31.5.13

Visionários & Inovadores Trendy

Quem os não tem na sua vida? A mim, dão-me particular gosto os seguintes:


Os visionários futurologistas de renome:




E os tão sedentos por inovação trendy que vão beber à fonte errada:




Se os encontrarem no fim de semana, aproveitem.

E um dia dás por ti numa discoteca da Amadora

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Pode parecer uma ideia saída dos filmes “A Ressaca” mas não, foi algo semi consciente e típico da adolescência. A verdade é que, num período da minha vida em que era bombardeado por diversas referências musicais, posso quase ter caído na onda Eurodance.



E isso é quase tão grave como poder ter caído na droga, até porque eu conheço gente que se meteu a ouvir Eurodance à séria na altura e nunca mais de lá saíram até hoje. Além disso, para a droga já havia desintoxicações mas, para o Eurodance, o único curativo da altura era a surdez.



Tudo começa quando dás por ti a ouvir:






Rapidamente, sem que te apercebas (que ele é um dentista sueco), já ouves isto e isto (e só estes senhores podiam ter causado danos graves e podiam perfeitamente ter direito a post próprio). E quando um amigo te pergunta se já ouviste isto...






... e tu dizes “Claro que sim, tenho ali já gravado numa cassete”, o caminho está feito e, assim sendo, quando ele te dá a notícia que estes gajos:







...vão tocar na Discoteca Lido na Amadora (que entretanto já ardeu, quer a nível de negócio, quer como edifício), a única questão não é “Que merda de ideia é essa?”, mas sim “Onde é que compramos os bilhetes?”.



E no meio do concerto, quando estás a curtir o som, cheio de confiança no teu estilo e na tua forma de dançar, até porque boa parte do pessoal está a olhar, com um misto (achas tu) de admiração e surpresa, só aí é que te apercebes:



Vocês são os únicos branquelas na frente do concerto e, possivelmente um dos cinco dentro da discoteca. E é nessa altura que começas a reflectir, se é mesmo no Eurodance que queres continuar investir na tua vida.



30.5.13

Sete palmos na terra das ligações impossíveis


Pela originalidade da temática e a riqueza do argumento, esta série tem um lugar na secção gótico-moderna do meu coração.



O genérico, só por si, é um mundo e quem o criou descreve-o bem aqui. Não é fácil retratar a morte e a noção da mesma, de uma forma esteticamente “apelativa” e que, mesmo passando por alguns clichés, seja algo tão harmonioso. Mas, se eu tiver que ir buscar um elemento simbólico que me chame particularmente a atenção, iria pelo momento em que as duas mãos se largam, logo ao início.

E, sem saber porquê, a ligação da imagem inicial que conduz a essa, sempre me fez pensar neste quadro.




O que é o American Gothic tem a ver com a série? Não sei, até hoje a única ligação que encontrei é uma ligeira semelhança entre os pais dos irmãos Fisher e as figuras retratadas. Mas a Mona Lisa também é parecida com uma caixa do Pingo Doce lá ao pé de mim e também ainda não cheguei a conclusão nenhuma em relação a isso.

No domingo fugi a correr de milhares de mulheres


Ainda na senda do exercício, domingo de manhãzinha costuma estar reservado para uma long run. Dependendo do tempo, tanto o meu como o do S.Pedro, às vezes dá-me para fazer circuitos pelo meio da cidade já que o trânsito é pouco e, excluindo o facto de Lisboa ser uma cidade de altos e baixos (e isto faz sentido em tantos sentidos), sabe sempre bem fazer esta espécie de lavagem de vistas a ritmo de trote.

Esta calmaria matinal começou a mudar, conforme ia descendo a Infante Santo e chegava perto do rio. O número de senhoras com camisola cor de rosa aumentava exponencialmente a cada metro percorrido e rapidamente percebi – esquecera-me que era o dia da Corrida da Mulher.

