28.2.08

Pode indicar-me o melhor caminho para a sua carteira?

Este episódio pode funcionar como metáfora moderna ao processo utilizado por muitos governantes para esmifrarem o cidadão comum. É tudo feito de uma maneira tão natural, de forma tão educada, que não só ficas sem carteira, como ainda agradeces. E no fim de contas, é bem provável que te sintas parvo sem perceber bem porquê. Ou então percebes... só que já é tarde demais.

26.2.08

You've come a long way baby




O espírito de revolta e a maturidade podem conviver.
Às vezes precisam é de tempo para se conhecerem.

Este país não é para alguns velhos

Como o título indica, começo o texto com um pequeno apontamento cinematográfico. Tem a ver com o facto de os senhores da TVI não perceberem muito bem para que serve um compacto dos “Óscares”. Por norma, um compacto é um resumo do essencial da cerimónia, transmitido para que ratos como eu, que abandonam o barco do directo às primeiras horas da madrugada, possam ter a satisfação requentada de ver o que toda a gente já sabe no dia seguinte.
Transmitir esse compacto à uma e meia da manhã é idiota, não só porque não serve os meus propósitos, mas também porque se um directo até às cinco da manhã ainda seduz alguns, um compacto até às três e tal… Por isso, obrigadinho ó Moniz e desejo para ti e para os teus um penteado igual ao do Javier Bardem no filme premiado no certame. O que, para alguns, ainda deve ser uma clara melhoria.

Noutro registo, este título tem a ver com o facto de nas próximas chuvas diluviais eu estar disposto a juntar uma carrinha de eternos insatisfeitos com tudo e mandá-los para a ribeira mais raivosa que se destacar.
Quando Moisés caminhava junto às águas, o Senhor falou-lhe dos transportes colectivos e deu-lhe algumas regras básicas para o funcionamento dos mesmos, que Moisés apontou nas costas do seu cartão Lisboa Viva. Não sabendo muito sobre religião, sei que um dos mandamentos dos transportes diz:
“Mandarás pararar o autocarro que se aproxima, se nele desejares viajar”.
Se é verdade que muito mudou, esse princípio continua em vigor, pelo que tive dificuldades em perceber um episódio a que assisti ontem. Estava eu numa paragem, quando se aproxima um autocarro, em marcha lenta. Não me interessando o destino do mesmo, permaneci imóvel, tal como o resto do pessoal na paragem. Só quando o dito cujo já vai a passar a paragem é que uma senhora entradota e anafada, portadora do típico botim a la Robin dos Bosques, decide parar de galhofar e fazer um gesto, seguida por outra que decide saudar a traseira do autocarro, levantando-se. Como é óbvio, ficaram à espera do próximo.
Até aí tudo bem, tirando que pelos vistos a senhora dos botins era tia do Carvalho da Silva. Toca de começar a dizer que era uma vergonha, que só lhe tinha faltado pôr debaixo do autocarro para ele parar, que já não havia respeito e eu a ver que ela já estava a tirar uma pá da mala para desenterrar o Salazar logo a seguir.
Apesar de pensar que todos tinham visto que, neste caso, a culpa era mesmo da distracção das velhotas, levantou-se o óbvio burburinho típico destas ocasiões, em que o que é preciso é linchar verbalmente alguém para animar o dia. Só a velhota que se tinha levantado tardiamente permanecia calada. Pensei, coitada, esta que até está caladinha na volta é a que mais transtorno lhe faz e não está a reclamar, nem que fosse para aquecer. Pensei cedo demais…
De repente, como se possuída pelo espírito de Chucky, o utente dos transportes públicos diabólico, a velhota levanta-se novamente e começa a vociferar alto e bom som:
“O problema é que eles são mal amados em casa e depois vingam-se nas pessoas. As mulheres não lhes dão o que eles querem e depois quem paga somos nós. Não souberam escolher, são mal amados e vêm para a rua desforrar-se”.
Silêncio na paragem, atmosfera Freudiana ao rubro e tudo a entrar à pressa no próximo autocarro, tendo eu ideia que muitas pessoas nem se preocuparam a ver para onde é que este ia.
Ficou apenas para trás a velhota Chucky. Que num ano em que tanto vilão foi destacado nos Óscares, tinha potencial para ombrear com qualquer um. E mostrar-lhes quem é que é mal-amado à bruta…

