2.12.13

Como correr cansado e acabar a rir



Qual é a melhor coisa que podes fazer a uma segunda, por volta das 7.30 da manhã, depois de um fim de semana em que estiveste de pé numa banca entre 20 a 30 horas e antes de ires para o teu estaminé profissional habitual?

Sim, acertaram, nada como ir correr uns 50 minutinhos na companhia de uns fresquinhos 5º de temperatura.

Enquanto preparo um balanço semi-pseudo-sociológico sobre a relação entre vendedor e cliente em função da minha experiência de fim de semana como feirante, é certo que este facto contradiz qualquer respeito mental que possam ainda ter por mim. No entanto, acreditem, faz-me pleno sentido.

Óbvio que custa sair do quentinho da cama, pensas duas ou três vezes “Se calhar ao fim do dia vai dar para correr...”, mesmo quando sabes que não vai dar. Depois, olhas para o equipamento todo prontinho ali ao fundo e sabes que “só” vai custar até sair de casa. “Só”....

Já me deixei da cena de macho alfa não sente frio e passei ao conceito macho alfa faz o que é preciso para sobreviver, pelo queo kit incluiu luvas e camisolas com capuz (o gorro seria demasiado forno para a minha mioleira), meias de compressão para ajudar também na questão frio/cansaço e afins.

O que continuo a acreditar é que o cansaço positivo é uma forma de recuperar cabeça de desgastes prolongados ou aquilo que considero cansaço negativo (situações que nos cansam o corpo sem que ele tire daí qualquer benefício). Por isso, seja para desanuviar ou para alternar o tipo de cansaço, faço-me à rua para meter uns kms nas pernas.

Não sendo maluquinho (ok, só um bocadinho), nestes dias não há cá acelerações, sprints, subidas ou experimentar percursos. Pura e simplesmente vou rolar, ao ritmo que puder e me apetecer, sem grandes preocupações de kms. Hoje, ao fim de cinco minutos o frio já era, embora o ardor que a cara sente da sensação de frio versus corpo quente demore mais tempo a desaparecer. Ao fim de quinze/vinte minutos o corpo diz-me que o cansaço está lá acumulado, portanto é para circular com precaução, mas um Estádio Universitário quase só por minha conta ajuda na parte do percurso que faço lá dentro.

Na recta final, meia hora depois, enquanto a cabeça já está limpa e agradeço por ser apenas só mais uma corridinha e não uma prova, eis o inusitado momento de humor para acabar em grande – já me tinha cruzado com um chinês a correr de fato (sim, camisa, sapatos e tudo), hoje cruzei-me com um tipo na casa dos 40 e muitos, a correr de....samarra, daquelas com uma farta gola forrada a pêlo, ainda por cima daquelas quase a chegar ao joelho.

Deixei-o passar e tentei ver se vinham algumas ovelhas a segui-lo, coisa que é pouco comum no centro da cidade, mas nada. O pastor sprinter estava a solo.

E eu ri-me alto, de capuz na cabeça, corsário de lycra, meia de compressão e luvinha moderna. Nessa altura, a cruzar-se comigo, a senhora que passeava o cão, mais agasalhada do que um esquimó, deve ter esperado mais um pouco até começar, por sua vez, a rir-se de mais um maluquinho das corridas.

2 comentários:

  1. Mas não fica com as mãos e a cabeça a assar passado o primeiro quilómetro? Eu não consigo correr com tanto agasalho, nem hoje, com 4ºC e uma brisa pouco simpática junto ao rio.

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    1. Normalmente também tenho calor e quando é uma long run (de 10k para cima) nunca levo aparato a mais.

      No entanto, se for correr 30/45/50 mins de semana, posso correr com uma camisola com capuz (e o capuz salta quando sinto demasiado calor). As luvas são próprias para quem corre, tecido leve e arejado, pelo que não aquecem em demasia (e também as tiro quando tal acontece.

      Uma cena que aprendi a não dispensar quando chove bastante ou faz calor, é o boné.

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