7.11.13

Margarida, figura eminente de burrealismo


Não compreendo a surpresa com as últimas declarações de Margarida Rebelo Pinto, acima de tudo, porque não destoam de outras prestações mediáticas a que já nos habituou. Não tocando sequer naquilo a que alguns chamam “a sua obra literária”, o seu padrão de intervenções é coerente – uma personalidade afectada e um gosto por posições/afirmações de choque, que basicamente reafirmam o seu mediatismo, mesmo que seja de forma negativa. Assume-se assim como um baluarte do movimento burrealista.

A arte do burrealismo consiste em pegar na própria realidade e traballhá-la da forma mais burra que possível, de forma a que consigamos parecer piores do que realmente somos ou realçar o que de pior temos. Seja propositado ou fruto da nossa personalidade, a falsa noção de frontalidade, indiferença à crítica ou de “posições fortes” convertem-se em obras burrealistas, que obviamente têm sempre mercado, nem que seja pelo facto de haver gente que adoramos odiar. Até chegar o dia em que percebemos que o ódio está caro e que se calhar dá mais jeito guardá-lo para quem realmente o mereça, em vez de continuar a fazer doações para sustentar burrealistas de carreira.

 Analisando bem, seja na vida real, na Internet ou no mundo faz de conta das “personalidades”, todos conhecemos alguém que tem um gosto especial por fazer afirmações chocantes, assumir posições do contra ou, simplesmente fazer barulho de forma desmedida, em suma, tudo o que contribua para ser alvo de atenção.

É um bocadinho como a história do Pedro e do Lobo, mas neste caso Pedro vai para os jornais dizer que não percebe porque é que gordos como o Lobo andam a assustar crianças bonitas na mata, depois Pedro vai para a televisão e diz que os Lobos comem qualquer um que lhes ponham à frente, sem critério, não têm qualquer savoir faire e, se for preciso, Pedro vai para o Facebook destilar vacuidades e dizer que sente repulsa pelo Lobo, por este andar em manifestações a dizer que as crianças andam mais magrinhas e que a crise lhe está a tirar pessoas do bosque.

No que é que isto se traduz? As pessoas não só já não têm pachorra para ouvir o Pedro, como ainda por cima torcem para que o Lobo o transforme em belos nacos de bolo alimentar. Mais do que mau da fita, Pedro é o idiota da mesma.

Tendo tudo isto em conta, já se viu que burrealismo não é a minha onda, portanto agradeço que não me convidem para exposições do género.

9 comentários:

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    1. Não gastes essas mãozinhas em maus destinos :)

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  2. MAK, repito por aqui o que já disse algures:

    "Eu ainda acho que a MRP é uma grande, enorme "marketeer" (rapariga para ter estudado na Northwestern, com Kotler :)). Recordando-a nos tempos do Independente, não era de todo "airhead" -- ou o MEC ou o Portas, quem quer que fosse o director na altura (uma vez que trocavam de pelouro como quem troca de camisa) não a teriam escolhido. Quase apetece repetir as palavritas de Hamlet a Horatio, sobre as coisas do céu, da terra, dos sonhos, da filosofia, ... :)"

    Ela é uma personagem que se (re)cria a si própria, cuidadosamente. Lembras-te dos Milli Vanilli? A MRP é os Milli Vanilli da "literatura" nacional. :)

    Bom dia MAK :)

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    1. Por também pensar assim, é que já nem ligo, é técnica de marketing, é arte de burrealismo, faz tudo parte.

      A ironia dos Milli Vanilli é superior - eram só fachada, porque tinham o look certo mas não cantavam. Caíram em desgraça por isso, apesar da malta ainda gostar de ir lá bater à porta para o super revivalismo.

      Os tipos que realmente cantavam, tentaram o sucesso com selos como "The Real Milli Vanilli" e falharam, porque a malta não estava nem aí para cantigas de gajos que não tinham o look certo :)

      Bom dia.

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  3. Tadita! Já nem há paciência para ouvir ou ler o que diz...

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  4. Como invejo a capacidade qued tens de fazer/escrever algo com pés e cabeça a partir de uma corrente de ar ( as delarações da MRP a um canal que ninguém vê mas que alguém se lembrou de pôr a circular na net).

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  5. Concordo! Proponho não dar tempo de antena a "celebridades" deste novo movimento - o burrealismo.

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  6. Burrealismo é tão bom. Devíamos começar a exportar dentro daquelas caixinhas dos pastéis de nata.

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  7. Felizmente, não vi, não li, nem ouvi.
    Mas deve ser mais do mesmo, portanto, o habitual, tá a ver?!

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