30.9.13

A melhor pronunciação do nome "Rui Costa"

Que se lixem as guerrinhas entre alminhas portuguesas e espanholas pois, se em vez de um espanhol fosse um turco ou um inglês, para mim era o mesmo. E passa-se tudo aqui, num vídeo que a malta que gosta de acirrar ânimos ibéricos já fez rodar por aí.


O momento sublime neste vídeo é o cruzar da meta, depois do construir da emoção, da esperança, da força mental para darmos um empurrãozinho extra ao nosso favorito.

Um pequeno silêncio e...

"Rui Costa". 
Mais que um nome, uma proeza ou um feito histórico, que o é, a pronunciação como ela é feita, o tom de desalento (e nós, portugueses somos peritos neste timbre), é a melhor réplica de um "Game Over" condoído que uma máquina de jogos nos pudesse dar quando estivéssemos a um passo de acabar um jogo e não o conseguíssemos no último momento.

Se tivesse sido ao contrário, possivelmente estariam a ler um post semelhante no "El Bueno, el Malo e el Villano" ou coisa que o valha. Mas, como disse, aqui a nação derrotada não interessa, só a pronunciação.


Manela, olha que quem a cegueira não despe, na estupidez investe


Enquanto adepto da cultura geral, de quiz enquanto actividade social e da memória de um concurso que já foi grande, não me agradou muito a ideia da Manuela Moura Guedes a apresentar o Quem Quer Ser Milionário.



São muitos anos afastada do entretenimento televisivo (só numa perspectiva torcida é que se aceita o noticiário da TVI como entretenimento), muita amargura e raiva pelo meio de certos processos e o criar de uma postura que vai tudo menos no perfil “family friend” que se associa a um anfitrião de um concurso. O programa, a meu ver, não se enquadrava na figura.



Do que vi, confirmou-se a minha suspeita. A Manela tenta, mas a simpatia é falsa (a dos outros também pode ser, mas soa naturalmente falsa enquanto esta é artificial), aquilo sai-lhe aos rasgões, o nervoso dos concorrentes não se dissipa nem se atenua na conversa, possivelmente sentem mais interrogatório que conversa. Mas pronto, o apresentador é apenas um factor quando tudo o resto funciona.



Acontece que também já começamos mal no resto. Como já muita gente sabe, o caso foi este:






Em vez de “estio”, tivemos “estilo”, a senhora baralhou-se e foi à vida. Manela balbuciou uma justificação deste novo provérbio que parecia um exercício da escola primária e venha o próximo. Se não estou em erro, a produção fornece aos apresentadores uma breve explicação da resposta correcta, gostava de ter tido acesso à mesma, para ver como é construída uma justificação em cima do vazio.


Não sei como é o sistema de pesquisa e verificação da produção do concurso, mas erros acontecem. Simplesmente, não sendo um programa ao vivo, era voltar atrás e corrigir em tempo útil, porque eu não acredito que naquele estúdio ninguém soubesse que, no limite, havia uma versão dúbia ali no ar. A pergunta não era de um super montante mas, por princípio, vai dar ao mesmo – num concurso de cultura geral, não deve haver margem para dúvidas.






“Dezembro frio, calor no estilo” ao que parece também existe, diz ela, confirmado em pelo menos oito fontes (se forem da Internet, então é verdade certa na pedra). É porventura a cabala contra ela a trabalhar, uma solução muito mais simples do que admitir um erro e, pelo meio de tanto lameiro, já perdemos todos e ainda ninguém ganhou nada de jeito.



Sabes Manela, pior cego é aquele que gostava que todos fossem tão cegos como ele.

Duas paragens, três discussões e um pensamento


Quando o tempo não ajuda, tanto o metereológico como o que está no relógio que não uso, vou de Metro até ao sítio onde as minhas capacidades profissionais são expostas.
São apenas duas paragens mas aprende-se muito, é o que vos posso dizer.

Mas hoje, o que aprendi foi que segunda feira pós eleições com chuva e restos de fim de semana nas olheiras é sinónimo de lenha para discussões e foram logo três, pelo menos mais próximas:

Ela ao telefone com ele, a terminar o que não foi concluído em pessoa. Que o Bonifácio é só amigo, quer-se dizer o Bonifácio já foi muito mais que amigo, mas deixou de o ser há muito tempo, ainda ela e ele ainda nem se conheciam. E portanto, o café com Bonifácio ia ser apenas isso, um café entre amigos de longa data, até porque era ela que reclamava com Bonifácio quando ele vinha a Lisboa e não dizia nada. Do outro lado ele não parecia convencido, usava cartas de trunfo de quando ela lhe tinha feito a vida negra por causa de “só amigas” que ele também tinha. Ela desmontava-lhe os argumentos, o que a ele lhe devia redobrar a angústia. A simplicidade tem as suas nuances “Mas não achas que se não fosse só isso nós não estávamos a ter esta conversa?”

