20.10.13

Quando a TV leva refogado à tua terra



Resolveu-se que uma coisa boa para a televisão era fazer programas “festivos” em várias localidades. Uma espécie de “A TV vai à tua terra, divulga-a um bocadinho e faz um espectáculo para encher chouriços, com uns artistas de segunda”. Bem sei que só vê quem quer mas, ao fim de semana, por norma ao domingo a coisa equivale a três canais públicos com programas em directo, num bolo para aí de 4 ou 5 horas. Certamente que para as populações de Cernache do Bonjardim, Cedofeita ou Vale dos Salames Fatiados não há tarde tão animada quanto esta, as autarquias batem palmas e para o resto da malta que porventura esteja em casa a ver televisão, a salvação é o cabo.

Mas, se excluirmos os artistas em playback fastidioso, as bailarinas tronchudas a dançar para não morrer de hipotermia e a hipótese de vermos apresentadores reciclados, empandeirados ou resignados a um certo tipo de programa, o que resta?

Resta a grande mina em lavagem mental a idosos e gente que acha que isto é entretenimento do bom (e eles existem) – aquela cantilena do número de valor acrescentado, que a cada chamada te saca 70 ou 80 cêntimos, com a promessa que há um grande jackpot à espera e que jeito que ele dá em tempo de crise, repetem eles a cada dois minutos. A frequência das chamadas paga o prémio a quem o oferece, mas não paga a tristeza de ver um programa de televisão em que o esquema difere em pouco daqueles spots publicitários em que jovens crentes na arte do amor profissional à distância dizem estar à espera de uma chamada nossa para nos conhecermos melhor e, quem sabe, levar o nosso saldo telefónico à loucura.

Então, mas isso é pornográfico, na televisão é o amigo José Figueiras ou o tio Goucha que me dizem que posso ganhar dinheiro e não se cansam de o repetir, olha até aquela jovem que mordeu agora três fatias de bom presunto regional está a tentar dizer-me o número outra vez.
Pois, mas a pornografia pelo menos é explícita, isto é um jogo muito mais lamacento.

O que vale é que agora vêm aí os telejornais, onde não nos impingem números de valor acrescentado. Ficam-se pela pornografia da miséria, só para amenizar um bocadinho, antes de nos darem o melhor do entretenimento nocturno, com gente com talentos que quer ser famosa num canal, gente sem talento fechada numa casa mas que quer o mesmo e um programa de humor no qual depositava alguma esperança mas que, na primeira semana, me deixou a apanhar do ar.

Mas também, a verdade é que ninguém vê televisão, não é?

6 comentários:

  1. Já nem a televisão pública escapa... (há mt tempo)

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    1. Sim, isto não é de agora. Mas o loop à volta das chamadas para números jackpot é que ainda me deixa mais enfastiado.

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  2. Por ventura houve algum desses programas em Cernache do Bonjardim? É que sou natural de lá e gostaria de ter visto..

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    1. Pura especulação, nem no Vale dos Salames Fatiados há garantia de que tal evento se tenha concretizado...

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  3. Já não basta a neura de um Domingo que às vezes pode ser entediante, tentares "aliviar" a coisa em frente à tv é meio caminho para cortares os pulsos.

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  4. Finalmente a RTP1 percebeu que 5 horas de um programas desses leva à falência qualquer estação de TV e passa uns filmeszitos e umas series. Claro está para quem não tem Meos, Zons, Vodafones e parabólicas, ou para quem está quase na fronteira e apanas uns canias espanhóis muito piores que os nossos. Adiante, o povo está descrente da sua sorte e iludido que gastar 0,60€ poderá proporcionar uma pipa de massa. ligam uma, ligam duas porque 2da primeira pode não ter ficado gravado" e ligam mais umas tantas porque o tédio é grande e 0,60€ é pouco dinheiro dizem eles.. e pronto quando chega a conteca do telefone não se ganhou nada a não ser um buraco no orçamento financeiro.

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