50 êxitos desde Def Leppard a Screamin Jay Hawkins em versão bossa nova ou com um beat muito lounge. São cromos bem parecidos com pinta de crooner ou artistas old school que se aperceberam do filão que há a explorar nos covers.
A verdade é esta, um bom cover reinventado é interessante, é novo e dá uma frescura musical a temas que já conhecemos há muito. Uma avalanche non stop não é, pelo simples facto de ser uma procura constante da mesma solução pelo mesmo tipo de artistas que, sendo um pequeno nicho têm algum valor, sendo uma grande classe não entretêm porra nenhuma, servindo apenas para reinventar a expressão “Aonde é que eu já ouvi esta trampa?”.
Venham de lá os defensores das Nouvelle Vague, do Paul Anka ou do Richard Cheese, apesar de a minha irritação não ser com nenhuma banda em particular. É um pouco como o Paulo Coelho escrever 20 livros iguais ou todos os bancos portugueses andarem a arranjar musiquinhas do cancioneiro nacional para vender mais corda para a malta se enforcar...
Bom fim de semana, que eu agora vou ali espancar alguém para dar o convite que me deve para a festa da Eristoff hoje.
Carlos Paião, Playback
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25.9.08
Investimento sexy

Não consigo deixar de ler estas declarações do Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e pensar em varinas desinibidas com arrojados vestidos transparentes...
Também só se for assim é que os nossos mercados animam...+A+varina+de+Buarcos-1.jpg)
Depois desta imagem, vou ali enfiar o meu cotovelo nas amígdalas e já volto
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24.9.08
Eu sou adepto do Buffett
Esta frase, que poderia ser proferida por qualquer parasita social que faça parte do chamado jetset nacional, tem aqui outro contexto. Não se trata portanto de croquetes, empadas, shots de sopa (para quando um bar da especialidade em Santos?) ou qualquer outro nenúfar de alface mascarado de alimento distribuído em ambiente de festa.
Refiro-me a um senhor chamado Warren Buffett que, entre muitas outras coisas, se diverte a ser bilionário. Ora, até aqui nada de novo, artistas com olho para o negócio que se divertem a atafulhar dinheiro lá para os Estados Unidos é coisa tradicional desde o Rockefeller ao JP Getty. Nem vou questionar o tipo de negócios a que o senhor se dedica ou se afogou cem mil criancinhas vietnamitas num ritual para atrair fortuna.
O que em mim me fascina, há já algum tempo, no Sôr Buffett é que um dia olhou para a sua fortuna, avaliada em cerca de 60 biliões e, antes que dissessem que estava gagá ou que casasse com alguma mamalhuda de poucos escrúpulos, disse “Epá, esta merda é dinheiro a mais” e resolveu fazer alguma coisa acerca disso.
De facto, no que a riqueza diz respeito (e talvez em muitos outros campos da natureza humana) é difícil encontrar quem saiba reconhecer os seus limites. O tio Buffett, talvez um iluminado ou apenas um anormal com um laivo de inspiração resolveu doar 83% da sua fortuna a uma fundação para que a coisa fosse canalizada para melhores caminhos.
Tudo bem, a fundação era do Bill Gates, rapaz que também já deve ter as suas contas pagas para as próximas 38774 encarnações, mas isso é secundário. É saber reconhecer que é humanamente impossível gastar esse dinheiro todo e não deixar a questão para depois de morto. É garantir que a família fica com alguma coisa (17% de 60 biliões ainda são uns trocos) suficiente para nunca mais se preocupar, mas prevenindo o desbaratamento de algo conseguido por trabalho e mérito e não por simples herança.
Por mim, acho isso deveras inteligente. Anormais filhos de ricos é coisa que não falta neste planeta. Gajos como o Buffett escasseiam muito mais. E garanto-vos, anseio pela oportunidade de fazer o mesmo e, de momento, embora não o possa fazer com dinheiro, vou doando o meu património de alarvidades a quem o queira ler. E não vos vejo a agradecer, meus bandalhos.
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23.9.08
Dia Europeu sem tangas
Ontem, dia 22 de Setembro, celebrou-se o Dia Europeu sem Carros. Lisboa rejubilou com o encerramento parcial de algumas ruas na Baixa, duas vielas na Serafina e um beco em Marvila, naquele que foi o encerramento da Semana Europeia da Mobilidade.
