4.4.14

A nobre e por vezes assustadora arte de comentar blogs




Arte é talvez um bocadinho exagero. Mas “comentar” é algo tão abrangente que tanto pode dar emprego em televisões, jornais, sites e por aí em diante, como pode resultar em dois minutos que se utilizam para dar feedback num blog. E vai daí, dá pano para mangas.



No entanto, há que não esquecer que uma caixa de comentários é um espaço que tanto pode ser dinâmico, em versão mesa de ping-pong, como uma espécie de livro de visitas, algo estático que se deixa lá para marcar presença, sem grande esperança de retorno ou observação por parte do autor.



Percebo a posição de quem tem um blog e não autoriza comentários, seja quais forem as suas razões. Percebo, mas pessoalmente nunca seria a minha opção, por achar que uma caixa de comentários é uma das mais valias de ter um blog, dependendo obviamente de como o autor do mesmo a gere. Caso contrário, é tipo selva (vide exemplos de certo media online ou Youtube), com os perigos e a adrenalina que a selva gera.



Moderação de comentários? Faz sentido, num universo em que toda a gente te pode bater à porta não podes pensar que todos te querem cantar as Janeiras. Ao mesmo tempo, isso permite-te acompanhar quando posts mais antigos são comentados.



Anonimato é foleiro? Não me incomoda, até porque receber um comentário de um “Anónimo”, do “ZéGato” ou da “KatFofuras” não é assim tão diferente. Será sempre o conteúdo e não a forma a ditar a apreciação do mesmo. Além disso, se meia blogosfera se mascara tipo Carnaval de Veneza, torna-se difícil estabelecer um filtro com base no nome com que assinas os comentários.



Da minha parte, confesso que por vezes me dá tanto gozo comentar em blogs alheios como fazer um post em nome próprio. Primeiro porque o desafio de pegar no que acabei de ler e contribuir de forma útil ou completamente inútil para a discussão me agrada. Para mim, comentários nonsense são um óptimo digestivo pós-leitura.

Além disso, não é raro que dê por mim a comentar num blog a que cheguei depois ir carregando em links de outros comentários, que foram dar a blogs e que tinham blogs nas suas referências e, apanhando um atalho que vai dar quase aos arredores da blogosfera, ali estou eu. Para além do mais, por dez segundos penso no que pensará a pessoa ao ler o comentário. A resposta costuma ser rápida “Mas quem é este parvalhão?”.



A resposta está à vista.



PS - Adoro o fenómeno, em blogs de maior volume de comentários, dos anónimos que são tratados e se tratam de acordo com as horas a que comentam. "Anónimo da 14:20", "Anónimo das sete e meia" e por aí em diante. A meu ver o Blogger devia dar uma mãozinha nisto e gerar nomes random a comentadores anónimos, do género "Anónimo Variações", "Anónimo Lobo Antunes" e todo um conjunto de variações de antónio para anónimo. 


Restam 27 dias de festa.

22 comentários:

  1. Isso é que seria de valor. Eu tenho esse problema. Muitos anónimos, só os distingo pelas horas. É possível? É? É? Mesmo?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É meter uma cunha junto da gerência ou, caso haja budget, criar uma acção de secretariado para dar nomes aos fregueses.

      Eliminar
  2. "não podia estar mais de acordo!".
    e este comentário, hã? agora quero ver essa arte de responder aos comentários.
    vá, não fiques para aí a olhar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu acho que podias estar mais de acordo, até porque dizer simplesmente "não podia estar mais de acordo" é pura preguiça.
      Podias enriquecer essa posição com um relato pessoal, uma experiência blogosférica que reflectisse essa opinião e a forma como o meu texto e a tua visão convergem.

      É claro que podias estar mais de acordo. Só tens é que demonstrar que estás disposta a isso...

      Eliminar
    2. Eu estava na brincadeira, claro, que é como levo isto, no geral :)
      Eu também carreguei em links que foram dar a blogues, apanhei atalhos e arranjei amigos, até agora fiquei a ganhar. Aqui está o relato pessoal e a minha experiência blogosférica que aparentemente faltavam.

      Eliminar
    3. Estás a melhorar, estás a melhorar :)

      Eliminar
  3. Acima de tudo, um espaço de comentários aberto e livre de limitações permite aquilo que eu acho que é o que leva qualquer blogger a sentir-se realizado blogosfericamente (coisa que ainda não me aconteceu, não sei porquê), que é: hate comments/haters!

    Enquanto um blogger não escreve nada digno de fazer com que a sua mãe receba insultos, ou então (em casos muito pontuais), algo digno de ter uma resposta negativa bem fundamentada mas insultuosa, então não é um verdadeiro blogger e mais vale ter o espaço para fazer publicidade a roupinhas e aos filhos.

    Eu não tenho haters, não ando na moda, nem tenho putos. Basicamente sou uma nulidade.blogspot.com.

    Obrigado pela oportunidade de deixar aqui um comentário. Significa muito para mim!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou cá para ajudar, embora deste lado insultem mais o filho da minha mãe, do que a própria.

      Nos dias que correm, o esforço deve ser para gerar indiferença participante, ou seja, o pessoa não se chateia, nem quer saber, mas participante.

      Ódios e devoções? Isso é muito fácil de gerar, parece que há receitas e tudo.

      Eliminar
    2. Queres tu dizer, Mak, o Mau, pessoa que tem haters e que, por isso, é uma autoridade, que o que eu faço é difícil porque gera indiferença? Fogo! Ganhei o dia!

      Eliminar
    3. :)

      Haters só mesmo ao vivo, no mundo virtual tenho quanto muito epíteto de "cagandaparvo", em estilo de condescendência.

