Sou a favor da paz mundial, da luta contra a fome, do fim dos toques polifónicos em locais públicos, da lei do tabaco, da ASAE, da chacina indiscriminada de pombos e da proibição da utilização de manga cava em homens fora de recintos desportivos e zonas de obras.
Agora que já ficou estabelecido que sou um indivíduo de convicções e que até alinha pela maioria em assuntos de nomeada vamos ao reverso da medalha, que tem que ver com uma certa comichão, diria até eczema palpitante, que me é provocado pela espiral de desequilíbrio opinativo que existe por aí.
Não se pense que este é um post de ofensas gratuitas, esses são só às terças e quintas. Este é um post que lida com o facto de haver uma malta (uma classificação interessante, que serve para tudo de ministros a taberneiros) que cada vez mais se resume a dois padrões de opinião: dizer mal sem critério e o elogiar sem mérito.
Poderão vocês dizer: “Mas, meu pulha, não é este pasquim um exemplo de maledicência e verve de índole duvidosa?” É, mas tem um critério – o meu. E, visto que têm a clara vantagem de não termos andado juntos na escola, não há entre nós nenhum laço que vos impeça de me dizer abertamente para ir pentear símios ao deserto, caso leiam algo que não vos agrade.
O que me importa realçar é que, com a hipocrisia e o individualismo a fazerem cada vez mais parte do quotidiano, obter uma opinião realmente honesta começa a ser tão raro como descobrir um futebolista da Primeira Liga com bigode.
Se é para bater num ceguinho, toda a gente bate, até trazem amigos para ajudarem à festa, mesmo com o ceguinho já estendido no chão. As posições de poder, como o Governo, o patrão ou o professor (com mais de 1,60m para excluir epísódios tipo Carolina Micaelis), são claros exemplos disso. Quem nunca disse mal de qualquer um destes sem se preocupar muito em fundamentar as suas razões muito possivelmente também trata o Carlo Collodi por paizinho.
Por outro lado, muito em voga temos o igualmente sensaborão elogio sem mérito, também conhecido por elogio com falta de tomates. A honestidade e a frontalidade às vezes doem e como, tirando uma % de gente que gosta muito de cabedal e espigões, o ser humano não aprecia muito a dor, especialmente a que atinge o ego, é bem mais fácil dizer que o trabalho está bem feito (para quem quer ir para o desemprego), que o filho realmente tem jeitinho para a guitarra (pelo menos tem unhas compridas), que este foi o poema mais bonito que eu já li (alguém pague o resgate ao poeta preso dentro de ti), que o jantar (com lavagem ao estômago de sobremesa) foi divinal e que sim, que esta foi a minha primeira vez (num dia par de Março) e que foi fantástico (por comparação com extrair um siso). Com sorte, alguém depois dirá a verdade e, visto que muito possivelmente será o único, rapidamente se arrependerá e aprenderá a lição.
Não tenho crédito suficiente para concorrer para moralista, nem estou isento em culpas no cartório, no notário, no arquivo civil, etc. Mas também evito fazer fretes, prefiro não opinar a elogiar por favor e respeito o valor de uma boa crítica.
Como é óbvio, o facto de sermos (maioritariamente) humanos vem com as bolas extra do livre arbítrio e da imperfeição, o que não deveria servir apenas como justificação para não sair da cepa torta, mas também como forma de ter orgulho em ser uma ovelha negra no meio de um rebanho de mansidão encapotada.
Por falar em moralismo – Kanye West, Flashing Lights (o vídeo não sei é moral ou se dá moral, depende)
31.3.08
DisConcordância
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Sérgio Mak
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15:52
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27.3.08
A propósito da descida do IVA
Visto que é de palhaçada que falamos, por culpa deste senhor, esta tarde uma música estranha e alarvemente irritante começou a soar nos meus ouvidos. Escravo da curiosidade como sou, fui desencantar ao recanto da minha mente, mesmo por detrás de uma porta onde uma caveira e dois ossos cruzados escondem as coisas que a minha memória se esforça por apagar, mas que não o faz totalmente de forma a prevenir desastres nucleares.
