7.3.14

O falsificador de textos

Vi recentemente uma peça no 60 Minutes sobre um falsificador de arte muito especial. O senhor Wolfgang Beltracchi não copiava obras, copiava estilos, uma vez que ao invés de reproduzir quadros existentes, pintava novas obras de pintores famosos como Cézanne ou Max Ernst, obras que segundo ele os próprios poderiam ter pintado se tivessem tido oportunidade. Obviamente que o esquema envolvia o jovem Wolfgang a assinar com o nome do pintor e a coisa era tão elaborada e competente que lhe permitiu angariar milhões de dólares e ter obras leiloadas nas maiores casas da especialidade e na capa de catálogos de arte. A peça está aqui e são pouco mais que dez minutos bem empregues.


A par disso estive a pensar se, numa escala bastante mais reduzida e menos lucrativa, se por vezes não passo um bocado por falsificador de texto, ao assumir "a voz" de marcas, produtos, serviços, etc. Isto para não falar que, depois de ler livros que me marcam de alguma forma, não raras vezes dou por mim a incorporar na forma como escrevo traços literários dessas influências recentes. Se, por diversão, me dedicasse a "falsificar" posts de outros bloggers apresentando-os como escritos pelos seus autores, estou certo que em boa parte dos casos me conseguia safar. Ainda que sem os mesmos proveitos que o Wolfgang e sem o seu cabelo sedoso. Resta saber se um dia me vai apetecer essa diversão.

7 comentários:

  1. pensei que ias falar nesta notícia e que alguém me ia finalmente ex-pi-li-car, porque não percebo bem:
    http://www.publico.pt/ciencia/noticia/editora-springer-publicou-16-artigos-cientificos-produzidos-por-programa-de-computador-1626954

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    1. Curiosamente tinha lido o título da notícia sem ver o resto, coisa que vi agora.

      Basicamente, pelos vistos há um programa informático que produz conteúdos científicos como se fossem papers, totalmente falsos mas que a uma primeira vista parecem reais.

      A coisa foi à escala de haver malta a publicar artigos tirados do programa, o que comprova que na comunidade científica há casos em que a malta pura e simplesmente não revê como deve de ser artigos escritos por colegas sobre temas mais ou menos obscuros.

      É a "cultura" da desatenção.

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  2. ao ler-te, lembrei-me de algo que vi sobre um teste feito, salvo erro no reino unido, aos leitores. apresentavam-lhe vários excertos de livros (não identificados), entre obras de renome e obras medianas ou pouco conhecidas, e pediam-lhes para darem a sua opinião sobre o que liam (se seria de algum escritor famoso ou não, a que tipo de literatura pertenceriam). achei muito engraçado. (vou ver se encontro)

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    1. Lembro-me também de um caso em Espanha, salvo erro, em que numa determinada exposição num museu dedicada a artistas contemporâneos, tinhas lá várias obras de valor e depois um ou dois quadros pintados por crianças de uma escola lá no museu.

      A argumentação de críticos e a procura de significados e atributos em relação aos mesmos era uma delícia.

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    2. :) sim, é por aí mesmo. é «engraçado» ver como, a partir de uma certa altura, o nome se sobrepõe à obra.

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  3. isso cheira-me a desafio ou a rubrica semana!!

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    1. Hmmmm...como dizia a jovem do Aladino em jeito de cantoria "No mundo ideeaaalllllll...."

      Neste mundo, em que todos os segundos extra me fazem falta, vai ter que me apetecer mesmo para ser realidade :)

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