Então e se se mobilizassem todos para o fundo do rio abraçados a blocos de cimento? É que, se algumas das acções do programa me parecem interessantes, quem tivesse lido o dito cujo parecia que na capital e arredores se anda a partir carros à marretada em prol de um ambiente melhor. E não é isso que se passa, antes pelo contrário. Aliás, se perguntarmos à malta que anda à solta por Lisboa se deu pelos efeitos do estrondoso Dia Europeu sem Carros, 85% vai responder: “O que quer dizer - sem carros?”
Dia sem Carros a sério houve uma vez, no primeiro ano desta iniciativa, creio que em 2000. Aí, a cidade de Lisboa viu o que era ter a circulação reduzida em cerca 70% nas suas vias centrais e os resultados foram contraditórios. Boa parte da população clamou que depois do terramoto de 1825 (História, essa disciplina sempre tão maltratada) nunca se tinha visto tanto prejuízo, destruição e histerismo. Gajos como eu, andaram satisfeitos pela rua, insultando apenas o taxista ocasional e suspirando pelo dia em que uma catástrofe simpática torne algumas ruas intrasitáveis.
Depois disso, tudo voltou a ser...o mesmo. Reduziu-se a iniciativa cada vez mais a um papel decorativo, sendo que hoje em dia é apenas uma boa bandeira para inglês ver. Eu percebo, é difícil a malta custa-lhe a subir colinas de bicicleta e a rede de transportes ainda parece, muitas vezes, saída de um livro de anedotas do António Sala. Mas, se é assim, não encerrem rua nenhuma, não atirem poeira para os olhos da malta e não me façam programas que vendem Lisboa como uma cidade verde.
E, por falar em verde, vão mas é pastar mais os eventos de fachada e os histerismos colectivos.
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20.9.08
Como acabar com as beatas
Na sequência de proverbial troca de bitaites com este artista, eis um pensamento: "Tantas vezes vão as beatas à igreja que um dia a __________ parte".
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19.9.08
Spam, machismo e outras questões imbecis
Para quem só tenha desenvolvido polegar oponível há relativamente pouco tempo ou não tenha fácil acesso à internet na caverna onde reside, vou discorrer brevemente sobre o que é o Spam.
Por Spam entende-se todo lixo informático que não pedimos e nos chega às caixas de email o que, no meu critério, inclui chainletters manhosas e composições com fotos de bebés, gatinhos e outro tipo de bicharada. Mas, confesso que me intriga um pouco a maioria da temática dos mesmos.
Entre os senhores responsáveis pelo envio do Spam, há uma conclusão assumida sobre o que preocupa os homens em geral – Aumentar a conta bancária e o tamanho do pénis (não necessariamente por esta ordem), reduzir as dívidas e enfardar Viagra como se não houvesse amanhã. Aliás, fossem resolvidos esses três problemas e não só o Spam deixaria de ter razão para existir, como a felicidade da Humanidade aumentaria exponencialmente.
“Enlarge your penis”, “You won a National Lottery”, “Cheap Viagra” ou “Consolidate your debt” são de facto propostas diárias que um gajo tem na sua mesa virtual. Seria interessante pensar num Spam único que englobasse as propostas numa só, do género “You won a National Lottery, so you can consolidate your debt and use the rest of the money to enlarge your penis and get cheap Viagra”.
Mas, o que e eu gostava mesmo de saber é se o Spam é machista. Será que as mulheres têm, diariamente, de lidar com Spam que não se preocupa com as suas necessidades? Que só pensa em sexo e dinheiro? Ou o Spam mais inteligente sabe agradar a uma mulher, recomendando “Buy beautiful flowers”, “Pick nice restaurants and spas that treat you like a queen” “You won a trip to the NY Fashion Week”. Aposto que o Spam que mantém uma mulher feliz tem mais hipóteses de depois vender o Viagra e tratar das questões íntimas de grandeza...
Prodigy, Spam my bitch up
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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17.9.08
Esquerever, essa arte

Não sou elitista, acho até que toda a gente devia aprender a ler e a escrever, incluindo muitos que já sabem. Tenho inclusive muita pena das pessoas cujas condicionantes da vida, dois garfos espetados nos olhos ou gerações consecutivas de relacionamentos consanguíneos as impediram de atingir um grau de alfabetização mais elevado.