A Corrida da Mulher é uma iniciativa solidária que, entre caminhantes e corredoras, junta milhares de mulheres por uma causa+desporto. Até eu acho tudo muito bem, mas sociologicamente nunca ninguém avalia o impacto de juntar milhares de mulheres num só sítio. Quando dei por mim, estava a lutar em sentido contrário ao da prova, que ainda não tinha começado, e com um único objectivo - pôr-me dali a milhas o mais rápido que possível, o que se estava a revelar difícil.

Entre cordões de idosas de braço dado que iam calmamente pelo meio da estrada, a ciclistas enfurecidos pelos efeitos da corrida no seu percurso matinal, tive de me desviar de todo o tipo de obstáculos. Beneficiei, é certo, de alguns piropos dignos de um tipo que vai de calçonito de lycra e camisola transpirada mas, há que dizer, que a moral dos mesmos se dissipa num instante quando vês que o velhote de pança proeminente, manga cava e boné da Lisnave que vais a passar está a ter direito aos mesmos piropos que tu.

Mais à frente, junto à zona de partida, um speaker gaiteiro que faz as folgas da artista pimba que vai cantando, está a ter o mesmo efeito de um pirómano deixado à solta em Monsanto – “Eu quero ouvir as solteiras a GRITARRRRR, só as solteirassssss!”, gritava o animal, “E agora as casadasssss. E agora as divorciaddddasssss”. Não fiquei para a parte das viúvas, mas sei bem que este tipo de incentivos pode ter causado danos a um ou outro atleta incauto que tenha sido apanhado alguns kms lá mais à frente.

Já estava a sair da zona de maior agitação quando vi algo que não me deixa ainda dormir tranquilo. Um grupo de retardatárias vai a cruzar-se comigo, duas mães/amigas à frente e três filhas um pouco afastadas e, atrás delas, uma simpática avózinha super rechonchuda (versão mais fofa que consegui exprimir), todas elas de cor de rosa. O problema foi quando reparei que essa avózinha, no seu esforço de conjugar o físico com a camisola da prova, desrespeitou toda e qualquer lei da física e do bom senso. A camisola ficou-lhe do género soutien desportivo e toda a sua massa corporal que se tentou evadir desse espartilho ia ali à volta, como uma bóia de carne que, que, que....não consigo descrever sem algum refluxo.

Acelerei de olhos fechados, sem me preocupar com nada. Comigo apenas restava apenas uma nota de satisfação - subir da Baixa até ao Saldanha, assim de repente, já não parecia tão mau.


29.5.13

Sabedoria, suor e basket

Para além de correr, tenho também o defeito de jogar basket. E digo que é um defeito, porque depois de jogar vários anos a nível oficial e, posteriormente, só por diversão, ainda oiço regularmente a minha mãezinha a dizer-me “Filho, mas o que é que o basket te deu para além de mazelas?”. 

Mesmo que o vosso interesse pela modalidade esteja ao nível do meu interesse por poesia boliviana, o excerto de filme que coloco a seguir conjuga dois dos maiores terrores que se podem encontrar em qualquer campo de basket (e não, partir uma unha não é um deles). 

 O primeiro não é um mal apenas desta actividade e basicamente tem que ver com escolher a pessoa errada para uma parceria. O segundo terror (no fim do vídeo), é auto-explicativo e só me aconteceu parcialmente uma vez. Ainda hoje sinto comichões e isso pode explicar o porquê de praguejar mais com a cara voltada para o lado esquerdo. 









Nota: O Phillip Seymour Hoffman, neste filme, prova que se pode ser bom actor e genialmente imbecil sem grande esforço.

O problema de ter um blog rubricofóbico


Não existe problema nenhum, mas as pessoas são sempre mais sensíveis perante problemas em relação a devaneios.