      O resto é tipo equilibrismo. Cair é espectacular mas não é o mais conveniente para ti ;)

      Eliminar
    4. Pronto, eu escrevo.
      (O nulidade.blogspot.com já existe, é de um tal Serge e só tem um post de 2004!) :)

      Eliminar
  4. http://febredosfenos.blogspot.pt/2012/07/caros-anonimos.html

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Inteligente mas demasiado gráfico minha cara. Não quero gente a passar de anónima a peluda por dá cá aquela palha...

      No entanto, é divertido.

      Eliminar
  5. Essa coisa de responder a todos pode tornar-se extenuante e angustiante, principalmente quando começamos a sentir que alguns comentadores merecem mais do que uma resposta monossilábica. Aqueles dias em que se despende mais tempo com as respostas que com os textos, deixam uma amarga sensação de inutilidade. E não será esse empenho, com a necessidade de constante intercâmbio entre autores e ausência de meros espectadores (que poucos serão os que vêm a esta plataforma sem projecto próprio) que tem também levado, entre outras razões mais evidentes, tanto lugar ao abandono?...

    "What if this is as good as it gets?" - personagem Melvin Udall

    Verdadeira loucura talvez seja dependermos em demasia do que não podemos ter para sempre (sendo que o sempre está muito sobrevalorizado).

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há aí um ponto interessante, que lida com "obrigatoriedade". Da mesma forma que ninguém é obrigado a comentar, fazendo-o porque o espírito de participação ou aquilo que leu o motivou, não creio que essa pessoa leve a mal se o autor não responder.
      A moderação de comentários, salvo imponderáveis, assume a leitura dos mesmos e um reconhecimento dessa "troca".

      No que me diz respeito, respondo quando posso e comento quando dá. Quando a minha "produção de conteúdos" me exige atenção noutros aspectos, é óbvio que o blog sofre e por aí em diante. Mas isso também nos liga à obrigatoriedade, quando se começa a sentir que o blog exige a nossa presença e o nosso output. Estamos a dar-lhe a dimensão e o enquadramento devidos na nossa vida?

      Cada um responderá com a sua sentença.

      O Melvin é um excelente personagem e a resposta ao seu segredo para uma escrita tão sensível e delicada aos olhos do público feminino também é de valor ;)

      Eliminar
  6. Tu és excelente a comentar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Assim eu coro :)

      (e depois saem comentários assim semi-encabulados)

      Eliminar
  7. Tive de me rir Mak, porque já fui baptizada com muitos nomes. "Este anónimo fdp", "Anónimos como tu são bem-vindos", "Lá vem este", and so on.

    Por acaso registei um nome Uíndu de morrer, mas faltam-me frequentemente tempo e pachorra. No final de contas de que serve identificar-me? I'm one in a million baby. Quem me julga por uma opinião estará a esquecer-se de que tenho direito a ela. Tenha nome ou não, perspectiva, razões que me escapem para compreender o post que li, espelhar o post em mim, etc.

    Para além de todas as anteriores, ser anónimo (que o somos todos) é fazer parte de algo maior, do milhão e da multidão.

    É algo colectivo que se opõe ao individualismo, e por isso é natural o conflito e só dele podem ocorrer criação.

    Anónimo ;)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. São posições mas, tal como disse, da minha parte não me chateia o anonimato. Vou pelo conteúdo e, a partir daí, posso tentar tirar as minhas conclusões...

      Eliminar
  8. Acho natural que os comentários sejam moderados. Não seria lógico que qualquer um fosse para um blog "gritar" palavras de ordem ou outros devaneios, até serio meio chato para quem lá fosse depois. Agora, fechar a anónimos, não entendo. Isto porque até acredito que estes funcionem assim como uma espécie de barómetro. Se se permitem anónimos, aí sim, dá para ver o calibre de todo o espectro de leitores, depois caberá ao blogger publicar ou não. Outra coisa que não percebo é o ódio que certos bloggers mostram em relação aos anónimos, esquecendo que por vezes quem comenta apenas o faz para publicitar o seu próprio blog. Se calhar alonguei-me, mas estou particularmente teclante, hoje

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há toda uma metodologia de "activação" em torno do comentário em blogs alheios. Deixar um Id/link identificável obviamente que contribui para o networking e para suscitar a curiosidade de possíveis leitores.
      Isto pode ser uma consequência ou uma motivação, depende das intenções de cada um. Nesse sentido, um comentário "anónimo" (ou livre de link) é puramente ligado ao comentário/post onde se insere.

      Tal como certos temas, espicaçar certas caixas de comentários é outra estratégia. hmmm...se calhar se me alongar eu também, vai parecer que ando a trabalhar nisso :)

      Eliminar
  9. vou comentar-te, fazendo uma coisa que não gosto, deixando um link para o meu tasco,

    http://anonimadosenes.blogspot.pt/2013/07/aprendizagem-continua-ao-longo-dos.html

    não consigo evitar. parece-me a versão marca branca e a versão best brand sobre o mesmo assunto :)

    descobri grande parte da minha personalidade preguiçosa, no mundo da blogosfera. quando gosto, apenas me apetece escrever «gostei». e, nessa simples palavrinha, espero que o blogger entenda que aquilo de alguma forma me tocou. mas esqueço-me que a piada está em saber-se o porquê. a desculpa da falta de tempo é valida, mas não por muito tempo. então, decidi deixar-de o fazer, gosto, releio, mas não comento. uma estupidez, pois bem sei o quanto gostei de receber (bons) comentários.
    de certa forma, há um certo receio na exposição que fazemos de nós, quando comentamos. sinto sempre que pareço uma banana.

    prontinho, e é isso.

    beijos

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.