31.12.13

Intermezzo

Passas? Champanhe? Enfardar marisco? Dançar músicas pouco dignificantes? Envergar fato de gala?


Hmmmm, acho que vou por algo mais desafiante...



Até já, se tudo correr bem já começa nova volta no carrossel daqui a bocado.

30.12.13

Bombeiros, calendários, solidariedade e piores cegos

Em termos do tão falado calendário dos Bombeiros Sapadores de Setúbal não iria longe a ponto de considerá-lo um "calendário erótico" como já li algures. Dispensando piadas de mangueiras e afins, diria que, para quem goste, poderá ser no limite um calendário sexy.

Mas o que interessa aqui referir é que é uma iniciativa de solidariedade, que nem sequer reverte a favor da própria classe dos bombeiros. E quando lemos que a instituição por eles escolhida, a Cáritas, recusa receber os donativos dessa iniciativa, a questão que fica é:

Não será bem mais perturbadora a incapacidade de certas instituições de se despirem de falsos moralismos e posturas que cheiram a mofo secular do que uns bombeiros de caparro à mostra?

Se calhar os códigos da instituição também já têm previstas situações contra donativos sexy, mas pena é que quem deles podia beneficiar seja impedido de tal por quem, mais do que não precisar, simplesmente não merecia a consideração.

Esperemos que a próxima escolha dos bombeiros seja mais sábia.

Parábola visual sobre três amigos e uma passagem de ano








Dois são entusiastas, como se depreende, o outro nem por isso. Discutem não raras vezes sobre se a mudança de ano é ou não razão para festejar alarvemente (termo utilizado pelo minoritário). Como os “festejantes” estão em maioria, a minoria assume o papel de “mau da fita” algo que, apesar de não admitir, lhe dá algum gozo.

Na verdade estão todos a dar demasiada importância à data, balançando entre o entusiasmo cego e o negativismo esforçado. Quem liga à data não deveria tentar converter os outros à causa, quem não liga não tem que julgar os outros como idiotas por isso. A maioridade tem a vantagem de deixar de te obrigar a fazer este tipo de coisas se não quiseres.

E como toda a parábola tem uma moral, eis uma que se adapta à imagem “Para quem é chinês, pessoas que discutem a passagem de ano a 31 de Dezembro, não só não existem como não sabem do que estão a falar".

Um senão no serão

Sempre achei que a melhor forma de começar bem uma semana era terminar a outra igualmente da melhor maneira. E para isso nada melhor que umas horas de boa conversa, com comida e bebida mas sem a obrigação de comer e beber, com bola em background mas sem a obrigação de a ver e com um bebé por perto sem a obrigação de não haver mais nada em foco a não ser ele.

No entanto, nada fazia prever que já na recta final alguém viesse dizer qur Juan Luís Guerra era autor de um tema memorável para qualquer romântico.

E lá acabou tudo em pancadaria...


28.12.13

Uma hora e meia de almoço


Tenho uma hora e meia para almoçar, mas uma hora de almoço nunca dá tempo para tudo aquilo que queremos enfiar lá dentro. São 90 minutos quando deviam ser 150, um conjunto de “ses”, “talvez dê” e “em correndo tudo bens” que teriam que bater certo para que corresse tudo bem. E uma hora de almoço, quando não é usada para almoçar, tem tudo tudo para correr mal.
Ontem foi assim.

13h10m – Os planos de sair dez minutos antes transformam-se na realidade de sair dez minutos depois. O tipo que sai do WC à tua frente não lavou as mãozinhas, és obrigado a fazer malabarismo ninja de não colocar mãos no puxador e abrir a porta.

13h15m – O sistema inteligente de elevadores no edifício em que trabalhas deve ser daqueles que associam inteligência à capacidade de parecer profissional mas fazer o menos que possível.

13h20m – Hesitas entre metro e autocarro. O mostrador de tempo de espera diz-te que faltam dois minutos. Compensaria se o mostrador não fosse da família do elevador do escritório, portanto um tangas. Esperas seis minutos e és ultrapassado na entrada do autocarro por duas senhoras que consideram que estar na paragem antes delas não te dá o direito de entrar primeiro que elas. Resolves trocar o termo “senhoras” por “cabras”.

