16.3.14

Parado, no topo de Lisboa

Vi a antena lá em cima, no meio das árvores. Engraçado que, indo eu a descer, lá no alto ela me parecia bem mais perto do que na realidade estava. Tinha o caminho todo para me convencer disso.

Feito o caminho, a sensação de estar em grande antecedeu o sentimento de ser pequeno, muito pequeno, aos pés de uma antena que se estende de hoje até ao amanhã. Olhei para Lisboa lá em baixo, ainda adormecida em cima de um manto de árvores e também me pareceu pequena, apesar de se estender para além do que a minha vista alcançava.

Sem relógio nem horas, simplesmente deixei que o tempo passasse por mim. Quantos minutos passaram não sei, nem quero saber. Pensei apenas no que seria se, em vez da cidade, conseguisse ter uma panorâmica da minha vida, Nada de merdas filosóficas, apenas o distanciamento necessário para ver com maior clareza aquilo que a proximidade nos retira quando estamos enfiados nas ruas e bairros das decisões e processos do quotidiano.

Não cheguei a conclusão nenhuma e fiquei satisfeito com isso. Às vezes, de tanto procurar respostas, não se chega a saborear um momento por tanto tentar descobrir ao que vai saber o seguinte. A antena lá ficou e eu pus-me ao caminho que a mim ninguém me vê ao longe no meio do mato e, quem me vê, não me acha assim tão inspirador para lá ficar a curtir a paisagem.

Por mais estúpido que pareça pensei na campanha que aí anda para vender ténis e camisolas justas de lycra e que reza "Quem corre, encontra-se". Que apropriada estupidez, prefiro mil vezes correr para me perder nem que seja durante um bocadinho.

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