30.1.09

Publicidade indianosa



Ao telefone:

Mak - Boa tarde. Olhe, queria fazer uma reserva.

Do outro lado - Sim, sim, diga.

Mak - Somos 83, gostávamos de ter a mesinha do canto e estamos aí por volta das 13.20.

Do outro lado - Eeehr (clic) tut...tut...tut...tut...tut

29.1.09

Roda e NRolla


Aproveitei o bom tempo da noite passada para fazer o que qualquer pessoa (a)normal faria – ir ao cinema. Para complementar essa decisão, nada melhor que ir estrear um cinema que abriu na zona há menos de duas semanas. Pena que haja gente a trabalhar nesse cinema que ainda não se apercebeu que aquilo já está mesmo a funcionar. Deve ser por isso que as sessões ainda têm um cariz algo experimental, com um ou dois cortes pelo meio do filme, uma senhora a abrir a porta da sala avisando que é para ir para intervalo de 10 minutos, enquanto pergunta no intercomunicador se deixa a porta aberta ou se tem que estar de plantão à espera que as pessoas voltem.

Mas pronto, deixemo-nos de fitas e passemos à fita em questão. RocknRolla do ex da Madonna, o tio Guy Ritchie (não, não é do tio do Sócrates). Confesso que não ia a pensar ver o filme da minha vida e, feitas as contas, trata-se de entretenimento e não filosofia em película. Tendo já visto os dois anteriores do senhor, que se inserem na mesma categoria “Lock, Stock and Two Smoking Barrels” e “Snatch” com o cigano do Brad Pitt, esperava algo mais.

É que, enre rotação de personagens e ajustes de guiões, parece-me que o filme é sempre o mesmo. É engraçado para quem não viu os outros, fica-se sempre à espera de algo que não surge caso já conheças o historial. Que o Guy goste de gangsters, de twists e de mafiosos russos, não há problema. Mas, num universo tão rico, continuar a fazer sempre o mesmo filme, com diferenças apenas superficiais e orçamentais?
Epá, sendo assim, que o Senhor nos proteja de que o artista chegue à idade do vetusto Manoel de Oliveira. 122 Filmes de gansters modernos que curtem gamar-se uns aos outros parece-me algo um niquinho exagerado.

Blackstrobes - I'm a man

28.1.09

Cristiano, desculpa lá o post anterior

Chegou ao meu conhecimento esta entrevista do Anderson, brasileiro que já passou pelo Porto. Tendo em conta a matéria, restam-me dizer três coisas:

1) Cristiano, desculpa lá, mas há no teu clube quem dê entrevistas muito mais divertidas do que tu.

2) É por estas razões que quem deve melhorar o seu inglês não deve desistir. Mesmo quando pensa que já percebe da coisa. E nunca, mas nunca dar entrevistas sem antes ensaiar com um amigo honesto que perceba de inglês e não tenha papas na língua.

3) Ole rite and gud nut.


27.1.09

Desconfiem de quem sofre de adultismo


Há pessoas que encaram “ser adulto” como se fosse um emprego. Coisa séria, bem regrada, com um manual de etiqueta que é suposto cumprir para não ficar de fora. Afinal de contas, somos todos adultos não é o que se costuma dizer entre adultos.
Ora a mim irritam-me as convenções. Talvez por isso faça o que faço, num ambiente não tão formatado como a maioria das coisas no mundo dos adultos (mas o vírus pega-se). Acho que só deixam de ter um lado mais infantil, pelo menos em parte, as pessoas que afogam a criança dentro delas (e isto não é um processo abortivo condenado por lei) com golfadas de comportamentos ditos adultos.

Ter maturidade e ser adulto não é a mesma coisa. A maturidade é um processo natural, o ser adulto é uma convenção social de coisas que “é suposto fazer”. Posso ser uma pessoa informada e ainda assim não ter que debater ao almoço pelo menos três tópicos nas notícias do dia. Posso gostar de fazer trocadilhos imbecis, sem isso significar que não sei fazer mais do que isso. Posso “ser crescido”, sem ter que ter uma postura grave e ponderada que, ainda assim, não é exclusiva de pessoas com carácter.