13h48m – Chegas ao destino onde vais dar de comer a dois gatos que não são teus, mas que receberam com prenda de Natal uns dias sem aturar os donos. Demoraste mais cinco minutos que o previsto no autocarro porque ainda há gente que gosta de praticar o desporto nacional que é esperar que o condutor feche a porta de saída para se levantar e dizer “Espere só um bocadinho que eu vou sair aqui”.

13h50m – Sobes no elevador com uma idosa. Ela não te conhece do prédio e usa todo o manancial de truques de idosa desconfiada – deixa-te ser o primeiro a carregar no botão, não carrega em nenhum para te deixar na dúvida, mas vai mais perto da porta não vás tu querer roubar-lhe o saco das couves. Saem no mesmo andar, ela sai primeiro, mas não se dirige a nenhuma porta para tu não detectares qual a sua morada. Sentes o olhar dela nas tuas costas, enquanto usas a chave para abrir a porta de um apartamento que não é teu e ficas à espera de ouvir a polícia a chegar quando fores a sair. “Com licença minha senhora...”

13h55m – Tentas fazer festas em dois gatos carentes, enquanto trocas o resto de água e lhes recarregas o comedouro. Um dos gatos faz cabriolas tipo artista circense, o outro quer comida primeiro e convívio depois. Sem querer, baptizas o gato circense com a água que estás mudar e ouvem-se protestos felinos.  Lá usas um pano de cozinha para secar a carola do bicho e fazes-lhe um risco ao meio só porque sim.

14h07m – Neste momento já levas 27 minutos de atraso em relação ao horário ideal. No entanto, ficas satisfeito porque a velha não chamou a polícia. Tens agora um percurso de “idealmente” 20 minutos até ao Corte Inglês para levantar dorsais para a tropa toda que vai fazer a São Silvestre de Lisboa e acha que tu és o gajo mais responsável para essa tarefa. Desta vez não hesitas, aceleras para o metro.

14h10m – Perdeste o metro por segundos e o marcador indica que vais esperar seis minutos. Tentas ser previdente e vais para o fundo da plataforma, tendo em conta o lado em que vais sair para trocar de linha. Estás distraído ao telemóvel quando chega a composição e obviamente tem menos três carruagens do que é suposto. Ganhas ao sprint a uma idosa no acesso à última carruagem e sentes-te preparado para amanhã.

14h28m – Chegas ao Corte Inglês, depois de já teres trocado de Metro e resistido à avalanche de gente que acredita que é mais importante tentar entrar na carruagem do que deixar sair aqueles que lá estão dentro. Parece que o espírito de Natal já esgotou.

14h29m – Ou há um grande festival da Igreja Maná no Corte Inglês ou está tudo maluco com trocas, saldos e aquilo a que eles chamam Sexta Feira Negra. Os elevadores do Corte Inglês são os irmãos gémeos malvados dos elevadores da tua empresa.

14h30m – Devias estar agora a regressar ao teu lugar de trabalho mas, em vez disso, estás a tentar explicar a duas tias que irem nas escadas rolantes lado a lado com o rabo gordo bem apertado em calças de ganga do cenário não é a melhor solução para deixar passar quem acreditar que caminhar e aproveitar o efeito positivo de uma escada rolante é uma ajuda para poupar tempo.

14h33m – Surpreendentemente o Corte Inglês tem gente a atender em número suficiente para que a fila flua com dignidade. O facto de já não ser hora de almoço também ajuda. Ganhas ao sprint desta vez a um tipo que podia ser teu pai mas acha que contornar torniquetes é mais fixe do que seguir indicações. A confiança está ao rubro para amanhã.