20.2.08

A exemplo da roda quadrada

É certo e sabido que a Humanidade é dada ao regabofe da criatividade de quando em vez. Como tudo o que sai da mente humana, umas vezes essa criatividade contribui positivamente para a evolução/bem estar da espécie ou mais especificamente do tipo que teve a ideia, outra vezes é aquilo que alguns definem como “não tem ponta por onde se lhe pegue”.
Serve esta introdução estilo darwinista para falar de um artefacto com que me tenho cruzado numa base diária. É esse artefacto uma cadeira vibratória-relaxante, sem dúvida um passo em frente para todos os calões que pretendem retirar o benefício máximo de ficar de cu sentado durante uma eternidade.
Não pondo em causa o já duvidoso valor de um artefacto desta espécie, atentem ao seguinte: esta sedutora cadeira vibratória-relaxante está no meio de um corredor de uma pseudo-mini superfície comercial (vá lá, um aglomerado de lojas). Para além disso, tem uma ranhura para inserir moedas, de forma a que um transeunte possa beneficiar de alguns minutos de relax contra pagamento.
Uma abelha Maia para os putos? Vá lá. Uma máquina de Trivial Pursuit para aqueles que se recusam a ver programas de conhecimento apresentados pelo Jorge Gabriel? Admite-se. Até um daqueles macacos que insistem em saber mais sobre nós tipo “Como te llamas?”, uma vez mais a troco de dinheiro, até isso eu concebo.
Agora, num sítio frequentado maioritariamente por idosos para os quais montanha russa ou cadeira vibratória-relaxante são sinónimos, com cerca de 10 a 20 lojas, sem qualquer privacidade, quem é que vai ser o idiota a recorrer a tão brilhante jogada comercial?
Eu diria que ninguém, mas da maneira que isto me enerva, até já estou a ponderar passar por lá hoje ao fim da tarde e descobrir o segredo que vibra por detrás da cadeira-vibratória-relaxante-no-meio-do-corredor-do-pseudo-espaço-comercial.

18.2.08

O 1º Blog Submarino




Numa iniciativa que considero inédita, escrevo-vos a partir do túnel do Campo Grande e a imagem que acompanha estas linhas foi tirada com a câmara do portátil. Como devem calcular, as circunstâncias impedem-me de dizer que isto tem sido uma seca, até porque os tipos da Protecção Civil e dos bombeiros são uns porreiros e até já me fizeram chegar uns óculos sub-aquáticos e um tubo de snorkel.

O trânsito debaixo de água é diferente e aqui não faz sentido dizer "Passa por cima", porque desde que aqui estou já passaram dois Corsas e um estafeta já fizeram isso, aproveitando a corrente. Também não existem buzinadelas incómodas, já que debaixo de água só se vêem umas bolhinhas tipo aquário, que frustram mais do que aliviam os típicos trompeteiros do Apocalipse.

Apesar dos romenos de escanfrando que me tentam vender a CAIS e o borda d'água com as marés, isto até é sossegado. Já utilizei o telemóvel e no restaurante japonês já me garantiram que fazem entregas só do molho e do arroz, já que o peixe cru eu tenho facilidade de arranjar.

Quem vai ficar a perder creio que é o Oceanário, pois mais uns tempos e a biodiversidade marítima dos túneis de Lisboa vai pôr os amigos da Expo a ver navios. Só me incomodou ter começado a ver o Waterworld enquanto esperava. Ainda não estou convencido que essa história de beber urina reciclada é saudável.

Como prova de que tenho sangue na guelra e me sinto como peixe na água, prometo continuar a mandar relatos desta experiência de vida, até que este país deixe de meter água, o que pode demorar um bocadinho...

14.2.08

Neste dia seja original, invista em plásticos

Por esta altura, milhares de enamorados pelo mundo inteiro aprestam-se a cortar os pulsos ou, na pior das hipóteses, ver o Benfica a jogar durante uma hora e meia, punindo-se por não terem encontrado a prenda perfeita para o seu mais que tudo.

A caça aos peluches é hoje em dia uma actividade só para duros e há até avisos nos jardins infantis para que os pais não deixem crianças sozinhas com um peluche nas mãos dado o risco de, tal como as focas bebés, levarem uma paulada na cabeça por parte de um entusiasta de S.Valentim.

Quanto aos chocolates, estão para a mulher como a cerveja está para o homem, em termos de danos corporais a médio prazo. Por isso, se não está a planear já o próximo disfarce de Carnaval como barril de imperial ou como clone da Valentina Torres, é melhor deixar as guloseimas para uma próxima ocasião. Isto, se já tiver escoado o stock de chocolates que as suas tias lhe deram no Natal de 2003.

