Antes de mais, peço desculpa pela ausência de conteúdos numa base regular. A verdade é que, tendo como companhia os sete pecados mortais, as férias tornam-se um período complicado para exprimir grandes oratórias além de "Mais uma fresquinha, sa'cha vor", "Sim, sou mesmo o campeão do universo das raquetes de praia" ou "Quem é que tirou o Campingaz da sombra?".
No entanto, nos momentos em que combati com bravura a areia quente para chegar até vós, tive de lidar com todo o tipo de fenómenos estranhos. Começando pela empregada que me atendeu na única refeição saudável que a consciência me obrigou a consumir, para disfarçar toda uma panóplia de erros nutricionais de veraneio. Estranhei um pouco o facto de ser roxa às manchas e ter um badalo, mas com o pessoal de fora que vamos acolhendo no ramo da restauração, creio que tudo é possível.
O talão da conta esclareceu a situação e a sua doçura também.
28.7.08
Granda vaca
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22.7.08
Caso de Verão para o Advogado do Diabo

Antes de mais, quero referir que este post não tem nada a ver com o Dr. Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados. O facto é que não quero ser associado a alguém com uma capacidade de semear discórdia e incendiar ânimos superior à minha. E isto é uma opinião que partilho com o próprio do Demo.
Mas, perguntará o internauta que tenha cá vindo parar ao teclar no Google as palavras “pichote” e “bolso” (muito frequente) – afinal de que Diabo falas tu? É simples, falo da estupidez masculina no sentido genérico da coisa, embora se tivesse de personalizar, o Pepe Rapazote parecer-me-ia um óptimo exemplo. É certo que, sendo eu um membro viril da espécie (reforço isto mesmo cuspindo para o chão enquanto escrevo), não poderia vir para aqui ofender o género sem uma boa razão, especialmente estando eu de férias.
O que me faz vir aqui desabafar é um misto de indignação e vergonha alheia face a uma situação que observei ontem na praia, enquanto pontapeava uns castelos de areia como retaliação a uma criança que me interrompeu a sesta. Ao acabar a tarefa constatei que, seguindo a boa tradição portuguesa da proximidade balnear, um grupo de três estarolas tinha colocado as suas toalhas a cerca de 22,5cm da minha, havendo no entanto largos metros vagos à volta. Identifiquei-os como estarolas e não como miúdos idiotas pelo simples facto de já estarem bem para além da adolescência, não obstante falarem demasiado alto, serem adeptos do chamado riso alarve e levarem consigo uma bola.
Ok, nada de muito extraordinário até aí, eu próprio já tive o gozo de fazer tiro ao idoso na praia com uma bola e compreendo a relevância do artigo para qualquer homem que se diga viril. O que os destaca passa pelo facto de, depois de avaliarem as redondezas e acharem por bem não se meter com o matulão encorpado que vos escreve estas linhas (os calções de banho do Noddy intimidam eu sei), terem optado por jogar o seu charme para cima de uma moça de bons atributos que tentava mimetizar uma torrada sozinha junto às dunas.
Como é certo e sabido, na praia não há nada mais sedutor para uma mulher do que três artistas a dar pontapés numa bola no areal, coroando a sua exibição com palavrões requintados e remates a rasar a sua toalha. O que os torna ainda mais atraentes é dedicação visível na camada de suor e areia que os cobre, já que por amor ao jogo escolheram o areal junto às dunas para jogar às quatro da tarde, quando poderiam ter cedido ao facilitismo e jogado junto à água.
Depois de dez minutos desta brincadeira, o resultado creio que os deixou deveras surpreendidos. A moça, apesar de sozinha, renegou os seus instintos carnais e não convidou nenhum deles ou até mesmo os três para uma sessão de sexo escaldante (muito apropriada para a hora) nas dunas. Cometendo o desplante de nem sequer escrever com baton o seu número de telemóvel, limitou-se a pegar nas coisinhas e a ir-se embora.
O desânimo caiu forte entre as hostes dos três estarolas, tanto que lhes passou logo a vontade de jogar à bola no areal. Compreendi porquê, quando ouvi os seus comentários. “Epá, aquela gaja era esquisita, viste como ela olhava para nós?”, “Era uma gaja ou um gajo? Aquele corpinho tinha ali qualquer coisa que não sei não...”, “Pois, era boa, mas podia ser um homem. Deve ter a mania, foi-se logo embora”.
Correram para a água e, entre bolas de areia atiradas uns aos outros, tentaram afogar aquela sensação estranha. Pior do que três anormais em fase de negação numa praia, só mesmo uma miúda que não sabe reconhecer o que é bom num homem.
Sound from the beach - Mungo Jerry, In the summertime
PS - Tudo bem que a moça foi para as dunas porque eu pus o Now Mix Vol. 19 um bocado alto no meu tijolo. Mas isso não invalida o resto.
