22.4.14

O elixir da eterna juventude da tanga


Tenho-me deparado recentemente com vários anúncios deste género:




Isto é a clássica fórmula Antes/Depois, que há tanto tempo faz parte da doutrina da publicidade manhosa. A diferença é que agora, em pequenas versões online, a coisas assume proporções (ainda mais) disparatadas.

A senhora do antes, por muito que tentem, não parece ter 57 anos. Parece em mau estado, é certo, mas a verdade é que foi fotografada com má luz e lhe realçaram tudo o que havia para piorar o cenário. Não me surpreendia que tivesse andado a beber minis até às tantas no Marquês e tivesse batido umas chapas no dia seguinte.
A senhora da direita, independentemente de poder ser ou não a mesma, também não parece ter 37. Tenho algumas amigas nesse escalão etário que parecem ter menos dez anos e não me refiro à idade mental, nem a fãs do fitness-spa pós-moderno. E não se trata da cena do cabelo cinza, nem do foco de luz e do efeito blur para “amaciar” nuances da pele. É todo um certo ar de conformismo e dor contida, mesmo com uma seta vermelha espetada na testa.

Mas a parte da imagem é apenas divertida, uma espécie de “descubra as diferenças” com um twist. Quando chegamos ao texto, é todo um exercício de motores de tradução automática, português professorbambesco e incoerência de substâncias ilícitas na corrente sanguínea.

“O truque que descobriu uma ama de casa vai surpreender-te”

De repente percebi tudo, isto é um alerta para mães – não se trata de um creme mágico, uma pomada milagrosa ou uma dieta suprema – é tão simples como descobrir uma ama para tomar conta dos miúdos. Tiram-te logo 20 anos de cima.

Será? E se foi um truque descoberto por uma ama de casa, algo bem mais respeitável do que uma ama de rua, que a torna bem menos caseirinha e mais fã de regabofe? Mas, será um truque de Photoshop, em que na realidade ela continua tão apagada como dantes, mas sendo uma ama com competências cibernéticas, disfarça tudo em casa para conseguir mais entrevistas de emprego?

Mais do que surpreendido, fico baralhado. Especialmente quando depois de já sermos amigos, de já nos tratarmos por tu e de eu querer efectivamente saber mais sobre um truque de uma ama de casa que passa a ferro caras como se fossem lençóis de flanela, de repente entra a frieza do “clique aqui”.

Um distanciamento que me faz pensar se isto afinal é um esquema de sedução, para que o meu clique tire anos de vida à senhora e mos aumente a mim, via falta de paciência. Na dúvida não clico, prefiro ir ao outro banner bem mais fidedigno que me pergunta com que idade acho que vou morrer. Espero bem que a ama de casa não faça também biscates como vidente.

7 comentários:

  1. Siiiim! É isto e o creme de baba de caracol!! Até já propus a um grupo de mulheres da minha (provecta) idade que fossemos até ao campo apanhar caracóis e soltá-los, depois, em alegre corrida (sem sapatilhas) pelo nosso corpo. Não podemos é cozinhá-los a seguir e comê-los a molhar o pão no molhinho senão estragamos o rejuvenescimento! :P

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    1. A seguir à hidroginástica, parece-me um caminho de futuro ;)

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  2. Autenticas banhas de cobra.
    E as pessoas continuam a cair...

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    1. A banha faz escorregar, é concorrente da casca de banana...

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  3. Esta nem sequer parece ter photoshop. É só mesmo maquilhagem e a cabeça direita para evitar a desgraça da gravidade :)

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    1. Atenção, eu sei bem reconhecer conversa de pirata. A seguir vais dizer que postura também é coisa que resolve problemas de atitude ao caminhar na prancha...

      ;)

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  4. Fizeste bem porque esse de adivinhar a idade em que vamos morrer tem a mesma sólida base científica mas muito mais capacidade de nos fazer dar umas gargalhadas rejuvenescedoras.

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