26.1.17

Quando te batem à porta e é o Sr. Faz Favor



Não gosto que me batam à porta. Não é uma fobia, nem nada que me prejudique a vida, mas é uma antipatia, especialmente quando se trata da porta da rua e não estou à espera de ninguém.

Qual a pior coisa que me podem fazer depois de me baterem à porta e eu perguntar 'Quem é?'?
Responderem 'Faz favor', em tom de prolongamento de algo que nem sequer teve início.

Faz favor? Querem que eu abra a porta ao Sr. ou à Sra. Faz Favor? Querem que eu abdique da porta que nos separa por algum motivo e dê azo a uma conversa certamente desinteressante com esse argumento? Fico com pena de já não se fazerem portas com orifícios que permitam despejar azeite a ferver em visitantes inoportunos.

Mais disposto a, pelo menos, sorrir e dizer 'boa tentativa' se me batessem à porta, eu fizesse a pergunta mais comum do mundo e a resposta fosse 'Amigo, sou um mitra que lhe vai tentar extorquir alguns cobres com uma história mal conjugada e pouco credível. Vamos ajudar-nos mutuamente, poupar tempo e uma moedinha de 1Euro metida por debaixo da porta já não é um mau saldo para a nossa conversa'.

Mas não, seja para vender a palavra do Senhor, adesões à Fibra ou contribuir para o equilíbrio na balança comercial de estupefacientes, os batedores de portas continuam a apoiar-se no 'Faz favor'.
E eu continuo a suspirar do outro lado da porta.

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