26.2.14

Sete argumentos para explicar a vida que tens


Uma coisa que eu gosto na história do cinema e do estudo da mesma é a abordagem que nos diz que só existem sete argumentos genéricos para todas as histórias contadas. As coisas podem variar um bocadinho, mas traço geral estes sete argumentos são:

“Vencer o monstro” – Há uma criatura/mal que aterroriza o mundo à tua volta e a missão do herói é superá-lo/vencê-lo.

“Do nada ao estrelato” – Alguém a quem não é dado valor e é ridicularizado, supera tudo e todos, transformando-se no herói/figura de referência bem sucedida.

“A demanda” – Para alcançar um determinado objectivo/recuperar algo/descobrir não sei quê, um tipo lança-se à aventura, por norma com um conjunto de companheiros que o vão ajudar/inimigos que o vão tentar impedir de alcançar o objectivo.

“Ida e volta” – Há um projecto/processo que o herói precisa de passar, por norma cheio de picos e vales (metaforicamente), para que no fim possa voltar/evoluir para uma nova versão de si mesmo, mais madura/sábia/completa.

“Comédia” – O acaso e o imprevisto inundam uma história em que um ou mais personagens tentam chegar a algo/encontrar-se e que numa sucessão de episódios cómicos só no fim chega a uma conclusão. Por norma, quando envolve romance funde-se no género “Comédia romântica”.

“Tragédia” – Neste caso o protagonista é uma figura/vilão ou alguém que irá cair em tentação/será corrompido num processo que se rodeia de característica negras/trágicas e nos faz acompanhar esse processo até uma conclusão que não inclui salvação.

“Renascimento” – Processo semelhante ao da tragédia, mas em que a acção conduz a um renascimento com uma lição aprendida e o sentimento de salvação.

Obviamente, muitas vezes um argumento foca vários destes aspectos, mas na sua generalidade encaixa-se numa determinada categoria. O engraçado é tentar encaixar a nossa vida como se de um argumento se tratasse (como o desconto óbvio de ser uma história inacabada da qual só temos uma visão parcial e subjectiva) num destes plots gerais. Se pudesse, diria que a minha é uma comédia de ida e volta, que me vai levar do nada ao estrelato, mas temo que essa bazófia me leve a uma tragédia sem renascimento porque o monstro sou eu.

Enfim, fitas, coisa que eu sei fazer e bem.

Nota – Também gosto muito da teoria que indica que nas novelas a coisa ainda é mais simples e tudo se resume a três ângulos: “Dois rivais que se odeiam”, “Amores impossíveis” e “Estranho numa terra estranha”.

6 comentários:

  1. E assim nasce o argumento para mais um filme do David Lynch.

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    1. Isso é o pão nosso de cada dia :)

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  2. Rudyard Kipling, que não viu de certeza menos filmes que nós, dizia que existiam sessenta e nove argumentos possíveis. Carlo Gozzi, mais comedido, apontava para os trinta e seis. Quando Ronal Tobias os reduziu a vinte, achei uma melhoria considerável. Sete é, certamente, mais manejável -- praticamente a versão de bolso de todos os outros.

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    1. É a Europa-América dos argumentos de vida :) Há sem dúvida várias teorias sobre argumentos e fundações de storytelling, esta como é mais simplificada servia-me o propósito.

      A propósito disto, lembro-me de na faculdade ter uma cadeira em que o assistente que dava as aulas enumerou sete leis básicas da publicidade/propaganda (tudo muito datado e já a cheirar a mofo). No dia da frequência veio o regente da cadeira falar e disse "Há quem estabeleça sete regras básicas de publicidade e propaganda, mas eu desenvolvi um estudo em que enumero 47 - e, sendo esta a minha cadeira, terão que sabê-las todas".

      Toda uma animação se seguiu...

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  3. Nas novelas temos também as gémeas separadas à nascença, Mak. Só esse pequeno reparo, ok?? ;)

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    1. É bem verdade, mas esse quase que se encaixa sempre num dos dois primeiros relativos às novelas ;)

      (tirando se o Toy cantar uma música sobre isso, nesse caso é uma categoria à parte)

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