Foi assim que cheguei a este lixo, que nem as moças voluptuosas que lá constam servem para atenuar uma dor que se funde entre a memória e o aparelho auditivo.
E, como não gosto de sofrer sozinho…
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Sérgio Mak
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17:23
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26.3.08
A leste do para riso
Tenho uma empregada de leste que é muito simpática e faladora. É o que se chama uma armena cavaqueira.
Por falar em abuso de químicos - Chemical Brothers, Surface to Air
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Sérgio Mak
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10:11
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25.3.08
O Bom da Páscoa, o Mau das Fitas e o tradutor Vilão
O bom da Páscoa para mim é que tudo tem a ver com ressuscitação. Ressuscitam-se os fins de semana com três dias, as procissões de toscos até ao Algarve, as reportagens desinteressantes sobre folares gigantes e afins, os filmes do mofo recorrente e o meu ódio sobre legendagens mal feitas.Visto que acidez em níveis exagerados faz mal ao estômago, vou respirar fundo e abordar apenas os dois últimos pontos.
Ben Hur, Os 10 Mandamentos, Quo Vadis e Spartacus. Se passar uma Páscoa sem que um destes filmes épicos passe na televisão, preparai-vos pecadores, porque o fim do mundo está próximo. É como se na sala de controlo da programação existissem umas Bobines dos Mandamentos que dissessem “Passarás o mesmo filme pascal anualmente até ao final dos dias, para que a ira do Senhor não caia sobre ti e Portugal tenha mais hipóteses de ter alguém no Guinness por saber as falas todas do Quo Vadis de cor”. Obviamente o mandamento possui também uma alínea natalícia para a Música no Coração.
Para além disto, decorre também uma conspiração inter-canal, que se expande aos exclusivos da TVCabo, que visa tornar o Armageddon o filme que mais vezes rodou no última década. Para onde quer que faça zapping, há 38,4% de hipóteses de encontrar Bruce Willis a tentar salvar o mundo, Liv Tyler a fazer beicinho e Ben Affleck a fazer o que faz melhor, ou seja, de mono. Dá-me vontade que caia um meteorito ou pelo menos um calhau de dimensões consideráveis na cabeça da gente que ainda não percebeu que esse filme já era mau no cinema e que não precisamos de uma 143ª vez para tentar mudar de opinião.
Finalmente, a legendagem. É certo que em todas as áreas há incompetentes e que errar é humano. Na área da legendagem de filmes (tv e cinema) sou levado a crer que há gente muito humana, embora também possa dizer que a miséria é ligeiramente menor que há alguns anos. Mesmo com atenuantes que possam haver, o nível médio continua a ser muito fraquinho e embora por vezes a legendagem seja o único ponto de comédia num filme dramático, não é demais pedir para haver um pouco mais de atenção. Ou então que continuem a deixar o email do responsável pela legendagem em letras bem visíveis no fim da película, para que indivíduos de má índole como eu próprio tenham alvos bem mais precisos nas suas comunicações, em vez de servirem como desculpa para gente que gosta de perder tempo a ler baboseiras online.
Por falar em película e em mofo – Duran Duran, Girls on Film
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Sérgio Mak
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11:01
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20.3.08
Três boas razões para não casar
Há dias em que penso como seria se algum dia passasse por um cerimonial de matrimónio convencional e há dias em que penso como seria se me depilasse por completo com cera. Como o primeiro pensamento, depois do desempate nos penalties, é mais agradável que o segundo, permitam-me umas breves linhas sobre o assunto.
Antes de mais, vou saltar a chamada "despedida de solteiro". Para perderem tempo com cenários corriqueiros de álcool, deboche e poesia lírica, encontram muito melhor na Internet.
Mas, esperem, a cera já está quente e portanto as minhas prioridades mudaram. Deixo-vos então com um pequeno apontamento, que consulto religiosamente quando me surgem estas ideias nupciais delirantes. No fim, só tenho um lamento - é que se fosse mesmo assim, era já amanhã.