Para quem sorri porque ainda não mencionei os jantares a dois, podem dar descanso ao marfim. Se o jantar for num restaurante, quer mesmo correr o risco de encontrar o seu marido/mulher no mesmo sítio onde vai com o seu par romântico? Se não corre esse risco, pense na grande probabilidade da ASAE interromper o mesmo e estragar o clima, para condizer com a carne que estava a comer. Se planeia jantar em sua casa, vai ter que pedir à sua mãe para vir mais cedo preparar os ingredientes, confeccionar o menu caladinha, não comentar a roupa do seu amor e ver a novela sem som, enquanto os dois tentam aproveitar o espaço que sobra no sofá para andar na marmelada.

Finalmente, o grande segredo de S.Valentim: o poder das rosas. Tal como o mítico Segredo, que vem passando ao longo dos tempos por alguns das mentes mais brilhantes da humanidade, as rosas são a chave do sucesso para o dia 14 de Fevereiro. Não só trarão felicidade à sua cara metade, como à do vendedor das mesmas, que fará neste dia o lucro de dois meses à conta de devotos do arranjo floral. Mas, pensando bem, será uma boa ideia fazer recair a sua escolha num espécime mercenário, que se vende a qualquer tipo de evento, desde a remoção do baço da prima Carminda, ao funeral do avô Libório, ao casamento da vaca da Cesaltina ou a eleição da Miss Famões? Deixo a escolha ao vosso critério, mas vendo bem as coisas, o último milagre com rosas em Portugal já tem alguns séculos.

Por isso, se quer investir no sucesso de uma relação, dê ao cavalheiro um nariz e à dama uma lipoaspiração. Segundo as últimas notícias, as lipoaspirações devido à “tendência para as coxas largas e barriga grande das mulheres portuguesas” batem largamente os implantes de silicone em termos de número de intervenções, ao passo que nos homens é a rinoplastia a operação dominante. Segundo o talhante consultado, isso deve-se: “à carga importante do nariz do homem, que talvez tenha a ver com aspectos relacionados com a masculinidade e virilidade”. Ah, Pinóquio meu malandro, tu é que a sabias toda.

Como podem ver, o sucesso no dia dos Namorados pode ser fácil e marcar para toda a vida o seu parceiro. A solução está nos talentos do plástico, tanto os do cirurgião, como o do cartão que vai pagar por isso tudo.

12.2.08

Pequenos sinais que nos indicam que o fim do mundo é relativo e a imbecilidade é absoluta

Tempos houve em que por apenas mais X, se comprava o jornal e se recebia um DVD. Hoje em dia, já existem filmes em DVD que oferecem jornais como o Correio da Manhã ou o JN por apenas cerca de 1 euro.

Tempos houve em que o Pavilhão Atlântico só servia para receber concertos de grandes bandas. Agora serve para enterrar outras que, segundo os princípios do que é música, nunca deviam ter nascido.

Tempos houve em que conotar escuteiro e parvo era algo tolerado pacientemente pelos parvos. Hoje em dia são os escuteiros fazem suspender campanhas em que se sentem ofendidos por poderem ser identificados como parvos. Têm razão, isso só prova que na realidade são imbecis.

Tempos houve em que o provérbio que dizia “O carro e a mulher não se emprestam a ninguém”. Hoje, com o advento do swing, mais facilmente se dá uma volta na mulher do amigo do que no carro do mesmo.

Tempos houve em que esta arrepiante introdução fazia parar famílias em frente à televisão depois do jantar. Agora o mais provável é isso acontecer numa das 42mil séries em que entra um cadáver, um indivíduo com muita sapiência e maquinaria que conjuga o melhor da BIMBI e da tecnologia científico-criminal.


6.2.08

Arrenda-se, por preço módico



Espaço temporariamente cedido a restaurante de uma estrela na escala de um fabricante de pneus com um boneco gordo no logotipo, bons espaços, boa localização e vistas largas, renda mensal acessível - 500 Euros.

Disponível daqui a perto de 16 anos, contactar funcionário camarário.


PS - A Porta 69 aqui não funciona. No Parque Eduardo VII esse esquema só funciona em áreas mais recônditas.

4.2.08

Quem é que não é parvo?