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17.7.08
Fotos tipo Penso

Há pouco mais de um século, um artista chamado Rodin criou uma estátua a que originalmente chamou “O Poeta”, em alusão a Dante. Certamente que, desde logo, outros artistas (gente maldizente, uma raça que eu condeno) aproveitaram a deixa para lhe tornar a vida num Inferno, insinuando que misturar poesia e estátuas grandes de gajos nus era meio caminho andado para a bichanice.
Ora o Augusto que, apesar de artista, era homem de barba rija e muito possivelmente dado a piropos gaiteiros às suas modelos, deve ter levado a coisa a mal e pensou em como se havia de safar de tal fama. Rapidamente, “O Poeta” passou a “O Pensador” e embora a explicação oficial refira que este é um homem em meditação, numa aparente luta filosófica anterior, para alguns privilegiados (nos quais me incluio) é óbvio que a mesma representa um indivíduo nu que tenta reavivar a memória do forrobodó da noite anterior para saber onde raio está a sua roupa e porque raio tem tatuado no braço o nome Marlene.
O que o Rodin não sabia é que, décadas mais tarde, esta ideia do indivíduo pensador em meditação iria dar origem a uma praga no meio empresarial e intelectual. Soubesse ele de antemão e não só manteria o nome “O Poeta” como ainda lhe acrescentaria “O Poeta Larilas que gosta de compôr todo nu na varanda”. É que esta imagem filosófica, misto de classicismo, introspecção e sono em atraso, representa cerca de 85% das fotos instituicionais de quadros dirigentes e intelectuais que querem passar a imagem que pensar é um acto natural no seu quotidiano.
É certo que existe os mais criativos, que fazem variantes como colocar o polegar e o indicador em L junto ao queixo ou testa, outros preferem juntar as mãos numa mistura prece/reflexão muito indicada para aqueles que, para além de pensantes, também queres passar a ideia de religiosidade/integridade, algo que tem escapado por exemplo aos fundamentalistas islâmicos. Seja qual for a forma, o conceito é o mesmo e é o bom do Rodin que devemos culpar.
Tivesse sido ele um verdadeiro pensador e tinha logo cortado o mal pela raiz. É que em relação a identificar poetas efeminados é difícil ter dúvidas, agora fazer as pessoas acreditar que empresários que mal sabem afiar um lápis sozinhos e intelectuais que repetem doutrinas e teorias como papagaios da América do Sul são pensadores, não é com uma pose que me convencem.
Até porque gajos inteligentes não perdem tempo em sessões fotográficas com poses idiotas para convencer as pessoas que o são. Gajos inteligentes fazem blogs e tentam enganar as pessoas nesse sentido. Se falharem, pelo menos ninguém vai saber que escreveram o post todos nus em profundo conflito interior (culpa do restaurante mexicano).
Soundthinker - Gabriel o Pensador, Tás a ver
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14:12
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15.7.08
Xutos e Pontapés nos Rádio Macau
In Diário Digital
“Xana e Flak protagonizaram uma agressão mútua num concerto recente dos Rádio Macau em Vila Nova da Barquinha.
Tudo começou quando a vocalista modificou a letra de «Anzol»para protestar pelo facto de Flak ter aceite que este fizesse parte de um anúncio a uma instituição bancária.
Depois, durante o solo de harmónica, Flak rasteirou a cantora que caiu desamparada. Xana respondeu com um estalo.
«Teve a ver com a autorização dada a uma instituição bancária. Por princípio, eu sou contra isso», disse Xana ao Correio da Manhã, revelando ainda que o desentendimento está resolvido.
«Ele já me pediu desculpa e eu reconheço que deveria ter feito o concerto de forma profissional e já pedi também desculpa», assumiu também Xana.”
Tentei utilizar o meu arsenal de recursos para melhorar o nível humorístico desta notícia. Não consegui, mas creio que a Xana não chegou a usar o pregão “Agora somos os Rádio Cacau” no meio dos seus protestos. É assim minha cara, deixa as palavras de intervenção para quem domina de caras o cenário. E não me refiro de caras no chão.
Quanto ao parceiro que a rasteirou, faltou ali um flic ó Flak para a coisa ter um mínimo de estilo. Contudo, deverá ser a primeira vez na história em que alguém consegue agredir outra pessoa durante um solo de harmónica.
Para quem quer ver o vídeo, pode ver aqui todo este regabofe de acção em Vila Nova da Barquinha, naquela que deverá ter sido a noite mais agitada desde que o Zeferino da Adélia entrou com a Zundap pela montra da Farmácia.