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Sérgio Mak
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15:50
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18.3.08
Cardinali, roi-te de inveja

Chegou à minha atenção que se cumpriu ontem o 30º aniversário de funcionamento ininterrupto de uma actividade circense em Portugal. A Mestre Alberto João Jardim e sua troupe, os meus votos de parabéns. Não é todos os dias que se atingem três décadas de sucesso a fazer contorcionismo político, equilibrismo democrático, magia orçamental e apontamentos de palhaçada ao mais alto nível.
PS - Mostrando a minha generosidade pascal, a Cabine de Som disponibiliza em edição limitada um tema do último álbum de Nick Cave. Aceitam-se bilhetes para o concerto como gratificação.
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Sérgio Mak
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15:19
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16.3.08
Uma mini maratona mais tarde...
Solto o queniano que havia em mim (e que terminou com um tempo substancialmente melhor que o meu), eis uma primeira verdade absoluta a retirar da edição deste ano da Meia Maratona de Lisboa:
Tal como a água e o azeite não se misturam, o mesmo se devia aplicar aos gordos e à lycra.
É arrepiante ver o resultado da fusão entre o entusiasmo pelo desporto, a falta de prática regular do mesmo e um calçãozinho apertado que ameaça explodir a qualquer momento, tal é a deslocação de massas existente.
Dado o elevadíssimo número de visões dantescas, cheguei a pensar que a prova terminava no 6º Círculo do Inferno e não nos Jerónimos. Restou-me fechar os olhos e correr guiado pelo odor a suor, coisa que só costumo de fazer de manhã, quando a caminho dos transportes.
Mais uma corrida, mais uma viagem - Run DMC - It's like that
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20:26
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14.3.08
Quilos de piada

Tenho um amigo tão gordo, tão gordo, mas mesmo tão gordo que o médico lhe disse para esquecer a banda que aquilo só ia lá com uma orquestra gástrica.
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15:04
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12.3.08
Sei o que fizeste ao cabelo no teu passado

Nos intervalos da minha actividade profissional, que chegam por vezes às 8 horas diárias, sou um ávido compilador de estatísticas inúteis. Sendo esse um hobbie que combino facilmente com raciocínios idiotas, não foi difícil chegar à temática deste post.
Com o apoio do Gabinete Técnico de Sondagens da Universidade de Badmington, posso afirmar com alguma prepotência que, na franja da população feminina entre os 26 e os 30 e poucos anos de idade (ligeiras variações), cerca de 8 em 10 mulheres fizerem, entre os seus 12 e 16 anos, uma horripilante permanente, que as transformou durante algum tempo numa espécie de cruzamento entre um caniche e uma Mariah Carey pré recauchutagem.
Rompendo tabus e explorando territórios proibidos, este estudo concluiu que não é algo de que se orgulhem, nalguns casos há indícios de abuso de dicas por parte das mães, ou excesso de consumo de gomas, revistas Bravo e afins. Existem algumas que possuem álbuns fotográficos com zonas secretas onde ocultam as provas desse erro e outras vivem ainda com o temor de que o Carlitos, garboso e promissor moço com que namoraram no 8º ano e agora talhante, ponha na Internet aquela foto tirada nos Pasteis de Belém, em que o bocado de massa nos dentes é ofuscado pelo penteado “a la Slash”.
As razões para a fatídica permanente divergem, o grau catastrófico da mesma também, mas o facto é que ela existiu e haverá certamente quem ao ler estas linhas core vergonhosamente com essa lembrança. A modernidade dos cortes no Bairro Alto e noutros sítios trendy por aí espalhados há muito que serve como antídoto para essa imagem, que possivelmente causou danos mais duradouros no interior da cabeça do que no exterior.
