30.4.13

Voltei. Acho eu. A ver vamos...

La matematica de la noche

Real - 2 Dortmund - 0 Bocadillos de calamares - 3

Vencedor - Mojito
Digno vencido - Vermut

Cinco pontos que um otário em Madrid poderá notar

Então madraço, não tens fotos de bonitos canapés para mostrar? Belas vistas da cidade, mostrando lazer em empos de crise ou até mesmo uma pose contemplativa semi-anónima num cenário pseudo-cultural?

Não.

Mas tenho cinco pontos que, de momento, são tudo aquilo para que tenho cabedal para fazer:

1 - Conhecer uma cidade pela primeira vez através de percursos a pé é giro. Fazê-lo literalmente numa maratona é de loucos. Estou portanto mais próximo da loucura do que da beleza.

2 - A arquitectura histórica e a conservação da mesma dizem muito sobre uma cidade. Aqui, em cada esquina há uma página da história de Madrid.

3 - Tapas vs Petiscos - Era fazer uma mesa redonda e nunca mais sair de lá a tentar provar quais os melhores.

4 - Quando estamos "em casa" chuva e frio são sempre boas desculpas para não fazer nada. Vais uns dias para fora e não te impedem de fazer tudo.

5 - Guernica, Picasso, tu sacaste-a bem sacada e não há imagem que substitua ver aquilo ao vivo. Ah e não tenho muita pachorra para o Miró. E porque não fica bem acabar num tom elitista,também já fui a um Dia. O ambiente era parecido com o retratado no Guernica.

E isto ainda não acabou.

29.4.13

Aguenta um rato

Sim, o portunhol permite-nos dar vida a expressões de grande nível.


Agora só um instante que me vou atirar ao postre.

27.4.13

Hoje não me estou a rir, mas ontem ri-me muito com isto

Ontem ri-me à grande graças ao grau de estupidez deste vídeo, um remake muito especial dos Beach Boys. 





Hoje, muito possivelmente, ainda nem sequer consegui abrir os olhos, quanto mais rir-me seja de que cena for. É o que dá ter-me levantado hoje às cinco da manhã para arrastar os costados até ao aeroporto.

26.4.13

O enxovalho de ser um gajo que planeia coisas




Em Portugal, o gajo que planeia coisas é um palhaço. Primeiro, porque o acto de planear algo está ao nível de, pelos olhos dos outros, algo como sair à rua com um tutu rosa bebé no lombo (nota: este indivíduo acaba de ser apanhado a pesquisar fotos de tutus no Google, o abismo da vida social aproxima-se).

As pessoas acham que planear é chato, que planear é coisa de quem não tem nada para fazer a não ser chatear os outros com planos e, pior ainda, planear não é cool, não dá para ser um gajo que planeia e usar techertes (pronunciando assim) a dizer “Carpe Diem ó CRL” ou “YOLO”.

É fixe gozar com gajos que planeiam cenas, é porreiro lixar-lhes os planos e, melhor ainda, é bom ter um gajo que planeia por perto, porque assim quando as coisas correm mal, poucas coisas sabem tão bem como dizer-lhe “Então, tanta coisa com planeamento e planos e não sei quê, e agora deu nisto...”

Em Portugal, o gajo que planeia é uma piñata. Dá nas vistas, destaca-se, mas é um alvo fácil e é certo e sabido que vão querer fazer a festa à conta dele e dar-lhe paulada de três em pipa.

A minha única vantagem, enquanto gajo que planeia, é ter 1,85m e problemas de atitude, porque isso aumenta o número de pessoas que gozam mentalmente comigo quando faço planos e poupam-me umas quantas respostas com a mais fina arte da ironia, do sarcasmo e do insulto encapotado. E atenção, eu entendo a vontade de planear algo, dentro dos limites da sanidade mental, porque gajos que tenham abrigos nucleares na cave e gente que já fez um plano de vida para os filhos que ainda não tem com a cara metade que anda a ver se arranja, isso não é um gajo que planeia, é um sociopata com falhas graves na marmeleira.

Posto isto, um post que não foi de todo planeado, vou acabar de planear os próximos dias em Madrid. Pode ser que gozem comigo em espanhol.