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19:15
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14.7.08
As regas da moda
Sou uma pessoa muito atenta a certas coisas e muito distraída em relação a outras quantas. Como tal, por um lado tenho argúcia de detective para pequenos pormenores, como por exemplo evitar referir a uma mulher atraente que tem um botão da blusa desapertado, já que isso não só a iria embaraçar, como iria suscitar questões sobre pelos caminhos percorridos pelo meu olhar e estragar aquilo que parece estar a ser um bom dia para os dois. Por outro lado, muitas vezes não consigo perceber outras coisas que certamente são gritantes aos olhos do comum cidadão.
Este último facto, a par da conversa sobre miúdas e roupa, leva-me à questão da moda. Indivíduo primitivo que sou nessa questão, enquadrando-me no estilo “vestido sem nódoas e buracos”, não estou muito atento ao mundo da passerelle. Talvez por isso me tenha surpreendido ao ver mesmo aqui no centro de Lisboa um cartaz no Monumental Dolce Vita. Não é que não tenha já visto cartazes, tendo até tido a oportunidade de privar com alguns ao longo da minha vida. O que me intrigou no referido cartaz foi a combinação a frase-imagem.
Refere a frase que estamos na presença de uma fashion victim, enquanto a imagem nos mostra uma jovem moderna e divertida prestes a levar com dois regadores na cabeça, que entretanto lhe despejam água na cabeça, um pouco ao estilo dos saudosos concursos “Miss T-shirt Molhada”, assumidas referências de moda, pelo menos na Charneca da Caparica.
Embora, como já referi, não perceba muito do assunto, sempre pensei que ser “fashion victim” significava estar sempre atento a novas referências e comprar tudo o que consta dos cânones da moda. Das duas uma, ou posso anunciar em primeira mão a chegada do regador como acessório de moda, ou há algo que me escapa.
Sinceramente, preferia que fosse a primeira, tenho lá em casa um borrifador que fica a matar com um casaco de Verão que comprei.
Sounds from the catwalk - CSS, Alala
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18:26
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10.7.08
It's Alive, it's Alive
Perdoem-me a escassez de palavras, mas estou em economia de esforços para a festança de mais logo. Mais ou menos há 10 anos, lá estava eu prestes a baldar-me a um exame de Matemática no dia seguinte para ver estes meninos em Algés. Valeu a pena, com a limitação de haver quem tenha tido a brilhante ideia de que era melhor pô-los antes de Simple Minds...
Uma década mais tarde, o regresso exactamente no mesmo sítio. Eu sei que envelheci com grande categoria, apenas com ligeiros danos colaterais. Quanto a eles vamos ver.
Consta que até há mais umas bandas engraçadas antes. Não é mal pensado, servem de aquecimento.
Revolution sounds like this - Rage Against the Machine
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12:06
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8.7.08
Com trastes
A vida é realmente uma droga quando a heroína é a má da fita.
Pelo seu efeito costumeiro, a designação certa não deveria ser GameOver Dose?
Será adequado dizer que alguém que tenha deixado a coca chegou ao fim da linha?
Addicted to - Chemical Brothers, One too many morning's
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7.7.08
Auto ajudem-me

Ter problemas é normal. Aliás, alguns dos maiores anormais que conheço é gente que parece não ter problemas de qualquer espécie. No entanto, não consigo compreender esta febre dos livros, cursos e teorias de “Auto-ajuda”, que a mim me parecem versões eruditas dos Professores Bambos e afins, mas em que o autor nem se dá ao trabalho de assumir parte da tarefa. Ou fazes tu ou não vais a lado nenhum.
Comecemos pelo nome que é auto-explicativo, embora a mim me faça sempre lembrar uma garagem que havia no bairro onde cresci, forrada a posters de qualidade e requinte que muito me auto-ajudaram a querer descobrir mais sobre o corpo feminino. Divagações à parte, o nome “livro de auto-ajuda” é auto-explicativo na medida em que muito provavelmente o autor escreve o livro para se ajudar a si mesmo.
“O ex-Segredo”, “Gordo é quem te fez as orelhas”, “Passe de rato a leão na cama” ou “Jesus liga-me porque eu não tenho saldo” são exemplos de obras que na sua grande maioria podem ter um fundo de verdade, assente no pensamento positivo e na vontade de lutar por um objectivo, coisas que qualquer amigo com dois dedos de testa vos podia aconselhar. Mas, acima de tudo, esta devoção pelo misticismo e a procura de gurus que têm quase sempre uma história trágica convertida em sucesso (alguém me mostra um autor desses que não tenha sido alcóolico, vivido na miséria ou perdido uma perna a caçar ursos) parece indicar que as pessoas consideram muito mais fácil olhar para o exterior à procura de soluções do que olhar para si próprias. E há sempre alguém com a solução, mesmo ao virar da prateleira.
