1.4.14

Voyeurismo de barba rija



Quem nunca disse “Gostava de ser mosca para ver o que se passa na casa de x/na sala y/na conversa z” merece todo o meu respeito e todo o meu desconto por se tratar de dia 1 de Abril. Em tempos, a HBO teve uma campanha que explorava aquilo que é um denominador comum para a maioria das pessoas – uma certa curiosidade em contemplar pormenores da vida alheia. Para mim, desde que não se entre no campo da doença mental, a coisa é tolerável e dispenso falsos moralismos.

Um dos aspectos mais clássicos, até cinematograficamente, é o voyeurismo de casa de banho, seja com a vizinha boazona ou com o tipo que usa maquilhagem. Talvez por ser, a par de cenas de cama, uma área mais dada a pormenores íntimos e privados, a coisa torna-se mais tentadora e reprovadora ao mesmo tempo. Ainda há pouco tempo um vizinho meu me disse “Amigo, tenha cuidado, que a janela que tem na casa de banho junto à banheira deixa ver lá para fora. Pelo menos foi o que me disse a vizinha do prédio da frente, que já reparou várias vezes”.

Primeiro senti-me desiludido, porque sei que no prédio da frente não tenho vizinhas modelos da Sports Illustrated Swimsuit Edition, mas sim septuagenárias diversas. Depois achei estranho, por a janela tem vidro fosco e, para além de se ver apenas uma silhueta tosca, a altura a que a janela está, mesmo para um caso com mais de 1,80m, só deixa ver para aí do pescoço para cima. Ainda assim, parece que mereci a atenção dedicada da vizinha durante o duche.

Finalmente, comecei a pensar em como é que seria este exemplo dramatizado ao extremo. E, pouco tempo depois, isto cruza-se comigo.




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