3.4.14

Eu vi um blogger


Um blogger é uma pessoa? É um fantoche nas mãos de uma pessoa? Não é uma pessoa, mas parece? É fruto de uma esquizofrenia semi-controlada? Será um heterónimo dos tempos modernos? É uma cena?



Ao longo dos tempos tenho visto e lido muita teoria sobre o assunto, isto para além de acompanhar a evolução de certas histórias e as conclusões não são assim tão conclusivas, até porque os há para todos os gostos.



Não me faz confusão que a pessoa A escreva em nome próprio, a pessoa B tenha um nome “artístico” que pouco disfarça o seu nome próprio ou a pessoa C preze o seu anonimato e crie uma figura que pode ou não corresponder à realidade da pessoa em si. Isso é algo que não é exclusivo da blogosfera. Podemos adorar os papéis que o actor X desempenha e o tipo em pessoa ser uma besta, tal como podemos admirar as capacidades do Ronaldo em campo e estar a milhas do que ele é fora das quatro linhas.



Um blog, seja pessoal, impessoal, diário, anuário, infantil, hardcore e por aí em diante é um espaço de performance escrita, um media semi-privado de conteúdos. Se é documental ou ficção, se é educativo, entretenimento ou laxante, isso já é da (ir)responsabilidade de cada um. E do bom senso e dedicação de quem o lê.



Pode também falar-se em factor “sucesso”, em personalidades que se alteram e rumos editoriais convertidos ao mediatismo, ao capitalismo e a estratégias de marca. Será de estranhar? Nem tanto, cada um reage ao “sucesso” de forma diferente, em grande parte ainda há muita gente em versão teenager no que à utilização de blogs e redes sociais diz respeito e coloco sucesso entre aspas, porque é tudo bastante relativo. Há sucesso medido em visitas, sucesso medido em oportunidades geradas pelo espaço (financeiras e não só), há até sucesso em reconhecimento de talento para a escrita. Mas isso são as facetas mais visíveis, porque tudo dependerá do objectivo do blogger – se calhar fazer amigos com que não contava ou ler um comentário de alguém que se reviu no que escreve pode ser sucesso suficiente.



Conheci algumas pessoas por detrás de blogs e não fiquei chocado com o facto de serem mais, menos ou nada parecidas com aquilo que escrevem. Nem sequer quando me apontaram uma arma, quando me mostraram que tinham cinco braços ou que existem até mulheres que pensavam que eu era africano e desmaiaram ao cruzarem-se com um anão asiático de rastas.





Só quem acredita em bloggers é que se choca e surpreende. O resto são histórias.







Restam 28 dias de festa.

18 comentários:

  1. Eu acredito, eu acredito.

    (mas já não sei bem o que é que ando aqui a fazer...)

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  2. um dia destes voltamos a ser vizinhos

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    1. Somos sempre vizinhos, nem que seja na esquina de alguma parágrafo por estas bandas...

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  3. gostei muito da tua observação sobre as diferentes perspectivas que o "sucesso" pode ter e como conhecer alguém especial, alguém que nunca viríamos a conhecer se não fosse o blog, pode ser (para mim é de certeza) um sucesso maior do que ganhar dinheiro à custa do blog.

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    1. Lá está, nesses aspectos, o sucesso não é de todo algo facilmente quantificável. Depende muito da expectativa de cada um.

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  4. eu tb. I see bloggers a lot, all the time, tipo o puto do filme com o Bruce Willis!!! Aliás, ia fazer um post sobre isto, mas não com a tua eloquência. Não queres dizer quem era?

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    1. Isto era metafórico, na volta até estava a olhar para o espelho ;)

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  5. olha, mas as que eu vejo são bem reais... ;-)

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    1. Sim senhor, encontros imediatos de terceiro grau. Vê lá não apanhes bloggerite aguda ;)

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    2. acho que já apanhei, aqui há tempos, agora já tenho anticorpos!!! ;-)

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  6. Óbvio que são personagens mas por muito que queiramos acaba sempre por transparecer um pouco de nós, pessoas que escrevem a personagem, num post ou noutro.

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    1. Acho que às vezes são personagens, outras vezes são pessoas que se transformam em personagens sem darem por isso. E por aí em diante :)

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  7. Mak, já te ocorreu teres alguém famoso (não daqueles do fama show) a comentar no teu blog sob nome artístico ou anónimo? E que essa pessoa talvez até mantenha um blog longe das luzes da ribalta?

    (Sossega, não sou eu)

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    1. Admito todas as possibilidades, sem qualquer problema. Acho que é uma das vantagens/curiosidades de ter um blog, o facto de poderes ter quem te leia nos mais diversos espectros, sem que saibas quem são.

      Por exemplo, há alguns anos descobri por acaso que um blog que lia regularmente era de um amigo meu e ele seguia também o meu, sem saber. O engraçado é que trabalhávamos a duas mesas de distância.

      Sossegar-me é que é mais difícil, sou calmo e paradoxalmente inquieto por natureza.

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  8. O meu blog serve essencialmente para me rir com as parvoíces que escrevo! De resto, não serve para mais nada, a não ser para escrever, que no fundo é aquilo que descobri que mais gosto de fazer.

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    1. E é bom fazer aquilo que se gosta, sem outras aspirações que não isso.

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  9. Já podias ter dito que és um anão com rastas. Andei eu desesperada para preencher a quota disponível para anões, lá no meu navio, e tu nem sequer te acusaste ... tss tss

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