É certo que nem todos podem ser trastes auto-confiantes como eu, que poderia viver numa barraca forrada a pacotes de leite por causa de dívidas de jogo e, mesmo assim, considerar que foi preciso ter coragem para abdicar da vida mundana com que a maior parte das pessoas se parece contentar. Contudo, procurar nas páginas de um livro que abusa dos pontos de exclamação ou num curso da Alexandra Solnado mais do que uns momentos de relax é um pouco como jogar dardos com os olhos vendados.
Essencialmente, não acredito nestes livros na medida em que também acho que nunca foi preciso alguém ler um livro “Auto lixe-se” ou “Arruine a sua vida em 30 dias” para conseguir isso mesmo. Se temos essa capacidade inata para um lado, também a devíamos ter para o outro.
Agora, auto ajuda a sério é votarem neste espaço de entrenimento ali no concurso da Superbock. Vocês sentem-se bem porque ajudam uma pessoa que sofre e eu sinto-me bem porque vos ajudei a fazer, pelo menos uma vez na vida, uma boa escolha.
Sons motivantes - Depeche Mode, Personal Jesus
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4.7.08
2008 - Mau ano de colheita incendiária?
No meio de toda a gente que reclama dos preços do combustível, há uma minoria silenciosa que não aparece nos telejornais, não faz bloqueios nas estradas e nem sequer pode preparar um cocktail molotov em condições para receber amigos em casa. Refiro-me, é claro, aos incendiários do nosso Portugal.
Inicialmente, pensei que tivessem ido a empurrar o Camião da Galp com a Selecção até à Suiça, na expectativa de alguma retribuição em vouchers de desconto no abastecimento. Mas, como a selecção até foi amiga e voltou mais cedo e incêndios de craveira nem vê-los, comecei a estranhar.
Noutros Verões, por esta altura era vê-los já contentes a gravar os melhores momentos dos incêndios nos telejornais, a escolherem pinhais para lanchar com a família e depois incendiar à saída ou a irem ao Google Earth seleccionar matas para carbonizar à moda antiga. O preço do barril de petróleo veio estragar isto tudo, porque se é certo que ainda possível para o incendiário amador usar álcool, fósforos ou até mesmo (para os que frequentaram os escuteiros) dois pauzinhos para tentar criar aquelas labaredas que os excitam para mais que o site da Ana Malhoa (é preciso ser doente), não há dignidade incendiária na coisa.
Vai havendo um incêndio aqui ou ali, muito possivelmente obra de incendiários que têm a possibilidade de ir atestar o bidão a Espanha, mas nada de especialmente efectivo ou espectacular. Toda esta bola de neve, substância que, como se sabe não é propriamente amiga do incendiário, põe em causa o ciclo de verão de muitos portugueses. Para começar os políticos, que normalmente aproveitam o fumo dos incêndios para desaparecer uns meses e depois a malta das televisões, que assim tem de aproveitar para reciclar reportagens sobre um vitelo com duas cabeças que nasceu no Entrocamento ou as vantagens do Queiroz seleccionador com bigode face ao Queirós possível seleccionador sem bigode. Não será de estranhar se qualquer dia for apanhada uma carrinha da TVI a deitar fogo a uma mata qualquer, usando a Manuela Moura Guedes como atiçador. Finalmente, os comandantes de corporações de bombeiros pelo país inteiro vêem os seus minutos de fama ironicamente reduzidos a cinzas, já que o nosso país é pouco reconhecido em relação a acções de salvamento de felinos em árvores e idosos trancados em casa.
É isso mesmo que vos digo, um Verão sem incêndios em Portugal meus amigos é exactamente aquilo que é - uma seca.
Fire in the hole - Bloodhound Gang, The roof is on fire
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3.7.08
Descuidados Intensivos
Nunca tive muito medo de hospitais, tive sempre muito mais medo de pessoas. Especialmente de pessoas em hospitais. Quer de pacientes, muitas vezes pessoas alteradas pelo sofrimento, capazes de qualquer tipo de reacção inesperada, quer do pessoal clínico e auxiliar dos hospitais com os quais, sem querer generalizar porque há muitos e bons profissionais, é sempre preciso alguma sorte.
É certo que os hospitais são alvos fáceis, não são como um restaurante onde se o prato não presta, pede-se o livro de reclamações e a coisa está feita. No hospital, quando a coisa corre realmente mal não és tu que pedes o livro de reclamações, essencialmente porque estás demasiado ocupado a preparar-te para o teu funeral.
Neste tipo de ambiente, a expressão todo o cuidado é pouco nunca deveria ser literal. É que as pessoas vêem o ER, o Dr.House ou a Anatomia de Grey e mais quinhentas séries sobre a matéria e ficam com uma visão romântica dos hospitais americanos. Ali, para além de traumatismos e cadeiras de rodas, há amor nos corredores, há médicos que quebram regras para salvar pacientes, há médicos e enfermeiros que não largam a mão da criancinha doente do primeiro ao último minuto, mesmo quando não há salvação.