25.4.13

Cenas que eu gostava realmente de ver e ainda não vi ao vivo



Já tive a oportunidade de ver muitas das bandas que mais gosto ao vivo e, nisto da música, também existe hoje em dia a “sorte” de ir descobrindo concertos em festivais que nos revelam outras bandas que passamos a seguir. Depois, existem ainda as eternas lamentações, sobre coisas que se podia ter visto e não se viu, concertos que se era para ter ido ver e não se foi ou, nos casos mais graves, quando o músico resolve simplesmente bater a bota e não há cá mais concertos para ninguém.

Em relação aos Stone Temple Pilots, já com alguma rodagem, o destino trocou-nos sempre as voltas e nunca nos encontrámos ao vivo. E no entanto, surpreendentemente, o Scott Weiland continua a bater os meus prognóstico e a ganhar rounds às drogas.

Sei que se tiver a oportunidade de os ver hoje, se calhar não será o mesmo que os ver em 1993 ou em 2003 e que inclusive podem já estar a uma certa distância do seu apogeu. Mas, quando o gosto é mais emocional do que racional, a preocupação não são os “ses”, mas sim o “quando”. E, como tal, estes continuam na minha lista a seguir.




O wrestling de anões no México também, só para verem o meu eclectismo.

24.4.13

Activismo de sofá e inconformismo gourmet



Passou-me pelos olhos esta campanha de publicidade feita por uma agência sueca para a UNICEF e, mais do que a execução (filme aqui), chamou-me a atenção o conceito – activismo de sofá é coisa que de pouco ou nada serve.

E nos dias que correm, activismo de sofá e inconformismo gourmet são o prato do dia. Aliás, eu próprio vou provar disso nas próximas linhas, dizendo que sou totalmente a favor do empenho em prol de uma boa causa e que eu próprio me envolvo em algumas, sem querer cair no exagero de querer passar por exemplo de bom samaritanismo.

É fácil fazer um like contra a fome, um post contra a crise, um texto contra a doença x ou mostrar indignação numa foto contra o abandono do animal y. Nos dias de hoje também é fácil ir a manifs e sacar instagrams magníficos com smartphone ou até tablet pós-moderno, não para um dia mostrar aos netos que se esteve lá, mas para mostrar hoje aos 758 amigos de Facebook, Twitter e Pinterest
Não é o mesmo que não fazer nada mas, como disse, é fácil.

Só que, se sabemos tirar partido desta facilidade de participarmos em coisas, de mostrarmos que fomos, que vamos, que somos e que opinamos, porque é que tantas vezes é difícil converter esse apoio e essa manifestação de intenções em algo de mais concreto?

Não sei bem qual será a resposta, mas acho que é possivelmente uma espécie de mutação do provérbio “À mulher de César não lhe basta ser séria, é preciso parecê-lo” que, nos dias de hoje funciona mais como “À mulher de César, para mostrar seriedade e dedicação, basta parecê-lo (nas redes sociais e afins)”.

E sim, eu sei que também há muitos que se sacrificam das mais diversas maneiras para dar um contributo válido. Mas esses já têm o meu respeito, não precisam do meu like.


23.4.13

Os Fofanas e os Bambos também amam


Sou um gajo que pensa em temas importantes mas, como isso é demasiado mainstream, vejo-me depois arrastado para os temas realmente importantes que escapam ao olho do cidadão comum.

Toda a gente que viva em Lisboa já recebeu um papelinho à saída do Metro ou encontrou um folheto preso nas escovas do vidro do carro com os serviços de Grandes Mestres, Professores e Doutores africanos. Para além de terem em comum o seu título e uma experiência profissional que, por norma, é superior aos anos de vida que aparentam, a sua área de influência é sempre a mesma – Tratam de problemas de Amor – Dinheiro – Trabalho e, se parecer importante, Saúde.

Para além de tratarem do problema ao vivo ou por carta (muito mais eficazes portanto que a Segurança Social), abordam e resolvem com aparente facilidade temas que torturaram escritores e compositores ao longo de séculos. Imagino até Mozart ou Goethe (só para dar um ar de quem percebe de artes) a ligarem para o professor Kalamar da altura e a pedirem ajuda, porque não estavam a conseguir amarrar convenientemente o amor à sua obra.

A minha questão é, quando um Fofana ama uma Fofana, naquilo que é uma espécie de remix africano do êxito do Percy Sledge (bota aí cultura de Motown que também fica bem ), e as coisas correm mal, ele pode resolver a coisa sozinho ou em casa de mestre africano feitiço de pau e tem de recorrer à concorrência?

