21.2.14

Qual é a fronteira da dívida?

Há vários tipos de dívidas e ainda mais tipos de devedores. Se nos esquecermos que vivemos numa era de consumo exponencial, em que "ficar a dever" ou "estar a pagar" são expressões quase tão triviais como "bom dia" ou "muito obrigado", emprestar dinheiro ainda é uma actividade capaz de gerar muitas divisões, discussões e debates mais ou menos pseudo científicos.

Cada pessoa tem a sua política e a sabedoria popular está cheia de avisos: "Se queres perder um amigo, empresta-lhe dinheiro", "Quem não deve, não teme", "Isso são desculpas de mau pagador" e por aí em diante.

A minha curiosidade é saber onde se traça um limite entre aquilo que é uma dívida e o chamado desenrascanço ou empréstimo a fundo perdido sobre o qual a expectativa de retorno é nula. Da minha parte, se for a pensar bem, acho que devem ser para aí 10€, em situação controlada e sem abusos de repetição.

Mais de 10€ e já terei que reunir a minha Comissão de Ética para o Empréstimo a Malta, Pessoal e Gente em Geral. Tudo é possível, mas o Cobrador de Lycra pode ser exigente.


Suponho que existam políticas mais austeras, gente mais mãos largas e um conjunto de considerações a fazer:

É possível emprestar dinheiro a namorado(as), cônjuges, companheiro(as) ou a partir de um determinado nível a economia é comum e isso não faz sentido?

Família e dinheiro, misturam-se? Só vale em linha directa e lateral ou descendente? Adoptados e apostadores inveterados têm regras especiais?



E nem quero avançar com as questões que tenham que ver com "memória selectiva", "desgovernados orçamentais" ou "campeões das catástrofes",  porque isso já nem tem que ver com dívidas, mas sim com natureza humana e aquele mito a que alguns chamam "consciência".

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