29.10.13

Sobre e sob pressão


Comecemos com um vídeo educacional com espadartes que pretende ser também uma metáfora sobre pressão.



Reparem no indivíduo que basicamente só está ali a adular o cliente, virando a cadeirinha, dizendo-lhe palavras de incentivo, enquanto o seu colega está a dar no duro. Quando a coisa dá para o torto, a reacção do cromo é típica de quem não reage bem sob pressão ou, pior ainda, alguém que sabe exactamente o que deve fazer quando as coisas correm mal e o “eu” vem antes do “nós”.

Vistas bem as coisas, em qualquer ambiente profissional (e na vida em geral) há quem lide mal e quem lide bem com a pressão e embora ela seja uma constante em certas áreas, lidar bem com ela não deveria (a meu ver) ser algo que seja considerado um factor positivo só por si.

Para quem como eu trabalha em áreas ligadas à criatividade, a pressão é sempre relativa, porque não há uma fórmula que garanta o sucesso de alguma coisa e é extremamente subjectivo o ideal de “as melhores soluções surgem sob pressão”, até porque quando a mesma é uma constante o seu efeito esbate-se no quotidiano, pois torna-se mais do mesmo.
Acredito que saber lidar com a pressão é um factor que ajuda a distinguir algum tipo de talento em certas áreas, mas que isso ganha relevo quando a pressão não é uma arma de arremesso que se usa sem qualquer critério, tipo chicote para manter o ritmo na galera de escravos.

Neste artigo, embora de forma leve e descomprometida, aborda-se um pouco da questão e entendo que a mesma deve também ser enquadrada num “bolo” que não inclui por exemplo profissões de desgaste rápido (ex: controladores de tráfego aéreo), onde o factor pressão já está incluído muitas vezes na situação contratual e não é surpresa para quem se mete naquilo. É interessante verificar a solução de compromisso, embora também tenha a clara noção que no mundo real os compromissos trocam-se muitas vezes por realidades bem mais negras. E vai daí, já vi gente a perder quilos nas casas das dezenas ou a ficar com os nervos em franja a ponto de ouvir sempre o “My way” do Sinatra antes de ter que ir aprovar trabalhos. E nesses casos extremos, fica difícil perceber onde é que a culpa é da pressão ou do conflito entre outros aspectos, alguns deles pessoais, que se mascaram como isso mesmo.

Já vi falta de educação mascarada de pressão, já vi preguiça a motor a causar pressão, já vi casos de “a pessoa errada no local errado” a gerar pressão, já vi até animosidades pessoais descambarem em pressão e excesso de consciência dar à luz auto-pressão. Feitas as contas, se formos a ver bem a coisa, cada vez mais vivemos numa panela de pressão e o mais “engraçado” é que muitas vezes somos nós que nos fechamos lá dentro.

Nota adicional: Vejo umas carrinhas comerciais da Super Bock aí a circular, com a assinatura “Trabalhamos sobre pressão”. Quero pensar que são uma piada fraquita e não um erro que confunde “sobre” e “sob”, mas eu não sou de pressionar pessoas.

1 comentário:

  1. Desculpa perdi-me no vídeo. Não consigo parar de rir.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

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