O facto é que, estrategicamente, é uma jogada inteligente para um blog criar rubricas, são um bocadinho como as estantes que se compram no IKEA só porque sim e porque tudo faz mais sentido quando está direitinho em compartimentos. Previne-se assim a falta de tempo, estimula-se o leitor para determinados temas e, quando a imaginação não colabora, a lógica e a organização salvam o dia.

Infelizmente, em termos de escrita, sinto que sofro de rubricofobia aguda porque tenho imensas dificuldades em sustentar a ideia de posts que obedecem a temáticas e não à minha verdade suprema. Se isto fosse um blog de bola, teria que me definir como o “jogador-vagabundo” que, mais do que uma constatação sobre o seu nível de higiene pessoal, tem que ver com o seu desprendimento táctico, que não o obrigar a fixar-se demasiado em certas posições.

Contudo, observando tendências e lidando com experimentação social, quero fazer como já fiz com o whisky e dar-lhe mais uma oportunidade. A questão é esta:

Que tipo de rubrica pode vingar neste espaço?

- Duetos virais – rubrica em que, semanalmente, acompanho um vídeo com potencial viral e sugiro um vírus que gostava de ver a espalhar-se pelo mundo (ex: um vírus que faça com que as pessoas, sempre que se queixam do tempo, tenham que ter dois dedos enfiados no nariz)

- Instagram retardado – rubrica em que eu publico fotos de coisas com atraso, mas em que não se percebe se é um factor temporal ou mental.

- Frigo-contos – Todas semanas abro o frigorífico, vejo o que lá tenho e invento uma história com cem palavras e três ingredientes. Meto a história no frigorífico. Esqueço-me da relevância que isso tinha para o blog.

- Fofoquices animais – Lá em casa há bicharada e os animais também falam. Os meus falam de cenas que se passam quando eu não estou em casa. Eu falo com animais. A medicação está cara.

- Se eu fosse uma médium mamalhuda – sempre me fascinou o fenómeno mediúnico e, pelo que vejo em séries de televisão, os mortos comunicam melhor com senhoras de certos atributos. Numa rubrica semanal, um morto conhecido dita-me um provérbio como se eu fosse uma dessas senhoras.

- O cinema é só fitas – Com base num remix de Ibiza feito com o excelente inglês do Mário Augusto, desvirtuo qualquer filme, pervertendo as histórias, mesmo que não saiba muito bem o que isso quer dizer.


O pior que pode acontecer é, tal como ao whisky, ficar na prateleira para sempre. E, para isso, tenho umas estantes do IKEA mesmo boas lá em casa e que até têm nome de gente para eu poder falar com elas.

28.5.13

Honestíssima e concisa crítica ao Grande Gatsby do Luhrmann

Merda.

Em termos de criatividade, oiçamos John Cleese


Enquanto fã de Monty Python, já tive a oportunidade de ler várias coisas incluindo biografias do conjunto. Como tal, não raras vezes li que, a par da sua genialidade, o John Cleese é um gajo com um temperamento difícil.

Todavia, depois de já ter escrito isto e ter visto o meu caro Pulha a falar sobre criatividade, não posso deixar de voltar ao tema. E estes dez minutos, de palavras comuns a falar de coisas incomuns, com aquele toque de humor que tanto gosto e o qual dou por mim a usar para temperar a maior parte do que faço, valem mais do que mil linhas que eu escrevesse sobre isso.



Não nos torna mais criativos mas, pelo menos, põe-nos a falar sobre isso.

Manual de sobrevivência social: "Como dominar conversas da treta"


Na era das redes sociais, é importante reter o seguinte: se não tens grandes skills de conversação ao vivo, passa sempre pelo Facebook antes de saires de casa (ou mal acordes, se a situação por lá já não é famosa em termos de parlapié) pois, deste modo, mesmo que não saibas nada de nada, pelo menos podes fingir.