14h38m – Cinco minutos depois és atendido, não sem antes explicar dez vezes à senhora atrás de ti que precisa de um comprovativo para levantar o dorsal, mesmo que o dorsal seja do marido que ele é que é lá das corridas. Ouves a conversa ao telefone, manda-me isso para o émele, que o senhor diz que dá para elas verem. O marido está indignado com a burocracia, mas mandou a mulher tratar das cenas, típico. A rapariga da organização é simpática, mas olha para ti com ar desconfiado porque a tua equipa tem o teu nome como nome da equipa. Serás um corredor narcisista? Não, foi só um erro no computador. Mas serás mesmo tu? Sou sim senhor e tenho aqui um documento de identificação que o comprova. Pedes três camisolas L e um M e ela diz-te “Olhe que para si o M não deve dar, que você é...alto”. Aquele tempo de suspensão fez-me pensar no Natal e o facto de haver uma mulher na minha lista fez-me pensar que se ela tivesse visto somaria dois mais dois.

14h43m – Parece que a descer escadas rolantes também não há gente que aprecie ficar de um dos lados para deixar gente que anda passar. Quase que bato o recorde do mundo de salto sobre carrinho de bebé de família beta, mas decido respeitar o pobre Martim Estevão que não tem culpa dos pais comunicarem através de smartphone.
14h45m – Não há cá dúvidas entre Metro ou autocarro, vão ser dez minutos a la pata até ao estaminé. Creio ver motins ao pé de uma Zara, mas pode ter sido apenas do piso escorregadio. Um taxista arreganha a dentuça quando me vê a aproximar dele cheio de sacos que ele julga serem de compras. Eu também arreganho os dentes, mas é por ele estar parado em cima de uma passadeira.

14h53m – Acontece algo que odeio que aconteça quando estou cheio de roupa a andar de um lado para o outro. Sentes um fio de suor a descer pelas costas e não ficas orgulhoso da tua condição humana.

14h55m – Passas à porta de um Centro de Emprego. Ouves dois gajos que lá estão “Epá não sei se é pior ficar uma hora à espera ou dez minutos a ouvir aquelas gajas simpáticas a falar com um gajo”. Começo a pensar que há coisas piores do que a minha hora de almoço, mas com fome (conceito relativo em época natalícia) não consigo dar razão a ninguém.

15h – Acabado de chegar, é natural a hipótese de pensar em almoçar sentado no respectivo spot. Chega alguém que me diz que tenho que enviar um descritivo para aí de três páginas com a máxima urgência, descritivo esse que está ainda por começar. Lanchar bacalhau é almoço, durante o mês de Dezembro?

27.12.13

Masterchef Junior não é para meninos


Não consigo considerar normal crianças de 10 anos a cozinharem risotto de lagosta como se aquela cena fosse tão normal como estar a jogar à apanhada ou, como se diz em infantil moderno, a passar níveis na consola. Naquela idade estava eu a abrir a cabeça à pedrada a um tipo que não me queria devolver os bonecos que lhe emprestei.

Se nessa altura me falassem em risotto de lagosta eu diria “Quem diz é quem é”.
Já hoje em dia, se me falassem risotto de lagosta eu diria “Quem diz é quem faz”.

Resumindo, continuo igualmente estúpido, mas juntei-lhe um sentido oportunista típico de adultos.

Os duros

Sempre que me falam em "temos que ser duros", "isto não está para gente mole", "vamos endurecer a nossa posição" ou "nestas questões não há espaço para emoções, lembro-me sempre desta campanha:


E depois penso que a realidade consegue ser bem mais idiota que a ficção e este tipo de exemplos passa a parecer-me bem mais plausível.

26.12.13

Devolução de posts

Um gajo também tem 15 dias para trocar posts e mensagens de Natal que recebe mas não lhe servem?

Espírito de Natal - Uma espécie de musical



Primeiro que tudo, uma breve explicação sobre o que andei a fazer nos últimos dias:




Agora que já sabem que há uma elevada probabilidade de eu estar a teclar com os dedos gordurosos ou até mesmo com a barriga, passemos ao interlúdio musical. E isto tem que ver com a minha relação com as músicas de Natal e a forma como o meu espírito evolui ao longo dos dias em que estou exposto a elas.



A – A coisa começa com um sensação de paz e acalmia. A tolerância às músicas é elevada e nenhum exemplo é excessivo.





B – Há uma certa euforia, o consumo de licores pode ajudar à mesma. Pensas em deixar  crescer um bigode só para fazer vibrar o resto da família com a onda de Natal.





