11.12.13

O Pai Natal ainda faz sentido?


Já estamos naquela época do ano.
Sim, naquela época em que se confundem os melhores valores com as melhores prendas, em que os bons convívios se intervalam com os convívios forçados e em que os brinquedos e os perfumes dominam os blocos publicitários.

De um lado da barricada, os fervorosos fãs do algo metafísico espírito de Natal, do outro os anti-espírito de consumismo e cultura de aparências. No meio, as pessoas mais ou menos equilibradas que tentam apenas sobreviver à mesa de Natal.

E o Pai Natal, onde fica?



Para além deste gráfico, que podem explorar em detalhe aqui em formato apresentação do Pai Natal-marca caso fosse uma marca, a minha opinião é que o Pai Natal se podia reformar.

Tecnicamente, a sua utilização varia entre o disfarce carnavalesco que rapidamente pode descambar e o abuso recorrente por parte de marcas, superfícies comerciais e tudo e um par de botas onde seja possível tentar atribuir credibilidade e magia a qualquer mono de barbas brancas vestido de vermelho.

Consigo condescender perante pais que me digam que é uma forma lúdica de ilustrar o Natal às crianças, mas muitas crianças adoram um hipopótamo que aparece nesta altura do ano, por isso já se viu que o seu conceito de figuras míticas de Natal é bastante amplo e moldável.

Se formos pelo ângulo religioso, para além da concorrência dos Reis Magos, trabalhadores estrangeiros que certamente despacham mais prendas a um custo mais baixo, é preciso ver a mistura de conceitos que faz com que São Nicolau, para além de padroeiro das crianças, também o seja para marinheiros, mercadores e ladrões. É este tipo de influências que queremos para as crianças? “Filho, as prendas foi o Pai Natal que trouxe, directamente do barco que chegou ali à Trafaria com um carregamento de brinquedos roubados”.

Do ponto de vista saudável, na sua representação tradicional, o Pai Natal é um idoso com alguns problemas de obesidade e, em certos casos, tem todo o ar de quem abusa de algum vinho do Porto durante a época. Aparenta algum sedentarismo, que contraria à bruta na época, fazendo desportos radicais na neve e uma espécie de parkour em chaminés. Resumindo, é um convite ao ataque cardíaco e, uma vez mais, há gente que o continua a defender como exemplo...

Nem me façam falar dos amigos dos animais, que há ali processos com renas que fariam corar de vergonha gente que se diz amiga dos mesmos. Acartar um trenó com um velho gordo, mais toneladas de prendas em condições climáticas adversas e a um ritmo alucinante não me parece que seja algo recomendável. Nunca soubemos em que condições são mantidas as renas, nem sequer se ouve falar do que acontece a uma rena quando fica velha para o trabalho. Será o prato de Consoada do Pai Natal um bitoque de rena velha? Não sei, nem quero saber.

Meus amigos, os tempos estão a mudar e ao Pai Natal sobram-lhe poucas razões para continuar a existir como o conhecemos. Pensem nisso na próxima vez que enfiarem um barrete vermelho na cabeça e começarem a fazer ruídos estranhos a imitar a gargalhada de um reformado inglês.

5 comentários:

  1. vai com o coelhinho no comboio ao circo???

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    1. Nos dias que correm, o Coelho está mais disposto a atirar gente do comboio do que a levar velhinhos reformados no mesmo.

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  2. pois... mas o pai natal não é reformado, é um claro exemplo de como a idade da reforma pode subir para os 100 anos sem qualquer problema... e se o trabalho dele é puxado, coitado!!!

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    1. Bem, tecnicamente ele não existe, portanto a acrescentar aos descontos que não deve ter feito para a Segurança Social, a Lapónia também deve ser um paraíso fiscal onde ele se escapa aos impostos...

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  3. Eu ainda estou nos anúncios para perfumes... Um tipo nunca sabe se aquilo é publicidade a automóveis, roupa, viagens, Pensos higiénicos e no fim lá aparece o boss bottled

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