No caso de ter de recorrer à concorrência, como é que a coisa funciona de mestre para mestre? Comparam-se anos de experiência, contando dos 40 para cima? Avaliam-se nós de amarração, para ver quantas cabeleireiras de Massamá se juntaram a construtores civis da zona norte do país e quantas meretrizes se afastaram de honestos sexagenários que caíram na trama da prostituição?

Ou, pura e simplesmente, para nunca cair nas mãos erradas, um Fofana não ama, por mais Mestre que seja nas artes e problemas do amor?

O facto de não saber a resposta tortura-me. Ou isso ou o facto de hoje ter saído de casa com umas calças demasiado apertadas.

22.4.13

Batam no ceguinho da bola no sítio certo


Não tenho medo de dizer que gosto de futebol, que acompanho de perto resultados e campeonatos, que sei o nome de jogadores e guardo no disco rígido da cabeça, memórias que não me fazem falta nenhuma sobre bola e coisas nessa área. Sou adepto do Belenenses, um adepto daqueles que não tem um segundo clube porque esse ganha mais vezes, mas estou longe de ser um regular no estádio.

Aliás, compreendo perfeitamente o fervor que o futebol desperta, especialmente enquanto modalidade, mas não sou um adepto devoto daqueles que vê a vida com um filtro que leva a que o amor pelo seu clube esteja às vezes um passo acima do que é racional, especialmente em momentos de jogo e no rescaldo dos mesmos.

Consigo lidar com discussões de café, contendas de colegas de trabalho, gajos com gráficos, suporte de vídeo Youtube, historial de derbies desde 1918 e consigo até compreender que no rescaldo se partilhem nas redes sociais momentos de alegria, de tristeza, polémicas e tudo o mais.
Há, no entanto, algo que me enerva solenemente e gostaria de pedir aos seus autores para, delicadamente, passarem os dedos por uma picadora de carne, se não se conseguem conter:

E QUE TAL DEIXAR DE USAR A PORRA DAS REDES SOCIAIS PARA FAZER O RELATO DA BOLA COMO SE O ESPÍRITO DO JORGE PERESTRELO VOS TIVESSE POSSUÍDO E CADA POST EM TEMPO REAL ESTIVESSE A SER OUVIDO.

Se eu quiser ver o jogo, estou a vê-lo, se eu quiser ouvir o jogo, estou a ouvi-lo, se eu quiser até ler o relato em tempo real, há sites que mo permitem. Agora, insights tão importantes como:

“MARCAAAAAAAADOOOOORRRR DO GOLLOOOOOOOO” (é escolher, em tempo real e em reprodução variada)

“INCHAAAAAAAAAAAAAAA / CAAARRREEEEEEEEGAAAAAAAA / JÁÁÁÁÁÁÁÁ ESTÁÁÁ”

“PENALTYYYYYYY / FALTAAAAAAAAAA / EXPULSÃOOOOOOOOOOOOO”

Tudo isto mais não é do que ejaculação precoce de conteúdos. Coisas que mandamos para as redes quando não queremos, fora de sítio e que, se tivéssemos capacidade, deveríamos fazer de outra maneira.

Felizmente, o mesmo não se passa com adeptos potentes do basket, em especial da NBA (nos quais me incluo). Seria algo cansativo teclar em repeat e em caps lock, cada vez que a nossa vedeta favorita marca dois pontos. Mas hei-de experimentar.

19.4.13

Universos cruzados

Gosto de imaginar um mundo onde as ligações que não fazem sentido nenhum se tornam fantásticas quando, mesmo que por puro acaso, acontecem.

A improbabilidade é das coisas mais prováveis da história.





E este tumblr é das coisas mais fantásticas nas quais se pode perder tempo online.

18.4.13

Correr uma maratona lá fora e sem medos



Para quem não sabe, daqui a pouco mais de uma semana vou fazer a Maratona de Madrid. Nos últimos dias, influenciadas pelos acontecimentos de Boston, muitas são as pessoas que conheço que, entre brincadeiras e preocupações, me colocam várias versões desta questão:

“Não tens medo?”

Sem qualquer bazófia, a resposta é sempre a mesma: Não. Primeiro que tudo, que não se confunda este “Não” com inconsciência, pois se fosse correr uma maratona da Faixa de Gaza ou outra zona igualmente problemática, não só estaria todo borradinho, como muito possivelmente nunca me teria inscrito.

