30.4.14

Racismo, bananas, bananas racistas e outras coisas que mexem comigo









Vistas bem as coisas, para além do que é sempre positivo numa campanha que fala contra algo que continua a minar a sociedade, aprendi duas coisas:



A)

O racismo continua a merecer derrota pesada, mas a espontaneidade viu um golo anulado:



1-0 para algo muito bem aproveitado e com um fim útil

0-1 para quem ainda acredita cegamente na espontaneidade das coisas







B) Posso estar a alucinar mas há parecenças entre o Daniel Alves e o Robbie Williams








Contudo, ao nível de racismo, para um tipo que como eu é fã de basket, esta foi a notícia que deu o exemplo de como, às vezes, os americanos sabem como tratar das coisas:





- No final da semana passada o dono de uma equipa da NBA foi apanhado ao telefone a fazer comentários extremamente racistas, pedindo à namorada para não trazer "pretos" aos jogos da equipa dele and so on. A juntar a isso, o senhor já tem um passado conturbado na matéria.



- Em poucos dias, com a sua equipa envolvida nos playoff (onde do treinador a 90% da equipa é tudo black), a coisa espalhou-se de tal forma que até o Obama comentou e condenou a situação.



- Ontem, menos de uma semana depois, a NBA já se pronunciou sobre o assunto, banindo-o para a vida de qualquer associação/presença em eventos/jogos da liga, incluindo os da equipa de que é dono. E toma lá mais 2,5milhões de multa, que revertem para associações de combate ao preconceito/racismo. E, se tudo correr como previsto, será tomada uma decisão no sentido de o forçar por vias legais a vender a equipa.



Justiça célere e eficaz numa matéria sempre complicada. Ora aí está algo que, desta vez em bom, também se pode dizer "Só na América"...



Para quem como foi o meu caso teve uma boa carga académica de ciências sociais, acaba por ser triste ver que a realidade continua muito separada do campo teórico, em que ciências baseadas em desigualdades raciais se extinguiram pelo facto do seu próprio campo de acção não existir tirando na cabeça de quem os defendia. O problema é que a realidade está longe de ser científica e o racismo continua vivo em todos os corações e cabeças que acreditam que é o exterior que diferencia as pessoas e não o que vai lá dentro. Seja na América ou muitas vezes, numa sala onde estamos rodeados de gente que pensamos conhecer.

8 comentários:

  1. Infelizmente o racismo encapotado continua presente naquele discurso do "até tenho amigos pretos" quando as pessoas são chamadas a atenção sobre comentários inapropriados.
    Tendo eu um irmão, dois primos e agora uma sobrinha mulata, levei desde pequena com ares supreendidos e comentários que revelam bem a mentalidade ainda vigente, pelo que é um assunto a que sou sensível. E o problema é que a maioria das pessoas nem sequer se apercebe muitas vezes que está a ser racista com as coisas que diz e as piadas que faz e acha tudo muito inocente e que os outros é que são uns ofendidinhos.

    p.s. a américa é extremamente racista, e quando lá estive fui por duas vezes considerada não branca - latina?

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    1. A América é a sociedade dos extremos, dos mais racistas aos mais activistas contra o racismo. Ironicamente, creio que esta semana foi apanhado um tipo graúdo do KKK na cama com um prostituto black...

      Eu, quando bronzeadinho, passo bem por turco ou árabe. Por cá isso nunca me deu problemas, em aeroportos americanos e alemães já deu para passar mais uns minutos em minuciosa vistoria/inquérito detalhado.

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    2. Pois eu costumo dizer a gozar que sou a "vampira" quando apareço em fotos de grupo. Só que lá a coisa racial vai mais além da claridade da pele, tem a ver com a origem, o que levou a que, ao convidar pessoal conhecido para um bbq tuga, 2 pessoas me perguntassem se "iam ser os únicos brancos na festa?"

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    3. Sim, faz sentido, com base nos "reconhecimento" geográfico. Portugal é tipo Espanha, Espanha é Hispânico, Hispânico é Latino. Pronto e ficas mais próxima de mexicana do que de francesa ou alemã em dois tempos.

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    4. Exacto, era esse o raciocínio. Claro que depois de lhes dizer que eram muito mal educados e que esse tipo de perguntas não se fazia, lá explicava que éramos europeus e considerados caucasianos, pelo que a pergunta, além de outrageous, era ainda despropositada.

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  2. Nos dias que correm, este tema, já não devia ser tema!
    Mas infelizmente ainda o é...

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  3. Falam de racismo como uma coisa de "branco contra preto", e que tal abordar a questão também no sentido contrário? Algum de vós alguma vez esteve em Africa?
    Existe racismo e não é só nos EUA.
    Não me considerava racista, não era vista como racista, mas tenho-vos a dizer que depois de uma temporada grande em alguns países africanos, onde vi racismo entre etnias, onde eu era a única Expat, a minha visão do que é o Racismo mudou consideravelmente. Racismo é muito mais do que uma coisa de cores de pele. Muito muito mais.
    H.

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    1. Racismo está longe de ser exactamente isso, "branco contra preto", sendo que essa é porventura apenas a faceta mais visível, especialmente em sociedades em que o preconceito devia ser algo muito marginal do que na realidade é.

      Seja em África, na Ásia, numa comunidade cigana, etc, concordo plenamente que o racismo é algo muito mais extenso e que "dá para os dois lados". Se pusermos em jogo xenofobia e discriminação de minorias, então estamos em tabuleiros cada vez mais complexos.

      Nunca vivi em África, como tal tudo o que possa testemunhar é por relatos de outros e História no geral. A questão das etnias é e será sempre um problema, tendo também em conta que os países europeus que estabeleceram fronteiras e divisões estavam-se perfeitamente borrifando para as etnias que juntavam em territórios únicos, o que interessavam era recursos e riquezas. E ainda hoje, mesmo com evolução, retrocessos e avanços políticos continuas em muitos países a juntar debaixo do mesmo tecto ódios seculares de etnias diferentes. E isso deve ser visível para dentro, para fora e, de quando em vez, da pior maneira possível (Ruandas e afins).

      Isto que relatei é só uma gota no oceano, mas ainda bem que desta vez caiu no lado certo.

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