C – A animação atinge o pico e a nostalgia está instalada. Relembras as músicas de Natal que te fizeram vibrar, o tempo em que o Natal dos Hospitais era a sério e em que lambada e Natal não eram sinónimo de violência doméstica.





D – A coisa já começa a passar um bocado das marcas. A expressão “músicas de Natal” já te começa a irritar e o facto da oferta de bebida não ser tão diversificada como a comida na mesa parece-te ultrajante. Há um misto de depressão natalícia que se mistura com a alegria. Esta música começa a fazer sentido porque os irlandeses é que se divertem e a tua dicção começa a estar ao nível da do vocalista dos Pogues (o look não anda muito atrás. “Quémirembora” é um pensamento que te assalta.





E – O teu entusiasmo fugiu pela lareira juntamente com aquelas luvas eléctricas que te ofereceram e te parecem um convite ao suicídio. A única música natalícia que te ocorre tem nas entrelinhas o apelo ao homicídio em fatias douradas. Começas a pensar que quase, mas quase que já preferias estar a fazer planos para o rei velhão.


Com "sorte" e é mesmo com muita "sorte", escapaste-te ao flagelo que congrega desaires amorosos e a época que decorre. E, tal como eu, tentaste suspirar fundo, mas o esófago cheio de comida não te permite desportos radicais desse género.

21.12.13

Coração aberto e boca fechada

Para mim existem dois tipos de solidariedade - a que beneficia do efeito mediático que possa gerar e aquela que é praticada sem qualquer outra intenção de reconhecimento que não seja a de ajudar. 

Ambas podem ter mérito mas, nos dias que correm, não é raro perder-se a perspectiva do que é mais importante. Por exemplo, numa acção em que tive oportunidade de participar esta semana, em que durante x horas era suposto levar a cabo um conjunto de tarefas. Foi trabalho de sapa, acartar com pesos, limpar coisas que não apetece limpar, arrastar cangalhada que nem com luvas nos sentimos à vontade e por aí em diante.

Curiosamente, apesar de traço geral todos terem ajudado, nem todos fizeram sentir a sua presença da mesma maneira. Isto porque os que se concentram exclusivamente na tarefa em si não "perdem tempo" a explorar a vertente das redes sociais.

E hoje em dia, parece ser mais importante mostrar que se faz algo, do que efectivamente fazê-lo.

No entanto, a meu ver, embora possa questionar a noção de quem pelo meio do trabalho perde tempo a sacar fotos ou a fazer upoads no telemóvel, para mim não há pior do que um certo tipo de emplastros que não faz mais do que aparecer na hora certa para tirar fotos, dar a sua sentença, vender dois ou três sorrisos falsos e pegar num saco disfarçando o seu horror, para depois desaparecer assim que picou o ponto solidário.

E eu ali com uma marreta na mão...

20.12.13

Os homónimos da nossa vida


Para a maior parte de nós que não se chame Vladimiro Sabugal Borralho, há a probabilidade de haver alguém com o mesmo nome à nossa volta. Pode estar mais próximo, pode estar mais longe, pode ser o familiar de um amigo, a namorada do tipo da nossa equipa, uma celebridade ou alguém que entre num programa de televisão.

No entanto, bom a valer é quando o teu homónimo é um dos informáticos da tua empresa. E as pessoas insistem em desabafar contigo via email os mais variados dilemas informáticos.

Se vocês soubessem os computadores que eu já curei através de email, as sugestões práticas de software, hardware e stupidware distribuídas a granel e até dicas de Internet em rima que dei aos mais desesperados, levar-me-iam certamente mais a sério.

Creio que o destino faz destas de propósito.

19.12.13

Escadarias intocáveis

Sempre que penso nos Intocáveis, filme que vi ainda muito puto, a primeira cena que me vem à cabeça não é a do Sean Connery feito num molho de brócolos ao som de música clássica. Aquilo que me ocorre de imediato é a cena da escadaria e do bebé. Que se define mais facilmente via imagem do que em palavras.



Curiosamente, só muito tempo depois é que descobri que a coisa era uma espécie de homenagem à cena da escadaria de Odessa no Couraçado Potemkin do Eisenstein.


