27.11.13

Planeamento vs Estacionamento


No meu trabalho, o fluxo do mesmo é estabelecido através de um planeamento. E eu, que gosto bastante de metáforas a la carte, gosto de comparar o planeamento com o acto de estacionar um carro.

No mundo ideal, esse planeamento é bem estruturado e as tarefas que nele constam ocupam o tempo que a sua importância e complexidade assim exigirem. Nesse mesmo mundo ideal, as pessoas compreendem também que as dimensões do veículo que pretendem estacionar não se adequam a qualquer espaço livre que encontram e agem em conformidade com essa noção.



No mundo real, esse planeamento é estruturado “ongoing”, com boa parte dos trabalhos que entram a serem muito escorregadios em termos do prazos propostos e muita coisa pendente que, conforme vai sendo resolvida, acaba por comprovar que os prazos só são cumpridos com muita engenharia criativa e muito deadline quase a cheirar a queimado. Nesse mesmo mundo real a ideia de muita gente que estaciona, independentemente do tamanho do seu carro ou do espaço disponível, é que “cabe” ou “vai dar”. Mesmo quando toda a gente vê que será necessário um milagre ou desafio arriscado às leis da física.



No lado mais negro do mundo que temos, o planeamento está armadilhado. Nada do que lá vem corresponde à realidade do que as coisas exigem, mas está disfarçado de maneira a que só te apercebas disso quando tens a tarefa em mãos. Os prazos não esticam, as tarefas agigantam-se e entram em mutação e, quando dás por isso, o planeamento é um gigantesco choque em cadeia, em que cada tarefa e cada prazo com que lidas se empurram, sobrepõem-se, atropelam-se e a tua tarefa é apenas sobreviver. O descontrolo pode surgir a cada esquina.



Sem comentários:

Enviar um comentário

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.