Nada temam, o protocolo com a Univ. de Badmington obriga-me ao sigilo sobre a identidade de todas aquelas que confirmaram o seu sofrimento às mãos da “Permanente”. No entanto, pelo enriquecimento do espólio desta instituição pública e do meu divertimento privado, estamos abertos à recepção de provas fotográficas.
Quanto a mim, nada temo, abençoado que fui na minha juventude com farfalhudos caracóis que faziam do Marco Paulo clássico um menino de coro. O meu destino ficou aí traçado e, felizmente, não foi com risco ao meio.
Back to the basics - Tracy Chapman - Baby can i hold you tonight (slow que levou ao sufocamento de muito jovem incauto, afogado numa permanente não vigiada).
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10:52
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10.3.08
Quando a cabeça não tem juízo, a ver o Festival da Canção é que se sofre
Sim, quebrei a promessa, investi no erro, desafiei a lógica, quebrei barreiras (com a cabeça), em suma - vi o Festival da Canção. Com uma ou duas excepções, sofri imenso, naquilo que me pareceu uma reunião de antigos alunos da Operação Triunfo, mas não cheguei a precisar de lavagem ao estômago.
A minha única satisfação? Saber que há na Bulgária quem sofra bastante mais do que eu.
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Sérgio Mak
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01:20
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6.3.08
A (in)validez do palavreado
É certo que a língua portuguesa evolui (ou regride) com o passar do tempo. Nalguns casos essa mutação é de estilo Chernobyl, noutros é simplesmente um adequar de expressões e palavras aos tempos modernos. De qualquer forma, nem sequer querendo entrar no acordo ortográfico para a unificação da língua portuguesa, incomodam-me certas “modas” que fazem com que determinadas palavras se tornem um must ou até mesmo top of mind, o que nos levaria ao passo seguinte que é o abuso de anglicismos desnecessários. Mas isso, for the time being fica em standby.
A palavra que me tem feito mais comichão do que as palavras do ministro Jaime Silva fazem ao Paulo Portas tem origem nos transportes colectivos. Antigamente, quando eu era pequenino, fascinava-me o termo “valide o seu título de transporte”. Dava assim um certo ar cerimonial a uma coisa que os comuns mortais motoristas traduziam por “pica lá o módulo pequenote ou ponho-te lá fora”.
Pois, tal como eu cresci, também o termo “validar” ganhou nova dimensão e é hoje um gigante na linguagem empresarial, uma espécie de Belmiro de Azevedo das palavras do mercado nacional.
Nada se faz sem ser previamente validado e tudo é inválido se a validação não corre bem. Os termos “confirmar”, “vê se está tudo bem” ou “verificar” perderam claramente quota de mercado e ponderam alguns deles concorrer à reforma antecipada. Se esta for validada é claro.
Para mim, “validar” continua a ser linguagem histórica de autocarro, eléctrico ou Metro. Aplicá-lo como se não houvesse amanhã na conversa de escritório ou no palavreado profissional para mim tem a mesma “validade” de uma porteira que ande todos os dias a lavar as escadas envergando vestidos Versace. Ou seja, é possível, mas claramente despropositado.
Como tal, surpreendam-me com termos inusitados, invalidem as minhas palavras à bruta, estilo malho da Feira Popular nos joelhos, mas poupem-me a “validar” argumentos. Para esse peditório eu já (invali)dei.
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10:59
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4.3.08
De boas intenções está a arte cheia
Apesar de ter desistido da carreira de leiloeiro de obras de arte cerca de três minutos depois de ter pensado em começá-la, o meu interesse por esta temática encontra rival apenas no Subbuteo.
O que me fascina na arte, especialmente na contemporânea/moderna é o facto da premissa ser cada vez mais focada na “intenção” do artista. Se o episódio do lavatório rachado que também era obra de arte, cujos bocados foram posto no lixo de uma galeria por uma empregada da limpeza é conhecido por muitos e ainda hoje me faz rir, o processo como esse lavatório se transforma em obra de arte será também porventura risível.