No entanto, os temores ou sensação de medo que muitas vezes o excesso de informação e mediatismo inspiram nas pessoas (vide Gripe A, etc) não fazem parte da minha realidade. O que aconteceu, por mais condenável e triste que seja, não afecta em nada os meus planos – conhecer uma cidade que não conheço tão bem como gostaria, começando por uma abordagem diferente – correndo uma maratona.

Durante os 42kms e quase 200 metros da prova vou ter tempo para pensar em muitas coisas, para ver muita coisa nova e posso até ter tempo para ter dúvidas ou receios em função de como me sentir, até porque o facto de já ter completado duas maratonas não faz de mim um expert, longe disso. Mas para a ideia de “E se acontecer algo como em Boston?” não vou ter tempo, nem quero ter tempo e alimentar essa ideia seria ir contra uma ideia muito básica em que acredito – se tomamos os medos dos outros como nossos, nunca vamos enfrentar os nossos próprios medos.

“Que sera, sera”, sim porque eu já ando a treinar o maravilhoso mix portunhol, indispensável para quem vai passar uns dias com nuestros hermanos. Também aceito sugestões para Madrid, tirando coisas do género “E se corresses a maratona com uma tanga de leopardo?”, não por desprezo, mas porque sou muito fiel à minha lycra zebrada.

16.4.13

A merda das bombas

Mortes estúpidas são mortes estúpidas em qualquer parte do mundo e quem sofre com isso está-se a cagar para o número de notícias que são publicadas sobre as mesmas. A exploração do mediatismo nestas situações é sempre lamentável, mas também não faço vénias a quem hoje e só hoje sabe de cor quantas pessoas morreram ontem na Síria ou quantos atentados ocorreram desde o início do ano em países de terceiro mundo. É mais fácil atirar pedras do que construir algo com elas.



15.4.13

E de repente, tudo quanto é figura histórica tem que ter pinta de engatatão


 (O meu nome é Da Vinci e acredito que se pode ser brilhante e depilar o peito, mantendo no entanto alguma virilidade capilar)

A ideia do romance de fundo histórico verídico sempre foi fascinante. Pega-se numa base que as pessoas conhecem, que pode ir de uma figura a um acontecimento ou até uma época e depois derivamos dali para o que nos der na cabeça, salvaguardando sempre com “inspirado em factos reais”. É um bocadinho a história do peru recheado, um tipo conhece o peru, mas por vezes tem medo do que pode encontrar lá dentro quando nos põem o animal à frente na mesa.

Na era dourada da televisão que hoje em dia vivemos, já não basta irmos buscar um Robin Hood ou um Casanova e dar-lhes atributos charmosos. O truque é ir buscar personagens históricos que, por norma, não têm grande tradição na arte do regabofe de três em pipa ou aos quais não se atribui grande nível de aventureirismo e sedução e fazer-lhes um extreme makeover.

Esqueçam lá o sangue e sexo de fórmulas como as do Spartacus, porque o desafio mesmo é pegar num Leonardo da Vinci, que a maior parte das pessoas conhece como um velhinho de barbas e sobre o qual sempre ouvi/li certas insinuações gay e vamos transformá-lo numa espécie de Zezé Camarinha inventor, mas com aquele toque moderno de série para agarrar a malta aos ingredientes básicos do costume.

Isto não é de agora (vide Shakespeare in love, Diogo Morgado a fazer de Salazar f#””%lhão, certamente a base para o seu sexy Jesus), mas a criatividade e as audiências obrigam os argumentos a irem cada vez mais longe. Em certos casos, o resultado é brilhante, na maioria é só mais um pastelão que vai cair no fosso das séries que não chegam a ficar na memória.

Pensem nisso enquanto eu vou ali acabar o meu argumento para uma série sobre Camões, o Chuck Norris do seu tempo e que afinal só nadava com livros nas mãos para poupar nos portes do Correio.


PS – Por falar em fórmulas recorrentes, alguém que tenha visto A Nómada, baseado na nova obra da senhora dos vampiros, dos lobisomens e das lambisgóias com ar de sonsa me pode confirmar que aquilo é exactamente a mesma fórmula, mas com ET´s? (uma relação impossível, porque há um elemento em jogo que separa o casal central mas, o amor irá superar tudo e vencer barreiras que ninguém julgava ser possível derrubar).

11.4.13

Constatações musicais deitadas ao vento da net

O Tricky tem um percurso musical que faz jus ao seu nome.

Mas, na minha lista, o Knowle West Boy é aquilo a se chama um álbum do c@€£@ho e dá gozo ouvi-lo periodicamente.