No entanto, não tenho pena nenhuma de quem, tendo a obrigação de saber escrever a um nível mínimo, o faz com a delicadeza com que o Petit trata das canelas a artista da bola nas margens do Reno e afins.
É fácil rir da ementa na porta da tasca que parece vítima de um ataque da Al-Qaeda do terrrorismo ortográfico ou dos miúdos que escrevem no Messenger e nas SMS como se fossem onomatopeias de quem fala com a boca cheia de esparguete. Mas o que se faz quando se vai a um pináculo da elite cultural lisboeta, o cinema King e avistamos um cartaz que diz algo como:
“Avisam-se os ESPETADORES que o ar condicionado nas salas poderá não estar a funcionar correctamente”.
Acompanhado de alguém com um sentido cívico que a minha falência moral não permite ter, chegámos à conclusão que talvez fosse melhor alertar a senhora nas bilheteiras, uma vez que tínhamos dúvidas se a mensagem se destinava a alguns heroinómanos ou auto-mutiladores que apreciem frescura e cinema independente ou se era apenas uma gralha (na melhor das hipóteses).
Resposta da senhora “Ah está? Pois, sabe que nós até estivemos a debater isso, mas como no corrector do computador não deu erro, pareceu-nos bem assim...”
Fechei os olhos, dei meia volta (sem perder o equilíbrio, o que acontece por vezes quando se fazem habilidades de olhos fechados) e fui à minha vida. Dá Deus correctores ortográficos a quem não tem mentes...
ABC, Jackson Five
PS – Para o analfabeito mais interessado e menos informatizado, um corrector no Word e afins só aponta erros de facto e não erros de fato. Se não perceberam esta, então batam à porta no blog ao lado.
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Sérgio Mak
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15.9.08
A ovelha da família negra
Este filme, que tive a oportunidade de ver ontem, tem um retrato de família bem negro. Aliás, se andam com vontade de matar um parente (ou vários, em fascículos), das duas uma - ou recomendo que o vejam para ganhar coragem ou aconselho a que não o vejam e escolham antes o Wall-E para tentar povoar o vosso imaginário de ideias fofas.
A questão da família sempre foi para mim a prova de que existe uma inteligência superior que nos observa e se gosta de divertir às nossas custas. Porque, como toda a gente sabe, tirando a mulher/marido, a família não se escolhe. E, isso é brincar com a malta.
É certo que para muitos a família é um farol na vida, que apoia nos momentos em que tal é preciso, que dá conselhos válidos, que nunca falha, etc e tal. Para outros, continuando no campo de metáfora marítima, é uma âncora atada às pernas, que nos arrasta para o fundo do mar, com problemas e situações que não toleraríamos em qualquer outro caso se - "Não fizesse parte da família"...
A média deveria andar num número equilibrado entre parentes que nos fazem valorizar a família e parentes que nos fazem valorizar a existência de drogas letais. Mas, como disse, não podemos escolher e, se é certo que há famílias que têm muito orgulho em poder apontar a sua ovelha negra, há muita ovelha que suspira ao pensar na família negra que tem para aturar.
Já que a leis do livre arbítrio não são aceites de base nesta matéria sugiro que se crie, ao estilo dos animais para adoptar, uma espécie de Lares de Adopção para familiares, onde não só se pode deixar aquele Tio que claramente não presta ou a Prima à qual só faltam chifres para ser considerada zoologicamente uma cabra e, quem sabe, trazer um avózinha em 2a mão em relativo bom estado e que saiba fazer bolo de chocolate.
Dessa forma, talvez o que se passa neste filme não pareça poder ser tremendamente real...
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Sérgio Mak
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14:16
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Me, Myself and I
O facto de ter sobrevivido aos acontecimentos anunciados no post anterior fez-me aperceber que não podia adiar mais este texto, pois nunca se sabe o que o futuro ou 18 caipiroskas nos reservam. Assim sendo, dado os resultados da sondagem que avaliou o que pensam que eu ando a fazer durante o dia, cabe-me esclarecer o seguinte:
Em todas as opções havia algo de verdade, uma vez que acredito muito mais nas virtudes da mentira diluída face à versão pura. No entanto, devo dizer que a audiência deste pasquim não vive totalmente alienada já que uma das versões mais votadas é sem dúvida a mais verdadeira.
