2.10.13

Tão sexy como um biscoito de cão



Ao ler o resumo das férias do André, num medley que, entre outros, meteu cães, bebés e acidentes com espreguiçadeiras, houve um elemento que me fez recordar uma história que se passou comigo, uma história altamente sexy e sedutora.

E haverá algo mais sexy e sedutor que um biscoito de cão?

Reza a lenda que numa dada noite de Verão cada um foi à sua festa. Eu fui o primeiro a voltar a casa, já a noite ia avançada, trazendo comigo uma ligeira carga etílica e algum cansaço mas, qual macho latino, achei que seria bonito esperar por ela. Era uma noite quente e macho latino que espera em estilo tem obviamente que o fazer apenas de boxers.

Mas, já que a espera podia demorar, talvez o melhor fosse ver um pouco da televisão da madrugada, sempre um conforto para o artista nocturno que regressa a casa com essa ligeira carga etílica.

O cão recebeu-me à entrada da sala mas, mal avancei para o sofá, seguiu-me atentamente. Sentei-me, liguei a televisão e, surpresa das surpresas, não estava a dar nada de jeito (isto se considerarmos que o canal de televendas não oferece programação de qualidade, o que é dúbio). O cão não parava de olhar para mim fixamente, fiz-lhe umas festas mas não era brincadeira o que ele queria.

Devo ter estado para aí quase uma hora a olhar para a televisão e ele a olhar para mim. Até que o cansaço me começou a vencer e achei que um tipo fica igualmente bem quando faz a sua espera deitado em cima de uma cama.
O cão seguiu-me e, quando aterrei de barriga para baixo e atravessado na cama, a última coisa de que me recordo é de vê-lo sentado à entrada do quarto fitando-me com um olhar que parecia indignado. Apaguei.

Acordei com alguém a rir-se, era ela. E quando estamos naquele torpor entre o sono e a realidade, tudo parece próximo e distante ao mesmo tempo e não temos a certeza se estamos ou não acordados. E ela ria-se, alto e bom som. E eu, meio irritadiço, a dizer “O que foi?” e ela “Nada, nada, falamos de manhã”. Juro que ouvi uma câmara a disparar.

Quando acordei tinha um biscoito de cão na mesa de cabeceira, daqueles biscoitos de roer e tudo começou a fazer sentido.
O cão, aquela pequena máquina de triturar biscoitos, tinha ganho a mania de ir roer biscoitos para o sofá, numa parte em que tinha a sua manta. Eu, homem sexy de boxers, entrei na sala de rompante e alapei o rabo na zona dele, onde tinha estado a roer um biscoito. Na realidade, ele não estava interessado em mim, mas sim em saber o que era feito do seu biscoito e quando finalmente me levantei, o biscoito tinha desaparecido.

E quando ela chegou a casa, haveria cenário mais sexy para encontrar do que um marmanjão estendido na cama, apenas de boxers e com um biscoito em forma de osso colado em grande no meio do rabo?

Apesar da minha vergonha pós-colagem ser suficiente, jurou-me não ter tirado nenhuma foto mas eu tenho a certeza, um dia hei-de pagar por ter tentado parecer sexy usando apenas um par de boxers e colando-lhes um biscoito de cão.

4 comentários:

  1. Boxers??? Mak, então ainda ninguém te disse que sexy mesmo era esperares todo nu? E ainda te tinhas livrado do biscoito, acho que assim tão sexy, no mínimo o conseguias sentir. Homens...

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    1. Cara Vera, a história está cheia de episódios em que "o gajo estava à espera todo nu" é um prelúdio de drama, horror e tragédia. Ainda assim, eu não estava bem em mim.

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  2. Não deixei aqui um comentário a elogiar (invejar) a capacidade de auto-controlo do teu cão?

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    1. Naquela altura, mais do que auto-controlo, a velhice é que conteve o pobre canídeo, porque já não conseguia subir à cama. Caso contrário, teria comido biscoitos e boxers na boa...

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