6.12.13

O problema de dar nome às bolas


Antes de mais, dois pormenores:


O título do post é uma espécie de homenagem ao compositor pimba que há em mim.
O facto deste post ter algo de idiota não invalida o facto de também gostar muito do Mandela e já o ter provado aqui.

Posto isto, vamos à delicada questão de naming de bolas. Como não me interessa a versão mais privada que este assunto poderia gerar, vamos pela questão global – é prática comum a Adidas dar um nome às bolas que são usadas nas grandes competições de futebol. Até aí tudo bem, o marketing de bolas assim o exige, há bolas que são criadas de propósito para certos eventos e a escolhida para o Mundial do Brasil tem um nome que faz todo o sentido – Brazuca.

 

Mesmo para quem não fale português, o nome é sonante e é uma denominação que é claramente ligada ao país que irá acolher o evento. Curioso como sou, fui rever os nomes de algumas das bolas usadas em eventos do género nos últimos anos

Jabulani no Mundial 2010 (África do Sul, e gostaria aqui de adiantar que, sem qualquer sombra de dúvida, Madiba está hoje nos meus pensamentos) – uma expressão que em zulu quer dizer alguma coisa como “celebração”.

+Teamgeist no Mundial 2006 (Alemanha) – a expressão significa “espírito de equipa” e o + só surgiu porque é impossível ter direitos de trademark sobre esta palavra em si.


Até aqui tudo bem, a coisa continua a ser coerente. Indo ao Mundial 2002 (Japão/Coreia do Sul), o nome Fevernova já não é bem ligado ao país organizador, sempre mais difícil quando é uma co-organização, o que dá uma boa desculpa, o mesmo acontecendo ao Euro 2008 e o Euro 2012 (Europass e Tango12). Devo dizer que, co-organizações à parte, Tango12 é um remake de uma bola histórica, apesar do Tango ter pouco a ver com polacos e ucranianos, ao passo que Europass já me parece algo bem mais ridículo, a não ser que se escreva o currículo na bola.

Finalmente, cheguei ao Euro2004, o orgulho cá da terra e um incentivo nacional ao triste fado lusitano. Vou ver e bola chamou-se....

Adidas Roteiro...



Dizem eles que foi uma homenagem aos Descobrimentos. Para mim tanto podia ser isso como uma homenagem à Carris ou à feira das tascas em Rio Maior. Sem me esforçar muito consigo pensar em cinco, seis palavras transversais que tanto ligam à cultura portuguesa, como não destoam do que a Adidas tem feito (na versão positiva).

Repito, Adidas Roteiro. É um nome triste e cinzento como a bola.
Mas, ainda assim, não tão triste e cinzento como este dia que marca o desaparecimento de Mandela.

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