Drama abordado de uma forma diferente, contextos em dimensões opostas, mas uma informação que me faz parecer sempre bem quando se eventualmente se fala de cinema ou se esteja a trepar escadarias a correr em treino, só para imitar o Rocky Balboa no fim.

Receita para bombas emocionais l


Pegue em pessoas (não há necessidade de procurar pessoas equilibradas, até porque são sempre mais difíceis de encontrar, tente o que aparentem ser “pessoas normais”)

Faça uma marinada de espírito natalício e junte-lhe pitadas de espírito anti-natalício para criar uma mistura de atitudes que sirvam para todos os gostos.

Adicione chuva molha-tolos, com algumas bátegas de maior intensidade, estilo encharca-parvos.

Conjugue a chuva, com o trânsito matinal, com o fim do mês a aproximar-se e, se for apreciador de coisas picantes, tempere com greve do Metro.

Misture tudo nas ruas de Lisboa e em menos de meia hora vai obter resultados – Disponha formas para aconchegar a receita em diversos formatos, desde a divertida picardia no semáforo, ao desacato à entrada do autocarro, sem esquecer o sempre saboroso confronto de bicicletas e peões, isto para os mais modernos. Se preferir, adicione falta de civismo nos passeios, grumos de gente que usa chapéus de chuva como sabres e desentendimentos entre casais em cama de telemóvel.

Divirta-se ou desespere, consoante a sua disposição.

18.12.13

Lanches de Natal das empresas vs Hordas de zombies

Há qualquer coisa no frenesim de comida à borla, doces diversos, fatias de bolo rei comidas alarvemente e sonhos estraçalhados por dentes ávidos que me fazem lembrar hordas de zombies a investir na perspectiva de gente em formato de comida.

Será que os zombies também brincam ao amigo secreto?

"Já chamaram para o lanche?" "Ya, é na sala de reuniões, bora lá antes que acabem os croquetes"

Estereótipo publicitário

Por ser uma área pseudo glamourosa, a percepção de "trabalhar em publicidade" pode ser completamente diferente, consoante o ponto de observação.

Eis o publicitário do ponto de vista de quem desconhece a área, mas julga que o que vê na televisão é verdade. Também é válido para saudosistas que trabalham há demasiado tempo na área e começam invariavelmente qualquer frase com chavões do género: "Antigamente é que era..." ou "Eu já ando nisto há muito tempo e..."


No caso seguinte, eis o publicitário do ponto de vista de quem possa pertencer ao meio, levando o papel demasiado a sério, especialmente se habitar num departamento criativo. A conjugação entre pressão, irreverência, lado cool, falta de ligação à net e consumo de briefings mal passados pode dar nisto.

Com sorte, eis de seguida o publicitário do ponto de vista de quem tem que se safar a fazer aquilo que faz, mesmo que não perceba bem porque o faz ou a razão que levam a achar engraçado aquilo que faz.


E, no meio disto tudo, qual é o meu ponto de vista?



Diria que oscilo entre o ridículo-consciente e o desavergonhadamente-idiota.

17.12.13

Nunca te cases com o Steven Seagal


Modelo/actriz surge na cena cinematográfica exibindo bons atributos físicos que dispensam outras necessidades de interpretação.
 
 Actriz/modelo capta atenção de ícone da expressividade dramática, Steven Seagal.



Os dois formam um casal, Steven Seagal confunde romper barreiras na moda com romper roupa.

A coisa dá em casório, a senhora começa a ter um ar mais infeliz, Steven Seagal começa a perder cabelo.


Anos mais tarde dá-se o divórcio, pelo meio de queixas de violência e afins. Os efeitos secundários comprovam que casar com Steven Seagal pode transformar uma mulher. E não é no bom sentido da expressão.

No entanto, Steven Seagal parece ter sugado mais que a vitalidade a Kelly LeBrock. A comunidade científica nega que a violência doméstica faça crescer o cabelo em homens. Contudo, não consegue provar que uma relação entre um homem e um tapete de carro na cabeça não é viável.
 

Resumindo, casar com Steven Seagal não é aconselhável. Meter coisas estranhas na cabeça a fingir que é cabelo também não.