Que seja a personalidade de cada um a ditar comportamentos e não as convenções sociais. Só por si o termo convenção já denuncia um grupo de chatos unido para tomar decisões que não lhes competem.
Posto isto, vou ali praticar a eutanásia nuns quantos “adultos” que já morreram e ainda não deram por isso.

26.1.09

Alemães, Samba e o êxito do LSD nos anos 70

Há imagens que valem mais que mil palavras. Por essa ordem de ideias, há vídeos que valem milhões de palavras e este é um deles.

Não interessa que não percebas alemão. Interessa apenas que aguentes 30 segundos, para depois perceber que há ritmos latinos que nunca vão condizer com povos germânicos. Mesmo que eles se esforcem muito...

22.1.09

Mak & Duca

Naquilo a que se chama um alargamento de competências ou até mesmo diversificação de formas lúdicas de estupidez, este espaço chega à era da bonecada. Com a ajuda desta senhora, a ideia é que quinzenalmente ou semanalmente, consoante a vossa capacidade de sofrimento, seja publicada um tira educativa, onde eu próprio iluminarei o mundo das crianças com a bondade e profunda capacidade espiritual que me é inata.

Os argumentos serão miseráveis, a coerência e temáticas deploráveis. Só a desenhança terá um mínimo de qualidade. Pobre miúda, mal sabes no que te meteste.

Eis o primeiro momento cultural de BD (se não têm olhos de falcão, o mais fácil é clicar, porque ainda estou a testar formatos):

Nietzsche Liebe Dich

20.1.09

Ronaldolândia

Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo. A FIFA e France Football também acham isso. Ele também e aguarda que surja o prémio do melhor do Universo, porque chegados aí e comprado um planeta para a família, também ninguém o vai parar.
Tendo em conta estes factos, a RTP achou por bem falar com o rapaz de perto e mandar a sua Judite a casa dele, lixando desta forma os Contemporâneos, já que a Grande Entrevista é esta semana a referência de humor na RTP.

Cristiano preparou a entrevista, com muito treino específico, especialmente em termos de insistência no verbo “frisar”, que ele aplicou para cima de 20 vezes. Os grandes jogadores são assim, escolhem um verbo/palavra e tornam única a sua utilização. Veja-se o Figo e aquilo que tem feito por palavras como seguramente e naturalmente. Judite também treinou para a entrevista – entrevistando crianças durante duas semanas. Só isso explica o tom maternalista e a entoação infanto juvenil que deu às perguntas. Levou muito à letra o facto do forte do Ronaldo ser a velocidade e o drible e não tanto o jogo de cabeça.

Falemos do terreno de jogo – Numa das bancadas, os prémios, na outra, as fotos de família, criando a envolvência perfeita. Só faltou a lareirinha e umas espetadas de atum. Ângulos apertados para não nos dispersarmos dos protagonistas em campo. Ronaldo traja elegantemente, mas esquece-se dos ensinamentos da Nike. Se não queres que te vejam marcas de suor na camisa, o melhor é usares equipamentos Dry-Fit.

Momentos Chave da partida

“esgar” e “esgador” – Ronaldo refere constantemente estas actividades. Consta que têm a ver com futebol, mas também podem a ver com aulas de expressão facial em campo.

“A minha família é o meu suporte” – Quando o curso do Wall Street Institute interfere na vida de um jogador, a tua mãe rapidamente se pode tornar um centro de mesa.

“É verdade que quando chegou a Manchester, os seus colegas lhe ofereceram um carrinho-miniatura da Ferrari?” – (Ronaldo vê aí uma possível entrada dura sobre o seu acidente de carro) “Muita coisa que se publica sobre mim não é verdade” – Judite mostra qualidades técnicas, mas atrasa para o guarda redes, para o miúdo não ficar à rasca.

“Quando olho para o espelho, gosto daquilo que vejo” – Ronaldo não especifica se se trata do espelho no tecto do quarto.