Houve quem se entretivesse a fazer flutuar o voto para garantir o equilíbrio, coisa que acho mal e que é digno de gente com baixos estatutos morais, como eu próprio. No entanto, posso dizer que este espaço não é para mim um escape para um trabalho cinzento diário. Utilizo-o sim para dar vazão à torrente de baboseiras que não consigo canalizar no meu trabalho.
Sei utilizar bem números, nem que seja para aldrabar nas contas ao almoço, mas sempre fui um gajo de letras. A verdade é que inventar é prato do dia e tentar perceber o que vai na cabeça das pessoas para depois as espremer até ao tutano também faz parte do acordo.
Para mais detalhes, aceito que me paguem almoços, mas eu escolho o local. Sei bem que a malta que frequenta este estaminé não é confiança. Começando por mim.
De la Soul - Me, Myself and I
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Sérgio Mak
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12.9.08
Beat this, Zandinga

Não é preciso ter muitos dotes de vidente para prever o resultado da junção entre as palavras Festa+Empresa+Praia+Álcool+Sabe-se lá o quê...
Resta-me, tal como os cronistas de outras eras, entrar no barco e enfrentar as tormentas com os demais...
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Sérgio Mak
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09:22
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10.9.08
Só à chapada
Mudar de hábitos não é fácil. Se fosse, não se chamavam hábitos. Tendo em conta que é muito difícil convencer um idoso de que não é necessário forrar a casa de sacos de plástico para prevenir o fim do mundo, muitas cadeias aproveitaram o filão ecológico para encher a mula à conta da cobrança dos saquinhos de plástico.
Todavia, o fascínio do cariz multiusos do saco de plástico perdura. Afinal, se o saco dura centenas de anos, porque não tentar preservar o ambiente dentro de um?
Fazem falta umas quantas chapadas e sou gajo para ser voluntário a distribuir...
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Sérgio Mak
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19:48
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Claques do Além

É certo e sabido que, até agora, os clubes de futebol já eram, em grande parte, cemitérios: cemitérios financeiros, cemitérios de expectativas ou até cemitérios de credibilidade.
Mas, a partir de hoje, na Alemanha, mais precisamente em Hamburgo vai ser possível fazer algo que só os doentes do Boca Juniores na Argentina podiam fazer – não só morrer pelo clube, como também ser enterrado pelo clube.
É certo que em Inglaterra já é possível ser cremado e ter as cinzas espalhadas no relvado do seu clube de sempre, onde se viveram grandes momentos, se marcaram grandes golos e, ocasionalmente, os maiores craques deram uma cuspidela. Mas visto que isso é proibido na Alemanha, este é sem dúvida um passo em frente.
Ser enterrado com as cores do clube, ouvindo o hino do clube, a pouca distância do estádio não é loucura, é um bom negócio, já que com o dinheiro que isso implica, os clubes garantem que, até depois de mortos, os seus adeptos continuam a pagar quotas.
É caso para pensar - quando chegará a moda a Portugal? Os célebres 6 milhões de adeptos certamente teriam muito gosto em dar o corpo, ainda que morto, ao manifesto...
PS - Em relação à votação que decorreu, está a ser ultimado um balanço final.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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13:57
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8.9.08
A verdadeira treta da Verdadeira Treta
Enquanto as horas para o final da votação expiram, urge em mim a vontade de vos falar sobre algumas das iniciativas que ocuparam o meu fim de semana, excluindo obviamente a rasteira passada a um idoso incauto no Pingo Doce.
Para começar, já que o ambiente estava um bocado morto, porque não ir ver um filme a condizer – Diary of the Dead, do ícone George A. Romero. É de louvar a capacidade de adaptar à actualidade (ao longo de 30 anos) a temática dos filme de zombies, que normalmente não vai muito além de gente invulgarmente lenta e invulgarmente morta a perseguir gente invulgarmente estúpida.