Com licença, que agora vou continuar a minha ecstasy of audio gold.

9.4.13

O exercício das desculpas


Acho que o exercício é em quase tudo igual à música clássica, ao cinema francês e ao gaspacho. Se gostamos dele dá-nos muito gozo, se só fingimos que gostamos, podemos passar horrores até admitirmos o contrário. A única coisa que o exercício acrescenta são benefícios à saúde mas, por outro lado, também são mais raras as pessoas que se lesionam a ver filmes franceses ou a ouvir Wagner.

No meu caso, nunca ninguém me obrigou a praticar desporto / fazer exercício e fui sempre eu que senti essa necessidade. Aliás,  ao chegar à idade adulta (fisicamente, que mentalmente isso ainda é um facto contestável) também percebi a crescente importância do desporto enquanto escape. Não é a única coisa que faço nesse sentido, mas é uma parte importante do meu mecanismo de auto-regulação.

No entanto, acho que cada um deve procurar a sua fórmula de equilíbrio e continuo a achar um piadão às pessoas que, perante alguém que pratique desporto, se sentem na necessidade de justificar o exercício que (não) fazem – NINGUÉM É OBRIGADO a fazer exercício, nem a ter que fazer sapateado para tentar mostrar que estão a tentar mudar isso.

Soa sempre a desculpa e não era preciso, por exemplo eu não sou fã de musicais e não tento convencer alguém que goste que já consigo ouvir metade do Moulin Rouge à hora do almoço e que quando saio do trabalho tento sempre cantar meia horinha de Música no Coração.

Se me pudesse armar em gajo que dá conselhos, diria para fazerem o que vos apetecer enquanto podem, porque muito possivelmente já não faltam coisas que vos apetecem fazer e não podem. E se tiverem que cortar nalguma coisa, cortem na leitura de certos blogs. Já se viu que não vão a lado nenhum com isso.

8.4.13

"X-Factor" de urinol


Eram três os que lá estavam, todos eles vestido de igual com o seu fato de macaco cinzento, ferramentas à cintura e uma certa proeminência na zona do ventre que faz pensar que, quando não estão reunidos em urinóis, resolvem os problemas do mundo junto de doses generosas de comida e bebida.

O primeiro que vi estava debruçado junto a um dos cubículos, buscando no sempre filosófico mundo da loiça sanitária a resolução para dilemas profundos. O “Ora F@”%-se...” que soltou em versão lamento deu-me a ideia que as suas preces não estavam a ser atendidas. Os outros dois estavam junto aos urinóis, um deles apoiado no secador e o seu parceiro sentado na borda do lavatório.

Não me agradou o tom de “X-Factor” que pairava naquele WC e, embora tivessem parado momentaneamente a sua conversa, nenhum deles se mexeu um centímetro quando entrei. Fiquei à espera que um deles dissesse “Então, como te chamas, de onde vens e que tipo de mijinha nos vens apresentar? Um clássico à rasquinha, um medley de cascatas?”

Voltei-lhes as costas e saí sem lhes dar o prazer de avaliar a minha performance de urinol. Dirigi-me à casa de banho dos deficientes, não sem que antes me cruzasse com um colega que não resistiu a dizer “Então, és deficiente?”, ao que retorqui “Porquê, não se nota?”

E assim se continua a fazer história com base em pequenos interlúdios matinais.

4.4.13

Agora que já partilhámos todos uma certa insatisfação metereológica


Tenho amigos portugueses que moram em países em que há casos documentados de testículos a congelar só de pensar no tempo que faz lá fora. Em que a neve não é uma esperança ou um destino de férias, mas sim a certeza de andar com uma pá às costas e uma escovinha para fazer risco ao meio ao carro. Conheço gente que mora em sítios em que só faz sol de jeito quando o rei faz anos (e sorte a deles porque lá têm mesmo realeza) e chove com a mesma frequência com que se escreve LOL em chats e Facebook. Tenho até malta conhecida em países que no Inverno levam com temperaturas mais negativas que a maior parte do saldo bancário dos portugueses.

Todos eles têm uma saudade comum – o tempo que faz em Portugal.

Isso significa que temos de ir correr todos de boca aberta para a rua e dar graças aos deuses pela precipitação que nos cai no lombo com bastante regularidade nos últimos tempos? Não, a não ser que tenhamos muito tempo livre e pouco juízo.

