29.4.14

Por um futuro menos gourmet



Lembro-me de em tempos ter recebido um briefing para um trabalho em que se posicionava uma dada marca se posicionava como “Fashion, trendy e sofisticada” e isso, só por si, causou-me azia. É difícil acreditar em valores auto-reconhecidos a partir de factores que são atribuídos por terceiros. Quanto mais projectados, mais cheira a snobismo de trazer por casa.

Não é à toa que é comum a teoria que diz que uma marca/serviço/personalidade não é aquilo que ela diz ser, mas sim o que o Google diz que ela é.

Partindo daí, mesmo que ele exista, já não consigo conceber mercado para mais uma hamburgaria gourmet, para mais um quiosque que tem algo que é “o melhor do mundo”, mas que é feito da forma mais tosca possível e um qualquer conceito que já foi replicado mais vezes que a Academia de Polícia.

Gourmet e Tradicional já rodaram mais que certas veteranas ali na zona do Técnico mas, enquanto a clientela for encostando, porquê parar?

Fico à espera dos toques originais que vão quebrando o marasmo. Mesmo que já só faltem três dias de festa trendy, salpicada de laivos gourmet em cama de sofisticação rústico-tradicional.

1 comentário:

  1. Já vi um espaço na almirante reis brincar com isto do melhor do mundo - colocar à venda um bolo de chocolate, e intitulá-lo de o melhor daquela loja.

    R.

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