“Tem que ser uma entreajuda entre todos” – Há muito que sabemos que a entreajuda individual tende a não resultar e o CR não é diferente.

“Sei quanto dinheiro tenho e sei que a carreira de futebolista não dura para sempre. Por isso tenho de fazer o melhor para depois conseguir levar uma vida razoável” – O banco mostra sinais de preocupação. Ou Ronaldo mostra sinais preocupantes de humildade ou há perturbações ao nível do uso da palavra razoável.

Sobre assobios nos jogos em casa e apoio à equipa – “Nós excitamos os adeptos, os adeptos também têm de excitar os jogadores". Em Inglaterra e arredores, mais de 500 adeptas sentem-se ofendidas e mandam SMS a Ronaldo relembrando algumas jogadas.

No final do encontro, a multidão sai satisfeita. O artista deu espectáculo e em casa sempre faz menos frio do que nas bancadas.

16.1.09

Realidade Humorística

Quando notícias como esta, nos indicam que Amy Winehouse está nas Caraíbas a ter aulas de malabarismo e acrobacia, começo a duvidar que seja preciso investir muito em ficção humorística. Não tarda nada, os blogs de humor serão substituídos por portais de notícias e, em resultado de um trabalho de sapa árduo ao longo de anos, um Telejornal como o da TVI será cada vez mais um concorrente de programas estilo Contemporâneos ou Gato Fedorento.

Depois cria-se um pequeno magazine de desgraçadinhos só para contentar aquele pessoal que não dispensa uma boa meia hora de misérias e catástrofes à hora do jantar.

15.1.09

Putos que andam à chuva, molham-se



Ao longo da minha experiência de vida, decidi durante uns tempos que seria puto. Ser puto é uma ocupação que demora o seu tempo e exige o seu método, uma fórmula que depois de deixarmos de o ser já não nos lembramos muito bem como é, mas que tem a ver com uma conjunção de estupidez, arrojo, despreocupação e pseudo-rebeldia, nem sempre combinadas de forma proporcional.

Ora dentro dessa minha fase de puto havia uma regra, que creio que ainda se mantém nos dias de hoje – Mesmo que chovam aos baldes de água usar um chapéu de chuva é careta e totalmente não-cool.
A base desse pensamento tem porventura que ver com o facto de que o chapéu de chuva não casa com um look jovem, nem com uma atitude radical ou simplesmente não dá para andar com as mãos nos bolsos. Serve unicamente para nos proteger da chuva e os putos se há coisa que não precisam é de ser protegidos, pelo menos assim se pensa na altura.

Uma vantagem de já me ter passado a vontade de ser puto a tempo inteiro é que percebes que, traço geral, o que podes retirar do facto de andar sem chapéu de chuva é, simplesmente, ficar encharcado. E quem anda encharcado, mesmo que o negue a pés juntos, tem muito menos vontade de ser cool, se calhar por já estar refrescado o suficiente.

Assim, posso dizer que hoje em dia, debaixo do conforto do meu chapéu de chuva do Noddy, quando me cruzo com um puto encharcado, mistura de rebelde e esponja para banho, sorrio (em pensamento, porque há aí putos ensopados que têm pouco sentido de humor) e penso: “Ai puto, com sorte um dia vais perceber que um chapéu de chuva não te tira o estilo, mas até lá aproveita as molhas o melhor que podes”.

Como é óbvio, ainda há adultos com alergia grave ao chapéu de chuva. Para esses, ser puto não é a desculpa, chama-se mesmo ser urso...

14.1.09

Para a Lisia Facial



Apesar de eu ser daquelas pessoas que quando vai ao dentista só sente realmente dor e medo na altura em que a broca entra na carteira, não é rara a vez em que saio de lá com um respeito maior pelo Sylvester Stallone.

Se já custa dizer "Adeus, bom dia e obrigado" com parte da boca paralisada da anestesia, imagine-se o que é interpretar guiões inteiros... Talvez por isso o jovem tenha feito maioritariamente carreira em filmes em que uma boa centena de murros vale mais que uma boa deixa.