Confesso que não vou muito à bola com escuteiros, isto não pondo em causa os predicados que o escutismo possa ter, já que no meu caso é mesmo uma questão de embirração pessoal. E não, não fui molestado por nenhum escuteiro quando era pequeno.
Mas, à parte a minha posição pessoal, que é que isto tem a ver com o MediaMarkt? Pelos vistos tudo, na sequência de uma campanha publicitária que tem como tema central um país fictício (até ver) chamado Parvónia.
Antes de me alongar mais, eis os dois anúncios de televisão:





Ora, parece que os mesmos anúncios têm causado viva indignação junto de escuteiros, seus familiares e duas misses no concelho de Sintra. Dizem os mesmos que um dos personagem retrata de forma ridícula (ou seja, ainda mais do que na realidade) um escuteiro e é exigida a retirada da campanha e um pedido de desculpas do Mediamarkt, instituição que já nos deve outro desde que se atreveu a colocar uma campanha com o Fernando “Preço Certo sem pescoço” Mendes nas ruas.
O tom da campanha é evidentemente humorístico, arrisco eu a dizer num desafio lógico com um grau de dificuldade de cerca de zero. Quem não quer ser parvo, não lhe veste a pele e, se de facto os escuteiros não se identificam com aquele personagem, porque raio é que vão credibilizá-lo?
Ainda não vi os políticos, os militares e as misses a reunirem-se em catadupa, para se munirem de archotes e irem queimar o Mediamarkt mais próximo, talvez porque até esses saibam que a melhor maneira de fazer morrer uma piada (seja ela de bom ou mau gosto) é ignorá-la.
Ao mostrar uma lustrosa tacanhez mental, o que os escuteiros estão a fazer é puxar para si o personagem, que agora sim está conotado de perto com estes marialvas de calção e lencinho. Ele é petições, indignações, é levar a história do “sempre alerta” ao absurdo. O Ricardo Araújo Pereira que se cuide, porque depois da rábula do bombeiro e do INEM, se se corta em casa ou tem um incêndio no quintal, basta o exemplo dos escuteiros começar a ser seguido e o rapaz bem pode tentar apagar o fogo com o sangue.
O humor, como quase tudo, é passível de ser discutido, mas se eu já achava alguma piada aos anúncios (mais ao primeiro que ao segundo), acho hilariante a reacção desmedida e desnecessária dos discípulos de Baden Powell.
Deixa lá ver até onde isto vai, mas visto que rir faz bem, é continuar com este tipo de boas acções diárias. E isto vale tanto para o Mediamarkt como para os escuteiros.

31.1.08

Ponto de fuga – Perspectiva de um tigre

Certamente já toda a gente ouviu falar do episódio ocorrido ontem na zona da Azambuja, em que uma população inteira aterrorizou dois tigres que, por azar, resolveram aproveitar de maneira diferente a folga concedida pelo circo Chen.
Sem querer melindrar os moradores da região, é preciso ver que estavam seis tigres na jaula que alguém abriu, só pelo regabofe, enquanto o motorista do camião ia buscar umas águas e umas bifanas para os bichanos, que esperavam pela assistência em viagem. Quando quatro tigres preferem ficar numa jaula com vista para uma vida de cativeiro ultrajante no circo, em vez de ir explorar o mundo lá fora ou, em alternativa, a Azambuja, isso quer dizer alguma coisa.
Quanto aos dois ursos, perdão tigres, que efectivamente decidiram conhecer a Azambuja, cedo sentiram no pêlo a desilusão. A oferta cultural não era muita, o museu Sebastião Mateus Arenque e a Biblioteca Municipal ficaram um pouco aquém das expectaivas dos dois tigres e a Routa dos Mouchões exigia uma preparação física que a vida de circo não lhes proporcionou.
Ainda pensaram em ir ao Carregado, dar um salto ao Campera em época de saldos, mas a perspectiva de encontrarem leoas famintas de preços baixos e ursos parvos à procura de grandes promoções desmotivou-os, assim como a fraca rede de sinalização viária.
Depois de constatarem que, ao invés de uma zona chique como a Expo, a liberdade lhes tinha dado uma prenda envenenada em forma de Azambuja, para os pobres tigres a solução era óbvia ainda que humilhante, regressar e serem alvo da chacota dos quatro felinos mais avisados.
Um deles, atento às notícias, resolveu comprar um maço de cigarros num quiosque local, cujo dono estranhou apenas que os desfiles de Carnaval começassem tão cedo e foi fumar para um café local. Rapidamente foi apanhado, já que a ASAE entrou em acção, autuou o café, o dono do quiosque por vender tabaco a um menor de 18 anos, o motorista do camião jaula por ter ido comprar água num recipiente não licenciado e o dono do Circo, por não ter uma jaula com extracção de ar para tigres fumadores.
O outro, desiludido ao extremo pela amargura da liberdade e também pela arquitectura urbana desta região ribatejana, tentou suicidar-se de modo moderno, auto-mutilando-se em arame farpado, como tinha visto uns miúdos fazerem numa reportagem da Sic Notícias. Não só falhou miseravelmente, como ainda teve que aguardar que o INEM, os bombeiros da Azambuja, a Protecção Civil do Ribatejo, a Câmara Municipal e o Zoo de Lisboa decidissem, através de um jogo da malha, quem é que o iria buscar, coisa que só aconteceu depois da ASAE multar toda a gente por jogo em zona ilegal e o dono do Circo, por não ter embalado o sangue perdido pelo tigre em sacos de plástico devidamente identificados.