16.12.13

Publicidade, alucinação ou uma espécie de advocacia sexy?

Comecemos pela prova A) (o vídeo de apresentação pode ser visto aqui)



Acrescente-se o site da firma como Prova B) - Site da firma de advogados

Quando vi isto pela primeira vez no fim de semana pensei aquilo que possivelmente muita gente pensará sobre ramos de negócios que envolvem horas que custam dinheiro. Pensando mais um pouco ocorreu-me que nunca tinha visto nada do género por estas bandas, pelo menos para advogados. Independentemente de ser bom ou mau, chamará a atenção?

Chama com certeza. Podemos depois questionar sobre se chamará a atenção pelos motivos certos, mas até isso é debatível. Se fosse o genérico sobre uma série portuguesa de televisão sobre advogadas, a crítica seria feita da mesma forma? Isto põe em causa o profissionalismo das pessoas que lá aparecem?

É um vídeo institucional com mulheres, a tentar puxar pelo estilo e com um fundo profissional. Obviamente que vai dar que falar e muito provavelmente já foi feito com essa intenção. Do ponto de vista publicitário, descontando ali uns pormenores do filme, que poderiam ter sido simplificados/menos focados, até porque não eram necessários, acho que cumpre. A advocacia é uma área cinzenta, percebida como tal, um mundo de homens em que o ideal dos clubes, dos almoços de negócios e dos meandros dos grandes escritórios são tudo menos apelativos e entusiasmantes.

Do ponto de vista estético, sobre se é piroso, se o styling funciona, se o "c'órrore, é uma madame a apresentar serviços" é mais do que ruído de fundo, acho que já vão haver especialistas a dizer de sua justiça. Da minha parte, é certo que há sempre matéria para piadas, se quiser - mas isso há sempre e isto não é excepção.

Finalmente, a nível profissional, eis a grande questão - será que vamos ter benchmarking, com advogados a botar cenário em novos vídeos do género? Será que a troupe da Maria do Rosário vai ter que levar com a peer pressure, que lhes vai tentar reduzir ao máximo a credibilidade, mesmo que não tenha mais que isto para pegar? E que tipo de novos clientes vão bater à porta, gente que olhou para os méritos ou que viu apenas o vídeo?
 

Como em tudo em que se tenta fazer diferente, as questões, a tempestade, a bonanza, o marasmo e a excitação podem vir todos de mãos dadas, qual Maria Rosário Mattos e Associados, mas sem tantos planos de Lisboa e de táxis. Resta saber se também estão preparados para isso.

 



O Natal descarrilou (com fotos reais)

Supondo eu que isto não se tratou de uma iniciativa blogosférica, dado o destino do eléctrico, o dia não está a correr bem ao Pai Natal.

Ainda por cima, não tem posto o seu colete oficial para debater acidentes. Que rico exemplo de que esta época está a descarrilar. Será que dá direito a uma declaração amigável? Ou mais prendas para o acidentado envolvido? E as renas, servem como testemunhas?




15.12.13

A piada de ser ou não ser Groucho


Pensemos em humor, pensemos por exemplo em Groucho.
Groucho era Groucho.
Ter Groucho como inspiração é bom.
Ter Groucho como referência é bom.
Pensar que se é Groucho não é assim tão bom.
Pensar que se é Groucho e, ao mesmo tempo, imitar alguém que use uma máscara de Groucho é apenas triste.



14.12.13

Cegos pelas luzes de Natal

Correm pelas ruas, correm pelas lojas, correm de sacos na mão, correm de braço dado, correm sentindo a magia no ar e a bondade no coração.
Correm a fazer a árvore, correm a fazer embrulhos e a suspirar nas montras que lhes embrulham o espírito.

Correm para o meio da estrada, sem preocupações com o que vem a seguir.
Atropelados pelo espírito de Natal, agradecem o embate.
É melhor ser feliz por decreto de época do que afogado em vagas do mundo real.
Correm sem saber para onde, porque o passado já está fechado e o futuro não parece ter caminho.

