7.10.13

O que se passou ontem não foi um épico



Ontem não foi um bom dia para performances. Mas um gajo só se mete numa maratona porque quer e, nem tendo a desculpa de ser a primeira, vejo a situação como aprendizagem sobre mim próprio em situações extremas. Deixemos os épicos para o cinema e para quem realiza verdadeiras proezas onde realmente importa, chamarei a esta maratona quanto muito um feito pessoal de superação de dificuldades.
 
O calor já me tinha entrado pelo pensamento antes de me começar a castigar o corpo. Tal como previa, partir para uma maratona às dez da manhã em Cascais, quando já estão perto de vinte graus, não foi um bom princípio.
Ainda assim até metade do percurso, perto de Algés, o alento foi permitindo superar o desconforto que ia já surgindo. Eis quando, muito mais cedo que estava previstos surgiram cãibras não de grau impeditivo, mas daquelas que vão desgastando e obrigando a abrandar com pausas para alongar. E ainda faltavam mais de 15kms.

No Cais do Sodré, aos 30kms, uma ajuda preciosa com uma dupla milagrosa convocada a rigor para me apoiar, um a correr e outra de bicicleta. Já não ia bem, mas ainda seguia dentro do ritmo previsto para uma maratona cheia de calor a acabar depois de almoço.
Juntavam-se agora cãibras, o pico da temperatura e, pior que tudo, um estômago em negação. O que acontece em provas com demasiado calor é que, mesmo com hidratação constante, isso faz com que o estômago reaja ao esforço de forma muito mais agressiva e mais cedo. Tudo junto e os últimos dez quilómetros da prova foram um calvário. Tive que andar, parar e aos 37kms, sem entrar em detalhes, diria que não foi o melhor de mim que veio ao de cima.

Pensar em desistir?

Sim, claro, por breves instantes.  Mas, entre teimosia e o reconhecimento que, mais do que o corpo, ali quem manda é a cabeça e a forma como compreendes as tuas capacidades, houve sempre mais força para continuar. E o evento do km37, a par da companhia ideal, por incrível que pareça fizeram-me sentir melhor a partir dessa altura.

Os últimos 5kms não foram bonitos, mas foram feitos e a meta cruzada em estilo e a correr. O segurança, depois da meta perguntou-me se precisava de ajuda ao que eu lhe respondi “Só se tiver que fazer o mesmo percurso para trás a correr”. Ah, o sentido de humor idiota, a prova última que ainda estou vivo dentro de padrões normais de existência. No pior dia que já passei a correr, ficou um recorde, o da prova mais longa – cerca de cinco horas a correr.

O facto de hoje não estar mais do que ligeiramente dorido das pernas, tanto como em provas mais curtas, faz-me compreender que o meu maior inimigo foi o calor, o que me indica que provas nestas condições de futuro é melhor evitar. Também compreendo que provavelmente sou ligeiramente apanhado, porque foi já hoje que fui inscrever-me no sorteio das inscrições para a Maratona de Berlim do próximo ano.


PS - Prometo reduzir na temática por aqui, não queremos que este blog passe do epíteto "blog daquele cromo" para "blog daquele cromo das corridas".

4 comentários:

  1. entao e quem veio aqui parar porque disseram que era um blog de um gajo que tambem corria.. tem de abandonar o barco?

    btw fiz a primeira meia maratona e nem correu mal, com menos dores nas articulaçoes tinha sido melhor. (lembrei-me da conversa dos bleeding nipples de ha uns posts atras diversas vezes durante a manha ao olhar para outras pessoas).

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    1. Antes de mais, os devidos parabéns, a primeira meia é sempre uma efeméride a comemorar.

      Quanto à temática, não vai desaparecer porque faz parte da minha rotina, simplesmente não vou postar em catadupa sobre corrida como nos últimos dias :)

      Eu vi mais dois ou três novos membros da Ordem do Mamilo Sangrento durante a maratona. Felizmente, o meu creme Nivea continua a não desiludir :)

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  2. Parabéns. Terminar a maratona é "d'Homem".

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  3. Problemas de joelhos impediram-me de correr esta que seria a minha primeira. Espero estar bem para a próxima. Parabéns :-)

    R.

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