Nas séries, as pessoas não ficam uma hora inanimadas no chão da sala de espera, enquanto ninguém mexe uma palha e os seguranças espreitam para ver que tapete novo é aquele na sala de espera, sem sequer se aproximarem. Não é suposto as pessoas morrerem assim. A indignidade supera qualquer argumento racional.
Chama-se a isto um reality-check e a realidade às vezes não doi, mata. “Sorte” que haviam câmaras e "sorte" que foi nos EUA, onde os advogados certamente vão fazer dos famíliares daquela senhora pessoas bem mais ricas. Mas nós já sabemos como são as coisas, já estamos habituados a ver séries de advogados há muitos anos.
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12:52
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2.7.08
Meter a colherada

Para quem julga que a política editorial deste blog (termos desconhecidos para o autor) está a ficar muito direccionada para o estômago eis a reacção - Vê-se mesmo que falam de barriga cheia.
Eu e a comida temos uma relação saudável: eu como-a, ela deixa-se comer, sempre sem azias de parte a parte. Como tal, aproveito para fechar com chave de ouro este ciclo de posts de alto valor nutricional com algo que me maravilhou mais do que os restos do Muro de Berlim - o Hamburger de Berlim.
Prestem bem atenção e vão ver que entrámos numa nova era de comida congelada. E eu e todas as crianças do mundo agradecemos.
Chillin - Vanilla Ice, Ice Ice Baby
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18:16
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1.7.08
Degusta São
Dou por mim, quase sempre a meio do dia, a pensar onde vou almoçar. Trabalhando no centro de Lisboa, a solução centros comerciais é sempre fácil e o resultado é quase sempre o mesmo. Como tal, evito-a sempre que posso, tirando se não for eu a pagar. Aí, como bom português o que a pessoa que paga escolher está óptimo.
Mas, o que tenho verificado, quando procuro sítio para encher o bandulho, é que começam as escassear os restaurantes corriqueiros de nome típico ou tradicional.
Cada vez mais a preocupação com a alimentação se confunde com o nome que dás ao teu boteco. Epá não podemos chamar Cantinho da Alice porque as pessoas vão pensar que só servimos bacalhau, dobrada e febras. Chamemos-lhe antes Spice’s Corner e assim servimos tranches de lombo de bacalhau com petit pomme de terre, cous cous de grão e especiarias ou miminhos de porco em cama de folhado de arroz.
Não sei se é isso que atrai a malta trendy empresarial, mas saindo do registo de tasca, nem as típicas foleiradas KomeAki ou PaparoKa parecem ser rivais para a febre dos nomes requintados e muito aspiracionais que muitas vezes revelam mais preocupação com a estética do que com o conteúdo do prato.
Essencialmente, lido bem com a era da imagem em que vivemos, em que mais vale parecer bom do que ser bom, desde que não me lixem a hora da refeição. Por isso, se és um jovem empresário na área da restauração e estás a olhar deliciado para a placa que diz Moods & Foods põe a trampa da placa no lixo e preocupa-te mas é em ter uma ementa com qualidade. E olha que deixares o nome da tua mãezinha na placa não é vergonha nenhuma.
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30.6.08
Euro2008 - Os comentários fora de jogo
O meu elitismo intelectual, cultivado ao longo de anos nas ruas da Brandoa, não me permite alinhar pelo diapasão daqueles que consideram horrendo gostar de futebol. Eu gosto, eu vejo e ontem quase que comi um croissant com tortilla e pimentos (sim, vende-se disso no Corte Inglês) em honra de Espanha. No entanto, o único sofrimento que me atingiu ao longo destas semanas não foi o excesso de jogos de futebol na TVI, nem muito menos ver a nossa selecção cometer hara kiri futebolístico. O que me deu a volta ao estômago, para além do supracitado croissant, foi a praga verborreica do comentador/relatador de televisão.
Imaginem que entram numa padaria. É normal que aí se fale de pão, bolos e, ocasionalmente, do facto da Dona Laurinda insistir em fazer compras usando apenas um avental. Anormal seria que o padeiro vos dissesse que aquele pão de centeio é 85% das vezes usado para barrar com manteiga ou que na história da broa de milho, só por duas vezes foi utilizada como arma do crime. Para não falar da carcaça, que se tornou no último ano o pão mais representado de sempre em padarias nacionais e do pão da avó, que 88 anos depois da sua criação conseguiu finalmente ser usado para tostas mistas. É tudo informação muito interessante, mas satura facilmente quem só queria comprar um pão de Mafra e pôr-se a andar.