Sobra o presente, ou melhor, os presentes.
É melhor correr para ir comprá-los.
Fica só mais um pouco, deixa para a véspera que ainda falta muito tempo.
Vamos correr só mais um pouco até lá acima.
Dali podemos abrir bem os olhos e ficar cegos pelas luzes de Natal.
A partir daí, vai ser mais fácil sorrir.


13.12.13

Febre de sexta feira 13 à noite

It´s Friday the 13th, i'm in love with Jason.

Ir jantar fora sozinho - crime ou castigo?

Há coisas que para algumas pessoas têm uma certa carga social negativa quando feitas a solo, como por exemplo ir ao cinema, à praia ou jantar a um restaurante.

A meu ver, traço geral tratam-se de convenções "informais" com as quais podemos ou não concordar, até porque não existe nenhuma regra que nos diga que isto não se deve fazer. Dependerá sempre muito de como nos sentimos ao fazê-lo. Por vezes gosto de ir ao cinema sozinho, não é algo que faça com frequência, mas não tenho qualquer problema nisso. Tenho uma amiga que se sentia constrangida perante a noção de ir à praia sozinha, mas agora é algo que gosta de fazer periodicamente, quer quando não quer ficar refém da vontade e das combinações de outras pessoas, quer quando quer tirar um dia de Verão só para si.

Mas, e ir jantar fora sozinho?

Confesso que ir jantar fora sozinho é algo que ainda me faz uma certa confusão e problema é provavelmente meu. Jantar fora é um conceito que no meu livro implica uma componente social forte, quer seja a dois ou a dez. Sozinho, para mim, não é "ir jantar fora" é "comer sem ser em casa", o que em termos sociais não é a mesma coisa.

No fim de semana passado, sábado mais precisamente, tinha um jantar em casa e optei pelo registo take away. Como ainda era alguma comida tive que esperar um pouco no restaurante e, apesar de ainda serem apenas oito e picos, o espaço já estava cheio - casais, grupos de amigos, uma ou outra família e um gajo. O gajo destacava-se não por ser um gajo, mas por ser um gajo sozinho, sem nenhum indício de doença mental, mau aspecto ou de "ser de fora". Era apenas um gajo normal, cuja normalidade estava a ser posta em causa por mim (e possivelmente por mais umas quantas pessoas na sala) por estar a jantar sozinho num restaurante. A caminho da saída, já com saco de comida na mão, passei por ele e reparei que ao lado do seu prato, tinha o seu smartphone, onde alternava garfadas com jogadas de Candy Crush.

E lá fui eu, a pensar se acabava de ver algo perfeitamente normal para ele e estranho para os outros ou se a sensação de solidão ainda é algo que se pode espalhar tipo gripe. Não sei se ele teria milhentas razões válidas para estar ali num sábado à noite a jantar sozinho. Sei apenas que muito provavelmente quase toda a gente (eu incluído) preferiu pensar em razões negativas para ele o estar a fazer.

12.12.13

E se Jesus Cristo tivesse acesso à net?

Certamente já todos nos indagámos - e se Jesus Cristo tivesse acesso ao online? E se, para além disso, tivesse que ser um tipo como nós a explicar-lhe como é que as coisas funcionam?
(Se nunca o fizeram, não andam a alucinar com a frequência recomendável, vejam lá isso)

Esta campanha publicitária sueca a favor da UNICEF, The Good Guys, mostra isso e muito mais.





A coisa é divertida, se não entrarmos na loucura religiosa intolerante. E se vos apetecer ver outros filmes da campanha, atenção ao delicioso pormenor em background do milagre da água que se transforma em vinho.

O efeito panda triste


Podia continuar abalado pelo Mandela, especialmente depois de saber que o tipo da linguagem gestual, em vez de traduzir os discursos da malta no funeral pode ter estado a fazer algo que fica entre a receita de arroz de marisco e a Macarena. Podia também deixar-me abater pelo facto do Nadir Afonso também já cá não andar e rumar a uma estação de Metro onde pontuam obras suas para ficar a contemplar as ausências presentes.