Não pretendendo pôr em causa o valor de instalações inovadoras, incluindo a famosa “Racha” de Doris Salcedo, sobre a qual já divaguei lá mais para trás, não são as peças em si que me chateiam, são as intenções.
Digamos que um artista resolve começar a fazer instalações com peças de fruta com a marca de uma dentada. Ok, estranho mas aceito, pode ser inusitado além de dar dores de barriga. O jovem decide dar uma intenção à obra, classificando-a como “O desperdício de recursos pelos povos abastados, que preferem deitar fora os seus excedentes e inutilizá-los com a sua marca, ao invés de partilhá-los com aqueles que deles têm falta”. Aí o caldo já começa a entornar, pois é tão fácil dizer isto como por outro lado alegar que são “Os danos infligidos pela humanidade à Natureza, que fazem com que seja impossível voltar atrás, rumo à destruição progressiva do meio que nos garante a sobrevivência”.
Nos meus circuitos algo danificados a questão passa por isto: é mais fácil criar uma intenção, de forma a fazer com que as pessoas se identifiquem com uma peça, do que deixá-la simplesmente ser e cada um que decida o seu valor/interesse. Nem toda a arte tem que ser coerente digo eu e se existem coisas nesta vida que podem ter valor sem ter significado concreto, porquê trivializá-las com conceitos que qualquer mafarrico com imaginação pode inventar na hora.
No entanto, visto que me assumo como mafarrico com imaginação e fechando o círculo em relação ao tema dos leilões de arte e à fortuna pessoal que pretendo acumular, deixo uma proposta. Se és artista e pretendes dar significado aos potes de cerâmica ligeiramente defeituosos que fabricas no forno da tua avó ou fazes bonitas obras com aparas de lápis mas não fazes porra de ideia do que aquilo pode representar, contacta-me. Vais ver que tão facilmente vendo os meus princípios, como as tuas obras vão começar a sair como pãezinhos quentes, assim que a tua intencionalidade se reflicta como “A forma como a ausência de transmissão do conhecimento de geração em geração, faz com que a imagem do que é tradicional seja cada vez mais deformada pela falta de envolvimento das novas gerações” ou “Os despojos, a floresta e o homem. O cruzamento do progresso com os materiais que em tempos constituiram a riqueza da Natureza rumo a um futuro sem forma”.
Como vêem é fácil, diria até muito mais fácil do que dar a qualquer post deste blog uma intenção que lhe confira algum valor acrescentado. Nesse aspecto, acho que não há arte nem engenho que me valha.
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Sérgio Mak
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11:52
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28.2.08
Pode indicar-me o melhor caminho para a sua carteira?
Este episódio pode funcionar como metáfora moderna ao processo utilizado por muitos governantes para esmifrarem o cidadão comum. É tudo feito de uma maneira tão natural, de forma tão educada, que não só ficas sem carteira, como ainda agradeces. E no fim de contas, é bem provável que te sintas parvo sem perceber bem porquê. Ou então percebes... só que já é tarde demais.
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Sérgio Mak
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15:30
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26.2.08
You've come a long way baby

O espírito de revolta e a maturidade podem conviver.
Às vezes precisam é de tempo para se conhecerem.
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Sérgio Mak
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18:41
2
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Este país não é para alguns velhos
Como o título indica, começo o texto com um pequeno apontamento cinematográfico. Tem a ver com o facto de os senhores da TVI não perceberem muito bem para que serve um compacto dos “Óscares”. Por norma, um compacto é um resumo do essencial da cerimónia, transmitido para que ratos como eu, que abandonam o barco do directo às primeiras horas da madrugada, possam ter a satisfação requentada de ver o que toda a gente já sabe no dia seguinte.
Transmitir esse compacto à uma e meia da manhã é idiota, não só porque não serve os meus propósitos, mas também porque se um directo até às cinco da manhã ainda seduz alguns, um compacto até às três e tal… Por isso, obrigadinho ó Moniz e desejo para ti e para os teus um penteado igual ao do Javier Bardem no filme premiado no certame. O que, para alguns, ainda deve ser uma clara melhoria.