Por exemplo, pressupondo que ainda não falaste com muita gente hoje e, por alguma razão que a lógica desconhece, estás a ler isto, eis como gerares conversação e engagement com a audiência (é diferente de arranjar engagement, pois nesse caso deverias estar num site onde a disponibilidade de senhoras de leste é oferecida de modo mais aberto):

-        E aquele Marinho Pinto hã, que personagem....
(se aquilo não pegar logo, ter sempre um bitaite de suporte “Ah, não viste o Prós & Contras de ontem...” Por norma, a falha social de não acompanhar os fenómenos de media, cria uma sensação de vergonha que leva o interlocutor a ir buscar o tema ou ir procurar vídeos que lhe retirem o rótulo de atrasado social.

-        O prémio Camões ficou muito bem entregue, não achas? Sempre gostei muito do Mia Couto...
(é conveniente saber/decorar um ou dois livros do autor, pois o interlocutor poderá ser versado em Mia. Nesse caso, usa-se o título que se conhece e revela-se o desejo de conhecer mais. Se o desconhecimento estiver lá, o interlocutor ou desviará a conversa para autores da sua preferência ou, se for hábil, retorquirá “A quem é que ganhou na final, ao Benfica?”)

-        E agora, em que é que ficamos com a novela do Jesus?
(se o  interlocutor for benfiquista, será conveniente não ter nada programado na agenda para as próximas duas horas. Se for portista ou sportinguista, preparem-se para um stand up de 10 minutos com todas as piadas da bola. Se for uma testemunha de Jeová, bem...escolheram o tema errado, boa sorte)

-        Celebridades na piscina, não faltava mais merda nenhuma não...
(tema forte em interlocutores com elevado ranking em lixo televisivo, podemos passar os próximos dez minutos a falar de fatos de banho, porcas, javardice e gente que diz “póçamos” e a sugerirem-nos o link daquela gaja que, juntamente com o Goucha, dão vontade de ver televisão de olhos fechados e ouvidos tapados)

Se nada disto resultar, usem a arma do vídeo viral, porque hoje em dia vídeos virais são como posts idiotas, é apontar e escolher. Fujam das grandes convenções, das coreografias modernas e apostem em algo que choque, seja curioso e, mesmo que não seja novidade, gere facilmente conversa:

-        Já viste aquele vídeo do gajo no casamento que faz aquela cena às mamas da mulher? (o uso do termo “cena” é importante, pois é vago o suficiente para gerar aquela curiosidade latente. Se não houver um computador por perto, podem ilustrá-lo mas, com cuidado, não levem a coisa demasiado à letra se o interlocutor for mulher. No caso improvável da pessoa já conhecer o vídeo, aproveitem só para dizer mal do Phil Collins, porque rapidamente quando se falam de virais, toda a gente tem um para a troca).


27.5.13

A parábola do palhaço, do presidente, do Ronaldo e do showman

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Eu queria escrever parabólica, mas depois já sabia que ninguém ia ler para além do título. Assim, pelo menos sempre chegaram à segunda linha.



A verdade é que quando rebentou aí o pagode da revolta dos palhaços, eu fiquei com a ideia que já tinha ouvido isso algures. E com bastante mais estilo, como só um verdadeiro homem espectáculo de fato cor de rosa consegue fazer.



E, se eu me dedicar a fazer uma lista de verdadeiros showmans musicais que já tive oportunidade de ver ao vivo, Mike Patton já tem lugar garantido.



Curiosidades loiras e o fim do mito Olex




O mito do restaurador Olex foi quebrado. Em tempos esses senhores clamavam “Um preto de cabeleira loira ou branco de carapinha, não é natural” mas vê-se claramente que o restaurador Olex nunca foi sucesso de mercado nas Ilhas Salomão.

Segundo consta, nesta ilha há uma boa percentagem de malta black que tem o cabelo naturalmente loiro, até agora os cientistas ainda não sabiam o porquê e as autoridades da ilha já tinham questionado várias vezes o único salão da região, o “Sandrine’s Cabeleireiro”, que negava qualquer envolvimento em colorações, assumindo apenas a responsabilidade de alguns alisamentos japoneses mal sucedidos.