Mas, se é um facto que saí do S.Jorge com a clara vontade de não querer comer nada mal passado nos próximos 50 anos, a verdade é que a noite de Domingo trouxe um novo pitéu artístico – o “ensaio geral” da Verdadeira Treta, ou Zézé e Toni strike again. Antes de mais, uma nota – gosto de humor, de muitos trabalhos dos dois artistas, tanto em conjunto como separados, incluindo até outras Tretas. Talvez por isso me custe ver um filão tão explorado até à exaustão e só por fazer uma frase com tanto “ão” já podem avaliar o meu desânimo. Haverá sempre gente a rir de início ao fim, mas também é certo que “Os malucos do riso” são campeões de audiência, o que não abona muito em favor do riso fácil...
O meu problema é ver bons humoristas remetidos a um formato cómodo, de fórmula repetida, em que é mais do mesmo e durante tempo a mais. Há nos diálogos bons apontamentos, mas pouco há que não tivesse já sido visto noutras Tretas. Zézé e Toni estão velhos e precisavam de algo mais do que um lifting de temas para continuarem a fazer sentido. Assim é só garantir um sucesso de blheteira, que ajuda a pagar as contas é verdade, mas também deixa algum vazio em quem quer algo mais do que ver comédia estilo mortos-vivos.
Mas, não vão por mim, dêem lá um saltinho e tirem as vossas conclusões. Se for eu que sou esquisitinho, não perderam nada, se concordarem comigo, pelo menos no Casino de Lisboa ainda podem tentar recuperar o dinheiro do bilhete.
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Sérgio Mak
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17:21
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Press Kit, vem me buscar

Escrevo isto antes de ver o resultado da votação, mas sabendo que ao exemplo de boa parte dos iogurtes no frigorífico do meu local de trabalho, estou fora de prazo. No entanto, sei que as estatísticas não me eram favoráveis e duvido que no fim de semana tenham mudado, até porque não tive oportunidade de pôr os meus PR skills (termos anglófonos não é apenas coisa de economista) em acção.
A verdade é que, ironia da vida, passei o meu fim de semana a trabalhar, em assessoria de imprensa é certo. O que prova que não sou acessor em organismos públicos e afins, áreas em que tirando em crises, inaugurações ou festas de algum calibre, é raro ver um espécime da minha raça em trabalho.
O meu trabalho, basicamente, passa por convencer jornalistas que a minha empresa é realmente importante para o trabalho deles, coisa que também tento subliminarmente implantar na vossa cabeça (tentando fazer deste blog uma necessidade diária). O que se torna difícil, visto que há mais de 50 mil jovens a tentar fazer o mesmo e poucos meios para contactar.
Mas, não se pense que bater papo com jornalistas é a única coisa que faço. Também tenho um blog a gerir é certo e há outras tarefas, como por exemplo uma coisa que se chama “comunicação interna”.
Trabalhando num departamento de comunicação, a parte da assessoria é a mais pomposa e, como tal, a que eu vos tentei impingir. Depois há que lidar com a gente que cumprimentamos com sorrisos falsos no nosso dia-à-dia. E, numa empresa de alguma dimensão, é muito Pepsodent que se gasta. É preciso manter esta malta motivada, a pensar que há alguém lá em cima que se preocupa com eles (e não, não trabalho para o Vaticano) e fazê-los perceber o que é que realmente se faz nesta empresa.
É importante saber que a boazona que toma café às 10.38 também é a responsável pelos Recursos Humanos ou que o narigudo que usa chumaços não deve ser alvo de piadas, nem que seja por ser o tipo que nos transfere o salário ao fim do mês. E, acima de tudo é preciso que saibam que o tipo de cabelo encaracolado é bom rapaz e vale a pena pagar-lhe uns almoços de quando em vez. Isto para não falar que é possível que muita gente não saiba o que efectivamente faz esta empresa.
O que é algo que acontece frequentemente nesta sociedade, a malta não sabe o que faz, nem desconfia. E é isso que eu vou ver, mal consulte esta votação...
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Sérgio Mak
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11:06
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5.9.08
The Makvertising fundamentals

“Less is more” é um conceito que se aplica muitas vezes à publicidade, nomeadamente em relação a quem redige conteúdos criativos (ou a armar a isso). Por isso, não vou enveredar por conteúdos pastosos e extensos, como em versões anteriores. Simples e directo.