No entanto, o meu egoísmo fala mais alto e o efeito panda triste que paira em mim tem que ver com o facto de há mais de 24 horas não conseguir respirar pelo nariz. E eu gosto de respirar pelo nariz. Para ser mais preciso, gosto de respirar em geral, mas tenho uma certa afinidade pela respiração nasal.
Não imaginam o depressivo que foi ir correr hoje de manhã e parecer uma locomotiva emissora de muco a arfar, a ponto de me ocorrer que nem em dobragens de filmes porno se emitem sons tão guturais.

Enfim, cheira-me que vou sobreviver (é uma metáfora, de momento não me cheira nada), mas hoje ninguém me tira o ar de panda triste, de boca aberta e ar cabisbaixo.

Já se viu que a inspiração não está grande coisa. Especialmente a nasal...

11.12.13

Quando o tempo não congela amizades

E, num repente que pode ter demorado duas boas mãos cheias de anos, descobres que certas coisas já nada têm a ver com o que já foram. Sem culpas nem julgamentos, apenas caminhos que se separam e que, quando se voltam a cruzar, juntam pessoas muito diferentes das que ficaram lá atrás.

Segue-se exemplo pós-moderno para ilustrar este tipo de situações.







O Pai Natal ainda faz sentido?


Já estamos naquela época do ano.
Sim, naquela época em que se confundem os melhores valores com as melhores prendas, em que os bons convívios se intervalam com os convívios forçados e em que os brinquedos e os perfumes dominam os blocos publicitários.

De um lado da barricada, os fervorosos fãs do algo metafísico espírito de Natal, do outro os anti-espírito de consumismo e cultura de aparências. No meio, as pessoas mais ou menos equilibradas que tentam apenas sobreviver à mesa de Natal.

E o Pai Natal, onde fica?



Para além deste gráfico, que podem explorar em detalhe aqui em formato apresentação do Pai Natal-marca caso fosse uma marca, a minha opinião é que o Pai Natal se podia reformar.

Tecnicamente, a sua utilização varia entre o disfarce carnavalesco que rapidamente pode descambar e o abuso recorrente por parte de marcas, superfícies comerciais e tudo e um par de botas onde seja possível tentar atribuir credibilidade e magia a qualquer mono de barbas brancas vestido de vermelho.

Consigo condescender perante pais que me digam que é uma forma lúdica de ilustrar o Natal às crianças, mas muitas crianças adoram um hipopótamo que aparece nesta altura do ano, por isso já se viu que o seu conceito de figuras míticas de Natal é bastante amplo e moldável.

Se formos pelo ângulo religioso, para além da concorrência dos Reis Magos, trabalhadores estrangeiros que certamente despacham mais prendas a um custo mais baixo, é preciso ver a mistura de conceitos que faz com que São Nicolau, para além de padroeiro das crianças, também o seja para marinheiros, mercadores e ladrões. É este tipo de influências que queremos para as crianças? “Filho, as prendas foi o Pai Natal que trouxe, directamente do barco que chegou ali à Trafaria com um carregamento de brinquedos roubados”.

Do ponto de vista saudável, na sua representação tradicional, o Pai Natal é um idoso com alguns problemas de obesidade e, em certos casos, tem todo o ar de quem abusa de algum vinho do Porto durante a época. Aparenta algum sedentarismo, que contraria à bruta na época, fazendo desportos radicais na neve e uma espécie de parkour em chaminés. Resumindo, é um convite ao ataque cardíaco e, uma vez mais, há gente que o continua a defender como exemplo...

Nem me façam falar dos amigos dos animais, que há ali processos com renas que fariam corar de vergonha gente que se diz amiga dos mesmos. Acartar um trenó com um velho gordo, mais toneladas de prendas em condições climáticas adversas e a um ritmo alucinante não me parece que seja algo recomendável. Nunca soubemos em que condições são mantidas as renas, nem sequer se ouve falar do que acontece a uma rena quando fica velha para o trabalho. Será o prato de Consoada do Pai Natal um bitoque de rena velha? Não sei, nem quero saber.

Meus amigos, os tempos estão a mudar e ao Pai Natal sobram-lhe poucas razões para continuar a existir como o conhecemos. Pensem nisso na próxima vez que enfiarem um barrete vermelho na cabeça e começarem a fazer ruídos estranhos a imitar a gargalhada de um reformado inglês.