22.10.13

O reflexo no feminino



De longe, sem que se apercebam, é interessante ver o comportamento das mulheres e o seu reflexo numa montra ou parede espelhada em plena rua.

As coisas, por norma, definem-se em três grande categorias gerais:

Grau 1 – A subtil
Ligeiro relance, de cima a baixo, não dá por norma para distinguir o reflexo de aprovação do de ligeira inquietação. Sempre em movimento, correcção ligeira de cabelo ou roupa, discreta o suficiente para poder isso quase não se notar, caso se esteja a cruzar com alguém.

Grau 2 – Sim, sou eu
Olhar mais demorado, uma facção usando os vinte segundos ou o espelho de corpo inteiro que lhe faltam em casa para assegurar a conformidade, em modo sobrevivência multitasking. A outra facção, mais cheia de si, está normalmente num dia bom e está a gostar do que vê. Ainda há uma certa discrição mas, por vezes, o movimento é interrompido para um look mais frontal. É nesta categoria que por vezes se insere o “efeito do reflexo cruzado”, em que a mulher que se reflecte dá pelo facto de estar a ser observada. Para algumas é um reforço positivo, para outras é a quebra do pequeno momento mágico e retomam a marcha.

Grau 3 – Estamos em casa
A montra/superfície espelhada transforma a rua na casa da reflectida. Nada mais existe, apenas o seu reflexo, uma outra peça de roupa que precise de ser ajustada e endireitada, esteja ela onde estiver, maquilhagem a rever, penteado a recolocar. Estarei gorda, estarei demasiado magra, que parvoíce, não existe reflexo que diga isso a uma mulher. Bem está ali uma cabra com uma roupa igual à minha. Ah não, a montra do outro lado também é espelhada. Deixa lá compor um look casual, mas ainda assim que vá bem com este saco da Calzedonia em que vai a marmita. Assim com o iPhone na mão parece mesmo que estou em NY, vou tirar uma foto para colocar no Facebook, deixa só ver um ângulo em que não apareça a marmita. Porra, já estou atrasada.


Nota: Há um número crescente de homens que também se começa a poder dividir por qualquer uma destas categorias. Felizmente não me incluo nisso, mas só porque não tenho reflexo, perdi-me dele numa corrida.

4 comentários:

  1. Falta aí o grupo de mulheres que andam sempre a olhar para o chão e que nem reparam que há reflexos, a não ser nas poças de chuva.

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    1. É verdade, mas esta pseudo-observação analisa apenas a relação com as que olham para o dito cujo nas referidas superfícies.

      Se fosse para abordar as que não olham, te garanto que há quem, mas do que nem reparar no reflexo, prefira esquecer que ele existe.

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