10.12.13

É fixe perder-me em Monsanto


Não cresci muito longe de Monsanto mas, nesses tempos, lembro-me que Monsanto não era uma área tão recomendável para o lazer como é hoje em dia. Aliás, se descontarmos as visitas ao Parque do Alvito, são dois os episódios que na minha memória juntam infância e Monsanto.

Um deles foi um acidente de carro que lá tive com o meu pai, nada de grave, mas enquanto se via se o carro andava ou não, a minha percepção de que aquilo era grande, escuro e ameaçador (especialmente à noite).

Outro foi com a minha mãe em que, novamente de carro, a questionei sobre o facto de existirem vários carros em vários pontos, com homens sozinhos lá dentro. A minha mãe explicou-me que os senhores estavam cansados de tanto conduzir e paravam ali para descansar. Aquilo pareceu-me credível até ao dia em que vi um senhor reclinado para trás no banco da frente, que parecia estar a dormir, mas no preciso momento em que nos cruzávamos com ele, a cabeça de uma mulher surgiu da zona do seu colo...

Mais velho poderia juntar peripécias como ter fugido a partir de Alcântara até Monsanto na sequência de um brincadeira com fita de cassetes e carros a descer a estrada que vem desde o estádio do Atlético ou andar duas horas com um cão morto na bagageira do carro, em pleno Verão, à procura do crematório do Canil Municipal, tudo porque me armei em bom samaritano e fui ajudar uma pessoa amiga.

Os tempos mudaram e hoje em dia, não é raro meter-me por Monsanto fora sozinho, vestido de lycra e aventurar-me por caminhos e trilhos. Aquela zona verde a dois passos do centro de Lisboa transmite-me uma sensação de calma que é a ideal para correr. Dá até para parar uns segundos e tirar fotos simpáticas.



E dá até para fazer percursos em que me perco pelo meio, mas não me preocupo muito porque sei que lá mais para a frente tenho sempre por onde voltar a sair.



Tudo isto em Monsanto, que hoje em dia já não me mete medo, mas que ainda me surpreende várias vezes. E, curiosamente, muitos são aqueles que desconhecem que foi uma zona florestadaquase a partir do zero há menos de cem anos. Esperemos que tenha muitos mais para oferecer a quem nele gostar de se aventurar. 


3 comentários:

  1. Foi no final da década de 30 que começou a florestação da área. Ainda me recordo, como tu, dos condutores a 'descansar' à beira estrada. Uma amiga de infância que a droga levou prostituía-se ali, uma das últimas a por lá andar. Quem por lá agora passe e não conheça, não terá ideia do que aquilo já foi.

    R.

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    1. Ainda bem que assim já não é, em termos de fauna local...

      A piada da história de florestação é que, na minha cabeça, até saber da história achava que Monsanto era uma floresta do catano e que foi sendo reduzida à medida que a cidade crescia :)

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  2. Na tua e na de quase todos, imagino (eu incluído):-)
    É uma das maiores manchas florestais urbanas da europa (se não a maior).

    R.

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