O casal no Metro, juntos, bem juntos, de mãos dadas e mochila às costas. Não são putos, são malta corporate em que um vai ao ginásio ao almoço, o outro passeia o computador da empresa ao fim de semana. Ela é mais alta do que ele, está de saltos poderá argumentar ele, não interessa continuas a ser mais baixo. Vão descontraídos até à primeira paragem, anunciada pela senhora no altifalante, em que entre as pessoas que saem vão umas calças justas tipo cabedal. O problema não são as calças, mas sim o que as preenche e olhar do minorca que fica lá pendurado segundos a mais. Ela nota, ele ouve primeiro através de um olhar repreendedor, depois pelo facto de tentar argumentar. Às vezes deve-se ler a nota de culpa e engoli-la em silêncio até ouvir “Então, não dizes nada?”. Depois sim, deve dizer-se qualquer coisa em que não se vai ter razão nenhuma.

Três gajos, bola e política, mais do mesmo, blá, blá, blá, felizmente vem aí a segunda paragem e saio. Se não vão acrescentar nada de mundanamente apetecível, então não me interessa.

Conforme caminhava para a saída do Metro, ocorreu-me um pensamento que em nada tinha a ver com todo o resto: “Porque raio me fartei de ver ontem fotos de boletins de voto em directo pespegadas no Facebook?”. E depois segui caminho a discutir comigo próprio a necessidade de um apocalipse zombie.

29.9.13

Eleições a la carte

Um dos comentadores acaba de avaliar um dos principais candidatos como:

"O seu talento tem a consistência de um ovo mal cozido, impressiona apenas quem não tem contacto próximo com ele. Serve apenas para encher o olho, por dentro é frio, insípido e deixa uma impressão peganhenta na boca..."


Ah, espera, estava no canal errado e trata-se do Masterchef e não das Autárquicas. Ainda assim, as semelhanças são bastantes...

Abstenha-me aí uns quantos comentadores políticos, se faz favor



Alguém me explica porque é que os canais de televisão se convencem que, apesar de mais de mais de 50% da população não ter tido vontade de ir votar, do tempo convidar à degustação de séries e filmes  e do facto de muitos comandos de TV estarem sequestrados não por fãs da Benfica TV mas por gente que, por acidente, vai ver a estreia de mais um circo dos segredos, ainda há espaço para continuar a ouvir comentadores políticos a tirarem prazer de ouvir as suas próprias opiniões?

Ah, já sei, é porque já se esgotou o futebol todo ontem.

Agora tenho de ir ali lavar os ouvidos que a Constança a semi-gaguejar causou-me irritação e o cabelo que não mexe daquele discípulo capilar do Rogeiro obriga-me a ir ao stock de água de rosas para banhar a vista e sair daquela fixante hipnose.

Fui votar, mas não disse a ninguém



Sou daqueles que vai sempre votar, mesmo que não sejam poucas as situações em que não me revejo na classe que elejo para me representar. Contudo, considero sempre melhor a possibilidade de votar dentro de um sistema imperfeito, do que simplesmente colocar o foco nas imperfeições e deixar que sejam os outros a votar por mim. Sim, porque quando não votamos damos mais poder ao voto de outros.

E esses outros são quase sempre aqueles de quem nos acabamos por andar a queixar, que fazem tudo o que querem e que constituem “o sistema”, esquecendo-nos muitas vezes que ajudámos a construir o sistema, ao decidirmos ficar de fora dele.

Como é óbvio as imperfeições do sistema subsistem, em grande parte, pela inércia dos que delas beneficiam. Há muito que devia ser possível efectuar e contabilizar o voto online, especialmente se tivermos como exemplo do sistema dos impostos, que já baseia muita da sua actividade no seu portal online. Se a questão é a segurança e a idoneidade dos dados, que se pergunte aos senhores das Finanças como fazem, pois acredito que os portugueses são  muito mais protectores em relação ao dinheiro que ganham e declaram, do que face às suas preferências políticas. Se o problema é o secretismo, é porque se calhar andamos a olhar para o lado errado e a brincar às escondidas com ceguinhos.

Outra questão é, especialmente em relação ao espaço autárquico, salvo erro ser impossível a candidatura individual de um cidadão (sem ser incluído num partido/movimento). Nas autárquicas as pessoas votam em pessoas e isso não mudará. Carregar na burocracia, obrigar independentes a colar etiquetas de partidos nas costas é ir contra a maré e reforçar o descrédito nas instituições. As pessoas não avaliam os políticos como jogadores de futebol, querem lá saber se o Zé mudou do partido X para o Y, mesmo que ideologicamente isso seja o equivalente a partir a espinha. O Zé é a pessoa que consideram ideal, é nele que votam. E se isso já é assim há anos, porquê continuar a espartilhar o sistema, obrigando a movimentos e afins? É para manter o brilho da classe? Já se viu que o brilho mais associado é o da gordurosa desconfiança, portanto não é daí que virá o apocalipse.

Será este o foco central? Mudar isto tornar-nos-ia num país de forte consciência eleitoral? Longe disso, mas tiraria cada vez menos margem aos que usam as imperfeições do sistema como desculpa para se alhearem dele.

