27.3.14

Viver com os pais - prisão, opção ou saladadefrutização

 Ultimamente tenho lido mais notícias do que é costume, em parte por questões profissionais, em parte por masoquismo. Deparei com esta notícia sobre jovens europeus que não conseguem sair de casa, abordando também a questão dos portugueses.



Acho sempre bonito generalizar resultados de estudos, misturando critérios económicos, sociais e culturais. Não conseguem? Preferem não o fazer? É uma cena social? A mamã não deixa?

Dizem que a descida de 59 para 55% em Portugal se poderá dever a emigração jovem mas, com dados de 2011, a coisa aumenta no "especulation mode", especialmente quando se analisam hoje resultados com três anos numa área social bastante dinâmica.

Tudo bem que é um estudo europeu mas, a partir de 1000 e poucas entrevistas em Portugal, chega-se a respostas como "Manter a casa quente, comprar carne ou peixe ou comprar roupas novas são luxos para quase 40% dos jovens portugueses".


Conheço exemplos para vários "gostos", desde os que efectivamente não conseguem sair de casa, por falta de emprego estável, condição económica, mercado imobiliário desfasado da realidade, etc (ao que acresce que, sem dividir casa com alguém, o factor complicação duplica), até aos que preferem não fazê-lo, amealhando algum dinheiro para o futuro e podendo até ter uma vida mais folgada, pois reduzem as depesas graças ao esforço dos pais. Mas, quando se diz que 40% dos jovens não compram roupa nova porque isso é um luxo na mesma frase que comprar carne ou peixe ou manter a casa quente, há algo que me confunde, pois parece-me que estamos a misturar realidades distintas e eu tenho dificuldades em reconhecer estes "jovens". Estamos a falar de meios urbanos? Que tipo de educação? Trabalhadores ou estudantes? Não ter este tipo de dados ou escondê-los é uma coisa que me enerva quando vejo notícias que exploram resultados de estudos do género.

Mas adiante, não negando que essa realidade exista, olho com desconfiança para certos resultados vendidos por atacado. Há mais jovens portugueses a viver com os pais? Tudo bem, vamos saber mais sobre isso, mas não em comparação com os jovens eslovenos, ingleses, gregos ou do Turquemenistão.

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