25.11.13

A vida no campo minado da arrogância

Poucas pessoas se têm como arrogantes. Diria até que até boa parte dos que, sem qualquer sombra de dúvida, são arrogantes (avaliação exterior, obviamente) escolhem sempre outra palavra para se definir nessa matéria seja ela autoconfiança, assertividade, saber de experiência feito, um “bocadinho convencido” ou coisa mais pitoresca.

Confesso que não tenho muita paciência para gente arrogante, especialmente o lote de “arrogantes com pés de barro” que constituem uma boa parte dos arrogantes que conheço. Para mim, o “arrogante com pés de barro” é alguém que constrói essa posição com base numa falsa noção de superioridade ou cuja postura circunstancial lhe permite esse comportamento. Descascando a questão, seja numa conversa, num tema, ou em tudo o que faz, este tipo de arrogante é apenas uma pessoa com falhas ao nível de educação e que tenta capitalizar qualquer trunfo como forma de intimidação ou soberba perante quem se deixe iludir (ou quem não tenha grande escapatória) com comportamentos ostensivos do género.

Dentro de um grupo que estou longe de adorar ou bater palmas, só tolero o verdadeiro arrogante, quando nele vejo as qualidades, talento ou capacidades que lhe permitem exibir esse comportamento (mesmo que politicamente incorrecto). Caso contrário, é só mais um otário/a com complexo de pavão.

Já trabalhei com / conheci tipos que eram verdadeiras bestas como pessoas, arrogantes ao máximo, mas cujo trabalho desenvolvido e talento permitiam, no limite, tolerar um pouco a atitude. Também já trabalhei com / conheci tipos que eram verdadeiras bestas e não tinham nada que permitisse ou deixasse vislumbrar as capacidades que lhe poderia dar margem de manobra para o seu comportamento. Eram tristes imitações de arrogantes a sério e só as pessoas mais complacentes e os que estão presos pelas circunstâncias iam amochando perante tal gente.

A arrogância é uma questão comportamental, não só de quem a ostenta, mas sim de quem a tolera, pois não raras vezes vi esse comportamento a ganhar preponderância perante quem não o desarma ou com ele contemporiza. Se calhar deviam haver também aulas de defesa pessoal contra a arrogância.

Por outro lado, nos dias que correm, até para ser arrogantes as pessoas estão cada vez mais mal preparadas. Fazem falta mais arrogantes a sério, dos da tanga já temos com fartura...

1 comentário:

  1. Convido-o a trabalhar com a bestúncia que tenho de aturar todos os dias; o arrogante com mania de humilde. É de vomitar até saírem as entranhas!

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