Noutro registo, este título tem a ver com o facto de nas próximas chuvas diluviais eu estar disposto a juntar uma carrinha de eternos insatisfeitos com tudo e mandá-los para a ribeira mais raivosa que se destacar.
Quando Moisés caminhava junto às águas, o Senhor falou-lhe dos transportes colectivos e deu-lhe algumas regras básicas para o funcionamento dos mesmos, que Moisés apontou nas costas do seu cartão Lisboa Viva. Não sabendo muito sobre religião, sei que um dos mandamentos dos transportes diz:
“Mandarás pararar o autocarro que se aproxima, se nele desejares viajar”.
Se é verdade que muito mudou, esse princípio continua em vigor, pelo que tive dificuldades em perceber um episódio a que assisti ontem. Estava eu numa paragem, quando se aproxima um autocarro, em marcha lenta. Não me interessando o destino do mesmo, permaneci imóvel, tal como o resto do pessoal na paragem. Só quando o dito cujo já vai a passar a paragem é que uma senhora entradota e anafada, portadora do típico botim a la Robin dos Bosques, decide parar de galhofar e fazer um gesto, seguida por outra que decide saudar a traseira do autocarro, levantando-se. Como é óbvio, ficaram à espera do próximo.
Até aí tudo bem, tirando que pelos vistos a senhora dos botins era tia do Carvalho da Silva. Toca de começar a dizer que era uma vergonha, que só lhe tinha faltado pôr debaixo do autocarro para ele parar, que já não havia respeito e eu a ver que ela já estava a tirar uma pá da mala para desenterrar o Salazar logo a seguir.
Apesar de pensar que todos tinham visto que, neste caso, a culpa era mesmo da distracção das velhotas, levantou-se o óbvio burburinho típico destas ocasiões, em que o que é preciso é linchar verbalmente alguém para animar o dia. Só a velhota que se tinha levantado tardiamente permanecia calada. Pensei, coitada, esta que até está caladinha na volta é a que mais transtorno lhe faz e não está a reclamar, nem que fosse para aquecer. Pensei cedo demais…
De repente, como se possuída pelo espírito de Chucky, o utente dos transportes públicos diabólico, a velhota levanta-se novamente e começa a vociferar alto e bom som:
“O problema é que eles são mal amados em casa e depois vingam-se nas pessoas. As mulheres não lhes dão o que eles querem e depois quem paga somos nós. Não souberam escolher, são mal amados e vêm para a rua desforrar-se”.
Silêncio na paragem, atmosfera Freudiana ao rubro e tudo a entrar à pressa no próximo autocarro, tendo eu ideia que muitas pessoas nem se preocuparam a ver para onde é que este ia.
Ficou apenas para trás a velhota Chucky. Que num ano em que tanto vilão foi destacado nos Óscares, tinha potencial para ombrear com qualquer um. E mostrar-lhes quem é que é mal-amado à bruta…
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12:21
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20.2.08
A exemplo da roda quadrada
É certo e sabido que a Humanidade é dada ao regabofe da criatividade de quando em vez. Como tudo o que sai da mente humana, umas vezes essa criatividade contribui positivamente para a evolução/bem estar da espécie ou mais especificamente do tipo que teve a ideia, outra vezes é aquilo que alguns definem como “não tem ponta por onde se lhe pegue”.
Serve esta introdução estilo darwinista para falar de um artefacto com que me tenho cruzado numa base diária. É esse artefacto uma cadeira vibratória-relaxante, sem dúvida um passo em frente para todos os calões que pretendem retirar o benefício máximo de ficar de cu sentado durante uma eternidade.
Não pondo em causa o já duvidoso valor de um artefacto desta espécie, atentem ao seguinte: esta sedutora cadeira vibratória-relaxante está no meio de um corredor de uma pseudo-mini superfície comercial (vá lá, um aglomerado de lojas). Para além disso, tem uma ranhura para inserir moedas, de forma a que um transeunte possa beneficiar de alguns minutos de relax contra pagamento.