Contudo, se não somos nós a dar cartas e até somos daqueles que costumam receber bom jogo com frequência, se começam as queixinhas quando a coisa não corre de feição, cheira logo a conversa de mimadinhos do tempo.

É chato estar de chuva, mas mais chato é quem faz da lamúria da chuva o prato do dia. Se é para encetarem diálogo comigo e expressar a vossa indignação sobre algo, sejam criativos, manifestem-se por exemplo sobre a questão do pão ser quase sempre vendido à unidade e não ao quilo ou a problemática de não se poder fazer a consignação do IRS a instituições que trabalham com animais. O resto é chover no molhado.

2.4.13

A febre do hipster

Certas palavras estrangeiras são como alguns temperos exóticos – se as usares com moderação, dão um certo je ne sais quois à nossa linguagem. Outras, no entanto, são como misturar malaguetas no arroz doce, o resultado é certo e sabido que vai ser uma bela trampa.

Neste momento, estamos a assistir à febre “hipster” em que metade das pessoas não sabe do que fala e a outra metade fala mais do que o que sabe. Se tem um ar esquisito e parece moderno, é hipster, ao passo que se tiver um ar antigo é vintage. Se alguém ouve uma música de uma banda alternativa que não conhece, dúvidas importantes se levantam – será indie ou será hipster? Um tipo usa a parte de cima do pijama como boné? Se não for maluco, deve ser hipster, especialmente se não lavar os dentes ou se os lavar com extracto de bosta de iaque.

Mas o ridículo passa ao patamar nonsense (toca a gastar os estrangeirismos na prateleira), quando temos meios mainstream a tentar capitalizar no hipsterismo o que, com as devidas distâncias, é como ter um talhante a gabar bifinhos de seitan. Por exemplo, este fim de semana passei no Alegro e vi que os cartazes e folhetos gritavam sem parar “Somos Hipsters! Somos Alegro”. Aposto que boa parte das famílias que lá vão se identificam imediatamente com o conceito, “Ai António, sinto-me tão hipster hoje, vou já ali comer uma sopa de nabo indonésio para lhe tomar o gosto” e quem não perceber bem o conceito, ao abrir o folheto vai perceber que tanto pode ter a ver com uma jovem com bom aspecto e roupas trendy que lá aparece, como com uns brócolos com lábios e olhos e umas beringelas nos mesmo preparos que pelos vistos celebram os domingos Alegro.

Usar termos diferentes ou estrangeirismos modernaços não dá direito a pena de morte mas, dentro de um limite de consciência, não se devia cair no ridículo de querer colar rótulos à bruta e não saber o que está lá escrito.

É que às tantas, isso faz-me lembrar da alegria inconsciente desta família.



1.4.13

O mistério da primeira fila do cinema



Tenho a ideia que existe a primeira fila no cinema só para evitar que a segunda fila tenha esse nome. É a única razão para a sua existência e, sendo eu um defensor da compra de bilhetes com o acrescento “o mais atrás e ao centro que possível”, é-me incompreensível que haja malta que goste de ir ao cinema para ser vítima do complexo de Stevie Wonder. Para quem conheça esse génio da música, há um movimento de cabeça que lhe é característico quando está ao piano e que tem um paralelismo com quem vai ao cinema e fica na primeira fila – farta-se de rodar de um lado para o outro e, ainda assim, não vê nada de jeito.

Para mim, a última vez que isso aconteceu era eu muito pequenito e tratou-se de uma catástrofe. O filme em causa era um épico (para mim, na altura) e estava tão desesperado para o poder ver que quando me perguntaram “só há na primeira fila, queres ver à mesma?”, eu disse logo que sim. Pois bem, devia ter mostrado mais respeito pelas Tartarugas Ninja, porque durante a hora e tal que se seguiu foi como ver um jogo de ténis numa bancada que fica abaixo do nível do campo, com a agravante que o jogo de ténis não tem legendas e na altura eu ainda não dominava o inglês laique tudai.

No entanto, tal como mestre Splinter (Lascas é insultuoso) ensinava as Tartarugas, também eu sorvi os ensinamentos dessa experiência – mais vale não ver porra de filme nenhum do que ficar nas 5 primeiras filas. E, a partir daí, cheguei a mudar o programa ou a voltar para trás, mas não voltei a entrar nessa zona de ninguém das salas de cinema.

E se alguém gostar de o fazer, Freud explica e se não explicar, devia.