12.1.09

Desmiolados

Naquilo a que alguns chamam de “safari”, resolvi este fim de semana ir às compras ao supermercado. Como é lógico, de entre os inúmeros divertimentos e atracções locais que este tipo de superfície nos oferece, há sempre alguns que se destacam.
Para uns são as discussões familiares, para outros são os tipos que ligam para casa a perguntar se o “pato” na lista é para comer ou se é WC Pato e há quem ainda goste mesmo é de um bom regabofe na caixa, com gritaria, talões, vouchers e muita confusão.

No meu caso, são as particularidades que me atraem. Ver que tipo de pessoas compram este ou aquele produto, por exemplo. Desta vez centrei as minhas atenções num dos meus ódios de estimação – pão embalado sem côdea. Apesar de ser um claro apreciador de pão na sua totalidade, não sou intransigente ao ponto de não perceber que há gente que não gosta dessa parte. Mas, meus amigos, a estupidez (que não é gratuita) de querer comprar o pãozinho já sem côdea... afecta-me o sistema.

Quero lá saber se as criancinhas rabujam, se ao velhinho lhe custa na placa, etc. Comprar pão sem côdea é assumir um capricho que só toleraria com um sorriso em doentes em fase terminal, infortunados sem bracinhos ou em últimos desejos de condenados à morte.
Não gostas de côdea?
Então e que tal separá-la em casa, partindo do princípio que não estou a falar com gente sem abrigo. Custa muito? Faz dói-dói? Eu duvido que numa dada estrutura familiar toda a gente odeie essa parte do pão e sofra de artrite reumatóide ao mais alto grau. Mesmo quem viva sozinho tem que se esforçar muito para justificar tamanha inutilidade.

Sei bem que quem inventa estas coisas faz muitos estudos antes para verificar se há ursos suficientes para dar viabilidade comercial ao produto. O meu desânimo é que uma vez por outra a malta podia dizer que sim em estudos e depois lixá-los e dizer “Ponham lá as fatias de miolinho num sítio que eu cá sei”.
Assim, prevejo que já tenha faltado mais para se venderem produtos pré-mastigados ou fruta descascada ao quilo.

E sim, depois de comerem essa sandes de pão sem côdea à pressa, podem responder.

9.1.09

Vacina de raiva

Tive a oportunidade de esta semana, pela primeira vez na vida, passar parte do meu tempo num canil. Sim, tenho as vacinas em dia e não, não fui apanhado desprevenido pela carrinha.
Sendo eu apreciador dos chamados animais de companhia, grupo genérico onde por vezes incluo as pessoas, posso dizer que é um sítio onde o ambiente é, no mínimo, opressivo.

Mas, acima de tudo, mesmo de cheiros, de sons e do esforço de pessoas que tentam fazer algo positivo desta situação, houve um raciocínio que me ficou na cabeça, por mais idiota que possa parecer:

As pessoas estão na prisão para pagar pelos erros que cometeram. Os cães (e também os gatos) estão na prisão (sentimento que o melhor canil não faz esquecer) maioritariamente a pagar pelos erros que as pessoas cometem.

Tendo em conta que no caso dos canis municipais a pena de morte/abatimento é uma solução comum, a expressão mundo cão ganha uma nova perspectiva desagradável, inevitavelmente para os cães, mas muito mais para as pessoas.

6.1.09

Oh My Zon!



Ao melhor estilo de Kusturica em "Paulo Branco, Paulo Negro", o responsável da Medeia produziu a melhor novela que vi nos últimos tempos e olhem que eu vejo cerca de zero.

A malta da Zon Lusomundo achou que o "Monopólio" pode ser algo bem mais divertido do que um jogo de tabuleiro e vai daí lançou o MyZonCard, que promete dar até 52 bilhetes à borla por ano a todo o sofredor que tenha penado com a ex-TvCabo em casa há mais de um ano. A campanha andou no ar e, desde ontem, que já se podia beneficiar dessa benesse, obviamente em cinemas Lusomundo.

