8.11.13

Subjectividade e tipologias à hora de jantar


A hora de jantar, por mais substancial ou não que ele seja, tem para mim um certo encanto pela sua subjectividade. Ao passo que a hora de almoço na maior parte dos dias sofre o estigma de ser mandatada pelo nosso horário de trabalho, normalmente a hora de jantar (e o conteúdo do mesmo) pode variar imenso de casa para casa. Obviamente, uso apenas como referência Portugal, porque se fosse estender o comparativo para outros países era a selva completa.

Sem entrarmos em insultos geracionais do género “Isso era no tempo dos teus pais” ou “então e as crianças meu bandalho”, a minha amostra centra-se na franja 25-45 anos, uma espécie de idade adulta contemporânea, uma vez que cada vez mais me apercebo que a adolescência se estende em muitos casos pelo início dos “vintes”. Refira-se ainda que é uma média para dias de semana normais, descontando regabofe de fim de semana e efemérides.

Tradicionalistas – Janta-se à hora do telejornal, na companhia do mesmo. Refeição de prato, que substância é coisa que faz falta a qualquer hora.

Urbano-conscientes – Tentam fazer um jantar mais leve, dentro de paradigmas saudáveis, mas o seu estilo de vida faz com que jantem muitas vezes mais tarde, com horários que podem ir até bem mais tarde (20.30/22.30)

Conjunturais – São muitas vezes um acrescento a outro grupo existente, apenas porque o foco do seu jantar engloba também o planeamento e execução do almoço do dia a seguir, via marmita standards.

Preguicíticos – Vítimas de dias desgastantes, paralisia televisiva ou pura e simplesmente idontcareismo, comem o que houver, sendo grandes fãs de descrições como “uns cereais”, “uma tosta”, “uma cena verde que estava no frigorífico” em relação ao seu jantar.

Podíamosirbuscaristas / Mandarviristas -  Indecisos, preguiçosos, desenrasca style, mas ainda assim com gosto pela experimentação e pelo vá buscar fora o que janta cá dentro, são fregueses regulares da Ordem do Take Away como salvação do jantar. Quando Conjunturais, no dia a seguir ao almoço há sempre algo que sobra para contar a história.

Discípulos do Deus das Crianças – Servem uma causa maior, a do seu bebé/cria/criança. O jantar do bebé é que importa, é esse que tem que ter hora/regra/nutrientes, o resto logo se vê. O problema é que normalmente logo já não se vê nada ou o que se vê está longe de ser parecido com o que o bebé viu.

Superactivos – Entre desportistas, estudantes nocturnos, malta dos hobbies e perdidos na maionese, muitas vezes a hora de jantar é algo entre as 23h e as duas da manhã. Nesse caso não há critério, é o que houver no frigorífico o que, consoante o grupo de que se aproximem, tanto pode ser uma cenoura, como “uns cereais”, como algo dentro de um pacote suspeito.

Abstencionistas – Normalmente costumam dizer “Eu por norma já nem janto”, mas depois vai-se a ver e comeram dez coisas diferentes ao longo de x horas, tornando difícil perceber onde acaba o lanche e começa o pequeno almoço.

1 comentário:

  1. Urbano-consciente-superactiva no sentido em que, o trabalho dita horários parvos e jantares a meio da noite não me são estranhos. Vale o esforço de fazer uma refeição saudável (na maioria das vezes).
    Muito curiosa esta análise.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.