Uma abelha Maia para os putos? Vá lá. Uma máquina de Trivial Pursuit para aqueles que se recusam a ver programas de conhecimento apresentados pelo Jorge Gabriel? Admite-se. Até um daqueles macacos que insistem em saber mais sobre nós tipo “Como te llamas?”, uma vez mais a troco de dinheiro, até isso eu concebo.
Agora, num sítio frequentado maioritariamente por idosos para os quais montanha russa ou cadeira vibratória-relaxante são sinónimos, com cerca de 10 a 20 lojas, sem qualquer privacidade, quem é que vai ser o idiota a recorrer a tão brilhante jogada comercial?
Eu diria que ninguém, mas da maneira que isto me enerva, até já estou a ponderar passar por lá hoje ao fim da tarde e descobrir o segredo que vibra por detrás da cadeira-vibratória-relaxante-no-meio-do-corredor-do-pseudo-espaço-comercial.
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15:11
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18.2.08
O 1º Blog Submarino

Numa iniciativa que considero inédita, escrevo-vos a partir do túnel do Campo Grande e a imagem que acompanha estas linhas foi tirada com a câmara do portátil. Como devem calcular, as circunstâncias impedem-me de dizer que isto tem sido uma seca, até porque os tipos da Protecção Civil e dos bombeiros são uns porreiros e até já me fizeram chegar uns óculos sub-aquáticos e um tubo de snorkel.
O trânsito debaixo de água é diferente e aqui não faz sentido dizer "Passa por cima", porque desde que aqui estou já passaram dois Corsas e um estafeta já fizeram isso, aproveitando a corrente. Também não existem buzinadelas incómodas, já que debaixo de água só se vêem umas bolhinhas tipo aquário, que frustram mais do que aliviam os típicos trompeteiros do Apocalipse.
Apesar dos romenos de escanfrando que me tentam vender a CAIS e o borda d'água com as marés, isto até é sossegado. Já utilizei o telemóvel e no restaurante japonês já me garantiram que fazem entregas só do molho e do arroz, já que o peixe cru eu tenho facilidade de arranjar.
Quem vai ficar a perder creio que é o Oceanário, pois mais uns tempos e a biodiversidade marítima dos túneis de Lisboa vai pôr os amigos da Expo a ver navios. Só me incomodou ter começado a ver o Waterworld enquanto esperava. Ainda não estou convencido que essa história de beber urina reciclada é saudável.
Como prova de que tenho sangue na guelra e me sinto como peixe na água, prometo continuar a mandar relatos desta experiência de vida, até que este país deixe de meter água, o que pode demorar um bocadinho...
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12:36
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14.2.08
Neste dia seja original, invista em plásticos
Por esta altura, milhares de enamorados pelo mundo inteiro aprestam-se a cortar os pulsos ou, na pior das hipóteses, ver o Benfica a jogar durante uma hora e meia, punindo-se por não terem encontrado a prenda perfeita para o seu mais que tudo.
A caça aos peluches é hoje em dia uma actividade só para duros e há até avisos nos jardins infantis para que os pais não deixem crianças sozinhas com um peluche nas mãos dado o risco de, tal como as focas bebés, levarem uma paulada na cabeça por parte de um entusiasta de S.Valentim.
Quanto aos chocolates, estão para a mulher como a cerveja está para o homem, em termos de danos corporais a médio prazo. Por isso, se não está a planear já o próximo disfarce de Carnaval como barril de imperial ou como clone da Valentina Torres, é melhor deixar as guloseimas para uma próxima ocasião. Isto, se já tiver escoado o stock de chocolates que as suas tias lhe deram no Natal de 2003.