Os estudos foram feitos e o factor genético nabase desta situação foi detectado, o que não retira em nada o pitoresco da situação, apenas satisfaz a comunidade científica, que também não é propriamente reconhecida pelos seus penteados espectaculares.

Resta-me agora aguardar, com a devida serenidade, que esse intrépido grupo de cientistas cabeleireiros se desloque até Portugal para resolver o mistério do grupo de mulheres que começam a ficar naturalmente aloiradas a partir de uma certa idade.
Sobre o grupo de homens portugueses que sofrem do mesmo mal, não é preciso falar, a culpa continua a ser do restaurador Olex e de cegueira de bom senso.

26.5.13

O Gatsby de média estatura




Não vou falar de bola, deixo isso para os que sofrem e para os que gostam de fazer sofrer. Contudo, ao falar em fazer sofrer, tenho de referir que o Gatsby do Baz Luhrmann veio ter comigo. Não era um Gatsby igual ao que tinha conhecido em livro, nem sequer era um que já tinha visto vestido de Robert Redford. Era outra coisa que, para mim, se assemelhou um bocado a encher um bolo óptimo com uma cobertura de excelente aspecto, vistosa e deslumbrante, mas que não acrescenta valor, antes pelo contrário.

O Baz é um rapaz com uma estética visual muito forte e é fã de reinterpretações que, quando correm bem, são coisas muito interessantes. O problema é que, quando não correm (o Austrália ia-me custando uma lobotomia), fico com a ideia que assisti a um videoclip gigantesco em que tudo era meio plástico e pouco profundo. Não pondo em causa o exagero de contrastes e uma banda sonora que é curiosamente provocadora, fiquei sempre à espera que o Gatsby se tornasse grande e ainda bem que fiquei à espera sentado.

Obviamente que vai haver quem goste e saia de lá maravilhado, infelizmente não fui eu. Fiquei à espera da grandeza da história e, tal como o ar constantemente amíopado do Tobey Maguire, não a vi, nem sequer com óculos 3D (??).

E, garanto-vos, se tivesse ouvido “Old sport” uma vez mais, ia haver sangue.

 

25.5.13

Empirismo e frutos secos

Ao constatar o preço do miolo de noz num dado estabelecimento, indivíduo insurge-se contra a estupidez que é pagar dinheiro a mais por uma tarefa básica que passa apenas por descascar algo.


No mesmo dia, depois de quase duas horas a descascar o equivalente a menos de duas chávenas cheias de miolo de noz, o mesmo indivíduo insurge-se apenas contra a sua estupidez.

Momentos mais tarde, indeciso entre ir comprar todos os frutos secos do mundo e tentar criar um império económico baseado na preguiça alheia e na revolta contra a tarefa de descascar ou fazer um bolo, indivíduo faz a escolha megalómana:

Vai fazer um bolo. Com miolo de noz.



O mundo domina-se muito mais facilmente com chá e bolo no bucho.

24.5.13

E, de vez em quando, ficas com a ideia que ainda há esperança para a humanidade


O criativo enquanto animal exótico



Comecemos por uma definição:

criativo
(criar + -tivo)
adj.
1. Que é capaz de criar, de inventar, de imaginar qualquer coisa de novo, de original, que manifesta criatividade (ex.: espírito criativo).
2. Que favorece a criação (ex.: meio criativo).
s. m.
3. Em publicidade, pessoa encarregada de ter ideias. originais para criar ou lançar um produto.


Antes de mais, sinto uma ligeira irritação por ver que criativo é algo que já é substantivo, como se o cargo atribuísse de imediato propriedades mágicas ao seu detentor. É como se no desporto craque fosse profissão e não atributo que cada um confirma com o talento que demonstra.