O problema dos comentadores deste Euro foi isso mesmo, a gula do conhecimento. A malta quer é ver pontapés no esférico, nas costas do adversário ou até na gramática por parte dos jogadores, temperado com alguns dados, mas ao de leve. A febre da estatística, do mostrar que se sabe que o Fernando Torres só usa cueca Abanderado e usa um champô com manteiga de karité (isto dava outro tema) 3 vezes por semana ou que o Ballack costuma tirar 7,5 macacos do nariz nos jogos da primeira fase e apenas 2,5 nas eliminatórias não leva a lado nenhum, tirando ao ridículo.
Teóricos do futebol comentado sempre houve, saravá ao Gabriel Alves, mas actualmente a febre estatística e pormenorizada leva a que compense muito mais ver o jogo ao som do último álbum do Quim Barreiros (tentando perceber se ainda é possível inventar mais alguma rima com inuendos sexuais) do que a descobrir que o Platini pesa agora mais 38 quilos do que no dia em que deu uma palmadinha no traseiro do Jordão, em 1984.
E assim cai o mito que futebol não é cultura. Pena que seja à custa da paciência de quem já vê estatísticas muito bonitas ao final do mês no saldo da conta.
Fora de jogo - The sounds of silence, Paul Simon
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27.6.08
Deves, deves
Vivemos tempos difíceis e em Portugal muitas são as pessoas que vivem com a corda na garganta. Mais seriam ainda, se muitas delas não tivessem aproveitado para empenhar também a corda, sobrando agora apenas os atacadores dos sapatos para o efeito.
Mas, crise financeira conjuntural financeira á parte, estou para descobrir uma só pessoa, mas uma mesmo que diga – “Gosto de pedir dinheiro emprestado” ou “Não me importo nada de ficar a dever dinheiro”. É que, não havendo dinheiro, poderia ao menos sobrar honestidade. No entanto, com qualquer pessoas que me cruze, e tenho no meu portfólio de conhecimentos alguns cravas/caloteiros de gabarito, o ódio pela dívida, por quem deve dinheiro faz sempre parte do discurso. Já a prática, diz algo diferente, não podendo lixar bancos e instituições semelhantes, é sempre bem mais fácil lixar amigos e conhecidos…
Caso estejam a pensar que devo ter sido alvo de algum calote recente enganam-se, caso isso tivesse acontecido as minhas mãos não estariam agora no teclado, mas sim no pescoço do artista em causa. Esta é apenas uma situação que me irrita.
Notas no ar – Bros, I owe you nothing (sim, é castigo)
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24.6.08
Muro das conclusões

Terminando o meu périplo por terras berlinenses, gostava de vos dizer que guardei o melhor para o fim. Infelizmente não o fiz, guardei apenas o fim para o fim. Tendo isso em conta, vou debitar sem demora o que resta para dizer da minha passagem por pequena localidade, que segundo o que consta tem apenas quatro vezes o tamanho de Paris.
Sossegando as mentes mais perversas, começarei pela oferta cultural mais alternativa de Berlim - a prostituição de rua. Já me tinha constado que era legal (esta última palavra tem um sentido exclusivamente jurídico), mas surpreendeu-me o facto de ter lugar em ruas movimentadas da cidade, lado a lado com restaurantes distintos e o facto das senhoras terem um ar respeitável e muito bem cuidado. De facto, só me apercebi efectivamente do seu ramo profissional quando achei que era demasiada coincidência que de 20 em 20 metros estivesse uma jovem sozinha à espera de alguém à entrada de um prédio entre dois restaurantes. Ora, por muito saudável que isso seja, acho que é algo enganador para com o consumidor que cá, pela mini-saia estrategicamente colocada dois palmos abaixo do pescoço, pelo ar de quem foi atropelada duas vezes e os tamancos certificados pelo Chapitô, não tem qualquer dificuldade em reconhecer a profissional do amor em qualquer rua.
A minha viagem também me deixou perceber quão injusta é a informação de que os velhos em Portugal às vezes são piores que os jovens. Na verdade, os velhos podem ser piores que os jovens em qualquer parte do mundo e Berlim serviu-me de exemplo. Sabendo eu que não faltariam voltas por museus e locais públicos altamente frequentados, descuidei-me e não levei na bolsa de férias o repelente de idosos mal-educados. Episódio de referência nesta matéria passou-se no Reichstag, o parlamento lá da terra, onde as filas para entrar, apesar de extensas escoavam com alguma rapidez. No entanto, um grupo excursionista de 6 ou 8 idosos possivelmente de Klingenhoffen Unter den Linden (o nosso equivalente a Valadares da Beira) achou que filas são coisa de papalvos e toca de trepar a escadaria com a agilidade de pequenos saguins até uma zona onde se lia em vários idiomas “ENTRADA PROIBIDA”. Dissuadidos pelo segurança que controlava a entrada, acharam que o percurso de regresso ao fim da fila era demasiado penoso e pensaram “Que tal descermos apenas dois degraus e ficarmos ao pé destes jovens com ar de campónios”. Apesar de ter o bigode feito, senti-me ofendido pela alegação mental dos idosos e pela sua atitude fasc…(resolvi ficar a meio da expressão, para não ferir susceptibilidades na zona). Por isso mesmo, tomei como missão impedir que vissem o que quer que seja à minha frente naquele edifício. O que se passou a seguir foi aquilo que o Paulo Ferreira devia ter feito ao Ballack, em vez de se ter limitado a ser empurrado como uma menina. Cenas de marcação intensa com idosos a tentarem passar à frente nas mais diversas áreas do edifício e eu a mostrar-lhe que há formas viris de bloquear passagens, mantendo algum graciosismo. Sim, sou infantil, mas com 1,85m posso dar-me a esses luxos.