Para quem sorri porque ainda não mencionei os jantares a dois, podem dar descanso ao marfim. Se o jantar for num restaurante, quer mesmo correr o risco de encontrar o seu marido/mulher no mesmo sítio onde vai com o seu par romântico? Se não corre esse risco, pense na grande probabilidade da ASAE interromper o mesmo e estragar o clima, para condizer com a carne que estava a comer. Se planeia jantar em sua casa, vai ter que pedir à sua mãe para vir mais cedo preparar os ingredientes, confeccionar o menu caladinha, não comentar a roupa do seu amor e ver a novela sem som, enquanto os dois tentam aproveitar o espaço que sobra no sofá para andar na marmelada.
Finalmente, o grande segredo de S.Valentim: o poder das rosas. Tal como o mítico Segredo, que vem passando ao longo dos tempos por alguns das mentes mais brilhantes da humanidade, as rosas são a chave do sucesso para o dia 14 de Fevereiro. Não só trarão felicidade à sua cara metade, como à do vendedor das mesmas, que fará neste dia o lucro de dois meses à conta de devotos do arranjo floral. Mas, pensando bem, será uma boa ideia fazer recair a sua escolha num espécime mercenário, que se vende a qualquer tipo de evento, desde a remoção do baço da prima Carminda, ao funeral do avô Libório, ao casamento da vaca da Cesaltina ou a eleição da Miss Famões? Deixo a escolha ao vosso critério, mas vendo bem as coisas, o último milagre com rosas em Portugal já tem alguns séculos.
Por isso, se quer investir no sucesso de uma relação, dê ao cavalheiro um nariz e à dama uma lipoaspiração. Segundo as últimas notícias, as lipoaspirações devido à “tendência para as coxas largas e barriga grande das mulheres portuguesas” batem largamente os implantes de silicone em termos de número de intervenções, ao passo que nos homens é a rinoplastia a operação dominante. Segundo o talhante consultado, isso deve-se: “à carga importante do nariz do homem, que talvez tenha a ver com aspectos relacionados com a masculinidade e virilidade”. Ah, Pinóquio meu malandro, tu é que a sabias toda.
Como podem ver, o sucesso no dia dos Namorados pode ser fácil e marcar para toda a vida o seu parceiro. A solução está nos talentos do plástico, tanto os do cirurgião, como o do cartão que vai pagar por isso tudo.
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Sérgio Mak
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10:32
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12.2.08
Pequenos sinais que nos indicam que o fim do mundo é relativo e a imbecilidade é absoluta
Tempos houve em que por apenas mais X, se comprava o jornal e se recebia um DVD. Hoje em dia, já existem filmes em DVD que oferecem jornais como o Correio da Manhã ou o JN por apenas cerca de 1 euro.
Tempos houve em que o Pavilhão Atlântico só servia para receber concertos de grandes bandas. Agora serve para enterrar outras que, segundo os princípios do que é música, nunca deviam ter nascido.
Tempos houve em que conotar escuteiro e parvo era algo tolerado pacientemente pelos parvos. Hoje em dia são os escuteiros fazem suspender campanhas em que se sentem ofendidos por poderem ser identificados como parvos. Têm razão, isso só prova que na realidade são imbecis.
Tempos houve em que o provérbio que dizia “O carro e a mulher não se emprestam a ninguém”. Hoje, com o advento do swing, mais facilmente se dá uma volta na mulher do amigo do que no carro do mesmo.
Tempos houve em que esta arrepiante introdução fazia parar famílias em frente à televisão depois do jantar. Agora o mais provável é isso acontecer numa das 42mil séries em que entra um cadáver, um indivíduo com muita sapiência e maquinaria que conjuga o melhor da BIMBI e da tecnologia científico-criminal.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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15:54
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6.2.08
Arrenda-se, por preço módico

Espaço temporariamente cedido a restaurante de uma estrela na escala de um fabricante de pneus com um boneco gordo no logotipo, bons espaços, boa localização e vistas largas, renda mensal acessível - 500 Euros.
Disponível daqui a perto de 16 anos, contactar funcionário camarário.
PS - A Porta 69 aqui não funciona. No Parque Eduardo VII esse esquema só funciona em áreas mais recônditas.
Rasgo alucinado de
Sérgio Mak
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19:13
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