18.3.14

Prazos de validade em relações


Um amigo meu passou lá por casa ontem e vinha muito mal disposto. Trazia com ele o rótulo da sua relação actual, algumas dúvidas sobre o prazo de validade da mesma e queria que eu lhe desse uma opinião. Ficámos sentados alguns minutos sem dizer nada a olhar para o rótulo da relação, o que não é algo fácil de fazer já que toda a gente sabe que se ficarmos parados sem fazer nada as letras (e as relações) começam desaparecer.



Arrisquei “Achas que azedou? Está a cheirar mal? Andas nisso há quanto tempo?”

Encolheu os ombros e torceu o nariz, coisas bastante expressivas corporalmente, mas que de pouco adiantam.



Lá desembuchou “Estou mesmo amarfanhado. Achas que vá ao hospital? Os tipos lá fazem lavagens ao coração neste tipo de situações não é?”



Paguei-lhe na mesma moeda, encolhendo os ombros e torcendo o nariz. A expressividade  também é o meu forte. Ofereci-lhe um cházinho, uma infusão de paciência, bom senso e menta. A menta não faz grande coisa nestas situações, mas o sabor disfarça o do bom senso que acaba por ser algo intragável quando se está naquele estado.



Olhámos mais um bocado para o rótulo da relação. Passava-se com ele o mesmo que com alguns frascos que me passam pelas mãos, quando se precisa mesmo de saber, por mais que se procure o prazo de validade, este não se encontra em lado nenhum.



Pareceu-me ouvir a chaleira a silvar com a água a ferver. Afinal não, era o meu amigo a bufar pelo nariz. Fui à internet, lá com certeza que ia descobrir se aquilo era um sintoma de relação estragada ou não.



Antes isso do que o risco de ter amigos demasiados expressivos...

3 comentários:

  1. Às vezes o problema é do lote!

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  2. Dizem que há técnicas especiais de conservação. Mas se existem técnicas especiais de conservação é apenas porque, a priori, tem um prazo de validade, sim.

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