17.11.13

O fim não tem princípios



Aprendi este fim de semana mais uma triste lição sobre o fim, daquelas que todos já sabemos, mas que custam sempre a aprender como se fosse a primeira vez.
Aprendi que o fim pode surgir depois de um abraço e um sorriso, de uma noite regada a boa disposição e da sensação etérea de que há sempre espaço para coisas boas no meio do cinzento dos dias.

Fiquei uma vez mais a saber que o fim não tem princípios porque interrompe a vida quando quer e bem lhe apetece, sem perguntar se pode, não só porque efectivamente pode, mas porque deixa os porquês, os “ses” e as dúvidas nas nossas mãos, sem que nada possamos fazer a não ser ficar mergulhados neles.
O fim não é triste por ser o fim, é triste porque interrompe histórias que ainda tinham muito para contar, porque deixa de ser um intervalo, uma pausa ou um até já, para passar a ser aquilo que é – um fim que chega muito antes do seu tempo, apesar de todos sabermos que o fim não tem tempo, apesar de todo o tempo chegar ao fim.

Meu caro A. partilhámos tantas horas, daquelas a que alguns chamam apenas trabalho e nunca nos faltou espaço para brincar, para aprender algo mais, para uma curiosidade ao fim da tarde e para tornar uma vez mais verdade o facto de que há pessoas que não deixam apenas os locais mais vazios quando desaparecem.

Por estas horas não me preocupam, rótulos, categorizações de amigos ou colegas, nem sequer os adjectivos que se usam nestas ocasiões. Estou ocupado a tentar lixar o fim e a mostrar-lhe que, por mais finitos que todos sejamos, há histórias que se continuam a contar para além dele.

Despedi-me de ti lá dentro, na festa. Voltei a despedir-me de ti lá fora e perguntei-te se tinhas feito algum truque de magia para passar á minha frente sem eu ver. Sorriste e deste-me uma pancadinha no ombro, este truque não é para todos miúdo.
Nem penses que me vou despedir uma terceira vez. Só quando me ensinares o truque.