Dêem uma vista de olhos pelo pasquim, vejam esta iniciativa, vejam a estupidez recreativa que é a base do blog. Vejam a escrita em vários registos, os trocadilhos, a mania de que sou engraçado, misturado com pretensões de cultura geral e, quiçá, dominar o mundo.
Se eu não sou publicitário, então é porque levei uma pedrada na cabeça e sou um repolho ambulante. O meu quotidiano passa por ter ideias, dar-lhes forma e, muitas vezes, criar nas pessoas necessidades desnecessárias. Se estiverem a ler isto, é sinal que, votação à parte, fui bem sucedido.
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Sérgio Mak
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11:42
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4.9.08
Mak, the Economist – tão certo como 2+2 = 4

É engraçado como os números às vezes falam melhor do que as palavras. Neste caso, ainda eu não escrevi e já os números da sondagem (que vale, o que vale como diz qualquer político) falam a meu favor.
O que poderia ser estranho, um gajo com formação em fórmulas e números a escrever baboseiras como se não houvesse amanhã, acaba por ter uma explicação plausível. O meu pai é um homem ligado claramente à área do cálculo e da matemática, já a minha mãe sempre foi boa em letras, como tal é perfeitamente natural que o filho de ambos seja bom a dar música. É que a Economia, ao contrário do que pensa a malta que foge a sete pés da Matemática como se ela fosse a programação da TVI, não é apenas números e cálculos, é sim interpretá-los e dar-lhes o enquadramento certo. Sendo eu capaz de fazer isso, escrever alarvidades em torno seja do que for é a coisa mais simples do mundo.
Sempre gostei de escrever, mas na faculdade não incentivam a aplicação do humor às teorias económicas, com raras exceepções. O que acaba por ser irónico, já que em Portugal muitas vezes a Economia é o pão nosso de cada dia para muitos humoristas. Agora que trabalho, ou pelo menos disfarço bem, tenho outra disponibilidade. Especialmente depois de ter acordado para a vida e ter descoberto que o futuro se chama Gestão. Ser gestor, desde que não seja de um bar de alterne (e até aí há muito a gerir e com lucro), é como entrar numa fraternidade, onde números, balanços e outras ferramentas como o “reporting” (se não usasse um termo em inglês ninguém ia acreditar em mim) funcionam como uma muralha, atrás da qual muita gente esconde a sua incompetência em termos de gestão. Como é óbvio, não me incluo no grupo, tirando às 5as.
A verdade é que não formei a minha empresa aos 18 anos e não sou milionário. Para ser franco não abri nenhuma empresa, mas também não uso 38 apelidos e 10 parentes como cartão de visita profissional. No entanto, sim, já consegui entrevistas de trabalho graças à contactos de conhecidos (mas atenção, em economia e gestão, às vezes nem nos números se pode confiar), mas se não fosse bom (vá lá, razoável) no que faço não tinha passado da porta de entrada.
Este blog tem alguma coisa a ver com o que eu faço? Tem tudo e tem nada. Tudo porque a vida das pessoas, quer se queira quer não, é feita através de números, probabilidades e análises e eu, de forma pouco respeitável, tenho aqui um espaço para fazer os meus relatórios. Não tem nada a ver, porque nalgumas esferas da economia/gestão o ambiente tradicional de trabalho ainda é tido como sério e respeitável e confunde-se bom humor com falta de profissionalismo. Tirando na hora de receber o ordenado, obviamente.
Posto isto, o balanço final para mim é claro. Os números vão falar por mim e, contra isso, os outros impostores não vão poder fazer nada.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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3.9.08
Room, Chambre, Zimmer, Mak

Sei que, o denominador comum, aponta para que o vocabulário de um recepcionista de hotel se limite a “Bom dia/tarde/noite”, “Bem-vindos”, “Boa viagem”, “Tenha uma boa estadia” ou “Consumiu amendoins no mini-bar?”. E não anda longe da verdade, sendo eu uma anomalia (no sentido positivo da palavra, se é que existe), que não só o consegue fazer em cerca de seis línguas diferentes, como ainda consegue conjugar uns quantos vocábulos originais.