Termina-se esta parábola com um aviso a todos os animais selvagens de bom porte e um ou dois racionais que passem por aqui. Caso pretendam fugir, escolham um concelho passível de vos dar (e nos dar) o entretenimento que merecem. Menos do que isso e quem sai a ganhar são sempre os mesmos: a ASAE.

Fuga em frente - Kula Shaker-Hush

30.1.08

Não mexe, não respira, encha os bolsos de dinheiro, já está

Ando deprimido. Depois de anos e anos a acreditar que trabalhar era um mal necessário para conseguir ter uns cobres sem ter que pôr uma meia na cabeça ao entrar em bombas de gasolina, o meu universo desabou.
Ao que parece, ao invés devia ter apostado em fazer carreira na ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos), onde pagam mesmo quando a pessoa não trabalha. Segundo esta história, o pobre Jorge Vasconcelos, farto de ganhar 18 mil euros/mês para administrar aquele estaminé e se ter recusado a apoiar uma puxada de electricidade para tentar iluminar as mentes estagnadas do Parlamento, bateu com a porta e demitiu-se.
Ora, pelo que fui dado a saber, nas empresas normais o máximo que um tipo que faça isso ganha é um jantar de despedida (cada um paga o seu) e mais tempo livre para pesquisar sobre a anatomia humana no Porntube. Mas não, a ERSE preocupa-se e, não vá o pobre Jorge passar por dificuldades, garante a todos os membros da administração dois terços do ordenando, num período máximo de dois anos, até arranjarem emprego.
A situação ameaça ficar incomportável para este senhor, que depois de se despedir por vontade própria, ainda é obrigado a não arranjar emprego ou pagam-lhe doze mil euros todos os meses durante dois anos. O que é que uma pessoa pode fazer com tanto tempo livre e apenas doze mil euros….Enfim é brincar com a vida dos outros, mais propriamente de todos os que não trabalham na ERSE.
O mais triste de isto tudo não é o lodo em que empresas estatais e derivadas e políticos chafurdam em alegre convivência, sobre a qual só devemos saber 10% da história. É o facto de eu dever ter estado a dormir quando foram publicadas as vagas de emprego para a administração da ERSE e assim ter de continuar a espalhar a sabedoria em vão.

Música bem empregue - Sam Cooke - Wonderful world

25.1.08

Tanga n’easy

Utilizando um léxico próprio do neolítico Zezé Camarinha, venho por este meio tentar ridicularizar uns senhores de uma dada superfície comercial, que investiram uns cobres em comunicação, nomeadamente num spot de rádio, utilizando uma estratégia a que os antigos chamaram “dourar a pílula”.
Pequeno interlúdio para dizer que odeio falinhas mansas, gente sonsa e malta que usa sempre subterfúgios para dizer ou explicar em vinte palavras o que pode dizer em cinco.
Dizem os senhores nos seus trinta segundos nas ondas radiofónicas que possuem no seu espaço de restauração muita diversidade, com aposta em restaurantes de comida tradicional portuguesa, americanos, brasileiros e orientais. Epá, isso é quase tão bom como dizer que hoje, no período inicial do caminho do Sol até ao seu zénite, tomei uma bebida de origem sul americana, antes de comer um farináceo com um produto de origem láctea no seu interior e apanhar um meio de transporte colectivo até junto da minha entidade patronal.
Amigos, dizer que têm sítos onde se pode comer um bitoque, fast food, Chimarrão ou crepes e chop-soi não é vergonha. Vergonha é tentar vender algo que, a começar pela maneira como põem as coisas não têm: classe.