O tio Paulo há muito que decidiu interromper o seu InterRail gitano para protestar com esta situação, gritando "Bandidos, gatunos, imperialistas e até monopolistas", pois que quem não tem cinemas Zon, já se estava a ver muito em off. Com o assunto na mesa desde Dezembro, altura incómoda para ter coisas na mesa para além do Bolo Rei e do bacalhau, a Alta Autoridade para a Concorrência foi-se empanturrando e empurrando a decisão para a frente com a barriga.

Até que hoje, a imprensa falou nisso de novo. À tarde, a Sra. Autoridade suspendeu o pobre cartão depois de um dia de trabalho. Quem hoje vá ao cinema para o usar novinho e fresquinho vai ter uma bela surpresa.

Eu tenho o cartão, mas de bom grado troco umas sessões à borla, pela "Balbúrdia no Oeste" que se avizinha.
É que sempre fui muito mais um gajo do Trivial Pursuit do que do Monopólio.

Os perigos da língua


Pois que diz a tradição que em Espanha seja hoje que muita gente troca as suas prendas. Alerto. no entanto, para um tipo de prenda que pode ser comum (e não tem de ser só aqui ao lado) dado o ritmo das festividades, mas que pode escandalizar as almas mais simples e cândidas.

Se o teu curso de castelhano não foi tirado no mítico Canal 18 e achas que já sabes tudo sobre esta matéria, certamente não vais precisar de clicar aqui para saber do que efectivamente se trata.

5.1.09

Para quem se passa pelas passas

Num breve sobrevoar do espaço cibernético, vejo que há muita gente que andou a caprichar nos doze desejos com as passas. No entanto, vejo que nunca ninguém se lembra do seguinte:

A) Se gostas de passas - Na última passa devias desejar que todos os meses possas comer 1 passa por semana com um desejo. É mais fácil planear desejos semana a semana do que para o vazio que representa um ano inteiro.

B) Se não gostas de passas - Faz um esforço, come a primeira e pede para que os próximos desejos sejam feitos a trincar camarões ou outra iguaria que te agrade. Guarda o último e faz o mesmo truque das passas.



Caso não acredites em nada disto, não sabes o que andas a perder. Quantas vezes já pudeste sentir-te como uma Miss Universo e desejar a paz mundial ou acabar com a fome no mundo?

Só para começar

Tendo a passagem de ano sido a simpática calmaria prevista, resolvi usar o resto do fim de semana prolongado para ir espalhar alegria por zonas mais recônditas de Portugal. Assim, localidades como Alter do Chão, Avis, Arraiolos, Crato, Pavia, Portalegre, Montemor ou locais mais recônditos como Lugar da Porca ou coisa que o valha beneficiaram da minha passagem e/ou presença neste início de ano.

Não posso dizer que tenha deixado obra feita ou sequer muita saudade, mas pude pelo menos retirar alguns ensinamentos que só o turismo estilo “vá para fora cá dentro” permite alcançar:

- O Posto de Turismo é teu amigo, mas não quer dizer que seja um amigo informado. Sim, a simpatia abundava e a informação chegou às minhas mãos facilmente. Pena é que, em dada localidade, dos dois restaurantes típicos referenciados, um substituía a ementa por uma placa “Vende-se” o outro tinha apenas um idoso sozinho à luz do “queima-moscas” ao melhor estilo do filme de terror. Tendo em conta que a terra era pequena, pouco sobrava onde comer, pelo que um simpático espaço onde a palavra “Migas” fazia parte do letreiro se mostrou uma escolha óbvia para quem procurava algo típico. Pormenor, o “Migas” referia-se possivelmente à alcunha da dona ou coisa parecida, pois não havia um único prato típico com as mesmas, apesar de se ter comido bem.

- Os sítios/monumentos de interesse vivem e morrem quase por si. A notícia de que a malta da UNESCO já avisou que há cá muito património a cair de podre não me surpreende, tarda só pela demora. Se é certo que vi muito castelo e edifício bem tratadinho, vi muitos outros ao abandono ou pelo menos com a clara indicação de que precisam de “carinho” e cuidados médicos arquitectónicos. Esperar que seja a malta da hotelaria a recuperar património é porreiro, dá gosto, mas não acontece sempre, até porque essa malta gere aquilo a que se chama – um negócio.