Finalmente, uma breve palavra (para evitar imagens mentais aterrorizadoras) sobre o pessoal de cabine seleccionado pela Easy Jet em solo germânico. Não havia mais ninguém disponível ou o Carnaval na Alemanha tem lugar em Junho? É que o meu conceito de assistentes de bordo, embora lato, não inclui personagens saídos directamente da Passagem do Terror e do Clube de Fãs do Liberace.
E, por agora, de Berlim é tudo.(tirando a música, que fica pelo menos até amanhã)
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23.6.08
Muro das satisfações

É verdade, estou de volta. Pensei sinceramente que sobreviviam mais de cinco dias sem mim mas, depois de verificar que haviam camionistas a fazer bloqueios na estrada, que as gasolineiras aumentavam os preços de embarda em sinal de protesto, que o Ronaldo ameçava tentar falar castelhano e que a selecção portuguesa ficou tão afectada que abandonou o Euro antes de tempo, resolvi acabar este pequeno interregno veraneante. Assim, se esta bandalheira continuar, pelo menos não me podem culpar a mim.
No entanto, resolvi aguardar uns dias antes de publicar este post pro-germânico, para deixar acalmar os cromos da bola. Essa sensatez só prova que a minha passagem por Berlim me deu novas perspectivas sobre muitas coisas, como por exemplo:
- Eles criaram as bolas, nós aperfeiçoámos a coisa. De facto, a bola de Berlim em Berlim não tem o mesmo encanto que a Bola de Berlim na Costa da Caparica. Podem mudar-lhe a cobertura, o recheio, mas falta-lhes o sol para lhe dar aquele toque gostoso, que faz a ASAE levar as mãos à cabeça.
- Seria de pensar que, entre um povo que levou pancada da grossa em duas Guerras Mundiais e numa cidade fatiada durante perto de 30 anos (coisas que convenhamos são ligeiramente piores do que ficar chateado quando o nosso clube perde), conseguisse descortinar aquela frieza que dizem ser típica do povo alemão. Nem vê-la, gente simpática e prestável por todo o lado (mesmo que respondessem em alemão a perguntas feitas em inglês), de tal modo que por uns dias até me senti como se fosse um estrangeiro no Algarve.
- Metro sem torniquetes – Nós evoluímos na tecnologia, eles evoluiram na sociedade. Coisa inconcebível por estas bandas, confiar que as pessoas compram os bilhetes, sem ter que pôr torniquetes, cancelas, sistemas de prevenção, etc. Não vi um revisor uma única vez, mas ao que parece os berlinenses acreditam que só têm a ganhar se pagarem, em vez de serem trafulhas. Faz sentido, a rede de transportes deles é um luxo, em termos de eficiência. Pelo sim, pelo não, como bom português que sou descobri um esquema lucrativo: a multa por viajar sem bilhete é cerca de 60€, a denúncia de alguém que viaje pode dar uma recompensa até 500€. O resto do esquema, partindo do princípio de que são duas pessoas é fácil…
- Custo de vida – Vendo o custo de vida em Berlim, a ideia de que é em Lisboa que se vive muito a custo sai reforçada. Uma casa no centro da cidade é mais barata do que em Lisboa (e não estamos a falar de uma barraca forrada a pacotes de leite), quer em termos de arrendamento, quer de compra. O preçário de restaurantes, desde o mais gourmet para o turista à roulotte das Bratwursts é mais barato. As compras de supermercado são ligeiramente mais caras, mas apenas em certos artigos, isto ao nível de bens essenciais. Não cheguei à parte do Tide e da cinta ergonómica, fica para uma próxima oportunidade. Consegui bater o meu recorde na relação preço-quantidade em visitas a museus. Para além de um dia em que os museus estão abertos até às 22h (sim, dez da noite) e a partir das 18h são à borla, a zona onde estão alguns dos principais museus disponibiliza um passe combinado de 12€= 6 museus. É overdose, mas é em conta. Por cá, não consegui ainda descobrir oferta semelhante, até porque como trabalho tenho dificuldade em, primeiro que tudo, encontrar museus abertos.
