28.1.14

A cena de falar com animais


Sou um gajo democrático que gosta de privar tanto com animais, como com pessoas. Acredito na possibilidade comunicar com animais (e não apenas no sentido lato da expressão), embora tenha a noção de que nem sempre esta comunicação é feita de forma equilibrada por parte do ser humano.
Acho que não raras vezes, pelos mais diversos motivos, as pessoas que gostam de animais podem tender a personificar os mesmos, em termos de comunicação, sem que isso signifique que estejam a tentar comunicar de forma eficaz.

Neste ponto de vista os animais, especialmente os domésticos, tornam-se receptores nos quais depositamos vontades, desejos, frustrações, desabafos, com a expectativa de que nos oiçam, mas sem que a coisa seja propriamente um diálogo.

Por exemplo, conheço o caso de uma pessoa de uma certa idade que tinha uma afeição extrema por um pequeno roedor que foi parar a sua casa por intermédio de um neto. Falava imenso com ele, divertia-se com as suas actividades, etc. Até que um dia, um infeliz acidente matou o roedor e a família, sem saber o que fazer, para poupar a pessoa em causa à pessoa arranjou um outro roedor idêntico. A pessoa não deu por nada, continua feliz da vida a tratar o novo pelo nome do antigo, desabafando e “conversando” com ele. Não vou especular sobre se isto é condenável ou não, o que me interessa ilustrar é que o acto de falar com o animal era libertador por si só, mas não era um diálogo.

E isto pode ser um padrão para muita conversa com bicharada, embora haja quem defenda níveis de comunicação mais próximos. Por vezes, nestas matéria, sou bastante céptico e sou daquelas pessoas que torce o nariz a quem vá abraçar árvores e afins, embora respeite a sua necessidade de comunhão com a Natureza e por aí em diante.

Mas depois vejo exemplos como o deste vídeo e fico a pensar se, tal como matemáticos brilhantes e outras mentes geniais em determinadas áreas conseguem fazer algo diferente com a mesma matéria prima que os restantes, se isso não é possível ao nível de comunicação com animais?



Sem entrar em “crazy cat lady stunts” ou cenas do paranormal, a minha dúvida fica ali a pairar, mas com a vontade de acreditar latente. Num mundo dominado pelo Homem, os animais já têm tão pouco para os fazer sentir melhor que a perspectiva de haver quem mais do que falar, dialogue com eles, se torna algo de muito positivo. O documentário completo pode ser visto aqui.

5 comentários:

  1. Eu por exemplo falo com o cachorro cá de casa, e ele não me atende, está ficando difícil a comunicação com ele, estou a perceber que vou ter de dar com umas pauladas na cabeça dele pra ver se ele se atende ao meu chamado, mas por ser crime agredir "Animais" prefiro me prevenir, até o dia que eu perca a cabeça e acabe por matá-lo, o que não está muito longe de acontecer.

    PS1 : meu auau só lati quando quer carinho
    PS2 : meu auau é um vira-lata de primeira, mas eu o amo.
    PS3 : vou matá-lo de certeza que o mato qualquer dia desses.

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    1. Não raras vezes tenho vontade de dar com um pau em alguns dos meus interlocutores, mas na maior parte dos casos não estamos a falar de animais domésticos...

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  2. O meu cão sabe avaliar as minhas emoções como nenhum ser humano e é incrível como adapta o seu comportamento ao meu estado de humor.

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  3. a minha cadela só reagia a duas coisas (e independentemente da entoação que eu lhe desse):
    "toma"
    "rua".
    era o diálogo possível.

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  4. A vantagem de falar com a bicheza é que eles sabem guardar segredos :)

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