Isto são pormenores, não se pense que o Alto Alentejo é um deserto. E, se o fosse, seria um sítio muito interessante para tipos como eu irem pregar. Portanto, podia continuar, mas o ano só começou agora e para quem goste de sair da pasmaceira habitual, possivelmente até por menos dinheiro do que se gasta numa passagem de ano, há muitas outras pasmaceiras mais interessantes ou, pelo menos, diferentes.

E, nos dias que correm, diferente é bom, diria até muito bom para quem quer começar o ano um bocadinho menos cinzento do que o tempo.

31.12.08

Reveillon à pression


Por esta altura, algumas pessoas vasculham avidamente os seus contactos de telefone, msn ou até, nos casos mais desesperados, a lista telefónica. Razão para tal – a obrigatoriedade de ter que festejar à bruta a passagem de ano.

Antes de mais, que não se pense que eu não sou adepto de uma boa festança. Aliás, escrevo estas linhas já com um chapelinho “tipo cone” posto e uma garrafa de vodka na mão, só para alegrar a manhã. No entanto, acho que tudo o que é obrigatório tem muitas vezes pouco de festivo.

Já passei o ano a festejar, em retiro espiritual, na rua, em casa, com amigos chegados, com perfeitos desconhecidos, etc. Mas, em todos os casos, foi sempre porque a coisa se proporcionou e eu estava com esse feeling. Se não tiver, não há problema, a escolha é minha. Por isso, olho com alguma desconfiança, não as pessoas que naturalmente festejam esta data, mas sim aqueles que vejo desesperados por arranjar programa.

A sensação de “Epá, o ano vai acabar e se eu não o festejar assim mesmo que nem um leão, o que é as pessoas vão dizer de mim?” é quase tão ridícula como a expressão na cara de algumas pessoas quando te perguntam “Então, já tens planos para o Reveillon?” e tu respondes “Não, nem me estou a preocupar com isso”. O gozo primordial é celebrar as datas que pessoalmente são relevantes. O resto, é programa de ocasião.

Mas, porque também não quero que aqueles que por aqui passam digam que sou um tipo de má índole e não usem uma das doze passas para desejar que este blog continue a ser fonte de luz (negra) para a sua vida, deixo aqui uma simpática sugestão, para quem gosta de fazer balanços de fim de ano, não me referindo obviamente aos derivados do consumo de bebidas alcoólicas.

Não é novidade, mas passem por aqui e mandem a vocês próprios um email no futuro. Pode ser que nessa altura, algumas das baboseiras que andam a prometer a vocês próprios façam sentido. Caso contrário, terão um motivo para ir festejar para esquecer.

Posto isto, vão lá festejar seus malucos. Da minha parte, obrigadinho e até para o ano.

29.12.08

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stam·pede (stm-pd)
n.
1. A sudden frenzied rush of panic-stricken animals.
2. A sudden headlong rush or flight of a crowd of people.

v.tr.
1. To cause (a herd of animals) to flee in panic.
2. To cause (a crowd of people) to act on mass impulse.

v.intr.
1. To flee in a headlong rush.
2. To act on mass impulse.


Em português - Saldos.

E assim concluímos mais uma lição de aprendizagem. Na próxima aula, Constipated - Gripe, prisão de ventre ou mito urbano?

Natalidade em queda

Se querem saber porque é que cada vez nascem menos crianças em Portugal, podemos já ficar por aqui – tal deve-se porventura ao facto de cada vez mais gente passar mais tempo a ler blogs inúteis em vez de andar a assegurar a sobrevivência da raça lusitana.

