29.11.13

Restaurantes "bem" que cómónicam "mal"

Sou um tipo bastante tolerante no que à ortografia diz respeito até porque ninguém é isento de falhas, começando por mim. Não raras vezes publico coisas sem reler devidamente e arrisco a gralhar que nem um leão (a errar também, mas em dose menor).

É certo que a Internet em modo social também criou a polícia do erro mas, em boa parte dos casos, o que acho mal em quem corrige alguém é quando faz disso um espectáculo ou fogueira em praça pública, quando há formas mais privadas de o fazer. Uma coisa é ajudar os outros a melhorar, outra é apenas mostrar que se é melhor.

No entanto, tudo isto que acabei de dizer é algo que aplico à comunicação informal. Quando se trata do campo profissional sou bem menos tolerante, começando novamente por mim. E nada me irrita mais do que empresas/negócios/serviços que comunicam mal, tratando o português com os pés. A meu ver, por norma isso é um reflexo da atenção que dão aos detalhes do seu negócio e, por vezes, de falta de humildade perante a necessidade de passar os conteúdos que produzem por alguém competente na matéria ou, no limite, por mais do que um par de olhos.

Eis um exemplo:

Acabo de ser abordado digitalmente por um restaurante armado ao moderno, daqueles que têm uma palavra em inglês no seu nome e terminam o mesmo com uma cena de status tipo Bar, Grill, Club ou coisa que o valha. A comunicação foi feita para várias empresas e dizem-me que se estiver a pensar fazer um jantar de Natal, eles devem ser tidos em conta. E eu, que também como com os olhos, fui ler.

No meio da oferta toda, em que inclusive o nome dos DJ's residentes me é avançado como se fossem os meus vizinhos de baixo, a minha curiosidade fica em alerta em relação ao método proposto de bebidas "á" "descrição".

Será um divertido método em que eu descrevo uma bebida como a imagino e eles me servem a dita cuja ou trata-se apenas uma variante gráfica do clássico serviço de bar à discrição?

Na dúvida, vou telefonar e esclarecer a coisa, até porque eles prometem "profissionalismos" e, tendo muitos, não devem ter qualquer problema em dispensar-me um bocadinho.

4 comentários:

  1. Em tudo o que tenha comunicação com público, pura e simplesmente não aceito os erros. Acho mesmo vergonhoso. Uma coisa é um erro que todos damos. Outra coisa é ter alguém que não sabe conceitos básicos a escrever para multidões. Foda-se.

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    1. Em termos profissionais, quanto mais pretensiosa é a comunicação ou maior a "estrutura"/empresa que a emite, menor é a minha tolerância.
      Se tiver responsabilidades em termos culturais, pior ainda.

      Não gosto de colar rótulos definitivos mas, nesses casos, não dou grandes borlas...

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  2. Eu tenho sempre o cuidado de mandar mail privado quando vejo uma gralha daquelas que os anónimos vão devorar.

    Quanto ao Á e ao À, e também ao HÁ, a disciplina de português devia dedicar um ano inteiro à distinção. Adultos, pessoas com alguma responsabilidade pelo que escrevem, porque publicam - ainda que seja em blogs -, sistematicamente a cair nesse erro. Uma das melhores que me aconteceu foi um miúdo dirigir-se a mim com um cartaz no peito a dizer "Abraço HÁ borla" :D

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    1. sim, há coisas que a desculpa "o novo acordo ortográfico" lá vai atenuando mas "voçês" também nunca teve cedilha e terminações "am"/"ão" já andam a ser confundidas há muito tempo.

      Obviamente, quem quer ajudar, pode sempre escolher essa via mais educada. É a que prefiro (quer como receptor ou como emissor).

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