(continua, com temas tão interessantes como, prostituição de rua, velhos em Berlin, Low costs fazem mal à vista)
Sons do Muro (Porque com uma banda chamada Berlin estavam a pedi-las) Berlin, Take my breath away
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Sérgio Mak
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15:45
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10.6.08
Eu sou uma bola
Não me atrevendo a explanar o meu germânico com a fluidez aqui do jovem, mas esperando um aplauso idêntico aos que ele recebeu, então vou ali comer um pouco do muro e ver os restos da bola e já volto.
É só até final da semana, mas visto que nas Bermudas não era possível descobrir a diferença entre o mundo livre e o comunismo, tenho mesmo de ir aqui.
Sim, eu sei abandonar o país em tempo de Euro, sem ser para a Suiça/Austria é crime, mas eu sou assim, rebelde.
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Sérgio Mak
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19:43
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5.6.08
A Bíblia é uma pedra
Há uma dúvida que, a par das gasolineiras, me tem assaltado nos últimos dias. Sendo uma pessoa profundamente espiritual, dada à meditação e a outras desculpas válidas para não trabalhar, surgiu em mim uma interrogação de proporções bíblicas que passo a partilhar convosco, apesar de saber que há entre bloggers e voyeurs cibernéticos uma grande percentagem de hereges e excomungados.
Porque raio é que no âmbito da “mitologia” cristã nos referimos às Tábuas dos 10 Mandamentos, quando ao que tudo indica o jovem Moisés terá vindo da sua consulta com Deus munido de duas lajes de PEDRA com apontamentos e a barba chamuscada?
Estava a pensar nisso de olhos fechados ontem à noite, quando de repente senti um chamamento e vi uma luz. Ao que parece, já estava a ressonar e isso incomoda quem não consegue meditar tão profundamente. Resolvi então consultar o oráculo da sabedoria moderna, que dá pelo nome de Wikipedia, para resolver o que poderia ser uma má interpretação da minha parte. Na versão inglesa tudo certinho, a história de não cobiçar mulher alheia (e ao que parece o burro e outros animais de companhia) estaria inscrita em “stone tablets”.
Eis que converto o texto para a versão portuguesa e vejo “tábuas de pedra”. Apesar de não dominar as disciplinas de trabalhos manuais, vivi até hoje convicto de que tábuas eram sempre de madeira. Com o dicionário à mão, confirmo – tábua = madeira. Descobri, no entanto, outro dicionário onde à cautela também admitem tábuas como escrituras gravadas em madeira ou pedra. Yeah sure, vendidos...
Sabendo que Moisés era um tipo de recursos que, através de truques como as Pragas do Egipto ou a separação do Mar Vermelho (tendo inclusive inspirado Luís de Matos a seguir uma carreira como ilusionista em vez de revisor da Carris), acredito que fosse capaz de transformar pedra em madeira, mas dá-me ideia que o homem só gostava de números grandiosos, tipo transformar o CCB na Cabana do Pai Tomás.
Até ver, a minha opinião mantém-se. Tábuas de madeira é bonito, mas só se o tradutor abusou do vinho da missa.
Sons bíblicos – dEUS, Little Arithmetics
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Sérgio Mak
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16:19
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3.6.08
Informação Extra-ordinária
Na sequência do post anterior, eis outra prova de que o excesso de informação às vezes resvala rapidamente para o conceito “what the fuck?”.
Chopin afinal morreu de fibrose quística e não de tuberculose.
Não percebo a relevância desta notícia fora do círculo científico, da família de Chopin, da Associação de Pacientes de Fibrose Quística e de gente com tempo a mais, como eu. No entanto, creio que a Associação de Vítimas Célebres da Tuberculose já pediu uma contra análise ao coração do senhor, depois de saber da desfeita.
Clássicos do Som – Chopin, Opus pré-fibrose
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Sérgio Mak
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12:33
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2.6.08
Onde está Portugally?
Estou deveras preocupado. Há mais de 1 minuto e 18 segundos que não vejo nada na televisão sobre o que está a fazer a selecção portuguesa.
Será que o Cristiano Ronaldo conseguiu acabar de se assoar sem problema? Será que o Murtosa já descobriu que Sudoku e Euromilhões não se preenchem da mesma maneira? Será que o Deco cuspiu aquela grainha de uva que tinha presa na cavidade junto ao 2º molar?
Mas, acima de tudo, será que os portugueses que ainda não têm TV Cabo e afins se suicidaram em massa depois da tarde de ontem? Ou será que não estava em casa, porque andavam de cachecol e bandeirinha aos pulos?
Som de outra dimensão -Twilight Zone
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Sérgio Mak
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16:15
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