Talking Heads - Psycho Killer

24.1.08

Telheiras, capital mundial do terrorismo amador

Já se sabe como é o português. Fala-se em gripe das aves e há milhares que começam a sentir o nariz entupido, espalha-se o rumor de que não há chineses idosos por cá e de repente todos os restaurantes são acusados de servir chop soi de avô.
O terrorismo não é excepção e, desde as últimas notícias, qualquer paquistanês que venda rosas pode ser um provável suspeito de levar plutónio nos bolsos. O facto é que, a haver terroristas em Portugal, estão cá a relaxar antes de voltar à sua terra para receberem o seu colete bomba de fim de curso ou vêm visitar as nossas Repartições de Finanças para aprenderem novas formas de espalhar o terror numa comunidade.
Fora isto, não deixa de ser interessante a sequência de fenômenos que se passaram em Telheiras esta semana, que têm que ver com esta temática. Salvo erro, na 3a feira foi detectado numa carruagem um saco suspeito. Alerta geral, pára tudo, afinal o Bin Landen fazia compras no Carrefour de Telheiras, encerra dois quarteirões, mais a linha Verde e, seguindo os procedimentos, a polícia lá detona o saco. Para desilusão de Nuno Rogeiro e um ou dois arquitectos, não era uma bomba.
Ontem, eis que é detectado na estação uma mochila com lenço “a la Arafat”. O funcionário, expedito, resolve pegar na mochila e levá-la até ao exterior da estação, só ligando depois para a polícia. Afinal de contas, o Sporting jogava ao fim da tarde e não dava muito jeito atrasar o serviço. Fez bem (ou mal?), já que a polícia depois de ter comprado cargas explosivas numa loja dos chineses (que não estamos habituados a detonar tanta coisa de seguida) descobriu que a mochila só tinha um despertador, uns cd’s e materiais inofensivos, naquilo a que se pode chamar uma versão moderna dos apanhados do Manolo Bello.
A questão nem passa tanto pelo o pormenor de haver alguém que leva uma suposta mochila-bomba até à “porta do Metro”, vai para toda a cobertura mediática que é feita, com noticiários a falar da escala de alertas e do gravoso que é não estarmos já no nível fuccia. O terrorismo vive do medo e da cobertura mediática que lhe é dada, pelo que com apontamentos destes, dá-me ideia que não só estimulamos partidas deste calibre como também a ideia de criar um especial “Malucos do Riso” para vender à Al-Qaeda.
Terrorismo em Portugal é a especulação imobiliária, a programação televisiva nacional, os salários dos gestores face à média nacional ou o Rui Santos a falar de bola na Sic. O resto passa-nos um bocado ao lado. E, até ver, podemos ficar agradecidos por isso.

Ribombando – John Lee Hooker – Boom Boom

22.1.08

Flori-bolas

Apesar da piada fácil no título, um clássico do qual sou adepto, não quero começar pela questão que mais salta à vista. Aí iria entrar num longo debate sobre silicone, auto-estima e a resolução de problemas pelo ângulo mais fácil.
Sempre manifestei algum asco em relação à a Floribella e, não sendo isso segredo, também sempre achei que a sua intérprete tinha menos consistência mental que a árvore com que regularmente confidenciava. Mas, isso não justifica o espanto com que vejo, através das revistas para encher chouriços, a mutação que a dita vai sofrendo.
Assim à primeira vista, parece-me uma cópia do Processo Cristina Aguilera, em que esta passou de menina de coro para menina de coiro e a coisa lhe correu bastante bem em termos de sucesso. Mas, a questão é que o mercado americano/internacional é outro e o “estudo” (sim, porque isto não acontece por acaso) desta evolução de “menina querida” para “gaja boa e provocante” nos casos da Aguilera ou da Nelly Furtado (que se agora adaptar o seu êxito para “Come-me à força” ninguém estranha) tem certamente outro cuidado, que o da jovem Luciana não deve ter.
Vejo aquele louro platinado, aqueles trapinhos modernos a realçar o investimento em silicone, mas também continuo a ver aquela cara de moça desorientada que precisa ainda de acordar para a vida, mesmo que já o tenha feito em intenção.
Ter sucesso não passa apenas por ter dinheiro, projecção e um visual para condizer. Como gajo altamente bem sucedido e credível, sei que é preciso ter cabeça para se saber o que fazer e como fazê-lo. No caso da pobre Floribella, não há implantes que resolvam esse problema, pelo menos para já.
E, como ainda tem algum crédito junto da populaça, acredito que ainda se possa vir a safar, se tiver alguém por perto com dois dedos de cabeça. Caso contrário, ainda nos arriscamos a ver uma digna sucessora da Ana Malhoa, na passagem de amiguinha das crianças para o site próprio com fotos no duche e outros apontamentos de rameirice extrema.

