21.12.13

Coração aberto e boca fechada

Para mim existem dois tipos de solidariedade - a que beneficia do efeito mediático que possa gerar e aquela que é praticada sem qualquer outra intenção de reconhecimento que não seja a de ajudar. 

Ambas podem ter mérito mas, nos dias que correm, não é raro perder-se a perspectiva do que é mais importante. Por exemplo, numa acção em que tive oportunidade de participar esta semana, em que durante x horas era suposto levar a cabo um conjunto de tarefas. Foi trabalho de sapa, acartar com pesos, limpar coisas que não apetece limpar, arrastar cangalhada que nem com luvas nos sentimos à vontade e por aí em diante.

Curiosamente, apesar de traço geral todos terem ajudado, nem todos fizeram sentir a sua presença da mesma maneira. Isto porque os que se concentram exclusivamente na tarefa em si não "perdem tempo" a explorar a vertente das redes sociais.

E hoje em dia, parece ser mais importante mostrar que se faz algo, do que efectivamente fazê-lo.

No entanto, a meu ver, embora possa questionar a noção de quem pelo meio do trabalho perde tempo a sacar fotos ou a fazer upoads no telemóvel, para mim não há pior do que um certo tipo de emplastros que não faz mais do que aparecer na hora certa para tirar fotos, dar a sua sentença, vender dois ou três sorrisos falsos e pegar num saco disfarçando o seu horror, para depois desaparecer assim que picou o ponto solidário.

E eu ali com uma marreta na mão...

1 comentário:

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.