A verdade é que, em publicidade, existem diversos cargos que exigem criatividade que não se esgotam no departamento criativo (e aqui eu já aceito a denominação genérica), começando porventura pelo departamento financeiro. No entanto, é porreiro ver este departamento como um viveiro de personagens e aliás, se eu vos pedir a primeira imagem que vos vem à cabeça quando se fala em “criativo publicitário”, não devem faltar ténis coloridos, óculos de massa, look pseudo trendy, ar alternativo e clichés do género. Clichés certeiros em muitos casos, acrescente-se.

Mas o que eu gosto mesmo é uma prática comum para impressionar novos clientes ou estimular relações já existentes que é o chamado “leva um criativo à reunião/almoço/visita de estudo/tudo e um par de botas”. Aí, o papel do “criativo” é muitas vezes o do animal exótico, em que as pessoas “não criativas” expressam muita admiração pelo seu trabalho, avançam com as suas teorias sobre como surgem ideias e, apesar de dizerem que não eram capazes de fazer o mesmo, chutam sempre um ou dois episódios em que puseram a sua criativadade em marcha. Os mais atrevidos perguntam até se podem fazer festas ao “criativo” e se ele come o mesmo que as pessoas normais.

No meio de todo este cenário, que tem sempre um factor de constrangimento para quem não tem experiência como animal do circo, surgem também oportunidades de negócio. Como tal, se têm baptizados/casamentos/festas tupperware/jantares chatos/reuniões de terapia ou outro tipo de evento que necessite de um toque exótico, avisem-me e podemos negociar a presença de um ou mais “criativos”. Eu conheço uns quantos e a maior parte deles até já sabe usar talheres.

23.5.13

"Vou dar uma aula" - O behind the scenes


Longe de mim a ideia de abraçar a docência, isto é só um cumprimento ao de levezinho, com respeito e sem demasiada confiança. No entanto, questões importantes se continuam a levantar relativamente ao triângulo desejo-receio-realidade.

Esta é a imagem que eu gostaria de projectar:

  

Esta é a imagem que eu tenho medo de projectar:


Esta é a imagem que alguns alunos gostariam de ver projectada:



 E esta é, possivelmente, a imagem mais próxima da realidade:




Todo o super-herói precisa de um super-vilão. Até neste blog.




O post imediatamente anterior a este e imediatamente posterior à grande homenagem aqui feita à Exposição dos Oceanos não é fruto de esquizofrenia ou, se é, é fruto de esquizofrenia alheia.

E para percebermos este fenómeno, temos que entender o seguinte conceito:

Todo o super-herói precisa do seu super-vilão e quem não gostar de livros da Marvel, DC e afins, pode pelo menos ver o filme Unbreakable(vulgo, O Protegido) para perceber a essência da coisa numa forma light com o bónus de ver o Samuel L.Jackson com um penteado deveras sedutor.
Os vilões reforçam o propósito de vida dos heróis e ajudam-nos a cumprir o seu destino e, embora seja certo que podiam levar uma vida tranquila a impedir catástrofes naturais e a combater a estupidez humana, os heróis e em especial, os super-heróis, rezam por desafios à altura e gente com ideias inovadoras ao nível da proliferação do mal e do projecto megalómano para dominar o mundo.

Há muito que espaço vive sob o jugo de um tipo que não tem concorrência interna. Que aprendeu a contornar a realidade da forma que lhe dá mais jeito e que o faz regularmente vestindo lycra sob a desculpa que “é para correr maratonas”.
Quando li “O Regresso” ri-me perante a ideia de voltar a partilhar o blog e pelo facto de ter pela frente um indivíduo que combina “diletantismo” e comida no meio dos dentes e o consegue fazer de forma eloquente.

Há muito tempo que a minha gabardine de napa pedia para sair do armário. E isso não quer dizer que a minha gabardine de napa seja gay e se queira assumir. Era apenas um recurso estilístico para me dar um toque de vilão, mas que arruinei completamente ao cair na tentação de fazer uma piada adicional. Maldito sejas.