Se querem saber coisas que estiveram em baixa neste Natal, então sim, devem aliviar-se um pouco do enfardamento de fritos a que se submeteram e seguir com alguma atenção as próximas linhas

- SMS’s natalícios – Abençoada preguiça/crise dos artistas do costume. Em vez de receber 50 mensagens plenas de falta de criatividade ou então 2 sms criativas, repetidas 50 vezes por arrastão ou até mesmo votos cravados a martelo de um qualquer site inspiracional de 5a categoria, a colheita deste ano foi fraca. E fraco, nesse capítulo é sinónimo de paz e alegria para os meus lados.
- Crises estomacais – O meu estômago que, ao exemplo de um qualquer casapiano, tem sofrido alguns abusos, portou-se este ano como um campeão. Nem mesmo o cheiro ao bálsamo de urina, certamente prenda de Natal, que um idoso ostentava hoje pela manhã no bus o fez vacilar.
- Música no Coração – Posso ter estado desatento, mas entre filmes bíblicos de bradar aos céus e programação tipo farinheira, não vi passar por aí este clássico intemporal que manieta o imaginário de crianças dos 4 aos 400.
- Postais e calendários pintados com o pé, com a orelha, com o lábio superior, a axila ou até com a covinha no queixo. Dá-me ideia de que esses pobres artistas perceberam finalmente que mandar calendários de borla e esperar receber um donativo de volta, em Portugal é estar a pedi-las.

Dado estar a ponderar um jejum de fim de ano para contra-balançar, é possível que na minha meditação me ocorra mais qualquer coisa. Entretanto vou ali continuar a inventar desculpas para evitar passagens de ano foleiras e já volto.

Blink 182, Miss You

23.12.08

Bolas de Natal



Por estes dias, entre declarações anti-consumismo de Natal, intervaladas com corridas às escondidas para comprar prendas para mim, disfarçadas de prendas para os outros, ainda tiveram a lata de me obrigar a trabalhar.
Se é verdade que isso me retira algum tempo para iluminar o vosso mundo sombrio, tal não quer dizer que não esteja atento ao que se passa. Vai daí, aproveito a altura para deixar aqui os meus “Bolas de Natal”

- Bolas que já não posso ouvir a palavra “crise”. No noticiário de ontem na RTP, a palavra crise foi proferida cerca de 259 vezes. Da crise de fígado, ao Pai Natal em crise, passando pela crise de imaginação, parece que tudo o que acontece no mundo deriva de uma crise. Incluindo este post.
- Bolas que o “Australia” do Baz Luhrmann é uma bela de uma banhada. Já o vi em ecrã cinematográfico e entre a intragável Nicole Kidman (sim, é azedume pessoal) e um argumento nos antípodas da coerência e da qualidade, salva-se muito pouco. Talvez só um momento Fá para as senhoras com o Hugh Jackman e um ou outro apontamento de fotografia e humor ocasional. De resto, podem voltar todos para o Moulin Rouge que não se perde muito.
- Bolas para as lembrancinhas. Se não vão comprar uma coisa original (não confundir com cara) ou, no mínimo, interessante, não comprem nada. Já vi tanta gente a comprar livros do cócó que pensei que o papel higiénico nos hipermercados estava esgotado.
- Bolas, para as refeições intermináveis, por isso fujam da mesa, se não têm fome. Nunca se viu gente gorda em campos de concentração, por isso os almoços/jantares de Natal não são prisões e essa desculpa é batida.
- Bolas para as prendas para a última hora. Em vez de gastarem tempo e dinheiro nas mesmas, invistam antes nas desculpas de última hora. Alguns dos meus melhores momentos natalícios surgiram com belas desculpas inventadas à última hora.
- Bolas, que a rede de mupis da Intimissimi goleava a da Triumph e aqui não pesa só o facto de eu achar que a Claudia Vieira é um saleiro com bom aspecto, mas com muito pouco sal lá dentro.

E, finalmente, bolas para quem anda obcecado com os planos da passagem de ano e sente a obrigatoriedade de festejar algo à pressão. Obrigação e diversão juntas são actividades que não combinam lá muito bem, parece-me a mim.

Bem, vou ali enfardar umas rabanadas de vento, enquanto penso como vou convencer algumas pessoas de que eu é que sou uma rica prenda para este Natal.

George Benson – Breezin (para aquele lounge old school de Natal)