13.11.13

Momentos a la Ghost






Ainda era demasiado puto quando vi esta cena no Ghost. E se podem ter a certeza que os Righteous Brothers têm de facto uma bela melodia para a acompanhar, também não é menos verdade que merdas com barro e regabofe dos antigos, ainda que estilizado, podem traumatizar uma criança.

Tanto foi que, para aí um ano depois, quis o destino que em Trabalhos Manuais tivéssemos um período inteiro dedicado às artes da olaria. E eu suei minha gente, suei cada vez que aquela tipa que tinha mais de pai do Patrick Swayze do que de Demi Moore me chamava para experimentar a roda de oleiro. E não eram suores à fantasminha brincalhão, era medo mesmo.


A coisa correu tão bem que a peça de barro que desenvolvi, no final do período parecia uma cena e essa é a melhor descrição que consigo dar para encerrar o assunto.

Anos mais tarde percebi, em momentos de regabofe em nome próprio, que há de facto um conjunto de situações que só têm sentido e são verdadeiramente apetecíveis para os directamente envolvidos. E o barro, por mais que o cinema se tenha esforçado (e pelos vistos existem até votações que colocam esta como uma das cenas mais românticas de sempre) para mim continua a ser deveras assustador e pouco apelativo.

2 comentários:

  1. A ti e a mim Mak. Eu curiosamente associo o barro ali ao Meco, onde eu vi, mais vezes do que queria (tivesse eu um cêntimo por uma delas e era uma espécie de Belmiro mas em bom) criaturas barradas com o dito (ou espécie de...) a percorrer os areais da praia. Um "walking dead" fora de tempo e em "luso style". Não era bonito. E sim, fiquei traumatizado.

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    1. O barro e a argila moldaram de forma infame muitas memórias de infância...

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