Tempos houve em que “ser político” era sinal de prestígio, mas hoje são muito raras as ocasiões em que a utilização dessa expressão não é acompanhada de um desconfiado torcer de nariz e uma certa suspeita no ar. Espero que “ir votar” não vá pelo mesmo caminho.

28.9.13

Uma espécie de adulto numa festa para crianças



Os meus amigos estão a reproduzir-se a bom ritmo, mas não no sentido em que alguns deles estejam a empilhar crianças como quem assegura uma horda para lhes garantir o sustento na velhice após o colapso do sistema social, num Portugal pós-apocalíptico em que todos tenhamos que usar uma pala num olho.

A minha constatação prende-se apenas com o facto que, actualmente, entre gente que aguarda crianças e gente que já as tem forma-se uma espécie de teia que me envolve em actividades típicas de quem já tem descendência, apesar de ainda não pertencer ao clube.

Não levo a mal, antes pelo contrário, gosto que os meus amigos pensem em mim, até quando não me enquadro totalmente no cenário.
E assim chegámos à festa em que participei hoje à tarde – o segundo aniversário de uma menina espectacular. Teve lugar num espaço na escolinha dela, com direito a insufláveis (aos quais me negaram acesso depois de me prometerem que podia lá ir), triciclos, balões, jogo da macaca (é incrível como o facto de passarmos do metro e meio que tínhamos quando isso era um deporto opcional para 1,85m tira toda a piada ao jogo), piñatas e muita animação.

Também lá estavam pais, em grande maioria perante os não pais, apesar de não estar sozinho nesse lado da barricada. É muito curioso ver o comportamento das duas facções, pois é nestes ambientes de grupo que se observam as claras diferenças, quer na forma como os pais educam e vigiam as suas crianças, quer na forma como os não pais lidam com as pequenas vedetas do dia.

Para quem não é pai, tudo o que os putos fazem é tolerável, a paciência é muita e só o receio de estragar os miúdos por mau manuseamento é que gera algum afastamento. É natural, é um extra e quando a festa acabar não têm de continuar a ler o manual de instruções.
Entre os pais, assiste-se a uma clara divisão entre três clãs: o clã “o meu rebento é de porcelana e qualquer coisa que aconteça eu vou cair em cima dele como se fosse super cola3”, que os putos rapidamente exploram com choro táctico e manipulação de mestre, autênticos geradores de ansiedade parental a la carte; o clã “vigilantes sniper”, que controlam os miúdos à distância e os deixam aprender no meio da selva infantil, intervindo apenas cirurgicamente, ainda que às vezes com intensidade SWAT; finalmente o clã “epá, se calhar aproveito a folga”, um clã que tira partido do primeiro grupo e também do segundo para deixar ali os putos à solta e aproveitar um bocadinho um mix de folga entre adultos. Não se confunda isto com desleixo, mas sim com aproveitar as rodas da engrenagem e relaxar um pouco, dentro do relax que 10 ou 15 criancinhas a correr de um lado para o outro possam permitir.

Quanto a mim, para além da interacção infantil propriamente dita, a grande diversão do dia foi ver a expressão dos pais presentes que não me conheciam, quando em conversa me perguntavam se era amigo do pai ou da mãe e eu respondia “Não, não, os pais não conheço eu sou é amigo da criança...”
A cada três segundos de espanto e desconfiança após essa resposta, antes de eu fazer o sorriso de aviso de piada, a pequena criança dentro de mim deu mortais num insuflável.

27.9.13

Conversas do balneário masculino

(gajos normais no duche depois do treino)

- Então man, estás mais baixo? Andas a gastar os pés com tanta corrida...

- Então e tu, estiveste de férias ou esse champô engorda?
- F....-se isto é cabedal.
- Pois, para comer sempre foste um gajo curtido...
- Cromo do c......
- Palhaço.


(bloggers no duche depois de percorrerem os Andes a pé, enquanto escreviam um romance e se qualificavam para os próximos Jogos Olímpicos)


- Então, estás mais parco em palavras? O mundo devorou o teu lado intrépido?
- Nada disso, pensava no perfume dela...
- Dela quem? Da solidão que te espera por te recusares a partilhar o teu coração?
- Não, dela a travessa de ostras que irei saborear na melhor companhia do mundo enquanto tu ficas aqui a alimentar-te das tuas fantasias.
- Cromo existencialista do c.........
- Palhaço assoberbado.

Workshop de mutilação - eu fui convidado e tu?


Sabes que as entidades formativas oficiais com que te relacionas te têm numa consideração bastante especial quando recebes um convite para um workshop algo diferente…



Práticas Nefastas? Mutilação Feminina? Fiquei logo entusiasmado, mas depois fui verificar e já tinha agendado para essa altura o Workshop de Violações e Raptos Alternativos…

É o que dá tratar utilizar práticas nefastas e mutilação nos subjects dos emails…

26.9.13

E depois da idade dos porquês



Enquanto crescia queria saber sempre o porquê de tudo à sua volta. E porque não?
Depois de crescer transformou-se num porquê para todos à sua volta. Só porque sim.