Som das massas - Nada surf - Popular

17.1.08

Ginástica fiscal

Quem vai para um ginásio procura perder calorias, tonificar o corpo, exercitar-se de corpo e alma, arranjar uma boa desculpa para o seu cheiro a suor ou até cumprir um plano de engate em oito máquinas. A partir deste ano, quem o faz pode também tentar exercitar os seus neurónios, procurando saber se o seu ginásio abateu no preço da mensalidade, depois da descida do IVA de 21 para 5% no caso destes estabelecimentos e outros ligados a práticas desportivas. É que, ao que parece, grande parte dos ginásios está a revelar alguma dificuldade em pôr as suas mensalidades em forma, mantendo-as bem gordinhas.
Conheço relativamente bem a realidade deste templos da boa forma, devido à obrigatoriedade de ter tido de frequentar os mesmos assiduamente, na era em que as palavra atleta federado e o meu nome juntas não soavam a anedota.
Todos aqueles que não do tipo “vão de escada” ou “três máquinas e uma despensa” geram por norma uma batelada de massa. Exemplo disso são as cadeias tipo Holmes Place, chamadas assim porque prendem uma pessoa ao mundo do fitness por meio de um “healthy way of life”, que em português corrente quer dizer uma mensalidade puxada e a aposta na preguiça do cliente para cancelar a mensalidade mesmo quando não põe lá os pés há três meses.
Atenção, sendo entusiasta do desporto não critico quem acredita nas potencialidades dos ginásios para cuidar de si. Critico sim o facto de quem gere negócios, já de si rentáveis, aproveitar uma benesse do Estado em prol da saúde (física e económica) dos portugueses ávidos de exercício, transformando-a numa dádiva para os seus cofres. Segundo consta, houve até quem já se queixasse e recebesse como resposta do estabelecimento “Quando o pão aumenta 20% também não reclama pois não?”. Cuidar da imagem não devia ser premissa única para clientes…
Por isso, se não gostas de correr na praia, praticar desportos de contacto, actividades radicais, mostrar ritmo nas danças latinas ou furtar bombas de gasolina montado numa bicicleta, não te preocupes, terás sempre os ginásios. Podes não notar os efeitos ao princípio, mas com o passar dos meses vais ver como pelo menos a tua carteira fica mais esbelta.




PS – No ginásio do video em questão, suponho que a maior parte dos homens não se importasse de pagar até 78% de IVA.

PSS – Li também que o referido Holmes Place já só cobra 5% de IVA desde Fevereiro do ano passado. Ok, tudo bem, e a questão: será que nessa altura baixou o preço das mensalidades em 16% (fora promoções de adesão manhosas)?

Sem o benefício para a saúde do video – Call on me – Erik Prydz

15.1.08

Ainda a procissão vai no adro...

E posso dizer que, 15 dias depois, cada vez mais os cubículos dos WC's do edifício onde trabalho (expressão utilizada em sentido lato) se parecem com igrejas.

A qualquer hora do dia, encontro lá sempre várias beatas e um cheiro esquisito...

14.1.08

Modelos - Usados mas com garantia

Andar com uma modelo, traço geral, sempre foi prerrogativa de jogador da bola, milionário playboy, artista de renome e, ocasionalmente, cabeleireiro. Toda a gente sabe que o interesse ali não era discutir filosofia, pelo que ninguém questionava muito o status quo. Dinheiro, estatuto e projecção social tendem a aproximar as pessoas e a fazer esquecer que uma delas possa estar a dois neurónios de ter o QI de uma avestruz, a profundidade mental de um selo dos Correios ou um carácter tão nobre como um enchido.

As coisas sempre foram assim e, numa época em que imagem e estatuto são aspectos cada vez mais glorificados pelos meios, não se prevê que venha a mudar. No entanto, surge uma nova tendência. A comparação de políticos a vendedores de carros, daqueles em que o nível de óleo do carro é sempre inferior ao gel no cabelo sempre me pareceu deveras fundamentada.

Deve ser por essa razão que, quando oiço notícias de grandes dignatários internacionais que andam (ou parece que andam) com ex-modelos de renome, não posso deixar de pensar naqueles carros de alta cilindrada, já com bastante rodagem, que depois de uma vida útil em que sofreram algum desgaste na carroçaria e no motor, parecem ter ainda alguma coisa para dar.
O vendedor sorri, pode ser visto com um modelo que, não sendo um clássico, ainda desperta cobiça no mercado e ele já viu coisas bem piores passarem-lhe pelas mãos. O modelo também está satisfeito, pois tem ali uma oportunidade de voltar à ribalta, pode já não ser de topo, pode já não ser tão potente, mas com a pintura renovada ainda parece estar ali para as curvas.

No final de contas, o pior que pode acontecer é o vendedor se distinguir como isso mesmo (um intermediário de craveira) e o modelo, depois de umas voltas nas grandes pistas debaixo dos holofotes, arranjar um distinto novo comprador, que lhe garanta uma reforma dourada.

Despeço-me com um bonito exercício de lógica para começar a semana:

Sarkozy está para Carla Bruni
como
Hugo Chavez está para Naomi Campbell
como
José Sócrates está para...

