25.6.14

Uma pausa para o adeus devido ao verdadeiro Mau




Não sou de voltar atrás com as minhas decisões, embora outro dia isso tivesse dado jeito, quando andei horas perdido no meio da mata armado em Robinson Crusoe dos trails. No entanto, se não viesse cá hoje, não faria justiça ao grande ícone por detrás deste blog, mais precisamente, do personagem que vos escreve. Falo, obviamente, deste senhor.




A notícia do seu desaparecimento, aos 98 anos, não é propriamente um choque ou uma tragédia mas, ainda assim, provocou uma sensação de vazio no meu lado ficcional. Desde a primeira vez que vi em miúdo o filme “O Bom, o Mau e o Vilão” que o seu personagem me transmitiu (porventura ao meu subconsciente) os “valores” que realmente aprecio nos maus da fita.





É certo que a estrela da companhia é Clint Eastwood, com os méritos do herói duro e silencioso que faz as coisas acontecerem com o menor número de falas possível e que Lee Van Cleef é o verdadeiro vilão, um antagonista cruel e frio, mas é Eli Wallach enquanto Tuco (vilão só na tradução em português) que é porventura o espelho dos bons malandros que, por mais trafulhas que sejam, têm sempre os gestos e a postura sacano-adorável que torna quase impossível não gostarmos deles, mesmo quando é previsível que o final não lhes seja favorável.





História do filme à parte e apesar de só o ter visto pela primeira vez para aí 30 anos depois do seu lançamento, Tuco Ramirez – o Mau, veio mais tarde a revelar-se a inspiração perfeita para a minha expressão deste blog. Não porque seja na realidade um pistoleiro trafulha dos tempos modernos, mas porque o meu estilo (a ter um) talvez possa ser uma mistura de humor, irritação, defeitos mascarados de virtudes e a capacidade de gerar surpresas em cada esquina, mesmo que nem sempre seja com intenções virtuosas.



Da sabedoria mitra de Tuco ainda hoje retiro ensinamentos, como é o caso desta cena.





“When you have to shoot, shoot, don’t talk” é algo que tenho em conta e que já me relembrou várias vezes que, se é para fazer as coisas é para fazer, em vez de ficar apenas a falar sobre elas. E isto é para o bem e para o mal, digo eu aviando duas peras no procrastinador que vive em mim.



A longa carreira de Eli Wallach vai muito para além deste personagem, incluindo vários filmes do meu agrado, creio que no cinema deverei tê-lo visto pela última vez no The Ghost Writer. Apesar de nunca ter ganho um Óscar pelos seus filmes, em 2010 a Academia reconheceu o seu valor com um Óscar pela carreira, destacando uma das suas capacidades maiores – o talento “camaleónico” para dar vida e sensação de realidade aos personagens que interpretou.




Foi-se o Eli, o Tuco vive para sempre e os bons bandidos à sua imagem continuam um pouco por todo o lado. Como tentei que fosse o caso por aqui. E agora chega de conversa por aqui, não queremos que fiquem mal habituados.

14 comentários:

  1. http://estadosentido.blogs.sapo.pt/ate-sempre-3353180

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  2. Voltáste ! Quem bom, nem que seja só por um post, já é alguma coisa. :)
    Já vi este filme umas 10 vezes. Para mim é o suprassumo do Westers-spaghetti e nunca me cansa.
    Até sempre Eli.
    Até amanhá Mac (?)... Hope so. :):)

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    1. O Leone tem boa escolha na matéria e entre esse e o Once Upon a Time in the West, há muito por onde ir.

      Mas Tuco houve só um :)

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  3. Lembrei-me de ti (e de um outro blogger) quando vi a noticia do falecimento do Eli Wallach. Fica a sua memória.

    R.

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    1. Possivelmente o outro blogger está uns comentários abaixo aqui, não? ;)

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  4. Obrigada por ter voltado...embora pelo motivo "triste". Também me lembrei do blog quando vi a notícia.
    Volte sempre...

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    1. O seu a seu dono. Este post seria sempre devido, não há que agradecer.

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  5. Concordo com tudo (como não?) excepto nesta parte "É certo que a estrela da companhia é Clint Eastwood" ... Para mim, Eli Wallach pela sua expressividade própria, malvada mas estranhamente coerente, senão mesmo compreensível, é o grande actor neste western. Clint, sendo um deus da 7ª arte limita-se a ser o herói. Tuco, como dizes, é uma inspiração para muito bom sacana por aí. Isso é muito mais difícil, ainda para mais a mais de 40 anos de distância ...

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    1. De acordo, a minha consideração tem apenas que ver com o chamariz do filme e da narrativa. Obviamente que, ao ver o filme, quem não se deixar levar pelo Eli é porque tem de ir ao médico rever os seus índices de sacanice :)

      (à escala, num campo completamente diferente, é como veres o Blade Runner, saberes que o herói é o Harrison Ford mas, ainda sim, te identificares e torceres pelo Rutger Hauer, por tudo o que o seu personagem transmite)

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  6. Oh que saudades!

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  7. Pois eu não sabia que este "velhinho" era o mesmo do "When you have to shoot, shoot, don’t talk”. Por isso é que este blog faz-me falta... tenho andado culturalmente desorientada ultimamente :)
    Scheimit

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  8. Mas essa é uma decisão daquelas que só têm graça se for para voltar atrás!

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