4.11.13

Depois da droga, os agarrados em raspadinhas


Já fui abordado a propósito do mote “orienta-me aí uns trocos” pelos mais diversos mitras, boa parte deles toxicodependentes, e com pedidos/justificações alguns deles do mais mirabolante possível. Eis alguns exemplos:

dinheiro para uma posta de peixe (num mercado)
dinheiro para um cheeseburger
dinheiro para um bilhete de barco (apontando repetidas vezes numa direcção onde não havia nenhuma estação fluvial)
dinheiro para o comboio
dinheiro para pagar o quarto da pensão
dinheiro para pagar a pensão à gaja (a minha suposição foi que seria a de alimentos e não uma variante da do quarto de pensão)
dinheiro para vinho e salsichas
dinheiro para muamba
dinheiro para liamba
dinheiro para pastéis de nata
dinheiro um raio-x à perna
dinheiro para umas muletas “a sério”
dinheiro para a gasolina (não era para o carro, era para um tipo que fazia malabarismos como fogo)
dinheiro para arranjar o acordeão
dinheiro para se calar (o artista em causa cantava tão mal que dizia que só o fazia porque tinha fome)
dinheiro para um prato a sério (depois de rejeitar a oferta de uma sopa)
dinheiro para levar a mãe e o cão ao médico (não especificada a ordem
dinheiro para ir ver o Benfica
dinheiro para umas farturas (com indicação para a roulotte certa para as comer, ao invés daquela em que me encontrava)
dinheiro para sair da frente de uma foto
dinheiro para uns ténis, porque eu dantes também corria como tu pá, mas agora estou todo f”#$%do

Até agora, nunca me pediram dinheiro para raspadinhas mas, pelo que leio desta trabalhadora sexual que se diz viciada nas mesmas (e gosto dos detalhes profissionais), tudo pode estar a mudar. Já vejo arrumadores a trocarem a droga pelo pé de meia ou a Santa Casa a ser obrigada a lançar Raspadinhas que também dão prémios em metadona.

Por norma, quando me disponho de longe em longe a contribuir, só o faço nos dois extremos da escala, aos brutalmente honestos ou aos super criativamente tanguistas. As raspadinhas como justificação de vício (na base de um processo para sacar uns cobres) estão longe de entrar no meu hall of fame.

2 comentários:

  1. a indeminização inicial que a senhora pensou foi 1M€... até estou para ver o desfecho disto

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  2. Há pedidos para tudo. Em Lisboa chegou a moda dos diferentes cartazes a dizer "para cerveja", "para vinho", "para wisky", "para a ressaca", "pela honestidade". Da minha parte, os trocos são guardados para os músicos que tocam algo realmente dencente...

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