Auto rádio - I've got you babe - Sonny & Cher (o stand não se responsabiliza por danos actuais nos plásticos deste modelo)

9.1.08

Pobres dos ricos sem tempo

Não sendo eu um abastado jogador da bola, ou melhor, sendo eu um jogador da bola de nível assumidamente sofrível, não posso pagar a um jornalista ávido por alguns trocos para escrever uns posts por mim e quiçá uma biografia antes dos 30.
O que não me impede de fazer uma breve consideração sobre as novas definições do que é ser rico. Segundo o que me disse, numa sessão de troca de bitaites com este amigo, rapaz instruído que lê revistas estrangeiras, hoje em dia os estudiosos e os opinativos indicam que há novos padrões de riqueza. Artigos de luxo, riquezas materiais, bens irracionalmente dispendiosos, isso é coisa de ontem. O que definia “a verdadeira elite” era a capacidade de ter e usufruir de coisas sobre as quais o comum mortal só tinha ouvido falar em histórias de encantar ou através de alguém conhecido que as tinha visto nas férias passadas em terras longínquas.
Hoje em dia, dizem os entendidos que qualquer distinto matarruano com notas no bolso ou o telefone da Cofidis nas teclas de acesso rápido do telemóvel pode ter um relógio esculpido em ouro e diamante por um eremita suiço ou, se tiver uns bolsos bem largos, ter um carro de luxo, um barco de sonho e mulheres (pronto e homens) a condizer ao seu lado.
Resumindo, hoje em dia ter dinheiro continua a fazer-te rico, mas dado que é uma coisa muito mais trivial não te garante que faças parte da “verdadeira elite”. Essa gente, meus amigos, consta que são aqueles que têm tempo e a capacidade de fazerem o que querem, quando querem. Atenção, se és um desempregado, um onanista quotidiano ou um parasita social podes tirar esse sorriso da cara, porque não é esse tipo de tempo livre que é referido.
A coisa fia mais fino, ter tempo sim, mas para estar três dias no teu apartamento em Central Park, NY a jogar Mikado, indo daí para um concurso de imitadores de Bob Marley na Jamaica, voltando depois a casa, para usares o computador durante três horas e depois continuares a fazer a tua réplica em tamanho real do José Cid em palitos. Ou seja, para teres este tipo de tempo tens de ser rico, mas essa riqueza não te pode amarrar a horários e afins, nem passa por levares uma vida regrada com tudo bem arrumadinho no banco.
É viver bem, sem olhar a quem, quando ou onde vais ter que estar a seguir. Basicamente é fazer um plano de não ter planos.
Ora isso vem lixar-me a vida, porque se tentar fazer fortuna já estava a ser complicado, acumular tempo livre ainda me parece mais difícil…
Resta-me o conforto de pensar, que se algum de vocês fosse rico, já tinha perdido uma fortuna com o tempo que perdeu a ler isto.

Sons do tempo – Bob Marley / Three Little Birds

7.1.08

Quando a falta de roupa é muita, o pobre cinéfilo desconfia.


Não vi o Padre Amaro e tenho sérias dúvidas que vá ver o Call Girl, o que não me impede dizer que a Soraia Chaves tem um alto potencial sexual, vulgo é boa.
Agora, uma coisa é certa, uma coisa é uma actriz com um bom corpo outra é um bom corpo a fingir de actriz.
Sim, a mocita é nova, com 25 aninhos ainda pode progredir em termos de interpretação, mas tenho alguma dificuldade em sorrir quando me tentam atirar areia para os olhos até porque a areia fica colada nos dentes.
Entrevistas com declarações do género “Quero que as pessoas vejam para além do óbvio nos meus filmes” são um pouco vãs, até porque temos essencialmente visto muito do óbvio e pouco ou nada do resto. Também nos diz Soraia “Gosto de interpretar o papel de femme fatale”. No caso dela é fatale como o destino, já que dois filmes seguidos da mesma estirpe, com muito corpo ao manifesto adivinham um caminho pelo percurso mais fácil.
Por isso minha cara, quando fizer um filme a fazer de freira, de jovem com perturbações mentais ou até de Mancha Negra em filme da Disney eu sou gajo para engolir aquilo que disse. Enquanto for para ir ver monumentos, prefiro ir até à Praça da Figueira, sempre dá para ir dando uns pontapés nos pombos.

Nu Sound – Rod Stewart – If you want my body

Sinais de fumo no desporto

Que há desportistas que fumam, a malta já sabia. Que a nova lei do tabaco já os está a afectar é que ainda não era facto conhecido.
Mas, pelo que foi dado a ver no último fim de semana em Setúbal, quando se juntam homens, desporto, adrenalina e uma semana de difícil adaptação às novas regras da Lei do Tabaco, dá nisto...