Perguntam vocês que, salvo raras excepções, devem ter ficado hospedados em hóteis em Lisboa – Mas alguém estuda para ser recepcionista? Respondo eu, sim se tirarem o curso de Antropologia ou áreas similares.
Foi esse o meu caso, mas posso considerar a experiência positiva. Em vez de ir estudar primatas para o Malawi-de-baixo ou investigar tribos em Tuparaquinaovemchateá, faço quase o mesmo a partir de um estabelecimento com spa, piscina, ginásio e muitas outras comodidades.
A verdade é que eu não planeei a minha vida assim. Mas, a conjuntura, essa grande desvairada, levou-me até aqui e ainda não estou disposto a fazer o check-out. Não se pense que me encontram atrás do balcão da Pensão Zeca ou que o meu conceito de recepção é estar fardado a chamar táxis e abrir portas. Ganha-se bem a partir de um certo nível, especialmente se tivermos em conta que a exigência mental não é assim tão grande. Aliás, estou a treinar um pequeno símio para fazer as minhas folgas, combinando Antropologia e Gestão Hoteleira num só ramo.
Confesso que a parte dos turnos é chata, mas também proporciona liberdades extra, desde que não envolvam fraternização próxima com a clientela feminina. No entanto, o facto do meu local ser frequentado regularmente por malta que acende charutos com notas de 500 euros também faz com que, de quando em vez, umas quantas gorjetas possam chegar quase ao salário mínimo.
Continuem a votar nas profissões aparentemente mais nobres, que eu não me incomodo. Apenas comprova a minha teoria de que, em posições estratégicas como a minha (o acesso à cozinha é rápido) aprende-se muito sobre as pessoas e quase ninguém dá por nós. E depois basta passar por cá e escrever sobre isso.
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Sérgio Mak
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2.9.08
Cenas da vida de Mak actor

Gostava de dizer que faço parte da geração de “actores” Morangos com Açúcar. Mas, mas ao olhar-me ao espelho e ver que o meu cabelo continua a moldar-se de uma forma natural e não parece ter enfrentado o furacão Gustav, é impossível mentir.
O facto de ter colocado actor à frente de explicador tem a ver mais com o lado aspiracional da coisa, já que o orçamento às vezes é assegurado pelo lado das explicações.
Desde pequeno que tenho gosto pela representação. Talvez seja porque cresci a ver o João Pinto e o Paulinho Santos a fazerem pantomimas nos relvados. Ou então pelo facto de ter um irmão que deve ter quase tantos filmes em casa como a Cinemateca, alguns deles, a cores.
Mas porque sou um tipo esperto, ou pelo menos faço bem o papel, cedo percebi que ser aplaudido em casa pelos familiares (quem resiste a um anjinho de caracolinhos?) não é garantia de futuro profissional. Como tal, a minha formação académica, permite-me, pelo menos, ter uma visão culturalmente enriquecida do mundo do desemprego. O que é sinónimo de dizer que, se não fossem os meus talentos artísticos e a capacidade de ludibriar malta jovem a pensar que vão aprender alguma coisa comigo, estava bem entaladinho.
Desde miúdo fui criando os meus contactos, participando em peças, etc, coisa que fui desenvolvendo, no secundário e na faculdade, incialmente através de figurações. Sim, é verdade, eu já fiz parte do elenco de novelas portuguesas em papeis como “O segurança”, “Pastor na 3a fila a contar da direita” ou “mecânico que só se vêem os pés debaixo do carro”, para não falar em “Juíz Decide”... Mas progredi, hoje em dia pertenço a uma pequena companhia de teatro, os meus papeis já incluem falas nalguns filmes e séries nacionais (poucas, mas boas). Faço anúncios de TV para cá para esse país chamado o Estrangeiro e, ocasionalmente, figuras tristes por dinheiro, embora aqui as faça de borla, assim é a ironia da vida.
Hollywood não está nos meus planos, mas trocava as aulas de ténis e explicações de inglês a miúdos ranhosos por fazer a mesma coisa mas a vedetas de Beverly Hills. E olhem que alguns deles bem precisam.
Termino apelando para o bom senso. Não votem noutras carreiras, porque o actor aqui sou eu e o que há de vir a seguir não passa de encenação.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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